Primal Fear ( As duas faces de um crime) – Capítulo 1

Da série Primal Fear
Um conto erótico de Ryu
Categoria: Heterossexual
Contém 5486 palavras
Data: 08/04/2026 09:54:06

Murilo Vilar estacionou a BMW com precisão no amplo estacionamento do escritório, ao sair do carro, carregava um ânimo incomum, talvez por ser sexta-feira. Cruzou a porta de vidro com passos seguros, ainda com a sensação da audiência reverberando em sua mente: mais um confronto em um caso milionário, envolvendo políticos corruptos e empresários poderosos.

Já em sua sala, retirou o paletó, afrouxou levemente a gravata e respirou fundo. Pela primeira vez em muito tempo, não levaria trabalho para casa. Tinha outros planos: um almoço romântico no dia seguinte com a ex-namorada, uma tentativa de reconciliação que o deixava genuinamente ansioso.

Aos 40 anos, Murilo reunia um charme natural e uma presença magnética, que atraía as mulheres, e além disso sua competência o consolidava como o criminalista mais respeitado da cidade. Não era um advogado para qualquer causa, escolhia seus clientes com rigor, atendendo apenas aqueles cujo poder e influência estivessem à sua altura.

Estava ansioso para contar aos funcionários como havia sido bem-sucedido na audiência, saiu de sua sala e se deparou com uma cena que não combinava com o luxo e a formalidade de seu escritório: Maria Eduarda, sua assistente estava recostada na poltrona, mascando chiclete, os pés apoiados na mesa, assistindo televisão com atenção quase hipnótica.

Maria Eduarda — ou simplesmente Eduarda, como todos a chamavam — mulher de presença forte. Alta e magra, cabelos compridos e lisos, de um castanho claro que refletia a luz do ambiente, enquadravam um rosto de traços firmes e expressivos.

Despojada, irreverente. Por vezes imprevisível? Sim ... mas competente, parecia estar sempre um passo à frente de qualquer situação.

No mundo dos casos criminais, sua esperteza é reconhecida; consegue ler cenários complexos, antecipar movimentos de modo a deixar colegas e adversários admirados.

— Eduarda — disse Murilo, com a voz calma, mas firme — não me diga que você está assistindo TV em horário de expediente.

Ela ergueu a mão rapidamente, fazendo um gesto quase desesperado para que Murilo não falasse. — Espera… espera, Murilo. Presta atenção. Isso… isso é importante.

Murilo, intrigado, se aproximou mais da tela. Eduarda respirou fundo e falou com a voz contida:

— Acabaram de assassinar o arcebispo Rushmond… a perseguição ao assassino está passando ao vivo na TV.

O coração de Murilo disparou ligeiramente. Ele se apoiou na borda da mesa e largou a postura habitual de advogado confiante. Seus olhos agora estavam totalmente fixos na tela.

A câmera, posicionada no alto de um helicóptero da polícia, seguia o suspeito.

No centro da imagem, um jovem rapaz, aparentando entre 18 e 20 anos, corria desesperadamente. Estava coberto de sangue, a camisa encharcada tingida de vermelho, os pés quase tropeçando.. O carro da polícia avançava atrás dele, sirenes berrando, enquanto o helicóptero captava cada passo de sua fuga frenética.

A transmissão continuava ao vivo quando o carro da polícia finalmente alcançou o jovem. Ele foi cercado nas escadas de um prédio antigo, a respiração ofegante, mãos ensanguentadas levantadas em rendição. Murilo Vilar observava cada detalhe com olhos atentos, o semblante sério, quase imóvel, mas a mente a mil por hora.

A repórter da televisão, um pouco trêmula, mas com a voz firme informou ao público:

— A polícia acaba de prender Misael dos Santos, de 19 anos, único suspeito do assassinato do arcebispo Rushmond. De acordo com as primeiras informações da polícia, o religioso foi morto com mais de setenta facadas. Um crime brutal e chocante que deixou a cidade inteira em estado de choque.

Murilo sentou-se numa cadeira, respirando fundo, os dedos tamborilando sobre a mesa. Ele observava o rosto do jovem na tela — pálido, assustado, ensanguentado — e a pergunta martelava em sua mente:

"Mas por que mataria o arcebispo? Uma figura tão conhecida e respeitada na cidade… conhecido por sua intelectualidade, pelo alto grau de cultura, pelas inúmeras obras de caridade… o responsável pela Casa de Misericórdia, que acolhia pessoas desfavorecidas?"

Murilo voltou a fixar os olhos na televisão. A transmissão havia mudado de ângulo — agora mostrava o jovem já detido, cercado por policiais, com o rosto ainda manchado de sangue. Um microfone era empurrado em sua direção.

