O despertador tocou às quatro da manhã, um barulho irritante que cortou o silêncio do quarto, mas o que me acordou de verdade foi o calor do corpo dele se afastando. Vi, entre os olhos semiabertos, ele se arrumando às pressas para a viagem até Recife. Camisa de botão, o perfume amadeirado que eu amava cruzando o quarto, a postura séria de quem passaria o dia trabalhando. Antes de sair, ele sentou na beira da cama, beijou a minha testa e sussurrou que voltaria no último ônibus da noite. Quando a porta da sala bateu, o silêncio que ficou na casa parecia carregar a minha paz junto, uma sensação estranha. O lençol ainda tinha o cheiro dele, e bastou eu fechar os olhos por mais cinco minutos para a minha imaginação começar a trabalhar.
O dia passou arrastado, mas o ápice do meu delírio começou à tarde. Meu celular vibrou no meio do meu almoço: era uma foto dele no espelho de algum banheiro, logo após o almoço, com a camisa aberta e a legenda: " O calor de Recife tá me matando, mas o que queria mesmo era estar suando com você".
Aceitei a provocação.
Respondi na hora com uma foto que tirei deitada na cama: puxei a barra do meu vestido, revelando o início da coxa e a calcinha de renda preta, úmida pelo pensamento fixo nele, com a resposta: “Vem tirar”.
Ele visualizou e respondeu apenas: “Estou contando os minutos voltar. Não usa calcinha à noite”.
Aquela ordem me deixou em ponto de pegar fogo. Olhei para o guarda-roupas já aérea, levantei, fui até a porta onde guardo o presente que ganhei dele, sentindo um fogo líquido entre as pernas a cada passo. Quando deu nove da noite, eu já estava pronta. Tomei um banho demorado, deixei o cabelo solto e, seguindo estritamente as instruções dele, vesti apenas um vestido de seda curto, fluido, sem absolutamente nada por baixo. Deixei a casa à meia-luz, a porta aberta para refrescar, contrastando com o calor que subia pelo meu próprio corpo, e esperei. Cada minuto no relógio parecia uma hora.
O celular em cima da mesa vibrou, iluminando a sala escura. Corri para pegar o aparelho, o coração batendo na garganta, esperando ler "Estou pousando".
Em vez disso, a mensagem na tela cortou o ar dos meus pulmões:
— Amor, não vou voltar essa noite!
Fiquei decepcionada. Uma frustração pesada, misturada com aquele fogo que já estava queimando há horas, subiu pelo meu peito. Eu estava ali, nua sob a seda, excitada ao extremo, com o presente dele em mãos e a casa pronta... e ele passaria a noite a quilômetros de distância.
Deitar naquela cama vazia com o corpo fervendo foi uma tortura, mas eu não ia deixar aquela energia toda se perder. Joguei o celular de lado, irritada e excitada na mesma proporção, e me rastejei para o meio dos lençóis. O tecido gelado contra a minha pele nua arrancou o meu primeiro gemido da noite.
Abri as pernas devagar, sentindo o vestido de seda subir até a minha cintura. Minha mão desceu guiada pelo instinto, os dedos ansiosos encontrando a minha bucetinha completamente molhada, implorando por toque. Quando fiz o primeiro círculo no clitóris, fechei os olhos e fechei a mente para o resto do mundo. Na minha cabeça, não tinha sexo cancelado, não tinha distância e não tinha Recife; só existia o toque.
Comecei devagar, saboreando a minha própria textura. Imaginei os dedos dele ali, a boca dele no meu pescoço, o peso do corpo dele me esmagando contra o colchão. A frustração por ele não estar ali se transformou em uma safadeza egoísta, focada apenas no meu próprio prazer. Enterrei dois dedos em mim mesma, sentindo minhas paredes apertadas, engolindo meus próprios dedos enquanto o polegar massageava o topo, ditando um ritmo rápido, deliciosamente ritmado.
Minha respiração ficou curta. Eu arqueava as costas na cama, puxando o lençol com a outra mão, completamente entregue ao calor que subia pelas minhas coxas. O prazer solitário tem uma intensidade diferente: é livre, é sem pressa, é focado em cada milímetro de sensibilidade. Comecei a acelerar o movimento, esfregando com força, enquanto meus dedos afundavam e saíam de mim, estocando o meu próprio corpo no ritmo dos meus delírios mais profundos.
