Luana: Última noite com Helena em nossa casa

Um conto erótico de Luana
Categoria: Grupal
Contém 6555 palavras
Data: 25/04/2026 21:35:31

Oiiii! Saudades de vocês ❣️ ❣️ 😍 😍

Ai gente, deixa eu respirar antes de começar porque só de lembrar já dá aquele frio na barriga, sabe?

.

O Jonas já contou a versão dele, com todos aqueles detalhes que só homem repara, mas eu preciso dizer como foi sentir o impacto daquele furacão de perto. Ver a Helena seduzindo a gente não foi um convite, foi um sequestro. O Jonas descreveu a mecânica da coisa, mas o que ele não contou foi o cheiro de fêmea no cio que tomou o quarto e como a minha pele queimava só de ver a mão dele sumindo dentro daquela buceta que, até cinco minutos antes, era apenas de uma 'amiga…

A noite anterior foi... olha, eu fico procurando a palavra certa e não acho uma que dê conta. Foi intensa. Foi bonita. Foi confusa do jeito gostoso que as coisas confusas às vezes são. Helena é um daqueles seres que quando decide se entregar, se entrega de verdade, sem meias medidas. E eu, que achei que tinha me blindado o suficiente, que tinha construído uma muralha boa em volta de mim mesma desde que a gente veio pra Urubici... bem.

Na manhã seguinte eu acordei cedo. O Jonas ainda dormia, aquele sono pesado de homem satisfeito, respirando fundo, o braço em cima de mim. Fiquei quietinha um tempo, ouvindo o silêncio da casa, o barulhinho do mato lá fora, aquele frio gostoso de Urubici entrando pela fresta da janela.

Me levantei com cuidado, peguei uma meia grossa, fui fazer café.

Tava lá na cozinha, de camiseta larga e shorts, cabelo todo bagunçado, esperando a água ferver, quando ouvi o passo dela no corredor. Helena apareceu na porta da cozinha com aquele rosto de manhã cedo que é completamente diferente do rosto que ela mostra pro mundo. Sem maquiagem, cabelo preso de qualquer jeito, uma camiseta enorme que devia ser do Lázaro. Ela parecia menor assim. Mais humana.

A gente se olhou por um segundo.

Eu sorri primeiro. Ela relaxou.

"Bom dia," ela disse baixinho, quase com cuidado, como se não soubesse bem qual era o protocolo depois do que tinha acontecido entre a gente.

"Bom dia. Café?"

"Por favor."

Ela sentou na cadeira da cozinha e ficou olhando pras próprias mãos enquanto eu enchia as xícaras. Coloquei uma na frente dela, peguei a minha, sentei do lado. A gente ficou um tempinho em silêncio, só o barulho das colheres mexendo.

Aí ela falou.

"Luana... eu preciso te pedir desculpa."

Eu levantei o rosto. Ela ainda olhava pra xícara.

"Eu não devia ter feito o que fiz. Fui eu que conduzi tudo aquilo, eu que... sei lá, fui tomando os espaços aos poucos, e de repente vocês dois estavam dentro de uma coisa que eu provoquei. Não foi justo."

Falou tudo isso num fôlego só, rápido, como quem ensaiou e tá com medo de perder a coragem.

Eu fiquei olhando pra ela um momento. Aquela mulher linda, de corpo escultural, que na noite anterior tinha me deixado sem fôlego, estava sentada na minha cozinha com cara de menina que aprontou e tá esperando o castigo. Tive vontade de rir, mas me contive porque dava pra ver que ela estava de verdade encabulada.

"Helena," eu disse com calma. "Ninguém foi pra lugar nenhum que não quis ir. Pode soltar esse peso."

Ela me olhou finalmente. Os olhos dela estavam um pouco brilhosos.

"Mesmo assim. Fiquei com vergonha essa manhã. Acordei e fiquei deitada lá no quarto sem saber como ia encarar vocês."

"Tô aqui tomando café contigo e não morri," eu disse. "Tá vendo? A vida continua."

Ela deu uma risadinha baixinha, aliviada. Tomou um gole de café.

Depois de um silêncio curto ela falou mais baixo ainda:

"Foi a primeira vez."

Eu olhei pra ela sem entender.

"A três," ela completou, olhando pra xícara de novo. "Nunca tinha feito isso antes. Com ninguém."

Ah. Não esperava isso. Pra ser honesta, pelo jeito dela na noite anterior, pela confiança, pela naturalidade... eu juro que não esperava isso.

"Sério?" eu perguntei, e senti que minha voz saiu mais suave automaticamente.

Ela acenou com a cabeça.

"E pra você?" ela perguntou, me olhando. "Também foi a primeira vez?"

E ali eu tive que tomar uma decisão rápida. Uma dessas decisões que o coração faz antes da cabeça terminar de raciocinar.

"Foi," eu disse. Sorrindo, calma, sem piscar.

Mentira. Mas uma mentira necessária. Porque a última coisa que eu precisava era abrir a caixa inteira da minha vida pra Helena, por mais que eu gostasse dela. A gente tinha chegado em Urubici pra recomeçar do zero, longe de tudo aquilo, e eu não ia deixar que a história da gente se espalhasse por aí. Nem pelo bem de mim, nem pelo bem do Jonas.

