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O Submundo do Clube dos Cornos - Parte 15

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Um conto erótico de Mark da Nanda
Categoria: Grupal
Contém 4471 palavras
Data: 03/07/2026 06:58:12

Dom desligou, deixando Cortez ainda mais atordoado. Aquilo que havia começado como um jogo delicado, começava a revelar uma faceta bastante perigosa. Cortez não sabia mais em quem confiar, mas sabia que tanto ele quanto Luma corriam um risco real nesse tabuleiro que agora parecia estar sendo dominado pela perícia do Dom.

[CONTINUANDO]

Por dias Cortez tentou contato com Luma, através de mensagens, ligações, mas nada. Ele se sentia sozinho, abandonado, rejeitado. As humilhações que sofrera na Imperium agora era nada se comparadas a essa dor. Luma seguia fazendo jogo duro, não mantendo contato nenhum com ele. As respostas vinham de sua mãe, protocolarmente, apenas para deixa-lo ciente de que ela estava “melhorando”.

Já passava de uma semana quando Cortez decidiu sair para uma caminhada, pois sentia que ia pirar. A providência divina o fez encontrar Alceu, um amigo que havia se formado em psicologia e exercia o mister já há alguns anos. Alceu notou de imediato que algo não ia bem e se colocou à disposição de Cortez para ouvi-lo sem julgamento. Cortez tinha vergonha de falar tudo o que haviam passado, mas precisava se abrir com alguém. E o fez.

Naquela tarde, o sol andou rápido demais enquanto Cortez falava e logo uma lua cheia veio para iluminar a praça em que os amigos ainda estavam. Cortez contou segredos que nenhuma outra pessoa além de Luma sabia. Expôs sua intimidade, suas vontades, seus objetivos. Alceu ouviu a tudo e foi sincero:

- Ô, Cortez... Caralho, mano, como você entrou numa fria dessas?

- Eu não quis. Só aconteceu.

- E a Luma, cara... Eu imagino que ela deva estar mais destruída que você.

- Não sei. Ela... não me atende. Estou tentando há dias, mas ela parece que... não quer mais falar comigo.

- Cara, é o seguinte... Teu caso é muito complicado e eu, como seu amigo, não posso te atender como total zelo. É uma questão ética e de bom senso, entende? Eu vou te indicar um cara super atencioso, da minha total confiança e...

- Eu não vou falar com mais ninguém, Alceu! – Cortez o interrompeu, secando uma lágrima: - Já está sendo uma barra te contar tudo o que te contei e...

- Vai sim! Vai, sim senhor... – Agora Alceu é quem o interrompia: - Você está acabando com sua vida e com a vida dela, cara! Precisa sentar e ouvir uma voz experiente. E esse cara é de minha total confiança. É um antigo professor, um cara vivido e muito experiente. Dr. Galeano... Você vai ligar para ele, porque eu vou ligar para saber se você ligou. E ai de você se não tiver ligado!

Alceu insistiu tanto que Cortez, mesmo contra a vontade, acabou aceitando que ele ligasse e marcasse um atendimento de emergência. Dois dias depois, Cortez estava sentado numa poltrona confortável no consultório do Dr. Galeano, um homem de uns sessenta e poucos anos, barba grisalha bem aparada, olhos calmos e voz grave que transmitia uma serenidade quase irritante.

Cortez demorou quase vinte minutos para começar a falar. Quando começou, não conseguiu mais parar. Sua necessidade em se abrir era tanta, tamanha, que o Dr. Galeano pediu para sua secretária reagendar as demais consultas. Cortez contou tudo, desde as primeiras fantasias de Luma até a noite com Jermaine, o colapso emocional, a saída de Luma de casa. O terapeuta ouvia em silêncio, apenas fazendo algumas anotações esporádicas.

Quando Cortez terminou, o silêncio no consultório era pesado. Dr. Galeano tirou os óculos, massageou a ponte do nariz e falou com calma:

- Acho cedo para te dar um diagnóstico definitivo, mas me parece que você está vivendo o que chamamos de “crise de identidade masculina aguda”, agravada por um interesse em sofrer humilhação sexual que já beira o transtorno que talvez tenha sido causada por um aparente abandono emocional. A meu ver, o que acentua ainda mais o seu drama é que você ama a sua esposa, mas, ao mesmo tempo, sente excitação com a humilhação que ela e o tal de... – Olhou suas anotações rapidamente: - Dom... que ela e ele lhe causam. Isso gera essa sensação estranha que você diz sentir, como se fosse uma culpa por estar praticamente algo errado. E vou te dizer, se você não entender e equilibrar essas sensações, corre um sério risco de entrar um ciclo autodestrutivo.