— E-eu… eu não fiz isso… — disse o rapaz, a voz falhando, os olhos arregalados. — Eu juro… eu não fiz…

Ele gaguejava, visivelmente em choque, a respiração irregular, o olhar perdido como o de alguém que ainda não compreendia o que estava acontecendo.

Misael é do tipo que facilmente passaria despercebido em meio à multidão. Cabelos curtos, castanhos, corte simples que não chama atenção. Altura mediana, aproximadamente 1,78m, corpo franzino, quase delicado, dando a impressão de alguém que ainda está terminando de crescer ou que simplesmente nunca ligou muito para força física.

Rosto comum, daqueles que você vê todos os dias sem memorizar, traços suaves. Misael é o tipo de pessoa que você poderia encontrar no ônibus ou na fila de uma padaria.

Murilo inclinou levemente a cabeça.

E ficou absolutamente imóvel.

Seus olhos estavam cravados na tela com uma intensidade incomum — não era apenas atenção. Era algo mais profundo. Quase como se ele estivesse… encarando o rapaz. Como se, de alguma forma impossível, os dois compartilhassem aquele instante através da tela.

— Murilo… — chamou Eduarda, franzindo a testa.

Nenhuma resposta.

Ele não piscava.

— Murilo?

Ela se levantou devagar, observando melhor. Havia algo errado. A postura rígida, o silêncio, o foco absoluto… parecia um transe.

Então, de repente o rosto dele se iluminou.

Um sorriso lento, preciso, quase calculado, surgiu.

Murilo descruzou os braços, pegou o controle da mesa e desligou a televisão.

— Vamos até a delegacia — disse, já caminhando em direção à sala.

Eduarda piscou, surpresa.

— Como é?

— Para onde estão levando o garoto. Quero falar com ele.

Ela soltou um riso curto, incrédulo, cruzando os braços.

— Por quê? Tá óbvio que ele não tem dinheiro, Murilo.

Ele parou por um instante na porta, girando levemente o rosto na direção dela.

— Publicidade.

Eduarda arqueou uma sobrancelha.

— Publicidade?

— O arcebispo Rushmond é uma das figuras mais conhecidas e queridas da cidade — disse ele, com calma. — Isso vai estar em todos os portais, todos os canais, por semanas.

Ela deu alguns passos à frente, agora mais séria.

— Você não precisa de mais publicidade. Já é conhecido. E, se ele é tão querido assim… — fez uma breve pausa — você vai defender justamente o assassino. Isso não é publicidade, Murilo. É publicidade ao contrário.

O olhar dele endureceu.

— Você não é paga para ficar contestando.

Silêncio.

— Eu sou o chefe.

Eduarda sustentou o olhar por um segundo… e então deu de ombros, um meio sorriso surgindo.

— Tudo bem chefinho, só acho que não é uma boa ideia ir agora — disse, em tom baixo, mas seguro. — Ele acabou de ser preso, ainda vai passar pelos exames de praxe… e o clima está quente. Você sabe como a polícia funciona nessas horas. Sem falar na imprensa, que já deve estar em cima. Está tudo muito recente. É melhor esperar até amanhã.

Murilo ficou em silêncio por um instante. Amanhã era sábado. A ideia de romper o compromisso silencioso que havia feito consigo mesmo — não trabalhar aos fins de semana — o incomodou mais do que gostaria de admitir. Além disso, havia o almoço marcado ao meio-dia com a ex-namorada, algo que ele não pretendia adiar.

Passou a mão pelo queixo, pensativo, e então assentiu levemente.

— Tudo bem — respondeu, por fim. — Vamos à delegacia amanhã cedo.

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O sábado amanheceu cinza, assim que o carro de Murilo virou a esquina da delegacia, ficou evidente que aquele não seria um dia comum.

Repórteres estavam de plantão em frente da delegacia.

Eduarda observou a cena pela janela, soltando um leve assobio.

— Uau… — murmurou, inclinando a cabeça. — Acho que o caso ganhou um pouquinho mais de repercussão do que a gente imaginava.

Ela olhou de lado para Murilo, com um meio sorriso.

— Se você queria publicidade… — deu de ombros — pode comemorar.

Murilo não respondeu de imediato. Seus olhos percorriam o cenário com frieza analítica, como se já estivesse calculando cada consequência daquela exposição.

O carro parou.

Assim que ele abriu a porta, foi como acionar um gatilho.

— Doutor Murilo! — gritou uma voz.

— O senhor está aqui pelo caso do arcebispo?

— Vai atuar como assistente de acusação?

— Vai representar a Igreja?

— Acredita que o assassino merece pena máxima?

Os flashes explodiam sem pausa.

Eduarda soltou um riso curto, baixo.

— Olha… já decidiram de qual lado você vai ficar.

Murilo manteve a postura impecável. Coluna ereta, expressão neutra, passos firmes. Não respondeu a nenhuma pergunta. Apenas avançou.