Helena assentiu, e havia um alívio visível nela, como se soubesse que estávamos no mesmo nível, as duas estreando em algo novo.

"Luana," ela disse depois de um momento, a voz mudando de tom, ficando mais séria. "Preciso te pedir uma coisa."

"Fala."

"Não conta pro Jonas falar com o Lázaro. Ele não pode saber."

Eu pus a xícara na mesa devagar.

"Ele não pode saber de jeito nenhum," ela repetiu, e havia uma urgência real nos olhos dela agora. "Eu sei que parece contraditório, né? Porque no fundo foi uma coisa que eu fiz por conta própria, tomei a iniciativa, mas se o Lázaro souber assim, do jeito que aconteceu, sem ele estar junto..."

Ela parou. Respirou.

"Ele tem um fetiche," ela falou mais baixo, as palavras saindo com cuidado, como se pesassem. "Quando a gente tá no meio do sexo, ele fala que quer me ver com outro. Homem, mulher, tanto faz. Fala que quer dividir, que quer assistir. E no momento é intenso, Luana, é muito intenso, eu fico louca com aquilo. Mas aí termina, a gente dorme, e no dia seguinte ele não toca mais no assunto. Como se tivesse apagado."

Eu ouvia em silêncio, segurando a xícara com as duas mãos.

"Com o tempo eu fui percebendo que aquilo tinha entrado em mim de um jeito diferente," ela continuou. "Que eu queria de verdade. Que eu ficava pensando nisso, fantasiando. E ficava com raiva dele porque ele plantava aquilo em mim lá na cama e depois não tinha coragem de transformar em realidade. Era como acender um fogo e apagar antes de queimar."

Ela sacudiu levemente a cabeça.

"Então ontem eu... eu simplesmente fiz. Por conta própria. Sem combinar com ele, sem pedir permissão." Pausa. "E se ele souber assim, vai ser diferente de qualquer coisa que ele fantasiou. Vai ser real demais, do jeito errado. Você entende?"

Entendi. Entendi muito mais do que ela imaginava.

"Tem mais uma coisa," ela falou, os olhos encontrando os meus com uma seriedade que me pegou de surpresa. "O Lázaro quer ser pastor. Isso não é brincadeira pra ele, é um chamado de verdade. E ele tem medo. Medo de que alguém descubra essas fantasias dele, esse lado que não combina com o púlpito. Então a gente vive com esse segredo entre quatro paredes, e eu carrego isso sozinha porque ele não consegue nem conversar sobre isso fora da cama."

Ficou quieta por um momento.

"Você jura que não conta pra ninguém? E fala pro Jonas não contar pro Lázaro.

Olhei pra ela. Aquela mulher que tinha chegado na minha casa como uma força da natureza e estava sentada ali me pedindo sigilo com os olhos de quem não tem mais com quem conversar sobre aquilo.

Coloquei a mão por cima da dela na mesa.

"Helena. Eu sou sua amiga. Pode confiar em mim. Isso fica entre a gente."

Ela fechou os olhos por um segundo, aliviada de um jeito que me aperreou o coração.

Quando os abriu de novo, o sorriso tinha voltado. Aquele sorriso de canto de boca, mais leve agora, mais real.

Ficou me olhando por um momento com uma expressão diferente, mais curiosa, mais íntima.

"Luana," ela disse, a voz voltando àquela leveza de antes. "Você gostou?"

Eu ri. Daquele jeito que a gente ri quando a pergunta pega desprevenida mas ao mesmo tempo era exatamente a pergunta que estava pairando no ar fazia tempo.

"Helena," eu falei, sacudindo a cabeça com um sorriso.

"Não, fala sério," ela insistiu, se inclinando levemente pra frente na cadeira, os cotovelos na mesa, o rosto entre as mãos. Igual criança curiosa. "Eu quero saber de verdade."

Tomei um gole de café pra ganhar um segundo. Não porque precisava pensar na resposta, porque a resposta eu sabia muito bem. Precisava pensar em como entregar sem entregar demais.

"Gostei," eu disse por fim, simples assim.

"Gostou gostou, ou gostou por educação?" ela perguntou, sobrancelha levantada.

Eu dei uma gargalhada baixinha, daquelas que saem do peito.

"Helena, você realmente precisa que eu detalhe isso?"

"Preciso," ela disse, completamente séria, mas com os olhos rindo.

Suspirei fingindo relutância.

"Tá bom. Gostei de verdade. Muito. Você é..." parei, procurei a palavra certa. "Você é intensa. Do jeito bom. Você presta atenção nas pessoas de um jeito que deixa a gente meio sem defesa, sabe? Você foi chegando, foi chegando, e quando eu percebi já estava dentro daquilo sem ter tomado uma decisão consciente de entrar."

Ela me ouvia com aquela atenção toda dela, o queixo apoiado nas mãos.

"E o Jonas junto?" ela perguntou, mais baixinho.

Aí eu precisei de um segundo maior.

Porque essa parte era mais complicada de explicar. Não pela vergonha, mas porque era verdadeira demais, profunda demais, e eu não sabia até onde queria ir com Helena nessa conversa.

