Cheguei em casa no domingo, por volta das 23h. Assim que entrei, Letícia me recebeu com um abraço apertado e demorado; ficamos conversando por um bom tempo antes de finalmente dormirmos. Os dias se seguiram e notei que ela havia mudado completamente. A indiferença deu lugar a uma postura radiante e próxima, embora ainda não tivéssemos transado. Enquanto isso, Jaque continuava safada como sempre, e aproveitávamos cada oportunidade para ficarmos juntos. Quinze dias após a viagem ao sul, ela me disse:
— Pai, tô dando o meu jeito com a Vanessa e a Miriam, mas vou precisar da sua ajuda.
— Pra quê?
— Você vai ter que se envolver no meu plano — ela disse, misteriosa.
— Que plano?
— Confia em mim. Se eu contar agora, pode estragar.
— Eita...
— Calma que você vai gostar.
Os dias correram. Já estávamos no fim de abril quando Jaque me avisou:
— Pai, preciso marcar um encontro com você e a Van.
— Van? Quem é Van?
— Vanessa, pai.
— Nossa, quanta intimidade! Mas sobre o que seria?
— Na hora você vai saber.
Liguei para a Vanessa. Minha filha, que estava ao meu lado, sugeriu um almoço no sábado, já que à noite ela sairia com o namorado. No dia marcado, fomos ao restaurante. Ela não me deu pista alguma, mas eu imaginava que o assunto, inevitavelmente, era a Miriam.
Vanessa chegou atraindo olhares. Usava uma calça jeans justa que realçava sua bunda dura e empinada, e uma camiseta que valorizava o decote de forma irresistível. Estava usando óculos, além de uma maquiagem básica, realçando seu cabelo ruivo. Sentamo-nos e a conversa fluiu leve até o pedido do almoço, quando a curiosidade dela finalmente falou mais alto:
— Bom, vocês me chamaram aqui. Do que se trata, afinal?
— Eu realmente não sei — respondi, passando a bola. — A Jaque é quem está no comando. Fala, filha, o que é?
Jaque assumiu uma postura séria, mas com um brilho no olhar.
— Bom, eu andei conversando com a Miriam. Tentei entender o mundo dela, compreender seus medos e desejos... e descobri algo que podemos explorar. Ou, pelo menos, que a Vanessa pode explorar.
— Explorar? — Vanessa arqueou a sobrancelha, intrigada. — Referente ao quê?
— Ah Vanessa, sem joguinhos! Sobre o fato de você querer pegar a própria filha!
— Fala baixo, menina! — repreendeu Vanessa, olhando ao redor. — Ninguém pode ouvir uma coisa dessas.
— Pegar a própria filha — Jaque sussurrou, a voz quase sumindo, apenas para que nós três ouvíssemos.
— Tá, e o que você descobriu? — perguntou Vanessa.
— Ela está em uma fase de descobertas, cheia de curiosidade. Ela já transou com mulheres.
— Ela já transou? — Vanessa deixou escapar, os olhos arregalados.
— Sim, com uma menina da faculdade e com a professora de inglês dela.
— Eu não esperava isso dela... — comentou Vanessa, surpresa. — Sempre pensei que ela fosse hétero.
— Olha, isso eu já não sei. Mas ela me contou que aconteceu mais de cinco vezes.
— Hum, certo. Mas isso, por si só, não significa muita coisa — rebateu Vanessa, tentando manter o pé no chão.
— Só isso não... mas o que vem agora, sim.
— O quê, Jaque? Conta logo! — exigi, já sem paciência para o mistério.
Eu escutava tudo aquilo sem dizer uma única palavra, apenas observando, em choque, o quão depravada minha filha havia se tornado. Ela pegou o celular, mas hesitou; esperou pacientemente que o garçom nos servisse o almoço e, só depois que ele se afastou, estendeu o aparelho para a Vanessa.
Vanessa mergulhou naquelas mensagens por longos cinco minutos. Eu comecei a comer, embora a curiosidade estivesse me corroendo por dentro. O silêncio na mesa era quase insuportável, até que Vanessa finalmente desviou os olhos da tela e soltou:
— Nossa... ela quer mesmo isso?
— O que ela quer? — perguntei imediatamente, sem conseguir mais me conter.
— Suruba. Orgia — respondeu Vanessa, seca.
Jaque interveio para explicar:
— Pois é, pai. Ela tem esse fetiche. O desejo dela é transar com quatro ou mais pessoas no mesmo ambiente.
— Vixi... — foi a única coisa que consegui murmurar.
Vanessa terminou de ler e devolveu o celular à minha filha.
