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Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 21 - [ARCO DO FUTEBOL - PARTE 1]

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Um conto erótico de Rogério
Categoria: Heterossexual
Contém 17327 palavras
Data: 29/06/2026 16:14:28
Última revisão: 29/06/2026 16:15:08

CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui acontecem em 31 de julho de 2025 (quinta-feira).

Eu me chamo Rogério. Atualmente, estou com 28 anos e sou casado há quatro anos com a Jéssica. Esta série conta nossas desventuras no prédio onde moramos, onde alguns vizinhos e vizinhas (e os nossos melhores amigos) parecem querer testar nosso amor. Quem puder ler os primeiros capítulos, só procurar pela série.

A Jéssica tem 26 anos, é médica e tem o corpo esculpido por horas de academia e uma disciplina invejável. Ela tem 1,71, pele amendoada e lindos cabelos castanho-claro. Barriga tanquinho, seios e bundinha pequenos, mas bem proporcionais ao seu corpo escultural. Não temos filhos ainda, mas isso está no nosso radar depois que os dois trintarem.

A minha melhor amiga, Lorena, acabou de se mudar para o apartamento ao lado do nosso. A Lorena tinha 27 anos e era minha amiga desde que nos entendemos como gente. Éramos tão próximos que ela havia sido madrinha do meu casamento com a Jéssica. Ela tinha se tornado sócia da empresa da minha família depois de formada e, com isso, trabalhávamos juntos no mesmo ambiente. Ela era morena de praia, magra, seios pequenos e bundinha redondinha e empinadinha, além de um belo par de coxas. Estava solteira e, segundo ela, muito bem assim.

Este capítulo, finalmente vai ter minha partida contra o Enéias.

Terminei de apertar o último cadarço e olhei pro uniforme preto com número 8 no espelho do quarto antes de sair do quarto. A Jéssica já estava pronta na sala. A camisa 14 ficava justa nos seios cheios e na cintura, enquanto o calção abraçava a bunda redonda e deixava as coxas grossas completamente à mostra. O cabelo castanho-claro estava preso num rabo de cavalo alto. Ela apoiava um pé na beirada do sofá para ajeitar a chuteira.

A Lorena estava perto da janela com a camisa 17. O uniforme preto marcava a cintura fina, o abdômen plano e a bunda redonda dela. As pernas torneadas ficavam ainda mais bonitas com os meiões puxados, e o cabelo escuro estava preso para não atrapalhar. Ela mexia os ombros, alongando o pescoço com calma.

A Lisandra ocupava a ponta do sofá. A camisa 22 esticava sobre os seios pequenos e naturais, e o calção desenhava a bunda exuberante dela de um jeito que transformaria qualquer aquecimento numa distração coletiva. As pernas longas pareciam ainda maiores com o uniforme. Ela segurava as próprias mãos entre os joelhos, preparada pra guerra, mesmo sendo reserva.

— Finalmente — disse Jéssica. — Eu achei que você fosse conferir a caneleira até amanhã.

— Conferi só o necessário — respondi, passando a mão pela camisa.

A Lorena soltou um riso curto e voltou a mexer o pescoço.

— Você está com cara de quem vai jogar uma final de Copa do Mundo — disse ela. — Respira, Rogério. Na prática, este jogo só vale o teu orgulho e a tua reputação.

— Está parecendo uma chaleira com raiva — respondeu Jéssica, levantando do sofá. Ela veio até mim e ajeitou a gola da minha camisa. — Relaxa.

A campainha tocou antes que eu respondesse. Abri a porta e encontrei a Tatiana no corredor, já vestida com a camisa 21. O uniforme era um pouco folgado no corpo magro dela porque tinha sido comprado pensando nas medidas da Eliana. A franja castanha estava presa para trás com duas presilhas, o que deixava o rosto mais aberto do que de costume.

A Jéssica se aproximou e apontou pra Lisandra.

— Tatiana, essa é a Lisandra. Lisandra, essa é a Tatiana. Vocês já devem ter se visto pelo prédio. Acho que nunca foram apresentadas direito.

A Lisandra se levantou e sorriu, ainda um pouco retraída.

— Prazer. Eu já te vi algumas vezes indo com as garotas pra academia.

— Eu também já te vi — respondeu Tatiana, apertando a mão dela.

A campainha tocou de novo. Dessa vez, era o Vinícius. Ele usava a camisa 1 e carregava as luvas de goleiro debaixo do braço. O cabelo ondulado estava meio amassado.

— Desculpa o atraso — disse ele, olhando direto pra Lisandra.

A Lisandra foi até ele, alisou a frente da camisa e deu um beijo no canto da boca. O Vinícius relaxou um pouco.

— Vai dar tudo certo — disse ela.

Saímos. O elevador social estava parado no nosso andar, com a porta fechada e o botão apagado. A Lisandra caminhou direto até o elevador de serviço, apertou o botão e ficou esperando sem comentar nada. Estranhei como ela simplesmente ignorou o social. O elevador de serviço chegou e a Lisandra entrou primeiro, e todos nós fomos atrás dela. Preferi não perguntar nada antes da partida.

A caminhada até a praça não foi longa porque ela ficava na esquina do condomínio, coisa de uns 400 metros. Quando chegamos, entendi que o jogo tinha virado o evento da semana para as duas torres.

Quase toda a lateral do campo estava ocupada. Alguns moradores se apertavam perto do alambrado. Outros tinham levado cadeiras de plástico e ocupavam a calçada. Muita gente usava camisa branca. O lado do Time Enéias tinha mais gente e fazia barulho.

— Caralho — disse Lorena, olhando a multidão. — Eles vieram assistir a gente perder.

— A maioria veio por isso mesmo — respondeu Tatiana. — Tem gente que nem assiste futebol e está com camisa branca.

A Jéssica segurou minha mão por alguns segundos.

— Ótimo — disse ela. — A decepção vai ser coletiva.

A Lorena apontou com o queixo pro banco preto, onde a Sarah estava reunida com a Rebecca. A Natália aquecia perto da lateral com a Carolina. Andréia conversava com a Letícia enquanto prendia o cabelo loiro. Todas usavam nosso uniforme.

— Olha aquilo — falou Lorena. — Metade delas não gosta de futebol. Algumas mal sabem a regra. Mas todas se ofereceram pra jogar porque queriam deixar claro de que lado estão.

Seguimos até o banco. O Time Enéias, uniforme branco com detalhes azuis, aquecia do outro lado, trocando passes rápidos. Eles pareciam uma equipe montada pra ganhar. O nosso lado parecia um conjunto de pessoas que tinha escolhido ficar junto.

Esbarrei na Sarah e fomos até o Érico, que estava com a Natália do lado.

— Obrigado por topar isso, amigo.

— Eu continuo achando que aquela churrasqueira não vale um infarto — respondeu Érico. Ele puxou o ar e tentou sorrir. — Só que agora eu também quero ganhar desse filho da puta.

— A outra churrasqueira que a gente pode usar fica lá no meu sítio.

— Aquele há quase quatro horas de carro daqui.

— Sim.

Ele parou e fez contas mentais.

— Gasolina tá cara... — hesitou. — Acho que você está certo. Esse jogo compensa os riscos...

Depois disso, conversamos mais um pouquinho e fui falar com o Wagner, que estava alongando as pernas perto do Tiago. Cumprimentei ambos.

— Valeu por fecharem comigo.

— Deixa os atacantes comigo quando entrarem na área — respondeu Wagner, sério. — Mas você é a nossa primeira linha de defesa.

— Eu vou tentar.

O Wagner assentiu e voltou a observar o ataque adversário. O Tiago terminou o alongamento e se levantou.

— Se um dos dois passar, eu faço a cobertura — disse ele. — Só não me deixem sozinho com dois atacantes.

— A gente fecha o centro e força o passe pra fora — respondi. — O Carlos vai explicar nosso esquema antes do jogo.

O Dênis estava alguns metros adiante, mexendo no meião com impaciência. Ele ergueu a cabeça quando me aproximei.

— Obrigado por aceitar jogar de volante — falei. — Eu sei que você queria uma posição mais adiantada.

— Eu quero ganhar — respondeu ele. — Se precisar correr atrás dos outros por 90 minutos, eu corro.

— Fecha comigo por dentro. Quando eu sair, você cobre.

— Certo — disse Dênis. Ele apontou pro Tiago. — E manda aquele moleque parar de reclamar antes da bola rolar.

O Tiago ouviu de longe e levantou o braço.

— Eu escutei. E já mandei fotos desse meião até as coxas no grupo de whatsapp do trabalho.

O Dênis tinha sido expulso do grupo depois de tentar hackear minha conta pra virar o admin e expulsar o Tiago.

— Guardem a picuinha para depois — cortei, antes que começassem. Os dois resmungaram alguma coisa e voltaram ao aquecimento.

O Roberto estava perto da lateral esquerda, sozinho, puxando o ar devagar. A camisa 6 ficava justa na barriga redonda e o cabelo branco nas laterais estava penteado. A expressão dele parecia a de alguém que ainda tentava entender como tinha chegado ali.

— Senhor Roberto, obrigado por ter vindo. Eu sei que isso fugiu bastante da sua rotina.

— Só... Tenta não passar a bola pra mim, por favor... — respondeu ele, nervoso.

— Fica perto da defesa e evita subir sem necessidade. O Cleber deve cair no seu lado.

— Eu vou acompanhar ele. Só não prometo ser rápido.

O Rodolfo vinha correndo em volta do campo e reduziu quando me viu. A camisa 7 marcava os braços grossos e ele parecia bem mais preparado fisicamente do que quase todo mundo do nosso time.

— Obrigado por entrar nessa — falei, batendo na mão dele. —Ajuda o Carlos na saída de bola e no primeiro combate. Você tem mais perna que ele.

— Pode deixar.

O Carlos já usava a camisa 10 e a faixa de capitão. Ele estava perto do círculo central, observando o aquecimento adversário.

— Obrigado por assumir a faixa. Você é o cara certo.

— Guarda o agradecimento para depois do jogo — respondeu Carlos. — Durante a partida, não entra na provocação do Enéias.

Eu respirei fundo e assenti. Depois disso, eu fui falar com o Jonas e o Antônio. Nesse momento, notei o seu Raimundo indo falar com alguns jogadores do Time Enéias e estranhei.

Eu ia voltar para perto do Carlos quando o Enéias se aproximou. A camisa 10 branca ficava justa no corpo forte e atlético, a faixa de capitão estava presa no braço e ele carregava aquele sorriso de quem já entrava numa conversa acreditando que tinha vencido. Vários moradores perto do alambrado diminuíram o tom para ouvir.

— Bonito teu time — disse Enéias, olhando pro banco. — Parece excursão. — Ele olhou para minha camisa e depois pro braço sem faixa. — Camisa 8? Eu achei que o dono da bola fosse usar a 10.

— Não faz sentido um volante usar a 10.

O Enéias abriu um sorriso ainda maior e olhou pra faixa no braço do Carlos.

— Você deu a 10 e a braçadeira para ele. Conseguiu virar coadjuvante no próprio time?

— Futebol é um esporte coletivo e o Carlos era o mais qualificado.

Ele me olhou como se eu estivesse assumindo ser um fracassado. Depois olhou para os nossos reservas. Os olhos passaram pela Jéssica e demoraram nela.

— Você trouxe mulher e velho — disse ele, que apontou pro Roberto e Jonas. — Metade do teu time não aguenta correr dez minutos.

— Então ganha o jogo — respondi. — Falar antes é fácil.

O Enéias deu mais um passo.

— Eu vou ganhar — disse ele, baixando um pouco a voz. — Depois vou tomar a churrasqueira e a quadra. Depois, um dia, também vou tomar tua mulher. A Jéssica olha para mim e você sabe. Um dia ela vai cansar desse teu jeito de banana e vai dar para mim.

Meus dedos se fecharam com força. Mantive os braços ao lado do corpo e forcei a respiração a continuar. Ele viu a tensão e sorriu.

— Eu vou comer ela, Rogério — disse Enéias. — Vou botar tua esposa de quatro e fazer ela esquecer teu nome. Você vai saber que meu pau esteve na buceta dela toda vez que olhar pra cara dela.

O campo pareceu ficar menor. Eu enxergava o rosto dele e o espaço entre nós. Parte de mim, queria quebrar a cara dele. Mas mesmo essa parte sabia o tamanho da merda que viria depois.

Antes que algo acontecesse, a Lorena entrou entre nós. Ela colocou uma mão no meu peito e ficou de frente pro Enéias. O corpo dela parecia pequeno perto do dele.

— Acabou — disse Lorena. — Volta pro teu lado.

— Sai da frente, Lorena. Isso é entre homens.

— Faz eu sair — respondeu ela, firme. — Encosta em mim e tenta.

Ele mexeu o maxilar. Alguns jogadores do time branco começaram a prestar atenção, e a roda perto do alambrado ficou quase em silêncio.

— Eu não vou bater em mulher — disse Enéias.

— Você vai apanhar de uma — respondeu Lorena. — Vai apanhar de forma incontestável, na frente de todo mundo, que vão filmar. Para um machista de merda como você, isso vai doer tanto que vai precisar vender o apartamento.

Enéias soltou uma risada.

— Você se acha demais. Está fazendo cena pra plateia.

Ela deu meio passo na direção dele. O Enéias deu uma leve recuada, mas o bastante para denunciar a hesitação. A ameaça da Lorena era real. Ela aceitaria a qualquer problema que viesse depois dessa briga. Ele entendeu isso.

— Volta pro teu time — repetiu ela. — Agora.

O Enéias virou e voltou pro lado branco. Caminhou com o peito estufado durante os primeiros passos, embora a pressa crescesse à medida que se afastava. Para quem tinha chegado disposto a me humilhar, saiu com o rabo entre as pernas depois de uma ameaça feita por uma mulher de 1,68.

