Primal Fear ( As duas faces de um crime) – Capítulo 2

Da série Primal Fear
Um conto erótico de Ryu
Categoria: Heterossexual
Contém 4464 palavras
Data: 10/04/2026 10:29:58

Murilo passou a manhã inteira debruçado sobre o inquérito policial, lendo páginas e mais páginas com muito cuidado. A cada nova leitura, porém, o cenário apenas se tornava mais sufocante. Não havia brechas aparentes, não havia inconsistências gritantes, nada que lhe permitisse vislumbrar, sequer de longe, uma saída plausível para seu cliente.

No interior da biblioteca onde o crime aconteceu, não existiam câmeras de segurança. Esse vazio visual era, ao mesmo tempo, uma esperança e um problema. Esperança porque, em tese, deixava espaço para dúvidas. Problema porque o corredor de acesso, este sim, era completamente monitorado.

E foi justamente ali que o cerco se fechava.

Pelas imagens anexadas ao inquérito, via-se claramente Misael entrando na biblioteca. Pouco tempo depois, o arcebispo surgia no mesmo corredor entrando no mesmo recinto. Minutos mais tarde, num intervalo perfeitamente compatível com a dinâmica do crime descrita pelos peritos da polícia, Misael reaparecia, saindo apressado.

Ninguém mais havia entrado e ninguém mais havia saído.

Murilo passou a mão pelo rosto, cansado. Era como um quebra-cabeça já montado, e cuja imagem final apontava diretamente para a condenação de Misael.

As fotografias do interior da biblioteca apenas reforçavam essa sensação. Um rastro de pegadas de sangue no chão. A perícia foi categórica: o sangue era do arcebispo. E as marcas de pegadas eram compatíveis com o tênis que Misael usava naquele dia.

A faca, encontrada próxima ao corpo, não ajudava em nada. Nenhuma impressão digital além das de Misael.

— Perfeito demais... — murmurou Murilo, quase para si mesmo.

Era isso que o incomodava. Perfeito demais.

Nesse momento, a porta de seu escritório se abriu sem cerimônia.

— Com licença Mu — disse Eduarda, entrando com um leve sorriso profissional.

Ao lado dela, uma mulher de postura rígida e olhar atento. Havia algo de clínico em sua expressão, como se estivesse permanentemente analisando o ambiente e as pessoas ao redor.

— Murilinho do meu coração, esta é a psicóloga Roberta Campos — apresentou Eduarda. — Para avaliar os apagões do Misael.

Murilo se levantou, estendendo a mão.

— Prazer.

— O prazer é meu — respondeu Roberta, com firmeza.

Ela não perdeu tempo.

— Pelo que me foi relatado, Misael apresenta lapsos de memória significativos, especialmente em momentos de estresse. Se esses apagões forem comprovados e, mais importante, se conseguirmos acessar o que ocorreu no momento do crime, isso pode ser relevante para a estratégia de defesa.

Murilo cruzou os braços, interessado.

— E isso é possível?

Roberta inclinou levemente a cabeça.

— Não posso garantir resultados. Mas posso conduzir avaliações clínicas, entrevistas estruturadas e, eventualmente, técnicas de recuperação de memória. Para isso, precisarei de acesso direto a ele.

Ela fez uma breve pausa, então continuou, com naturalidade:

— Também preciso alinhar meus honorários.

Eduarda entregou um documento a Murilo. Ele passou os olhos rapidamente, primeiramente leu o currículo de Roberta: Professora Universitária, com Doutorado, artigos publicados ... um belo currículo.

Em seguida olhou os valores: Eram altos, mas não absurdos diante da complexidade do caso.

Murilo assentiu.

— De acordo. Vou peticionar ainda hoje para garantir seu acesso ao Misael na cela.

Roberta confirmou com um leve movimento de cabeça, satisfeita.

Murilo voltou à sua mesa e abriu o sistema processual no computador. Seus dedos se moveram com rapidez, mas logo pararam.

