Sou o Fernando, todo mundo me chama de Nandão. Tenho 36 anos, sou branco, peludo, magro, com o corpo definido e trabalho num banco do Rio Grande do Sul. Sou casado há 12 anos com a Letícia: ela tem 34 anos, branca, baixinha, muito bonita e gostosa, funcionária pública que trabalha às vezes aos sábados e folgava sempre às quartas. Nossa vida financeira dava bem, mas a parte sexual tinha esfriado: era sempre a mesma coisa, sem novidades, só a rotina de quem vive junto há muito tempo.
Há uns três meses, ela me falou de uma coisa que eu também já tinha pensado mas nunca tive coragem de dizer: que talvez um dia, só uma vez, a gente pudesse tentar algo diferente, incluir outra pessoa, ver como era e nunca mais repetir. Eu sorri, disse que até poderíamos mas não tinha ninguém em quem confiar, e o assunto ficou por ali mesmo.
Na semana passada estávamos assistindo a um filme muito bom, que eu já queria ver há tempos, mas ela não prestava atenção em nada, ficava o tempo todo com o celular na mão teclando rápido como se falasse com alguém que não podia ver. O barulho das teclas parecia martelo na minha cabeça, eu tinha certeza absoluta que o que ela escrevia não era nada a ver com as amigas como ela ia dizer depois, e toda vez que eu olhava para ela virava a tela pro lado escondendo tudo; o filme estava cada vez mais interessante, mas os pensamentos dela estavam muito longe dali, longe de mim.
— Amor, o que tá acontecendo? Tu não larga esse celular, tua mãe está com algum problema?
— Não, não, é as gurias que estão discutindo no grupo.
— Tá, mas tu está envolvida com essa discussão?
— Não, nada a ver, são a Flávia e a Bárbara.
— Então vamos assistir o filme, tá muito bom.
— Tá, só deixa eu falar com elas, é só um pouquinho já desligo.
Fiquei olhando pra ela com muita vontade de desligar a televisão e ir dormir, e ela ficou mais uns minutinhos teclando sem parar.
— Tá bom seu chato, já desliguei, agora o que tu quer comigo?!
— Na verdade eu estava apenas querendo ficar contigo, curtindo a mulher mais linda do mundo.
Ela ficou parada me olhando, deu um sorriso sem graça, se ajeitou no sofá olhando pro filme, mas eu sabia que os seus pensamentos não estavam no enredo; se passou uns dez minutos e o filme terminou.
— Já acabou? Que pena, quer ver outro?
— Não, não quero não, mas quero outra coisa com uma mulher linda, gostosa, safadinha que está aqui comigo.
— Nem pensar, tô morrendo de sono, só quero tomar um banho e dormir, amanhã tenho que trabalhar.
Depois foi tomar banho e levou o celular junto, coisa que nunca fazia, e eu fiquei ali ouvindo o chuveiro pensando como ela podia me enganar assim. Quando saiu tentei chegar mais perto mas ela disse que estava muito cansada, virou de costas e fingiu dormir; eu vi o barbeador usado na pia: ela tinha se depilado inteira, preparou o corpo pra outro.
No dia seguinte disse que ia trabalhar na quarta, que era o dia dela de folga pra cobrir uma colega, e também ia no sábado, e eu acreditei como um idiota. Na manhã seguinte saiu mais tarde, às sete e meia, toda arrumada e cheirosa, com a roupa marcando os seios e a bunda empinada; esqueceu o cartão de acesso na mesa então peguei e fui correndo atrás dela, e quando cheguei na esquina vi um carro parado, ela olhou pros lados, entrou rápido e antes que as luzes apagassem vi ela beijando o cara com uma fome que nunca tinha visto comigo.
Fiquei parado ali sem saber me mexer, as mãos tremendo e o pau pulsando de raiva e de um tesão que me dava vergonha de admitir, imaginando ela pelada rebolando, levando estocadas fortes, chupando e engolindo tudo enquanto ele metia nela como se fosse dela.
— Porra! Que safada! Como eu fui tão trouxa!
O carro foi pro lado oposto ao trabalho, tentei ligar um monte de vezes mas só caía na caixa postal; andei de um lado pro outro na sala com a cabeça girando até que chegou a mensagem do Jonas:
— Vi a Letícia entrando na casa, tu tava bêbado né kkk. Bha meu, não deu pra ir aí te dar um abraço, tô indo pra Porto Alegre, deu um probleminha na empresa, mas acho que vou voltar pra passar o final de semana, tu vai ficar até quando aí salgando as bolas vagabundo?