Eu soltei o ar devagar e fui até onde o Carlos estava chamando os titulares. Lá, apresentei os meus funcionários que ele não conhecia e o Carlos explicou o esquema tático. Coisa simples dado que o time não se conhecia.

Fomos para o gramado. Carlos e Enéias foram até o juiz. O Carlos ganhou o sorteio e escolheu o lado do campo. O Enéias ficou com a saída. Cumprimentamos os adversários de forma rápida.

Eu me alinhei ao lado do Dênis. Rodolfo e Carlos ficaram alguns metros à frente. Jonas parou perto do círculo central com Antônio. Atrás de mim, Wagner dava as últimas instruções para Tiago. Roberto apontava para Cleber, tentando confirmar quem acompanharia. Érico mexia os braços e respirava fundo.

O árbitro conferiu os dois lados, levou o apito à boca e autorizou o começo. O Time Enéias partiu para cima desde o primeiro toque. Gilmar recebeu no centro e abriu pro Almir. Quando o Dênis deu alguns passos, Almir tocou pro Enéias, que havia recuado até a intermediária.

Encurtei o espaço. Ele devolveu a bola pro Gilmar e avançou outra vez. Nos segundos seguintes, percebi que eles pressionariam nossa saída com os quatro homens da frente. O Pedro fechava o Wagner, o Enéias se aproximava do Tiago e os pontas vigiavam nossos laterais. O Carlos tentava aparecer atrás da primeira linha, porém Gilmar o acompanhava.

O Vinícius tentava lançamentos longos, mas o Jonas não conseguia chegar nem perto. Em menos de cinco segundos, estávamos correndo para trás de novo.

O Enéias recebeu no centro e avançou com a bola. Fui na direção dele, mas o Gerônimo já corria pelo lado esquerdo, correndo pelas costas do Érico. O Enéias ameaçou cortar pra dentro e abriu pro ponta.

O Érico tinha avançado durante nossa tentativa de saída e precisou correr de volta. O Gerônimo pegou sozinho e cruzou rasteiro. O Pedro se antecipou ao Tiago, mas o Wagner conseguiu se jogar na frente da finalização. A bola desviou e saiu pela linha de fundo. O escanteio veio fechado, Amarildo subiu acima do Roberto e cabeceou por cima do travessão.

A partida mal tinha começado e nós ainda não havíamos conseguido trocar três passes.

O Rodolfo recuou. Fiquei alguns metros à frente, tentando oferecer outra opção. O Time Enéias voltou a cercar nossa defesa e empurrou todo mundo para trás.

A bola chegou novamente ao Enéias perto do círculo central. Ele dominou já virado para mim. Era exatamente o confronto que ele procurava. Podia tocar pros pontas, procurar o Pedro ou trabalhar com os volantes. Ignorou isso porque queria me driblar. Cada jogada era uma tentativa de transformar a partida num duelo particular.

Ele acelerou. Fiz o corpo acompanhar a passada, protegendo o corredor central. O Enéias tocou a bola pra direita e mudou de direção com rapidez. Meu pé ficou preso por meio segundo no gramado e ele passou. Girei para persegui-lo.

Ele abriu outra vez pro Gerônimo. O Érico o alcançou na corrida, porém perdeu o contato quando os dois se chocaram de ombro. Gerônimo entrou na área e bateu cruzado. O Vinícius se esticou e espalmou pro lado. Cleber tentou chegar na sobra, mas o Roberto se antecipou e chutou pra longe.

— Fecha esse lado! — gritei, apontando pro corredor do Érico.

O Dênis olhou para mim e recuou alguns passos. O Carlos também percebeu o problema e começou a se aproximar daquele setor quando perdíamos a bola. O Érico tinha velocidade suficiente para recuperar o espaço. O problema surgia quando precisava parar Gerônimo de frente.

Na jogada seguinte, Enéias voltou pra receber e carregou pelo centro, me procurando outra vez. Dessa vez, esperei mais. Ele balançou o corpo e tentou passar a bola entre meus pés. Fechei as pernas, toquei nela com a ponta da chuteira e consegui desviar. Rodolfo pegou a sobra.

— Segura! — gritei.

O Rodolfo virou na direção do ataque, mas o Carlos fez um gesto pedindo calma. Recebeu a bola e tentou mudar o lado. Gilmar se aproximou rápido, forçando o passe de volta pro Wagner. Foi uma recuperação simples, porém serviu para mostrar que eu conseguia parar o Enéias quando mantinha minha posição. Ele olhou para mim enquanto recuava.

Nos minutos seguintes, o Time Enéias continuou atacando o mesmo ponto. Eu tentava impedir os passes pelo centro. O Dênis se deslocava para cobrir o lado direito, deixando o Carlos ainda mais sobrecarregado na saída. Cada perda nossa parecia gerar uma chance deles.

Sempre que o Time Enéias recuperava a bola e partia com espaço. O Cleber correu pela direita, Pedro ocupou Wagner e Tiago, e o Enéias avançou pelo centro com opções dos dois lados. Eu recuei acompanhando. Ele poderia ter tocado pro Cleber logo no começo, mas preferiu trazer a bola pra perto de mim.

Enéias diminuiu a velocidade e esperou que eu entrasse no bote. Mantive distância, protegendo a área. A hesitação dele deu tempo pro Dênis voltar e pros zagueiros fecharem a linha. O Gilmar precisou se aproximar para oferecer apoio. O Enéias tocou pra ele e recebeu de volta.

O Roberto havia sido atraído alguns metros para dentro para ajudar Wagner com Pedro. O Cleber ficou livre no lado direito. Quando o Enéias finalmente abriu, o espaço já estava pronto.

O Cleber dominou perto do bico da área. O Roberto correu na direção dele, mas chegou atrasado. O ponta cortou pro meio e bateu rasteiro. O chute saiu fraco.

O Vinícius se abaixou com atraso. A bola passou por baixo do braço dele e entrou junto à trave. O barulho do outro lado do campo veio de uma vez.

O Cleber correu na direção do Vinícius, comemorando perto demais. Abriu os braços diante do nosso goleiro e gritou alguma coisa que se perdeu no meio das vozes. Parei alguns metros fora da área, tentando aceitar o que tinha acabado de acontecer.

Aquele gol doía por ter sido evitável. Eles tinham criado chances melhores. A bola do Cleber tinha saído rasteira, sem força e perto do corpo.

1 a 0 pro Time Enéias.

O Enéias se aproximou da comemoração, porém demonstrou irritação quando o Cleber apontou para si mesmo e continuou celebrando. A jogada tinha começado com ele, mas o gol pertencia ao ponta. Virei e caminhei pro meio do campo.

— Cabeça no lugar! — gritei pro nosso time. — Ainda tá começando!

O Vinícius ficou parado perto da pequena área, olhando pro chão. Wagner passou por ele e deu um toque curto no ombro. O árbitro chamou os jogadores pro reinício antes que eu pudesse ir até lá.

O Antônio colocou a bola em jogo e tocou para Carlos, que tentou recuar e reorganizar a equipe. O nervosismo apareceu imediatamente. A bola voltou pro Vinícius, que tentou repor rápido. O passe saiu torto e caiu nos pés de Almir. O volante tocou pro Enéias na entrada da área.

Corri para fechar. O Enéias deu um toque curto pro lado e passou por mim. Quando levantou a cabeça, já estava em posição de bater. Wagner abandonou o Pedro e avançou sobre ele. O chute saiu desequilibrado, desviou e foi para escanteio.

Bati com a mão na própria coxa, irritado comigo mesmo. Em poucos minutos, o Enéias já tinha me superado duas vezes. A vontade de recuperar a bola de qualquer jeito começou a crescer, e forcei a respiração a desacelerar. Entrar com raiva naquele tipo de jogada seria exatamente o que ele queria. Bastava uma falta perto da área ou um carrinho atrasado pra nossa situação piorar.

Cleber cobrou o escanteio curto pro William, recebeu de volta e cruzou na segunda trave. O Pedro ganhou do Tiago pelo alto e cabeceou para baixo. Vinícius reagiu no reflexo, esticou o braço direito e espalmou quase sobre a linha. A bola saiu pela lateral da pequena área antes que alguém pudesse completar. Foi uma defesa muito mais difícil que o chute do gol.

O árbitro autorizou a nova cobrança e conseguimos afastar. Pouco depois, Gerônimo recebeu outra bola no lado do Érico. O cruzamento veio rasteiro. Pedro deixou a bola passar entre as pernas, e o Enéias vinha de frente. Eu estava acompanhando alguns metros atrás e percebi a jogada tarde. Quando ele preparou o chute, me joguei na trajetória. Virei o corpo e mantive os braços junto ao tronco. A bola bateu em mim com força, perto das costelas.

O impacto tirou meu ar por um instante. Caí de lado, ouvi a bola sendo afastada e rolei para me levantar. O Carlos tinha recolhido a sobra e tentava fazer o time sair. Corri para acompanhar, sentindo a região atingida pulsar a cada passada.

— Boa! — ouvi Wagner gritar atrás de mim.

Avançamos até o meio, porém perdemos a bola outra vez. A pressão continuava sufocante.

O Jonas estava se posicionando entre Amarildo e Donizete, esperando os lançamentos. O homem era mesmo corajoso, faz o pivô contra dois homens maiores e mais fortes.

O Vinícius recebeu mais um recuo e lançou pra frente. O Jonas tentou dominar de costas, com Amarildo colado nele. O zagueiro entrou forte.

Ouvi o som do contato antes de entender onde a bola tinha ido. O Amarildo tocou nela primeiro, porém atravessou a perna de apoio de Jonas na sequência. O Jonas caiu na mesma hora. O grito dele atravessou o campo.

O árbitro levou o apito à boca e correu pro lance. Eu também fui. O Jonas estava deitado de lado, segurando a perna. O rosto tinha perdido a cor. O Amarildo ficou perto por alguns segundos, gesticulando que acertara a bola.

— Chama o atendimento! — gritei pra lateral.

O árbitro mostrou o cartão amarelo pro Amarildo. Me ajoelhei perto do Jonas. Ele respirava rápido.

— Fica quieto. Não tenta levantar.

Quando tentaram ajudá-lo a ficar em pé, o Jonas apoiou o pé no gramado. A perna cedeu na mesma hora e ele caiu de novo, segurado por dois homens.

A partida já tinha ficado parada por alguns minutos. O Time Enéias se espalhou pelo campo, bebendo água e discutindo a jogada.

Olhei pro nosso gol. Vinícius estava sozinho perto da pequena área. Ele havia tirado as luvas por alguns segundos e as segurava contra o peito. O olhar continuava preso no ponto onde a bola do Cleber tinha entrado. Aproveitei a paralisação e fui até ele.

— Vinícius.

Ele levantou o rosto.

— Eu sei que franguei — disse antes que eu falasse qualquer coisa.

— E já salvou duas depois. Olha pra mim.

Vinícius respirou fundo e me encarou.

— O gol já aconteceu. É passado. Foca no presente e nas próximas defesas.

Ele assentiu, colocou as luvas outra vez e bateu uma palma forte.

Voltei pro meio-campo enquanto o Jonas era levado pela Carolina e pela Letícia pra fora do campo. A Carolina disse que ia levar ele pro hospital. A Alessandra se ofereceu pra ajudar, mas o Jonas insistiu com todas as forças que a Sarah deveria ir junto.

Assim, a Sarah substituiu a Letícia na ajuda ao Jonas e os três foram pra esquina, onde pegariam um Uber pro hospital mais próximo, onde eu sabia que o Miguel e a Fernanda estavam de plantão.

Houve uma discussão no banco de reserva e o Carlos colocou a Letícia como substituta do Jonas. Ele juntou o time e fez mudanças táticas.

— Dênis vai pra direita. Érico sobe. Rogério e Rodolfo por dentro. Letícia atrás do Antônio.

Ele apontou rapidamente para cada setor.

— Fecha o meio e aproxima na saída. Antônio fica na frente.

Assenti. O Dênis recuou pra lateral direita. O Rodolfo veio jogar ao meu lado. O Érico deixou a linha defensiva e avançou pelo corredor, ganhando liberdade para correr. O Carlos ficou alguns metros à frente de nós, com a Letícia se movimentando perto dele. A estrutura mudou inteira durante uma paralisação.

Assim que a partida voltou, a Letícia disparou na direção de Amarildo. O zagueiro recebeu do Donizete e demorou a tocar. Ela entrou de carrinho com força, tirou a bola e atingiu o tornozelo dele depois. O Amarildo caiu gritando.

O árbitro mostrou cartão amarelo pra Letícia.

— Chega! — Carlos gritou pra ela. — Joga bola!

A Letícia se levantou e voltou pra posição. Amarildo ficou alguns segundos no chão antes de conseguir apoiar o pé. A jogada serviu para alterar o tom da partida.

Até aquele momento, o Time Enéias avançava sem sentir pressão real no campo defensivo. A Letícia começou a perseguir Gilmar, cortando a ligação com Enéias. Quando o volante recebia, ela chegava perto o suficiente para obrigá-lo a tocar de lado.

O Carlos recuou para buscar a bola com Wagner, e eu me aproximei. Gilmar correu na direção de Carlos, que tocou de primeira para mim. Recebi já sabendo que o Almir vinha por trás. Dei um toque curto pro Rodolfo.

O Rodolfo girou e encontrou Letícia alguns metros adiante. Ela devolveu rápido pro Carlos e avançou. Foi nossa primeira sequência longa de passes. A diferença apareceu na mesma hora. O Time Enéias precisou recuar.

O Érico recebeu aberto pela direita. O William avançou para fechar, mas o Érico ganhou na corrida. O lateral conseguiu bloquear o cruzamento, mandando para fora. Corri até a entrada da área, esperando a segunda bola. O ataque terminou num lateral, porém já parecia uma vitória pequena. Tínhamos saído do nosso campo.

O Carlos pegou a bola rápido e cobrou pra Letícia. Ela devolveu de primeira e correu para dentro. Gilmar a acompanhou, abrindo um espaço no centro. Carlos tocou para Rodolfo, que girou e lançou Érico pela direita.