— Não... — murmurou.

— O que foi? — perguntou Eduarda, aproximando-se.

Murilo girou a tela levemente para que ela visse.

— O MP já ofereceu denúncia.

Eduarda franziu o cenho.

— Tão rápido assim?

— E não só isso — continuou ele, com a expressão endurecendo. — Já está concluso para decisão da juíza.

O tempo, que já parecia escasso, agora corria contra eles de forma brutal.

Murilo fechou o sistema com um clique seco.

— Não dá pra ficar só no papel — disse, levantando-se. — Eu preciso ver aquele lugar.

— A biblioteca? — perguntou Eduarda.

— Exatamente.

Ele pegou o paletó.

— Está interditada, mas tenho acesso como advogado do Misael.

Roberta observava em silêncio, absorvendo cada detalhe.

— Quanto antes eu falar com ele, melhor — acrescentou ela.

— Providenciarei isso ainda hoje — respondeu Murilo, em tom formal.

Eles se despediram da psicóloga. No momento da despedida, Eduarda se aproximou com naturalidade e deu um selinho em Roberta, como se fosse algo completamente comum.

Murilo arregalou levemente os olhos, surpreso com a cena, mas manteve a compostura enquanto Roberta se afastava.

Assim que a psicóloga saiu, ele virou-se para Eduarda, ainda claramente impactado.

— Eduarda... — disse, olhando para ela, tentando entender.

Ela o encarou, tranquila.

— O que foi, Murilo?! Você sabe que eu sou bissexual.

— Disso eu sei... — respondeu ele, ainda confuso. — Mas você está indicando sua namorada para o trabalho de psicóloga? Eu queria uma indicação por competência.

Eduarda soltou um leve suspiro, cruzando os braços.

— Mas eu estou indicando por competência. A Roberta é ótima. E ela não é minha namorada.

Murilo ergueu as sobrancelhas.

— Temos uma amizade muito boa, só isso — completou ela. — Eu não sou comprometida com ninguém.

Murilo a observou por um instante a mais, assimilando a resposta.

— Vamos? — disse ele, por fim.

Eduarda apenas assentiu.

Minutos depois, os dois já estavam a caminho onde tudo havia começado, e, talvez, onde alguma resposta ainda estivesse escondida.

A biblioteca estava localizada dentro da Casa de Misericórdia, no mesmo terreno e ao lado da residência onde o arcebispo morava.

O ambiente ainda carregava um ar pesado, os acontecimentos recentes pareciam impregnados nas paredes.

Os dois começaram a vasculhar o espaço, atentos a qualquer detalhe que pudesse ajudar na defesa de Misael.

Eduarda quebrou o silêncio, enquanto passava os dedos por uma estante empoeirada:

— Murilo, por que a gente simplesmente não admite que o Misael matou o Rushmond… e tenta uma pena menor? Todas as provas e conclusões do inquérito estão contra ele.

Murilo não respondeu de imediato. Caminhou lentamente pelo cômodo, observando cada canto, até parar próximo à mesa central.

— Porque tem uma coisa que ninguém conseguiu responder — disse ele, por fim.

Eduarda arqueou a sobrancelha.

— E o que seria?

— O motivo. Ninguém conseguiu indicar por que ele faria isso.

Ela deu de ombros.

— Às vezes não tem motivo claro.

Murilo negou com a cabeça.

— Ou… tem algo que não estamos vendo.

Eduarda cruzou os braços.

— Tipo o quê?

Murilo então olhou em direção à janela da biblioteca.

— Uma terceira pessoa.

Ela franziu a testa.

— As câmeras não mostraram ninguém entrando.

Murilo apontou para a janela.

— E se o assassino não entrou pela porta?

Eduarda acompanhou o gesto com o olhar.

— E se ele escalou até a janela… entrou muito antes de Misael e Rushmond… e ficou esperando aqui dentro até os dois chegarem?