"O Jonas junto foi uma coisa diferente," eu falei devagar, escolhendo cada palavra. "Sabe quando você está num lugar novo, desconhecido, e de repente olha pro lado e vê alguém que você conhece? Aquela sensação de segurança no meio do desconhecido? Foi mais ou menos isso. Ele estava ali, era ele, e isso fez com que eu me permitisse mais do que teria sozinha."

Helena ficou quieta um momento, processando.

"Vocês dois têm uma coisa muito bonita," ela disse então, com uma sinceridade que não era inveja, era admiração mesmo. "Dá pra sentir que tem uma raiz entre vocês. Uma coisa que não quebra fácil."

Eu sorri sem querer.

Helena me olhou com aquele olhar de quem entende mais do que aparenta, e ficou em silêncio por um momento respeitoso.

Depois, e eu já sabia que ia ter um depois, ela inclinou levemente a cabeça e perguntou:

"E comigo? Comigo foi bom também? Quero dizer... você já tinha ficado com uma mulher antes? Sentiu alguma diferença?"

E ali chegou a parte que eu precisava navegar com muito cuidado.

Porque a verdade era que sim. Que eu conhecia o corpo feminino de um ponto de vista que não era só teoria. Que havia uma naturalidade em mim com aquilo que não era de primeira viagem.

Mas eu tinha dito que era a primeira vez. E precisava segurar esse fio.

"Foi a primeira vez," eu repeti, com calma, olhando nos olhos dela. "E sim, foi diferente. Diferente de tudo que eu conhecia. Você é muito... presente. Sabe? Você estava ali de verdade, não estava em outro lugar. Isso faz diferença."

Ela sorriu de um jeito que aqueceu a cozinha inteira.

"Você também," ela disse baixinho. "Você me surpreendeu, Luana. Eu não esperava que fosse assim tão... tão fácil entre a gente. Tão natural."

A gente ficou um tempo em silêncio gostoso, cada uma com a própria xícara, o sol da manhã começando a entrar pela janela da cozinha, o barulho do Jonas se mexendo lá no quarto.

"Helena," eu falei antes que ele aparecesse. "Sobre o que você me contou do Lázaro..."

Ela me olhou.

"Você não tá sozinha nisso não. Às vezes as pessoas que a gente ama carregam coisas que não sabem nem nomear. Não é fácil viver do lado disso."

Ela baixou o olhar pra xícara. Assentiu devagar.

"É cansativo," ela disse. Simples assim. Sem drama. E exatamente por isso partiu o coração.

Coloquei a mão no braço dela por um segundo, leve, como ela fazia comigo.

Foi quando o Jonas apareceu na porta da cozinha, cabelo bagunçado, descalço, aquela cara de quem dormiu bem pela primeira vez em semanas. Olhou pra mim, olhou pra Helena, avaliou o ambiente em meio segundo do jeito que homem experiente faz.

"Sobrou café?" ele perguntou, a voz ainda rouca de sono.

"Sobrou," eu disse.

Ele foi até a bancada, pegou uma xícara, e antes de encher ele pousou a mão no meu ombro de passagem. Um toque rápido, casual, mas que dizia tudo que precisava ser dito.

Helena viu. E sorriu pra própria xícara.

A gente tomou café os três ali, na cozinha fria de Urubici, com o sol entrando pela janela e o silêncio sendo do tipo que não pesa. E eu pensei que era uma cena estranhamente normal pra tudo que tinha acontecido na noite anterior.

Mas enquanto o Jonas e a Helena conversavam sobre o tempo, sobre a serra, sobre qualquer coisa, eu fiquei com aquele pensamento que não saía da cabeça desde que tinha acordado.

O Lázaro voltava no dia seguinte.

E eu ainda não sabia o que fazer com tudo aquilo.

Depois que o Jonas foi trabalhar a casa ficou naquele silêncio de manhã que eu gosto. Sabe aquele silêncio que não é vazio, é só... espaço? A Helena estava sentada no sofá com o celular, eu estava recolhendo as xícaras do café, e de repente ela se levantou e perguntou:

"Você tem pano de chão?"

Eu ri.

"Helena, você é hóspede."

"Hóspede que fez bagunça ajuda a arrumar," ela disse, já indo em direção à cozinha com uma naturalidade de quem conhece a casa há anos. "Me fala onde guarda o material de limpeza."

Não adiantou discutir. Aquela mulher quando decide alguma coisa, decide.

Então foi assim que eu e Helena passamos a manhã limpando a casa juntas. E olha, tem uma intimidade muito específica em limpar um espaço com alguém. Diferente de qualquer outra coisa. Você vê a pessoa de chinelo, cabelo preso torto, cantarolando baixinho sem perceber. É um outro tipo de nudez.

Ela foi até o celular dela e colocou uma playlist. Começou com umas músicas gospel, o que me fez dar uma risada que eu engoli, e aí aos poucos foi mudando, foi escorregando pra um pagode mais antigo, daquele que a gente conhece toda palavra sem saber explicar quando aprendeu. A gente foi cantando junto sem combinar, ela passando o pano na sala enquanto eu limpava o banheiro, a voz dela chegando pelo corredor misturada com o cheiro de produto de limpeza.

Foi uma manhã boa. Simples. Engraçada até, porque a Helena tentou limpar atrás do sofá e descobriu um par de meia do Jonas que devia ter uns dois meses ali, e a gente morreu de rir juntas agachadas no chão.