Cortez baixou a cabeça, os olhos vermelhos:

- Eu sei que sou doente. E sei que parece loucura, mas... uma parte de mim ainda quer que ela volte. Mesmo depois de tudo.

- Não falei que você é ou está doente. Falei que estão sofrendo consequências por não terem se preparado melhor para entrar nesse meio. E quanto a querê-la de volta, é claro que quer, porque o amor não desaparece da noite para o dia. Mas o que você precisa entender, Cortez, é que vocês dois entraram num jogo que já não controlam mais. Aliás, talvez nunca tenham controlado. E esse tal de Dom Black, pelo que você descreveu, me parece ser um predador experiente. Ele não está só atrás de sexo. Ele quer submissão total, dela e sua também.

Cortez suspirou, totalmente perdido:

- E como eu resolvo isso?

- Primeiro, me contando toda a verdade.

- Como assim?

- Já tenho alguns anos de profissão, Cortez. Sei que você está me escondendo algo. Veja bem... essa aceitação sua e dela fogem até mesmo a parâmetros já catalogados em estudos da área. Vocês simplesmente tem aceitado tudo sem questionar o dominador, sem terem uma palavra de segurança e claramente sem querer tudo o que estão passando. Há algo mais. Algo que te incomoda tanto quanto essa situação toda em que você e sua esposa se meteram. Por que não se abre de uma vez e me fala? Só com a verdade é que eu conseguirei ajudá-lo a se libertar.

Cortez desviou o olhar, mas sabia que o terapeuta havia acertado em cheio. Uma verdade que ele tentava guardar, achando que ainda controlava, mas que, na verdade, o havia controlado boa parte de sua vida. E agora também a de Luma. Cortez encarou o terapeuta, derrotado:

- O senhor está certo. Tem mais uma coisa...

- Me fale. Me dê toda a verdade para que possamos trabalhá-la juntos.

Cortez fechou os olhos e respirou profundamente. Ele buscava organizar as ideias de algo que o feria sempre que precisava lembrar. Então, novamente olhou para o homem que o observava atentamente e falou:

- Dom... Aquele maldito... Ele... Ele destruiu a minha mãe.

Pela primeira vez, o Dr. Galeano reagiu. Seu semblante antes calmo, tranquilo e tranquilizador, se surpreendeu com a informação. Ainda assim ele se controlou e o animou a dizer mais:

- Como assim “destruiu”? Explique melhor isso, Cortez.

Foi então que uma verdade enterrada a sete chaves começou a ser revelada. Cortez buscava as melhores palavras, mas sabia que não havia uma forma melhor ou mais fácil de dizer aquilo:

- Vou tentar explicar. Desde o começo... Meu avô nunca foi um homem de posses. Ainda assim, quando morreu, deixou um bom terreno e um armazém para minha mãe. Minha mãe, doutor, era uma moça lindíssima, sonhadora, uma desbravadora. Ela pegou o barracão que meu avô havia lhe deixado e o transformou numa danceteria, com restaurante e lanchonete. Dizem que, no auge, até cantores sertanejos famosos vieram se apresentar ali.

Dr. Galeano o ouvia sem interromper, apenas fazendo breves e rápidas anotações em seu caderno:

- Mas também era muito emotiva. Certo dia, um jovem apareceu por lá. Não sei essa parte da história, porque eu nem havia nascido ainda, mas ele conquistou rapidamente o coração da minha mãe. Mais do que isso, ele dominou a alma dela. Tudo o que ele queria, ela fazia. Tudo! Carro, dinheiro, enfim... Minha avó tentou despertá-la para a vida, falar que aquilo estava errado, mas minha mãe não lhe deu ouvido e ainda se afastou da família. Em pouco tempo, ele havia tomado conta de tudo e pior, convencido a minha mãe a passar tudo para o seu nome.

- E esse jovem é o...

- Sim. É o Dom.

- Cortez... – Dr. Galeano fechou seu caderno por um instante, encarando-o seriamente: - Você e Luma... Vocês estão numa jornada de vingança contra o Dom?

Cortez não respondeu, mas nem precisaria. A forma como ele encarou o Dr. Galeano quando este lhe fez a pergunta, foi resposta suficiente. Cortez enxugou uma lágrima e continuou:

- E isso ainda nem é o pior...

- Como assim?