O Érico arrancou. William recuou tentando fechar a linha de fundo. O Érico continuou pelo lado externo e chegou antes. Levantou a cabeça no último instante e cruzou. A bola passou entre Sílvio e os zagueiros.

O Antônio atacou o primeiro poste. Entrou na frente da Donizete e desviou com o pé direito. Sílvio ainda tocou na bola, porém ela seguiu para dentro.

1 a 1.

O empate fez o nosso lado do campo explodir. O Antônio correu pra lateral com os braços abertos. O Érico foi atrás dele. A Letícia e o Rodolfo chegaram logo depois. Parei perto da entrada da área e fechei os punhos.

O Carlos passou por mim no caminho de volta.

— Fica atento agora. Eles vão vir com tudo.

Assenti e corri pro meio. O Enéias já estava esperando a bola no círculo central. O rosto dele estava fechado. Durante a comemoração, tinha ficado parado no campo adversário, olhando para nós.

O Time Enéias reiniciou rápido, mas o jogo tinha mudado. O Antônio passou a segurar as bolas na frente com mais eficiência. Quando recebia de costas, usava o corpo contra Donizete e esperava Rodolfo ou Letícia chegar. Isso dava alguns segundos de descanso para nossa defesa. Eu ficava atrás, pronto para disputar a sobra.

O Amarildo tentou continuar em campo. Ainda mancava após o carrinho de Letícia. Alguns minutos depois, fez um gesto pro banco e pediu substituição. O Luiz Alberto entrou no lugar dele. Senti que respirávamos dentro do jogo.

O Time Enéias continuava perigoso. O Enéias recuou até o círculo central para receber de Gilmar. Avancei tentando encurtar. Ele acelerou antes que eu chegasse e passou pelo Rodolfo. Corri atrás.

Gerônimo apareceu livre pela esquerda. Enéias tocou pra ele, que cruzou de primeira. O Pedro subiu entre Wagner e Tiago e cabeceou à queima-roupa. Vinícius se deslocou pra esquerda e espalmou com a mão trocada.

A bola ficou viva perto da pequena área. Cleber tentou chegar, mas Tiago se jogou no chão e chutou para longe. Parei dentro da área, sentindo o coração disparado.

O Enéias começou a recuar mais vezes para me procurar. O Pedro recebeu perto da área e protegeu a bola. O Enéias tinha espaço à frente para receber a devolução, mas voltou vários metros e pediu o passe perto de mim.

Eu acompanhei. Ele avançou e passou por mim no primeiro movimento. Carlos fechou o corredor logo depois, forçando o Enéias a tocar pro lado. A defesa recompôs. O Enéias olhou para mim e falou alguma coisa que não ouvi. Continuei voltando pra posição. Comecei a entender o que ele estava fazendo.

A superioridade individual dele existia. Era rápido, forte e tinha bom controle da bola. Quando acelerava de verdade, causava problemas. Mesmo assim, diminuía alguns ataques para me enfrentar. Só que cada segundo gasto nisso dava tempo pro Carlos fechar o centro e para nossos defensores voltarem. Aquilo nos mantinha vivos.

Na jogada seguinte, o Enéias recebeu outra vez entre as linhas. Cheguei atrasado e usei o corpo para impedir que avançasse. O árbitro marcou a falta. O Enéias caiu, levantou rápido e veio na minha direção.

— Tua mulher tá vendo que você é frouxo até pra fazer falta.

Afastei-me e fui organizar a barreira, embora a cobrança estivesse longe da área. Mantive o rosto virado pra bola. Qualquer resposta alimentaria o que ele queria. Eu precisava jogar. A Jéssica sabia quem eu era e sabia o que ele estava tentando fazer.

O Gilmar cobrou curto. Enéias recebeu e lançou pro Cleber. O Roberto acompanhou até a área e afastou de cabeça. O Roberto quase não participava quando tínhamos a bola. Em compensação, seguia Cleber como um carrapato.

O Time Enéias continuava atacando. O Enéias recebeu entre o nosso meio e a defesa. Rodolfo tentou fechar, mas foi superado. Acompanhei ele por trás, evitando chegar com a perna e cometer um pênalti. Ele entrou na área e bateu rasteiro no canto esquerdo. Vinícius desceu rápido e tocou na bola com a ponta dos dedos. O Roberto completou o corte pra lateral.

Parei perto da marca do pênalti e olhei pro nosso goleiro. Ele se levantou como se aquela defesa fosse esperada.

A cada ida e volta, o desgaste aumentava. Eu sentia a pancada da bola nas costelas. O gramado oficial exigia muito mais corrida que a quadra do condomínio. Os espaços se abriam rapidamente quando alguém demorava a recompor.

O Enéias iniciou outro contra-ataque. Cleber estava livre pela direita e o Pedro avançava entre os zagueiros. Eu recuava pelo centro. Quando Enéias me viu, trouxe a bola pra dentro e reduziu a velocidade.

Esperei. Ele ameaçou tocar pro Pedro e tentou passar por mim com um toque mais longo. Estiquei a perna e tirei a bola. O Carlos pegou a sobra.

Ele tocou rápido para Letícia. Ela encontrou Rodolfo, que tentou avançar. Gilmar derrubou nosso meia perto do meio-campo. O árbitro marcou a falta e advertiu o volante.

O Enéias reclamou que eu tinha acertado sua perna durante o desarme. O árbitro ignorou. O Carlos colocou a bola no chão e pediu que todos respirassem.

— Sem pressa. Vamos ficar com ela.

A cobrança foi curta. Pouco depois, o Enéias tentou entrar pela faixa central outra vez. Rodolfo encostou nele perto da área. O contato foi leve, e Enéias caiu pedindo falta. O árbitro mandou seguir.

Peguei a bola e passei pro Carlos. Ele diminuiu o ritmo e abriu para Wagner, evitando um contra-ataque apressado. Alguns companheiros já estavam correndo pra frente, mas voltaram quando perceberam que o Carlos seguraria a posse. Aquela calma dele impedia que o time se partisse.

O Time Enéias era muito rápido pra contra-atacar. O Érico tentou antecipar o Gerônimo no meio-campo e errou o bote. O ponta ficou com o corredor inteiro aberto. O Dênis estava adiantado por causa de uma jogada anterior.

O Gerônimo disparou. Corri pelo centro, tentando fechar uma opção de passe. O Tiago saiu da área para diminuir o espaço. O Gerônimo tocou por baixo da perna dele e ficou frente a frente com Vinícius.

O goleiro esperou até o último instante. Abriu o corpo e bloqueou o chute com o pé esquerdo. A bola subiu, e Wagner afastou de cabeça. Parei perto da entrada da área, assustado. A jogada inteira tinha acontecido em poucos segundos.

O Vinícius se levantou de novo. O Cleber falou alguma coisa perto dele, tentando provocar. O goleiro apontou pro meio-campo e mandou o adversário voltar. Aquilo me deu mais confiança que qualquer discurso.

Carlos recebeu uma bola longa pouco depois e lançou o Érico na direita. O ala ganhou do Leandro na corrida. William, já amarelado, recuou evitando um contato mais forte.

O Érico cruzou de primeira. Antônio atacou o espaço entre os zagueiros e cabeceou com força. A bola passou sobre o travessão.

Depois, teve um escanteio pro Time Enéias. Voltei pra área. O Cleber cobrou. O Luiz Alberto cabeceou pro meio. O Enéias tentou uma bicicleta no meio da confusão e acertou a bola de raspão. Ele caiu pedindo falta após o contato com Wagner. O árbitro mandou seguir. O Vinícius segurou a sobra.

Enéias se levantou reclamando. Wagner se afastou para evitar discussão. Fiquei perto, pronto para separar caso ele avançasse. O árbitro apontou pro outro lado e ordenou a reposição.

Nos minutos finais, o Carlos fez o time ficar com a bola. Trocou passes curtos comigo e com o Rodolfo. A Letícia se aproximava sempre que a pressão aumentava. O Time Enéias corria atrás. Eu recebia e devolvia rápido, evitando girar quando o Enéias vinha por trás. Em um momento, ele chegou a bater no meu ombro durante a disputa. Continuei em pé e toquei prp Carlos.

— Isso! — gritou Carlos.

O árbitro indicou seis minutos de acréscimo por causa da lesão de Jonas. A notícia provocou reclamações dos dois lados. Seis minutos pareciam tempo suficiente para tudo desandar.

O Enéias voltou a receber no centro logo no primeiro minuto extra. Ele acelerou e passou por mim em velocidade. Continuei na perseguição.

Em vez de abrir pro Gerônimo, cortou pro meio. Consegui me recuperar e fechar o chute. O Enéias tentou se jogar no contato, porém permaneceu em pé quando percebeu que ainda tinha a bola. O Carlos se aproximou e obrigou o passe para trás.

Respirei fundo enquanto voltava pra posição. Cada duelo com ele consumia energia demais. Mesmo quando eu atrasava a jogada, precisava correr atrás para reparar o espaço.

O Gilmar mudou o lado e encontrou Cleber. O Roberto acompanhou até a linha de fundo. O ponta cruzou pressionado. Pedro escorou e o Enéias finalizou de primeira. O Wagner bloqueou com o peito. A bola sobrou pro Almir fora da área. Ele bateu forte. A finalização subiu e começou a cair perto do ângulo.

O Vinícius recuou dois passos e saltou. A ponta da luva tocou na bola. Ela ainda bateu na parte superior do travessão e saiu. O barulho da trave fez todo mundo parar por um instante. Vinícius caiu dentro do gol e se levantou rápido. Fechou o punho, gritando pra defesa.

Faltavam poucos minutos. Vinícius cobrou o tiro de meta curto pro Wagner. O zagueiro tocou pro Carlos. Os quatro atacantes do Time Enéias avançaram para pressionar.

O Carlos escapou com um passe de primeira para mim. Recebi com o Enéias chegando e toquei pra Letícia antes do contato. Ela girou e lançou o Antônio. O Antônio ganhou de Luiz Alberto no corpo e passou pro Rodolfo. O meia devolveu na passagem da Letícia, que entrou na área pela esquerda.

O cruzamento veio rasteiro. Sílvio saiu do gol e segurou antes da chegada de Érico. Eu tinha avançado até perto da meia-lua. Assim que o goleiro agarrou, virei e corri para trás.

O Time Enéias tentou a última pressão. O Pedro recebeu de costas e fez o pivô pro Enéias. Ele me procurou outra vez. Fiquei no centro, protegendo o caminho. O Enéias levou a bola para um lado e tentou voltar. Acompanhei sem entrar no primeiro movimento. Ele precisou avançar em direção à lateral.

Quando finalmente cruzou, Tiago afastou de cabeça. A bola caiu perto do meio-campo e o apito soou antes que alguém alcançasse.

O primeiro tempo tinha acabado. Fiquei parado por alguns segundos, com as mãos apoiadas nos joelhos. Minha camisa estava encharcada e a pancada nas costelas continuava doendo. Tínhamos conseguido manter o empate na primeira metade do jogo.

No banco, o Carlos chamou os titulares para perto e começou a falar sobre posicionamento, porém eu precisava de água antes de conseguir prestar atenção em qualquer coisa. Peguei uma garrafa no chão, derramei um pouco sobre a cabeça e bebi vários goles enquanto tentava recuperar o fôlego. Ao redor, os reservas se movimentavam, procurando toalhas e entregando garrafas para quem saía do campo.

A Jéssica apareceu na minha frente com uma toalha pequena na mão. Ela estava pronta para entrar caso precisasse, apesar de mal saber dominar uma bola.

— Você tá indo bem — falou mais baixo. — Para de se culpar toda vez que o Enéias passa.

— Ele passou bastante.

Olhei pro outro lado do campo. O Enéias estava em pé no centro da roda do time dele, falando com os braços abertos enquanto os companheiros escutavam. Até durante o intervalo precisava parecer o centro de tudo.

A Lisandra e a Lorena vieram falar comigo, saber como eu estava e comentar da partida. Aproveitei pra me sentar um pouco. Descansar fez bem. Levantei do banco e testei as pernas. A dor nas costelas estava bem menor. A Lorena me entregou a garrafa pra um último gole.

Carlos chamou o time para voltar ao campo. Fui enquanto os jogadores do Enéias também deixavam o banco adversário. Nos reorganizamos em campo.

O árbitro apitou.

O segundo tempo começou com o nosso time tentando trocar passes no campo defensivo. O Wagner tocou pro Carlos, que esperou a aproximação do Almir e me entregou a bola. Recebi de lado, já vendo o Rodolfo se apresentar alguns metros à frente.

— Vira! — gritou Carlos.

Toquei de primeira pro Rodolfo e avancei para oferecer uma opção de retorno. A bola chegou até a Letícia entre os volantes adversários. Ela tentou encontrar o Antônio dentro da área, porém a defesa cortou. Pouco depois, o Érico apareceu pela direita e cruzou antes que o lateral conseguisse fechar.

A jogada terminou nas mãos do Sílvio. Eu já estava voltando, porque o Time Enéias saía rápido quando recuperava a bola.

O Érico ainda corria para recompor quando o Gerônimo recebeu às costas dele. O Dênis fechou o espaço interno, e o ataque foi empurrado pra lateral. A bola veio pro Pedro, que se colocou entre nossos zagueiros e escorou pro Enéias. Ele recebeu a poucos metros de mim.

Mantive alguma distância. Se eu avançasse de maneira apressada, ele teria espaço para tocar a bola de lado e usar a força na arrancada. O Enéias gostava de enfrentar o marcador de frente. Seu primeiro movimento quase sempre era um corte curto, seguido por uma aceleração.

Ele carregou pra direita. Acompanhei sem esticar a perna. Quando tentou voltar pro centro, fechei o caminho e vi o Carlos se aproximar pelo outro lado. O Enéias segurou a bola por tempo demais, percebeu que o chute estava bloqueado e devolveu pro Almir.