Já no interior da delegacia, Murilo se aproximou do balcão, apoiando as mãos com tranquilidade calculada.

— Bom dia — disse, em tom controlado. — Meu nome é Murilo Vilar. Sou advogado.

O policial do outro lado ergueu os olhos, reconhecendo o nome. Houve uma breve pausa.

— Pois não, doutor?

— Estou aqui para representar Misael dos Santos. Gostaria de falar com meu cliente.

O policial franziu levemente a testa, claramente surpreso.

— O açougueiro… já é o advogado dele?

— A partir de agora, sim.

O homem trocou um olhar com outro agente ao lado. Algo ali não fechava — um advogado daquele nível, assumindo um caso como aquele?

— Certo… — respondeu, ainda hesitante. — Só um momento, doutor. Vou verificar.

Os minutos seguintes se arrastaram mais do que o normal. Eduarda cruzou os braços, observando o movimento ao redor, absorvendo cada detalhe — quem falava com quem, quem evitava contato, quem parecia nervoso demais.

— A imprensa já apelidou o seu cliente de “açougueiro” — comentou, em voz baixa.

Murilo não reagiu.

Finalmente, o policial retornou.

— Doutor, pode nos acompanhar.

Eles seguiram por um corredor estreito, iluminado por lâmpadas frias. O som dos passos ecoava no piso gasto.

Pararam diante de uma cela isolada.

— Ele está sozinho — disse o policial, já pegando as chaves.

O cadeado girou com um estalo seco.

A porta se abriu.

Misael estava sentado no banco de concreto, os ombros curvados, as mãos juntas entre os joelhos. Quando ergueu o rosto, havia algo quase desconcertante em sua expressão.

Não era o olhar de um assassino brutal.

Era… simples.

Um semblante jovem demais, traços ainda imaturos, um ar humilde — quase infantil. Os olhos carregavam medo, confusão… e uma fragilidade que destoava completamente da violência do crime que lhe atribuíram.

O policial fez um gesto.

— Cinco minutos.

Murilo entrou, seguido por Eduarda. A porta se fechou atrás deles com um som pesado.

Murilo deu um passo à frente.

— Olá, Misael.

O rapaz se levantou rapidamente, quase tropeçando nas próprias pernas.

— B-bo-bo-bom dia, s-se-se-senhor…

A voz falhava, travada. Ele mantinha os olhos baixos, visivelmente nervoso.

Murilo inclinou levemente a cabeça, observando-o com atenção cirúrgica.

— Você sabe quem eu sou?

Misael balançou a cabeça, aflito.

— N-n-não sei, n-não senhor…

Murilo deu mais um passo, agora completamente seguro do espaço que ocupava.

— Meu nome é Murilo Vilar — disse, com firmeza. — Sou o melhor advogado criminalista do estado.

Eduarda, encostada discretamente na parede, arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada.

Os olhos de Misael se arregalaram levemente.

— O-oh… n-não… e-eu nã-nã-não tenho c-como lhe pagar, m-me-meu senhor…

Murilo fez um gesto leve com a mão, interrompendo.

— Não precisa.

Silêncio.

— Estou disposto a trabalhar para você de graça. Toda a minha expertise… — ele fez uma breve pausa, medindo o efeito das palavras — os recursos do meu escritório, minha equipe… sem custo para você.

Por um segundo, Misael apenas encarou Murilo, como se não tivesse entendido.

Então, a expressão mudou.

Os olhos se encheram d’água. Um sorriso trêmulo surgiu, carregado de alívio — quase incredulidade.

— S-s-sério…? — sussurrou.

Sem aviso, ele avançou, segurando a mão de Murilo com as duas mãos e levando-a aos lábios, beijando-a repetidamente.

— O-obrigado… o-obrigado, D-De-Deus vai l-lhe pagar… o-obrigado…

Murilo puxou a mão de volta com firmeza, mas sem agressividade.

— Não precisa disso — disse, seco, ajeitando o punho do paletó.

Misael ainda sorria, emocionado, quase aliviado demais para alguém naquela situação.

Murilo manteve o olhar fixo em Misael por alguns segundos, como se estivesse ajustando mentalmente cada peça daquele quebra-cabeça.

Então falou, com calma:

— Como você conheceu o arcebispo?

— E-eu… e-eu tava na rua… p-pe-pedindo… — respirou fundo, tentando organizar as palavras — m-mendigando… aí… e-ele p-pa-parou o carro…

Murilo permaneceu imóvel, atento.

— E-e-ele perguntou s-se eu q-que-queria m-morar num lugar… na C-Casa de Misericórdia…

Murilo assentiu levemente.

A Casa de Misericórdia era uma das obras mais conhecidas do arcebispo Rushmond — uma instituição mantida com recursos próprios e doações, destinada a acolher jovens pobres e moradores de rua. Um abrigo, mas também um espaço de formação, com acesso a estudo, alimentação e alguma dignidade.