Eduarda soltou um leve riso, incrédula.

— O assassino teria que ser muito bom pra escalar até aí. Alguém com preparo físico, no mínimo.

Murilo deu um meio sorriso.

— Exato.

Ela balançou a cabeça.

— Mas isso é só uma suposição da sua cabeça. Você tem alguma prova?

Murilo a encarou diretamente.

— Arrumar provas é a sua tarefa, Eduarda.

Ela soltou o ar pelo nariz, irritada.

— Sério? Porque, olha… essa sua tese é uma tese de merda.

Murilo não perdeu a compostura.

— Não é minha tese.

Deu um passo à frente.

— É a nossa tese de merda. E é nisso que vamos nos agarrar.

Eduarda o encarou por um segundo… e então suspirou.

— Tá bom, chefe. Vou ver o que consigo.

Ela fez uma pausa, olhando novamente ao redor da biblioteca.

— Mas, realmente… numa coisa você tem razão.

Murilo aguardou.

— Ninguém… nem a polícia, nem o Ministério Público… alegou qualquer motivo pro Misael ter matado o arcebispo.

Murilo e Eduarda saíram da biblioteca e já do lado de fora, começaram a ouvir vozes altas, passos apressados e o giro intermitente das luzes de uma viatura.

— O que tá acontecendo? — Murilo pergunta, tentando entender a movimentação

Em frente a casa do arcebispo, dois policiais cercam um jovem algemado. O rapaz, de cabelos pretos e compridos, estava sendo conduzido com firmeza em direção ao camburão.

Murilo se aproximou um pouco mais, erguendo a voz:

— Policial, o que aconteceu?

— Tentativa de furto. A gente pegou ele escalando o muro ali — aponta para a casa paroquial — tentou entrar pela janela.

Murilo acompanha o gesto com o olhar, observando a parede alta e uma janela lateral parcialmente aberta.

— Escalando? — ele repete, surpreso.

— É — continua o policial, ajustando a pegada no braço do jovem — já tava quase conseguindo entrar. Disse que queria pegar umas coisas lá dentro.

Enquanto o policial fala, o jovem tentava se virar um pouco, incomodado com as algemas.

— Eu falei que são minhas coisas! — ele insiste, a voz carregada de frustração.

O outro policial apenas balançava a cabeça, como quem já ouviu aquilo muitas vezes.

Murilo trocou um olhar com Eduarda, claramente intrigado com a situação, enquanto a movimentação continuava e o jovem era levado até o camburão sob o olhar atento dos dois.

— Mas ele tava armado? — Murilo insistiu, dando um passo à frente.

O policial balançou a cabeça negativamente enquanto fechava a porta do veículo.

— Não. Apenas furto mesmo, tentou entrar escondido.

Dentro do camburão, o jovem apoiava a cabeça na grade, ainda tentando falar:

— Eu não tô mentindo! Eu só queria minhas coisas!

A porta bateu com força, cortando o resto da frase.

Eduarda, um pouco afastada, mantém o celular discretamente posicionado, filmou tudo.

Murilo e Eduarda permaneceram em silêncio por alguns segundos, olhando na direção em que o camburão havia desaparecido.

Então, lentamente, seus olhares se encontraram.

Não precisaram dizer nada.

Havia algo quase automático ali, Murilo inclinou levemente a cabeça. Eduarda estreitou os olhos.

Os dois pensaram exatamente a mesma coisa.

E se for ele?

E se essa for a terceira pessoa?

Murilo soltou o ar pelo nariz, como quem confirma um raciocínio interno.

— Você pensou o mesmo que eu — disse, sem ser exatamente uma pergunta.

Eduarda deu um meio sorriso.

— Pensei.

Outro breve silêncio.

— Um cara com habilidade pra escalar… — Murilo começou.

— …com acesso prévio ao lugar… — Eduarda continuou.