— Fecha! Fecha! — gritou Carlos.

Nosso time inteiro conseguiu retornar. O ataque deles continuou, porém o espaço que existira alguns segundos antes havia desaparecido. O Enéias olhou pra mim enquanto se afastava e balançou a cabeça, como se aquela jogada fosse apenas um aviso.

Logo depois, o Time Enéias recuperou a bola no nosso campo. A jogada se desenvolveu rápido, e o Pedro recebeu dentro da área. Eu vinha alguns metros atrás, correndo para ajudar na segunda bola, quando ele finalizou de perto.

O Vinícius saltou para um lado, corrigiu o corpo no meio do movimento e bloqueou com o antebraço. A bola voltou pro Pedro. Ele tentou completar de cabeça, e o Vinícius conseguiu se levantar a tempo de espalmar novamente.

A nossa defesa afastou a sobra. Eu parei por uma fração de segundo, impressionado com o que tinha acabado de acontecer. O Vinícius estava on fire.

— Vão pra frente! — gritou ele, ainda no chão.

Corri para oferecer opção. O Antônio conseguiu proteger a bola no meio-campo e esperou nossa subida, porém a troca de passes terminou interceptada. O Time Enéias voltou a avançar.

O Enéias recebeu perto do círculo central e girou na minha direção. O Pedro se oferecia à frente, enquanto o Gerônimo atacava o espaço ao lado. O Enéias ignorou ambos durante os primeiros segundos e veio diretamente para cima de mim.

Abaixei um pouco o centro de gravidade, como fazia quando precisava reagir a uma mudança rápida de direção. Ele tocou a bola pra esquerda e passou por mim no primeiro movimento. Girei imediatamente e corri atrás dele.

Eu poderia ter esticado o braço ou atingido sua perna. A falta seria fácil. Também seria exatamente o que ele esperava. Continuei perseguindo por trás e fechei o caminho pro centro, obrigando-o a avançar até perto da lateral.

Quando ele finalmente passou pro Gerônimo, nossa defesa já havia se reorganizado. O Dênis chegou na cobertura e o ataque morreu perto da linha. O Enéias virou para mim.

— Vai correr atrás de mim a noite toda, seu merda?

Ignorei e voltei pra minha posição.

O jogo seguia num ritmo pesado. O Carlos encontrou a Letícia entre as linhas. Ela girou e tocou no Antônio. A devolução veio pro Rodolfo, que avançou de frente até ser derrubado perto do círculo central.

O árbitro marcou a falta e mostrou o amarelo pro Almir. Eu me aproximei enquanto o Carlos posicionava a bola.

— Eles estão deixando o lado do Érico aberto.

— Continua perto de mim — respondeu Carlos. — Quando ela vier para cá, a gente vira rápido.

Ele cobrou antes que a defesa adversária terminasse de se organizar. O Érico recebeu pela direita e acelerou. O cruzamento desviou no Leandro e saiu para escanteio.

Fui pra área. O Carlos levantou na segunda trave, o Antônio ganhou no alto e cabeceou pro meio. A defesa bloqueou a tentativa do Wagner. Quando a bola saiu da área, corri de volta para impedir o contra-ataque.

Pouco depois, o Enéias recebeu pelo centro e veio outra vez na minha direção. Fechei o caminho pra área e orientei meu corpo para obrigá-lo a ir pra esquerda. Ele insistiu em cortar pra dentro, adiantou demais a bola e permitiu que o Rodolfo aparecesse por trás.

O Rodolfo roubou e entregou pro Carlos. Eu já preparava a corrida, porém Carlos levantou a mão. Ele segurou a posse durante alguns segundos.

Eu me aproximei do Carlos e recebi um passe curto. Toquei pro Rodolfo, que encontrou o Antônio de costas na entrada da área. O Antônio protegeu contra o Donizete e devolveu de primeira pra Letícia.

A troca seguinte aconteceu rápido demais. A Letícia entregou ao Rodolfo e continuou correndo. O Antônio voltou a receber e atraiu a defesa pro centro. Eu acompanhei alguns metros atrás, preparado para recolher uma bola afastada.

O Rodolfo olhou pra direita e percebeu o Érico completamente livre.

A inversão atravessou o campo. O Érico entrou na área em velocidade, com o Leandro correndo para fechar seu caminho. Por um instante, achei que ele tentaria dominar. Ele bateu de primeira, de olhos fechados.

A bola saiu atravessada e virou um cruzamento perfeito. Quando o cara é bom, acerta até sem ver.

A bola passou pelo Sílvio e atravessou a pequena área. A Letícia apareceu na segunda trave e empurrou pro gol vazio.

O barulho veio de uma vez. Nosso banco se levantou, a torcida gritou junto ao alambrado e os jogadores correram pra Letícia. Eu levantei os braços e avancei até eles, sentindo uma descarga de alívio atravessar o cansaço.

2 a 1 pro nosso time.

O Érico passou a semana toda tirado pra merda e meteu duas assistências! Abracei o Rodolfo e bati nas costas do Antônio. A Letícia estava cercada no meio da comemoração e o Carlos já olhava pro campo adversário.

— Volta! — gritou ele. — Volta logo!

A comemoração durou pouco. Ainda restava muito tempo e o gol deixaria o Enéias ainda mais agressivo. Voltamos pro nosso campo. Eu olhei o relógio do placar. O segundo tempo tinha apenas dez minutos.

O Enéias reiniciou a partida pedindo a bola. Recebeu do Almir e acelerou pela faixa central. O Pedro abriu espaço à frente, enquanto o Cleber entrou por dentro. Eu fechei o caminho direto pro gol.

Enéias passou por mim no primeiro toque. Tive que girar novamente e persegui-lo. Ele possuía uma opção de passe clara pro Pedro, porém carregou por mais alguns metros, prolongando nosso duelo. O Carlos ocupou o espaço diante da zaga e desviou o passe quando ele enfim tentou soltar a bola.

O Rodolfo ficou com a sobra e abriu pro Érico. Eu acompanhei a jogada pelo centro, observando o nosso lado direito se abrir outra vez.

O Érico disparou pelo corredor e ganhou do Leandro na velocidade. O lateral adversário tentou recuperar com um carrinho. Chegou atrasado e acertou o tornozelo de apoio.

O impacto foi seco. P Érico caiu e rolou para fora do campo.

Meu primeiro impulso foi correr até ele. O segundo foi olhar para os jogadores que se aproximavam do Leandro. O Antônio avançava com raiva e o Wagner também havia deixado a defesa.

— Afasta! — gritei. — Deixa o juiz resolver!

Me coloquei entre o Antônio e o Leandro. O árbitro chegou mostrando o cartão amarelo. O Leandro alegou que tinha tocado na bola, enquanto o Érico permanecia caído perto da linha.

O Wagner deu uma olhada na perna e disse que não era nada grave, mas que era melhor ele sai pra não agravar. O Carlos olhou pro banco. A Natália já estava no aquecimento desde o começo do segundo tempo. Ele apontou pra Lisandra.

— Natália no lugar dele — decidiu Carlos. — A Lisandra entra no lugar do Roberto.

O Roberto já mostrava sérios sinais de desgaste. A troca por Lisandra nos daria pernas novas na lateral esquerda. O Érico saiu mancando. Passei por ele antes do reinício e toquei seu ombro.

— Você mudou o jogo.

A Natália entrou pelo lado direito. A Lisandra assumiu a lateral esquerda. O Carlos me chamou para perto enquanto o árbitro aguardava as substituições.

— Eu vou ficar na frente da zaga — explicou. — Você e o Rodolfo jogam um pouco acima. Quando recuperarmos, abram espaço pra Letícia e Natália e ajudem a fechar o centro. Eles vão vir com tudo agora.

Voltamos às posições. Sem a bola, Natália e Letícia recuavam para diminuir os espaços atrás do Antônio. Quando recuperávamos, elas se abriam e obrigavam os laterais do Time Enéias a correr para trás.

A primeira participação da Natália já mostrou o que ela pretendia fazer. Ela pressionou o Leandro até a linha de fundo e forçou um lateral no nosso campo de ataque. Depois recebeu, usou o corpo para proteger e avançou outra vez.

Eu fiquei perto do Carlos, cuidando do espaço deixado por ela. A entrada da Natália elevou nossa intensidade pelo lado direito, só que também exigia atenção na cobertura. Se perdêssemos a bola durante uma arrancada, Gerônimo teria campo para correr.

Do outro lado, a Lisandra enfrentou o Cleber. Ela manteve distância e o empurrou pra linha lateral. Quando ele tentou mudar de direção, ela tocou na bola e a mandou para fora.

O Carlos passou a receber à frente da nossa zaga. Eu ficava alguns metros adiante, pronto para oferecer o passe curto ou fechar a pressão dos volantes. Em uma troca rápida, ele encontrou o Rodolfo. A bola passou pela Letícia e chegou ao Antônio, que girou e bateu de fora da área. O Sílvio espalmou.

Eu respirava fundo sempre que o jogo parava. As pernas começavam a endurecer. Ainda conseguia correr, porém cada arrancada cobrava mais na volta.

O Enéias recuou até o meio-campo pra receber. O Pedro estava entre nossos zagueiros, pra fazer o pivô. O Enéias preferiu carregar na minha direção. Esperei seu primeiro movimento. Quando ele tentou cortar, toquei na bola. Ela escapou por um instante, mas o Enéias recuperou e girou para protegê-la.

— Tua mulher vai cansar de assistir você correndo atrás de mim — disse ele. — Depois eu mostro pra ela como joga um homem de verdade.

Por alguns segundos, senti meu corpo inteiro pedir uma reação. Bastava uma entrada mais forte. Pensei na Jéssica no banco de reservas e no motivo do Enéias falar aquilo. Ele queria que eu transformasse a partida numa briga.

Continuei entre ele e a área.

Ele tentou passar pro Gerônimo, que já estava cercado pelo Dênis e pela Natália. A jogada perdeu força junto à lateral.

Na disputa seguinte, o Gerônimo conseguiu devolver a bola pro Enéias. Tentei antecipar o domínio, cheguei atrasado e pisei no pé dele. O árbitro apitou. Enéias caiu e abriu os braços.

— Cartão, porra! — gritou ele. — Ele só bate!

Era minha segunda falta na partida. A infração tinha ocorrido perto do meio-campo e sem força. O árbitro mandou que ele se levantasse.

— Foi falta — disse o juiz. — Segue o jogo.

Me afastei e me posicionei pra cobrança. Eu precisava controlar melhor o tempo das entradas. O Enéias percebera que eu evitava faltas e começava a usar isso para forçar a passagem.

A cobrança rápida encontrou o Pedro, que fez o pivô e abriu pro Cleber. O ataque entrou na área pelo nosso lado esquerdo. A Lisandra acompanhou até o fim e reduziu o ângulo. Vinícius fechou o primeiro poste e segurou a finalização.

O jogo parou pouco depois para uma substituição do Time Enéias. O Gilmar saiu e Armando entrou no meio. O Gilmar havia jogado com controle, evitando entradas fortes e organizando a equipe. Ele saiu puto. E eu entendia. Como você tira o segundo ex-profissional em uma partida de amadores?

O Time Enéias saiu rápido. Armando encontrou o Enéias, que tabelou com o Pedro e passou pelo Rodolfo. Quando percebi o espaço aberto, já vinha correndo por trás. O Enéias entrou na área pelo centro. Eu poderia tentar alcançá-lo com um carrinho, porém qualquer toque pelas costas criaria um pênalti. Continuei pressionando sem encostar.

Ele abriu o corpo e bateu no canto. O Vinícius se esticou por inteiro. A ponta dos dedos tocou na bola e a desviou contra a trave. O som da bola no poste atravessou o campo. Tiago chegou antes do Gerônimo e afastou o rebote.

Parei dentro da área, com as mãos apoiadas nas coxas. Aquela tinha sido a melhor jogada do Enéias no segundo tempo. Ele fizera tudo rápido, sem gastar tempo me procurando. Se continuasse jogando daquela forma, teríamos problemas ainda maiores.

O Time Enéias saiu em contra-ataque. O Cleber acelerou pelo nosso lado esquerdo e tocou pro Enéias no centro. Vim pra frente dele. O Enéias fingiu que iria pra direita e tocou a bola entre as minhas pernas. A caneta passou limpa. Ele avançou, e eu girei com uma mistura de raiva e vergonha.

O grito dos torcedores do outro time veio atrás do alambrado. O Enéias diminuiu por um instante, como se quisesse aproveitar o lance. Esse atraso permitiu que o Carlos aparecesse na cobertura e cortasse antes da entrada da área. Eu alcancei a jogada quando o Carlos já tocava pro Rodolfo.

A Letícia recebeu e encontrou o Antônio. A inversão pra Natália saiu longa, e ela alcançou perto da linha de fundo. A bola acabou escapando. Enquanto voltávamos, o Enéias passou ao meu lado.

— Tá procurando a bola até agora?

Continuei andando. Meu orgulho queria que eu antecipasse a próxima jogada e roubasse a bola dele de forma limpa. Minha responsabilidade era permanecer no lugar certo. O time precisava da segunda opção.

O cansaço começou a abrir distâncias maiores. Os quatro jogadores ofensivos do Time Enéias ficavam muito adiantados, enquanto seus volantes já demoravam a acompanhar. O Carlos percebeu e passou a diminuir o ritmo sempre que recebia.

Eu oferecia uma opção curta. O Rodolfo e a Letícia se revezavam perto do Antônio. A Natália permanecia aberta, pronta para atacar o Leandro.

Quando o Enéias voltou a receber no meio, o Gerônimo possuía espaço pelo lado e o Pedro estava pronto para receber entre os zagueiros. Ele preferiu vir ao meu encontro. Duas mudanças rápidas de direção me fizeram perder o primeiro passo. Recuperei a posição e fechei o caminho pro centro. O Enéias precisou ir pro lado, dando tempo pra Letícia recuar.