— Certo, entendi tudo sobre a vida sexual e as vontades dela. Mas onde você quer chegar com isso? Qual é o seu objetivo?
— Fazermos uma orgia — disparou Jaque, sem piscar.
— Como, menina? — Vanessa reagiu, chocada. — Com eu no meio?
Vanessa me lançou um olhar carregado de malícia, e eu cortei imediatamente:
— Nem ferrando.
— Ah, pai... se você não quiser participar, não tem problema — Jaque deu de ombros, indiferente. — Se rolar, eu vou de qualquer jeito, porque também tenho essa vontade.
Vanessa ponderou por um instante, o olhar perdido, antes de perguntar:
— Tá... mas qual seria o plano exatamente?
— Arranjar mais um ou dois homens. Já temos o meu pai, só faltaria mais um.
— Então seríamos nós três, minha filha e esse extra? — Vanessa tentava processar a ideia.
— Sim. O convidado seria o álibi para não parecer algo arquitetado. Quando estivermos todos juntos, você faz o seu movimento...
— Ela nunca aceitaria isso — murmurou Vanessa, balançando a cabeça.
— Eu faço acontecer — garantiu Jaque. — Não posso dar certeza de que ela vai querer transar com você, mas garanto que ela fica no mesmo ambiente. Eu ajudo a empurrar as coisas.
— Por que você está fazendo isso, Jaque? — perguntei, incrédulo.
— Porque eu quero. E porque sei que a Vanessa quer ainda mais. E então, o que acham?
— Ai, menina... — Vanessa suspirou, dividida entre o medo e o desejo. — E se der errado? Se ela descobrir, nunca mais fala comigo.
— Ela não vai descobrir. Só se um de vocês dois abrir a boca.
— Eu não conheço ninguém que possa participar — disse Vanessa, pensativa. — Tem que ser alguém totalmente desconhecido, alguém que nunca mais vejamos na vida.
— Concordo — Jaque assentiu. — E você, pai? Tudo bem por você?
— Nem ferrando. Não vou ficar assistindo outro homem te comer.
— Bom, aí o problema é seu — ela rebateu, fria. — Sou maior de idade e respondo pelos meus atos.
A comida esfriou no prato. Na verdade, ninguém mais conseguiu comer ali. Fechamos a conta e cada um seguiu seu rumo. No caminho de volta, eu e Jaqueline tivemos uma discussão áspera; eu insistia que aquilo era errado, que eu não concordava, até que ela explodiu:
— Você deveria se preocupar com a mãe dela, não comigo. Ela é a maior interessada! E tem outra: eu arranjei duas mulheres para você e participei ativamente das duas vezes. Poxa, pensa em mim também!
Ela tinha razão. Fiquei calado o restante do trajeto.
Uma semana se passou e, no início de maio, eu adoeci. Foram três dias de cama, consumido pela febre e pelo mal-estar. Letícia foi a única que não saiu do meu lado; cuidou de mim com uma dedicação que me tocou profundamente. Foi naquele quarto, entre calafrios e compressas de água fria, que tomei a minha decisão: eu iria viver com ela.
Minha irmã Yara até apareceu para uma visita rápida, trazida pelo marido, mas eu sabia que o intuito era ver a Jaqueline, pois continuavam se encontrando às escondidas. Assim que melhorei, chamei Letícia:
— Cuida de tudo. Escolha onde quer morar, porque vamos viver juntos. Só tem que ser bem longe daqui.
Ela abriu um sorriso radiante.
— Paraguai, pai?
— Pode ser. Só preciso conversar na empresa para acertar minha demissão.
Ela me envolveu em um abraço tão forte que parecia querer fundir nossos corpos. Ficamos assim por cinco minutos, até que ela sussurrou:
— Nossa, pai... sou a mulher mais feliz do mundo. Você não vai se arrepender.
— Eu sei que não.
Ela me beijou com vontade, uma carícia profunda e demorada. Quando achei que as coisas finalmente esquentariam, ela se afastou abruptamente.
— O prazo ainda não venceu. Até lá, nada de sexo.
— Mas eu já me decidi, Letícia!
— Não, pai. Eu sei que você ainda está saindo com a Jaque. Resolva sua situação com ela primeiro. Quando tudo estiver definido, aí sim nós avançamos.
Ela saiu do quarto flutuando, deixando para trás o rastro de sua felicidade e uma "bucha" enorme para eu resolver. Duas semanas depois, tomei coragem para falar com Jaqueline. Antes mesmo que eu abrisse a boca, ela me atropelou:
— Já sei o que vai dizer. Que vai embora com a Letícia, certo?
Eu travei.
— Como você sabe?