— …e que claramente tenta entrar pela janela.

Eles se encaram novamente.

— Pode não ser coincidência — Murilo conclui.

Eduarda ergueu levemente o celular.

— Ainda bem que eu registrei.

Murilo olhou para o aparelho.

— Você gravou?

— Gravei. Vídeo, fotos… peguei o rosto dele direitinho.

Ela já começava a mexer no celular com agilidade.

— Vou levantar tudo. Nome, histórico, conexões… quero saber o que ele fazia aqui, com quem falava, há quanto tempo.

Murilo assentiu, satisfeito.

— Perfeito. Isso pode mudar tudo.

Eduarda apenas concordava com a cabeça, mas não tirava os olhos da tela.

Por dentro, porém, o pensamento dela não estava completamente alinhado com o de Murilo.

A imagem congelada no celular, o perfil do rapaz, o olhar intenso mesmo algemado, a tensão no maxilar, permanecia na sua mente por um motivo que não era exatamente profissional.

Eduarda não perdeu tempo.

Assim que se separou de Murilo, mergulhou no que fazia de melhor: levantar informações.

Seu nome era Clayton. Já havia morado na própria Casa de Misericórdia.

Eduarda foi ligando os pontos enquanto lia os registros, cruzava dados, puxava contatos antigos e vasculhava redes sociais.

E então veio o detalhe: Ele não saiu de lá de boa. Muito pelo contrário, Clayton havia brigado com o arcebispo.

E não foi uma briga qualquer. Segundo relatos, ele saiu fazendo acusações pesadas: dizia que o arcebispo “não prestava”, que “não era quem todos pensavam”, que havia coisas erradas acontecendo dentro da Casa de Misericórdia.

Mas nada foi formalizado ou detalhado, ficou no campo da palavra de um jovem problemático… contra a imagem impecável de uma autoridade religiosa.

E, como quase sempre acontece nesses casos…

Ninguém deu atenção ao jovem.

Devido a essa invasão, Clayton foi indiciado por tentativa de furto…mas responderia em liberdade.

Eduarda sorriu de lado.

Descobriu que ele era praticante de artes marciais e atualmente trabalhava como professor em uma academia.

Descobriu o endereço da academia, e mais, que ele morava lá mesmo em um pequeno quarto nos fundos.

Eduarda fechou o notebook devagar.

A mente já alguns passos à frente.

— Vamos ver você de perto, Clayton…

Minutos depois, já estava trocando de roupa, legging, camiseta neutra, tênis.

Ao chegar na academia, entrou com naturalidade.

— Oi, tudo bem? — disse para a recepcionista. — Queria fazer uma aula experimental.

A recepcionista sorriu, gentil, e fez um leve gesto com a cabeça.

— A aula de jiu-jitsu é com o professor Clayton… — disse, olhando rapidamente para o relógio no pulso. — Mas já está quase acabando. Podemos marcar outro dia para a sua aula experimental.

Eduarda inclinou levemente a cabeça, como se avaliasse a proposta por um segundo, mas logo respondeu:

— Posso assistir o finalzinho da aula?

— Pode sim, eu te mostro — respondeu a recepcionista, já saindo de trás do balcão.

O caminho até a sala de treino era curto, mas o suficiente para que Eduarda ajustasse a postura e o olhar. Quando chegaram, a aula já estava nos minutos finais. O som dos corpos se movimentando no tatame, quedas controladas e respirações ritmadas preenchia o ambiente.

Clayton estava no centro, orientando dois alunos em uma finalização. Concentrado, seguro, com a voz firme — exatamente como ela imaginava.

Eduarda encostou discretamente na parede, observando.

Não demorou nem cinco minutos.

— Valeu pessoal, até a próxima aula! — disse Clayton, batendo palmas uma vez.

Os alunos começaram a se dispersar, alguns conversando, outros pegando suas garrafas de água. O clima mudou rapidamente de intensidade para descontração.