- Teve um momento em que minha mãe se desentendeu com o Dom. Minha avó não soube me explicar o motivo, mas foi coisa séria. Alguma coisa que ele começou a fazer lá na danceteria e ela não concordou. Enfim... Pouco tempo depois, minha mãe foi encontrada na beira de uma estrada rural, nua e extremamente machucada. Foi levada ao hospital, mas entrou em coma.

- Nossa, Cortez! Mas que história é essa?

- É. Complicado, eu sei... – Cortez suspirou, passando a mão na testa, nervoso, mas ainda tinha o que falar: - Lá no hospital, descobriram que ela estava grávida. De mim. Nasci lá mesmo, prematuro. Minha avó foi quem me criou e com o tempo foi me contando partes dessas história. Ela também não parecia saber de tudo. Contava partes e eu montava a história como dava. Daí um certo dia, milagrosamente, minha mãe acordou.

Dr. Galeano encarava Cortez ávido por informações. Nem anotar em seu caderno agora, ele anotava:

- Sabe aquela história... quando uma pessoa prestes a morrer, melhora subitamente antes de partir? Acho que foi isso, porque ela acordou consciente e bem. E só então, ela soube de mim por alguma enfermeira. Me chamaram e eu fui vê-la. E tive a oportunidade de conversar com ela...

Os olhos de Cortez marejaram de imediato com as lembranças, sua voz embargando:

- Por dois dias e duas noites, eu tive minha mãe comigo. E ali, no leito do hospital, ela me contou tudo, tim-tim por tim-tim... Sobre a danceteria, o Dom, a relação conturbada entre eles, a prostituição...

- Prostituição!?

- Prostituição... – Cortez confirmou com a cabeça: - Ele e um outro sócio dele começaram a explorar umas moças na Imperium. Mas o que fez minha mãe brigar com ele foi o que ela descobriu depois...

- E o que foi?

- Prostituição forçada e tráfico de mulheres. Aquele maldito não só explorava as moças. Ele as prendia lá e as obrigava, e aquelas que se negavam a obedecê-lo, ele vendia para outros países como se fossem animais.

- Meus Deus do céu... Mas isso é muito sério! Você tem provas disso?

- Aí vem a segunda parte do meu drama... – Cortez pigarreou e balançou negativamente a cabeça, se auto-incriminando antes de continuar: - Eu já havia tentando fazer minhas investigações, mas nunca deu em nada. Então, fui vivendo, vivendo... Conheci a Luma e nos casamos. Pensei que iria superar essa merda toda. Mas qual não foi a minha surpresa quando ela, conversando com umas amigas, foi ficando curiosa com esse negócio de envolver outra pessoa no nosso relacionamento. Eu... Eu pensei em unir o útil ao agradável.

- Se infiltrar na danceteria, usando ela, para conseguir provas? – Perguntou o Dr. Galeano, saindo de sua tranquilidade aparente, mas logo retornando ao papel: - Até onde a Luma sabe desse seu passado com o Dom e...

Ele se calou encarando Cortez seriamente. Por segundos, ficou em silêncio, analisando, raciocinando, concluindo. De repente, seus olhos se espremeram e ele perguntou:

- Quem é o seu pai, Cortez?

Cortez ficou igualmente em silêncio. Depois, deu um sorriso triste, inconformado, mas resignado ao mesmo tempo. E respondeu:

- Acho que o senhor já sabe...

- Minha Nossa Senhora!... – Dr. Galeano se calou, colocando uma mão sobre a boca por um instante: - O Dom. Ele é o seu pai?

- De acordo com a minha mãe, sim.

Dr. Galeano ficou olhando Cortez em silêncio, abismado com o que acabara de ouvir. Então, novamente ele espremeu os olhos e perguntou:

- Certo! Vou perguntar novamente: até onde a Luma sabe dessa história?

- Ela não sabia de nada. Nunca contei para ela. Nem quando ela começou com essa história de outra pessoa com a gente. Mas o destino quis foder tudo novamente e colocou o Dom no caminho dela.

- Como?

- Parece que uma amiga dela conhecia um cara que conhecia o Dom. Não sei direito se o cara passou o contato da Luma para o Dom, ou se foi o contrário. Enfim, quando eu soube, ela já trocava mensagens com ele.

- Mas e hoje, ela sabe?

- Sim. Nós já conversamos sobre isso.

- E como ela reagiu ao saber que o Dom, seu provável pai... Veja bem, estou colocando como provável, porque você não tem certeza ainda, ok? Como ela reagiu ao saber que o Dom... vou usar suas palavras... que o Dom destruiu a sua mãe?