— Ela é minha irmã, né pai? — Jaque deu um sorriso de canto. — Ela me contou tudo o que aconteceu.
— Pois é... decidi viver com ela. Mas queria entender como resolvemos a nossa situação. Você fica ou vem conosco? Estamos vendo uma pequena fazenda no interior do Paraguai.
— Eu vou com vocês, pai. Não vou viver longe da minha família.
— Mas e o seu namorado? — perguntei, surpreso.
— Vou terminar. Gosto dele, mas trai muito ele. Não quero viver com essa culpa para sempre.
— Nossa, filha... que situação.
— Mas tem um porém — ela interrompeu, o olhar ficando mais denso. — A Letícia disse que não se importa que eu more com vocês. Mas eu só vou com uma condição: você tem que participar do meu plano.
— Aquele com a Vanessa? — Senti meu corpo reagir só de imaginar as duas juntas naquela fazenda isolada, mas ela jogou um balde de água fria logo em seguida.
— Sim. Exatamente aquele.
— Ah, não, filha... é demais para mim.
— Pai, é uma noite em troca de uma vida inteira juntos. Será que eu não mereço isso?
Ela me olhou com uma expressão tão provocante que me fez estremecer.
— Se eu topar, você vai mesmo? — questionei, cedendo.
— Se você aceitar, eu vou.
— Tá... faz acontecer. Sua tia Beth chega semana que vem. Fazemos isso depois que ela for embora.
— Combinado. Mas não conte para a Letícia que já resolvemos isso. Vou falar com ela só depois que o plano estiver concluído.
No dia seguinte, a bomba estourou. Letícia anunciou para a família inteira que nos mudaríamos para o Paraguai. O choque foi geral, mas a desculpa estava pronta: uma oportunidade de trabalho irrecusável. Mentira, claro, mas servia para calar os curiosos. Sobre a Jaque, Letícia desconversava, dizendo que estava tentando uma vaga para ela também.
Estávamos empenhados. Compramos um sítio a uma hora de Ciudad del Este e já estavámos começando a embalar os objetos. Até que a Letícia me veio com uma dúvida:
— Pai, a tia Gabi está insistindo muito para eu passar uns dias com ela antes da mudança. Você acha ruim?
— Quantos dias? — perguntei, já calculando o tempo que eu teria a sós com os planos da Jaque.
— Pensei em ficar de uma semana à 10 dias.
— Tudo bem, filha. Depois vai ser mais difícil de você vê-la.
— Exatamente. Sei que vai demorar um pouco para eu voltar ao Brasil.
No dia seguinte, Yara foi à minha casa. Entre um café e outro, o assunto inevitável surgiu. Ela me encarou e perguntou, sem rodeios, se eu estava me mudando por causa da relação dela com a Jaque.
— Não — respondi prontamente. — Eu quero ter outras experiências, é uma oportunidade de crescer na vida.
Yara semicerrou os olhos, sentindo que a conta não fechava.
— Você vai viver com a Letícia?
— Não. É uma oportunidade de emprego.
— Que estranha essa decisão... mas enfim. Vou tentar ir quando puder para ver vocês. Vai ser estranho não ter meu irmão por perto, mas se você acha que é o melhor...
— Sim, é o melhor.
— A Jaque vai? — ela insistiu.
— Não sei. Decisão dela.
Notei uma nuvem de tristeza cobrindo o semblante da minha irmã. Naquele instante, percebi o quanto ela estava emocionalmente envolvida com a minha filha. E, honestamente, aquilo me preocupou.
Dois dias se passaram. Faltava apenas uma semana para a chegada de Beth e a rotina era ditar pelas fitas adesivas e caixas de papelão. Foi quando a Vanessa soube da mudança. Ela entrou em desespero; o grande objetivo que minha filha a fizera acreditar parecia agora desmoronar.
O interfone tocou, quebrando o silêncio do apartamento.
— É a Vanessa que está aqui — avisou o porteiro.
Levei um susto. Ela nunca tinha vindo ao meu endereço. Como eu estava sozinho, pedi que subisse. Assim que abri a porta, ela entrou como um furacão, indo direto ao ponto:
— Vocês não podem ir embora e deixar essa lacuna aberta! Prometeram tentar!
— Como você soube que vamos embora? — perguntei, confuso.
— Minha filha falou que a Letícia a avisou.
Puta que o pariu, pensei. Era verdade. No mesmo instante, a porta se abriu e Jaque entrou na sala.
— Vanessa?
— Oi, Jaque.
— O que você está fazendo aqui?
— Conversando com o seu pai e agora com você — Vanessa respondeu, com a voz embargada. — Vocês não vão sem tentar o que me propuseram.