— E você aceitou? — perguntou Murilo.

— S-sim, s-senhor… na h-hora…

Houve um breve silêncio.

Murilo mudou o tom, direto:

— Você matou o arcebispo?

A reação foi imediata.

Misael arregalou os olhos, o corpo inteiro tensionando.

— N-n-não! — a voz saiu mais alta, desesperada — E-eu j-j-juro! E-eu n-nunca f-faria i-isso! E-eu… e-eu a-adorava e-ele…

A respiração dele ficou irregular.

— E-e-ele e-era b-bom… m-muito b-bom…

Murilo não suavizou.

— Todas as provas estão contra você — disse, firme. — Você foi encontrado com sangue, com a faca… fugindo.

Ele se inclinou levemente.

— Quero que você me conte exatamente o que aconteceu.

Misael fechou os olhos por um instante, como se tentasse puxar a memória de um lugar confuso.

— E-eu… e-eu tava na b-biblioteca… da C-Casa… — começou — t-tava de-de-devolvendo um l-livro…

Murilo cruzou os braços.

— O arcebispo entrou?

— S-sim… e-ele e-entrou…

Uma pausa.

Misael franziu a testa, claramente angustiado.

— A-aí… e-eu… eu t-tive um… a-apagão…

Murilo estreitou o olhar.

— Apagão?

— S-sim… — ele assentiu, nervoso — q-quando e-eu a-acordei…

A voz falhou.

— E-eu t-tava c-com uma f-faca n-na m-mão… o a-arcebispo t-tava n-no chão… m-morto… e-eu t-tava t-to-todo s-sujo de s-sangue…

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Apagão… — repetiu Murilo, pensativo. — Explique isso.

— E-eu t-tenho d-desde c-criança… — respondeu Misael — d-desde os d-dez a-anos… e-eu d-desmaio… f-fico s-sem c-consciência p-por a-alguns m-minutos…

— Você lembra de alguma coisa durante esses apagões? — perguntou Murilo, estreitando os olhos.

Misael balançou a cabeça devagar, engolindo seco.

— N-não… n-nada… — a voz saiu fraca. — É c-como se… c-como se e-eu s-sumisse… e q-quando v-volto… j-já t-tá t-tudo a-acontecido…

Murilo cruzou os braços, analisando cada detalhe da expressão do rapaz.

— E você já foi ao médico por causa disso? Já recebeu algum diagnóstico?

Misael soltou uma risada curta, sem humor, e desviou o olhar para o chão.

— N-nunca… — respondeu. — E-eu n-nunca f-fui n-no m-médico n-na v-vida…

Murilo ergueu uma sobrancelha.

— Nunca?

— N-nunca t-tive d-dinheiro… — continuou Misael, a voz falhando ainda mais. — E a m-minha m-mãe… e-ela… n-nunca l-ligou p-pra i-isso… n-nunca l-ligou p-pra m-mim…

— E o seu pai? — perguntou Murilo, a voz mais baixa, mas ainda firme.

Misael hesitou. Os dedos tremeram levemente antes de se fecharem em punho.

— E-eu… — ele respirou fundo, como se as palavras pesassem mais do que deviam. — E-eu n-não s-sei q-quem é m-meu p-pai…

Murilo inclinou a cabeça, observando-o com mais atenção.

— Sua mãe nunca disse nada?

Misael negou, os olhos fixos em um ponto vazio no chão.

— N-nunca… q-quando e-eu p-perguntava… e-ela m-mandava e-eu c-calar a b-boca…

Um silêncio desconfortável se instalou novamente.

Murilo soltou um suspiro lento.

— Então você cresceu sozinho… com esses apagões… sem ninguém pra te ajudar a entender o que estava acontecendo.

Misael não respondeu de imediato. Apenas assentiu, quase imperceptivelmente.

Murilo respirou fundo, inclinou levemente a cabeça.

— Havia mais alguém na biblioteca além de vocês dois?

— Q-que e-eu t-tenha v-visto… n-não…

—Por que você fugiu?

Misael passou a mão no rosto, aflito.

— E-eu a-acordei e-em c-cima d-dele… c-cheio d-de s-sangue… c-com a f-faca… — a respiração acelerou — e-eu f-fiquei c-com m-medo… m-muito m-medo… e-eu s-só c-corri…

Murilo manteve o olhar duro.

— Você tinha algum motivo para matar o arcebispo?

A reação foi ainda mais intensa.

Misael deu um passo para trás, assustado, os olhos arregalados.

— N-não! D-de j-jeito n-nenhum! — disse, quase implorando — E-e-ele e-era c-como u-um p-pai p-pra m-mim… a p-pessoa q-que e-eu m-mais a-admirava… n-nesse m-mundo…

O silêncio voltou a se instalar.