- Ela ficou surpresa. Mas eu pedi que continuássemos para eu conseguir alguma prova contra ele. E agora estamos aqui, mais enrolados que novelo de lã.

- Certo... – Dr. Galeano se recostou, olhando para o teto, tamborilando o lápis no caderno por um instante: - Cortez... Luma tem algum tipo de transtorno psicológico? Faz uso de algum medicamento controlado?

- Não, doutor. Por quê?

- É que tudo está acontecendo muito rápido. Ela sabendo de toda a história, aceitou se submeter a ele, agora se afastou de você... Algo simplesmente não encaixa.

- Acha que estou mentindo?

- Não! De forma alguma...

- O senhor acha que ela pode estar mentindo?

- Não tenho como dizer isso sem conversar com ela. Mas veja: a menos que esteja sendo drogada, ou esse Dom tenha poderes telepáticos, ou seja um expert em hipnose, não vejo como vocês chegariam a este ponto sem quererem chegar.

- Eu não entendo...

- Sinceramente? Hoje, eu também não tenho todas as respostas. Terei que pensar, refletir em tudo o que conversamos.

Dr. Galeano anotou algo em seu caderno. Por segundos, sua atenção se dividiu entre a pena e a escrita. No final, ele encarou Cortez e pediu:

- Você tem que me prometer que não irá atrás desse Dom. Pelo menos, por enquanto. E eu preciso ver a Luma, para entender melhor e saber até onde foi a extensão dos danos por ela sofridos. – Ele passou a mão sobre a testa, donde brotava suor e continuou: - Cortez, vocês estão numa espiral autodestrutiva. E se você estiver certo, se envolveram com uma pessoa sem o menor escrúpulo. Pior ainda, muito perigosa, com relações escusas com pessoas talvez mais perigosas ainda. Preciso que você pare e comece a pensar apenas no bem estar seu e da Luma.

- Doutor, eu nem consigo falar com ela.

- Consegue! Claro que consegue. Vá atrás dela e exija conversar. Diga que me procurou e que eu pedi para vê-la.

Quando estavam se despedindo, já perto da porta do consultório, Dr. Galeano perguntou:

- Por que você disse que só teve sua mãe por dois dias?

- Como eu te falei, doutor, ela melhorou, soube de mim, fui até ela, e conversamos. No final do segundo dia, ela teve uma piora repentina e faleceu. Não houve tempo sequer de chamar a polícia para tomar seu depoimento.

Enquanto isso, na casa dos pais de Luma, o cenário era outro. Luma passava os dias trancada no antigo quarto, deitada na cama que um dia fora sua. Nas paredes lembranças de sua adolescência, fotos, pôsteres, sonhos... A mãe tentava conversar, mas ela respondia apenas superficialmente. O pai, mais distante, mas nem por isso menos amoroso, apenas observava com preocupação, sem saber como agir. À noite, quando a casa silenciava, Luma pegava o celular e via as mensagens de Cortez, mas não respondia. Ao invés disso, trocava mensagens com Dom:

Dom – “Como você está, minha linda?”

Luma – “Confusa. Assustada. Com saudade de você… e me sentindo culpada pelo que fiz ao Cortez.”

Dom – “A culpa passa. Mas o desejo, se não for bem satisfeito, não. Quando você vai entender que eu posso te dar sensações que ele nunca vai conseguir?”

Luma – “Não tem como comparar, Dom. Se continuarmos assim, ele está destruído. Talvez, eu também.”

Dom – “Ninguém será destruído. Estou dando a minha palavra. Logo, ele vai entender que você precisa de mim, que ele precisa de você e que nós precisamos dele. Mas você… você principalmente precisa de mim.”

Luma – “Não sei.”

Dom – “Sabe sim, minha linda. Você sabe, bem no fundo da sua bucetinha, que precisa de mim. Aposto que fica lembrando sem parar de tudo o que já vivemos e tem curiosidade do que ainda podemos viver. Não fica?”

Luma – “Talvez.”

Dom – “Não. Em meu mundo, não há espaço para dúvidas. Somente para revelações, descobertas... Você precisa de mim, agora, mais do que nunca.”

Luma – “Mas e o Cortez?”

Dom – “Ele aprenderá qual é o lugar dele nessa equação. E se não aprender, eu estarei aqui para te apoiar e te acompanhar nesse caminho. Quer saber? É hora de agir. Quero você aqui, comigo, sem ele. Você precisa entender que não depende dele para mais nada. Sábado, às 20:00, Artur irá busca-la. Quero você deslumbrante para mim.”