— Calma, mulher, que angústia! — exclamou Jaque.
— Angústia, nada! Não se pode prometer algo e, do nada, ir embora.
— Mas eu não falei que não vou tentar — rebateu Jaque.
Olhei para Vanessa e vi que sua pele estava vermelha de raiva e nervosismo.
— Então vai manter a sua palavra? — ela pressionou.
— Claro que vou. Mas é como eu te falei: vai ser da forma que eu planejei.
— Se ela concordar, eu topo — Vanessa disse, baixando o tom, quase em um apelo. — Eu só quero ter ela por perto.
— Calma — interrompi, tentando baixar a temperatura da sala. — Vamos dar um jeito.
Quinze minutos depois, Vanessa foi embora, mas o silêncio não durou muito. Para minha surpresa, ela voltou na quinta-feira, novamente tomada pela preocupação. Naquele momento, apenas eu e Jaque estávamos em casa; Letícia ainda estava na faculdade.
Vanessa nos pressionava, quase descontrolada, com medo de que o tempo não fosse suficiente para seus planos darem certo. Mais uma vez, Jaque assumiu as rédeas e a tranquilizou, dizendo que tinha um plano em mente. No entanto, assim que a porta se fechou e Vanessa partiu, minha filha desabou:
— Pai, eu não sei o que fazer — confessou ela, a voz carregada de incerteza.
A sexta-feira chegou trazendo consigo a ansiedade do TCC da Letícia e a chegada de Beth. A casa estava em polvorosa. Por volta das nove da noite, o interfone tocou: minha irmã junto com a minha sobrinha estava na portaria. Quando ela entrou, me deu um abraço apertado, diferente, muito mais acalorado do que o de costume.
— Que saudade, Paulo! — ela disse, ainda me segurando.
Elas estavam simplesmente deliciosas. Beth usava um vestido todo preto, que mesmo largo, deixava evidente o quão gostosa minha irmã é. Minha sobrinha estava usando sua calça lycra que deixava qualquer homem exitado. Seu corpo magro, definido, com peitos médios e bunda grande fazia eu ficar ofegante quando ela se aproximava.
— Não sabia que a Juliana ia vir com você, Beth.
— Eu também não, ela decidiu de ultima hora. Conseguiu férias do namorado e do trabalho.
Começamos a conversar sobre tudo, principalmente a vida de Beth com Jorge e os últimos acontecimentos, mas o sossego durou apenas quarenta minutos. O interfone tocou novamente enquanto Juliana estava na cozinha preparando um lanche. Era Vanessa.
— É a Vanessa lá embaixo — avisei, sentindo um frio na espinha.
— Ela não pode me ver! — Beth exclamou baixinho, levantando-se num salto.
— Calma, ela já sabe de nós.
— Como assim, sabe?
— Ela viu meu Instagram antes mesmo daquela vez no motel...
— Como você é burro, Paulo! — Beth disparou, entre os dentes.
Abri a porta e Vanessa entrou, dando de cara com Beth. Seus olhos se arregalaram por um segundo, mas antes que minha irmã pudesse esboçar qualquer reação, Vanessa foi direta:
— Nossa, desculpa. Não sabia que sua irmã estava aqui.
— Pois é, ela chegou de viagem hoje — respondi.
— Ah, é? Legal. Boa viagem, Beth.
— Vanessa, não é? — Beth começou, visivelmente sem jeito. — Desculpa, o Paulo me contou que você sabe que sou a irmã dele e...
— Calma, Beth. Está tudo bem — interrompeu Vanessa, com uma frieza surpreendente. — Eu já sabia antes mesmo de acontecer. O segredo de vocês está seguro. A Jaque está?
Nesse momento, Juliana apareceu e mediu Vanessa de cima a baixo. A ruiva retribuiu o olhar e cumprimentou minha sobrinha.
— Essa aqui é a minha filha, Juliana! — Beth apresenta.
— Prazer, Juliana. Meu nome é Vanessa. Sou amiga do seu tio e conheci a sua mãe na última visita.
— Prazer, Vanessa — respondeu a menina.
— Não, a Jaque foi para a casa de uma amiga. — Respondo a pergunta de Vanessa.
— Ah, era melhor eu ter ligado. Depois eu volto.
Assim que ela saiu, respirei fundo e contei para Beth como as meninas a haviam conhecido — omitindo, claro, o interesse real dela por sua filha. A noite seguiu e as meninas chegaram, esticando a conversa com a tia e a sobrinha até a madrugada. O cansaço me venceu no sofá, enquanto Beth se acomodava no quarto da Letícia e Juliana na de Jaque.