A recepcionista se aproximou dele.

— Professor, essa é a Eduarda. Ela veio fazer aula experimental, mas falei para marcar outro dia.

Clayton virou o rosto, o olhar dele encontrou o dela e algo acendeu, rápido e intenso, como faísca em material seco, um estalo que virou fogo antes que qualquer um dos dois pudesse impedir.

Eduarda se sentiu, por um segundo, desequilibrada.

Clayton não estava melhor. O corpo continuou imóvel, postura firme de sempre, mas por dentro, algo balançou, justo ele que não era homem de se abalar com um olhar.

Deu um passo à frente, sem quebrar o contato.

— Normalmente eu não abro exceções… mas — os olhos dele deslizaram por ela, avaliando sem pressa — acho que hoje posso reconsiderar. Se você não se importar com uma versão mais… personalizada da experiência.

A recepcionista ergueu as sobrancelhas, surpresa, mas não disse nada.

O olhar de Eduarda desceu por um instante, sem disfarçar, percorrendo os ombros largos, o contorno firme dos braços, os músculos marcados sob o tecido. Voltou aos olhos dele com um brilho mais afiado.

— Uhmm… aula personalizada…— O timbre é doce, aveludado — Ai… eu quero sim… Assim eu posso descobrir… essa sua força toda é só aparência… ou é de verdade?

Clayton soltou uma risada baixa, curta, claramente divertido.

— Olha… — ele respondeu, aproximando-se mais meio passo, a voz agora quase um aviso — eu posso acabar tendo que provar que é de verdade.

— Vamos ver então … — ela rebateu, o canto da boca subindo — ... se além de boa primeira impressão … você dá uma boa primeira aula.

Ele inclinou levemente a cabeça, os olhos fixos nela.

— Pra você… eu vou caprichar ainda mais.

Ela não sorriu completamente, mas o jogo estava claro agora, pulsando entre os dois.

— Pode caprichar mesmo. Estou preparada para perder o folego hoje.

Ele deu um passo à frente, invadindo de vez o espaço entre os dois, a voz baixa, quase um murmurado carregado de promessa:

— Então se prepara mesmo…

Os olhos dele desceram por um instante, voltando para os seios dela com intensidade.

— Porque eu não vou só tirar o seu fôlego…

Uma pausa curta, medida.

— …vou fazer você esquecer como se respira.

Ele fez um gesto em direção aos vestiários, ainda observando cada reação dela.

— Tenho um quimono que deve servir. Pode se trocar. Eu te explico o básico… e te passo algumas dicas especiais.

Minutos depois, ela voltou.

O tecido branco contrastava com a postura ainda nova naquele ambiente, mas havia firmeza nos passos. Clayton já a aguardava no tatame, agora vazio.

O olhar dele percorreu cada detalhe, sem pressa.

— Primeiro, você precisa entender uma coisa — disse ele, aproximando-se devagar.

Parou à frente dela, perto o suficiente para que qualquer movimento mínimo fosse percebido.

— Jiu-jitsu não é sobre força.

Os olhos dele prenderam nos dela outra vez.

Um segundo de silêncio, carregado.

— É sobre controle.

Eduarda ergueu o olhar.

— Controle de quem?

Clayton inclinou levemente a cabeça.

— De você… — respondeu, num tom mais baixo. — E do outro.

— Vamos começar? — ele disse, estendendo a mão.

Ela olhou para a mão dele por um instante… e então aceitou.

E naquele momento, nenhum dos dois estava mais pensando em aula experimental.

Eduarda não parava de admirar o corpo de Clayton, que parecia não apenas treinado, mas lapidado ao longo de anos no tatame. O peito largo se expandia com respirações controladas, enquanto o abdômen definido se contraía sutilmente a cada ajuste de postura. Seus ombros, amplos e firmes, sustentavam braços fortes, marcados por veias discretas que surgiam quando ele demonstrava alguma técnica.

