Descobri Que Meu Irmão Fode a Nossa Mãe

Uma série de mandinha
*Uma série em três partes* Ninguém sabe que ele não dorme. Aos dezesseis anos, o narrador desta história aprendeu que sua casa revela seus segredos depois da meia-noite. Que as paredes finas de gesso não escondem nada. Que observar em silêncio é uma forma de poder. Rafael, seu irmão mais velho, é tudo que ele não é: um metro e noventa de músculo e impaciência, dreads que cheiram a lança-perfume, voz de bar herdada do pai que abandonou a família. Trabalha entregando iFood, usa o capacete que a mãe guardou como relíquia, e carrega nos olhos castanho-claros a mesma solidão que ela tenta esconder. A mãe, Débora, chama Rafael de "meu dengo". Mas dengos não crescem assim. Não ocupam tanto espaço. Não deixam marcas tão fundas na dinâmica de uma casa pequena demais para comportar tanta raiva, tanta carência, tanto desejo mal resolvido. E então o narrador vê algo que não deveria ver. Uma conversa no celular. Uma porta entreaberta. Um segredo que reconfigura tudo que ele achava que sabia sobre sua própria família. A partir desse momento, ele se torna a testemunha invisível de uma transgressão que deveria chocá-lo, deveria repugná-lo. Mas não choca. Não repugna. Ao contrário: desperta nele uma obsessão doentia.