AVISO AOS LEITORES: Eu não mexi neste capítulo porque ele já estava 100% finalizado, mas a partir do próximo vou pular o jogo e concentrar os demais capítulos nos acontecimentos pré e pós partida. Por isso, talvez a Parte 3 acabe saindo apenas quinta (se eu não tiver que revisar muita coisa, sai amanhã).
Para não me alongar muito no começo, na Nota do Autor vou explicar melhor minha decisão.
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CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 31 de julho de 2025 (quinta-feira) a 1 de agosto de 2025 (sexta-feira).
Eu me chamo Carlos. Sou um professor universitário cinquentão, meio barrigudinho e calvo com dignidade. Nesta minha série de contos, narro as minhas aventuras tentando com as minhas duas amantes que viraram namoradas e, espero, se tornem minhas esposas. Quem puder ler os primeiros capítulos, só procurar a série.
Eu me divorciei recentemente da Odete, que se tornou apenas uma boa amiga. Mas isso não quer dizer que estou sozinho. Tenho um pequeníssimo harém de duas mulheres.
A Eliana é minha “namorada”. 30 anos, engenheira. Inteligente, sorridente, decidida quando quer, embora ainda tenha problemas para terminar com o “marido”, Leandro. Eles ainda são oficialmente casados. E eu? Sou o “reserva”. O cara que ela ama secretamente, mas não assume publicamente. A Eliana não me impede de me envolver com outras mulheres, porque ela própria também está com dois homens ao mesmo tempo. Seios fartos, pesados, redondos, quase exagerados de tão bonitos. Cintura fina, barriga definida, quadril largo, coxas torneadas de academia. O bumbum é grande, firme, empinado. A pele bronzeada, os olhos verdes.
Já a Rebecca é a minha outra “namorada”. Ela tem 29 anos, é advogada e ainda profundamente religiosa. Divorciada. A Rebecca é aquele tipo de mulher que parece viver um conflito eterno entre o que sente e o que acha que deveria sentir. Doce, reservada, inteligente. Tem um senso de certo e errado que beira a rigidez, mas aos poucos vai se permitindo viver outras possibilidades. Por trás da aparência comportada, ela tem um corpo que desafia todos os estereótipos da mulher recatada. Seios pequenos e firmes. Uma bundinha empinada, arredondada e hipnotizante, que se move com graça involuntária. Pernas bem desenhadas, olhos castanhos.
O nosso capítulo começa na noite da quinta-feira.
A praça ficava na esquina do condomínio, a poucos minutos a pé. O campo tinha dimensões oficiais, com uma grade separando o gramado do resto da praça. Alguns moradores já ocupavam todos os espaços próximos da linha lateral. Tinham que levasse cadeira de casa ou ficasse de pé atrás do alambrado. Eu sabia que a partida tinha despertado interesse, mas só entendi a proporção quando atravessei a rua e vi quase todo o condomínio reunido ali.
As duas torres pareciam ter sido esvaziadas. Tinha gente ali que raramente iam pras assembleias. O branco predominava na torcida. Muita gente vestia camisas claras ou segurava pedaços de tecido azul e branco. A maior parte do pessoal preferia o Enéias!
Olhei pro nosso lado. As pessoas de preto estavam mais espalhadas e em número bem menor. Só escolheu o nosso time quem fez por amizade com alguém da equipe ou rancor pessoal contra o Enéias.
— Eu não sabia que o Enéias era tão popular — falei enquanto caminhávamos em direção ao banco. — Também não sabia que tanta gente queria ver o Rogério se foder.
A Letícia baixou o celular. O uniforme marcava seus seios firmes e deixava suas coxas grossas quase inteiras à mostra. O tecido preto acompanhava a bunda arrebitada a cada passo, o que já tinha atraído olhares demais desde a saída do prédio.
— O Enéias é simpático com quem interessa e sabe usar o seu carisma — respondeu ela. — O Rogério é o cara que faz uma reunião de condomínio durar quatro horas porque quer discutir encanamento e pintura.
— Ele faz isso pensando no que é melhor para todo mundo.
— Nós três sabemos disso. A maioria só escuta “aumento” e “cota extra”. Depois olha pro playboyzinho rico insistindo que todo mundo precisa pagar mais.
— E culpam o Rogério em vez do síndico — completou Rebecca.
Perto da entrada do campo, um grupo começou a gritar o nome do Enéias. Ele já estava no gramado, vestido de branco, aquecendo com alguns companheiros. Alto, sarado e bronzeado, chamava atenção mesmo entre homens mais jovens e em boa forma. Quando dominou uma bola no peito e devolveu sem deixar cair, reagiram como se ele tivesse marcado um gol.
Eu tinha alguma esperança de que ele fosse um daqueles sujeitos sarados que corriam muito e perdiam a bola quando precisavam pensar. Mas o cara era muito bom, quase parecia jogador profissional.
Seguimos até a área reservada ao nosso time. As mulheres estavam reunidas perto do banco. Quase todas usavam o uniforme preto, mesmo as que esperavam passar a partida inteira assistindo.
A Carolina tinha prendido os cabelos escuros num rabo de cavalo. A camisa apertava seus seios grandes, e o short deixava suas pernas longas à mostra. Ela conversava com Sarah e Tatiana enquanto alongava uma das coxas. A Lorena estava perto do Rogério, com a camisa número 17 e as mãos na cintura. Seus cabelos escuros tinham sido presos para não cair no rosto. O short mostrava suas coxas torneadas e marcava a bunda redonda quando ela se inclinava para verificar alguma coisa dentro de uma mochila.
A Natália fazia movimentos de aquecimento ao lado da Andréia. A ruiva tinha pernas fortes, cintura fina e uma bunda grande que transformava qualquer short esportivo numa peça visualmente arriscada. Andréia, com o uniforme de goleira, ocupava ainda mais espaço com as coxas robustas e a bunda enorme.
A Jéssica se afastou das outras assim que nos viu. Ela vestia a camisa número 14, ajustada sobre seus seios médios e a cintura definida. O short deixava à mostra as coxas grossas, musculosas, e acompanhava a bunda cheia quando veio caminhando depressa na nossa direção. Seus cabelos castanho-claros estavam presos num rabo de cavalo alto.
Ela me deu um abraço antes mesmo do “oi”. Seus braços apertaram as minhas costas com força, e eu a envolvi pela cintura.
— Você demorou — disse perto do meu ouvido. — Você costuma chegar 20 minutos antes de qualquer coisa.
— Não imaginava congestionamento nos elevadores.
Ela me examinou. Passou as mãos pelos meus ombros, puxou a frente da camisa e ajeitou a gola que já estava no lugar.
— Tá bonitão.
Segurei uma das mãos dela. O polegar estava pressionando a lateral do indicador, hábito que aparecia sempre que ficava ansiosa e tentava disfarçar.
— Para de machucar o dedo.
Ela soltou a mão na mesma hora. Depois, olhou pra multidão de branco.
— Eu não imaginava que tanta gente detestava o Rogério. — Ela segurou meu braço. — Hoje, vai ser complicado. O Enéias vai querer aproveitar esse clima pra provocar e humilhar. Tenho medo de que ele acerte o botão certo e o Rogério revide.
— Deixa comigo. Não vou deixar acontecer.
A tensão no rosto diminuiu e eu aproveitei para ajeitar uma mecha de cabelo que tinha escapado do rabo de cavalo.
— Obrigada por vir.
— Eu viria de qualquer jeito.
Ela encostou a testa por um instante no meu ombro. Depois respirou fundo, se recompôs, se despediu e voltou pro banco, junto das outras mulheres.
Caminhei até uma parte do campo, olhei pra Antônio e Érico, procurando os demais.
— Titulares comigo! — gritei. — Seu Raimundo também.
O velho estava junto ao banco, usando o uniforme preto número 20. Seu Raimundo tinha 73 anos, corpo magro e a tranquilidade de quem parecia participar de uma partida de dominó. Ele se aproximou com as mãos nos bolsos e um sorriso discreto.
O Rogério trouxe os outros cinco homens que eu conhecia apenas de vista. Formamos um círculo um pouco afastado das reservas e da linha lateral. A torcida adversária continuava gritando o nome do Enéias do outro lado.
— Carlos, esse é o Vinícius — disse Rogério, apontando pro goleiro.
Vinícius tinha 25 anos, cabelos ondulados corpo comum e uma expressão concentrada demais para alguém que ainda nem começara a partida. Ele usava uma camisa laranja de goleiro e luvas.
Depois, o Rogério apresentou o Wagner. Era um médico colega da Jéssica. Tinha perto dos 30 anos, negro e em excelente forma. Tinha pernas fortes e movimentos tranquilos. O olhar dele passou algumas vezes pelo Enéias, revelando uma antipatia que parecia mais antiga que aquela partida.
— Zagueiro pela direita — explicou. — Jogo com frequência.
O próximo apresentado foi o Tiago, executivo de vendas da empresa do Rogério. Era alto, magro e tinha uma postura relaxada que fazia parecer que o uniforme estava sempre um pouco largo. Ele cumprimentou-me com um sorriso e olhou pra Dênis, executivo de vendas internacionais, que já parecia irritado com alguma coisa.
— O Tiago joga na zaga comigo — disse Wagner.
— Desde que o Dênis não fique gritando para eu dar chutão — respondeu Tiago.
O Dênis ajeitou a gola da camisa. Magro e rígido, tinha um jeito sério que combinava pouco com a reclamação.
— Se tiver quatro caras pressionando, você dá o chutão.
— Eu sou um zagueiro. Como vou pressionar sozinho quatro atacantes?
— Pode acontecer. Eu estava analisando diversos jogos da Premier League e Bundesliga em que os atacan...
Aquilo tinha cara de ser um puta discursão sobre atacantes pressionando saída de bola. Levantei a mão antes que continuasse.
— Os dois estão certos em momentos diferentes. Eu digo quando vamos sair curto. O Vinícius também vai avisar o que está vendo.
O Dênis pareceu aceitar a resposta como se estivesse no exército. O Tiago só deu de ombros.
— O Dênis vai de volante — continuou Rogério.
— Eu prefiro jogar simples — disse Dênis.
O último era Rodolfo, contador da empresa do Rogério. Tinha braços grossos, corpo forte e uma expressão tranquila. Apertou minha mão sem tentar demonstrar força, o que já me fez gostar dele mais do daqueles que transformavam cumprimento em teste de masculinidade.
— Jogo por dentro ou pela direita — explicou. — Tenho fôlego e consigo segurar a bola.
— Chuta bem?
— Quando sobra espaço.
Olhei pro grupo inteiro. Além dos cinco, estavam Érico, Roberto, Rogério, Jonas e Antônio. Tínhamos homens em diferentes condições físicas e pouca experiência juntos. O seu Raimundo se aproximou mais do círculo.
— Antes de você organizar, eu escutei umas coisas do outro lado. — Ele deu uma risadinha olhando pra mim. — Aquilo que combinamos de eu ficar por lá com cara de velho surdo funcionou. Ninguém nem olhou pra mim.
Seu Raimundo tirou as mãos dos bolsos e apontou discretamente pro time branco.
— Eles vão em 4 2 4 com variações emWilliam e Leandro nas laterais. Amarildo e Donizete na zaga. Gilmar e Almir seguram contra-ataques no meio. Gerônimo abre de um lado, Cleber do outro. Pedro fica mais preso na frente e o Enéias circula onde quiser.
— Quem explicou isso? — perguntei.
— O Gilmar. O Enéias interrompeu bastante, embora tenha dito a mesma coisa com palavras diferentes. O Gilmar queria algo mais equilibrado, mas o Enéias quer a bola no campo de ataque o tempo todo e deixou claro que a ideia é bola pra ele sempre que possível.
O Rogério olhou pro adversário. Enéias conversava com o Gilmar perto da linha central. O Amarildo, um homem largo de 55 anos, fazia movimentos curtos de alongamento. Mesmo aposentado, ainda tinha corpo de zagueiro e uma segurança que os outros tentavam imitar.
— Nós temos dois blocos de dois defensores pelo meio pra segurar só o Enéias? — perguntou Wagner.
— Não. Sempre precisa ficar um perto do Pedro. O Enéias vai ter que voltar pra receber a bola dos volantes. Nessa hora, os pontas avançar juntos pra oferecer opções de passe. Se um zagueiro seguir o Enéias no recuo, fica espaço pros pontas entrarem.
O Rogério cruzou os braços.
— Nenhum dos zagueiros volta pra marcar o Enéias. Sempre que ele recuar, deixa ele comigo.
— Você fecha a região dele. Mas não persegue ele sem olhar o que os volantes estão fazendo. Não quero me preocupar com quatro atacantes e levar um gol do Gilmar.
— Ele vai vir para cima de mim.
— Deixa vir.
Aproximei-me do centro do círculo e olhei para cada jogador.
— Vamos começar em 4 4 2 compacto. A linha defensiva fica baixa o bastante para tirar o espaço nas costas. Eles querem espalhar nossos laterais e abrir o meio pro Enéias. A gente fecha por dentro e oferece o passe para fora.
Apontei para Érico e Roberto.
— Vocês esperam os pontas receberem. Nada de correr pra cima enquanto a bola está viajando. Recebeu perto da linha, vocês encurtam e obrigam o sujeito a jogar para fora. O corpo fica de lado. Evitem o bote cedo.
Érico assentiu, prestando bastante atenção.
— E se o Gerônimo cortar para dentro?
— O Rodolfo fecha esse espaço. O Wagner cobre atrás. Você acompanha até ele entregar ou recuar. A linha lateral ajuda vocês, então usem ela.
Virei pra Roberto. Ele já respirava mais forte que os outros e tinha puxado o short pra cima da barriga.
— Seu trabalho é ficar perto do Cleber. Ele é mais rápido e vai tentar puxar você para longe. Guarda a posição e espera ajuda. Se poupa pra defender e nunca do meio-campo.
Roberto relaxou um pouco.
— Wagner fica mais atento ao Pedro. Tiago faz a cobertura. Quando o Enéias recuar, nenhum de vocês sai atrás dele. Deixem pro Rogério e mantenham a área fechada.
O Tiago apontou pro Enéias.
— E se ele receber de frente perto da área?
— Um zagueiro encurta e o outro protege o espaço do Pedro. Quem estiver mais perto fala. Quero ouvir vocês o tempo inteiro.
Olhei pro Vinícius.
— Você enxerga o campo melhor que todos. Se a linha subir demais, avisa. Se um ponta entrar por trás, grita antes do passe.
— Certo.
— No começo, evita bola curta quando os quatro atacantes estiverem pressionando. Eles querem recuperar perto da nossa área. Se o passe por dentro estiver fechado, lança no Jonas ou manda na lateral. Sem vergonha de chutão.
O Jonas colocou as mãos no joelho e olhou pro Amarildo.
— Eu vou disputar bola alta com aquele armário?
— Você vai prender o Amarildo perto de você. Ganhar a primeira bola ajuda, porém a sobra importa mais. Você é mais jovem que ele. Quero que você pressione a saída de bola e tabele com o Antônio.