O olhar, no entanto, foi o que mais prendeu Eduarda. Intenso … mas com algo por trás. Algo que não era só sobre treino.

— Relaxa o ombro — disse Clayton, aproximando-se por trás dela.

A voz veio mais baixa agora.

Ele tocou levemente o braço de Eduarda, ajustando sua posição. O contato foi técnico, preciso… mas suficiente para que ela sentisse.

— Aqui… — continuou guiando o movimento. — Você não precisa de força. Só de alavanca.

Eduarda assentiu, tentando focar.

Mas a proximidade tornava isso mais difícil do que deveria.

O treino seguiu simples. Movimentos básicos, transições lentas, explicações claras. Clayton demonstrava, Eduarda repetia.

Mas o corpo de Eduarda começou a reagir, ela tentava concentrar-se na técnica, em cada movimento, em cada passo do golpe, mas a presença dele parecia absorver toda a atenção dela.

— Presta atenção no golpe, não em mim — disse Clayton, com a voz firme, mas calma.

Ela piscou, tentando se recompor, mas era impossível ignorar. Os braços dele se esticavam, mostrando força e controle; o jeito como os ombros se moviam, a firmeza nos passos… tudo isso parecia hipnotizar Eduarda. Um sorriso escapou sem que ela percebesse, quase automático, uma expressão de deslumbramento e fascínio que não podia esconder.

O toque dele foi suficiente para que Eduarda sentisse algo que nunca tinha sentido antes. Queria recuar, mas não queria afastar-se. Queria sorrir, mas não queria perder a concentração. Queria inclinar-se, talvez beijá-lo, mas a voz interna, firme, repetia: mantenha a compostura. Não estrague isso. Não agora.

Ela sentia-se mulher naquele momento, não aluna. Clayton percebeu.

Tentou voltar a se concentrar no golpe, mas a mente insistia em notar o calor do toque, a segurança dos braços dele, a proximidade que fazia sua respiração se acelerar.

E, mesmo quando ele se afastou um pouco, ela ainda sentia os braços dele como se tivessem deixado uma marca invisível. Um sorriso suave escapou, e Eduarda percebeu que aquela primeira aula não seria apenas sobre aprender golpes.

Quando Clayton segurou seu braço para ajustar a pegada, a firmeza veio acompanhada de um calor inesperado. Ele reposicionou seu corpo com cuidado, girando levemente seu quadril.

— Se alguém te segurar assim… — Disse Clayton.

Eduarda prendeu o ar por um segundo.

— Você sai… assim — completou ele, por fim, guiando o movimento.

Ela executou, talvez um pouco mais devagar do que o necessário.

— Última posição — disse Clayton, já se aproximando de novo.

Eduarda assentiu, entrando no clima com mais facilidade agora.

Ele indicou o movimento e, em poucos segundos, conduziu a situação até o chão. Foi rápido, técnico — quando ela percebeu, já estava deitada no tatame, com Clayton controlando a posição por cima.

— Aqui — ele disse, ajustando o peso do corpo. — Imobilização.

— Tá vendo? — ele continuou, com a voz baixa. — Não é força. É jeito.

Eduarda não estava mais prestando atenção na explicação, mas sim na presença dele ali, tão próximo.

O corpo dela permanece imobilizado, mas ela não pensava em escapar. Só em ficar.

A sensação de estar presa somente lhe trouxe prazer, Clayton prendendo seus braços ... não resistiu ... o corpo respondeu e ela gozou na calcinha!

O corpo dela estava pedindo por sexo. Mas Clayton continuava falando apenas em golpes e técnicas:

— Ai… — disse, de repente, franzindo a testa.

Clayton soltou a pressão na hora.

— O que foi?

— Acho que… — ela levou a mão ao lado do corpo, respirando um pouco mais fundo. — Acho que puxei aqui.

Clayton passou a mão pelo local com cuidado, avaliando.

