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A história de Betinha 31: camisolinha preta

Categoria: Homossexual
Data: 17/07/2017 06:47:38
Nota 10.00
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Como responder ao inexplicável? Ao ver Salete com minha camisola e calcinha na mão eu congelei. Parte de mim queria me matar por ter esquecido elas lá no banheiro, outra parte queria me matar por ter voltado a vesti-las, outra parte procurava loucamente por uma resposta possível para Salete que, enquanto isso, me olhava com aquela cara de raiva e choro.

Que eu poderia dizer? Que as roupas eram de outra mulher? Seria admitir que eu a estava traindo, e seria também o fim do namoro. Ou eu devia assumir que eram minhas e que eu costumava vestir roupas de mulher escondido? O que seria menos pior?

O tempo que levei para decidir o que falar, essa hesitação toda, já foi prejudicial o suficiente. Enquanto escolhia entre a menos pior das respostas, Salete largou as roupinhas em cima da cama e foi juntando suas coisas, claramente se preparando para ir embora. Não falou mais uma palavra.

Eu fui atrás, pedi para esperar.

- Senta um pouco, Salete. Vamos conversar. Deixa eu explicar.

- Precisa explicação, Robert? Tá na cara, né? Posso ser mais nova que você mas não sou tão trouxa, né?

- Calma, não é o que você está pensando!

- Como que não? Tá na cara que você tem outra. Ela dormiu aqui e deixou suas roupas no banheiro, você nem percebeu, né? E para ela fazer isso, não foi uma trepadinha ocasional, né? Vocês já devem estar juntos faz tempo. Por que, Robert? Por que você fica comigo se tem essa outra?

- Não é isso gata, não é nada disso! Não tem nenhuma outra nessa história!

- Ah, não, claro que não. Aquelas roupas brotaram no seu banheiro, um ladrão invadiu sua casa e colocou elas lá, foi?

"Caraca, o que dizer?", eu pensei. "Como me livro dessa?" Não me pareceu ter alternativa nenhuma que prestasse. Resolvi abrir o jogo.

- Gata, deixa eu explicar. Essas roupas são minhas.

- Suas? É uma camisola e uma calcinha, Robert! Como assim, suas? São roupas de mulher! Que homem tem camisola e calcinha? Para quê?

- Sim, eu sei que são roupas de mulher. E são minhas.

- Ah, não engulo essa, Robert. Não mesmo. Tem outra nessa história. Você está me traindo.

- Gata, é que eu tenho um lance meio louco... eu gosto de vestir roupas de mulher, entende? Gosto de vestir camisola e calcinha, tem vez que durmo vestido assim.

- Não, não entendo. Como assim "gosta de vestir de mulher"? Dorme de calcinha? Então você é gay! Diz para mim, você é gay? É isso?

Putz, como responder isso? Sou gay ou não? O que eu digo? Conto tudo mesmo? Achei melhor suavizar um pouco. Tipo escolher o menor dano.

- Eu gosto de usar essas roupas... só... você pode procurar na internet, isso se chama "crosdressing". Homens que gostam de vestir as roupas do sexo oposto. Tem mais gente assim.

- Você é um travesti, é isso? Travesti em inglês se chama "crosdressing"?

- Ahn, mais ou menos... é que crossdresser não se prostitui... uma boa parte nem é homossexual, não tem relação com outros homens.

- Ah, Robert, para com isso. Chega, não explica mais, eu nem quero saber. Só de imaginar você vestido de calcinha e camisola já me deu nojo. Chega, vamos parar por aqui. Eu não topo essa.

- Mas gata…

- Não, não. Não tem "mas". Eu não encaro namorar um viado, gay, travesti ou "crossdresser", como você inventou. Para mim é tudo viado mesmo. Não. Eu gosto de homem!

Bom, não tinha mais o que eu pudesse dizer. Ela levantou, pegou suas coisas e saiu. Não fui atrás.

Depois que ela bateu a porta, fiquei pensando comigo - "caralho, Robert, que vacilada, hein? Deixar as roupas no banheiro foi muito estúpido!". Outra parte de mim recriminava - "se não tivesse voltado com essa viadagem, não estava passando de novo por isso, otário!".

Fui tomar banho antes de dormir enquanto travava essas brigas internas. Mais uma vez essa loucura de vestir de mulher tinha esculhambado minha vida. Já tinha perdido emprego, sofrido estupro, e agora perdido uma namorada por causa disso. Quanto mais precisaria acontecer para parar de vez com essas coisas? Quando ia aprender?

Saí do banho me secando e pensando essas coisas todas, e ao chegar no quarto para me vestir, encontrei a calcinha e a camisola atiradas sobre a cama. A fonte dos meus problemas. Peguei as duas roupinhas na mão, tão lindas, tão macias, tão femininas, e pensei comigo:

"Ah, que se foda... já perdi tudo mesmo, namorada, emprego... tô sozinho em casa, a casa é minha, ninguém paga minhas contas. Eu gosto dessas roupas, gosto de me sentir menina, que se danem todos. Eu vou usar calcinha e camisola e pronto."

Vesti a calcinha e ajeitei tudo para ficar bonitinho. Depois vesti a camisola, sentindo o tecido delicioso deslizar pelo meu corpo todo. Me olhei no espelho e me achei linda. Fui até a cozinha pegar um copo d'água rebolando como uma vadia! Voltei, deitei, liguei a TV e dormi uma noite de sono maravilhosa como há muito tempo não fazia.

Betinha estava de volta.

Comentários

20/07/2017 14:44:50
Queridos, lembram do conto da Paula e do Renato? Transformei em livro! (Nome:"De repente, Laura") Ele está disponível em formato digital na Amazon: https://www.amazon.com/dp/B0741PF3HX/ref=cm_sw_r_cp_awdb_c40BzbWE93KTE Quem gostou daquela história por favor avalie o livro na Amazon para me ajudar! Bejocas!
19/07/2017 12:14:37
Nossa!!! Arrasou!!!
17/07/2017 16:06:26
Gostei mto desse capítulo. Porque estava sentindo falta da Betinha q eu conhecia e ela está voltando.
17/07/2017 07:49:28
Sensacional Amiga ! Parabéns e Sorte pra ti na sua volta !!!

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