O rosto do Jonas mostrou que a proposta parecia uma agressão pessoal. O Antônio riu e recebeu um empurrão de leve no ombro.
Apontei pra Dênis e Rogério.
— Vocês formam a proteção na frente da zaga. Dênis fica mais preso. Rogério pode avançar no portador quando a bola entrar pelo centro. Se o Enéias baixar, quem estiver perto acompanha até alguns metros e entrega. Quero espaço curto entre vocês, sempre com um cobrindo o outro.
Dênis olhou pro Rogério.
— Se ele sair correndo atrás do Enéias, eu fico sozinho.
— Ele não vai sair — respondi. — O Enéias quem vai sair correndo atrás dele.
O Rogério assentiu com convicção. Chamei o Rodolfo para ficar à minha direita.
— Nós dois fechamos por dentro quando eles tiverem a bola. Quase como dois meias centrais ao lado do Rogério e do Dênis. Quando a bola entrar num lado, o meia daquele setor ajuda. O outro fecha perto dos volantes.
— Vamos entregar os lados pro time deles? — perguntou Rodolfo.
— Cobertor curto. O Érico é veloz e pode cobrir a direita, mas quero o Roberto segurando a esquerda sem subir.
— Vamos mesmo deixar os laterais deles livres no começo da jogada?
— Vamos. Prefiro o William ou o Leandro com a bola longe da área que o Enéias recebendo de frente no centro. Quando o passe for pro lateral, nosso atacante daquele lado fecha o retorno e o meia encurta. A gente tenta prender a jogada perto da linha.
— Pressão só quando a bola sair pro lado — concluiu ele.
— Ou quando houver domínio ruim. Correr atrás de zagueiro por correr vai acabar com nosso fôlego. Eles têm mais preparo e mais reservas.
Eu conhecia as ideias que estava tentando aplicar. A dificuldade vinha das peças. Jamais havia batido uma bolinha com a maioria deles. E os únicos 100% confiáveis que tinha ali era o Rogério e o Antônio, reserva do time universitário. E eu precisava lembrar que tinha 53 anos. Não podia jogar com intensidade contra caras de 27 anos. Tinha que jogar com o cérebro.
Improvisar um bloco compacto 11 onze homens que mal se conheciam parecia uma forma organizada de pedir para levar gol. Mesmo assim, oferecia mais chance que tentar trocar ataques contra um mais time jovem, forte e veloz.
— Quando recuperarmos, a primeira bola precisa sair da pressão. Sem tentar achar o atacante de qualquer jeito. Dênis ou Rogério recebem de frente. Eu baixo pra ajudar. Rodolfo fecha perto. Se eles vierem com os quatro, Wagner e Tiago podem trocar até abrir um passe por dentro.
Apontei pro Érico.
— Quando a bola estiver segura, você pode subir. O Dênis cobre o seu setor se você passar. Se perdermos a posse, volta pela linha e evita correr em direção à bola.
Ele confirmou com a cabeça. O medo aparecia no jeito como olhava pro Gerônimo, um dos homens mais rápidos do time adversário. Virei para Jonas e Antônio.
— Jonas espera aproximação. Antônio ataca o espaço entre o lateral e o zagueiro. Quando a bola estiver do nosso lado direito, corre nas costas do Leandro. Do outro lado, procura o William.
O Antônio apontou para Amarildo.
— Evito ele?
— Sempre que puder. Amarildo conhece todos os truques para ganhar disputa sem fazer falta. Deixa que o Jonas cuida dele.
Seu Raimundo deu uma risada. O Jonas balançou a cabeça e aceitou a própria desgraça. Voltei a falar com todos.
— Eles vão tentar nos esmagar nos primeiros minutos. A torcida vai empurrar, o Enéias vai querer fazer alguma coisa bonita e os pontas vão atacar nossos laterais. O começo serve para sobreviver e diminuir o ritmo. Se a bola sair, ninguém corre para cobrar. Se tivermos falta, respiramos e subimos juntos.
— Vamos ficar só atrás? — perguntou Antônio.
— Vamos escolher quando sair. Bloco baixo não significa entrar dentro da área. A linha sobe quando a bola volta para os zagueiros. Jonas e você fecham o passe para os volantes. Obriguem Amarildo e Donizete a decidir. Quando a bola for para um dos lados, avançamos alguns metros juntos.
Fiz um gesto aproximando as mãos.
— O time inteiro se move pro lado da bola. Nada de deixar um corredor no meio. Se o Cleber receber, Roberto pressiona, eu ajudo e o Rogério fecha por dentro. Do outro lado, Rodolfo faz isso com Érico e Dênis protege a frente da área.
— E a inversão? — perguntou Wagner.
— Vai existir. O passe atravessando o campo dá tempo. O perigo maior aparece quando tentamos proteger os dois lados e deixamos o meio aberto.
O Dênis assentiu. Ele parecia o jogador mais confortável com o plano defensivo.
— Nas sobras, nada de devolver a bola de primeira para eles — continuei. — Quem recuperar procura um passe simples. Se tiver espaço, viramos rápido pro lado oposto. Os pontas deles vão demorar a voltar.
O Rodolfo olhou pro Antônio.
— Eu consigo achar o passe diagonal se ele correr cedo.
— Corre quando eu ou o Carlos recebermos de frente — respondeu Antônio. — Antes disso, fico perto do Jonas.
— Isso. — Apontei para os dois. — A corrida começa no momento em que o marcador vira a cabeça. Se partir antes, entrega a intenção e fica impedido.
A torcida branca gritou outra vez. Enéias tinha acertado um chute no ângulo durante o aquecimento, sem goleiro. Ele ergueu os braços e recebeu aplausos como se aquilo valesse no placar.
Olhei em direção ao banco. A Natália alongava as pernas ao lado da Letícia. As duas tinham condições físicas melhores que eu e talvez metade dos titulares. A Letícia era meia titular do time universitário e a Natália foi ala titular do mesmo time na época de estudante. A Natália corria, fazia trilha, academia e tudo que se possa imaginar. Suas coxas trabalhadas apareciam sob o short, e a bunda redonda chamava atenção sempre que ela se abaixava. A Letícia tinha coxas grossas e musculosas, bom fôlego e técnica refinada.
Mas eu sabia que o Time Enéias usariam força desde os primeiros lances. A partida viraria uma sequência de choques enquanto todos ainda estivessem descansados. Meu plano era cansar eles no primeiro tempo e guardar as duas pra enfrentar pernas cansadas e impor velocidade no segundo tempo.
Olhei pro Rogério.
— Quer acrescentar alguma coisa?
Ele passou os olhos pelos companheiros. A vontade de fazer um discurso apareceu, porém ele percebeu que todos já tinham recebido informação suficiente.
— Só joguem juntos — disse. — Eles têm mais torcida e acham que já ganharam. A gente precisa se ajudar em cada lance.
Coloquei a mão no centro do círculo. Rogério pôs a dele por cima. Os demais fizeram o mesmo, incluindo seu Raimundo.
— Sem pressa — falei. — Compactos e atentos. O jogo vai aparecer pra gente.
Todos concordaram e soltaram as mãos. O seu Raimundo saiu caminhando com tranquilidade. O árbitro apitou, chamando os capitães para uma conversa. Enéias já caminhava em direção ao centro. Ajustei a faixa no braço.
O árbitro chamou os capitães, conferiu os lados e fez as últimas orientações. Ele olhou pra mim, depois pro Rogério, que esperava alguns metros atrás.
— O arregão te botou de capitão?
— Não interessa.
A bola começou com eles. Nosso desenho inicial era o esperado. Vinícius no gol. Érico, Wagner, Tiago e Roberto formavam a linha defensiva. Dênis e Rogério ficavam à frente dos zagueiros. Rodolfo e eu cuidávamos da ligação com Jonas e Antônio.
O juiz apitou o começo da partida.
O Time Enéias se espalhou com 4 2 4 agressivo. O Gerônimo colou na esquerda e o Cleber fez o mesmo do outro lado. O Pedro ocupou o centro da nossa defesa. O Enéias começou perto dele e recuou assim que Gilmar recebeu a primeira bola.
Fiquei alguns metros atrás da linha da bola, observando as distâncias. Queria receber de frente e trocar o lado da jogada. O Gilmar entendeu isso antes do primeiro minuto e começou a fechar meu caminho. Almir fazia a cobertura. Quando Wagner ou Tiago dominavam, um dos atacantes avançava sobre eles e o outro cortava o passe para Rogério.
Assim, o campo encolheu para nós.
Nos primeiros lances, mal conseguimos sair da defesa. O Vinícius recebeu um recuo e olhou pras opções curtas. O Érico estava marcado. O Roberto evitava se afastar de Cleber. O Dênis tinha um adversário nas costas. Sem alternativas, ele lançou longo pro Jonas.
O Jonas se colocou entre Amarildo e Donizete. Tinha que admitir que o Jonas era muito mais corajoso do que eu imaginava, se metendo entre os dois e querendo fazer o pivô. Isso exigia muito preparo físico.
A bola veio e ele tentou dominar com o peito, mas sentiu os dois zagueiros se aproximarem e deixou a bola cair um pouco longe. O Amarildo tocou nela primeiro. O Gilmar recolheu a sobra e entregou pro Enéias antes que eu pudesse chegar.
O ataque veio rápido. O Enéias avançou pelo centro e esperou Érico dar dois passos à frente. O Gerônimo partiu nas costas dele no mesmo instante. O passe atravessou nosso lado direito, e o ponta ganhou o corredor com vários metros de vantagem.
— Fecha dentro! — gritei.
O Tiago saiu para cobrir, enquanto o Wagner ficou com Pedro. O Gerônimo chegou perto da área e cruzou rasteiro. O Pedro se antecipou ao Tiago e tocou em direção ao gol. Por sorte, o Wagner apareceu por trás e desviou pra escanteio. Me virei pro Érico.
— Decide antes. Sobe ou fica.
— Mas eu precisava voltar.
— Voltar depois deixa uma avenida aberta.
Ele assentiu, ofegante, e correu pra área.
Na cobrança, Amarildo se colocou perto do Roberto. O cruzamento veio alto. O Amarildo ganhou a posição e cabeceou por cima. A bola saiu e eu pedi calma com as duas mãos.
— Curto! Vamos sair curto!
O Vinícius colocou a bola no chão e tocou pro Wagner. O Enéias correu em direção ao zagueiro. Pedro fechou Tiago. Gerônimo vigiou Érico. O Wagner me procurou, mas o Gilmar já estava entre nós. A bola voltou pro Vinícius, que precisou lançar de novo.
O Jonas recebeu o pivô mais uma vez, enfrentando dois zagueiros maiores e mais fortes que ele. O Donizete empurrou por trás, o Amarildo fechou pela frente e a bola escapou pro lado. O árbitro deixou seguir. Gilmar recuperou outra vez.
Eu ainda não tinha tocado na bola em condição de olhar pro campo adversário.
O Enéias recebeu próximo ao círculo central. O Rogério esperou sem avançar. O nosso pior inimigo 10 ganhou velocidade, ameaçou cortar pra esquerda e tentou passar pela direita. O Rogério acompanhou o movimento e fechou o espaço. O Enéias tocou pro Gerônimo, mais uma vez nas costas do Érico, antes do contato.
O Érico retornou em velocidade e alcançou o ponta. Isso resolveu metade do problema. Quando os dois ficaram lado a lado, o Gerônimo protegeu a bola e entrou na área. O Érico tentou tirar com o pé, perdeu o tempo e ficou atrás. Gerônimo chutou cruzado.
O Vinícius caiu e espalmou pro lado. O Cleber veio fechando pelo segundo poste. O Roberto chegou antes e mandou a bola para longe.
— Érico! — chamei e esperei ele olhar pra mim. — Leva ele para fora. Para de tentar roubar toda bola.
O Enéias voltou a receber na jogada seguinte. O Rogério manteve a posição outra vez. Mas o safado carregou a bola até ficar diante dele, diminuiu o passo e tentou um drible curto. O Rogério esperou o toque mais longo e conseguiu desarmar.
Rodolfo recolheu a sobra. Ele virou o corpo para acelerar e eu pedi a bola. Ele tocou. O Gilmar veio na minha direção. Eu recebi de costas, devolvi pro Rogério e me afastei para abrir uma linha. O Rogério tentou achar o Dênis. O Almir fechou o espaço e nos obrigou a recuar.
A posse durou pouco, embora tenha servido para mostrar uma saída. Precisávamos atrair a pressão para um lado e passar por dentro antes que os pontas adversários fechassem.
O ataque seguinte confirmou o problema do nosso lado direito. O Pedro recebeu de costas contra o Wagner e devolveu de primeira. O Gerônimo já estava correndo no corredor de Érico. O passe chegou limpo. O Érico alcançou o adversário, mas perdeu a disputa quando tentou entrar com o ombro.
Tiago saiu da linha e bloqueou o chute. A sobra ficou com o Almir, que bateu de fora e mandou à direita do gol.
Caminhei até Érico durante a reposição.
— Você consegue buscar ele na corrida. Para na frente dele depois.
— Estou tentando.
— Então escolhe o lado e obriga ele a ir pra lá.
Ele passou a mão no rosto e voltou pra posição. A tensão aparecia nos movimentos dele. Cada ataque adversário parecia confirmar que o Gerônimo seria procurado de novo.
Aos 09 minutos, recuei quase até o Wagner pra receber. Gilmar me acompanhou. Isso abriu um espaço entre o volante e os zagueiros. Toquei pro Rodolfo antes dele chegar. O Rodolfo girou e viu Antônio começando a corrida.
O passe saiu um pouco atrasado. Isso deixou o Donizete avançar e cortar.
Ainda assim, tínhamos conseguido trocar mais passes do que nas jogadas anteriores. A solução começava a aparecer. Eu precisava baixar pra tirar o Gilmar do centro. Assim, Rogério e Rodolfo podiam usar o espaço criado. O risco era deixar Jonas e Antônio isolados demais.
O Enéias voltou a atacar pelo meio. O Cleber estava livre à direita e o Pedro prendia Wagner. O passe mais simples seria pro lado. Mas o Enéias viu o Rogério recuando e levou a bola até ele. O Rogério não mordeu a primeira finta. O Enéias insistiu, mudou a direção e perdeu velocidade. O Gilmar precisou se aproximar para oferecer apoio. Nossa defesa ganhou tempo pra voltar.
Quando o Enéias finalmente tocou, o Cleber recebeu e o Roberto havia fechado um pouco por dentro pra ajudar o Tiago. O espaço surgiu na frente do ponta.
— Roberto!
Cleber cortou pro meio. O Roberto tentou ajustar o corpo. O chute saiu rasteiro e sem muita força, buscando o canto próximo.
O Vinícius se abaixou atrasado. A bola passou por baixo do braço dele e entrou junto à trave.
Durante um instante, eu fiquei parado. O chute era bastante defensável. Mas o Vinícius perdeu completamente o tempo da bola. O Cleber correu na direção do goleiro.