Quando terminou, a casa estava cheirosa, arrumada, com aquela sensação de começo que lugar limpo tem.

Helena ficou parada no meio da sala, olhando em volta com satisfação.

"Pronto," ela disse, passando o dorso da mão na testa. "Agora eu preciso de um banho urgente."

"Pode usar o banheiro do quarto," eu disse. "Tem toalha limpa na prateleira de baixo."

Ela agradeceu e foi.

Eu fiquei na cozinha guardando os materiais, bebi um copo d'água, fiquei ali encostada na bancada por um minuto. Ouvi o chuveiro ligar lá no fundo da casa.

E aí o cheiro começou a chegar.

Não sei se ela abriu a porta do banheiro, não sei se o vapor carregou pelo corredor, mas o cheiro do sabonete dela foi chegando na cozinha devagar, aquela fragrância adocicada e quente que eu já tinha sentido na pele dela na noite anterior. E alguma coisa dentro de mim acordou sem pedir licença.

Fiquei parada tentando ignorar.

Não consegui.

Eu sei que vocês vão falar que eu sou fraca. Podem falar. Mas quem já sentiu aquela fisgada específica do desejo sabe que às vezes a cabeça simplesmente fica pra trás. O corpo já tomou a decisão antes de você perceber que estava pensando.

Fui pelo corredor. A porta do banheiro estava encostada, o vapor saindo pela fresta, o cheiro mais forte agora. Parei com a mão na madeira por um segundo.

Bati de leve.

"Helena."

"Oi?" a voz dela veio de dentro, relaxada.

"Posso entrar?"

Uma pausa curta. E então:

"Pode."

Abri a porta devagar. O banheiro estava cheio de vapor, a luz suave, o espelho já embaçado. A silhueta dela atrás do box era uma sombra quente e indefinida que fez meu coração acelerar.

"Posso tomar banho junto?" eu perguntei, e minha voz saiu mais baixa do que planejei.

Ouvi um sorriso antes de ver.

"Tô esperando desde que você entrou no corredor," ela disse.

Eu ri. Aquela mulher.

Tirei a roupa devagar, sem pressa, e abri o box.

Ela estava de frente pra mim, a água descendo pelos ombros, pelo peito, pela barriga, escorregando pelas curvas dela com uma generosidade que só a água tem. O cabelo escuro colado no pescoço, os olhos me observando chegar com aquela expressão de antes, aquela mistura de calma e fogo que era especificamente da Helena.

Entrei no box e fechei o vidro atrás de mim.

A água quente me pegou de imediato, e ela se afastou um pouco pra me deixar molhar, mas as mãos dela não me largaram completamente. Ficaram nos meus quadris, leves, enquanto eu ficava debaixo do chuveiro de olhos fechados, deixando a água quente escorrer.

Quando abri os olhos ela estava me olhando.

"Você é bonita, Luana," ela disse, simplesmente, sem intenção de puxar conversa. Era uma observação. Um fato.

Não respondi com palavra. Me aproximei e cravei meus dedos no cabelo dela, puxando a cabeça dela para trás. O beijo não teve nada de calmo; nossas línguas se brigavam, se enrolavam, com gosto de café e urgência. Eu queria sentir o peso dela. Colei meu corpo no dela e senti os bicos dos peitos dela duros cutucando os meus. A mão dela desceu direto, apertando minha bunda com força, me puxando para cima, querendo que eu sentisse o calor que já escorria por entre as pernas dela.

As mãos dela foram pras minhas costas, descendo devagar pela coluna, e eu colei meu corpo no dela sem cerimônia, sentindo cada curva dela encaixar no meu corpo com aquela naturalidade desconcertante. Ela era quente por fora e por dentro, e o contraste com a água que já começava a esfriar levemente fazia a pele dela parecer ainda mais viva.

Fui com o rosto pro pescoço dela, respirei fundo, o sabonete e o calor se misturando, e ela deu um suspiro baixo que me atravessou.

As mãos dela sabiam o caminho. Já tinham feito o mapa na noite anterior e voltavam agora com mais confiança, sem hesitação. Foram pelo meu quadril, pela lateral da minha cintura, subiram devagar pelo meu abdômen até chegar onde chegaram, e eu encostei as costas na parede fria do box com um gemido que o barulho da água quase engoliu.

Ela se ajoelhou devagar.

Eu olhei pra baixo e o que vi me tirou o fôlego. Aquela mulher, linda como era, de joelhos embaixo da água, me olhando de baixo com aqueles olhos escuros, era uma imagem que eu sabia que ia carregar por muito tempo.

Não precisei pedir nada. Ela já sabia.

Ela se ajoelhou e o vapor parecia ferver. Helena não teve pressa. Ela abriu minhas pernas e mergulhou o rosto na minha buceta encharcada, misturando a água do chuveiro com o meu próprio mel. Senti a língua dela, quente e firme, lambendo cada centímetro, subindo até o grelo e sugando com vontade. Eu segurei a cabeça dela, enterrando meus dedos naqueles fios molhados, enquanto ela me chupava como se a vida dela dependesse daquilo. Quando ela mordeu de leve a parte de dentro da minha coxa, eu perdi o chão. Eu só conseguia gemer alto, as pernas bambas, vendo ela engolir tudo o que eu tinha pra oferecer

e completamente dedicada, e que o barulho da água foi uma benção porque eu não estava conseguindo me controlar.