— Bha meu, só viemos no bate e volta, estamos voltando hoje mesmo.
— Tá bom, vê se não bebe muito sem mim kkkk.
— Tá bom, se falamos depois.
Na hora caiu a ficha: toda aquela história de trabalhar era mentira pra me deixar longe, ela foi direto pra lá com ele, e eu não conseguia parar de pensar que é o Daniel, com certeza é o Daniel, ele tá lá agora fudendo ela na nossa cama no lugar que era nosso. A raiva e o tesão se misturavam enquanto eu pensava nela se entregando pra ele e eu ficava aqui de otário.
Comecei a lembrar dos amigos, quem poderia ser: liguei pro Cláudio, pro Raul, pro Gil, pro Júlio e pro Renato, todos tinham onde estavam e não podiam ser; depois liguei pro Fabiano que sempre olhava pra ela de jeito estranho, ele tava em casa, e por fim liguei pro Celso que disse estar longe — mas no meio da conversa ouvi um barulho bem forte no fundo, a porta rangendo exatamente igual à porta do quarto da casa da praia que já fazia tempo estava com problema.
Desliguei o celular, não tinha mais dúvida nenhuma: era o Daniel mesmo, ele estava lá com a minha mulher na minha casa. Não estava mais aguentando ficar parado só pensando no que os dois faziam ali, então peguei a moto e saí disparado pra praia, e no caminho a cabeça não sossegava só vinham cenas dos dois juntos na nossa cama, na nossa casa, tudo o que eu tinha imaginado martelando sem parar.
Quando cheguei na rua deixei a moto num barzinho da esquina, entrei e tomei duas doses de whisky de uma vez só pra tentar acalmar o coração que já batia na garganta, depois fui andando devagar até a casa, cada passo parecia mais pesado; quando cheguei na frente o mundo quase caiu: lá estava o carro que eu tinha visto na esquina parado na garagem.
A casa estava quieta com só uma janela aberta, fui andando pelos fundos com todo o cuidado pra não fazer barulho e parei atrás do mato: vi o Daniel só de sunga sentado na cadeira de praia bebendo cerveja e fumando, depois ela apareceu de biquíni bem atolado na bunda, parou do lado dele olhando pro celular e a mão dele foi direto acariciar a bunda da minha mulher devagar como se fosse dele.
Fiquei ali parado sem saber o que fazer: se aparecesse agora ia acabar com tudo na porrada, se fosse embora ia ficar com isso na cabeça pro resto da vida, não sabia se desmascarava tudo de vez ou se saía dali e resolvia isso depois quando ela chegasse em casa.
Fiquei sentado no barzinho pensando no que eles estavam falando, meu pau estava quase saindo da calça e era um tesão muito forte que precisava aliviar; pedi pro cara do bar pra usar o banheiro, sentei no vaso e comecei a bater uma lembrando do que vi e criando a cena dele socando no rabo e na bucetinha dela, não deu três minutos e gozei na mão, me limpei, paguei o cara e saí em direção à nossa casa em Porto Alegre. Quando cheguei tomei um banho bem demorado, bati outra e gozei muito, fiquei só de cueca na sala bebendo umas doses de whisky e adormeci ali mesmo; foi que ouço ela chegando, levantei e ela me deu um beijo no rosto dizendo que o dia foi puxado, tinha muitas coisas pra resolver mas ia tomar banho e cair na cama.
— Tu tava bebendo, meu amor? Hum, bebeu demais pro jeito, hein?
Eu engoli a seco olhando pra ela com aquela cara de raiva que eu tava louco pra descontar de outro jeito:
— Não, não amor, comecei agora, só que eu tava com uma dor de cabeça do caralho.
— É mas a Fabiana deixou um monte de serviço atrasado para mim.
— Que merda, né, amorzinho, mas hoje nós vamos brincar um pouco né?
— Ah, não, amor, nem pensar, hoje não rola, estou exausta demais. Vou só tomar o meu banho e cair dura na cama, outra coisa seu bebum, não vai ficar bebendo até tarde tá.
— Qual é a diferença de beber ou ficar contigo?!
— É, tu tem razão, então fica aí.. Fui...