Murilo não disse nada por alguns segundos. Apenas pensava. Olhou em volta e viu uma foto de uma garota, em cima da cama.

— Quem é? — perguntou, erguendo levemente a foto.

Misael olhou, e seu semblante suavizou.

— É a L-Lidiane… m-minha n-namorada… lá d-da C-Casa…

Murilo olhou para o relógio.

— Eduarda vai providenciar a procuração e toda a documentação necessária — disse, voltando ao tom profissional. — A partir de agora, eu sou seu advogado.

Misael o encarava como se estivesse diante de algo quase divino.

— Você não deve falar com ninguém — continuou Murilo. — Nem imprensa, nem qualquer outra pessoa. Nenhuma declaração. Nenhum depoimento sem a minha orientação. Entendeu?

— S-sim… s-sim, d-doutor… — respondeu, rápido — e-eu c-confio… t-to-totalmente n-no s-senhor…

Murilo sustentou o olhar por um segundo… e assentiu.

Sem mais palavras, virou-se e caminhou até a porta.

Do lado de fora, o som da delegacia voltou a envolver tudo — passos, vozes, tensão.

Murilo não diminuiu o ritmo. Entrou no carro e partiu.

Seu destino agora era o apartamento de Júlia Monteiro, sua ex-namorada.

Promotora de justiça.

E, possivelmente… seu próximo confronto.

O porteiro liberou a entrada no prédio, após interfonar para o apartamento de Julia.

No elevador, Murilo estava cheio de expectativas.

Quando a porta se abriu no andar de Júlia, Murilo respirou fundo uma única vez antes de caminhar até o apartamento.

Ele tocou a campainha.

A porta se abriu quase imediatamente.

Júlia apareceu já falando ao telefone, com o semblante sério, mas controlado. Fez um gesto rápido com a mão, convidando Murilo a entrar, enquanto virava levemente o corpo, ainda concentrada na ligação.

— Pode contar comigo, doutor Osvaldo… — disse, caminhando pelo apartamento com passos elegantes. — Agradeço pela confiança. Tenha um bom fim de semana… o senhor também.

Desligou e por um breve segundo o ambiente ficou em silêncio.

Então ela se virou e sorriu.

Júlia Monteiro continuava exatamente como Murilo lembrava — e, ao mesmo tempo, ainda mais impressionante. Os cabelos loiros caíam com brilho impecável sobre os ombros, a postura ereta transmitia autoridade natural, e havia nela uma combinação rara de elegância e firmeza.

E, sim… ela continuava absurdamente atraente, gostosa!

Murilo não disse nada por um instante. Apenas a observou.

Mas havia ali mais do que desejo — havia história.

Eles tinham sido mais do que um casal comum. O problema nunca foi falta de sentimento.

Foi falta de tempo: audiências, prazos, pressões… um sempre chegando quando o outro já estava saindo. Até que, em algum momento, perceberam que estavam vivendo vidas paralelas.

E se perderam no caminho e agora, tentavam, com cautela, encontrar aquele ponto de volta.

Júlia diminuiu a distância entre eles e o abraçou.

Murilo correspondeu de imediato, envolvendo-a com firmeza. O perfume dela ainda era o mesmo. Despertava lembranças e desejos.

— Você demorou — disse ela, em tom leve, ainda próxima.

— Trânsito — respondeu ele, quase automático, mas com um meio sorriso.

Ela se afastou apenas o suficiente para olhá-lo.

— O almoço já está pronto. Senta lá.

Murilo caminhou até a mesa, observando o apartamento. Tudo organizado, elegante, funcional — como ela.

Enquanto ele se sentava, Júlia começou a arrumar os pratos com naturalidade, uma tentativa de normalidade entre os dois.

— Você ficou sabendo do assassinato do arcebispo Rushmond? — perguntou, sem olhar diretamente para ele.

Murilo apoiou os braços na mesa, controlando a expressão (não queria revelar que agora era o advogado do suspeito)

— A cidade inteira sabe — respondeu, dissimulando — Só se fala nisso.

Ela soltou um pequeno suspiro, colocando os talheres com precisão.

— Quem estava falando comigo agora ao telefone era o Doutor Osvaldo, Procurador-Geral de Justiça do Estado — disse, agora olhando para ele. — Ele era amigo do arcebispo.

Murilo não reagiu. Apenas ouviu.

— Ele quer a pena máxima para o… — fez uma breve pausa — “açougueiro”.

A palavra pairou no ar com peso.

— Já ligou pro delegado pra agilizar o inquérito. Quer uma denúncia forte… exemplar. — Ela cruzou os braços por um instante. — E me ligou agora pra dizer que quer que eu atue no Tribunal do Júri.

Murilo manteve o olhar neutro, mas por dentro estava desconfortável.