— Engole essa, betinha de merda! Hoje vai ser 10 a 0!
O Vinícius se levantou sem responder. O Cleber continuou perto dele até o árbitro mandar que voltasse pro próprio campo.
O Enéias participou da comemoração e logo abriu os braços, irritado com alguma coisa. Pelo gesto, reclamava que o Cleber poderia ter devolvido a bola para ele antes do chute. Nada mais Enéias que achar que um gol que não foi dele não vale.
1 a 0 pro Time Enéias.
O Vinícius pegou a bola dentro da rede e mandou pro centro. O rosto dele estava fechado. A reposição seguinte saiu errada. Ele tentou alcançar o Dênis e entregou nos pés do Almir.
O Almir tocou de primeira para Enéias na entrada da área. O Rogério chegou pra fechar. O Enéias passou por ele com um toque curto e abriu espaço pra bater. O Wagner abandonou Pedro e avançou. O chute desviou no zagueiro e saiu para escanteio.
— Marca perto! — gritou Vinícius.
A voz dele saiu mais firme do que eu esperava. Ele apontou pros jogadores dentro da área e posicionou a defesa. O Cleber cobrou curto pro William. Recebeu de volta e cruzou na segunda trave. O Pedro subiu sobre o Tiago e cabeceou para baixo.
O Vinícius reagiu com o braço direito e espalmou quase em cima da linha. A bola seguiu pro lado. Wagner afastou. Eu corri até a sobra e mandei pra lateral antes que o Almir chegasse.
A defesa tinha sido muito mais difícil que o chute do gol. Quando olhei pro Vinícius, ele já estava de pé, dando ordens.
— Sobe a linha! Roberto, mais perto! Tiago, olha o Pedro!
A falha continuava no placar, mas o rapaz parecia não ser o mesmo do lance anterior. Pelo menos, isso.
O massacre dos primeiros minutos seguiu. O Gerônimo recebeu outra vez nas costas do Érico. Nosso lateral alcançou o ponta, mas ficou preso atrás dele. Gerônimo entrou na área e cruzou. O Pedro deixou a bola passar entre as pernas e o Enéias apareceu de frente.
O Rogério se jogou no caminho do chute. A bola bateu nele e sobrou para mim.
Protegi a posse e respirei antes de levantar a cabeça. O Gilmar veio pressionar. Toquei pro Wagner, recebi de volta e passei pro Rodolfo. Durante alguns segundos, fizemos a bola circular sem tentar o lançamento rápido.
— Segura! — gritei.
O time precisava de tempo. Cada passe apressado devolvia a bola ao adversário e criava outro ataque contra uma defesa acuada. A diferença física aumentaria se a partida continuasse naquele ritmo.
Aos 15 minutos, o Vinícius voltou a lançar pro Jonas. Eu vi Amarildo sair da defesa antes que a bola chegasse. O Jonas preparou o corpo pra dominar, mas o zagueiro entrou com força. Pude escutar um barulho seco do impacto.
O Amarildo tocou na bola e atravessou a perna de apoio do Jonas, que caiu imediatamente. A bola continuou por alguns metros, porém o árbitro apitou.
O Jonas segurou a parte baixa da perna e tentou virar de lado. O rosto dele perdeu a cor. Corri até o local.
— Fica parado.
O árbitro mostrou o cartão amarelo. O Amarildo nem reclamou e se afastou. A expressão dele mostrava que, apesar da fama, não queria pegar pesado em um jogo entre vizinhos. O Jonas tentou sentar. Segurou meu braço e apoiou o pé no gramado. Assim que colocou peso, a perna cedeu.
— Não dá — disse ele, voltando ao chão. — Não dá mesmo.
Nossos médicos, Wagner e Jéssica, vieram dar uma olhada e ver se era necessário algum primeiro socorro mais emergencial. Eu me afastei para dar espaço e olhei pro banco.
A Natália e a Letícia já estavam de pé, tirando o colete. A minha primeira ideia surgiu quase inteira. O Dênis era mais disciplinado posicionalmente. Eu o recuaria pra lateral direita e faria o Érico avançar como um ala. A Natália entraria por dentro para ajudar na cobertura e na saída. Ficaríamos tortos pro lado direito, mas teríamos mais segurança no setor que o Gerônimo atacava desde o começo.
Fiz sinal para ela.
— Natália, aquece. Você entra.
Ela assentiu e começou a correr pela lateral. A Letícia já estava aquecendo e prendeu o cabelo.
— Eu vou entrar! — disse Letícia, com convicção demais.
— A Natália vai.
— Não! Eu vou! Me põe atrás do Antônio.
A Letícia estava claramente com raiva pelo que aconteceu com o Jonas. Não imaginei que ela tomaria tanto as dores do professor, mas a expressão deixava claro que ela entraria por bem ou por mal.
— Então, vamos fazer o seguinte, eu preciso fechar o lado direito. — Improvisei um novo plano. — Eu vou recuar o Dênis e soltar o Érico. Você fica no meio, fecha o Gilmar e chega no ataque pra ser a ponte com o Antônio.
Ela assentiu. A ideia fazia sentido, mas também trazia riscos. A Letícia era habilidosa e poderia flutuar pelo meio de campo, liberando os outros três a marcar mais. Mas parecia emocionalmente querer uma vingança pela contusão. E jogadores emocionais demais poderia nos deixar com dez.
Enquanto ela se aquecia pra entrar, observei o campo e pensei no massacre que estávamos levando. Olhei pro espaço entre Gilmar e Almir e os atacantes. O Rodolfo ficava sozinho naquela faixa quando eu recuava. O Rogério permanecia preso à frente da defesa. O time adversário começava com quatro atacantes, deixando uma teórica zona bem longa entre linhas. Porém, o Enéias baixava o tempo todo. Na prática, eles criavam superioridade no centro quando Gilmar avançava.
A entrada da Letícia mudaria a estrutura inteira do nosso time. E isso talvez fosse a melhor coisa a ser feita.
O Jonas soltou outro palavrão quando o Wagner tocou a perna dele. A Carolina saiu da área dos reservas e se aproximou, bastante preocupada. Atrás dela, vieram Lorena, Sarah e Rebecca.
— Aparentemente, ele não quebrou nada — disse Wagner. — Mas era bom fazer um raio-x e mais exames no hospital.
— Eu vou com ele — disse Carolina.
A Alessandra saiu do alambrado e foi até o Jonas, com uma expressão preocupada. Primeiro, a Letícia. Agora, a Carolina e a Alessandra. Eu não imaginava que o Jonas tinha tantas moradoras que se importavam com ele.
A Alessandra disse que ajudaria a Carolina a levantar o Jonas pro hospital. O Jonas agradeceu, mas declinou. Ele apontou pra Sarah.
— A Sarah tem que vir conosco.
— Mas eu...
— Sarah, você negaria esse favor a um homem hospitalizado? — O Jonas fez uma expressão de olhar do Gato de Botas.
Eu não entendi bem o que aconteceu. Mas a Carolina olhou pro rosto do Jonas, olhou pro Érico, pra Natália e pro Rogério. Aparentemente, ela entendeu alguma coisa que eu não sabia. Porque depois olhou pro Jonas com uma expressão que gritava “Você é um tremendo filho da puta!” e sorriu. Então, se virou pra prima.
— Sarah, é necessário. Eu preciso que você venha com a gente. Eu não posso ir sozinha e não podemos perder uma torcedora.
Perder uma torcedora do nosso lado não podia, mas perder um titular e duas reservas numa tacada só podia? Qual a lógica disso?
A Sarah olhou pro Érico, que fez um gesto confirmando. Eu acompanhei a movimentação por alguns segundos e voltei pra Letícia.
— Você entra por dentro. Pressiona o Gilmar e fecha a linha pro Enéias. Quando tivermos a bola, joga atrás do Antônio.
— Certo.
Enquanto a Sarah e a Carolina levavam o Jonas nos braços pro ponto onde poderiam pegar um Uber, estranhei que Érico e Natália estavam respirando aliviados, como se alguém tivesse sujado as mãos no lugar deles.
Reuni os jogadores e reorientei os jogadores com base no que agora sabia.
— Dênis vai pra lateral direita. Érico sobe. Rogério e Rodolfo por dentro. Letícia atrás do Antônio.
O Dênis olhou para Gerônimo e concordou.
— Érico, você sobe e ataca o espaço do Leandro. Volta até o meio quando perdermos a bola. Daí para trás, o Dênis assume.
— Beleza.
— Rodolfo, você recua e joga ao lado do Rogério. Eu fico na frente dos dois quando tivermos a bola.
— Fechado.
Essa paralisação da saída do Jonas deixou o jogo ficou parado durante vários minutos. Isso foi providencial pra dar uma esfriada nos ânimos do Time Enéias e parar o ataque inclemente dele. Além de nos permitir parar e reorganizar todo o esquema tático.
A bola voltou a rolar e já a perdemos pro time Enéias. O Donizete tocou pro Amarildo. O zagueiro dominou perto da área e demorou a passar. A Letícia disparou.
— Segura! — gritei.
Ela chegou de carrinho. O pé resvalou na bola e a desviou pra lateral. Mas qualquer um que já jogou uma pelada sabia que a intenção era outra. A perna continuou na inércia e acertou o tornozelo de Amarildo. O zagueiro caiu.
O árbitro apitou na mesma hora e correu com o cartão amarelo na mão. A Letícia se levantou e afastou alguns passos, aceitando o cartão como fato da vida. O Amarildo ficou no chão, segurando o tornozelo.
Eu me aproximei dela.
— Eu falei para se controlar.
— Agora, eu posso em controlar.
— Agora, você está amarelada. Continua assim que eu te tiro.
— E vai botar quem? A Jéssica?
— Eu prefiro perder com 11 com ela do que te mandar e perder com 10.
Ela respirou fundo e assentiu.
O lance quase me fez me arrepender de por ela. Ela deu essa entrada se confiando demais que um juiz não expulsaria alguém logo no seu primeiro lance.
Quando a partida recomeçou, a Letícia passou a cumprir sua função. Em vez de correr pra perto do Antônio, recuou sobre Gilmar. Fechou a linha de passe pro Enéias e se ofereceu entre Rodolfo e eu.
O Wagner recebeu na defesa. Baixei para dar opção e o Gilmar veio comigo. Toquei de primeira pro Rogério. O Enéias tentou fechar o retorno e o Rogério encontrou Rodolfo.
O Rodolfo já sabia onde a Letícia estava. Girou o corpo e passou por dentro. Ela devolveu com um toque curto e se deslocou pro espaço deixado pelo Gilmar. Pela primeira vez, trocamos passes suficientes para fazer o time adversário recuar em bloco.
A mudança apareceu também pelo lado direito. O Érico recebeu aberto, vários metros à frente da posição anterior. O Leandro saiu para enfrentá-lo. O Érico empurrou a bola e ganhou na corrida. Eles conseguiram bloquear o cruzamento, mas cederam lateral.
O Enéias gritou pros pontas voltarem. O Gerônimo precisou abandonar nossa defesa e recuar até o meio. O Cleber fez o mesmo do outro lado, o que permitiu o Roberto finalmente respirar.
Peguei a bola para cobrar. Letícia se aproximou.
— Curto — falei.
Ela recebeu e devolveu de primeira. O Gilmar a acompanhou por dentro. O movimento abriu espaço pro Rodolfo. Passei para ele.
O Rodolfo girou e encontrou Érico na direita. O passe saiu à frente, permitindo que ele corresse sem diminuir. O Leandro tentou fechar o corredor central. O Érico escolheu a parte externa e chegou à linha de fundo.
Avancei até a entrada da área. A Letícia correu pelo centro. O Antônio se colocou entre o Donizete e o Amarildo. O Érico levantou a cabeça perto da linha e cruzou rasteiro entre o goleiro e a zaga.
O Antônio atacou o primeiro poste, chegando antes do Donizete e tocou de pé direito. O Sílvio ainda encostou na bola, mas ela entrou.
1 a 1.
O empate explodiu o nosso lado do campo.
Fechei os punhos e gritei. A Letícia correu até o Antônio e abraçou o ex-namorado em um pulo. O Érico veio da lateral. O Rodolfo chegou logo depois. A comemoração durou poucos segundos, porque comecei a chamar todos de volta.
A jogada tinha saído exatamente do espaço que procurávamos. Mas ainda tínhamos muito pela frente.
Na saída, observei o posicionamento adversário. O Gerônimo já recuava mais alguns metros quando perdia a bola. O Leandro pensava duas vezes antes de avançar sobre o Érico. O Gilmar precisava escolher entre me acompanhar e fechar a Letícia.
A partida havia mudado.
O Antônio também passou a jogar de forma diferente. Sozinho na frente, ele sabia que cada bola precisava ficar conosco pelo máximo de tempo possível. Recebeu um passe do Tiago com Donizete nas costas, protegeu e esperou o Rodolfo se aproximar. Devolveu de primeira. A Letícia ocupou o espaço seguinte.
A movimentação entre eles acontecia com naturalidade. O Antônio usava o corpo para prender o zagueiro. O Rodolfo chegava pra receber. A Letícia aparecia na linha seguinte e permitia que a bola voltasse ao centro.
O Amarildo tentou continuar, mas botou a mão na coxa após uma disputa com o Antônio. Ele sinalizou pro banco e pediu substituição. O Luiz Alberto entrou no lugar dele.
A troca alterou a defesa adversária. O Amarildo era mais forte e dominava o contato físico. O Luiz Alberto se movia melhor. O Antônio passou a pedir passos no pé porque bolas longas seriam muito mais arriscadas.
Recebi perto do círculo central, pensando no ritmo que a partida exigia. O Time Enéias era mais vigoroso e rápido. Mas eles tinham um gigantesco gap no meio de campo que só era possível porque o Gilmar era um ex-profissional e, mesmo pegando leve com a gente, era quase como três volantes em um. Quando tentávamos acelerar, o time se partia porque o Time Enéias tinha mais intensidade. Quando trocávamos passes por dentro, forçávamos os quatro atacantes adversários a recuar porque o Gilmar não podia estar em cinco lugares ao mesmo tempo.
Passei a me deslocar menos. Procurava um ângulo livre, recebia e soltava antes do Gilmar chegar. O esforço físico diminuía, enquanto a minha participação aumentava. Assim, eu podia escolher o momento de empurrar o time pra frente.
A Letícia ajudava nisso. Quando o Gilmar saía para me pressionar, ela aparecia atrás dele. Se o Almir fechava Letícia, Rodolfo ganhava espaço para avançar.
Recebi a bola do Wagner, toquei pro Rogério e me afastei. O Rogério passou pro Rodolfo, que encontrou a Letícia e ela devolveu para mim. E, de passe em passe, conseguimos fazer o Gilmar chegar atrasado.
Abri pro Érico. Ele dominou no campo ofensivo e chamou o Leandro pro duelo. A posse terminou num cruzamento bloqueado, porém saímos da jogada com o controle que tinha faltado no começo.