No dia seguinte, o clima mudou. Beth acordou decidida: queria ir para a balada. Jaque preferiu ficar com Juliana, pois iriam em uma festa, mas Letícia, Yara e Carlos confirmaram presença. Depois de muita insistência, acabei cedendo. Fui perguntar o local onde iríamos e era uma balada open bar na Vila Madalena, chamada Spritz Bar. Saímos de casa por volta das 22h e as 23h estávamos dentro do local.
A música estava alta e as luzes cortavam o ambiente. Enquanto eu e Carlos tomávamos nossas caipirinhas e jogávamos conversa fora, as meninas se jogavam na pista. Beth, já visivelmente alterada pela bebida, aproximou-se de dois rapazes. No início, não dei importância; ela sempre foi comunicativa. Mas o cenário mudou rápido quando um deles a puxou e começou a beijá-la no meio da pista.
Yara veio em minha direção, o rosto tenso sob as luzes estroboscópicas.
— Paulo, tira a Beth dali! — ela gritou por cima do som. — Ela está bêbada, olha o que está fazendo!
Naquele momento, eu soube que o curso daquela viagem tinha acabado de mudar completamente.
Fui até ela e a tirei dos braços daquele homem, que aparentava ter seus 30 anos. Assim que ela retornou ao nosso grupo, Yara lhe deu um sermão, lembrando-a de que era casada. No entanto, trinta minutos depois, Beth voltou para perto daqueles dois homens. O sujeito insistia em beijá-la, mas antes que eu pudesse intervir, uma mulher surgiu gritando. Era baixa, por volta de 1,60m, loira, cabelo bagunçado, peitos pequenos, e uma bunda enorme. Tinha marca de bíquini e era simplesmente linda. Olhos castanhos claros e na casa dos 25 anos.
— Solta o meu noivo, sua vagabunda! — gritou, desferindo um tapa no rosto da minha irmã.
A confusão se instalou. Yara e Letícia avançaram na mulher e tivemos que separá-las. No meio da gritaria, as ofensas ecoavam: — Nunca mais beije um homem casado!. Olhei para Beth e vi seu rosto marcado, vermelho. Após alguns segundos de caos, o casal foi embora. O clima pesou e decidimos que era hora de ir também.
No Uber, ao contrário de Yara, Letícia não julgou Beth. Ao chegar tomamos banho e dormimos. No dia seguinte, Jaque e Juliana soube do ocorrido e quase perderam a cabeça. Revoltadas, diziam que se estivesse lá, a mulher apanharia e que ninguém encostaria a mão em sua mãe/tia.
Enquanto isso, meu desejo por Beth e Juliana só crescia. Cada vez que as vias, elas pareciam mais atraente, e eu percebia que retribuiam meus olhares. O medo de que Jaque ou Letícia suspeitassem de algo, porém, nos mantinha em silêncio.
A semana passou rápido. Letícia viajaria para Goiás por dez dias na sexta. Na despedida, disse que esperava Beth e Juliana em nossa nova casa no Paraguai no fim de 2025. No sábado, achei que Jaque sairia, nos deixando sozinhos, mas ela surpreendeu logo cedo:
— Se arrumem, vamos para a balada!
— Que balada, Jaque? — Beth perguntou, receosa.
— Aquela da briga.
— Eu não vou.
— Vai sim. A diferença é que agora você vai com a sua sobrinha e sua filha. Se alguém chegar perto, vai apanhar. Ninguém bate na cara da minha tia e sai ileso.
Acabamos cedendo. Por volta das 19h, saímos nós quatro: Beth, Juliana, eu e Jaqueline. Paramos em um bar. Tomávamos algumas cervejas quando o celular da Jaque tocou. Era Vanessa.
— Oi, Van! Tô aqui com meu pai, minha prima e minha tia. Vamos para a balada agora.
— Quer ir? — Jaque perguntou ao telefone. — Tá, a balada é a Spritz Bar, na Vila Madalena. Devemos chegar às 23h. A Miriam vai? Tá bom, te esperamos lá.
Ao desligar, ela avisou:
— A Vanessa e a Miriam vão hoje.
Um frio na barriga me percorreu naquele momento. Ficamos conversando e bebendo até o horário, então seguimos para a balada, que era ali perto. Pagamos a entrada e, novamente, era open bar. Vanessa e Miriam já estavam lá. Miriam usava um vestido totalmente preto. Estava simplesmente linda. Baixinha, com um tamanco alto, rosto maquiado e um corpo cheiroso. Fazia qualquer homem se ajoelhar por sua beleza. Vanessa estava usando calça jeans bem apertada, camiseta preta que deixava metade da barriga para fora, sandália, e novamente uma maquiagem que realçava seus olhos claros e seu cabelo ruivo; as duas estavam simplesmente deliciosas.