— Ele quer que eu massacre o assassino no plenário – Disse pensativa – E sinceramente não vai ser difícil, todas as provas estão contra ele, e o suspeito é um completo fudido, e certamente vai ser representado por um defensor público.

Silêncio.

Murilo desviou o olhar por um segundo, encarando a mesa posta, mas sem realmente vê-la.

Era isso, então. Não era apenas mais um caso. Era o caso. E agora… os dois estavam em lados opostos.

Ele pensou em dizer. Pensou em interromper ali mesmo, antes que aquilo avançasse mais. Mas não disse nada.

Júlia pareceu perceber o silêncio, mas não insistiu. Em vez disso, suavizou a expressão e deu um pequeno passo à frente.

— Chega de falar de trabalho — disse, com um leve sorriso.

Ela se inclinou e deu um selinho em Murilo.

— Vamos almoçar.

Eles começaram com a salada de folhas verdes, pontuada pelo vermelho das frutas e o crocante das nozes. No início, a conversa era cautelosa, como quem testa a temperatura da água antes de mergulhar.

— Eu não sabia se você ia aceitar vir — disse Julia, mexendo levemente na salada com o garfo.

— Eu também não sabia se devia aceitar… — Murilo respondeu com um meio sorriso. — Mas fiquei curioso.

Ela levantou os olhos, sustentando o olhar dele por um instante a mais do que o necessário.

Julia serviu as bruschettas em seguida, perfumadas com tomate fresco e manjericão. O clima começou a mudar ali. As lembranças vieram com mais facilidade: viagens, risadas, até pequenas brigas que agora pareciam distantes.

— A gente era bom junto — Murilo disse, quase como um pensamento em voz alta.

Julia respirou fundo antes de responder.

— Eu ainda acho que somos.

Ambos sorriram.

Quando o salmão grelhado chegou à mesa, com o aroma delicado das ervas finas, a conversa já havia deixado de lado as defesas. Eles falaram sobre o que deu errado, mas sem acusações — só entendimento. Sobre o tempo separados, sobre o que aprenderam.

— Eu senti sua falta — Murilo disse, simples, direto.

Julia sorriu de um jeito que misturava alívio e emoção.

— Eu também senti a sua.

Depois que terminaram de comer, os pratos ficaram esquecidos sobre a mesa. Eles se aproximaram naturalmente, como se nunca tivessem desaprendido o caminho.

Julia levantou-se, deu a volta na mesa e, sem pressa, sentou-se no colo de Murilo. As mãos dele encontraram a cintura dela com familiaridade. Por um instante, eles apenas se olharam — próximos o suficiente para sentir a respiração um do outro.

— A gente pode tentar de novo — ela sussurrou.

Murilo não respondeu com palavras. Apenas assentiu levemente, antes de puxá-la para um beijo intenso. Em seguida deslizou as mãos pela lateral do corpo de Julia, sentindo a suavidade da pele sob a blusa. Abriu sua blusa e sugou seus mamilos, arqueou-se, pressionando os seios contra sua boca. Um gemido suave escapou dos lábios dela.

O desejo vinha em ondas, cada vez mais fortes, ela tentou resistir, mas sentiu a buceta ficar enxarcada.

Se afastou um pouco, o suficiente para respirar melhor, as mãos ainda apoiadas nos ombros de Murilo, ela fechou os olhos por um instante, tentando organizar os próprios pensamentos.

Mas o corpo não obedecia tão facilmente.

No impulso, ela tirou a roupa e ficou só de calcinha, então, sem pressa, apoiou as mãos na mesa e subiu, num movimento fluido, quase natural. Ela se acomodou ali, de frente para ele.

As pernas relaxadas na borda da mesa, o corpo levemente inclinado para trás, sustentado pelos braços, Julia manteve o olhar fixo em Murilo.

Só de calcinha, em cima da mesa, sentada de pernas abertas em frente da cadeira onde ele estava sentado fez com que o pau de Murilo ficasse duro, com a visão.

Julia arrancou a calcinha, revelando a bucetinha graciosa. Com uma cara de safada começou a se acariciar, até que num gesto brusco, agarrou Murilo pelo cabelo e conduziu sua cabeça até a buceta, exigindo que a lambesse.

— Minha buceta é a sobremesa!!

Julia apertou forte a cabeça de Murilo contra o seu corpo, enquanto esfregava a xoxota na cara dele.

— Chupa essa Buceta!!

Num impulso meio desajeitado e ousado ao mesmo tempo, jogou o corpo para trás e deitou na mesa ... o movimento fez alguns pratos e copos escorregarem, caindo no chão com um barulho alto de louça quebrando.

Murilo arregalou os olhos na hora, assustado com a cena.

— Júlia, cuidado! A mesa, a louça!

Mas ela só deu uma risadinha, completamente despreocupada,

— Ei…— disse ela, interrompendo a preocupação dele — esquece a louça.