Quando minhas pernas começaram a tremer de verdade ela se levantou, me segurou pelos quadris com firmeza, colou o corpo no meu contra a parede do box, e sussurrou no meu ouvido:

"Segura em mim."

Eu segurei.

E me permiti ir completamente, sem guardar nada, sem administrar nada, com aquela entrega que eu raramente consigo ter porque normalmente tem uma parte de mim que fica do lado de fora observando. Dessa vez não. Dessa vez eu fui inteira.

Quando voltei fui devagar, a respiração descompassada, a água já mais fria, as mãos dela me segurando enquanto eu voltava.

Nos olhamos por um momento, a água escorrendo pelos dois rostos.

Ela sorriu primeiro. Aquele sorriso de canto de boca.

"Sua vez," ela disse baixinho.

E eu sorri de volta, com aquela sensação de quem perdeu uma batalha que não estava tentando vencer de verdade.

Me ajoelhei na frente dela, ignorando a água que batia no meu rosto. Encarei aquela buceta rosada, escancarada pra mim, e não pensei duas vezes. Abri os lábios dela com os dedos e meti a língua com força, fundo, sentindo o gosto dela, o cheiro de mulher excitada que o sabonete não conseguia esconder. Helena arqueou as costas, as unhas cravadas no meu ombro, me pedindo mais. Eu chupei com fome, querendo ouvir o estalo da língua nela, querendo sentir ela tremer inteira. Quando ela gozou, o corpo dela deu um solavanco, e eu não parei; continuei ali, lambendo, sentindo o pulsar de cada espasmo dela contra a minha boca até ela quase cair de exaustão.

Muito rápido.

Ela segurou no box com as duas mãos, os nós dos dedos brancos, a cabeça jogada pra trás, a água batendo nas costas dela, e eu trabalhei com a paciência de quem não tem pressa nenhuma até ela me puxar pelos ombros com urgência e se deixar ir também.

Ficamos um tempo ali, as duas sentadas no chão do box, a água fria agora mas nenhuma das duas com vontade de se mover. Ela encostou a cabeça no meu ombro e ficamos em silêncio, ouvindo o barulho da água.

"Luana," ela disse por fim, a voz rouca e mansa.

"Hm?"

"Você tem certeza que foi sua primeira vez com uma mulher?"

Eu fechei os olhos.

E dei uma risada curta que disse tudo sem dizer nada.

Ela me olhou com aquela sobrancelha levantada, e eu desviei o olhar pro rascunho do azulejo na parede, ainda sorrindo.

"Helena."

"Luana."

"Desliga esse chuveiro que a conta de água vai vir absurda."

Ela ficou me olhando por um segundo ainda, com aquela expressão de quem sabe que tem mais história do que estão contando, mas decidiu, por enquanto, não puxar o fio.

Se levantou, desligou o chuveiro, e me estendeu a toalha com um sorriso que dizia claramente: *essa conversa não acabou*.

Eu sabia que não tinha acabado

Gente, deixa eu contar como foi essa noite porque eu ainda tô processando.

O jantar foi tranquilo, sabe? A gente comeu, conversou sobre besteira, sobre a cidade, sobre uma feira que tinha no fim de semana. Coisas normais. Se alguém de fora olhasse pra aquela mesa não imaginaria nada do que tinha acontecido nas últimas horas. Três pessoas jantando. Normal.

Depois o Jonas pegou o celular dele e foi pro modo marido entediado, rolando feed, completamente no mundo dele. Eu e a Helena fomos pro sofá assistir novela. Ela gostava de novela, o que me surpreendeu de um jeito bobo, porque não sei por que eu achei que mulher como ela não assistia novela. A gente ficou ali comentando as cenas, falando mal do personagem vilão, sendo completamente normais.

Pouco depois das nove o Jonas apareceu na sala, olhou pra televisão com aquela cara de quem não entende nada do que está passando e nunca vai entender, e perguntou se a gente topava ver um filme.

"Que filme?" eu perguntei.

"Suspense," ele disse, já pegando o controle.

Eu e a Helena nos olhamos. Ela deu de ombros sorrindo. Tudo bem.

Ele se instalou no meio do sofá grande, daquele jeito largo de homem que ocupa espaço sem perceber. Eu fui automática, me deitei de lado com a cabeça no colo dele, as pernas enroladas, minha posição de sempre. A Helena ficou no sofá menor, mais afastada.

O filme começou. Era tenso, daquele tipo que vai construindo o clima aos poucos. A Helena ficou quietinha no sofá dela, abraçada num coxim, e eu percebi que estava com frio quando ela se mexeu tentando se aquecer.

"Helena, vem aqui," eu falei. "Esse sofá é grande, fica mais quentinho."

Ela hesitou um segundo. Só um segundo.

Veio.

Se acomodou do lado do Jonas, puxou a manta que estava no encosto, se encolheu nela. O Jonas não disse nada, continuou assistindo o filme com aquela concentração masculina em coisa de tela.

O tempo foi passando. A sala foi esfriando mais. Na tela acontecia alguma coisa tensa que eu já tinha perdido o fio porque a minha atenção estava em outro lugar.

