Jonas: continuação , Início da semana apos visita de Helena

Um conto erótico de Jonas
Categoria: Heterossexual
Contém 2693 palavras
Data: 05/05/2026 12:41:06

Nao sei se vcs sabem mas supermercado em cidade pequena tem uma dinâmica própria. Não é igual a shopping de capital onde você entra, pega o que precisa e some. Aqui você encontra alguém no corredor de arroz e vinte minutos depois ainda está parado ali conversando sobre a vida.

Eu estava comparando duas marcas de IPA quando ouvi a voz da Luana lá do outro lado do corredor, aquele tom que ela usa quando encontra alguém conhecido, mais animado, mais aberto.

Larguei as cervejas no carrinho e fui ver.

Ela estava no meio do corredor de massas com uma menina que eu reconheci na hora. Luciana. Colega de academia da Luana, aquela que aparecia às vezes nos stories dela malhando, sempre com aquele sorriso aberto de quem acorda bem disposta todo dia. Evangélica, noiva, daquele tipo de pessoa que irradia uma coisa boa sem fazer esforço. Bonita de um jeito natural, sem ostentação, cabelo escuro, aquele short jeans curto que ela usava mesmo sendo da igreja Batista, o que eu achava engraçado mas era a vida dela.

Do lado dela estava um cara que eu não conhecia, mas deduzi na hora. O noivo. Danilo. Alto, ombros largos, aquela expressão de homem tranquilo que sabe onde está e com quem está.

Mas no segundo em que a Luíza apareceu no corredor vindo do hortifrúti com uma sacola de tomates na mão, eu vi a expressão do Danilo mudar.

Não foi grosseiro. Não foi desrespeitoso. Foi aquela coisa involuntária que acontece com qualquer pessoa ao ver uma mulher linda. Luiza é assim, chama muito a atenção onde chega.. Uma fração de segundo, os olhos pousaram nela um instante a mais do que no resto da cena, e voltaram pra frente rapidinho. Mas eu vi. Quem conhece o jogo vê essas coisas.

E quem não ficaria? A Luíza é daquelas mulheres que não precisa fazer nada pra chamar atenção. Está lá e pronto. A natureza fez o serviço.

A Luana foi apresentando todo mundo com aquela naturalidade dela.

"Luciana, esse é o Pedro, amigo nosso de BH. E essa é a Luíza, mulher dele."

"Que cidade linda, gente," a Luíza disse, genuína. "A gente devia ter vindo antes."

"Fica melhor ainda quando você conhece o entorno," a Luciana disse, e então virou pra Luana. "Luana, porque você não leva eles no rio domingo? Tá fazendo um sol lindo, vai estar ótimo."

A Luana olhou pra mim rapidinho, aquela consulta silenciosa de casal.

Eu dei um leve aceno de cabeça. Por mim tudo bem.

"Seria ótimo," a Luana disse. "O que vocês acham?"

A Luíza não deixou nem a frase terminar.

"Gente, adoraria." Virou pro Pedro com os olhos brilhando. "Pedro, a gente não pode vir no interior e não tomar banho de rio. Isso é crime."

O Pedro abriu um sorriso.

"Crime é palavra forte," ele disse. "Mas concordo."

"Então tá combinado," a Luciana disse, já animada. "A gente encontra lá no domingo de manhã, umas dez? Tem uma sombra boa, a água não tá fria não."

Enquanto a Luciana e o Danilo sumiam em direção ao caixa, a Luíza me puxou pelo braço.

"Jonas, ela é linda," ela disse baixinho, olhos arregalados, com aquela falta de filtro que é completamente dela. "E esse noivo dela ficou me olhando."

"Eu sei," eu disse.

"Você viu também?"

"Vi."

Ela me olhou com aquela sobrancelha levantada e aquele sorriso de canto de boca que eu conheço bem.

"Luíza," eu disse, no tom de quem está encerrando um assunto antes que ele comece.

O Pedro me olhou de longe com aquela cara de o que foi isso?

Balancei a cabeça. Depois eu contava.

Voltamos pra casa com o porta-malas cheio, a noite já fechando sobre a serra, aquele frio úmido de Urubici que não avisa quando chega, apenas está lá de repente.