Luma ficou longos minutos olhando para a tela antes de responder:

Luma – “Ok. Sábado.”

Na sexta-feira, Cortez tentou mais uma vez. Foi até a casa dos pais de Luma e pediu para falar com ela. A sogra, com pena de sua aparência, o deixou entrar. Luma, mesmo relutante, saiu de seu quarto, mas manteve distância. Assim que os pais dela os deixaram a sós, Cortez começou a falar:

- Eu comecei uma terapia... - Disse ele, envergonhado, a voz rouca: - Estou tentando entender o que aconteceu com a gente. Eu te amo, Luma e queria tentar consertar tudo.

Luma o olhou com os olhos cansados. Ela também o amava, talvez mais do que a ela própria para ter se permitido participar daquela sandice. Mas ela também tinha seus limites e sentia que eles haviam sido extrapolados:

- Eu também te amo, Cortez. Mas agora… eu preciso de espaço. Preciso entender quem eu sou sem você e sem ele. Me dá esse tempo, por favor.

- E se eu não conseguir te dar esse tempo?

- Então você vai me perder de vez.

Cortez sentiu o peito apertar. Então, tentou mudar de tática:

- Meu... terapeuta... Ele é um senhor muito inteligente, Luma. Contei tudo para ele. Tudo. Ele queria te conhecer, te ouvir.

- Não sei se tenho coragem de contar para alguém o que a gente fez.

- Eu já contei. Tudo. Tudo mesmo, até da vingança.

Luma o olhou surpresa. Ficou em silêncio por alguns segundos:

- E o que ele disse?

- Quer te conhecer e pediu para eu não procurar o Dom, por enquanto. Acho que seria bom você fazer o mesmo.

Luma sabia que talvez ele tivesse razão. Mas ela sabia também que precisava tentar se entender naquele tabuleiro. Ela queria saber se era um reles peão ou se era a Rainha. Pensou em falar do encontro marcado com Dom, mas sabia que ele se oporia. Então, mesmo confusa, falou:

- Me dá mais uma semana. Prometo que vamos nos sentar e conversar. Daí se eu me sentir mais confiante, irei no seu terapeuta. Prometo.

Cortez não insistiu mais. Apenas assentiu, sentindo-se ainda assim derrotado. Foi embora, agora com uma ponta de esperança.

No sábado à noite, pontualmente as 19:00, um imenso SUV preto, com vidros escuros, estacionou à frente da casa de Luma. Artur logo desceu do veículo e foi tocar o interfone da casa de Luma:

- É a casa da senhora Lucimara Maria?

Entretanto, quem havia atendido era justamente o seu pai. Ele olhou para a esposa, desconfiado, e respondeu:

- Não. Aqui é Roberto. E a casa é minha.

- Ah! Me desculpe, senhor. Eu devo ter me enganado de casa, então.

- Não também. Lucimara é minha filha. Pode me dizer o que o senhor quer com ela?

- Eu nada, senhor. Sou apenas o motorista incumbido de buscá-la.

- Só um instante...

O pai de Luma olhou novamente para a esposa e mandou que chamasse a filha. Luma desceu com os olhos esbugalhados, arrumada como se fosse para uma festa:

- Tem um moço aí fora e ele...

- Eu já sei, pai. – Ela o interrompeu: - Desculpa, é que vou a uma festa e acho que ele chegou mais cedo.

- Quem é ele? – Perguntou sua mãe: - O Cortez também vai?

Luma mordeu os lábios, nervosa. Ajeitou o vestido sobre o corpo e pegou o interfone:

- Artur!? Eu já estou indo.

- Perfeitamente, senhora.

Logo, ela saiu pela porta, com os pais atrás dela, ainda cobrando explicações. A única coisa que ela disse foi estranhamente sincera e maldosa:

- Minha vida tem que continuar. Não posso viver à mercê do Cortez.

Ela foi de encontro ao Artur e não pode deixar de notar a forma como ele a examinou de baixo a cima. Seu sorriso dizia tudo. Ela estava bem, muito bem vestida. Ainda assim aquilo era inaceitável:

- Pedi que me esperasse na praça. Agora, meus pais ficarão me cobrando.

- Peço desculpas, senhora. É que Dom mandou que eu viesse antes e deu ordens expressas para pegá-la na porta de sua casa.

- Mas na casa dos meus pais?