Mas ainda corríamos muito risco. O Enéias recuou até o círculo central pra receber do Gilmar. O Rogério estava alguns metros distante. O Enéias acelerou antes que ele fechasse, passou pelo Rodolfo e abriu pro Gerônimo, que cruzou de primeira.
O Pedro ganhou do Wagner pelo alto e cabeceou de perto. O Vinícius deslocou o corpo pra esquerda e espalmou com a mão contrária. A bola ficou viva na pequena área. O Cleber correu para completar. O Tiago se jogou no chão e afastou.
Acompanhei a bola até a lateral e olhei pro Vinícius. Ele se levantou imediatamente.
— Linha para fora! Todo mundo sobe!
Aquele já parecia outro goleiro. Já tinha nos salvado de duas finalizações perigosas. Me perguntava se o normal dele era esse goleiro seguro que parecia um veterano e não o novato tremendo que frangou e quase fez a Andréia expulsar ele do gol a pontapés.
O Enéias começou a procurar o Rogério com ainda mais insistência. Em uma jogada, o Pedro segurou a bola perto da área e tinha espaço para devolver de frente. O Enéias preferiu recuar. Recebeu mais atrás e esperou o nosso camisa 8 se aproximar.
O Rogério fechou o centro. O Enéias passou por ele no primeiro movimento. Eu abandonei minha posição e entrei na linha seguinte. Ele levantou a cabeça, viu que estava fechado e tocou pro lado.
A defesa recompôs. A qualidade dele nos duelos era clara. A necessidade de transformar cada jogada numa disputa pessoal nos ajudava. Um passe rápido pro Gerônimo ou pro Cleber e estaríamos fodidos. Mas o Enéias gastava segundos preciosos procurando o Rogério e isso nos permitia fazer que eu e o Rodolfo voltássemos, que o Dênis se recompusesse e que o Wagner e o Tiago arrumassem a defesa.
Enquanto o Rogério tivesse disciplina pra se oferecer na defesa pra manter essa disputa interna sem perder a cabeça, nós tínhamos o segundo melhor jogador do adversário parcialmente anulado.
Em outra tentativa, o Enéias recebeu entre Rodolfo e Rogério. Passou pelo primeiro e tentou atravessar o espaço do segundo. O Rogério chegou atrasado e usou o corpo. O árbitro marcou falta.
O Enéias ficou diante dele e falou alto o suficiente pra todos por perto ouvirem.
— É só isso que você consegue, soca fofo? Ou só vai bater mais forte depois que eu comer a Jéssica?
O Rogério não respondeu. A mandíbula dele se fechou. Eu me aproximei antes que a cobrança fosse feita. O Enéias sorriu e se afastou.
O Gilmar cobrou curto. A bola voltou ao Enéias, que lançou pro Cleber. O Roberto acompanhou o ponta até a área e afastou de cabeça.
Dentro das limitações de peso e timidez, o Roberto estava cumprindo sua função muito bem. Não tínhamos criação pelo lado esquerdo, mas a direita deles não conseguia se aproveitar como devido porque o Roberto era um carrapato seguindo e segurando o Cleber. O William não era bom avançando e atuava quase como terceiro zagueiro. Isso forçava o Cleber a precisar voltar ou buscar o centro para participar.
Eu peguei a bola e encontrei Letícia. Ela girou e lançou Érico no nosso corredor direito.
O Érico partiu em velocidade. Passou por Leandro e avançou pelo campo adversário. O William abandonou a cobertura do Antônio e correu pra fechar. Percebeu que perderia na corrida e derrubou o Érico antes da área. O árbitro mostrou cartão amarelo.
Peguei a bola pra cobrar. O Antônio se colocou entre Luiz Alberto e Donizete. A Letícia ficou na entrada da área. O Rodolfo esperou mais atrás.
Cruzei fechado. O Antônio subiu e cabeceou por cima.
O jogo entrou numa fase mais equilibrada. Eles ainda chegavam com mais força quando recuperavam a bola. Mas nós conseguíamos passar mais tempo com a posse e segurar ela pelo meio de campo, forçando os pontas e o Enéias a recuar.
Aos 31 minutos, o Enéias recebeu entre as linhas. O Rodolfo tentou fechar e foi superado. Isso deixou o caminho livre pro Enéias até a área. O Rogério correu por trás sem fazer falta. O Enéias entrou e bateu rasteiro no canto esquerdo.
O Vinícius caiu rápido e desviou com a ponta dos dedos. A bola seguiu pro lado. O Roberto completou o corte.
Eu levei as mãos à cabeça. A jogada tinha sido limpa demais. Um passe entre nossas linhas bastara pra deixar o Enéias de frente pro gol. O Vinícius evitara outro gol quase certo.
— Aproxima o meio! — gritei. — Rodolfo, fecha perto do Rogério!
Na jogada seguinte, conseguimos responder com uma troca longa. Wagner tocou para mim. Encontrei Letícia entre Gilmar e Almir. Ela devolveu de calcanhar pro Rodolfo, que avançava.
O Antônio se deslocou pra direita e recebeu. Protegeu contra Luiz Alberto. O Rodolfo passou por ele e cruzou rasteiro. O Sílvio saiu do gol e segurou antes da chegada de Letícia.
A jogada terminou sem finalização, mas mostrou que nossa estrutura continuava funcionando. O Antônio prendia o zagueiro e criava espaço para quem vinha de trás. A Letícia podia entrar na área livre dos defensores, que teriam que ver decidir se avançariam pra marcar ela ou deixariam o Antônio livre.
Sentia o cansaço aparecer nas pernas. A partida exigia movimentos curtos e repetidos. O gramado parecia puxar os pés a cada volta. Ainda assim, a minha função dependia menos de arrancadas. Eu precisava me oferecer, receber e liberar a bola.
O Érico estava muito melhor como ala. Atacava o espaço com velocidade e voltava até o meio. O Dênis mantinha a posição atrás dele e não tínhamos mais o problema do Gerônimo recebendo nas costas do defensor. O Érico não conseguia confrontar o Gerônimo quando este recebia recuado, mas tínhamos o Dênis ali pra segurar.
O Enéias iniciou outra transição com o Cleber aberto pela direita e o Pedro correndo entre os zagueiros. O Rogério recuava pelo centro. O passe pro lado estava livre. Em vez de fazê-lo, o Enéias levou a bola para dentro e diminuiu. O Rogério esperou. Quando o toque ficou longo, entrou e tirou a bola sem falta.
Eu recebi a sobra e passei imediatamente pra Letícia. Ela tentou acelerar por dentro. O Gilmar derrubou Rodolfo antes que o passe voltasse para ele. O árbitro marcou falta e advertiu o volante com a mão. Sem cartão.
— Ele matou o contra-ataque — falei ao árbitro.
— Estava no meio.
O árbitro mandou a cobrança seguir. Pouco depois, Enéias tentou entrar pelo centro e caiu após um contato do Rodolfo. O árbitro estava perto e fez sinal pro jogo continuar.
O Rogério recuperou e tocou para mim. Eu tinha espaço para lançar o Érico. Preferi segurar a posse. A nossa defesa estava aberta e o Dênis ainda voltava. Uma transição precipitada podia entregar outro ataque. Toquei pro Wagner. Ele esperou o Tiago afastar o Pedro e mudou pro Roberto. Perdemos a bola pro Cleber.
Depois, O Gerônimo voltou a explorar nosso lado direito. O Érico tentou antecipar no meio-campo e errou. O ponta recebeu de frente pra uma avenida vazia. O Dênis estava adiantado depois de participar da posse anterior. Assim, o Gerônimo arrancou. O Dênis percebeu que perderia a corrida e segurou a camisa antes da entrada da área.
O árbitro marcou falta e mostrou amarelo.
O Enéias colocou a bola no chão. O Pedro se posicionou entre Wagner e Tiago. O Cleber foi pra segunda trave. A cobrança veio alta. Wagner subiu no tempo certo e afastou.
Corri até a sobra e consegui tocar pro Rodolfo antes do Almir chegar. O Rodolfo passou pra Letícia. Ela dominou orientando o corpo pro ataque. Gilmar e Almir fecharam. Letícia tocou pro Antônio. Ele devolveu de primeira pro Rodolfo, que avançou pela esquerda.
A Letícia continuou a corrida e recebeu na entrada da área. O Donizete fechou o chute. Ela poderia tentar bater por cima. Preferiu devolver pra mim, que vinha de trás.
Dominei uma vez e chutei colocado, buscando o canto direito. A bola passou perto da trave.
Me senti um pouco frustrado. Minha melhor finalização e ainda foi pra fora.
— Boa! — gritou Rogério.
Voltei correndo. O Enéias repôs rápido.
O Érico tentou antecipar Gerônimo outra vez e errou o bote. O ponta recebeu no meio-campo, o Dênis foi pra interceptar, mas foi driblado. O Gerônimo disparou na avenida aberta. O Tiago saiu da área pra fechar o ângulo. O ponta tocou por baixo da perna dele e ficou diante do Vinícius.
O goleiro esperou até o último instante. Abriu o corpo e bloqueou o chute com o pé esquerdo. A bola subiu. O Wagner afastou de cabeça.
Eu parei perto da entrada da área e olhei pro Vinícius. Ele bateu as luvas uma na outra e apontou pro Érico.
— Corre junto! Fecha espaço!
O Cleber gritou do outro lado.
— Vai falhar de novo, goleirinho!
O Vinícius ignorou.
Aproveitei um momento e chamei o Érico de lado.
— Chega de antecipar.
— Eu achei que dava.
— Fica de frente. O Dênis está amarelado e não pode te salvar toda vez.
O Érico respirou fundo e confirmou com a cabeça. Pouco depois, recebi do Rogério e vi o mesmo espaço atrás do Leandro. Lancei o Érico. Ele ganhou na corrida e cruzou de primeira. O Antônio se colocou entre os zagueiros e cabeceou com força. A bola passou sobre o travessão.
O Antônio bateu nas próprias mãos, frustrado. Depois apontou pro Érico, reconhecendo o passe.
O Enéias voltou a receber do Gilmar. Dessa vez, tentou arrastar o Rogério para fora da posição. O Rogério acompanhou até o limite do setor e recuou. Mas o Enéias insistiu. Passou por ele com uma finta curta e encontrou o espaço fechado por mim. Ele abriu pro Cleber.
O Roberto bloqueou o primeiro cruzamento. A bola voltou ao ponta. Na segunda tentativa, Cleber encontrou o Pedro. O centroavante desviou pro Almir, que chutou de fora. A bola tocou no Tiago e saiu para escanteio.
O Enéias foi pra área. O Luiz Alberto também subiu. O Gilmar ficou atrás para proteger a sobra.
A cobrança veio no segundo poste. O Luiz Alberto cabeceou pro centro. O Enéias tentou uma bicicleta. Acertou parte da bola e caiu após o contato do Wagner. O árbitro mandou seguir. O Vinícius segurou a sobra.
O Enéias se levantou reclamando.
— Foi falta, porra!
— Segue o jogo — respondeu o árbitro.
O Vinícius colocou a bola no chão e esperou nossa linha sair. Eu caminhei até perto de Rogério.
— Vamos gastar tempo com a posse.
— Certo.
Recebemos curto. O Wagner tocou pra mim. Passei para Rogério e me desloquei. Ele encontrou o Rodolfo, que devolveu. Os atacantes adversários pressionaram um lado. Mudamos pro outro.
A Letícia recuou para receber. Ela segurou o Gilmar por perto e passou novamente para mim. Abri pro Roberto, o que fez o Cleber precisar correr de volta, mas o Roberto logo devolveu.
Durante quase dois minutos, ficamos no campo ofensivo sem entregar a bola. O Antônio recebeu perto da bandeira de escanteio e protegeu contra Donizete. O zagueiro tentou empurrá-lo para fora, mas o Antônio conseguiu um lateral.
Cada segundo valia muito. A nossa defesa recuperava o fôlego. E o Dênis conseguia reorganizar a cobertura.
O árbitro indicou seis minutos de acréscimo por causa da lesão do Jonas.
Olhei pro relógio. O time Enéias ainda criava as chances mais claras. Precisávamos chegar ao intervalo mantendo o empate. O Enéias recebeu logo no primeiro minuto dos acréscimos. Passou pelo Rogério em velocidade e cortou pro meio. O Rogério se recuperou e fechou o chute. O Enéias sentiu um contato leve e ameaçou cair. Percebeu que a bola ainda estava próxima e continuou.
Eu me aproximei e forcei o passe para trás. O Gilmar mudou o lado da jogada. Cleber recebeu. Roberto acompanhou até a linha de fundo. O cruzamento saiu sob pressão.
O Pedro escorou e o Enéias chegou batendo de primeira. O Wagner bloqueou com o peito. A sobra ficou com o Almir, que chutou forte de fora da área. A bola foi na direção do ângulo.
Vinícius recuou e saltou. A ponta da luva tocou na bola. Ela ainda bateu na parte superior do travessão antes de sair. O alambrado reagiu num grito único. Eu fiquei alguns segundos olhando pro gol. Aquilo foi inacreditável. Vinícius caiu dentro da pequena área e se levantou.
O escanteio não resultou em finalização. O Tiago afastou, e a bola saiu pela lateral.
Pouco depois, o Vinícius cobrou um tiro de meta curto com o Wagner. Os quatro atacantes centralizaram, pressionando a nossa saída de bola. O Wagner me devolveu a bola. O Pedro fechou a linha pro Rogério. Gerônimo veio pelo lado. Toquei de primeira, passando entre os dois.
O Rogério recebeu e encontrou a Letícia. Ela girou antes do Gilmar chegar e lançou Antônio.
O Antônio venceu Luiz Alberto no corpo. Tocou pro Rodolfo e continuou avançando. O Rodolfo devolveu na passagem da Letícia. Ela entrou na área pela esquerda e cruzou rasteiro. O Érico fechava pelo segundo poste.
Sílvio saiu do gol e segurou antes dele.
O time Enéias fez uma última pressão. O Pedro recebeu de costas e fez o pivô. O Enéias veio buscar a devolução. Rogério fechou o centro e obrigou ele a levar a bola pra lateral. O Enéias hesitou antes de cruzar. O Tiago ganhou de Pedro pelo alto e afastou.
A bola caiu perto do Rodolfo. Ele tentou proteger, mas o Gilmar chegou e mandou para fora. Eu peguei o lateral e olhei pro árbitro. O relógio já havia passado dos seis minutos.
Cobrei curto pro Rogério, que devolveu. Mantive a bola perto da linha até o Almir se aproximar. Antes do contato, toquei pro Wagner.
O árbitro apitou o fim do primeiro tempo.
Fiquei parado por alguns segundos, respirando com as mãos na cintura. Tínhamos segurado o 1 a 1.
Caminhei até o banco sentindo as pernas pesadas e o coração ainda acelerado. O campo inteiro parecia vibrar com as conversas das duas torcidas, os gritos dos jogadores e as reclamações que continuavam mesmo depois do apito. Alguns companheiros sentaram imediatamente. Outros ficaram de pé, bebendo água e tentando recuperar o ar.