Fiquei ali sozinho olhando a porta do banheiro fechar, e na minha cabeça só vinham as cenas que vi na praia; não disse nada, não fiz cena, só fiquei quieto guardando tudo dentro de mim. Passei a semana inteira assim: tudo calmo e normal como se nada tivesse acontecido, não cobrei ela de nada, não perguntei onde ia nem mostrei que tava chateado ou desconfiado, ela também não falou muito nem procurou ficar mais perto, mas eu tava calculando cada passo.
Chegou sexta-feira, liguei pro Daniel convidando pra tomar uma cervejinha aqui em casa e ele aceitou, pouco depois apareceu todo simpático; ficamos no sofá conversando, rindo e brincando, mas toda hora eu pegava ele trocando aqueles olhares rápidos com a Letícia cheios de segredo. Eu percebia cada detalhe mas não falava nada, só fui fingindo que tava cada vez mais bêbado e cansado.
— E aí Fernandão, como é que tá o serviço no banco?
— É, tá indo... As coisas tão meio paradas, né? Pouco movimento, muita burocracia.
— É mas as coisas vão ficar pior se o L continuar como nosso representante,o cara está fazendo não só o seu pé de meia, tá fazendo uma empresa de meias,kkk.
- verdade,os juros cada vez maior, alimentação,Bha, não sei como ainda tem pessoas que querem fazer o L.
- É eu faço L,L,L.
- É Let mas tu tá segura sendo funcionária pública,mas quantias empresa estão tendo que fechar,e mais,essas leis agora dos direitos das mulheres,o governo está jogando as mulheres contra os homens,os negros contra os brancos,os gays contra os héteros,e agora os travestis contra as mulheres de ética e moralidade, mas isso é uma maneira de separar os grupos e a população não vão ter mais força pra combater o governo é isso que eles querem.
- é, é isso mesmo, veja bem,quem nunca foi racista agora é,quem nunca foi homofóbico agora se tornou,quem não era misogenico agora é, muitas mulheres se tornaram
"empoderadas" só que não é isso que são, viraram prostituta grátis.
- em uma coisa vocês dois tem razão, é tudo uma jogada dos grandes pra distrair a população pra outros assuntos e esquecer o que eles estão fazendo.
- Tá,mas aquele teu pepino que tu falou semana passada? Resolveu?.
— Ah, não foi nada demais, coisa de família mesmo. Tive que ir até Montenegro resolver uns assuntos de lá.
— Ah tá, então deu tudo certo. E faz tempo que tu não vem aqui em casa, hein Daniel?
— É, faz tempo mesmo, acabei nem aparecendo mais.
— Amor, eu acho que tu já tá bem bêbado, fala mais baixo.
— Ah deixa ele, Letícia, faz tempo que a gente não se encontra, deixa o cara à vontade.
— Mas, tu não sabe não: ele tá pegando mania de beber toda hora agora. Na quarta-feira que eu trabalhei, quando cheguei em casa ele já estava bebendo, e continua assim todo dia.
— É, mas eu já falei pra ela: prefiro eu beber do que ficar aí pensando besteira sozinho, pelo menos com a garrafa eu não faço mal a ninguém, kkkkk.
— Pois é, isso aí é problema de vocês dois, eu não quero me meter. Sabe como é, né? Briga de marido e mulher ninguém mete a colher.
— Então seu safadão, e as mulheres, tá pegando muitas putinhas por aí?! kkk.
— Que horror, amor, que pergunta nojenta!! Faça-me o favor, ele não é assim.
— Hahaha, Let, tu não sabe nem um por cento das malandragens desse safado, kkkk.
— Pô Nandão, assim tu me deixa mal na frente da Let, kkkk.
— Tá, mas falar a verdade é algo só pra gente com integridade, mentir na cara dura só é pra quem não presta, não é?
— É, isso é verdade.
— Meu deus, que assunto infantil de vocês dois, me poupe disso. Vou tomar meu banho, depois volto quando a quinta série passar pro ensino médio.
— Hahaha, acho que nós vamos repetir de ano, não é Dani? kkk.
— Bha, acho que tá na minha hora.
— Nem pensar, nem pensar seu Daniel. Tu tá todo debochado aí, bebeu demais, pode esquecer que vai sair da minha casa deste jeito. Pode ficar aqui e não tem mais assunto.
— Viu o que ela falou? Não podemos contrariar uma mulher, isso é misoginia, kkkk.
amanhã já tem a segunda e última parte.
se alguém não curtir deixa seu comentário sem filtros, a minha lógica de escrever é unicamente pra vocês.
Hero.