- Acredito que o Dom imaginasse que a senhora já tivesse voltado com o senhor Cortez.

Após novas desculpas de Artur, partiram. Pouco antes das 20:00, chegaram ao Imperium. Luma foi tratada como uma personalidade. Seguranças a acompanhavam, garçons a serviam, ela era a primeira dama da noite. Dom a recebeu no salão, trazendo uma caixinha preta de couro:

- Achei que você merecia um mimo.

Ele entregou a ela a caixinha. Curiosa, ela a abriu. Dentro havia uma gargantilha de couro com uma plaquinha dourada, na qual se lia duas letras “DB”. Luma sorriu e balbuciou:

- Dom Black...

Dom sorriu e assentiu, pegando a gargantilha que mais se assemelhava a uma coleira. Sem palavras desnecessárias, ele a colocou nela, como um símbolo daquela estranha união. Passaram a transitar pela Imperium. Dançaram. Comeram. Beberam. Dom era outro em público e a tratava de uma forma que a deixava confusa, quase apaixonada. Quando já passava da meia noite, ele cochichou em seu ouvido:

- Quero você. Agora.

Luma sorriu para si mesma e balbuciou:

- Eu ouço e obedeço, mestre.

Seguiram até a porta sempre vigiada por um segurança. Entraram pelo mesmo corredor escuro que já não mais causava arrepios em Luma. Na suíte, Dom a despiu, deixando-a totalmente nua. Então, pegou uma “gagball” vermelha e colocou em sua boca:

- É só para aumentar seu prazer, minha putinha. Confie em mim.

Luma apenas acenou positivamente, sem poder responder. Dom queria marca-la de uma forma como ainda não havia feito. A amarrou com cordas vermelhas de cetim sobre a cama, em uma posição que evidenciava sua bunda numa submissão silenciosa. E usou um chicote de couro macio no começo. Luma sentia o couro esquentar sua pele, gemia, mas não recusava o contato. Dom gostou do que viu. Soube que podia mais, ser mais intenso. Usou um consolo grosso na buceta dela e outro chicote, de couro mais duro. Aquele a fez tremer; este a fez queimar. Luma gemia e chorava, mas estranhamente começou a ter um orgasmo diferente. Dom não cansava de sussurrar elogios, ofensas e humilhações prazerosas no ouvido de Luma, fazendo com que dor e prazer se misturassem até ela não conseguir distinguir mais um do outro. Ela pensou que talvez Cortez estivesse errado, que talvez essa fosse a resposta que também serviria para ele. Talvez se ele entendesse que a dor e o prazer são a mesma coisa, desistisse daquela maldita vingança e se entregasse de vez a fantasia. Ou talvez ela devesse mesmo seguir sozinha.

Depois de um tempo, Dom a soltou das amarras e a fodeu com força. Primeiro, primeiro na buceta, num papai e mamãe, beijando sua boca ainda bloqueada pela “gagball”, sugando sua vontade, apoderando-se de sua alma. Mas depois exigiu o seu cu e ela o ofereceu, empinando a bunda, que ele fodeu sem lubrificação até a pele queimar. Luma não sabia, mas ele havia filmado tudo novamente. Tudo. Cada posição, cada gemido, cada palavra de rendição. No final, tirou a “gagball” e fez ela dizer enquanto lambia toda a extensão de seu pau após gozar:

- Diz pra mim quem é seu dono, minha putinha?

- É você, Dom. Só você.

- Mas e o seu marido?

- Ele é o nosso corno. Só não entendeu ainda.

A noite não terminaria para eles ali. Avançaria madrugada adentro, até a manhã do outro dia.

Noutra cidade, naquela mesma noite, por volta das duas da manhã, o celular de Cortez vibrou sobre a mesinha da sala. Ele não estava dormindo ainda, pois Alceu e Luquinha, outro amigo, haviam decidido conversar e beber com ele para animá-lo. Era um número desconhecido. Curioso, ele abriu a mensagem. Havia uma simples mensagem, sem remetente:

“Luma quem manda. Assista!”

Alguns anexos haviam chegado na sequência. Cinco, para ser mais exato. O primeiro, era um vídeo curto. Nele surgia Luma, amarrada, com a “gagball” na boca, sendo chicoteada por Dom e gemendo languidamente de prazer. O seguinte era outro vídeo, no qual ela aparecia gemendo ainda mais enquanto ele a penetrava no cu, por trás, a pele vermelha, quase sangrando. Cortez assistia a tudo sentindo o chão lhe faltar, o coração batendo descompassadamente.