— Melhor não forçar.

Ela assentiu, como se estivesse realmente desconfortável.

— Tem um lugar onde eu possa deitar?

— Tem, sim.

Clayton passou um braço pelas costas dela e o outro por baixo das pernas, e a levantou com facilidade.

O corpo dele sustentava o dela com firmeza, sem esforço aparente. Instintivamente, ela apoiou uma das mãos no ombro dele.

Ficou mais excitada, sendo carregada. O cheiro leve do suor, o calor, a proximidade, tudo parecia mais intenso agora.

Clayton empurrou a porta de seu quarto, nos fundos da academia.

— Vamos ver isso direito — disse, com calma, enquanto colocava Eduarda deitada na sua cama.

Aquele “machucado” talvez fosse a melhor decisão que ela tinha tomado naquele dia.

— Ei, você tá bem mesmo? — ele perguntou, se aproximando.

Por um segundo, ela quase riu da própria encenação, mas manteve o papel. Quando ele se inclinou para examinar, impulsivamente, ela se aproximou e deu um beijo rápido nele.

Clayton soltou um suspiro, balançando a cabeça, mas um leve sorriso apareceu no canto da boca.

— Você é ligeira!.

— E você demorou pra perceber! – Disse Eduarda enquanto tirava o Quimono e o top, ficando só de calcinha.

Clayton começou a beijar seu corpo, um rastro de beijos quentes e deliciosos.

Ao mesmo tempo massageava os seios. Os dedos beliscando de leve os bicos do peito fizeram Eduarda gemer alto.

O pau de Clayton ficou duro na hora, o volume já começou a aparecer.

Eduarda começou a acariciar por cima da roupa, até que tirou a calça de Clayton. O pau saltou para fora, explodindo de tão duro.

Eduarda gostou do que viu, um pau perfeito, grande, grosso e com veias saltando, os pentelhos aparados e um saco robusto.

Começou lambendo a cabeça, segurou pela base e engoliu inteiro. Clayton gemeu alto, aquela boquinha quente o levava para outro mundo.

Eduarda sabia como mamar gostoso: boquinha de veludo e língua de seda.

Enquanto recebia aquela chupada, Clayton foi percorrendo o corpo dela com as mãos, introduzindo os dedos, primeiro na vagina, que estava enxarcada.

Eduarda continuava abocanhando a vara, colocando o pau inteiro na boca, ao mesmo tempo que erguia as pernas para deixar o cuzinho ao alcance.

Clayton começou com um dedo no cu dela, logo depois introduziu os dois.

— Os teus dedos no meu cu são maravilhosos!

— Você é muito gostosa Eduarda!

— Me come ... Quero essa piroca delícia dentro de mim ... Me fode agora!

Clayton colocou a camisinha, quando se virou de volta, Eduarda já estava de quatro, balançado o rabinho, a espera de seu pau.

Ele se posicionou atras segurando com a duas mãos na cintura dela, enquanto socava com força na xoxotinha que estava bem lubrificada.

Ela mordeu de leve o lábio inferior, tentando controlar os gemidos. Seus ombros estavam um pouco tensos, e as mãos se contraíam segurando firme o travesseiro.

Sentiu seu cabelo ser puxado com força, Clayton enrolou seu rabo de cavalo em uma das mãos, e aumentou o ritmo da penetração.

Um gemido mais alto escapou, involuntário.

Aquilo fez Clayton acelerar ainda mais.

— Que buceta deliciosa! — A voz falhando em meio a gemidos.

— Meu cuzinho também é gostoso! – Respondeu bem safada.

Eduardo ergueu as sobrancelhas, surpreso

— Tem certeza? Aguenta?

— Aguento. De ladinho.

Eduarda se virou de lado. Clayton tirou a camisinha e encostou a vara na entradinha do cu. Antes da penetração, fez uma pausa e a olhou pra ela.