Eu não sei exatamente quando começou. Quero dizer, eu sei, mas é difícil apontar o momento exato porque foi uma coisa que foi acontecendo em camadas, devagar, como aquela água quente que vai subindo na banheira sem você perceber até estar completamente dentro.

Eu comecei a mexer o rosto no colo dele. Sutil, como quem está se acomodando. Mas eu sabia o que estava fazendo. A boca encontrou a coxa dele por cima da calça, e eu comecei a morder de leve, vagaroso, sem chamar atenção. Sentia ele tentar se concentrar no filme. Sentia a respiração dele mudando.

Não demorou.

Debaixo do tecido da calça eu senti o que queria sentir. Sorri contra a coxa dele sem que ninguém visse.

Olhei pro lado discretamente. A Helena estava com a cabeça encostada no ombro dele, os olhos na televisão, a manta cobrindo até a cintura.

Eu me movi devagar, muito devagar, e abri o zíper do Jonas com uma calma que até eu mesma me surpreendi. Ele travou por um segundo. Eu continuei. E quando a boca dele me achou num pequeno sinal involuntário de prazer, eu já tinha o que queria na mão.

Desci.

Fiz o que faço, do jeito que sei fazer, com aquela atenção toda que o Jonas gosta e que eu gosto de dar. Lá de baixo eu não via muito, mas sentia a tensão no corpo dele, a respiração que foi ficando menos controlada, a mão dele que desceu pro meu cabelo quase sem querer.

E então ouvi um som diferente acima de mim.

Levantei os olhos discretamente.

O Jonas tinha a mão direita embaixo da manta, do lado da Helena. E pela posição do braço dele, pela forma como ela tinha se mexido levemente, pelo jeito que a respiração dela tinha mudado também...

Eu entendi.

Continuei o que estava fazendo, mas agora com uma vontade diferente, alimentada pelo que estava imaginando acontecer ali em cima.

A Helena tomou um susto no primeiro segundo, eu tenho certeza disso. Mas aquela mulher se recupera rápido. Muito rápido. Porque o que veio depois foi ela virando levemente pro Jonas, e pela sombra que eu vi, pelos sons que chegaram até mim, ela estava sendo beijada.

O Jonas entre nós duas. Eu na boca dele e ela nos lábios dele. E a mão dele que não estava no meu cabelo estava explorando embaixo da manta o que eu já conhecia e sabia que era extraordinário.

Fiquei assim por um tempo que não sei medir. Tempo nessas situações não funciona igual ao tempo normal.

Depois subi.

Me levantei do chão, me ajeitei, e sem cerimônia fui pro rosto do Jonas e o beijei fundo, com vontade, do jeito que a gente se beija quando não tem mais nada pra esconder. Senti o gosto familiar dele, e ele me respondeu com a mesma intensidade, as mãos no meu rosto.

Quando nos separamos, os dois olhamos pra Helena ao mesmo tempo.

Ela estava nos olhando, a manta escorregada pro lado, o vestido levemente desalinhado, os lábios vermelhos, os olhos com aquele brilho específico que eu já conhecia dela.

Ela olhou pra mim. Olhou pro Jonas. E desceu do sofá de joelhos no tapete, na frente dele, com aquela elegância dela que parecia ensaiada mas eu sabia que não era.

Eu fiquei do lado, observando, a mão nas costas do Jonas, sentindo cada reação dele enquanto a Helena fazia um gostoso boquete nele. Ele jogou a cabeça pra trás no encosto do sofá e fechou os olhos, e eu fiquei olhando pro rosto dele naquele momento, aquele rosto que eu conheço tão bem, e senti aquela mistura estranha e boa de possessividade e generosidade que só quem já viveu algo assim entende.

Passei os dedos pelo cabelo dele. Ele abriu os olhos e me olhou.

"Vem aqui," ele disse, a voz grossa.

Me puxou pelo pescoço e me beijou de novo, fundo, enquanto a Helena continuava chupando a rola dele, e eu fui me derretendo de um jeito que misturava os dois, o familiar e o novo, o amor e o desejo, tudo junto sem fronteira clara.

Em algum momento a Helena subiu, se acomodou no colo do Jonas de frente pra ele, o vestido subindo, e eu assisti por um segundo antes de me aproximar por trás dela, as mãos nos ombros dela, descendo pelos braços, enquanto o Jonas a segurava pela cintura. Com sua rola completamente dentro dela.

O filme continuava passando na televisão.

Ninguém estava mais assistindo.

O sofá foi ficando pequeno naturalmente, e foi o Jonas que se levantou primeiro, pegou a Helena no colo com aquela força dele que eu amo, ela deu uma risada surpresa, e ele olhou pra mim por cima do ombro dela com aquele olhar.

Me levantei e fui na frente apagar as luzes da sala.

No corredor, o Jonas passou por mim com a Helena no colo e eu abri a porta do quarto, acendi o abajur de luz baixa, e quando me virei os dois já estavam na cama.

Fechei a porta atrás de mim.