Eu peguei uma garrafa e molhei primeiro a boca. A vontade era beber tudo de uma vez, mas sabia que aquilo cobraria seu preço quando a bola voltasse a rolar. Tomei alguns goles e derramei um pouco na cabeça.
Conversei um pouco com a Rebecca e a Jéssica. Passei instruções aos jogadores. E logo passaram os 15 minutos. O árbitro chamou os jogadores de volta.
O intervalo ajudara a recuperar o fôlego. Mas o Time Enéias possuía mais velocidade nas pontas, mais força nas disputas e um banco cheio de jogadores em boa condição física.
Mantive o desenho que havíamos montado depois da saída do Jonas. Dênis ficou na lateral direita, com Wagner e Tiago pelo centro da defesa. Roberto continuou pela esquerda. Rogério jogava no meio ao lado do Rodolfo, enquanto eu permanecia alguns metros atrás deles, responsável por receber a primeira bola e impedir que o time se partisse. Érico ocupava a ala direita mais adiantado. Letícia circulava pelo outro lado e entrava pelo centro quando encontrava espaço. Antônio era a referência contra os zagueiros.
O desenho se parecia comquando nos defendíamos. Na posse, o Érico abria até a linha lateral, a Letícia entrava nas costas dos volantes e o Rodolfo avançava para perto do Antônio. Eu precisava escolher quando acelerar e quando obrigar todos a respirarem. A bola quem tinha que correr, não a gente.
O time Enéias voltou com a mesma formação agressiva. A maior força deles era também a maior fraqueza. O meio tinha os dois melhores jogadores da partida. Mas tínhamos formas de anular o Gilmar e o Enéias nos fazia o favor de se anular pra enfrentar o Rogério.
O apito soou.
A bola voltou a rolar. O Wagner me entregou a bola. Esperei Almir se aproximar e toquei para Rogério. Ele encontrou o Rodolfo de primeira e nossa linha de meio avançou junto. A Letícia apareceu no espaço entre Gilmar e Donizete, recebeu e girou procurando o Antônio dentro da área.
O Luiz Alberto antecipou o passe e cortou pro lado. O Érico recolheu a sobra e cruzou sem dominar, tentando aproveitar a defesa ainda desorganizada. O Sílvio saiu do gol antes que o Antônio alcançasse a bola.
Assim que Sílvio repôs, o time Enéias acelerou pelo espaço deixado às costas do Érico. O Dênis fechou aquela área e forçou o Gerônimo a seguir pela lateral. O cruzamento encontrou o Pedro de costas pro Wagner. Ele protegeu e escorou pro Enéias, que recebeu de frente pro Rogério.
O Rogério manteve distância. O Enéias levou a bola pra um lado e voltou pro outro, procurando o confronto. Recuei alguns passos e fiquei entre ele e Pedro, pronto pra fechar qualquer passe curto. Quando o Enéias tentou entrar pelo centro, o Rogério acompanhou e tirou o caminho do chute. A aproximação dos dois lados obrigou ele a devolver para Almir.
A demora matou o ataque. A Letícia já havia voltado pra perto do meio e o Érico estava posicionado. Quando o Almir procurou outra opção, estávamos compactos outra vez.
Aos 04 minutos, o Gilmar recuperou uma bola enquanto ainda tentávamos sair. Ele acelerou antes que a nossa formação se abrisse. O Cleber recebeu do lado direito do ataque deles, encarou Roberto e passou com uma mudança rápida de direção.
O Roberto tentou se recuperar, mas perdeu. O Cleber cruzou pra pequena área. O Pedro entrou na frente do Tiago e finalizou de primeira a poucos metros do gol.
O Vinícius saltou pro lado errado. O movimento inicial o deixou vendido, só que ele conseguiu torcer o corpo ainda no ar e bloquear com o antebraço. A bola voltou pro Pedro, que tentou completar de cabeça antes que o goleiro se levantasse. O Vinícius empurrou o chão, alcançou a segunda finalização e espalmou de novo. O Wagner afastou a sobra.
O Antônio recebeu o corte do Wagner e protegeu a bola contra o Luiz Alberto. Ele esperou o Rodolfo passar pelo meio e devolveu de primeira. A Letícia correu por dentro e o Érico arrancou pela direita com a faixa inteira livre.
O Rodolfo tentou a inversão. O Leandro recuou e conseguiu cortar de cabeça antes que a bola chegasse ao Érico. Perdemos uma boa saída, embora a sequência mostrasse que o Antônio conseguia segurar os dois zagueiros e criar tempo para quem vinha de trás.
Na jogada seguinte, o Enéias recebeu do Gilmar perto do círculo central. Pedro ofereceu o pivô. O Gerônimo começou a correr pelo espaço entre Dênis e Wagner, pronto pra receber uma bola direta. O Enéias ignorou as duas opções e avançou na direção do Rogério.
Ele passou pelo primeiro movimento com uma mudança curta. O Rogério girou e pressionou pelas costas, sem puxar camisa ou esticar a perna. O Enéias carregou até a lateral e só então soltou pro Gerônimo. O passe chegou tarde. O Dênis já havia fechado o caminho e o Wagner estava pronto para cobrir.
Recebi a bola alguns instantes depois e encontrei a Letícia entre as linhas. Ela girou depressa, tocou pro Antônio e continuou o movimento. O Antônio segurou Donizete nas costas e devolveu pro Rodolfo, que avançou de frente pra defesa.
O Almir percebeu o perigo tarde. Chegou por trás e derrubou o Rodolfo perto do círculo central, impedindo uma transição em que teríamos quatro jogadores contra uma defesa ainda aberta. O árbitro correu até ele e mostrou o cartão amarelo.
A falta ficava longe do gol. O Time Enéias esperava que parássemos para organizar uma cobrança longa.
Vi o Érico aberto e coloquei a bola no chão. Lancei antes que o Almir voltasse à posição. O Érico arrancou enquanto o Leandro ainda recuava. Ele alcançou a entrada da área e tentou o cruzamento rasteiro. A bola desviou no marido da Eliana e saiu pela linha de fundo. Caminhei até o escanteio enquanto o Antônio ocupava Luiz Alberto e o Wagner avançava pra área.
Levantei na segunda trave. O Antônio ganhou a disputa pelo alto e cabeceou pro meio. O Wagner entrou para completar, porém Donizete colocou o corpo na frente e bloqueou. A bola saiu da área e o time Enéias tentou acelerar.
O Enéias recebeu do Pedro e avançou pelo centro. O Rogério fechou o caminho pro gol e deixou o corredor esquerdo disponível. O Enéias aceitou o lado oferecido, insistiu em voltar pro meio e deixou a bola escapar um pouco do pé. O Rodolfo entrou no lance e recuperou.
Fiquei com a sobra. Havia a possibilidade de tentar um passe imediato pro Érico, mas nosso time ainda estava espalhado depois do escanteio. Prendi a bola por alguns segundos, esperei o Rogério voltar ao centro e deixei a Letícia ocupar a faixa entre os volantes. O Enéias parou de pressionar e recuou.
O time adversário queria uma partida aberta, decidida em corridas longas. Quanto maior a distância entre nossas linhas, mais seus jogadores jovens levariam vantagem. Meu trabalho era reduzir o campo útil.
Toquei pro Rodolfo quando todos estavam posicionados. Ele encontrou o Antônio de costas na entrada da área. O Donizete encostou por trás e o Antônio devolveu de primeira pra Letícia.
A Letícia tocou curto no Rodolfo e continuou correndo. O Rodolfo devolveu pro Antônio, que atraiu o Luiz Alberto e o Almir antes de soltar outra vez pelo meio. A troca rápida empurrou os dois volantes pra dentro e fez o Leandro abandonar a linha por um instante.
O Rodolfo percebeu o Érico livre do lado direito e inverteu. A bola chegou com espaço. O Érico entrou na área em velocidade enquanto o Leandro corria para fechar o ângulo.
Eu não acreditei quando o Érico fechou os olhos e chutou de qualquer jeito, quase como se entregasse pra Deus. O chute saiu torto, sem saber se era um lançamento, cruzamento ou tentativa de finalização. Seja como for, aquele chute torto e todo errado virou um cruzamento perfeito.
A bola passou pelo Sílvio. O Donizete esticou a perna e não alcançou. O Luiz Alberto estava preso perto do Antônio. A Letícia apareceu na segunda trave e empurrou pro gol vazio.
Corremos para comemorar perto dela. A Letícia ergueu os braços e foi cercada e abraçada por Antônio e Rodolfo. Eu cheguei logo depois, bati na cabeça do Érico e apontei pra ele.
— Valeu do mesmo jeito! — gritei.
Ele respirava rápido e ainda tentou dizer que tinha sido passe. Eu nunca ia acreditar. Ninguém passa de olhos fechados.
O gol irritou o time Enéias. Eles colocaram a bola no centro e avançaram imediatamente. O Enéias recebeu de Almir e entrou pela faixa central, com o Pedro se deslocando para abrir espaço. O Cleber deixou a lateral e correu por dentro.
O Rogério fechou a linha direta pro gol. O Enéias passou por ele no primeiro toque e poderia ter acionado o Pedro. Segurou a bola pra prolongar o duelo. Eu recuei até a frente dos zagueiros e consegui desviar o passe quando ele finalmente tentou encontrar o centroavante.
O Rodolfo ficou com a sobra e entregou pro Érico. Ele avançou pelo corredor direito, tocou a bola à frente e venceu o Leandro na corrida. O marido da Eliana tentou alcançar com um carrinho lateral. Chegou atrasado e acertou o tornozelo de apoio.
O Érico caiu na mesma hora. O impulso o levou para fora do campo, onde ele rolou perto da linha e ficou segurando a perna.
O árbitro marcou a falta e mostrou cartão amarelo pro Leandro. O Wagner correu para examinar o Érico. Ele tentou apoiar o pé, deu dois passos curtos, fez uma careta e sentou outra vez enquanto examinavam o tornozelo.
O jogo ficou parado. Aproveitei para chamar a Natália, que já se preparava perto do banco. Ela entraria no corredor direito e daria continuidade ao trabalho do Érico. A Natália tinha força para repetir as corridas e teria mais experiência defensiva.
Enquanto eu observava a defesa, o seu Raimundo se aproximou pela beira do campo. Ele tinha acompanhado o jogo inteiro e percebeu a mesma coisa que eu. O Roberto mantinha as mãos nos joelhos sempre que a bola parava. A função de perseguir Cleber havia consumido mais do que eu poderíamos ter cobrado dele.
— Tira o Roberto antes que ele estoure — disse Raimundo.
Olhei pro banco. A Rebecca, a Lisandra e a Lorena já estavam se aquecendo. Minha primeira ideia era colocá-la na lateral e confiar em sua disciplina. Eu sabia que ela tinha praticado futsal quando mais jovem e tinha fôlego para suportar o restante do jogo.
— Rebecca! — chamei.
Pra minha surpresa, o Raimundo apontou pra Lisandra.
— Coloca a Lisandra.
— A Lisandra é destra.
— As duas são destras. Mas a Lisandra domina melhor a bola e tem o pé esquerdo melhor. A Rebecca guarda para quando precisar de zagueiro.
— Como você sabe?
O seu Raimundo explicou que a Lisandra tinha crescido jogando futebol na rua com garotos mais velhos. Ela tinha parado há 10 anos, mas a memória muscular estava mais fresca. A Rebecca tinha praticado futsal com garotas da mesma idade e parado há 15 anos. Ainda tinha um pouco de habilidade, mas futsal não era futebol. A noção espacial era diferente enquanto a Lisandra teria uma leitura mais natural.
Aceitei.
— Natália, direita. Lisandra, lateral esquerda. — Apontei para Lisandra e completei — Mantém o Cleber perto da linha. Evita entrar de frente. Só fecha o caminho por dentro.
Ela confirmou com a cabeça. Chamei o Roberto e informei a mudança. Ele pareceu desabar de felicidade e alívio. O Érico deixou o campo ainda sem conseguir apoiar o pé com segurança. A Natália entrou no lugar dele e a Lisandra substituiu o Roberto.
Reorganizei a equipe. O Dênis continuou pela direita. Wagner ficou ao lado de Tiago no centro da defesa. Lisandra assumiu o lado esquerdo. Recuei pra posição mais baixa do meio. Rogério e Rodolfo passaram a jogar à minha frente, com Rodolfo recebendo liberdade para avançar. Letícia aberta pelo lado esquerdo. Natália aberta do lado direito.
Sem a bola, Natália e Letícia fechariam por dentro atrás do Antônio. Na recuperação, eu permaneceria como volante mais recuado. Rogério e Rodolfo seriam volantes um pouco mais adiantados, triangulando com laterais e pontas. Assim, a nossa formação seria algo comosem a bola ecom a bola.
A Natália entrou na partida como alguém que havia passado os últimos minutos acumulando energia. Na primeira disputa, pressionou o Leandro até a linha de fundo, bloqueou o passe e conquistou um lateral no campo ofensivo.
O Dênis cobrou pra Natália. Ela protegeu com o corpo e ganhou outro lateral. Na sequência, recebeu outra vez, passou pelo Leandro no contato e cruzou rasteiro. O Donizete cortou antes que o Antônio chegasse.
Do outro lado, o Cleber tentou testar a Lisandra imediatamente. Recebeu aberto e partiu para cima dela. A Lisandra manteve distância, acompanhou a mudança de direção e tocou na bola quando ele tentou passar. O desvio saiu pela lateral.
A primeira disputa confirmou a escolha. A Lisandra evitou avançar o corpo antes da hora. Usou a linha lateral para reduzir o espaço do Cleber e ficou pronta para correr para trás.
Recebi do Wagner à frente da defesa e levantei a cabeça. O Rodolfo apareceu entre Gilmar e Almir. Toquei pro Rodolfo no intervalo entre eles. O Rodolfo encontrou Letícia, que devolveu de primeira. O Antônio recuou alguns metros, recebeu e girou sobre Luiz Alberto. O chute saiu de fora da área e obrigou Sílvio a espalmar pro lado.
A Natália chegou antes do Leandro no rebote. Tentou um cruzamento de calcanhar, e a bola bateu no lateral antes de sair. Ela segurou por alguns instantes pra permitir que nosso time avançasse e ocupasse a área. O árbitro acompanhou sem advertir.
Na cobrança seguinte, o Enéias voltou a descer até o meio-campo. O Pedro estava livre entre Wagner e Tiago. Um passe direto colocaria o centroavante em condição de fazer o pivô perto da área. O Enéias preferiu carregar na direção do Rogério.
O Rogério esperou o primeiro drible e conseguiu tocar na bola. Enéias recuperou, girou e começou a provocá-lo.
— Vou comer tua mulher e ainda vou fazer você assistir — disse Enéias, alto o bastante para nós ouvirmos.
O Rogério continuou entre ele e a área. O rosto dele endureceu, embora sua posição permanecesse correta. O Enéias tentou entrar pelo centro e teve o caminho fechado. Precisou tocar pro Gerônimo, que já estava cercado pelo Dênis e pela Natália.