Ela falou alto, quase gritando:

— Se preocupa com outra coisa…

Seus olhos miraram direto no pau de Murilo, antes de completar:

— Se preocupa com a minha buceta!

E então sorriu de lado, ignorando completamente a bagunça ao redor.

— Se preocupa em me comer, Murilo!

Murilo esqueceu a louça e tirou a roupa e subiu na mesa para comer Julia.

— Você é impossível… — murmurou, antes enterrar o pau na xoxotinha.

Eles estavam finalmente tirando o atraso de tanta saudade. A expressão do rosto e os gemidos altos mostravam o prazer que estavam sentindo.

Julia cravou as unhas nas costas de Murilo, marcando-o

— Eu precisava tanto de você…

— Eu também!

— Que saudade que eu estava desse pau gostoso dentro de mim!

A penetração seguiu brusca, como se ambos estivessem atrasados para aquele momento. Não havia delicadeza, tampouco hesitação, só urgência e explosão de desejo.

Queriam que cada segundo perdido nos meses separados fosse recuperado ali, naquele exato instante. Nesse clima afoito, a respiração se misturou, descompassada.

Aquela intensidade, quase desordenada, quase desesperada, deixava claro: era saudade acumulada por uma ausência mal resolvida.

Eles não estavam apenas fazendo sexo, estavam se encontrando de novo.

A bucetinha de Julia parecia em chamas. Os músculos tremiam visivelmente. O corpo inteiro participava, pernas abertas e largadas. Uma onda que percorria o corpo, uma onda quente, intensa, elétrica.

Os antebraços tensionam, os dedos se cravavam nas costas de Murilo. A cada onda mais forte, Julia apertava mais os braços ao redor de seu macho.

Ela fechou os olhos com força, tentando conter o que se aproximava, mas o corpo reagiu antes do pensamento. A cabeça começou a se mover em espasmos bruscos e irregulares: para frente, para trás, para os lados, como se tentasse escapar da própria sensação. Pequenos gritos escapavam entre os movimentos, agudos e descontrolados, como se fossem arrancados dela. Os gestos se atropelavam, cada vez mais rápidos, mais tensos, como se já não lhe pertencessem.

Murilo continuava socando freneticamente na buceta!

Sem perceber, seus dedos se fecharam com força, as unhas se cravando ainda mais nas costas de Murilo.

Ele soltou um grito de dor, súbito, cortando o ar. Ela não reagiu. Não afrouxou. Não parecia ouvir.

É como se já não estivesse ali. Como se estivesse em outro lugar, completamente fora de alcance. O orgasmo a levou para as nuvens, para fora do planeta!

Praticamente rosnava a cada socada.

Uma onda maior se forma.

Os músculos dos braços contraíram mais do que antes. Os ombros se elevaram, o pescoço encurtou, como se o corpo inteiro quisesse se tornar mais compacto, mais seguro. Até o abdômen endureceu.

O gozo veio forte, rasgando por dentro de seu corpo.

O ar pareceu desaparecer dos pulmões por um segundo.

— AAAAhhhhhhhhh!

O grito tentou nascer inteiro, mas ela o prendeu no meio do caminho. Os dentes se cerraram com força, o maxilar travado enquanto ela puxava o ar de forma irregular, tentando dominar a reação.

Não conseguiu.

Um som agudo escapou mesmo assim. Um grito de prazer: alto, involuntário, puro tesão.

Antes que pudesse abafá-lo, seu grito de prazer ecoou pela cozinha

A respiração curta, entrecortada. Os olhos se apertaram, e por um instante tudo o que existia era aquela sensação de prazer, de ter gozado.

Murilo também gozou, e tirou o pau e dentro dela!

Os olhos dela estavam abertos, mas perdidos. Ela olhava para o teto, depois para o lustre, depois para algum ponto indefinido da parede, como se estivesse remontando o mundo peça por peça. A respiração ainda irregular, ela parecia “voltar ao planeta terra”.

A mesa estava em ruínas — pratos quebrados, talheres espalhados, um copo rolando lentamente até cair no chão.

E, no centro de tudo, Julia. Deitada nua sobre a mesa, o gozo escorrendo da buceta.

O cabelo, antes impecável, agora grudado na testa e nas têmporas, formando fios soltos e úmidos. A maquiagem borrada, deixando sombras irregulares sob os olhos. O peito subindo e descendo rápido demais, como se ela tivesse corrido quilômetros.

Como uma maré recuando, o riso foi diminuindo. A respiração começou a desacelerar. A mão que antes tremia passou a alisar o próprio corpo. Os dedos foram até o cabelo, tentando organizar os fios. Depois ao rosto, limpando, disfarçando.

Os ombros se endireitaram.

Quando ela finalmente desceu da mesa e se sentou, já havia menos daquela mulher espalhada sobre a mesa e mais da promotora de justiça que ele conhecia tão bem.