Quando a bola chegou ao Cleber, a Lisandra já estava diante dele. A jogada continuou, e o Cleber conseguiu entrar na área após uma tabela. Ele bateu cruzado. Vinícius se lançou e espalmou. O Gerônimo chegou no rebote e finalizou quase sem ângulo. Vinícius ainda estava caído. Mesmo assim, estendeu a perna e bloqueou outra vez.

Wagner afastou para lateral. Eu corri até a área e ajudei a empurrar nossa linha para fora.

O Vinícius demorou a se levantar. O esforço acumulado começava a cobrar dele. Eu o vi apoiando as mãos no gramado e respirando fundo antes de ficar em pé.

O Time Enéias aumentou a pressão. Armando passou a jogar mais adiantado e os laterais começaram a ocupar nosso campo. Em vários momentos, quase todos os jogadores deles ficavam além da linha do meio.

A bola chegou ao Pedro, que escorou pro Enéias. Ele girou e avançou pelo centro. Eu me aproximei de lado e errei o momento da disputa. Meu quadril atingiu o dele perto do círculo central e o Enéias (se jogou) caiu.

O árbitro marcou a falta e veio na minha direção.

— Mais uma e eu vou ter que dar cartão.

Assenti. Eu já não tinha margem para errar outra entrada.

Enéias se levantou reclamando.

— Ele tá me caçando desde o primeiro tempo!

— Chega — respondeu o árbitro. — Cobra a falta.

Me afastei. Daquele momento em diante, qualquer tentativa de desarme precipitada poderia me dar um cartão e oferecer ao Enéias o confronto que ele buscava. Passei a marcar com ainda mais distância, fechando o caminho e esperando a cobertura.

A falta foi aberta pro Gerônimo. Ele ganhou do Dênis e cruzou. A bola sobrou dentro da área, onde Carlos recuou para ajudar no corte.

O Rodolfo encontrou o Antônio no meio-campo. Antônio segurou a bola contra os zagueiros e conquistou uma falta. Caminhei até ele devagar, sentindo o coração bater forte.

— Aguenta mais um pouco — disse Antônio.

— Todo mundo junto — respondi.

O Carlos cobrou curto pra Letícia. Ela prendeu a bola perto da lateral e esperou a passagem da Lisandra. Nosso time manteve a posse durante alguns segundos importantes.

O Natália fazia o mesmo do outro lado. Corria quando encontrava espaço e segurava a bola perto da bandeira sempre que ficava isolada. O Leandro já possuía cartão e evitava entradas mais duras.

Armando interceptou um passe do Carlos e entregou ao Enéias. O Pedro entrava na área, livre para receber. Enéias virou o corpo para mim e carregou de novo. Eu me recusei a tentar o bote. Acompanhei seu movimento e fechei o lado direito. Ele passou pelo meu corpo, porém demorou o suficiente para que Carlos e Rodolfo se aproximassem.

A bola foi aberta pro Cleber. O cruzamento encontrou Wagner, que afastou de cabeça. O Leandro recuperou a sobra e cruzou novamente. Pedro venceu a disputa pelo alto e cabeceou para baixo. Vinícius já se deslocava pro outro lado. Ele travou a perna, inclinou o corpo e conseguiu espalmar perto da linha. A bola tocou no poste antes de o Wagner afastar.

Durante alguns segundos, ninguém do nosso time conseguiu sair da área. Eu olhei pro Vinícius e vi o quanto ele estava esgotado. A respiração vinha pela boca, e os movimentos para se levantar ficaram mais lentos.

A partida ainda tinha mais de dez minutos. Manter aquele resultado parecia cada vez mais difícil.

O Vinícius repôs pro Carlos. Ele tocou para mim e o Armando fechou o espaço. Encontrei a Letícia junto à lateral. Ela tabelou com Antônio e tentou lançar Natália. Luiz Alberto interceptou. O Time Enéias recuperou antes que conseguíssemos voltar por completo.

A bola passou pelo Almir e chegou ao Cleber na direita. A Lisandra tentou fechar, porém ele ganhou espaço e cruzou rasteiro. O Pedro recebeu entre nossos zagueiros. Protegeu e devolveu pro Enéias, que chegou de frente.

Eu estava entre ele e o gol. Avancei o suficiente para diminuir o espaço, cuidando para evitar a quarta falta. O Enéias deslocou a bola pra perna direita. Tentei fechar o chute com o corpo. Ele bateu forte e rasteiro, entre os defensores.

Vinícius enxergou tarde. Ainda tocou na bola com a mão esquerda. O desvio perdeu força e entrou perto da trave.

2 a 2.

O Enéias abriu os braços e correu para comemorar. Os jogadores do time dele o cercaram. A torcida, quase toda adversária, explodiu atrás do alambrado.

Eu permaneci parado perto da entrada da área. A sensação era de que eu poderia ter feito mais. Talvez um passo adiante bloqueasse o chute. Talvez uma entrada mais firme interrompesse a jogada.

O jogo recomeçou. O Enéias pressionava nossa saída, embalado pelo gol. Pedro ocupava os zagueiros. Cleber voltou a atacar o lado da Lisandra.

A bola chegou ao ponta adversário perto da lateral. A Lisandra acompanhou o primeiro toque. O Cleber mudou de direção e ganhou a frente.

Ela tentou impedir a entrada na área com um carrinho lateral. Os pés ficaram baixos, mas o movimento atravessou o caminho dele e atingiu suas pernas.

O Cleber caiu perto da lateral da área. O árbitro correu e mostrou o cartão amarelo. A Lisandra ficou no chão.

No primeiro instante, pensei que ela estivesse frustrada com a falta. Depois vi sua mão segurando o joelho e o rosto contraído. Corri até lá.

— O pé prendeu — respondeu ela, ofegante. — O joelho virou.

Pelo menos, acertou a perna daquele infeliz. Ela tentou se levantar com ajuda. Assim que apoiou a perna, fez uma careta. O Wagner analisou e sugeriu substituição. Mas por quem?

Olhei pro banco e vi a Lorena já em pé, pronta para substituir. O Carlos se aproximou de mim.

— A Lorena entra na lateral — disse. — Fica perto do lado esquerdo quando o Cleber cortar para dentro.

A Lorena passou pela linha enquanto Lisandra era retirada. Ela olhou primeiro pra amiga, depois pro campo e entrou com o rosto fechado. A Lorena não possuía experiência em futebol, mas tinha uma capacidade física bem acima da média, porém estava chegando numa partida aberta, contra jogadores em ritmo desde o início. O Carlos reduziu suas responsabilidades ofensivas. A prioridade era fechar o lado esquerdo.

O Enéias preparou a cobrança da falta. A bola veio fechada pra área. Vinícius saiu e socou para longe. O rebote terminou num chute por cima. Aproveitamos a reposição para reorganizar a linha.

A Natália recebeu pela direita e avançou novamente sobre o Leandro. A bola desviou e ficou presa perto da linha. Ela conquistou um escanteio e segurou a cobrança até que todos ocupassem suas posições. Eu fiquei fora da área, cuidando da sobra e do Enéias. O Carlos cobrou curto. A Natália recebeu de volta e prendeu a bola perto da bandeira, atraindo dois marcadores.

A jogada veio pro centro. Rodolfo encontrou a Letícia, que girou e tocou no Antônio. A devolução voltou ao Rodolfo. O lançamento para Natália foi cortado parcialmente. A Letícia recuperou a segunda bola e entregou pro Carlos.

Eu me aproximei para receber, porém ele abriu novamente pra Natália. O Time Enéias ficou preso naquele lado. O Leandro já estava cansado, e ela continuava atacando o espaço às costas dele.

Natália recebeu junto à linha e empurrou a bola pra frente. Passou pelo Leandro com um toque longo e entrou na área. Eu avancei até a entrada, pronto para um rebote. O Luiz Alberto abandonou o Antônio e correu para fechar o caminho dela. O Sílvio saiu do gol.

A Natália tentou tocar por cima do goleiro. Sílvio bloqueou com as mãos, e a bola subiu quase na vertical. Por um instante, todos ficaram olhando para cima.

O Luiz Alberto saltou para afastar. Natália também subiu, girando o corpo na disputa, enquanto o goleiro tentava se levantar. A bola bateu na lateral do quadril da Natália e mudou de direção.

Ela passou por cima do Sílvio e quicou em direção ao gol. O Donizete correu desesperado para afastar. Eu acompanhei a trajetória sem respirar. E a bola cruzou a linha antes que ele chegasse.

O nosso terceiro gol.

3 a 2.

A Natália caiu dentro da pequena área, levantou e correu em direção ao Leandro.

— ESSE GOL É PRA VOCÊ, FILHO DA PUTA!

Cara. A Natália era realmente uma excelente amiga. Tomou as dores do Érico como se fossem dela.

Depois disso, a comemoração virou uma massa de camisas pretas. Abracei o Rodolfo e alcancei a Lorena quando ela chegou.

O gol havia surgido quase milagroso, mas isso significaria pouco se deixássemos empatar. Restavam poucos minutos. O Carlos reuniu o time antes do reinício.

— Rodolfo vai pra zaga — disse. — Linha de cinco. Natália fecha a direita e Letícia fecha a esquerda. Antônio fica sozinho na frente.

Ele apontou para mim.

— Você fica comigo no centro. Ninguém entra por ali.

Assenti. Lorena tomou sua posição na lateral esquerda. Dênis ficou no lado direito. Wagner e Tiago se alinharam com Rodolfo no centro.

Passamos a defender com cinco jogadores atrás e quatro no meio. Natália e Letícia tinham que acompanhar os laterais. Quando recuperassem a bola, deveriam correr até o ataque e prendê-la.

O Time Enéias reiniciou. O Armando entregou ao Enéias, que tentou acelerar pelo meio. Acompanhei sem avançar o pé. Carlos fechou a linha de passe pro Pedro. Enéias tentou passar entre nós. O Carlos tocou na bola. Protegi a sobra e encontrei a Letícia.

Ela disparou pela esquerda e levou a bola até o campo ofensivo. O Antônio se aproximou. Os dois trocaram passes perto da bandeira e obrigaram Donizete a colocar para fora.

O árbitro levantou a placa indicando oito minutos de acréscimo.

Puta que pariu! Aquilo parecia outro tempo inteiro.

O Time Enéias recuperou a bola e avançou com quase todos os jogadores. A defesa afastou o primeiro cruzamento, e a sobra caiu no Enéias. Ele tentou finalizar. Carlos se colocou na frente e bloqueou com o corpo.

A Natália recolheu a bola e partiu pela direita. Eu dei dois passos para acompanhá-la, depois fiquei. Nossa prioridade era manter o centro protegido.

Ela atravessou quase todo o corredor e levou a posse até a bandeira de escanteio. Cada segundo passado longe da nossa área parecia uma pequena vitória.

Quando o Time Enéias recuperou a bola, Enéias desceu até o próprio campo para buscá-la. Ele avançou em velocidade. Eu o acompanhei pelo centro, atento à advertência do árbitro. Uma quarta falta poderia nos deixar ainda mais pressionados.

O Enéias passou pela Letícia e tentou acionar o Pedro. Rodolfo deixou a linha defensiva por um instante, antecipou e afastou. Gerônimo pegou a sobra e cruzou. Wagner cortou para escanteio.

O Enéias foi pra cobrança. A bola veio fechada. Vinícius saiu do gol e socou para fora da área. Armando devolveu de cabeça. Cleber tentou uma bicicleta e mandou por cima.

Vinícius permaneceu alguns segundos no chão. Eu olhei pro árbitro, preocupado com a possibilidade de o goleiro precisar de atendimento. Ele se levantou sozinho e voltou pra pequena área.

— Aguenta! — gritei.

O Vinícius levantou o polegar.

O Sílvio já participava da construção do outro time. Apenas um zagueiro permanecia mais recuado. Eles cercavam nossa área e recolhiam quase toda bola afastada. A posse chegou ao Enéias.

Ele veio para cima de mim na entrada da área. Fechei o lado direito. Ele tentou mudar de direção e procurou o Cleber. A bola foi aberta pra ponta. A Lorena acompanhou por dentro e se colocou no caminho do cruzamento. Cleber bateu contra ela, e a bola saiu para escanteio.

Voltei pra perto do Carlos. O escanteio foi cobrado na direção do Pedro. Tiago desviou, e a sobra ficou com Luiz Alberto na entrada da área. O chute veio forte. Carlos se jogou na trajetória e bloqueou.

O placar improvisado mostrava 90 mais 7.

O Enéias recebeu na intermediária e passou pela Letícia. Veio diretamente na minha direção. Recuei. Mantive os braços perto do corpo e observei a bola. Ele tocou pro lado e entrou na área. Quando passou perto de mim, jogou o corpo pra frente e caiu.

O gesto do árbitro veio quase imediatamente. Ele apitou e correu na nossa direção. O Enéias abriu os braços no chão.

— Pênalti! — gritou. — Foi pênalti, porra!

O árbitro levou a mão ao bolso. Por um instante, achei que apontaria pra marca. Ele mostrou o cartão amarelo ao Enéias.

— Simulação — disse. — Levanta.

O alívio quase tirou a força das minhas pernas. O Enéias se levantou furioso.

— Ele me acertou!

— Não me trate como cego — respondeu o árbitro. — Mais uma reclamação e é vermelho.

Ele ficou calado. Mas eu fiquei tenso. Uma posição ruim do juiz poderia ter decidido a partida. O Carlos colocou a bola no chão para cobrar. O relógio já entrava no último minuto. Ele tocou curto para mim. Recebi e vi a Natália aberta perto da lateral. Passei de primeira.

Ela levou a bola pro lado e protegeu contra o Leandro. A Letícia se aproximou para ajudar. As duas mantiveram a posse junto à linha enquanto os adversários tentavam recuperá-la. Eu permaneci no centro, esperando uma última bola longa.

O apito soou.

Durante uma fração de segundo, continuei olhando pro campo, sem entender. O árbitro levou o apito à boca novamente e apontou pro círculo central.