Eu estava quase lá. Minhas pernas tremiam e o fogo líquido parecia prestes a explodir. Dei uma última sequência de estocadas rápidas com os dedos, pressionando o clitóris com força, e o ápice me levou flutuando.
Gozei alto na solitude do quarto, o som do meu próprio gemido ecoando nas paredes. Minha carne pulsou forte contra os meus dedos, uma, duas, três vezes, derramando todo aquele tesão acumulado ao longo do dia nos lençóis. Quando a onda de choque passou, deitei a cabeça no travesseiro, ofegante, com o corpo relaxado e um sorriso saciado nos lábios. Ele que se preparasse para quando voltasse, porque a prévia tinha sido toda minha.
O sol nem tinha saído direito quando um barulho me despertou. O som metálico e familiar do portão abrindo cortou o silêncio da madrugada. O coração, que já estava calmo depois da noite agitada, deu um salto no peito. Olhei para o relógio de cabeceira: a luz do dia ainda era um rastro cinzento e tímido no céu.
Ele tinha dado um jeito de pegar o último ônibus da madrugada.
Escutei os passos pesados dele na garagem em direção a porta, o som da chave girando na fechadura da porta da sala. Eu ainda estava na cama, exatamente do jeito que tinha pegado no sono: com o vestido de seda todo desalinhado, as pernas descobertas e o cheiro do meu próprio prazer da noite anterior ainda sutilmente pairando no ar dos lençóis.
A porta do quarto se abriu devagar.
Ele entrou com a mesma roupa do dia anterior, o casaco jogado por cima do ombro. O rosto ostentava aquela barba por fazer de quem não dormia há horas e as olheiras de uma noite passada em claro em alguma rodoviária. Mas quando os olhos dele pousaram em mim, deitada na penumbra, o cansaço dele simplesmente desapareceu. Ele largou o casaco na cadeira e caminhou até a beira da cama, com o olhar fixo em cada centímetro de pele que o meu vestido curto teimava em deixar à mostra.
— Eu não consegui aguentar esperar até o meio-dia — ele disse, a voz completamente rouca, gasta pela noite em claro, mas carregada de uma urgência perigosa. — Passei a madrugada maldizendo aquela rodoviária.
Ele se ajoelhou na beira do colchão, engatinhando até mim sem tirar os sapatos, com os olhos cravados nos meus.
— Deixa eu ver se você me obedeceu... — ele sussurrou, a mão grande e quente subindo pela minha coxa, arrastando a seda do vestido para cima.
Senti o peso do corpo dele se aproximando e, antes mesmo que ele mandasse, o instinto falou mais alto. Girei o corpo na cama, ficando de costas para ele. Afundei o rosto no travesseiro e empinei o quadril para o alto, me entregando completamente àquela posição de submissão e desejo.
Ele não perdeu um segundo. Senti a pressão dos joelhos dele prendendo as minhas coxas na cama quando ele montou em mim. O peso dele sobre o meu quadril era firme, possessivo, me deixando travada contra o colchão. Com uma das mãos, ele puxou o meu cabelo com força para trás, obrigando-me a erguer um pouco a cabeça, enquanto colava a boca quente no meu ouvido, respirando um arfar pesado.
— Que visão maravilhosa, Aline... — ele rosnou, a voz trêmula de tanto tesão. — Você está perfeita assim.
Com a outra mão, ele levantou o resto do vestido de seda até as minhas costas, deixando a minha bunda totalmente exposta e empinada para ele. A palma da mão dele desceu com força, desferindo um tapa estalado em uma das minhas nádegas que ecoou pelo quarto. O estalo e a ardência me fizeram soltar um gemido agudo no travesseiro, o que só serviu para deixá-lo ainda mais frenético.
Ele começou a se esfregar em mim por cima do tecido grosso da calça do terno. Dava para sentir a rigidez absurda dele pressionando bem no meio da minha bunda, subindo e descendo pela minha fenda, me torturando com a proximidade. Logo vi que teria o que tanto desejava.
— Eu passei a noite inteira em claro imaginando essa bunda empinada para mim — ele disse, soltando o meu cabelo para abrir desesperadamente o cinto e o zíper da calça.