O Gerônimo conseguiu escapar pelo lado e devolveu pro Enéias. O Rogério tentou antecipar o domínio, chegou atrasado e pisou no pé dele. O árbitro marcou a falta no meio-campo. Era a segunda infração cometida pelo Rogério durante a partida inteira.
O Time Enéias cobrou depressa. O Enéias encontrou Pedro de costas pro gol. Ele escorou pro Cleber, que entrou na área pelo lado direito do ataque. A Lisandra acompanhou até o fim e fechou o ângulo. O Cleber chutou quase junto à linha de fundo. O Vinícius protegeu o primeiro poste e segurou em dois tempos.
Após a jogada, uma substituição adversária que não entendi. O Gilmar deixou o campo e, em seu lugar, o Armando entrou para jogar ao lado do Almir.
Não entendi essa escolha do Enéias. O Gilmar tinha 53 anos, mas era um ex-profissional. Ele estava ocupando o meio e permitia os avanços do Almir. Se, por um lado, ele era um dos poucos de ambos os lados que estava tratando aquela partida como um amistoso de confraternização entre vizinhos, por outro nós precisávamos de três ou quatro atuando juntos pra passar por ele. O Armando era bem mais jovem, forte e veloz. Mas o Time Enéias sacrificou o meio.
Depois disso, a Natália recuperou uma bola perto do nosso campo e avançou imediatamente. O Leandro tentou fechar com o corpo. Ela manteve o equilíbrio, empurrou a bola pra frente e cruzou antes da aproximação do Luiz Alberto.
O Antônio ganhou a frente do Donizete e desviou de cabeça. A bola saiu fraca, nas mãos do Sílvio. A finalização não ameaçou muito, mas obrigou o Leandro a permanecer mais recuado. Cada ataque da Natália diminuía a liberdade do lateral pra apoiar o Gerônimo.
O adversário respondeu com seu lance mais perigoso desde o começo do segundo tempo. O Enéias recebeu do Armando e acelerou sem retardar a jogada. Tabelou com Pedro, passou pelo Rodolfo e entrou na área pelo centro. Rogério o acompanhava por trás, evitando qualquer contato que pudesse resultar em pênalti. O Enéias abriu o corpo e bateu colocado pro canto mais distante.
O Vinícius se esticou por inteiro. Tocou com a ponta dos dedos e desviou a bola contra a trave. O som do impacto atravessou o campo.
O Tiago chegou primeiro no rebote e afastou antes do Gerônimo. Vinícius se levantou com os punhos cerrados.
O Time Enéias tentou recuperar a bola antes que saíssemos. O Armando me pressionou de costas pro ataque. Usei o corpo para proteger e toquei pro Rogério.
A Letícia se aproximou, recebeu e inverteu pra Natália. Ela matou no peito, passou pelo Leandro no primeiro toque e tentou entrar na área. O Donizete abandonou o Antônio pra fechar o corredor.
A Natália percebeu que ficaria cercada e levou a bola até a bandeira. Protegeu até o Donizete tocar pra fora. Conquistamos outro escanteio e ganhamos tempo pra subir.
Cobrei curto. A Natália devolveu e correu pelas costas do Leandro. Encontrei o Rodolfo na entrada da área. Ele bateu de primeira. A bola desviou no Luiz Alberto e sobrou pra Letícia. Ela dominou tentando abrir o espaço do chute. O Armando chegou e bloqueou. O Antônio buscou a sobra, mas o Donizete afastou.
O Time Enéias saiu em contra-ataque. O Cleber acelerou diante da Lisandra e tocou pro Enéias no centro. O Rogério tomou posição à frente dele. O Enéias passou com uma caneta. A bola atravessou as pernas do Rogério e ficou livre na entrada da área. Eu já recuava pela cobertura e consegui cortar antes que ele alcançasse outra vez.
Toquei imediatamente pro Rodolfo, que acionou a Letícia. Ela encontrou o Antônio de costas. Nosso atacante segurou até a Natália atravessar o campo pelo lado direito.
O passe saiu um pouco longo. A Natália correu até a linha de fundo e tentou manter em jogo, porém a bola escapou. Mesmo assim, tínhamos transformado um ataque perigoso deles numa chegada ao outro lado sem permitir nova pressão.
O desgaste começou a aparecer. O Time Enéias ainda levava vantagem nas arrancadas. Porém, a estrutura deles ficava cada vez mais alongada. Os quatro jogadores ofensivos permaneciam perto dos nossos defensores, enquanto Armando e Almir precisavam cobrir uma extensão enorme no meio.
Passei a explorar esse espaço controlando o ritmo. Recebia dos zagueiros, esperava a pressão e escolhia o passe mais seguro. O Rogério ficava perto para oferecer apoio. O Rodolfo avançava até o intervalo entre o lateral e o zagueiro. A Letícia se aproximava do Antônio para criar uma opção curta.
Em uma dessas jogadas, o Antônio recebeu de costas e suportou o contato do Luiz Alberto. Girou antes que o zagueiro conseguisse travar. O Donizete saiu da linha para fechar o chute.
O Antônio tocou pra Letícia, que entrou na área pela esquerda. Ela cruzou na direção da Natália, na segunda trave. O Leandro recuou e cortou de cabeça. O Rodolfo pegou a sobra e finalizou por cima.
Eles voltaram ao ataque com o Gerônimo recebendo em boa condição. O Pedro se apresentou entre nossos zagueiros. O Enéias pediu a bola atrás da jogada.
Gerônimo devolveu. O Enéias levou a posse até o Rogério e tentou duas mudanças seguidas. O Rogério perdeu o primeiro movimento, recuperou-se e tirou o caminho central. A Letícia recuou pra ajudar. Quando o passe chegou ao Cleber, a Lisandra já estava posicionada.
O Cleber cortou para dentro e tabelou com o Pedro. A devolução o deixou livre na área. A Lisandra ainda conseguiu acompanhar por fora, embora não alcançasse a bola. O Cleber bateu cruzado. O Vinícius se lançou pra direita e espalmou. O Gerônimo entrou no rebote e finalizou quase sem ângulo.
O Vinícius ainda estava no chão. Estendeu a perna e bloqueou outra vez. O Wagner afastou pra lateral. A defesa dupla arrancou um grito forte do nosso lado do campo. O Vinícius demorou para se levantar, respirando com as mãos nos joelhos. O esforço começava a cobrar.
O Time Enéias percebeu o cansaço e aumentou a pressão. O Armando começou a avançar ao lado do Almir. Os laterais passaram do meio-campo. Na posse, eles mantinham apenas os dois zagueiros atrás e formavam uma linha de cinco homens perto da nossa área.
O Pedro recebeu entre Wagner e Tiago e escorou pro Enéias. Ele girou tentando entrar pelo centro. O Rogério chegou de lado, errou o momento e o derrubou perto da lateral do círculo central. O árbitro marcou falta e fez uma advertência verbal.
— Mais uma e eu vou ter que dar cartão.
O Rogério se afastou sem discutir.
O Enéias cobrou pro Gerônimo e correu pra área. O Gerônimo venceu o Dênis na velocidade e cruzou forte. O Tiago tocou parcialmente e a bola caiu perto do Pedro, que tentou dominar. Eu havia recuado até dentro da área e consegui tocar antes que ele ajeitasse pro chute. O Rodolfo completou o corte e encontrou o Antônio perto do meio-campo.
O Antônio protegeu contra Donizete durante vários segundos. Não havia apoio próximo pro contra-ataque. Ele segurou até sofrer a falta e permitiu que recuperássemos o fôlego.
Cobrei curto pra Letícia. Ela prendeu junto à lateral, esperou a Lisandra passar e devolveu pra trás. Mantivemos a posse sem abrir o campo.
A Natália permaneceu do lado oposto. Em alguns momentos, arrancava contra Leandro. Em outros, segurava perto da bandeira e obrigava o lateral amarelado a medir cada entrada.
O Armando interceptou um passe meu e entregou pro Enéias. O Pedro entrou na área e pediu a bola. O Enéias olhou pra ele, depois voltou a avançar na direção do Rogério, que fechou o lado direito. O Enéias passou pelo corpo dele. Mas isso permitiu que eu e Rodolfo formássemos uma segunda barreira.
O Enéias abriu pro Cleber. O ponta cruzou sobre a Lisandra. O Wagner afastou de cabeça. O Leandro pegou a sobra e levantou de novo pro segundo poste. O Pedro subiu acima do Tiago e cabeceou para baixo, no contrapé do Vinícius.
Nosso goleiro já havia começado a cair pro outro lado. Travou a perna direita, torceu o corpo e alcançou a bola rente à linha. Ela ainda bateu no poste antes do Wagner afastar. O Vinícius ficou caído por alguns instantes.
Ele repôs curto comigo. Toquei pro Rogério. O Armando pressionou e o Rogério encontrou a Letícia junto à lateral. A Letícia avançou e tabelou com o Antônio. Tentou lançar a Natália na direita. O Luiz Alberto leu a jogada e cortou antes que conseguíssemos recompor.
Nossos laterais estavam adiantados. O Luiz Alberto tocou pro Almir, que abriu o Cleber na direita. Ele passou pela Lisandra e cruzou rasteiro. A bola Pedro entre Wagner e Tiago. Ele protegeu e devolveu de primeira. O Enéias chegou de frente.
O Rogério fechou o espaço sem esticar a perna. O Enéias moveu a bola pra direita e bateu forte entre os defensores. O Vinícius enxergou tarde. O desgaste das defesas anteriores já aparecia. Ele ainda tocou com a mão esquerda, porém a bola seguiu até perto da trave e entrou.
2 a 2.
O Enéias correu pra comemorar com os companheiros e a sua torcida. O grito de “Enéias! Enéias!” do alambrado aumentou. O Vinícius permaneceu sentado dentro da área, olhando pro chão. Mais frustrado e cansado que abalado.
O empate devolveu energia ao adversário. O Enéias pressionou nossa saída. O Pedro ocupou Wagner e Tiago. O Cleber voltou a atacar a Lisandra.
Chamei Rogério e Rodolfo pra mais perto. Natália e Letícia recuaram alguns metros. O Antônio ficou sozinho à frente. Precisávamos sobreviver aos minutos seguintes e evitar novos chutes a gol.
Mesmo compactos, perdemos a bola depressa. O Cleber recebeu aberto e partiu pra cima da Lisandra. Ela acompanhou o primeiro toque. Ele mudou de direção e ganhou a frente. A Lisandra tentou impedir a entrada na área com um carrinho lateral. Manteve os pés baixos, porém chegou com força e atravessou o caminho dele. O Cleber caiu perto da linha da área.
O árbitro marcou a falta e mostrou cartão amarelo. No mesmo lance, Lisandra prendeu o pé no gramado. O joelho girou enquanto o restante do corpo seguia adiante. Ela tentou levantar e mancou nos primeiros passos. Fez sinal pro banco.
A escolha de colocá-la havia funcionado durante aqueles minutos. Ela segurara o Cleber e fechara o corredor direito dele. Mas ela não tinha condições de segurar ele mancando. Olhei pro banco. Seu Raimundo apontou pra Lorena.
Não tinha tempo pra discutir com ele desta vez e chamei ela.
— Fica na posição. Fecha ele por dentro e deixa a linha te ajudar. Nada de subir agora.
A Lisandra saiu mancando, mais frustrada do que machucada e a Lorena entrou pra assumir a lateral esquerda.
O Enéias cobrou a falta fechada. O Vinícius saiu do gol e socou para fora da área. O Armando pegou o rebote e finalizou por cima. A bola saiu.
Depois do tiro de meta, a Natália recebeu do Dênis e atacou o Leandro outra vez. Levou até a linha de fundo, tentou o cruzamento e viu a bola ficar presa entre os dois. A ruiva usou o corpo e conquistou um escanteio. Demorou alguns segundos pra buscar a bola, tempo suficiente pra todos avançarem. O árbitro acompanhou e permitiu a cobrança.
Fui até o lado direito e toquei curto. A Natália devolveu, recebeu novamente e protegeu junto à bandeira. Dois adversários foram atraídos. Ela tocou pro Rodolfo, que encontrou a Letícia no espaço entre Almir e Armando. A Letícia girou e acionou o Antônio. Ele protegeu contra Donizete e devolveu pro Rodolfo.
O Rodolfo tentou lançar a Natália por cima da defesa. Luiz Alberto cortou parcialmente de cabeça. A bola permaneceu no ataque. A Letícia recuperou e entregou para mim.
Eu tinha espaço para arriscar de fora da área. O time estava aberto demais para suportar uma perda seguida de contra-ataque. Voltei a bola pra Natália.
Ela recebeu perto da linha lateral. O Leandro se aproximou com cuidado por causa do cartão. A Natália deu um toque longo e passou por ele antes que pudesse girar. O Luiz Alberto abandonou Antônio e correu pra fechar. O Sílvio saiu do gol.
A Natália tentou tocar por cima do goleiro. O Sílvio levantou as mãos e bloqueou parcialmente. A bola subiu quase na vertical. Ela e o Luiz Alberto saltaram por cima do goleiro. A ruiva girou o corpo, pensando em disputar o rebote. Mas a bola desviou por acidente na bunda da Natália, fazendo o zagueiro perder completamente o tempo da bola e mudando a trajetória pro gol. A bola caiu atrás deles e quicou em direção ao gol. O Donizete correu para afastar, mas estava distante demais. A bola atravessou a linha antes que ele alcançasse.
3 a 2 pra gente.
A Natália caiu dentro da pequena área, levantou imediatamente e só então percebeu que foi gol. Sua reação imediata foi correr na direção do Leandro e gritar a plenos pulmões.
— ESSE GOL É PRA VOCÊ, FILHO DA PUTA!
O Leandro era um cara de condomínio que nem metido a malandro era. A Natália era acostumada a viajar com a torcida organizada de Londrina até Goiânia e Lucas do Rio Verde, sendo uma das poucas mulheres no ônibus. Eu nunca apostaria no Leandro contra a Natália em nada...
Abracei a Natália junto dos outros na comemoração, mas apontei pro nosso campo. Restavam poucos minutos, além dos acréscimos. A gente não pode vacilar. Reordenei o time imediatamente.
— Rodolfo, entra na zaga. Linha de cinco. Natália e Letícia voltam até o meio. Vamos fazer duas linhas. Uma de quatro e uma de cinco.
O Rodolfo recuou pro centro da defesa. O Dênis ficou na direita. Wagner e Tiago permaneceram pelo meio, com a Lorena na esquerda. A Natália voltou pro lado direito do meio-campo. A Letícia ficou do lado oposto. Eu e Rogério fechamos o centro. O Antônio permaneceu sozinho no ataque.
Com a bola, Natália e Letícia podiam correr até o campo ofensivo e segurar por lá. O objetivo era claro. O resultado valia mais do que qualquer tentativa de marcar outro gol.