Fim de jogo.

Time Rogério 3 x 2 Time Enéias

A força saiu das minhas pernas. Apoiei as mãos nos joelhos e respirei. Ao meu redor, os jogadores de camisa preta gritavam e corriam uns na direção dos outros. O Carlos me abraçou pelo lado.

— Acabou — disse ele, com a voz falhando. — A gente ganhou.

Eu o abracei de volta. O Rodolfo chegou logo depois. O Antônio veio correndo do ataque. O Wagner levantou os braços perto da área. Procurei a Lorena. Ela estava alguns metros à esquerda, vindo até nós. Ela bateu no meu peito e me abraçou.

— Eu falei que a gente dava conta disso.

O Enéias permanecia perto do árbitro, reclamando da simulação marcada no último lance. Alguns jogadores do time dele já se afastavam. Os que não era tão babacas, como Luiz e o Gerônimo cumprimentavam nossos jogadores.

Eu queria ir até ele e gritar “CHUPA ESSA, DESGRAÇADO!”, mas a gente tinha vencido com trabalho em equipe e eu me recusava a dar a ele a briga que procurara desde o primeiro minuto.

Cheguei ao Vinícius e o abracei.

— Você salvou a gente — falei.

Ele respirou fundo e olhou pro campo.

— Depois daquele frango, eu estava devendo.

— Pagou com juros.

Eu tinha começado aquela semana pensando nos homens que escolheram ficar ao lado do Enéias por medo de perder as festas dele. Quando o jogo acabou, pensei nas pessoas que escolheram ficar do meu lado sem exigir nada em troca.

A Lorena voltou a aparecer perto de mim e apontou pro banco de reservas, de onde vinha a Jéssica. Antes que eu pudesse andar até ela, o Carlos colocou a mão no meu ombro.

— Capitão — chamou ele.

— O capitão é você.

O Carlos tirou a faixa e a colocou na minha mão.

— Só assumi a tática. Mas o líder sempre foi você.

Sorri de volta pra ele e fechei a mão em volta da faixa.

A Jéssica atravessou a lateral do campo. Eu mal tive tempo de abrir os braços. Ela se jogou contra mim, prendeu as mãos na minha nuca e me beijou. Segurei a cintura dela e senti o corpo quente colado ao meu. Os seios se apertaram contra meu peito, e uma das coxas entrou entre minhas pernas quando ela ficou na ponta dos pés. Por alguns segundos, o barulho do campo perdeu importância.

Ela se afastou apenas o suficiente para olhar meu rosto. O sorriso largo deixava claro o alívio que tinha guardado durante o jogo.

— Você voltou inteiro e ganhou — disse. Em seguida, a Jéssica me beijou outra vez, agora com menos pressa. Quando terminou, passou o polegar pelo meu lábio.

A Lorena chegou logo depois e bateu com as duas mãos nos meus ombros. A camisa 17 estava encharcada nas costas e colada aos seios firmes. O calção preto desenhava a bunda redonda e as pernas torneadas, sujas de grama perto dos joelhos. Ela me puxou para um abraço. O corpo dela bateu no meu lado dolorido, e eu soltei o ar entre os dentes.

O Vinícius já vinha na nossa direção com a Lisandra ao lado dele. Ela mancava por causa do joelho, embora pudesse caminhar sozinha. A camisa 22 marcava os seios naturais. O calção subia na bunda cheia e deixava as pernas longas à mostra. O Vinícius ainda usava as luvas, e o cabelo estava grudado na testa. Parecia exausto.

— Eu ainda não entendi como você pegou metade daquelas bolas — falei, abraçando-o.

— Da próxima vez, tento entrar no jogo sem entregar um gol antes — respondeu Vinícius. — Meu coração agradece.

A Lisandra passou o braço pela cintura dele e beijou sua bochecha. O Vinícius encostou a testa na dela por um instante. Ela disse que ele quase a tinha matado do coração antes de começar a defender até pensamento. O Vinícius respondeu que o carrinho dela no Cleber tinha causado o mesmo efeito. A Lisandra admitiu que tinha mirado na perna mesmo.

Ao redor, os jogadores de preto se abraçavam perto do banco. A torcida continuava encostada no alambrado. Algumas pessoas do lado branco já se afastavam em silêncio, enquanto outras permaneciam olhando pro placar como se esperassem uma correção.

O pessoal dos outros condomínios, e alguns jogadores do time branco (Amarildo, Gerônimo, Gilmar, Luiz) vieram falar comigo e com o Carlos nos parabenizar pela partida e comentar que poderíamos fazer isso mais vezes. Eles sabiam que eu me recusaria a jogar com o Enéias de novo, então era um convite sem Enéias (que aliás estava banido da churrasqueira e da quadra do condomínio agora).

Respondemos de forma educada, mas por dentro eu tava fazendo a triagem de quem só tava querendo estar do lado vencedor e quem foi pro time branco porque o Enéias chamou mais rápido. Meu lado mesquinho iria esquecer de chamar todos do primeiro grupo.

Estava com o braço em volta da Jéssica quando percebi o movimento vindo do outro lado. O Enéias caminhava na nossa direção com Pedro e Cleber. O síndico vinha junto, apertando o passo para acompanhar. Os quatro atravessaram o campo com a expressão de quem tinha decidido procurar outra disputa depois de perder a primeira.

O Carlos viu ao mesmo tempo e se colocou perto de mim. A voz dele saiu baixa para evitar que a aproximação virasse espetáculo.

— Acabou o jogo — falou baixo. — Não entrega outra coisa agora.

— Eu sei. Vou ficar quieto.

A Lorena virou o corpo para eles. Jéssica continuou ao meu lado, com a mão fechada na minha camisa. A Lisandra ficou perto do Vinícius.

O Enéias parou a poucos passos. O rosto estava vermelho e a camisa branca suja de grama. O cartão por simulação ainda parecia doer mais do que a derrota.

— Essa merda foi roubada — disse. — O juiz decidiu o jogo naquele lance.

— Você se jogou — respondi.

— Você me acertou dentro da área. O juiz fingiu que não viu.

— Eu nem encostei em você.

O Pedro deu um passo à frente. O corpo já tenso para continuar a discussão.

— O juiz deixou vocês baterem o jogo inteiro.

— O Amarildo tirou o Jonas da partida e ficou só no amarelo — respondi. — O Leandro tirou o Érico e também ficou. Não escolhe só os lances que te servem.

O Cleber apontou para Lisandra.

— E ela entrou para quebrar minha perna. Aquilo era para expulsão.

— Você saiu andando. Eu fui carregada.

O síndico ergueu as mãos, tentando parecer uma autoridade no meio da confusão que ele próprio tinha ajudado a trazer até nós. A postura dele ficou rígida quando percebeu que ninguém recuaria por causa do cargo.

— Vamos manter a calma. Houve irregularidades e isso será discutido. A aposta sobre a quadra e a churrasqueira precisa ser revista.

— A aposta é aposta — disse firme. — Todo o condomínio ouviu. Vocês vão ter que cumprir.

— Eu sou o síndico e posso avaliar se as condições foram justas. Nenhuma aposta é válida sem minha autorização.

— Você jogou no time que perdeu — respondeu Jéssica. — Sua avaliação já vem bem comprometida.

O rosto do seu Alberto fechou. Ele olhou para ela por um instante, e eu reconheci a mistura de irritação com a necessidade de continuar parecendo importante. O Enéias ignorou o síndico e avançou um pouco mais na minha direção.

— Você sabe que não ganhou de mim. Ficou correndo atrás o jogo inteiro.

— O placar diz que o meu time ganhou do teu.

— Você passou o jogo inteiro atrás de mim. Quem decidiu foram os outros.

— Futebol funciona assim. É uma equipe.

Ele fechou o maxilar. A resposta simples pareceu irritá-lo mais do que qualquer provocação. O Enéias queria transformar em uma briga. Estava de cabeça tão quente que provavelmente esqueceu que eu imobilizaria ele no chão sem tirar o outro braço da Jéssica. A Lorena continuou entre eu e ele.

— Sai da frente, Lorena — ordenou ele. — Estou falando com o Rogério.

Ela estava meio passo à minha frente, com os braços soltos ao lado do corpo. Os pés permaneciam separados na largura suficiente pra reagir. O Enéias devia ser cego pra não perceber isso.

— Fala daí. Todo mundo está ouvindo.

— Eu mandei sair!

O Enéias ergueu a mão direita e empurrou o ombro esquerdo dela. O gesto pareceu pequeno perto do tamanho dele. Para quase todo mundo em volta, o que veio depois foi rápido demais. Mas como eu já tinha experiência e sabia o que ela faria nesse caso, pude discernir cada movimento.

A Lorena cedeu meio passo junto com o empurrão, evitando receber a força de frente. A mão esquerda fechou no punho dele. A direita prendeu o braço acima do cotovelo. Ela puxou o braço atravessado na frente do corpo do Enéias e entrou pelo lado de fora, colando o próprio ombro no tríceps dele. O movimento tirou o peito dele da direção das pernas e levou o peso pra frente. Enéias tentou abrir a base com o pé direito. Lorena passou o pé direito por trás do calcanhar dele e bloqueou o passo.

Ela girou o corpo e puxou o braço numa diagonal curta. A perna presa impediu a recuperação do equilíbrio. O Enéias caiu de lado, com o ombro chegando ao gramado antes da bunda. Tentou virar de bruços e apoiar a mão livre. A Lorena acompanhou a queda sem soltar o punho. O joelho direito pousou perto do ombro dele, enquanto a outra perna ficou aberta para dar base. Ela dobrou o braço preso atrás das costas e controlou o cotovelo junto ao corpo. Qualquer rotação maior colocaria pressão suficiente para machucar. Ela parou no ponto em que ele sentia a ameaça e ainda tinha o ombro inteiro.

Tudo que narrei durou uns dois segundos, talvez menos. Foi tão rápido que pode ter parecido que ele apenas tropeçou e caiu no chão, com ela caindo por cima.

Pedro e Cleber avançaram por reflexo. Eu entrei na frente dos dois com Carlos ao meu lado. O Enéias estava com uma das faces perto da grama, respirando com raiva. A Lorena segurava o braço dele como quem ajudava alguém a escolher a posição mais confortável do mundo.

O síndico recuperou a voz primeiro. Ele apontou pra Lorena antes de organizar o que queria dizer.

— Agressão! Eu vou expulsar você do condomínio por essa agressão! — gritou. — Gravíssimo!

Então era isso que o Enéias estava querendo que eu fizesse.

A Lorena olhou para ele com uma calma que só piorava a humilhação do Enéias. A pegada no braço continuou firme e sem tranco.

— Eu não agredi ninguém. Ele escorregou e caiu.

— Eu vi você derrubar ele!

— O senhor viu errado. Eu segurei o braço para ajudar e agora estou ajudando ele a levantar.

Ela baixou o rosto um pouco, falando perto do ouvido dele. Eu não escutei o que disse. Pela mudança na expressão do Enéias, imaginei que fosse uma orientação simples sobre o ombro e a vantagem de colaborar.

Ou mesmo um recado simples: ela só tinha usado o necessário pra conter ele. Quase todo o condomínio estava vendo ele no chão, o machão fortão comedor de 1.92m, derrubado por uma mulher. Uma que era quase 25 cm mais baixa e uns 36 Kg mais leve. Uma que ainda nem tinha atacado de verdade. Perder uma luta pra mim teria diversas justificativas e versões. Perder uma luta pra uma mulher? Ah... Nenhum dos resenheiros como Cleber e Pedro iriam respeitá-lo novamente.

O seu Alberto apontou pros dois. O dedo dele tremia de raiva.

— Enéias, diga o que aconteceu. Todo mundo viu.

A pergunta deixou a saída pronta e criou o pior problema possível para ele. Admitir que foi a Lorena seria a humilhação suprema. Negar transformava tudo num escorregão ridículo. O orgulho dele escolheu.

— Eu escorreguei — respondeu, com a voz abafada pela posição. — Ela segurou meu braço pra me ajudar a levantar.

O síndico ficou parado, sem saber o que fazer. A acusação perdeu força na frente de todo mundo.

A Lorena soltou parte da pressão e se levantou mantendo o controle do punho. Ela puxou o braço na direção certa, permitindo que ele apoiasse os joelhos e ficasse em pé. Para quem não entendia o movimento, parecia mesmo uma ajuda. Eu percebi que ela só liberou o cotovelo depois que ele recuperou a base e se afastou meio passo.

— Melhor tomar cuidado com o gramado — disse Lorena. — Está escorregadio.

O Enéias ajeitou a camisa e passou a mão pelo ombro. O rosto dele tinha perdido a cor vermelha da discussão. O Pedro ficou perto, pronto para segurá-lo caso tentasse outra coisa. O Cleber olhou pra Lorena e decidiu manter distância.

— Isso ainda vai ter volta — falou Enéias. — Pode ter certeza.

— Vai embora — respondi. — O jogo acabou.

Ele me olhou com uma promessa clara de vingança. Depois encarou a Lorena. Ela permaneceu parada, sem levantar os braços e sem oferecer outro motivo pro confronto. O Enéias virou e saiu com Pedro e Cleber. O síndico demorou mais alguns segundos antes de perceber que tinha sido esquecido e ignorado. Ele ainda procurava uma forma de recuperar a autoridade.

— Eu vou analisar as imagens — disse seu Alberto. — Essa situação não terminou.

— Analisa o placar também — respondeu Jéssica.

Ele lançou outro olhar irritado para ela e foi atrás dos três. O grupo branco atravessou o campo com menos confiança do que tinha mostrado na chegada. O Enéias manteve as costas retas e o passo firme. A mão esquerda massageava o ombro direito de vez em quando.

Esperei que estivessem longe antes de virar pra Lorena. A Jéssica já tinha soltado minha camisa e se aproximado dela.

— Você se arriscou demais — falei, mantendo a voz baixa. — Isso podia ter virado uma confusão muito pior.