A princípio, o pessoal do final de semana passado não apareceu. Conversávamos e bebíamos em uma noite leve, mas tudo mudou por volta da meia-noite. Os dois rapazes entraram. Eu não percebi de imediato, mas Beth os viu e emudeceu. Para completar, a mulher que tinha batido nela também apareceu. Ela estava atraente, usando um short minúsculo e uma regata. As marcas de biquini eram muito evidente. Sua bunda era redonda, e enorme. Seu cabelo era bagunçado, então e entendi que era o estilo dela. Olhos pretos e um rosto angelical.
Beth ficou inquieta, incomodada, até que notei a presença deles. Nossos olhares se cruzaram e os três vieram em nossa direção. Ao chegar, a mulher tomou a iniciativa:
— Oi, tudo bem? Quero me desculpar pelo tapa.
Não houve tempo para resposta. No mesmo instante, Jaque levantou-se e partiu para cima dela.
— Então foi você que deu um tapa na cara da minha tia, sua cachorra?! — gritou, agarrando o cabelo da mulher.
Pelo sotaque, ela era do Nordeste. As duas caíram no chão e o caos começou. Tivemos que separá-las, e até Beth interveio. Os rapazes se aproximaram, tentando acalmar os ânimos:
— Calma, moça! Ela só veio pedir desculpas.
— Ela o que sua? — Jaque questionou, bufando.
— Minha futura esposa. Casamos semana que vem.
Beth ficou pálida, e eu também. Enquanto as duas se levantavam e limpavam a roupa, o segurança se aproximou, furioso:
— Se vocês não pararem agora, jogo todo mundo na rua! Já deu!
Elas se afastaram, mas a discussão continuou em tom mais baixo:
— Você é louca, menina? — perguntou a mulher, ajeitando-se.
— Louca é você, de bater na minha tia! Eu e ela, apontando para a Juliana, vamos te dar uns tapas.
— Eu perdi a cabeça... vim pedir desculpas. Posso falar com você, mulher? — disse ela, dirigindo-se a Beth.
— Pode, claro — Beth respondeu.
As duas se afastaram um pouco para conversar. Um dos rapazes veio falar comigo, com um ar de arrependimento:
— Oi, tudo bem? Vim pedir desculpas pelo ocorrido. Minha noiva perdeu a cabeça.
— Claro que ia perder... você beijando outra mulher — retruquei.
— Não deveria ter acontecido, tínhamos um trato... mas enfim, desculpa aí.
Vanessa, Miriam, Juliana e Jaque estavam ao meu lado. Curiosa e sem papas na língua, Jaque disparou:
— Que trato é esse?
— Bom, a gente não é daqui. Moramos na Paraíba — explicou um deles. — Ela é minha noiva e estamos no Rio para aproveitar os últimos dias de solteiros. É uma despedida de solteiro conjunta, para falar a verdade.
Jaque olhou para o outro rapaz e questionou:
— E você?
— Sou o irmão dela — respondeu ele. — Eles estão ficando na minha casa.
— Entendi... mas que tipo de despedida é essa? Não ficou claro.
— Decidimos que poderíamos ficar com outras pessoas até o dia do casamento — explicou o noivo. — Eu posso ficar com quem quiser e ela também. Mas, na primeira vez que aconteceu, ela surtou.
— Oxi, que coisa estranha! — Jaque exclamou, rindo. — E você, que é irmão dela, acha isso normal?
— Ela é minha irmã, não minha namorada. O chifrudo é ele! — disse o rapaz, caindo na gargalhada.
Jaque ficou pensativa por um instante e foi ao encontro de Beth e da noiva, que agora eu sabia se chamar Roberta. Ficaram uns 15 minutos conversando, enquanto eu, Vanessa e Miriam socializávamos com os rapazes. De repente, o estresse tinha evaporado e o clima voltou a ficar leve.
Mas Jaque tinha um plano. Ela começou a "panturrar" todo mundo com bebida. Quando me apresentou aos rapazes, me chamou de amigo, e não de pai — apesar de sermos idênticos. Apenas Beth continuou com o título de "tia".
Beth, ao saber do trato deles, começou a se jogar para os rapazes. Miriam e Jaque entraram no jogo, conversando e provocando, enquanto Vanessa e a minha sobrinha não saiam do meu lado. Já passava das duas da manhã quando Jaque foi até Roberta e disparou:
— Roberta, né? Deixa eu te falar: minha tia quer beijar o seu noivo. Vai deixar ou vai ter crise de ciúmes de novo?