Murilo lembrou de ter lido em algum lugar que as pessoas tem duas faces, uma para a sociedade e outra para a vida privada. Julia estava deixando de ser uma putinha para voltar a ser Julia, a promotora de justiça.

Ainda estava sem fôlego quando ela encostou a testa na dele, rindo baixo, como se tentasse recuperar o próprio ritmo.

— Eu preciso me recuperar… na hidro — ela disse, entre um sorriso e outro.

Ele não perdeu tempo e a pegou no colo, com firmeza e naturalidade.

— Então vamos resolver isso agora.

Júlia soltou um pequeno riso de surpresa, passando um braço pelo pescoço dele para se equilibrar. O caminho até o banheiro, no entanto, não estava exatamente… tranquilo. No chão da sala, alguns copos e talheres espalhados.

— Cuidado… — ela murmurou, entre divertida e preocupada.

Murilo desviava com atenção, dando passos calculados, contornando um copo aqui, um garfo ali, sem jamais afrouxar o abraço.

— Relaxa, eu tenho controle da situação.

— Sei… — ela respondeu, rindo, apertando levemente o ombro dele.

Finalmente, chegaram ao banheiro. Murilo empurrou a porta com o pé e entrou, depositando Júlia com cuidado na borda da banheira de hidromassagem. Ele se afastou só o suficiente para abrir a torneira e ajustar os controles.

A água começou a cair, primeiro suave, depois enchendo o ambiente com aquele som contínuo e relaxante. Ele testou a temperatura com a mão, ajustando até encontrar o ponto ideal.

— Senhora, sua hidro está sendo preparada — disse ele, com um meio sorriso.

Júlia observava tudo, ainda com aquele brilho no olhar, claramente se divertindo com a cena.

Murilo então ligou o sistema de jatos e se acomodou com as costas apoiadas na lateral interna da banheira. Poucos segundos depois, Julia se aproximou e se encaixou no colo dele, naturalmente, como se aquele gesto ainda fosse parte de um hábito antigo. Ele a envolveu pela cintura, trazendo-a para mais perto, e começou a beijar seu pescoço com calma, sentindo a pele arrepiar sob seus lábios.

Por alguns instantes, nada além da presença um do outro importava.

Mas então Murilo parou.

O abraço permaneceu, mas havia uma mudança sutil — uma tensão que não estava ali antes.

— Eu tô feliz de a gente estar se aproximando de novo… — ele começou, a voz mais baixa.

Julia virou levemente o rosto, tentando enxergar a expressão dele.

— Eu também tô…

Ele respirou fundo.

— Só que eu preciso te contar uma coisa.

Ela sorriu de leve, ainda relaxada.

— Lá vem…

— Eu sou o advogado do Misael.

Julia soltou uma risada imediata, quase automática.

— Para, Murilo…

Ele não sorriu de volta.

— Eu tô falando sério.

A mudança no tom dele fez o corpo dela enrijecer um pouco.

— Como assim sério? O crime foi ontem…

— Eu fui hoje de manhã visitar ele.

Julia virou-se mais, tentando encarar os olhos dele diretamente, como se procurasse algum sinal de brincadeira. Não encontrou.

— Murilo… — ela soltou, incrédula — você é o criminalista mais caro da cidade…

— Eu vou atuar de graça pra ele — interrompeu, firme.

O silêncio caiu pesado entre os dois, mesmo com o barulho constante da água.

Ela se afastou um pouco, o suficiente para olhar o rosto dele por completo.

— Meu Deus, Murilo…

A voz dela já não tinha mais leveza.

— Eu me comprometi a atuar contra ele no Tribunal do Júri… — disse, quase como se estivesse organizando o próprio pensamento em voz alta — e a massacrar… buscar a pena máxima.

Murilo fechou os olhos por um instante breve, como se já soubesse exatamente onde aquilo iria dar.

Julia engoliu seco. O corpo ainda estava próximo ao dele, mas a distância entre os dois agora era outra.

— A gente vai estar em lados opostos.

Ele assentiu, devagar.

Ela respirou fundo, desviando o olhar por um momento, antes de voltar para ele — agora com uma expressão mais dura, mais profissional, quase.

— Vamos ter que deixar essa… reconciliação pra depois.

A palavra pareceu pesada.

— Não tem como a gente voltar agora.

Murilo não tentou argumentar. As mãos que ainda estavam na cintura dela afrouxaram levemente, não por falta de vontade, mas por respeito ao que aquilo significava.

A água continuava quente. O ambiente, o mesmo.

Mas o momento tinha mudado completamente.

E, pela segunda vez, não por falta de sentimento — mas pelas circunstâncias — eles precisavam se afastar.

Continua ...

{ Série baseada no livro Primal Fear de William Diehl}

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