A noite estava pegando fogo e o clima entre nós três não poderia estar mais intenso. O Jonas era puro desejo, e eu adorava como ele se revezava entre o meu corpo e o da Helena, sem deixar nenhuma de nós descansar. Mas eu queria mais, queria ver a Helena perder o controle de vez. No meio daquele prazer absurdo, enquanto ele massageava a minha buceta, eu mudei o foco e mostrei o cuzinho dela para ele. Olhei bem nos olhos dela e pedi para ela deixar o Jonas comê-la ali mesmo.

A Helena travou por um segundo, os olhos arregalados de surpresa. Ela disse que nunca tinha feito, que tinha medo de doer, mas eu conheço a amiga que tenho. Comecei a sussurrar no ouvido dela, beijando o seu pescoço, convencendo-a de que seria inesquecível e que eu cuidaria de tudo.

"Espera um pouco," eu disse, levantando num pulo para ir ao banheiro buscar a pomada.

Enquanto eu saía, o Jonas não perdeu tempo. Ouvi os gemidos dela lá do corredor enquanto ele explorava cada centímetro do corpo dela, mantendo-a ocupada com beijos e carícias vorazes. Quando voltei, a cena era deliciosa: ela estava concentrada, chupando a rola do Jonas com vontade, enquanto ele segurava o rosto dela. Eu me aproximei por trás, abri o tubinho e comecei a passar a pomada devagar no cuzinho dela, preparando o caminho com os dedos.

Ela se posicionou de ladinho, trêmula. O Jonas veio por trás, firme, e começou a penetrá-la. No início, vi no rosto dela aquele susto da dor, mas logo o corpo dela relaxou, rendido ao prazer novo que subia pela espinha. Ele não teve dó; começou a fuder aquele cuzinho com força, num ritmo frenético, até que não aguentou mais e descarregou todo o seu gozo lá dentro.

O Jonas saiu para se limpar, deixando nós duas jogadas na cama, ofegantes. Mas a sede não tinha acabado. Fomos para o banheiro logo atrás dele e lá a pegação continuou debaixo do chuveiro. A água quente batia nos nossos corpos e o desejo explodiu de novo. Depois que eu e a Helena conseguimos gozar juntas, senti que faltava o toque final.

Olhei para ela e pedi que fizesse a finalização no Jonas. Helena, agora totalmente entregue, ajoelhou-se ali mesmo no chão do banheiro. Ela envolveu a rola dele e caprichou no boquete, sugando com uma intensidade que o deixou sem fôlego. Quando ele descarregou pela segunda vez, ela não hesitou: deixou ele engolir tudo, limpando cada gota antes de se levantar.

Nos enxugamos rindo, cúmplices de uma noite perfeita. Voltamos para a cama e nos aninhamos os três, pele com pele, até que o cansaço finalmente venceu o prazer e pegamos no sono abraçados.

Gente, eu precisei respirar fundo antes de escrever essa parte.

O Lázaro chegou no fim da tarde.

A gente sabia que ele vinha, claro. A Helena tinha arrumado o quarto dela desde cedo, deixado tudo no lugar, como se apagasse qualquer rastro de desordem. Eu fiz o mesmo com o nosso quarto, por instinto, aquela coisa de mulher que organiza o espaço externo quando o interno está bagunçado.

O Jonas chegou do trabalho um pouco antes do Lázaro aparecer, e a gente ficou na cozinha por um momento, só nós dois, enquanto a Helena estava no quarto se arrumando. Ele me olhou com aquela expressão que eu leio de olhos fechados, aquela mistura de cumplicidade e pergunta silenciosa.

Não precisou falar nada.

Eu balancei a cabeça levemente. Tô bem. A gente tá bem? Ele assentiu, me deu um beijo rápido na testa, e foi trocar de roupa.

Quando o carro do Lázaro entrou no portão, a Helena foi a primeira a ouvir. Saiu do quarto com um sorriso no rosto que eu observei com atenção, tentando decifrar. Não era falso. Era genuíno. Ela gostava do marido, isso era real. Só que ela era uma mulher inteira, com desejos inteiros, que o marido não conseguia alcançar completamente. Eu entendia isso de um jeito que ela não imaginava.

Lázaro entrou com aquela presença dele que preenche o ambiente. Moreno, sorridente, a mochila no ombro, aquele porte de homem que sabe que é bonito sem precisar se esforçar. Abraçou a Helena demorado, enterrou o rosto no pescoço dela, e eu desviei o olhar por um segundo porque havia uma intimidade ali que me pareceu sagrada de um jeito estranho, considerando tudo.

Depois veio cumprimentar a mim e ao Jonas com aquela calorosa naturalidade dele.

"Luana, você tá mais bonita ainda," ele disse, me dando um abraço e um beijo no rosto. "Urubici tá te fazendo bem."

"É o ar da serra," eu disse, sorrindo.

Ele deu uma gargalhada e foi abraçar o Jonas com aquela coisa de homem que se cumprimenta com força, tapas nas costas, risada.

E foi assim. Natural. Leve. Como se os últimos dois dias tivessem sido exatamente o que pareciam ser por fora: uma amiga hospedada na casa de outra amiga enquanto o marido viajava.

Jantamos os quatro. E esse jantar foi completamente diferente dos anteriores. Tinha o Lázaro animado contando da viagem, dos negócios, de um causo engraçado que tinha acontecido no hotel. A Helena ria nos momentos certos, completava as histórias dele, enchia o copo dele sem que ele pedisse. Era um casal funcionando bem. Bonito até.