A Luana e a Luíza foram na frente organizando as compras na cozinha, rindo de alguma coisa que eu não ouvi, aquela cumplicidade delas que sempre me deu uma satisfação específica de ver. O Pedro foi acender a lareira, que ele faz com aquela competência de quem aprendeu certo, sem enrolação.

Eu guardei as cervejas na geladeira, separei duas, fui até a sala.

O fogo já estava pegando.

Me sentei no sofá, passei a cerveja pro Pedro, e ficamos um tempo em silêncio gostoso ouvindo o barulho da madeira queimando e as vozes das duas na cozinha.

"E essa Luciana?" o Pedro perguntou, a voz baixa, sem olhar pra mim.

"Colega de academia da Luana. Evangélica, noiva."

"O noivo ficou olhando pra Luíza."

"Todo mundo olha pra Luíza."

Ele deu um sorriso torto.

"É verdade."

Silêncio de novo. A lareira crepitando.

"Vai ser boa, essa ida no rio," ele disse.

"Vai," eu concordei.

E lá do fundo da casa, vindo da cozinha, chegou a gargalhada das duas juntas, daquelas que saem do fundo mesmo.

O Pedro me olhou.

Eu olhei pra ele.

Os dois sabíamos muito bem o que aquela noite ainda guardava. E os dois estávamos sentados ali com uma calma que era, no fundo, só antecipação bem disfarçada.

Levantei a cerveja.

Ele levantou a dele.

Brindamos sem dizer nada.

Não precisava.

A noite fechou devagar, aquele frio de Urubici descendo com calma, a lareira acesa, a cachaça boa circulando entre as mãos. O Pedro esticado no sofá com a expressão de homem satisfeito com a própria existência. A Luana tinha ido buscar mais lenha. A Luíza estava de pé perto da lareira, esquentando as mãos, o rosto virado pro fogo — aquela luz alaranjada pegando no contorno dela de um jeito que era quase indecente de bonito.

Fiquei olhando por um segundo a mais do que devia.

Ela sentiu. Sem se virar, com aquele radar que ela tem, falou baixo:

— Para.

— Parar o quê?

— De me olhar assim. — Um sorriso no canto da boca, de frente pro fogo. — A noite ainda vai ser longa.

O Pedro abriu um olho do sofá.

— Que noite longa. São dez horas. Eu quero dormir.

— Ninguém vai deixar, — a Luíza disse, finalmente se virando pra ele com aquela expressão de quem está com tudo planejado.

— Luíza —

— Pedro.

Ele fechou o olho de volta.

— Tô velho demais pra isso.

— Você falou a mesma coisa três vezes no ano passado em BH, — ela disse, — e nenhuma delas foi verdade.

A porta da cozinha abriu e a Luana voltou com a lenha, bochechas coradas do frio de fora, aquele cabelo levemente desgrenhado que ela fica quando está de verdade relaxada. Me olhou, leu alguma coisa no meu rosto, olhou pra Luíza, e entendeu tudo em dois segundos.

— O que eu perdi?

— Nada, — eu disse.

— Muito, — a Luíza disse ao mesmo tempo.

A Luana depositou a lenha do lado da lareira, endireitou, colocou as mãos na cintura.

— O Pedro estava se queixando de idade?

— Tava, — eu confirmei.

— Mentira. — Ela disse isso sem hesitar, com aquela convicção tranquila que foi uma facada certeira. — Eu sei o que esse homem aguenta.

O Pedro abriu os dois olhos agora.

— Luana.

— Hm?

— Você prometeu que aquilo ficava entre a gente.

— Eu disse que não contaria detalhes.

A Luíza deu uma gargalhada.

Foi o Pedro quem quebrou o silêncio primeiro — com aquele bocejo lento, exagerado, que ele faz quando quer dar um sinal sem parecer ansioso. Eu o conheço há tempo suficiente pra saber que aquele bocejo não tinha nada de sono.

A Luíza o olhou de lado.

— Muito sutil.

— Obrigado.

Nos levantamos. A Luana foi pra cozinha arrumar o suficiente pra não deixar bagunça pra manhã. Eu apaguei a lareira, empurrei a grade de proteção. Quando me endireitei, a Luíza estava parada no meio da sala, me olhando.

Não era um olhar de convite. Era além disso. Era aquele olhar que pressupõe, que já decidiu, que está só esperando o mundo se alinhar com o que ela quer.