— Se ele quiser, não ligo — Roberta deu de ombros. — Depois eu arranjo alguém e dou o troco.
— Que mulher insegura... — provocou Jaque.
— Insegura nada! Ele tem uma mulher gostosa na vida dele, mas quer experimentar outras antes de casar? Quem perde é ele, já que vou dar o troco se acontecer.
— Minha tia está a fim dele — continuou Jaque, decidida. — E a ruivinha aqui deve ficar com seu irmão também, só para constar.
Roberta revirou os olhos, mas não impediu. Em poucos minutos, Rafael, noivo da Roberta, estava beijando Beth, enquanto Kalel, irmão, beijava Miriam. Vanessa não tirava os olhos da filha; parecia prestes a surtar e interromper a cena, mas se conteve. Jaque voltou para perto de Roberta:
— E você? É bi? Hétero? Qual é a sua?
— Por que quer saber?
— Curiosidade.
— Já sei... você quer me pegar — ironizou Roberta.
— Não curto baixinha, não. Mas meu amigo ali gosta — Jaque apontou para mim. — E a namorada dele também, apontando para a Vanessa.
— Calma, menina! Que porra é essa? Me respeita! — Roberta se assustou.
— Ué, só falei a verdade.
— Que conversa estranha... vou pegar uma bebida.
Assim que ela se afastou, Jaque sussurrou para nós:
— Falem que querem pegar ela. Vai ser hoje. Se prepara, Vanessa!
Vanessa mudou de semblante na hora. Ficou em alerta e virou um copo de Sex on the Beach de uma vez. Eu fiquei sem reação. Roberta voltou com um copo de Lagoa Azul e ficou observando o centro da pista, onde Beth e Miriam trocaram de parceiros e continuaram os beijos.
— Que safados — comentou Roberta, visivelmente incomodada. — Sua tia e aquela piriguete também não perdem tempo.
Antes que Vanessa pudesse explodir, Jaque soltou a isca:
— Por que não dá um troco à altura?
— Troco? — Roberta perguntou, confusa e tentada.
— Sim — respondeu Jaque, com um sorriso enigmático.
— Como? — Roberta questionou, mas não teve tempo de terminar.
Jaque avançou e selou os lábios de Roberta em um beijo que começou curto, mas logo se intensificou. Eu vi claramente a língua da minha filha invadir a boca da loira, que não ofereceu resistência. Assim que se separaram, Jaque emendou:
— Agora, dá um beijo no meu amigo.
Roberta veio em minha direção e me beijou. Senti sua língua quente e deliciosa; era um beijo carregado de raiva, um desejo nítido de vingança. O contato durou poucos segundos, pois logo em seguida Jaque puxou Vanessa e a fez beijar a Roberta. As duas se entregaram com tanta intensidade que parecia que iriam transar ali mesmo, no meio da pista. Juliana ficou olhando para aquela cena sem piscar o olho. Ao terminar, Roberta ofegou:
— Vocês são loucos!
— Não somos — rebateu Jaque. — Só não achamos justo eles aproveitarem a liberdade e você não.
— Com certeza... não é justo mesmo — Roberta concordou, limpando o canto da boca.
— Se eu fosse você, daria o troco.
— Que tipo de troco?
Jaque baixou o tom de voz, mas manteve a autoridade:
— Minha tia quer dar para o seu noivo. A ruivinha também. O seu irmão quer comer as duas e elas vão topar uma suruba. Por que não misturamos tudo e fazemos a sua verdadeira despedida de solteira?
— Todo mundo junto? — Roberta arregalou os olhos.
— Sim. Os 9.
— Nem pensar! Você tá louca? Ficar no mesmo espaço que meu noivo enquanto ele come outra mulher?
— Ué, você também vai estar sentando em outra rola. É a vingança perfeita, não é? E meu amigo aqui é ótimo de cama.
Eu ia falar algo, mas Jaque me cortou:
— Quieto, Paulo! Diz se você não quer comer essa gostosa?
Jaque segurou a mão de Roberta e pediu para ela dar uma voltinha. Eu escaneei cada centímetro daquele corpo delicioso enquanto ela girava; Vanessa e Juliana também não tiravam os olhos dela.
— Porra, vocês são foda... mas a resposta é não — Roberta tentou resistir. — Aquele outro rapaz é meu irmão, eu não vou transar no mesmo ambiente que ele! E você? No mesmo espaço que a sua tia? Que depravação é essa?
— É só ficarmos em cantos opostos. Vocês nem vão se ver pelados — insistiu Jaque.
Roberta virou o restante do seu copo de uma vez. O álcool parecia ter dado o empurrão final.
