Jonas: Início da semana apos visita de Helena

Um conto erótico de Jonas
Categoria: Heterossexual
Contém 2018 palavras
Data: 04/05/2026 12:35:03

Olá meus amigos, como estão passando? Deixa eu contar como foi meu inicio de semana depois da nossa hóspede ter ido embora.

Aquela semana com o Lázaro no trabalho foi a coisa mais estranha que já vivi. Quando o Lázaro chegou na segunda de manhã, bronzeado, satisfeito, me dando aquele abraço de homem que fechou negócio, alguma coisa pesada pousou no meu peito e ficou lá o dia inteiro.

Não era culpa. Pelo menos não exatamente. Era vizinha da culpa, daquelas que você faz questão de não encontrar no corredor mas que aparecem na hora errada do mesmo jeito.

Trabalhamos normalmente. Reunião, relatório, almoço, o papo de sempre. Meu cérebro estava em outro lugar — em outro fim de semana, em outra cama, em gemidos que não eram da minha mulher. No final do expediente ele encostou na minha mesa com aquele sorriso aberto dele.

— Cara, a Helena tá feliz demais com vocês.

Levantei o rosto do computador.

— É?

— É. Disse que a Luana a tratou super bem, que se sentiu em casa, que foi um dos melhores finais de semana que ela teve em muito tempo e que numa próxima viagem minha, gostaria de repetir a dose.

Sorri. Falei que as portas da minha casa estavam abertas para eles.

Cheguei em casa e a Luana estava na cozinha mexendo numa panela, de shorts e camiseta, cabelo preso, aquele modo meditativo dela quando cozinha. Contei sobre o Lázaro. Ela ouviu quieta com aquela expressão que só eu sei ler — não é distância, é processamento. Quando terminei, deu um sorriso pequeno.

— Fico feliz que ela tenha ficado bem.

— É verdade?

— É verdade. Gosto dela.

Fui sentar na cadeira da cozinha, cotovelos na mesa.

— Lu. Fiquei me sentindo mal o dia inteiro. Ficar ouvindo ele falar de amizade de verdade enquanto eu sei de uma coisa que ele não sabe...

Ela desligou o fogo. Veio sentar do meu lado, colocou a mão no meu braço — aquele toque simples dela que sempre diz mais do que palavras.

— O que aconteceu foi uma escolha dela, Jonas. A atitude foi dela. Não é responsabilidade nossa carregar segredo do casamento dos outros.

— Eu sei. Mas falar é mais fácil do que sentir.

— Eu sei. — A mão não saiu do meu braço. — Mas você não fez nada errado. Nenhum de nós dois fez.

Ficamos um momento assim, quietos, o peso assentando no lugar certo. E então ela mudou de tom.

Daquele jeito dela que eu reconheço na hora.

— A Luíza me mandou mensagem hoje.

Levantei a cabeça.

— Ela e o Pedro vêm nos visitar. Chegam na sexta à noite, voltam na segunda.

Me levantei da cadeira sem perceber.

— Sério?

— Sério.

A Luana deu uma gargalhada.

— Você tá parecendo menino, Jonas.

Eu estava. Daquele jeito simples, limpo, sem camadas. A Luíza e o Pedro em Urubici. Nossa casa. Aquele frio da serra, a lareira, a cachaça boa — e uma intimidade compartilhada que a gente tinha construído devagar e que eu já sentia falta de um jeito que não esperava.

O feriado chegou num piscar de olho.

Na sexta à noite, o carro do Pedro entrou no portão e antes que a Luana chegasse na porta eu já estava na varanda. Ele desceu com aquela presença tranquila dele, sorrindo, braço pro alto. E a Luíza — cara. A Luíza não desce de carro. Ela aparece. Cabelo bagunçado de viagem, batom vermelho que tinha resistido às quatro horas de estrada, aquela energia que parece um grau acima do ambiente em que entra.

Abraços, barulho, a Luana rindo de um jeito que eu não ouvia há tempo. O Pedro e eu nos apertando com aquela força de quem tem história junto.

Jantamos longo, vagaroso, com o vinho bom que Pedro tinha trazido de Belo Horizonte. A conversa foi de tudo — trabalho, viagem, uma história absurda dele numa reunião em São Paulo, a Luíza contando de um aluno que tinha escrito uma redação genial e sem vergonha ao mesmo tempo. Foi bom. Simples e bom.