Estendi a mão.

Ela veio.

No corredor, na altura do quarto do casal, ouvi a voz da Luana e do Pedro — baixa, aquela conversa de dois que estão chegando perto, palavras que não precisam ser entendidas pra comunicar tudo. A porta deles fechou com um clique suave. Eu e a Luíza continuamos até o quarto do fundo.

Ela entrou primeiro. Eu fechei a porta e quando me virei ela estava de costas pra mim, levantando o cabelo com as duas mãos, expondo a nuca — aquele gesto que ela sabe muito bem o que provoca.

— Abre, — ela disse simplesmente.

Fui até ela. Encontrei o zíper da lateral da blusa, puxei devagar, deliberado, sem pressa nenhuma. A pele dela aparecendo centímetro por centímetro naquele frio do quarto, aquela temperatura que faz o contraste do toque quente ser ainda mais intenso. Passei os dedos pela espinha dela, de cima a baixo, e ela arrepiou. Quente e frio ao mesmo tempo.

Ela se virou.

Me olhou de perto com aquela seriedade dela de quando está de verdade presente — sem performance, sem o sorriso de sempre. Só ela, inteira.

Pus a mão no rosto dela. O polegar no contorno da bochecha.

Ela fechou os olhos por um segundo, só um segundo, aquela entrega pequena que ela raramente faz e que sempre me pega no meio do peito.

Quando abriu, já estava me puxando pelo colarinho.

Esse beijo foi diferente do primeiro, lá no início da noite. Esse era mais lento. Mais fundo.

Ela foi tirando minha camisa com aquela calma que me enlouquecia — não a calma de quem está inseguro, mas a calma de quem está no controle e sabe disso. Mão espalmada no meu peito, descendo devagar, aquele traçado que ela fazia com os dedos como se estivesse lembrando o que já conhecia.

Eu a deitei na cama com cuidado, fui por cima, e ela me recebeu com aquele sorriso específico..

— Devagar, — ela disse baixinho.

— Devagar, — eu concordei.

E fui.

A Luíza debaixo de mim era um incêndio. Eu não tive pressa, mas não tive dó. Comecei dominando, querendo marcar cada centímetro daquela pele que me assombrava. Afastei as pernas dela com força e mergulhei entre elas, focado na sua buceta. Usei a língua com vigor, concentrado no seu grelo até ouvir aquele som agudo que ela tenta esconder. Eu a chupei com vontade, sentindo o mel dela escorrer pelo meu rosto, enquanto ela enterrava as unhas no meu couro cabeludo, implorando por mais.

Quando não aguentei mais o aperto das pernas dela no meu rosto, me levantei. Tirei minha calça e a rola saltou, latejando, pronta. Posicionei-me entre suas coxas e entrei de uma vez, para marcar território. O ritmo era pesado e visceral; cada estocada fazia a cama de madeira de Urubici ranger. Eu sentia cada espasmo dela, o jeito que ela me prendia querendo que eu fosse mais fundo, quase me fundindo ao corpo dela.

Mas a Luíza não é mulher de ficar apenas no papel de entrega. No meio de uma estocada mais forte, ela cravou as mãos no meu peito e, com uma força que sempre me surpreende, me girou. Em um segundo, eu estava de costas e ela estava montada em mim, os cabelos pretos caindo como uma cortina sobre o rosto, os olhos brilhando de autoridade.

Ela assumiu o comando com maestria. Vi Luíza se elevar, segurando minha rola com uma mão e se guiando devagar, me engolindo centímetro por centímetro enquanto me encarava. Ela começou a cavalgar com um ritmo frenético, os peitos balançando conforme ela batia com força contra meu quadril. "Olha pra mim, Jonas," ela ordenou, e eu olhei, hipnotizado pela visão dela no controle absoluto.

Ela se inclinou para frente, encostando a boca no meu ouvido enquanto continuava o movimento ritmado. "Eu vou gozar tanto que você não vai esquecer esse feriado," ela sussurrou, a voz rouca de desejo. Luíza então mudou o ângulo, sentando com tudo, e eu senti o aperto daquela buceta me esmagando. Foi quando ela atingiu o ápice; o corpo dela deu um solavanco, os músculos internos me sugando enquanto ela gritava meu nome, desabando sobre mim em um estado de puro êxtase.

