Amor Distópico... Prólogo

Um conto erótico de Yagami
Categoria: Homossexual
Contém 610 palavras
Data: 25/11/2017 21:26:37

Tudo mudou. O mundo seguiu uma onda retrógrada absurda nos últimos anos, lembranças de vida em liberdade ficou no passado e nas memórias dos últimos senhores e senhoras que ainda restavam no mundo. Alguns países que reinavam antigamente sumiram dos mapas depois da terceira guerra mundial. O Brasil continuou, infelizmente. E eu nasci aqui, nessa época. Onde ser HOMEM com todas as letras maiúscula era a maior educação que poderíamos ter.

- Bom dia, meu senhor - Minha mãe falava com o senhor meu pai quando ele acordou.

- Bom dia - Ele disse ríspido e sem nenhuma afetividade no rosto. Seu olhar frio caindo sobre mim.

- Hoje é o dia, estudei na Homanum ao longo dos meus anos escolar. Você vai ser dar bem lá, tenho grandes contatos. ótima escola para homens de bens se formarem - Ele disse.

Engoli em seco. Aos 15 anos, meninos e meninas eram mandados para escolas diferentes. As meninas se tornariam mulheres prontas para casar com o menino que se tornaria homem nas escolas Homanum. Nunca foi divulgado para a sociedade em geral o que acontece lá dentro, os ex-alunos, como meu pai, eram proibidos de falar para as crianças. Tive que me despedir da minha mãe sem nenhum contato físico, o senhor meu pai havia ensinando que emoção era pra mulheres. O que nunca havia entendido, na verdade, muitas coisas sobre mim eu não entendia e isso era meu maior medo. Aqueles que não são iguais em sua maioria dentro do seu pais tinha um destino trágico. E eu não me sentia igual ao que via na televisão e nas ruas. Não era para as meninas que eu olhava, e até onde eu sei, nunca havia ouvido falar de homens que sentiam o mesmo que eu sentia. Eu era uma aberração nova na sociedade. Eu não era como o meu pai.

Os portões fecharam, éramos cerca de 360 alunos dentro daqueles muros, homens de diferentes cores de cabelos, mas todos iguais de pele. Esse era o Homanum branco, como eles chamavam. Seguimos todos em fileiras, não era permitido sair nem um centímetro da linha. Mais a frente, veteranos assistiam a nossa chegada.

- Sejam bem vindos, senhores - Disse um senhor com uma cara amargurada, o corte cicatrizado em seu rosto o eixava ainda mais amedrontador - Hoje vocês são 360 alunos. Espero que até o final do ano, continuem sendo 300. Muito de vocês provavelmente serão eliminados por não atingir a meta de homem. Então vamos ao primeiro teste. TODOS VOCÊS TIREM A ROUPA...AGORA.

Vários movimentos começaram ao mesmo tempo, fiquei parado sem saber o que fazer. Assim como outros garotos pareciam entrar em pânico. Olhei para os veteranos e alguns deles pareciam de olho em todos nós. Foi quando o olhar dele se encontrou com o meu. Ele era magrinho, tinha os cabelos raspados e acenou com a cabeça e sorriu. Tirei a roupa e fiquei pelado, não conseguia tirar os olhos dele, parecia que naquele momento eu não estava ali. Até que ouvi o som. O som que eu ouviria muito. Tiros foram disparados contra alguns de nós durante minutos. O veterano que estava me olhando piscou o olho demoradamente e quando reabriu não estava mais olhando em minha direção. Seguiu seu caminho para dentro do prédio.

- Não iremos tolerar Efeminados dentro desse colégio e nem nesse pais - O senhor voltou a falar - recoloquem suas roupas e entrem no prédio.

Os corpos deles no chão nunca mais iriam sair da minha cabeça. Por que fizeram aquilo? O que era Efeminado? O que era aquilo que senti ao encontrar os olhos daquele outro homem? O que era o Homanum? E o que esse lugar guardaria para mim?

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