— Caralho... que proposta louca. Mas viemos ao Rio para fazer loucuras. Será que eles aceitam?
— Com certeza! Seis gostosas para três caras? — Jaque sorriu. — A gente estabelece que ninguém é de ninguém e a noite é nossa.
— Tá... se eles toparem ir todo mundo junto, eu me animo.
Jaque abriu um sorriso vitorioso e foi até o grupo. Após alguns minutos de conversa baixa, todos vieram em nossa direção.
— Pronto! Aceitaram.
— Ah, claro... são homens, né? — Roberta comentou, já entregue ao plano. — Bom, vamos?
— Paulo, sua filha é louca! - Diz, Beth — bem baixinho.
— O que ela falou?
— Falou que se toparíamos uma orgia: E que pegaríamos três ambientes para que não ficassemos todo mundo junto.
Ao lado ouço:
— Filha, você vai mesmo?
— Ah, to bebada mãe. Mas a Jaque disse que ficaremos distantes uma da outra. Se fossemos todo mundo junto eu não ia aceitar! Magina... Transar ao lado da minha mãe.
Percebo o semblante de decepção no rosto da Vanessa qando ouviu.
E assim que Beth foi em direção ao Rafael, Juliana fala no meu ouvido:
— É tio, fez de tudo para que não rolasse orgia lá na minha cidade, e agora vai ter aqui na sua.
— Quieta menina. Culpa da sua sobrinha que me fez aceitar.
— Ah, mas não é tão ruim né? Seis mulheres para três homens...
— Só ninguém pode saber que somos família.
— Só ficarmos distantes um do outro...
— Mas para onde? - Pergunta Kalel.
— Motel, né? — finalizou Jaque, liderando o caminho.
O movimento de saída começou. Antes de pedirmos o Uber, Jaque se aproximou de mim e da Vanessa com um olhar decidido.
— É agora ou nunca. Toma, pai — disse ela, tirando uma pílula do bolso.
— O que é isso? — perguntei, confuso.
— Tadalafila. Sabia que um dia você ia precisar.
Não pensei duas vezes e tomei na mesma hora. Vanessa me lançou aquele olhar malicioso e provocou:
— Melhor animar a "minhoca" mesmo, porque você vai usar. Tô curiosa para ver até onde isso vai.
Decidimos descer dos carros alguns metros antes do motel para entrarmos todos juntos. Dividimo-nos em três Ubers: Rafael, Juliana e Roberta no primeiro; Kalel, Vanessa e Miriam no segundo; e eu, Beth e minha filha no último. Antes de sairmos do carro, a apreensão da Beth transbordou:
— Paulo, sua filha vai participar disso com você?
— Calma, tia! — Jaque interveio. — Não vou transar com meu pai. Esse motel é grande, vamos ficar bem distantes.
— Vocês são loucos — resmungou Beth.
— Não vem com essa, tia. Você foi a primeira a aceitar!
— Mas só agora a ficha caiu...
— Relaxa. A Vanessa e a Miriam são mãe e filha e também estão indo. A Jú aceitou sem falar um "A".
— Elas são elas. Vocês são vocês — rebateu Beth, nervosa. — Por favor, fiquem longe um do outro!
— Fica tranquila, tia. Vamos manter distância.
O celular vibrou. Era uma mensagem de WhatsApp da Vanessa:
"A Jaque me paga. Tô aqui no Uber vendo esse otário passar a mão na perna da minha filha e tentando passar na minha também. Espero não me arrepender disso."
Tentei acalmá-la, mas ela estava possessa:
"Calma nada! Um arrombado desses encostando numa menina preciosa como a minha... E o pior é que não posso falar nada, porque ele acha que somos apenas amigas. E ele ainda mandou essa: 'Não vejo a hora de comer duas ruivinhas'."
Dez minutos depois, nos encontramos no ponto combinado. Eram duas da manhã. Seguimos a pé até a recepção do motel. A recepcionista levou um susto, achando que era um assalto, mas relaxou quando minha filha tomou a frente.
— Quantos quartos? — perguntou a funcionária, confusa.
— Um quarto só. Para todo mundo — respondeu Jaque. — Queremos aquele com três ambientes.
— Mas... esse é para orgia — alertou a mulher, sem jeito.
— Sim, moça. Viemos aqui para jogar xadrez — ironizou Jaque.
— Calma, Jaque! — repreendi.
Visivelmente sem graça, a recepcionista pediu o pagamento antecipado. Eu, Rafael e Kalel dividimos a conta da pernoite. Seguimos para o quarto, que ficava mais isolado, como se fosse um chalé, garantindo total privacidade.
As portas se abriram, e todos entraram.