Ouvi o som do metal abrindo e, logo em seguida, o toque da pele quente e calejada dele me afastando. Ele desceu a mão, testando a minha umidade com os dedos, e soltou um riso abafado ao perceber que eu ainda estava sensível e lubrificada da minha madrugada solitária.
— Puta que pariu, você estava se tocando, não estava? Pensando em mim? — ele perguntou, mas não esperou a resposta.
Ele segurou a minha cintura com as duas mãos, cravando os dedos na minha pele com tanta força que com certeza deixaria marcas. Ele se posicionou e, com uma pressão forte e implacável de cima para baixo, se enterrou inteiro em mim por trás.
— Ah! — o grito saiu rasgando da minha garganta.
A entrada foi brutal e deliciosa. Por estar de costas e com o peso dele me esmagando contra o colchão, a penetração foi ainda mais profunda do que o normal. Senti cada milímetro dele preenchendo o meu corpo, esticando a minha buceta que pulsava imediatamente em volta do membro dele.
Sem o menor sinal de cansaço da viagem, ele começou a ditar um ritmo violento. O quadril dele batia com força contra a minha bunda, um impacto seco e ritmado que fazia a cama inteira ranger. A cada estocada, minha cabeça balançava contra o travesseiro e eu só conseguia soltar gemidos desconexos, completamente entregue àquela cavalgada de costas.
Ele se inclinou sobre mim, esmagando o peito dele contra as minhas costas, enquanto uma de suas mãos desceu por baixo do meu corpo, tateando entre as minhas pernas até encontrar o meu clitóris, estimulando o ponto enquanto continuava a me dar aquelas estocadas fundas por trás. Aquilo foi o meu fim. A mistura do preenchimento bruto dele com o toque rápido na minha frente me levou ao delírio em poucos segundos.
— Vai, gostosa, goza para mim... — ele pedia no meu ouvido, acelerando os movimentos ao sentir que eu estava prendendo o fôlego. — Goza na minha pica, vai.
Minhas pernas fraquejaram, minha visão ficou turva e eu comecei a contrair inteira em volta dele. Gozei chorando de prazer, um orgasmo violento que me fez morder o travesseiro para não acordar os vizinhos. Sentir a minha intimidade espremendo o membro dele daquele jeito quebrou o resto de controle que ele tinha. Ele deu mais três bombadas brutais, afundando tudo o que tinha, e descarregou um jato quente de sêmen dentro de mim, soltando um urro alto contra o meu pescoço.
Ele desabou por cima das minhas costas, ainda me penetrando, com o peito subindo e descendo enquanto recuperava o fôlego. O peso dele sobre mim era puro calor, mas a urgência dele continuava intacta. Sem perder tempo, ele me virou de frente para ele e penetrou novamente, agora num delicioso frango assado.
Ele deitou o meu tronco na cama, puxou com força, segurou as minhas pernas pelas panturrilhas e as dobrou para trás, colando os meus joelhos quase no meu peito, me abrindo completamente para ele. Quando ele se empurrou de volta para dentro de mim nessa posição, o ângulo mudou por completo. Era uma profundidade absurda, visceral. Eu conseguia ver o rosto dele tenso de prazer acima de mim, os olhos fixos nos meus enquanto ele recomeçava a dar estocadas firmes, ritmadas e deliciosamente fundas.
A visão do membro dele entrando e saindo de mim, o som molhado do nosso encaixe e a entrega total daquela posição me fizeram perder o juízo de vez. Eu segurava nos braços dele para buscar apoio enquanto o quadril dele batia sem dó contra o meu.
O prazer subiu como uma nova onda avassaladora, me pegando totalmente de surpresa. Comecei a contrair de novo, e o rosto dele se transformou ao sentir o aperto. Ele deu mais três bombadas brutais, afundando tudo o que tinha, e descarregou um jato quente de sêmen dentro de mim, tirou e gozou em mim, me melando toda soltando um gêmido alto.
Ele finalmente desabou ao meu lado, nos puxando para um abraço apertado, os dois ofegantes e suados. O dia finalmente estava amanhecendo lá fora, mas ali dentro, Recife e a distância tinham sido completamente apagados.
O dia finalmente estava amanhecendo lá fora, mas ali dentro, Recife e a distância tinham sido completamente apagados.
Aline pensando no Ronaldo - amo... relembrar esse dia.