A Luana levantou pra recolher os pratos daquele jeito automático dela. Eu estava terminando o vinho quando o Pedro se inclinou levemente, abaixando a voz.

— Jonas. Posso matar a saudade do beijo da Luana?

Eu o olhei por um segundo.

— Tudo bem. — Sorri. — Porque eu estou com muita vontade relembrar o beijo da Luíza.

Ele riu baixinho. Bateu levemente no meu ombro. Nos levantamos quase ao mesmo tempo.

Andei pelo corredor até o quarto do fundo onde a Luíza tinha ido guardar as coisas da mala. Porta entreaberta, luz do abajur acesa, aquela penumbra dourada que a luz baixa faz nas paredes antigas.

Empurrei de leve.

Ela estava de costas, abaixada na mala aberta, a camiseta levantando um pouco quando se curvou — revelando aquela curva do lombo que eu tinha guardado debaixo das minhas mãos como memória muscular. O cabelo caindo de lado, uma mecha presa atrás da orelha.

Ela ouviu meu passo e se virou.

E abriu aquele sorriso. Veio com aquela naturalidade de quem não precisa de protocolo, sem a estranheza de quem ficou tempo demais longe. Chegou e caiu nos meus braços num movimento só, e eu a recebi fechando os braços em volta dela, sentindo o perfume dela. Então veio o beijo. Não teve nada de romântico; foi um ataque. A boca dela tinha gosto de vinho e uma fome que me fez perder o chão. Puxei o corpo dela contra o meu e senti o volume dos peitos dela esmagados no meu peito. Minha mão desceu direto, apertando aquela bunda com força, enquanto a língua dela invadia minha boca, explorando tudo. Eu queria sentir o peso dela, o cheiro de mulher excitada que já dominava o ar. O frio de Urubici morreu ali mesmo.

Ardente desde o primeiro segundo. Sem introdução, sem titubeação. A boca dela sabia o caminho e não perdeu tempo. As mãos foram pro meu pescoço, eu a puxei pela cintura, e a gente ficou ali, com o frio de Urubici do lado de fora e a luz baixa do abajur dentro — num beijo que tinha saudade e calor e uma promessa clara do que aquela noite ainda ia trazer.

Quando nos separamos, os dois respirando diferente, ela me olhou por um segundo depois daquele beijo com a expressão de quem tomou uma decisão — e antes que eu dissesse qualquer coisa ela me empurrou. As duas mãos no meu peito, firmes, sem aviso, e eu caí na cama de costas com aquela surpresa que ela gosta de provocar. Ela riu daquele jeito dela, baixinho, satisfeita com o efeito, e veio por cima sem cerimônia nenhuma.

Ela não esperou eu tirar a roupa. A mão da Luíza foi direto na minha rola, apertando com aquela firmeza de quem sabe o que tem na mão. Ela abriu meu zíper e me tirou para fora, me olhando nos olhos enquanto passava a língua por toda a extensão, lenta, provocadora. Eu quase perdi os sentidos quando ela abriu a boca e me chupou com vontade, indo até o fundo, me fazendo cravar os dedos no cabelo dela.

Quando ela me virou e montou, o mundo parou. Eu a vi abrir as pernas e se guiar, descendo devagar até me engolir inteiro. O grito que ela deu não foi de susto, foi de posse. Começamos um ritmo frenético, pele batendo com força contra pele, um som úmido e sujo que ecoava no quarto. Eu a puxava pelo pescoço, mordendo o ombro dela enquanto a comia com uma fome animal. Ela arqueava as costas, a buceta contraindo em volta de mim, me apertando a cada estocada. No momento em que ela gozou, o corpo dela deu um solavanco e ela gritou meu nome, derramando tudo sobre mim enquanto eu me desfazia dentro dela, quente e completo.

Em algum momento ela me virou. Tomou o controle de volta com aquela naturalidade dela — mãos no meu peito, me prendendo, os quadris encontrando o ritmo que ela queria.

O cabelo dela caindo de lado, a respiração mudando, aquele som pequeno escapando de novo quando ela chegou perto — e então ela fechou os olhos e eu senti cada músculo do corpo dela tensionar de uma vez, aquela onda que veio do centro e foi até as pontas.

Depois ela desabou no meu peito.

Depois de um tempo ela levantou o rosto e me olhou com os olhos pesados.