— Ele me empurrou. Eu só usei o movimento dele.

— Eu vi. Mas se ele resolver outra versão...

— Eu ia ter que procurar outro apartamento, mas esse é alugado. O seu é comprado. Eu tinha bem menos a perder e bem mais a oferecer.

A Lisandra se aproximou e abriu um sorriso satisfeito.

— Rogério, deixa de ser certinho uma vez na vida. Eu estou de alma lavada.

— Eu também — disse Jéssica. Ela olhou pra Lorena e depois pra mim. — Sinceramente, era pra ter sido você derrubando ele. A gente ia ter que se mudar? Que se foda. Uma hora, esse bigodudo cai e a gente voltava.

Eu me deixei cair na risada porque elas estavam certas. Eu também queria mandar o Enéias pro hospital. Uma pena que...

— Era exatamente o que ele queria — disse Jéssica.

— Você estava de mãos atadas — disse Lisandra. — Qualquer reação tua virava vantagem para ele.

A vontade de bater no Enéias tinha aparecido várias vezes naquela noite. Em alguns momentos, eu tinha sentido o corpo preparar o movimento antes da cabeça impedir. Mas eu sabia que isso era pedir pra soltarem vídeos meus “atacando de forma injustificada” um morador inocente.

— Eu só não sabia que a Lorena era tão boa assim — disse Jéssica.

A Lisandra revirou os olhos.

— Tu nunca foi na academia deles.

— Eu sempre disse que ela era mais técnica — admiti. — A gente treina junto há 15 anos e um sempre ajudou o outro a evoluir.

A Lorena deu de ombros. A expressão inocente ficou ainda menos convincente.

Nós rimos e a Jéssica abraçou a amiga pela cintura. As duas estavam suadas, com as camisas pretas coladas ao corpo. O braço da Jéssica apertou a cintura fina da Lorena, e as bundas redondas das duas ficavam marcadas sob os calções. Praticamente desde o começo do nosso namoro, a Jéssica via a Lorena como uma ameaça constante. Passou anos recusando a aproximação. Mas hoje, pelo visto, ela finalmente entendeu que a Lorena é sua cunhada e minha irmã em tudo, menos no sangue.

Nós começamos a nos organizar pra voltar pra casa. O Vinícius e a Lisandra foram os primeiros a se despedir. Embora os dois soubessem que tinham quarto tanto no meu apartamento quanto no da Lorena, a Lisandra queria ir pra casa do irmão.

Eles queriam privacidade...

Depois, eu, Jéssica e Lorena três pegamos nossas coisas no banco de reserva. A praça ainda tinha grupos comentando o jogo perto do alambrado. A Jéssica segurou minha mão enquanto atravessávamos a calçada. O uniforme dela continuava grudado ao corpo, e o calção curto acompanhava as coxas grossas.

A Lorena caminhava ao nosso lado, serelepe. A preocupação no rosto dela só cresceu quando o assunto passou pro Jonas.

— Eu vou tomar banho e passar no hospital — disse. — Um de nós devia ver como o Jonas está. Ele entrou no time quando a gente precisava e, se eu for, os dois coelhos poderão ter a comemoração devida.

Isso fazia sentido, embora sentisse algo diferente no jeito como ela falou. Mas ela tinha ficado bastante amiga dele e da Carolina depois que ela entrou no clube do livro. Fazia sentido.

— Agora? — perguntou Jéssica.

— Eu tomo um banho rápido e vou. Fico uns dez minutos, bato papo com a Carolina e a Sarah e mando notícias pra vocês.

— A emergência provavelmente nem vai deixar você entrar. A Carolina mandou uma mensagem dizendo que ele está acompanhando os exames.

Lorena puxou o celular do bolso do agasalho amarrado na cintura e conferiu. Essa mensagem fazia quase 30 minutos.

— Eu posso esperar na recepção. Era bom um dos líderes do time estar lá.

— Esperar na recepção não ajuda ninguém — retrucou Jéssica. — Você está cansada. Manda só uma mensagem e pronto.

— Talvez ele precise de alguma coisa. Eu posso levar o que estiver faltando.

— A esposa dele já deve estar indo pra lá. A Carolina e a Sarah estão lá. Se faltar algo, elas avisam no grupo da academia.

A Lorena guardou o celular e continuou andando.

— Eu queria agradecer pessoalmente. Ele se machucou ajudando a gente.

— Agradece amanhã de manhã, quando já tiver tido uma noite de sono boa. Hoje ele pode estar medicado ou preso em algum procedimento. Você vai atravessar a cidade pra olhar uma porta.

— O hospital fica a 15 minutos. Em uma hora, eu resolvia tudo.

— Deixa pra ir amanhã de manhã comigo. Eu tenho que estar lá às 7h.

A Lorena olhou para mim. Eu conhecia aquele jeito. Ela queria agir logo porque ficar esperando sempre a irritava.

— A Jéssica tem razão — falei. — Hoje você só vai cansar mais. A gente já sabe que ele está acompanhado.

— Eu passo no teu apartamento às 6h30 — disse Jéssica. — A gente vai juntas.

— Ok.

A Lorena soltou o ar e aceitou a derrota com um movimento de cabeça.

E foi assim que a Jéssica sem querer impediu a Lorena de ir ao hospital e conhecer o médico que atendeu o Jonas: Miguel.

Na entrada do condomínio, algumas pessoas ainda passavam pela portaria falando alto sobre a partida. O seu Geraldo estava atrás do balcão, com o uniforme de trabalho. Ele se inclinou pra frente assim que nos viu.

— Aí estão os campeões — disse, abrindo um sorriso. — Eu ouvi a gritaria daqui. Quanto foi?

— 3 a 2 — respondi. — Foi apertado até o último apito.

— Rapaz, disseram que vocês estavam perdendo no começo. A gritaria aumentou de repente.

— A gente começou mal. O Vinícius tomou um frango, depois virou uma parede. Antônio empatou. A Letícia fez o segundo e a Natália fechou o placar.

O seu Geraldo balançou a cabeça, impressionado. O sorriso dele aumentou quando ouviu o nome dos autores dos gols.

— E o bonitão? Disseram que ele fez gol.

— Fez o segundo deles — falei. — Depois tentou cavar um pênalti no fim e levou amarelo.

A Jéssica apoiou os braços no balcão. A posição apertou os seios contra a camisa preta e empinou um pouco a bunda sob o calção. O seu Geraldo teve o bom senso de manter os olhos no meu rosto.

— O melhor veio depois — disse ela. — O Enéias escorregou no gramado.

O seu Geraldo olhou pra Lorena. Ela ficou ao lado do balcão, com uma expressão inocente que não enganaria ninguém que a conhecesse. A humilhação do Enéias iria se espalhar por todos os prédios da vizinhança via porteiros e zeladores.

— Gramado molhado é uma desgraça. — O sorriso do porteiro cresceu. — Ainda bem que a dona Lorena tem bons reflexos.

— E a churrasqueira? — perguntou o porteiro.

— Continua disponível para todo mundo — respondi. — Todo mundo menos o Enéias e uma listinha.

— Então a vitória foi completa. O espaço continua livre para todo mundo.

— Ele e o síndico vão tentar inventar discussão — disse Jéssica. — Já começaram no campo.

Seu Geraldo fez uma careta. A menção ao síndico tirou parte do bom humor.

— Seu Alberto gosta de regra quando a regra ajuda ele. Guardem vídeo de tudo.

Nos despedimos e seguimos pro elevador social. No nosso andar, nos despedimos com um abraço em nossa amiga. A Lorena entrou no apartamento e nós entramos no nosso.

Quando a porta fechou, a Jéssica entrou em modo fofoqueira.

— Amor, você sabe quem é o namorado secreto da Lorena?

— Não é namorado — afirmei, tirando as chuteiras pra não sujar a sala. — É só um ficante pra sexo casual.

— Como você sabe?

— Primeiro, porque a gente se conhece há 25 anos e um sabe ler a cara do outro. Na verdade, me surpreende que você tenha notado que tem um homem no meio — respondi — Segundo, porque ela não me apresentou e nem me falou dele. Sempre que é alguém importante de verdade, eu sou um dos primeiros que ela conta. Se ela não disse nada, é porque essa ficada tem prazo de validade.

— Então, você já sabia de tudo.

— E, como ela não quer que eu saiba, me finjo de cego — expliquei. — Mas deve ser um cara que ela conheceu no clube do livro da Carolina e do Jonas. Por isso, ela anda tão próxima dos dois e têm ajudado tanto o Jonas. Ela deve sentir que está devendo um favor a ele por ter apresentado os dois. E por isso, ela levou só o Jonas e não o misterioso crush pro nosso dojo ontem.

— Não devia ser o contrário?

— Amor, a Lorena nunca levaria um ficante de uma semana pra parkour ou jiu-jitsu. Isso espantou todos os ex-namorados dela.

— Tem razão... — suspirou Jéssica — Mas é que eu preferia ela livre, leve e solta pra eu apresentar pro Miguel.

— Espera uns dias, uma semana no máximo, que ela termina com esse ficante e fica livre pra você apresentar pro Miguel. — Passei um braço pela cintura da Jéssica, puxei seu corpo contra o meu e comecei a beijá-la. — Agora, vem pra cá porque a noite está só começando.

Nossos uniformes ainda estavam com o suor da partida. A camisa preta dela grudava nos seios cheios e marcava a barriga firme, enquanto a calça acompanhava suas coxas robustas e a bunda larga e redonda. O tecido estava colado à pele, deixando visível cada movimento do corpo dela.

As minhas mãos desceram pelas costas dela e apertaram sua bunda por cima da calça. A Jéssica gemeu contra minha boca, continuou me beijando e passou as mãos pelo meu peito.

— Amor, a gente está todo suado. Você não quer tomar banho primeiro?

— Não. Quero transar com você assim.

Voltei a beijá-la e pressionei o meu corpo contra o dela. Meu uniforme também estava grudado na pele. A camisa marcava meu peito, meus ombros e os braços cansados da partida. A Jéssica passou as mãos por mim devagar, sentindo os músculos ainda tensos pelo esforço.

— Você ficou gostosa demais com esse uniforme — falei perto do ouvido dela. — Um fetiche que eu nem sabia que tinha.

Ela abriu um sorriso e puxou minha camisa pela gola.

— Então, vou guardar o uniforme para ocasiões especiais.

Ela mordeu meu lábio e passou as mãos pelo meu peito. Eu ainda estava com a camiseta colada ao corpo, o cabelo molhado e a respiração desregulada. O jeito como ela me apalpava deixava claro que tinha passado o jogo inteiro sentindo o mesmo tesão. Ela me beijou outra vez e esfregou o corpo contra o meu, prendendo a minha perna entre as suas.

Ela puxou minha camisa pela cabeça e jogou perto da porta. Passeou as mãos pelo meu peito e desceu até a minha barriga, apertando a minha cintura antes de me puxar para outro beijo. Tirei a camisa dela logo depois.

A pele amendoada estava coberta por uma camada fina de suor. Seus seios tinham volume cheio e uma leve movimentação quando ela respirava. Os biquinhos rosados estavam duros. A cintura marcada terminava nos quadris largos e na bunda arredondada, firme pelo treino e macia quando eu apertava. Suas coxas grossas continuavam presas na bermuda, com os músculos aparecendo sob o tecido sempre que ela mudava o apoio das pernas.

Fiquei olhando por alguns instantes. A Jéssica percebeu e abriu os braços, deixando que eu apreciasse seu corpo.

— Passei o jogo inteiro fingindo que não estava olhando pra você — falei.

— Fingiu mal pra caralho.

Agarrei sua cintura e a levei comigo até o chão da sala. Caímos sobre o tapete e continuamos nos beijando, com as mãos explorando tudo que o uniforme ainda escondia. Ela passou as unhas pelas minhas costas, apertou os meus braços e me puxou pra mais perto. Beijei seu pescoço, desci pelo colo suado e parei nos seios, chupando-os devagar enquanto ela arqueava o corpo.

A respiração dela ficou pesada. Uma mão segurava o meu cabelo enquanto a outra descia pelas minhas costas e apertava a minha bunda por cima da calça.

Puxei a bermuda dela, com calcinha. O tecido grudava nas pernas suadas e resistia em cada parte das coxas.

— Puxa logo — pediu ela, rindo sem tirar os olhos de mim.

Com um puxão, tirei tudo. A Jéssica ficou deitada no tapete, com as pernas nuas e abertas diante de mim. A convidativa bucetinha apertadinha de pelinhos ralinhos me chamava pra mais uma foda As coxas fortes, cheias e bem torneadas. Passei as mãos por elas lentamente, apertando a parte interna antes de beijá-las e seguir pra saborear aquela buceta que tanto amava.

Ela gemeu e empinou a bunda sobre o tapete. Continuei subindo os beijos pelo corpo dela, demorando na barriga. Quando voltei aos seios, a Jéssica me puxou pela nuca e beijou a minha boca com força.

A minha bermuda saiu logo depois, com cueca e tudo. Ela percorreu meu corpo com os olhos e passou as mãos pelo meu abdômen, pelo peito e pelos braços. Eu estava cansado da partida, com as pernas pesadas e o corpo inteiro aquecido. Mas o tesão tinha apagado qualquer vontade de descansar.

Continuamos nos beijando nus e rolando pelo tapete, que dobrava debaixo dos nossos movimentos, sem que a gente se importasse. A Jéssica se colocou por cima de mim, apoiou as mãos no meu peito e começou a esfregar o corpo contra o meu. Seus seios balançavam sobre o meu rosto e os cabelos castanho-claros caíam pelos ombros, grudando em alguns pontos da pele molhada.

Segurei sua bunda com as duas mãos. Meus dedos afundaram na carne firme enquanto ela se movimentava mais depressa. A Jéssica abaixou o rosto, me beijou e deixou escapar gemidos curtos contra minha boca.

— Quero você dentro de mim — disse ela.