Eu comia e ouvia e participava quando precisava, mas tinha uma parte de mim que ficava observando a Helena. O jeito que ela olhava pro Lázaro. O jeito que a mão dela pousava no braço dele na mesa. Não havia culpa naquele gesto. Havia afeto real.

Ela era uma mulher que amava o marido e ao mesmo tempo carregava desejos que ele plantou e não tinha coragem de regar. E ela tinha encontrado um jeito de regar por conta própria.

Eu não julgava. Quem era eu pra julgar?

O Jonas estava ótimo, devo dizer. Relaxado, engraçado, presente. Contou de um problema no trabalho que tinha resolvido, perguntou sobre os negócios do Lázaro com interesse genuíno. Nenhum sinal de nada. Aquele homem quando decide segurar o jogo, segura com uma competência que às vezes me intimida.

Depois do jantar os homens foram pra sala, ligaram o futebol, e aquela linguagem universal masculina tomou conta. Eu e a Helena lavamos a louça juntas, lado a lado na pia, passando prato e copo sem pressa.

A gente ficou em silêncio por um tempo, só o barulho da água e a voz do narrador do futebol chegando da sala.

Ela me passou uma tigela pra enxaguar e quando nossas mãos se encontraram por um segundo ela me olhou de lado.

Eu a olhei de volta.

Nenhuma das duas disse nada.

Não precisava.

Havia um segredo compartilhado no silêncio daquele momento, uma coisa que era só nossa, que não tinha nome e não precisava ter. Ela sorriu levemente, de canto de boca, e voltou pra louça. Eu também.

Mais tarde, quando o Lázaro e a Helena foram embora, ele com a mochila no ombro e ela com a bolsa e um sorriso de despedida, nos abraçamos na porta como quatro amigos que tinham passado um fim de semana agradável juntos.

"Vamos marcar de novo logo," o Lázaro disse, apertando a mão do Jonas.

"Com certeza," o Jonas respondeu.

Helena me abraçou por último. Demorou um segundo a mais do que o normal. O perfume dela me pegou de surpresa como sempre, e ela sussurrou tão baixinho que mal deu pra ouvir: "Obrigada."

Só isso.

Fiquei na porta vendo o carro deles sumir na curva da rua.

O Jonas ficou do meu lado, o braço em volta dos meus ombros, e a gente ficou parado um momento olhando pra rua vazia.

"Então," ele disse, sem olhar pra mim.

"Então," eu respondi, sem olhar pra ele.

Ficamos em silêncio por um momento.

"Tá com fome?" ele perguntou.

Eu dei uma risada. Daquelas que saem do fundo, genuínas, sem razão específica além do absurdo gostoso da vida às vezes.

"Acabamos de jantar, Jonas."

"É," ele disse, sorrindo. "É verdade."

Entramos. Ele fechou a porta. A casa estava quieta de novo, só nossa, com aquele cheiro de comida e de fim de visita.

Me sentei no sofá, o mesmo sofá de ontem à noite, e olhei pra televisão desligada por um momento.

O Jonas veio sentar do meu lado, pegou minha mão sem fazer cerimônia, e ficamos assim, em silêncio, sem o futebol, sem música, sem nada.

"A gente precisa conversar sobre isso alguma hora," eu disse por fim.

"Eu sei," ele disse.

"Mas não hoje."

"Não hoje," ele concordou.

Fui me deitar com a cabeça no ombro dele, ele jogou o braço em volta de mim, e ficamos assim até a noite fechar de vez lá fora.

Urubici estava quieta. A casa estava quieta. O Jonas estava quieto.

E eu, pela primeira vez em muito tempo, também estava.

Mas sabe aquela quietude que não é paz, é só o intervalo entre uma coisa e outra? Aquela pausa que a vida dá antes de virar a página?

Era essa.

E eu sabia, do jeito que mulher sabe essas coisas antes de ter prova, que a página ainda ia virar.

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Comentários

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Que atitude mais escrota dos três. Primeiro a fingida da Helena.... ama o caralho. Quando vc ama alguém, vc quer que essa pessoa participe da sua vida, fantasia, vc inclui ou ao menos decide juntos. Ela mentiu, enganou o marido. Em nome do prazer vale fazer o outro de otário... repetindo a amiga/amante Luana. Pedir para todos mentirem, foi mais baixa que as atrapalhadas de Luana, que errava sim, mas nunca ocultou as merdas que fez, mesmo tendo graves consequências.

Luana agora virou lésbica... ao invés de buscar outras rolas vai atrás de bucetinhas... e não conta pro Jonas. Qual q diferença entre homem ou mulher, traição continua sendo traição, não importa o genero com quem trai. Novamente, repetindo os mesmos erros. Ocultando coisas do Jonas.

Jonas, o mais falso de todos na história. Corneando o próprio parça, sem culpa nenhuma... tudo bem a responsabilidade é da Helena, afinal ela é casada, mas ele é amigo, não tem mais moral nenhuma pra falar de traição. Reforça a imagem que passa de covardia e hipocrisia.

Conto excitante, mas lamentável. Espero que tenham coragem e contem para o marido corno, mas o estrago já foi feito. Amizade e confiança de Lázaro com eles se apagou.

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