Veio então uma foto de Luma, de joelhos, a maquiagem borrada, olhando para a câmera com a língua de fora toda banhada de porra. Uma legenda a acompanhava:

“Fica linda toda lambuzada.”

Outra foto na sequência. Lágrimas surgiram nos olhos de Cortez ao ver que era de Luma, as mãos colocadas lado a lado, as palmas voltadas para cima. No centro, seu solitário de noivado e a aliança de casamento, ambos cobertos pela porra do Dom. E novamente uma legenda perturbadora:

“Ainda há lugar para você. Submeta-se.”

A respiração de Cortez ficou mais ruidosa. Sentia um zumbido estranho no ouvido. Mas a curiosidade mórbida, sempre ela, o levou a prosseguir, a chegar no derradeiro anexo, um outro vídeo. Era a rendição definitiva de sua esposa para outro homem:

“- Diz pra mim quem é seu dono, minha putinha?

- É você, Dom. Só você.

- Mas e o seu marido?

- Ele é o nosso corno. Só não entendeu ainda.”

Cortez sentiu o mundo girar. O peito apertou. A respiração faltou. Ele tentou se levantar, mas as pernas falharam. Caiu no chão da sala, o celular ainda na mão, enquanto a escuridão o envolvia. A última coisa que viu antes de apagar foi uma última mensagem:

“Ela já me escolheu.”

Quando acordou, Cortez estava no hospital. Havia tido um taquicardia grave. Outro médico jurava que fora um infarto leve, mas real. Luma recebeu a notícia por volta das 10:00 da manhã seguinte, ainda na Imperium onde havia dormido com o Dom. E, pela primeira vez em dias, sentiu um medo diferente. Não do que Dom poderia lhe causar, mas do que ela estaria causando a Cortez.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 378Seguidores: 765Seguindo: 17Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Muito bem escrito, vocês são TOP. Sobre o casal do conta vai uma Passarinho que come pedra sabe o cu que tem.

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Viu dar minha opinião, e me.descupem se eu parecer frio de mais, mas é o q.eu penso

Não vejo como esse casal possa voltar.a.ser.um casal feliz e cúmplices, não vejo uma relação saudável para o dois, aí meu ver os dois estão errados, Luma por se tornar uma vadia q vício no Dom e no q ele proporciona, inclusive ao ponto de mentir, omitir e enganar o marido, e Cortez por ir atrás de uma vingança q não faz sentido, o cara foi atrás de se vingar de uma pessoa q escolheu seu próprio destino, contrariando até mesmo seus pais, uma pessoa a quem ele não teve como mãe,.pois sua mãe foi sua avó a vida toda, ou seja ele nunca teve um laço emocional com a mãe q justificasse por sua vida e a vida da sua esposa em risco, me admira muito um cara desse ser contador, ter sussesso na profissão, o cara é um doente mental velho, o cara não tem o mínimo discernimento sobre fazer o certo ou o errado, volta a pedir desculpas pelo q vou dizer, mas eu jamais colocaria em risco a vida da minha esposa, sua integridade emocional, meu casamento,.pra se vingar por alguém q eu não tive o menor laço emocional, sinto muito em dizer mas o Cortez é um zero a esquerda mesmo, nesse momento estou mais decepcionado com ele do q com a Luma, a Luma se tornou uma vagabunda?.....sim, mas pelo menos foi envolvida, ficou fascinada por um mundo q ela não conhecia,.e pelo jeito ela até tem mesmo o fetiche e o desejo de ser submissa, mas o Cortez?.....se meter nessa roubada, colocar sua esposa no meio de tudo isso, pra q?...., pra se vingar por alguém q ele praticamente nem conheceu? Sério isso?

Essa motivação pra mim está pior q espinha de peixe na garganta, não desce não, e a explicação do Dr também ficou entalada, crise de indentidade masculina? Abandono emocional? Abandono emocional de quem, da mãe, do pai?, não faz sentido pois ele foi criado pelos avós,.sendo amado, e as únicas figura partenal foram seus avós q nunca o abandonaram

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Os pais não...os avós criaram ele...

Saiu errado

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Foi o que eu disse abaixo...vamos supor que esses dois dias com a mãe fez ele ter essa vingança como motivação de vida (não parece pq ele casou e etc...só foi lembrar que existia o dom por causa da esposa)...mas vamos pegar essa premissa...qual o sentimento que QQ pessoa que pensa em vingança teria??? Raiva, ódio, mágoa??? Isso aparece alguma vez na história??! Isso pq a gente ouve os pensamentos dele a história toda.