O Enéias recebeu do Armando e tentou acelerar pelo meio. O Rogério acompanhou sem entrar na disputa. Eu fechei o passe pro Pedro. O Enéias buscou o espaço entre nós. Toquei na bola, o Rogério protegeu a sobra e entregou pra Letícia.
Ela disparou pela esquerda, levou até o campo ofensivo e esperou Antônio se aproximar. Os dois trocaram passes perto da bandeira, obrigando o Donizete a colocar pra fora.
O árbitro indicou oito minutos de acréscimo.
Isso provocou protestos do nosso lado e animação do outro. As lesões do Érico e da Lisandra, somadas às trocas, justificavam o tempo. Ainda assim, oito minutos pareciam longos demais para uma equipe cansada defendendo uma vantagem mínima.
O Time Enéias recuperou e avançou com quase todos. O Almir lançou o Gerônimo nas costas do Dênis. O ponta cruzou, mas o Rodolfo cortou de cabeça no centro da área. A sobra ficou com o Enéias. Ele tentou bater de primeira. Coloquei o corpo na trajetória e bloqueei.
O impacto me tirou o ar. A Natália recolheu a bola e correu pelo lado direito. Atravessou quase todo o corredor, reduziu quando chegou ao campo ofensivo e protegeu contra o Leandro. Em vez de cruzar sem apoio, levou até a bandeira e conquistou um lateral.
O Dênis cobrou pro Antônio. Nosso atacante usou o corpo contra Luiz Alberto e manteve a bola no ataque. A Letícia se aproximou e recebeu. P Donizete chegou atrasado e cometeu a falta perto da lateral.
Organizei a cobrança e levantei pro Antônio, que disputou no alto e conseguiu outro lateral. Cada paralisação parecia valer um minuto inteiro.
O Time Enéias finalmente recuperou aos 03 minutos dos acréscimos. O Enéias desceu até o próprio campo pra buscar e avançou em velocidade. O Rogério o acompanhou pelo centro, atento para não cometer outra falta. O Enéias passou pela Letícia e tentou encontrar o Pedro. O Rodolfo saiu da linha defensiva e antecipou o passe.
O Gerônimo recolheu a sobra e cruzou. O Wagner subiu acima do Pedro e cortou pra escanteio. O Enéias foi cobrar. A bola veio fechada. O Vinícius saiu do gol apesar do cansaço e socou pra fora da área.
O Armando devolveu de cabeça. O Cleber tentou uma bicicleta dentro da área. A finalização passou por cima.
O Vinícius caiu depois da saída e permaneceu alguns segundos no chão. O árbitro olhou, esperando algum pedido de atendimento. Nosso goleiro levantou sozinho e voltou pra meta.
Aos 05 minutos, Sílvio deixou a área para participar da construção. O Time Enéias manteve apenas Donizete perto do próprio campo. A bola passou pelo Almir e chegou ao Gerônimo antes de voltar pro Enéias.
Ele tentou driblar o Rogério na entrada da área. O Rogério fechou o lado direito e forçou o passe pra Cleber. A Lorena acompanhou por dentro e bloqueou o cruzamento. A bola saiu em escanteio.
Eles cobraram na direção do Pedro, mas o Tiago desviou. O Luiz Alberto recebeu a sobra na entrada da área e finalizou forte. Me joguei na frente. A bola atingiu meu corpo e voltou pra fora. A Natália recolheu o rebote e atravessou o meio-campo. Tocou pro Antônio. Ele prendeu contra o Donizete e o Armando, consumindo segundos enquanto tentava manter a posse.
Os dois conseguiram recuperar. O Enéias recebeu pela última vez na intermediária. Passou pela Letícia e avançou diretamente na direção do Rogério. O meu amigo recuou com os braços junto ao corpo. Evitou qualquer tentativa de desarme. O Enéias tocou pro lado, entrou na área e caiu ao passar perto dele.
Eu vi o espaço entre os dois. O contato fora insuficiente pra derrubar alguém. O árbitro também viu. Apitou e correu pro lance.
Na hora, meu coração disparou pensando que ele marcaria pênalti.
Ele levou a mão ao bolso e mostrou cartão amarelo pro Enéias por simulação. A reação veio dos dois lados. O Enéias levantou protestando. O Rogério se afastou antes que a discussão crescesse. Peguei a bola e a coloquei no lugar da falta.
Cobrei curto pro Rogério e ele tocou pra Natália. A ruiva levou outra vez até a lateral. Protegeu contra o Leandro e esperou a Letícia se aproximar. As duas mantiveram a bola perto da linha enquanto o restante do time voltava para fechar qualquer lançamento final.
O árbitro olhou pro relógio e apitou.
Fiquei parado tentando recuperar o ar e confirmar que havia terminado.
3 a 2!
Vencemos!
Eu não acreditava que nós tínhamos vencido! O Rogério ergueu os braços. O Vinícius caiu sentado dentro da área. A Natália e a Letícia correram pra abraçar alguém. A Natália abraçou o Érico. O Antônio abraçou o Rodolfo. A Letícia veio me abraçar.
A vitória pertencia ao time inteiro. Aquilo também era uma vitória minha, construída durante os seis meses de academia, comida controlada e manhãs em que levantar da cama para treinar parecia uma ideia idiota. Eu tinha começado o ano me achando um inútil com contagem regressiva e decadente até a morte. Agora, tinha aguentado os 90 minutos de uma partida de futebol intensa.
Olhei pro outro lado do campo. O Enéias estava parado perto do círculo central, com as mãos na cintura e a camisa branca colada ao peito pelo suor. O rosto dele permanecia fechado enquanto o árbitro dizia alguma coisa sobre o cartão por simulação. Ele respondeu com um gesto irritado e virou as costas.
Pedro tinha se sentado no gramado. Mantinha os braços apoiados nos joelhos e olhava pro placar como se esperasse que os números mudassem. Quando o Donizete tentou ajudá-lo a levantar, Pedro recusou com a cabeça e ficou mais alguns segundos no chão.
Quando me aproximei do Rogério, a Jéssica apareceu, correu pro marido e praticamente saltou sobre ele. O Rogério a segurou pela cintura e os dois se beijaram com vontade no meio do campo. Ela apertou o rosto dele entre as mãos, falou alguma coisa perto da sua boca e voltou a beijá-lo. A camisa preta marcava os seios cheios, enquanto o short se ajustava às coxas grossas e à bunda redonda quando ela se apoiava na ponta dos pés.
— Você foi perfeito — ouvi quando ela se afastou um pouco.
— Eu tomei uma caneta.
— E eu sei lá o que é caneta! Continua perfeito!
O Rogério riu. A Jéssica deu outro beijo nele, mais curto, e virou a cabeça na minha direção. O sorriso mudou assim que me encontrou. Ela bateu no peito do marido, saiu dos braços dele e correu até mim.
Eu abri os braços a tempo de recebê-la. A Jéssica me abraçou com tanta força que minhas costelas, já doloridas pelo chute bloqueado, reclamaram imediatamente. Ela apertou o rosto contra meu ombro e ergueu um pouco os pés do chão. Segurei sua cintura e ri, tentando manter o equilíbrio.
— Eu sempre acreditei em você! — disse, com a voz embargada de orgulho por mim. — Obrigada por cuidar do meu marido em campo.
Ela me apertou outra vez. Seus cabelos estavam úmidos de suor e grudaram no meu rosto. Quando finalmente afrouxou o abraço, manteve as mãos nos meus ombros e me examinou da cabeça aos pés.
— Tá cada vez mais bonitão!
Ela voltou para Rogério, que esperava com um sorriso cansado. Eu ainda a acompanhei por alguns segundos. A Jéssica passou o braço pela cintura dele e começou a falar, provavelmente conferindo se o Rogério também possuía alguma dor que ainda não tinha percebido.
A Andréia veio logo depois. A camisa preta apertava seus seios grandes, e o short esportivo marcava a bunda enorme enquanto ela desviava dos jogadores espalhados pelo campo. Ela abriu os braços antes de chegar e apertou o meu corpo contra os seios e deu dois beijos demorados no meu rosto.
— Eu quase entrei naquele gol quando o Vinícius caiu — disse ela. — Ainda bem que fiquei no banco.
— Foi bom ter um plano reserva escondido.
— E você, hein? Até que está ficando gostosinho jogando bola.
— O “até” estragou o elogio.
Nós rimos, ela apertou minha barriga pela camisa e saiu para falar com o Vinícius.
A Letícia ocupou o lugar dela quase no mesmo instante. A camisa grudava nos seios firmes, e as coxas grossas apareciam sob o short preto. Ela me abraçou pela cintura, encostando o rosto no meu peito antes de olhar para cima.
— Eu falei que conseguia controlar o cartão.
— Seu primeiro lance ainda tirou o Amarildo do jogo.
— Eu não botei tanta força. O seu Raimundo disse que ele saiu por peso na consciência pelo Jonas.
Depois que ela se afastou, a Rebecca apareceu com um sorriso que me fez esquecer o cansaço durante alguns segundos. Ela ainda usava o uniforme de reserva, com a camisa número 16 justa sobre os peitinhos firmes e o short moldando sua bundinha empinada. Caminhou depressa quando percebeu que eu estava livre e se jogou nos meus braços.
O abraço dela veio forte, embora cuidadoso. A Rebecca passou os braços pelo meu pescoço e encostou a boca perto do meu ouvido.
— Você ganhou.
— Nós ganhamos.
— Eu fiquei tão orgulhosa.
— Eu vi você pulando no terceiro gol.
A Rebecca riu e voltou a me abraçar. Minha mão desceu até sua cintura antes que eu lembrasse da quantidade de pessoas ao redor. Mantive o gesto discreto.
Ela se afastou quando Wagner e Tiago chegaram para me cumprimentar. Wagner bateu na minha mão e me puxou para um abraço. O Dênis apareceu logo depois, ainda reclamando do cartão que havia recebido para impedir o Gerônimo.
Procurei Érico para saber do tornozelo. Ele não estava perto do banco nem junto aos outros. Natália também havia desaparecido depois de participar do começo da comemoração.
— Você viu o Érico? — perguntei pra Rebecca.
— Não vi mais. Talvez tenha ido pro hospital com a Natália ver o tornozelo.
A resposta fazia sentido e esqueci os dois. Aproveitei a muvuca de pessoas voltando pro condomínio, me aproximei da Rebecca e fomos embora juntos.
Assim que entramos no apartamento e fechei a porta, senti uma sensação de alívio pensando que as dores do dia seguinte eram problemas do Carlos do futuro. A Rebecca tirou as chuteiras perto da entrada e caminhou pelo corredor ainda usando o uniforme preto. A camisa tinha o nome dela nas costas e o número 16. O short justo acompanhava o movimento da sua bundinha empinada, balançando de um lado pro outro enquanto ela prendia melhor os cabelos.
— Eu vou tomar banho — disse ela. — Estou suada demais.
Fiquei olhando a bunda dela rebolando dentro do short preto.
— Quero você, Rebecca.
Ela parou no meio do corredor. Virou o rosto devagar e começou a rir.
— É sério isso?
O rosto dela estava corado e alguns fios castanho-claros tinham escapado do cabelo preso. A camisa preta marcava os seios pequenos e firmes. As pernas bonitas continuavam expostas entre o short e as meias pretas.
— Vai mesmo usar a mesma frase da nossa primeira vez?
— Funcionou daquela vez. Mas também tem outra coisa importante.
— O quê?
— Eu realmente quero você, Rebecca. Hoje e sempre.
Ela mordeu o lábio, tentando segurar outro sorriso. Depois caminhou de volta até mim, segurou a gola da minha camisa e me puxou para um beijo. A boca dela ainda tinha gosto de isotônico. O corpo quente encostou no meu e a minha mão foi direto praquela bunda compacta e empinada.
Apertei uma das nádegas por cima do short. Ela soltou um gemido baixo contra a minha boca e passou os braços pelo meu pescoço.
— Você quer mesmo fazer amor desse jeito?
— Só o short, a cueca e a calcinha de fora.
— E ficar com a camisa do jogo?
— Sim.
Voltamos a nos beijar. A Rebecca se esfregou contra o meu pau, que endurecia dentro do short. Suas mãos desceram pelas minhas costas e apertaram a minha bunda.
— Vem pro quarto — disse ela.
Seguimos pelo corredor aos beijos, esbarrando na parede uma vez porque nenhum dos dois estava prestando atenção no caminho. A Rebecca riu contra a minha boca quando bati o ombro no batente.
Ela entrou no quarto e sentou na beirada da cama. Eu fiquei de pé diante dela. A Rebecca abriu as pernas e me puxou pela cintura, encaixando meu corpo entre suas coxas.
Beijei sua boca com calma. Depois desci os beijos pelo pescoço até a gola da camisa. O tecido cobria seus seios, mas deixava o formato dos peitinhos visível. Passei as mãos por eles por cima da camisa, sentindo os mamilos endurecerem sob o tecido e o sutiã.
Ajoelhei diante dela e beijei suas coxas. As pernas da Rebecca eram torneadas, com músculos discretos e uma pele quase dourada. Passei as mãos pela parte de trás das suas coxas e subi até o short.
Ela levantou a bunda para que eu puxasse. O short desceu pelas pernas e caiu no chão. A Rebecca ficou de camisa, calcinha e meias pretas. A imagem me fez sorrir.
— O que foi?
— Você está linda.
— Foi essa cara de idiota que você fez quando me viu pelada pela primeira vez.
— Eu ainda não tirei tudo.
Passei os dedos pela lateral da calcinha. Ela era simples, de algodão escuro, e estava úmida no meio. Puxei devagar. A Rebecca levantou a bunda outra vez e deixou que eu tirasse a calcinha por suas pernas.
A bucetinha peluda apareceu diante de mim. Os pelos castanhos cobriam o monte, naturais e macios. Os lábios estavam inchados, já molhados. A Rebecca abriu mais as pernas e apoiou as mãos na cama.
— Olha como eu já estou — disse ela.
Encostei o rosto entre suas coxas e senti o cheiro quente da buceta. Beijei os pelos, depois passei a língua devagar pelos lábios molhados. A Rebecca gemeu e apertou os joelhos ao redor dos meus ombros.
— Carlos...
Lambi de baixo para cima, abrindo sua buceta com os dedos. A língua passou pela entrada e chegou ao clitóris. Ela soltou outro gemido e deitou para trás, mantendo as pernas abertas para mim.
Chupei o clitóris devagar. A Rebecca levou uma das mãos até a minha cabeça e segurou os meus cabelos. Eu alternava a língua com a boca, sentindo a buceta ficar cada vez mais molhada.
— Que delícia... Continua.
Enfiei um dedo nela. A bucetinha apertou em volta dele. Coloquei outro e comecei a mexer enquanto chupava o clitóris. A Rebecca rebolou contra a minha boca. A camisa preta subiu um pouco, deixando uma faixa da barriga lisa aparecer. Os seios pequenos marcavam o tecido a cada respiração mais forte.
— Chupa mais, Carlos.
A frase saiu com a voz baixa e rouca. A Rebecca ainda carregava alguns vestígios da mulher que costumava se assustar com as próprias palavras. Cada vez que ela se permitia ser mais livre e falava daquele jeito, eu sentia o pau endurecer ainda mais.