A noite era nossa e o quarto, com aquele cheiro de madeira e sexo, era o nosso universo. Depois de alguns minutos recuperando o fôlego, eu a virei de costas, deixando-a de quatro sobre os lençóis bagunçados. Explorei cada curva antes de focar no seu cuzinho apertado, passando o dedo úmido ali enquanto voltava a penetrá-la por trás. O contraste era enlouquecendo. Luíza arqueava as costas, pedindo por tudo ao mesmo tempo.

Em um movimento coordenado, eu a trouxe para a beira da cama. Ela se ajoelhou no chão enquanto eu permanecia de pé. Luíza me olhou de baixo, aquele olhar de quem sabe o poder que tem, e envolveu minha rola com as mãos, começando a me chupar com uma técnica que me fazia perder o chão. Ela ia até o fundo, os olhos fixos nos meus, me desafiando a aguentar. Quando senti que ia explodir, segurei sua cabeça e descarreguei tudo. Ela não desviou o rosto; deixou que eu fosse até o fim e, com uma naturalidade que me desarmou, terminou de me engolir por completo, limpando cada gota com a língua antes de me dar um sorriso vitorioso

Depois ficamos deitados, o teto do quarto em cima da gente, a respiração voltando ao normal devagar. Ela virou o rosto pra mim com os olhos pesados.

— Esse feriado tá sendo bom.

— Tá, — eu disse.

— Amanhã o rio.

— Amanhã o rio.

Ela fechou os olhos. Em menos de dois minutos a respiração ficou longa, regular — a Luíza dorme com a mesma decisão com que faz tudo.

Acordei antes dela.

A luz de Urubici de manhã cedo tem uma qualidade específica — aquela luz fria e limpa de altitude que entra pelas frestas da cortina e não pede licença. Não é a luz preguiçosa de cidade grande. É uma luz que diz que o dia começou e que você deveria considerar fazer o mesmo.

A Luíza estava de lado, de costas pra mim, o cabelo espalhado no travesseiro, aquela respiração longa de sono profundo. Tinha puxado a manta pra cima do ombro durante a noite — e eu sabia, porque ela sempre fazia isso, que em algum momento ela ia acordar reclamando de frio nos pés sem conectar que tinha sido ela mesma que havia descoberto.

Fiquei olhando pra ela por um momento.

Existe uma intimidade específica em acordar do lado de alguém que não é sua mulher e sentir aquilo como coisa boa, coisa certa, coisa que não quebra nada mas adiciona. Levei um tempo pra entender esse sentimento. Mas entendia agora.

Me levantei com cuidado, sem fazer barulho, e saí pro silêncio da manhã.

A cozinha estava fria e vazia. Coloquei água pra ferver, achei o café coado de ontem na garrafa térmica — ainda quente o suficiente, milagre — e fui até a varanda com o copo.

A névoa ainda encostada nas bordas do vale, as montanhas atrás dela com aquele verde que parece inventado, o ar tão limpo que dói um pouco nos pulmões nos primeiros goles. Nenhum barulho de trânsito. Um pássaro lá longe, o vento passando leve pela copa das araucárias.

Foi quando ouvi o barulho da porta da cozinha.

Me virei.

A Luana. De moletom grande, cabelo solto ainda bagunçado de sono, aquela expressão de manhã cedo que é só dela — nem de bom humor nem de mau, só presente, acordando devagar como ela sempre acorda.

Me olhou. Eu a olhei.

Tinha uma pergunta silenciosa entre a gente que nenhum dos dois precisou formular em palavras.

Ela veio até a varanda, ficou do meu lado,

pegou o copo da minha mão sem pedir, tomou um gole do meu café.

— Foi bom? — ela perguntou, olhando pro vale.

— Foi. E vocês?

Ela demorou um segundo. Um sorriso pequeno veio devagar.

— O Pedro vai sentir na coluna por dois dias.Sentir uma leve pontada de ciúmes, dei uma risada baixa que saiu mais longa do que eu esperava.

Ela me devolveu o copo. Encostou o ombro no meu.

Ficamos os dois assim, olhando pra manhã que estava se abrindo lentamente sobre as montanhas — o café dividido, o silêncio bom entre a gente, lá dentro o Pedro e a Luíza ainda dormindo.

O domingo tinha o rio.

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