Eduarda respirou fundo e com uma das mãos abriu o cuzinho, autorizando a penetração.

Clayton começou a enfiar o pau, parecia que ia rasgar Eduarda no meio, ela mordeu seu braço, para aguentar a dor. Clayton com o peito colado nas costas dela segurou seu braço e foi entrando com calma, até que ela sentiu seus pentelhos na bunda, indicando que toda aquela piroca enorme tinha entrado.

— Eu vou dar um tempo pro seu cu se acostumar — Sussurrou Clayton.

Eduarda balançou a cabeça, soltando gemidinhos de prazer. O tesão já havia tomado conta dela.

Ele começou o movimento de vai e vem entrando e saindo com calma.

O tesão foi tomando conta de Eduarda a ponto de não sentir dor, só prazer. Começou a rebolar na piroca, jogando a bunda na direção do seu pau.

No quartinho só se ouvia gemidos e o som dos corpos se batendo.

Clayton tentou se segurar, conter o gozo. Respirava fundo. Agora não. Ainda não.

Mas o corpo não queria obedecer. O início da ejaculação foi discreta, ele tentando segurar.

De repente, tudo rompeu, não havia mais como segurar, foi como uma barragem quebrando depois de suportar pressão demais. O gozo explodiu. jorrou abundante dentro do cu de Eduarda, incontrolável.

Clayton se curvou, gemendo alto.

E depois simplesmente tombou.

O corpo caiu de lado sobre o colchão com um peso solto, sem resistência, em energia para mais nada, sentiu o corpo afundar no colchão

Um braço ficou largado ao lado do corpo, o outro dobrado de qualquer jeito sob o peito. As pernas se esticaram devagar, arrastando no lençol, procurando uma posição que não exigisse esforço nenhum. Ficou ali, meio torto, meio espalhado, com a respiração ainda descompassada e os olhos semicerrados

— Isso foi mais intenso… — murmurou, passando a mão pelo rosto — muito mais que uma aula de jiu-jitsu.

Eduarda repousou a cabeça contra o peito de Clayton, sentindo o calor e a respiração dele envolvendo-a. Ela levantou a mão, pegou um cigarro, pronta para acendê-lo.

— Aqui na academia não fumamos — disse Clayton, segurando suavemente o braço dela. — Vai fazer mal para você.

Eduarda sorriu, sem se incomodar com a intervenção

— Na verdade, eu sou assistente do Dr. Murilo — confessou, deixando escapar um fio de ironia na voz.

Clayton não demonstrou surpresa.

— Ah, o advogado do Misael. Tenho acompanhado o caso na TV.

Ela franziu a testa, intrigada.

— Meu chefe acha que não foi o Misael quem matou. E ninguém indicou um motivo.

Sem dizer uma palavra, Clayton se levantou e pegou um pen drive da mesa. Estendeu-o para ela, como se entregasse um segredo proibido.

— Aqui está o motivo — disse, com um meio sorriso.

Eduarda olhou para o objeto na mão dele, confusa. — O que é isso?

— Um vídeo pornográfico, feito pelo arcebispo. — Clayton falou devagar — Eu estava tentando entrar na casa dele escondido, para pegar outros vídeos... com os coroinhas. Estão escondidos na casa do arcebispo.

Antes que ela pudesse responder, Clayton jogou o pen drive em sua direção.

— Pode ficar pra você, de presente.

Eduarda segurou o dispositivo, os olhos fixos nele. Pelo que Clayton havia comentado, aquele vídeo poderia mudar tudo. Ela precisava assisti-lo, precisava mostrar para o Murilo. O peso do segredo se misturava com a adrenalina do momento. Eduarda sentiu que dali em diante nada seria igual naquela investigação.

Continua

{ Série baseada no livro Primal Fear de William Diehl}

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Comentários

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Parabéns pelo conto, ansioso pela continuação!!!

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Muito obrigado!

Vou publicar a continuação domingo.

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