Chupei com vontade. Ela puxou meus cabelos e gemeu alto, mexendo a bunda sobre a cama. Quando senti seu corpo ficando mais tenso, parei por um instante e beijei a parte interna de uma de suas coxas.
— Vira de bruços.
A Rebecca entendeu. Girou sobre a cama e ficou apoiada nos joelhos, com a bunda levantada para mim. A camisa cobria parte das costas e terminava pouco acima da cintura. A bundinha em formato de coração aparecia inteira, firme e empinada. A transição da lombar para as nádegas era marcada, e o cuzinho rosado ficava entre elas.
Apertei sua bunda com as duas mãos. A Rebecca abriu um pouco mais as pernas.
— Vai chupar aí também?
— Vou.
Afastei as nádegas e beijei o cuzinho dela. A Rebecca soltou o ar devagar, afundando o rosto no colchão. Passei a língua em volta da entrada antes de lamber diretamente.
— Carlos...
A língua percorreu o cuzinho e voltou pra buceta molhada. Chupei os lábios por trás e enfiei a língua na entrada. A Rebecca empinou mais a bunda, oferecendo tudo pra minha boca.
— Isso...
Lambi de novo. Ela levou a mão até a própria buceta e começou a se tocar enquanto eu chupava seu cuzinho. O corpo dela tremia a cada passagem da minha língua.
— Eu vou gozar!
Voltei pra buceta. Enfiei dois dedos nela e chupei o clitóris por trás. A Rebecca se masturbava junto com a minha mão, os dedos dela roçando nos meus.
Ela gozou com um gemido abafado no colchão. A buceta pulsou em volta dos meus dedos, e a bunda empinada tremeu diante do meu rosto. Continuei chupando até ela afastar o corpo, sensível demais. A Rebecca caiu de lado na cama, ofegante.
— Meu Deus...
Subi e me deitei ao lado dela. Beijei sua boca, deixando que sentisse o próprio gosto. Ela me beijou com carinho, passando a língua pelos meus lábios.
— Tira esse short — pediu.
Levantei e tirei o short do uniforme. A cueca veio junto. Fiquei nu da cintura para baixo, ainda usando a camisa preta. A Rebecca olhou para mim e começou a sorrir.
Ela se aproximou e segurou o meu pau. A mão fina fechou em volta dele, fazendo movimentos lentos. A Rebecca beijou a cabeça e passou a língua pelo freio.
— Eu quero você dentro de mim.
Peguei uma camisinha na gaveta e abri a embalagem. A Rebecca tirou da minha mão.
— Deixa comigo.
Ela colocou a camisinha na cabeça do meu pau e desenrolou devagar até a base. Depois deu um beijo por cima, só para me provocar.
Deitei sobre ela. A Rebecca abriu as pernas e passou os braços pelo meu pescoço. Encostei a cabeça do pau na buceta molhada e entrei devagar. Ela fechou os olhos e gemeu.
Empurrei até o fundo. A bucetinha apertada recebeu meu pau inteiro, quente e encharcada. Parei por alguns segundos, beijando sua boca enquanto ela se acostumava.
— Está bom? — perguntei.
— Está uma delícia. Me come.
Comecei a meter. No início, usei um ritmo lento, entrando fundo e saindo quase inteiro. A Rebecca segurou o meu rosto e me beijou. Seus gemidos escapavam contra a minha boca.
As pernas dela subiram e se fecharam ao redor da minha cintura. A camisa preta subia um pouco a cada movimento, deixando a barriga aparecer. Os peitinhos continuavam presos sob o tecido, balançando discretamente quando eu metia.
— Mais forte.
Segurei uma de suas pernas e aumentei o ritmo. A cama começou a ranger. A minha coxa ainda doía por causa do jogo, mas o tesão resolveu esse problema durante alguns minutos. A Rebecca gemeu meu nome e apertou meu corpo com as pernas.
— Assim, Carlos... Mete assim.
Continuei. Meu pau entrava até o fundo, e a buceta dela apertava em volta da camisinha. A Rebecca estava tão molhada que cada estocada fazia um som gostoso entre nossos corpos. Ela levou as mãos até a barra da minha camisa e segurou o tecido.
Meti mais forte. Ela abriu a boca num gemido e arqueou o corpo. Depois de algum tempo, a Rebecca empurrou meu peito.
— Deita.
Saí de dentro dela e me deitei de costas. A Rebecca passou uma perna por cima do meu corpo e sentou sobre mim. Segurou o meu pau, posicionou na buceta e desceu devagar.
Observei o meu pau desaparecer dentro dela. A camisa do uniforme cobria os seios, e o número 16 aparecia quando ela se inclinava para frente. A bundinha empinada subia e descia sobre as minhas coxas. Apoiei as mãos na cintura dela.
A Rebecca começou a cavalgar mais rápido. As coxas firmes trabalhavam dos dois lados do meu corpo. Ela apoiou as mãos no meu peito e rebolou, fazendo meu pau esfregar dentro dela num ângulo diferente.
— Isso, Rebecca...
Ela sorriu. Havia carinho no modo como me olhava durante o sexo, mesmo quando estava quicando no meu pau e falando as maiores safadezas.
— Gosta quando eu monto em você?
— Gosto muito.
— Então, segura a minha bunda.
Apertei as duas nádegas. A bundinha era firme e compacta, projetada para trás. Ajudei a Rebecca a subir e descer, trazendo-a contra mim a cada movimento.
Ela aumentou o ritmo e começou a gemer mais alto. A buceta apertava meu pau enquanto ela se aproximava de outro orgasmo.
— Eu vou gozar de novo.
— Goza no meu pau.
A Rebecca inclinou o corpo para frente. Eu passei uma mão por baixo da camisa e alcancei um de seus seios. O peitinho cabia inteiro na minha palma. Apertei com carinho e belisquei o mamilo grande e duro.
Ela gozou cavalgando. Parou com o meu pau enterrado até o fundo e começou a rebolar devagar, tremendo sobre mim. A buceta pulsou várias vezes, apertando a camisinha.
A Rebecca respirou fundo e caiu sobre meu peito. Ficamos abraçados enquanto ela recuperava o fôlego.
— Você ainda aguenta? — perguntou.
— Aguento.
— Então, quero de quatro.
Ela saiu de cima de mim e se virou. Ficou apoiada nos joelhos, ainda usando a camisa e as meias. A bunda levantada diante de mim quase encerrou a discussão sobre quanto eu ainda aguentava.
Ajoelhei atrás dela. Passei o pau entre as nádegas e encostei na buceta.
— Come a minha bunda com os olhos e a minha buceta com o pau — disse Rebecca.
— Você anda falando coisas que acabariam comigo há alguns meses.
— Eu ando falando coisas que nunca imaginaria há alguns meses.
Entrei de uma vez, arrancando um gemido dela. Segurei a sua cintura e comecei a meter. A bunda da Rebecca batia contra o meu corpo a cada estocada. As nádegas se abriam ao receber meu pau, deixando o cuzinho visível acima da buceta.
Passei o polegar molhado em volta do cu dela. A Rebecca empinou mais.
— Pode brincar.
Massageei a entrada devagar enquanto metia na buceta. Ela gemeu no travesseiro e abriu mais os joelhos.
— Assim... Que gostoso.
Aumentei o ritmo. O meu corpo cansado já cobrava alguma moderação, mas a visão da bunda dela diante de mim eliminava qualquer bom senso.
— Rebecca, eu vou gozar.
Ela virou o rosto.
— Goza, meu amor.
Segurei sua bunda e meti mais fundo. O orgasmo veio forte. Enterrei o pau nela e gozei dentro da camisinha, sentindo meu corpo tremer atrás do dela.
A Rebecca continuou rebolando devagar enquanto eu gozava. Depois abaixou a bunda e se deitou de bruços.
Saí com cuidado e tirei a camisinha. Dei um nó e deixei sobre um papel na mesa de cabeceira. Em seguida, deitei ao lado dela. A Rebecca virou para mim. Estávamos com as camisas do uniforme, as meias pretas e absolutamente mais nada. Ela olhou para nossos corpos e começou a sorrir.
A Rebecca encostou a cabeça no meu peito. Passei a mão pelos seus cabelos. Ficamos quietos por um tempo. O barulho da nossa respiração preenchia o quarto. A adrenalina da partida tinha acabado e o meu corpo começava a informar que eu havia corrido mais naquela noite do que deveria.
— Você está feliz? — perguntou ela.
— Muito.
— Por causa do jogo?
— Também. Estou feliz por estar aqui com você.
A Rebecca passou os dedos pelo número da minha camisa. Ela levantou o rosto e me beijou.
— Estou com saudade da Eliana.
— Eu também.
Levantamos da cama. Minhas pernas reclamaram assim que fiquei de pé. Fomos ao banheiro. Tirei a camisa e as meias, ficando completamente nu. A Rebecca fez o mesmo. Quando puxou a camisa pela cabeça, os seios pequenos apareceram, firmes e próximos, com as aréolas rosa-amarronzadas e os mamilos ainda duros.
Ela entrou no box e ligou o chuveiro. A água quente caiu sobre seus cabelos e escorreu pelos seios, a barriga lisa e os pelos castanhos da buceta.
Entrei atrás dela. A Rebecca passou sabonete pelos meus ombros e desceu pelas costas. Quando chegou à minha barriga, apertou um pouco.
— Está menor.
— Se continuar apertando, ela volta.
— Eu gosto assim.
Peguei o sabonete e lavei o corpo dela. Passei as mãos pelos seios e pela cintura. Desci até a bunda, ensaboando cada nádega.
A Rebecca se encostou em mim. Meu pau, que começava a se recuperar, roçou na bunda molhada. Ela percebeu.
— De novo?
— Você está nua na minha frente.
A Rebecca virou de frente. Ajoelhou devagar sob o chuveiro e segurou meu pau. Ela passou a língua pela cabeça. Meu pau endureceu na mão dela.
A Rebecca colocou na boca e começou a chupar. Seus lábios envolveram a cabeça, descendo devagar pelo corpo. A água caía sobre seus cabelos e escorria pelo rosto.
Apoiei uma mão na parede e a outra na cabeça dela. A Rebecca chupava com calma, olhando para mim de vez em quando. Usava a mão na base e a boca no restante.
— Rebecca... Que delícia.
Ela soltou meu pau só para falar.
— Quero ver você gozar de novo.
Voltou a chupar. A língua passava pela parte de baixo enquanto a mão apertava com firmeza. Quando ela descia mais fundo, eu sentia a cabeça do pau chegar perto da garganta.
A Rebecca acelerou. O som da boca molhada se misturava ao chuveiro.
— Assim... Continua.
Ela manteve o ritmo. Minhas pernas já estavam cansadas, e o prazer crescia rápido. Segurei seus cabelos com cuidado.
— Eu vou gozar.
A Rebecca afastou a boca por um instante.
— Goza na minha boca.
Ela engoliu meu pau outra vez. Bastaram mais alguns movimentos. Eu gemi e gozei, soltando os jatos dentro da boca dela.
A Rebecca continuou chupando enquanto meu pau pulsava. Engoliu e passou a língua pela cabeça, recolhendo o resto. Depois deu um beijo lento na ponta.
Ela se levantou, limpando a boca com a água do chuveiro. Eu a puxei pela cintura e a beijei.
— Você acabou comigo.
— Agora você toma banho de verdade.
— Achei que a gente já estivesse tomando.
A Rebecca pegou o sabonete e voltou a lavar meu peito. Abracei sua cintura e deixei a água cair sobre nós.
Ganhar aquela partida tinha sido ótimo. Voltar para casa com a Rebecca e comemorar daquele jeito tinha transformado a noite inteira. Ainda sentíamos falta da Eliana. Mas, mesmo assim, eu estava feliz. Cansado, dolorido e completamente satisfeito, com a mulher que amava nua nos meus braços.
Pois bem, leitor. No próximo capítulo, Carlos e Rebecca irão participar de um crossover-suruba. O Carlos vai comer uma terceira mulher (com autorização das namoradas) e a Rebecca vai dar pra um homem. Quem serão?
Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.
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O Arco do Futebol é composto por sete partes que podem ser lidas independentes, mas cada uma prioriza as ações dos seus narradores e protagonistas. E, nem sempre o que os outros veem eles fazendo era necessariamente a intenção deles.
Ele vai compreender os seguintes capítulos:
* PARTE 1: Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 21
* PARTE 2: Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 18
* PARTE 3: Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 14
* PARTE 4: Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03
* PARTE 5: Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 16
* PARTE 6: Queria Ser Síndica, mas Porteiros e Zeladores Me Viram Pelada - Parte 03
* PARTE 7: Louco para enrabar a professora ruivinha, enrabei o volante contador primeiro (Série do Antônio - Parte 05)
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NOTA DO AUTOR:
Provavelmente, este capítulo deve sofrer das mesmas críticas sobre repetição de cenas do capítulo do Miguel. Mas ele já estava finalizado e tentar mexer nele seria pior/demandaria mais tempo.
A minha ideia era que o Carlos tivesse uma visão mais geral/tática da partida enquanto os demais PoVs tivessem uma leitura mais focada. A do Rogério enfatizaria o duelo Rogério vs Enéias. Mas eu acabei contando demais nela e quase tudo que as outras partes revelariam (o Érico virando rei dos cruzamentos, Vinícius MVP, o entrosamento Rodolfo/Antônio/Letícia) já foram entendidas pelos leitores.
As únicas partes que realmente ofereceriam coisas novas durante a partida são os PoVs do Jonas (por ser bem curto e ter uma leitura diametralmente oposta à intepretação de Rogério e Carlos) e da Tatiana (que não se concentra na partida, mas no banco de reserva e no que o seu Raimundo estava aprontando enquanto se fazia de velho frágil).
Como cada uma das partes têm versões bem diferentes dos eventos antes e depois da partida (inclusive contextualizando as outras rivalidades. Quem lembra os nomes dos personagens esquecidos do Velho Testamento sacou que eu trouxe dois vilões do limbo pra serem os capangas do Enéias e inimigos dos outros PoVs homens), e essas partes antes e depois da partida são as que realmente avançam a trama ainda dá para fazer o arco como imaginei. Só precisar agora dar um pulo do apito inicial direto pro final da partida.
P.S.: Meses atrás, o @Leitor Fantasma tinha montado um ranking headcanon de porradaria. Eu disse que a Lorena era rank S junto com o Rogério porque ela derrotaria o Enéias. Bom, resolvi mostrar que ela realmente derrotaria o Enéias.
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NOTA DO AUTOR 2:
Sim. Eu estava com um puta cagaço de postar a Parte 1 ontem caso o Brasil perdesse. Mas deu tudo certo e corri pra postar logo no hype. Para melhorar, ainda tivemos o Paraguai vencendo a Alemanha.
Um time tecnicamente inferior derrotando um mais forte (técnica e fisicamente) com aplicação tática, raça e poder da amizade. Perfeito.
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