A frase quase acabou com o pouco controle que eu ainda tinha. Virei nossos corpos no tapete e fiquei sobre ela, beijando seus seios e passando as mãos pelas coxas abertas. A Jéssica mantinha os olhos em mim, respirando pela boca, enquanto me puxava pela cintura.

Apontei a cabeça do pau na entradinha, pincelei um pouquinho até sentir ela se eriçando e enfiei. Sentia o meu pau aquecido se encaixando dentro daquela buceta, cm por cm. Fizemos isso centenas de vezes, mas sempre era como se fosse a primeira. Ela suspirou alto. Comecei devagar, aproveitando o corpo dela e sentindo suas pernas se fecharem ao redor da minha cintura. O suor da partida se misturava ao de agora, deixando nossas peles escorregadias.

— Mais forte!

Aumentei o ritmo. A cada movimento, os seios dela balançavam e sua bunda deslizava pelo tapete dobrado. A Jéssica gemia sem tentar esconder, cravando as unhas nas minhas costas e repetindo o meu nome.

Quando o chão começou a machucar meus joelhos, puxei-a comigo até o sofá. Ela se sentou no meu colo, envolveu a minha cintura com as pernas, encaixou o meu pau dentro da sua buceta novamente e retomou o movimento por cima, cavalgando em mim. Segurei sua bunda para ajudá-la nas cavalgadas, sentindo os músculos das coxas se contraírem enquanto ela subia e descia.

O sofá rangia debaixo de nós. A Jéssica apoiou a testa na minha e ouvíamos o som das nossas pélvis se chocando, com os lábios entreabertos e a respiração quente batendo no meu rosto.

— Puta que pariu... — gemeu ela. — Eu queria fazer isso desde o fim do jogo.

— Eu queria desde antes do intervalo.

— Se você tivesse batido naquele filho da puta, a gente só saía daqui na segunda.

— Tá querendo dar pra Lorena, é?

Ela soltou uma risada ofegante e me beijou. Ela continuou cavalgando sem parar, enquanto eu chupava seus seios e apertava sua bunda. A risada foi diminuindo. A Jéssica passou os dedos pelo meu rosto e me olhou com um carinho que logo voltou a virar tesão.

— A gente ganhou — disse ela.

— Ganhou.

— Juntos.

— Como sempre.

Ela me beijou devagar. O ritmo mudou por alguns instantes. Segurei seu rosto e aproveitei aquele beijo com calma, sentindo seu corpo quente sobre o meu.

— Eu te amo — falei.

— Eu também te amo.

Continuamos no sofá até a Jéssica perder o ritmo, apertar o meu com a sua buceta e soltar um gemido anunciando seu gozo. Ela apoiou o rosto no meu ombro, tentando recuperar o fôlego. Beijei seu pescoço e passei as mãos pelas suas costas. Ela ficou alguns instantes sentada sobre mim, com o corpo ainda se movendo devagar.

Depois se levantou e me puxou pela mão. Seguimos pelo corredor ainda nus, beijando-nos entre um passo e outro. Ela caminhava de costas, com os cabelos bagunçados e os seios balançando. A bunda se movia a cada passo, e aquela visão aumentava ainda mais meu tesão. Não resisti em dar um tapão naquela bundinha.

Eu a encostei contra a parede do corredor, segurei suas coxas e a levantei, recebendo imediatamente suas pernas ao redor da minha cintura. O corpo dela estava pesado, talvez porque eu estava cansado da partida, mas meus braços aguentavam bem. Apertei-a contra a parede e voltei a meter dentro da sua buceta ali mesmo.

A Jéssica rangeu os dentes, segurou meus ombros e deixou a cabeça cair para trás.

— Assim, amor... Continua assim...

Fui estocando no ritmo pedido enquanto ela gemia perto do meu ouvido. A parede ajudava a sustentar o seu corpo e as minhas mãos permaneciam firmes em sua bunda. Eu sentia suas coxas apertando a minha cintura, prendendo-me contra ela.

— Você é gostosa demais.

— Então me come!

Apertei mais sua bunda e passei a meter com mais afinco. Era cada estocada que a boca dela se arreganhava com os gemidos. O corredor foi povoado pelo som de nossas respirações e dos gemidos dela. A Jéssica me beijava entre um e outro e pedia mais e mais quando eu diminuía a pegada.

As minhas pernas começaram a cansar depois de um tempo. A partida ainda pesava nos músculos e carregar a Jéssica enquanto metia com força dentro dela exigia bastante de mim. Em vez de interromper, ajeitei sua posição e caminhei com ela até o quarto. Ela permaneceu agarrada ao meu corpo, beijando o meu pescoço durante todo o caminho.

Caímos na cama e a Jéssica se espalhou sobre os lençóis enquanto recuperava o fôlego. Os cabelos castanho-claros ocuparam boa parte do travesseiro, com algumas mechas grudadas no rosto e no colo. Seus seios subiam depressa, a barriga firme estava brilhando de suor e as coxas continuavam abertas diante de mim. A posição deixava evidente a largura dos quadris e a curva cheia da bunda contra o colchão.

Fiquei ajoelhado. O meu peito e os meus ombros ainda estavam tensos, os braços começavam a sentir o esforço acumulado. As marcas das unhas dela ardiam nas minhas costas. Pelo jeito como Jéssica percorreu meu corpo com os olhos, aquilo só tornava a cena melhor para ela.

Eu conhecia cada parte daquele corpo, mas nunca me cansava de olhar. A Jéssica puxou o lábio inferior entre os dentes e abriu mais as pernas.

— Vem.

Me aproximei, passei uma mão por sua coxa e voltei pra cima dela. Enfiei novamente. Retomamos devagar na cama, com mais espaço para nos movimentarmos. Ela envolveu meu corpo com os braços e manteve as pernas abertas, recebendo as estocadas do meu pau enquanto me beijava.

À medida que nós íamos nos empolgando, fui aumentando o ritmo. Metendo com mais vigor, pra ouvir o barulho dos nossos corpos. A Jéssica apertava as minhas costas, gemia o meu nome e empinava a bunda pra acompanhar o meu ritmo.

Ela me empurrou para o lado e ficou por cima. Sentou-se sobre mim, apoiou as mãos no meu peito e começou a cavalgar. Os músculos das coxas ficaram marcados pelo esforço. Seus seios balançavam e sua barriga se contraía sempre que ela descia com mais força.

Segurei sua cintura e ajudei a manter o ritmo. A Jéssica jogou os cabelos para trás e gemeu alto.

— Isso, Rogério... Assim...

Ela acelerou até perder o controle dos próprios movimentos. O corpo inteiro ficou tenso e, logo depois, ela se curvou sobre mim, gemendo contra meu peito. Abracei-a e continuei movimentando a minha pélvis enquanto ela sentia o novo o orgasmo.

Esperei a sua respiração melhorar. Beijei seu rosto e passei as mãos pelas costas dela. A Jéssica levantou a cabeça depois de algum tempo, ainda corada.

— Ainda não acabou.

Ela saiu de cima de mim e ficou de quatro na cama. A bunda redonda ficou empinada diante do meu rosto, com as coxas grossas afastadas e os músculos das costas aparentes. Passei as mãos pela pele suada, apertando sua bunda antes de me posicionar atrás dela.

Apontei a cabeça do pau na entradinha e voltei a meter, agora naquela posição. Comecei com movimentos longos e controlados, observando o seu corpo reagir. A bunda batia contra a minha cintura e os seios balançavam sob ela. Seus braços perderam força aos poucos, e ela apoiou o rosto no colchão enquanto continuava empinada.

— Mais forte — pediu, a voz abafada pelo lençol.

Segurei sua cintura e aumentei o ritmo. A Jéssica soltava gemidos cada vez mais altos e apertava o lençol com as mãos.

Inclinei-me sobre suas costas e beijei o seu ombro. A Jéssica virou o rosto pra me procurar e nos beijamos enquanto eu continuava estocando e estocando.

Mudamos de posição outra vez. Ela ficou deitada de lado, com uma perna levantada sobre meu corpo. Passei a meter de forma mais lenta, segurando sua coxa e beijando a sua boca. O ritmo permitia que eu observasse seu rosto e sentisse cada reação.

— Eu te amo — falei, ofegante.

— Também te amo. Agora continua!

A Jéssica apertou minha nuca e enterrou o rosto no meu ombro quando outro orgasmo começou. Suas pernas tremeram, o corpo se fechou ao redor do meu e os gemidos ficaram mais curtos. Esperei que ela relaxasse antes de mudar novamente.

Voltei a colocá-la de barriga para cima. Fiquei entre suas coxas, segurei sua cintura e recomecei com força. Ela me recebeu com as pernas erguidas e os braços estendidos na minha direção.

O cansaço começou a me derrotar. Meus braços tremiam e o suor escorria pelo peito. A Jéssica também estava exausta, com os cabelos grudados no rosto e os seios marcados pelos meus beijos. Ainda assim, cada vez que eu diminuía, ela apertava as pernas ao meu redor e pedia que continuasse.

— Estou quase gozando — avisei.

— Então goza!

A voz dela acabou com a minha resistência. Mantive o ritmo, sentindo meu corpo inteiro chegar ao limite. A Jéssica me abraçou com força e repetiu meu nome perto do ouvido.

Esporrei com tudo dentro dela, , com os músculos tensos e a respiração descontrolada. Enterrei o rosto em seu pescoço e permaneci ali até o tremor diminuir. A Jéssica passou as mãos pelas minhas costas e me manteve abraçado ao seu corpo.

Ficamos deitados juntos, suados e ofegantes. O meu coração batia tão rápido quanto no final da partida. Ela beijou a minha testa e passou os dedos pelos meus cabelos.

— Agora sim, a gente precisa tomar banho — disse ela.

— Precisa mesmo.

Mesmo assim, demoramos para levantar. A Jéssica continuou com uma perna sobre mim e eu mantive a mão em sua bunda. O quarto estava um caos. Um travesseiro tinha caído perto da porta, o lençol no chão e as roupas na sala. Meu corpo cobrava cada minuto da partida e daquela transa. Ainda assim, olhar para ela reacendia o meu tesão. Seus seios estavam marcados pelos meus beijos, a barriga firme subia com a respiração e as coxas continuavam presas ao meu corpo.

Tínhamos vencido o jogo, detonado o Enéias e comemorado com uma transa daquelas. O banho esperou até recuperarmos força suficiente para sair da cama.

Pois bem, leitor. No próximo capítulo, Rogério e Jéssica irão participar do arco crossover “Dois dates pra três casais”, onde dois cuzinhos não serão perdoados...

Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.

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O Arco do Futebol é composto por sete partes que podem ser lidas independentes, mas cada uma prioriza as ações dos seus narradores e protagonistas. E, nem sempre o que os outros veem eles fazendo era necessariamente a intenção deles.

Ele vai compreender os seguintes capítulos:

* PARTE 1: Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 21

* PARTE 2: Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 18

* PARTE 3: Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 14

* PARTE 4: Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03

* PARTE 5: Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 16

* PARTE 6: Queria Ser Síndica, mas Porteiros e Zeladores Me Viram Pelada - Parte 03

* PARTE 7: Louco para enrabar a professora ruivinha, enrabei o volante contador primeiro (Série do Antônio - Parte 05)

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Foto de perfil genéricaAlberto RobertoContos: 155Seguidores: 322Seguindo: 0Mensagem Em um condomínio de classe média alta, a vida de diversos moradores e funcionários se entrelaça em uma teia de paixões, traições e segredos. Cada apartamento guarda sua história, no seu próprio estilo. Essa novela abrange todas as séries publicadas neste perfil. Os contos sempre são publicados na ordem cronológica e cada série pode ser de forma independente. Para ter uma visão dos personagens, leia: Guia de Personagens - "Eu, minha esposa e nossos vizinhos"

Comentários

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Gostei muito! Esse conto focou na partida e como narrativa para historia foi fenomenal.

A cena de sexo ficou em segundo plano fantastico!

E peguei a referencia do gol de Natalia o Gol de Miller na Final do Mundial em 93 ahaha

Pois bem, leitor. No próximo capítulo, Rogério e Jéssica irão participar do arco crossover “Dois dates pra três casais”, onde dois cuzinhos não serão perdoados...

Lisandra dar o cuzinho para Vinicius e acho que chegou a vez da Jessica em....

Parabens Alberto, mas um otimo conto

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Foi muito bom. Bem dinâmica a narração do jogo. Foi emocionante.

Como ficou boa, acredito que repetir a narração do futebol novamente ficará muito repetitivo e chato. Melhor seguir no pós jogo.

Queria que narrasse uma cena de sexo do Enéias com raiva. Sexo com pegada e frustração. Ele pode ser cuzão, mas é um tipão todo padrão como Miguel e como falta homens na história, pode ser interessante. Senão é sempre os mesmos caras e cenas de sexo repetitivas, perdendo a graça.

1- Torço pra uma cena de sexo gostoso entre Rebeca e Carlos, com perda da virgindade anal

2- Torço pra que a Natália faça sexo bem gostoso, tirando toda teia de aranha da bucetinha dela, de preferência com o Érico, pois ele está merecendo tb.

3- Torço para o Vinícius confiante e empolgado pós partida proporcione a Lizandra o orgasmo mais incrível que ela já teve.

4- Torço para que Jonas e Carolina comecem a se apaixonar e colocar fogo de uma modo diferente na série. Jonas apaixonado dever ser um ótimo perigo e Carolina precisa de um cara realmente dedicado como ele.

5- Torço pra Tatiana ter um noite de sexo com Zé Maria e seu Geraldo, com direito a DP. A gata ta merecendo para aguentar o que virá da futura decepção com Miguel.

6- Torço para que haja uma cena de sexo, amor e entrega bem relatada, sem culpa e sem terceiros entre Antônio e Rodolfo.

Com o mesmo cuidado e excitação que teve o relato das lobas, sem pensamentos machistas e homofóbicos.

Enfim, prometeu e entregou um belo conto! Parabéns

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