— Tô bem, — ela disse, antes que eu perguntasse.

— Eu sei.

Um sorriso pequeno.

— Você tá bem?

— Tô ótimo, — eu disse..

Ela se ajeitou do meu lado, o corpo encostado no meu, aquela temperatura boa de dois corpos que acabaram de compartilhar alguma coisa real.

— Jonas.

— Hm.

— Tenho uma proposta.

Eu a olhei de lado.

— Essa noite, eu durmo com você e o Pedro fica com a Luana.

Fiquei olhando pra ela por um segundo.

Ela sustentou o olhar, esperando.

E então eu sorri — daquele jeito que sai antes de você decidir sorrir.

— Vai ser uma noite maravilhosa, — eu disse.

Ela abriu aquele sorriso largo, satisfeita, e ia dizer alguma coisa quando —

Três batidas na porta. Suaves, mas diretas.

— Tá tudo bem aí? — A voz da Luana do outro lado, entre curiosa e divertida. — Porque eu ouvi uns gemidos que chegaram até a sala.

A Luíza tapou a boca com a mão pra não rir alto. Respirou fundo. Compôs a voz com uma seriedade que era uma obra de arte.

— Tudo bem sim! Precisei trocar o óleo do Jonas que parecia que estava passando do dia de trocar.

A porta abriu e a Luana apareceu na moldura, olhou pra mim, olhou pra Luíza, leu o ambiente inteiro em dois segundos.

— Trocar o óleo. — Ela cruzou os braços, encostou no batente. — Pra todos os efeitos, eu troco o óleo do Jonas quase todos os dias. Mas parece que o Pedro estava há bastante tempo sem trocar o óleo. Quase o motor batendo.

A Luíza soltou a gargalhada que estava e represada.

Eu também não aguentei.

E foi exatamente nesse momento que o Pedro apareceu atrás da Luana. Suado. Sem camisa. Com aquela expressão de homem que chegou até aqui mas não vai fingir que está inteiro.

Olhei pra ele com todo o afeto que a amizade longa permite.

— A idade já tá causando estragos, Pedro.

Ele me apontou o dedo.

— Quero prova. — Virou o dedo pra Luíza. — Pergunta pra ela quantas vezes pediu arrego.

A Luíza ficou escandalosamente quieta por um segundo.

— Não é bem assim, — ela disse, com uma dignidade que não combinou nada com a situação.

A gargalhada foi geral.

Quando a bagunça foi baixando, a Luana se ajeitou na porta e olhou pra todo mundo.

— Gente, preciso comprar umas coisas no mercado. Quem vai?

— Que tal irmos todos? — o Pedro respondeu. Me olhou. — Não acha, Jonas?

— Concordo.

A Luíza estava se levantando da cama, procurando o tênis, quando parou.

Todo mundo sentiu o silêncio dela antes de ela falar. Todo mundo olhou.

— Luana. Jonas. Essa noite hoje vai ser toda minha.

O Pedro abriu a boca. Fechou. Me olhou.

A Luana não piscou.

— Não se preocupe, — ela disse, no mesmo tom tranquilo. — Hoje eu vou abusar por completo do seu marido. — Uma pausa calculada. — Já reservei uns brinquedinhos pra gente usar juntos.

O Pedro ficou vermelho. Aquele vermelho que começa no pescoço e sobe.

Alguma coisa clicou na minha cabeça — uma memória de quando a Luana estava arrumando a bolsa antes deles chegarem, eu perguntei o que era aquele pacotinho e ela disse nada não, coisa minha.

Olhei pra ela.

— Agora entendi todo aquele óleo de massagem. E o lubrificante.

Ela sorriu sem confirmar nem negar.

— Acho que a caminhada de amanhã de manhã não vai ter a participação do Pedro.

Pedro endireitou o corpo com aquela dignidade masculina ferida que é cômica quando você conhece bem a pessoa.

— Lá ele. Aqui não entra nada. Só sai.

A Luana o olhou por um segundo longo. Com aquele olhar. Mordeu o lábio devagar.

— É exatamente isso que eu quero descobriir.

A gargalhada foi de todo mundo. Menos do Pedro, que ficou mais vermelho ainda, olhou pro teto, e então apontou pra porta querendo mudar de assunto.

— Vamos logo pro supermercado.

Continua...

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