Segundo...se ele sentiu algo por causa da história da mãe, faria sentido ele colocar a esposa, a mulher que ele ama a mercê da mesma pessoa que matou, literalmente, a mãe dele e destruiu deus pais??? Faz sentido???

Para a esposa aceitar a vingança, ela deveria saber a história toda...eu repito a pergunta, quem se colocaria em perigo desse jeito??? Por causa de uma vingança contra alguém que é perigoso, predador sexual e que faz prostituição forçada e tráfico de mulheres???? Ela faria tudo isso por causa do marido??? Ou por causa de um fetiche que ela poderia explorar de outro jeito bom outras pessoas???? Sério, faz sentido???

Voltando para o cara, ele deveria ter muita contradição em seus pensamentos...ele deveria ter raiva, ódio...deveria ter medo...deveria ter tudo, mas o que sobressai é o tesão de corno??? Sério???

Não faz sentido...essa justificativa não fez sentido. E vc tem razão...os pais criaram ele...ele nem se lembrava do dom...aí ele arrisca tudo por vingança??? Sem um plano, sem organização, sem cumplicidade mínima com a esposa???

Falaram mais abaixo e é verdade... é uma história mirabolante demais... é surreal...que é profundamente irreal.

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Só passei o olho ainda, mas rever nosso querido Dr.Galeano ja alegrou o dia!

Estamos tendo crossover e não vai ficar só no nosso Papai Noel não!

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Tenho que bater Palmas pra você novamente querido Mark pois esta amarrando todas as po tas que estavam soltas. Parabéns pelo capítulo cheio emoções. Agora ficamos nessa ansiedade louca para saber qual vai ser a reação e as atitudes da Luma daqui por diante.

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Ela ja começou errando de novo pois depois de varias vezes que o Cortez queria parar, lá vai ela de novo ocultando o contato com o Dom. Foi assim que esse problema começou

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Agora está explicado,a vingança.mas pergunto vai valer a pena tudo isso,dom mais uma vez está destruindo Luna,Cortez por algo do passado,pelo meu ver luna está completamente a mercês de dom,e ainda perigoso pois ela pode revelar todo plano de vingança de cortaz,e agora com Cortez no hospital pode ser que ela cai na real.

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Bom dia...agora que não faz sentido...o cara soube que a mãe foi destruída por ele, foi literalmente assassinada, sabia de tudo que rolava lá e entrou nessa com a esposa que ele diz amar???

E a esposa sabe de tudo, aceita se expor ao perigo, abandona o marido e se entrega ao cara até destruiu a vida do marido e é, inclusive, pai dele??

Qts anos o marido tem, está casado há mais de 10 anos...o dom qd engravidou a mãe já era o dom. Qual a idade do Cortez e do dom??? O Cortez uns 30, 40...o dom uns 70???

Não lembro da descrição dele como um cara muito mais velho que eles.

E novamente...as reações do Cortez simplesmente não faz sentido. Ele deveria ter ódio, raiva acima de tudo. O cara destruiu a vida da mãe dele...deixou ele órfão....ele deveria ter várias questões psicológicas sérias, e nada disso aparece no texto.

A esposa qd soube quem era o dom não teria medo de continuar??? Qual mulher do mundo se colocaria em risco dessa maneira???? Fez tudo isso por causa de tesão???

Há uma supervalorizao gigantesca com o tesão nesse site. E isso é apenas parte da vida...vc não deixa de ser vc, de ter sua dignidade, amor próprio etc por causa de tesão...mesmo se for através de fetiches...

Mas enfim...tô sendo chato... desculpa...

Mas realmente essa história não dá.

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Ela concordou em ajuda lo,e além do mais o problema é que o excesso de confiança aliado ao fetche dele é que acabou pegando os de surpresa . Mas quem começou tudo isso? Luma e sua curiosidade.

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Cortez tem 38 anos, então o Dom tem q ter no mínimo 56 anos, 38+18, o q eu acho pouco provavelmente, ou seja o Dom deve estar beirando seus 70 anos, está bem pra idade não acha kkkkkkkk

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Cara,que história mirabolante! Fiquei pensando...quantos anos a mãe dele ficou em coma??? Ela pariu ele já "fudida" e depois conversou com ele,décadas depois? Enfim,tem muita água pra rolar embaixo dessa ponte,a história vai durar. Aguardando ver como Mark desenrola essa fita ai.

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Foto de perfil de Samas

O Cortez ja carrega o carma da mãe.

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