Lisola - A ilha do Prazer - Cap 01. Alex e Bri chegam a Lisola

Um conto erótico de kingvn
Categoria: Heterossexual
Contém 6797 palavras
Data: 20/04/2026 15:43:01

A luz me cega quando acordo. Não a luz suave da manhã que filtra pelas cortinas do nosso quarto, mas algo cru, ofuscante, que parece nascer de todos os ângulos ao mesmo tempo. Tento levantar a mão para proteger os olhos, mas meus braços parecem feitos de chumbo, pesados e desconectados da minha vontade.

— Bri? — minha voz sai rouca, estranha até para mim mesmo.

Um gemido vem da minha esquerda. Virando a cabeça devagar, a cada movimento custando uma consciência que parece escorregar entre meus dedos, vejo Brianna deitada na grama verdejante. Ela está nua, seu corpo curvilíneo exposto à luz dourada que parece envolver tudo ao nosso redor. Seus cabelos louros e cacheados espalham-se como uma auréola ao redor de seu rosto, e seus olhos verdes — os mesmos olhos que me fizeram parar naquela festa há oito anos — lutam para focar.

— Alex? — ela murmura, tentando se sentar, caindo de volta com um gemido. — O que... onde...

Não tenho respostas. Olho para meu próprio corpo — também nu, também vulnerável — e depois para o mundo ao nosso redor. Estamos em uma clareira, cercados por árvores que parecem mais altas do que qualquer coisa que já vi. Seus troncos são grossos, retorcidos, cobertos de musgo que brilha em tons de esmeralda e âmbar. O ar tem um cheiro doce, intenso, quase enjoativo — como flores exóticas misturadas com algo mais terreno, mais animal.

— Não consigo me lembrar de nada — digo, massageando minhas têmporas. — A gente estava... em casa? Assistindo algo?

Brianna concorda, seu rosto pálido contrastando com o verde exuberante ao nosso redor. — O novo episódio daquela série. E então... nada. Apenas isto.

Tentamos nos levantar, apoiando um no outro. Seu corpo está quente contra o meu, a pele úmida de algo que não sei se é suor ou orvalho. Minhas mãos instintivamente vão para seus quadris, não por desejo — ainda não, a confusão é demasiado grande — mas por necessidade, por ancoragem em um mundo que deixou de fazer sentido.

Um som corta o ar — galhos se partindo, folhas sendo empurradas. Brianna se agarra a mim, seus dedos cravando-se em meus ombros. Eu a puxo para trás de mim, um gesto instintivo de proteção que parece risível dada nossa nudez, nossa desorientação.

Duas figuras emergem das árvores. Um homem e uma mulher, ambos na casa dos cinquenta, com cabelos grisalhos que captam a luz dourada de forma quase sobrenatural. Vestem roupas simples, de linho cru, que lhes caem em dobras elegantes apesar da humildade do tecido. O homem carrega um cajado de madeira escura; a mulher, uma cesta com frutos que não reconheço.

Noto, instintivamente que as roupas mal cobrem o corpo da mulher. É possível ver claramente o contorno de seus seios, suas pernas grossas. Sinto um pulsar no meio das pernas.

— Forasteiros — diz o homem, sua voz profunda, acolhedora, com um sotaque que não consigo identificar.

Brianna aperta meu braço. Sinto seu corpo tenso contra o meu, seus seios pressionando minhas costas a cada respiração acelerada.

Meu primeiro impulso é o de cobrir Brianna, para que o homem não a veja nua, mas é em vão. Não há muito o que fazer nessa situação.

— Com licença senhor. Não sabemos como chegamos aqui — digo, tentando manter a voz firme. — Estávamos em nossa casa e...

— E acordaram na clareira — completa a mulher, seu sorriso gentil, quase maternal.

Ela se aproxima, e instintivamente dou um passo para trás, puxando Brianna comigo. A mulher para, inclinando a cabeça em gesto de paz.

— Não temam — diz ela. — Sou Elara. Este é meu marido, Wendell. Vivemos nas proximidades, com nossos filhos. Venham conosco. Precisam de roupa, comida, explicações.

Troco um olhar com Brianna. Seus olhos verdes buscam os meus, perguntando o que fazer. Não temos alternativas — estamos nus, perdidos, sem compreender sequer em que mundo acordamos.

— Sim — concordo. — Obrigado.

Elara sorri mais amplamente, e Wendell assente, virando-se para liderar o caminho.

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O caminho é mais curto do que espero. Emergimos de entre as árvores para uma clareza mais ampla, onde a floresta dá lugar a campos cultivados. Vejo uma casa de pedra e madeira, de dois andares, com telhado de palha que brilha dourado sob o sol. Fumaça sobe de uma das chaminés. Flores crescem em canteiros ao redor — cores que não tenho nomes para dar, tons que parecem quase luminescentes.

— Nossa casa — diz Elara, com evidente orgulho. — Entrem.

A interior é ainda mais surpreendente. O chão de terra batida é coberto por tapetes tecidos em padrões complexos. Mobiliário simples, mas robusto — mesa, bancos, um armário de madeira escura. O cheiro de pão assando preenche o espaço, e meu estômago ronca de forma humilhante.

Wendell ri, um som grave e genuíno. — Primeiro, comida e roupa — diz ele. — Depois, conversa.

Elara desaparece por uma porta, retornando momentos depois com duas pilhas de tecido. — Roupas simples — diz ela, estendendo-as. — Mas limpas e servirão até arranjarem algo melhor.

Agradecemos, e Brianna e eu nos viramos de costas um para o outro, vestindo as roupas com a privacidade que conseguimos. As vestes são de linho claro, soltas, que caem em dobras simples.

Noto que as roupas de Brianna não cobrem bem seu corpo. Seus seios estão praticamente a mostra, tais quais os de Elara. Sinto ciúmes, mas, creio que é melhor do que estar totalmente nua. E também, não quero ofender nossos anfitriões pedindo roupas diferentes da que eles mesmos estão usando.

Quando nos viramos, encontro Wendell e Elara sentados à mesa, duas jarras de barro diante deles. Nos juntamos a eles, e Elara serve um líquido âmbar em tigelas de madeira.

— Hidromel — explica Wendell. — Fermentado aqui mesmo. Bebam. Precisam de forças.

O gosto é doce, alcoólico, com notas de flores que não consigo identificar. Brianna bebe, e vejo cor subir-lhe às faces, um rubor que se espalha pelo colo visível acima do decote solto da túnica.

Uma porta range nos fundos da casa. Passos, e então duas figuras emergem na luz do fogo que arde em uma lareira que não tinha notado antes.

— Nossos filhos — anuncia Elara, com orgulho evidente. — Kael e Mira.

Kael é um jovem na casa dos vinte e poucos anos, com os ombros largos de quem trabalha com os braços e uma postura que lembra a de Wendell — ereta, confiante. Seus cabelos são castanhos, como os do pai, mas mais longos, presos em um rabo de cavalo desgrenhado. Seus olhos, porém, são da cor da mãe — um âmbar quente que parece capturar a luz do fogo.

Mira é mais jovem, talvez vinte anos, com a mesma constituição robusta da mãe, curvas que a túnica simples não consegue esconder completamente. Seus cabelos são uma massa de cachos ruivos que lhe caem até os ombros, e seus olhos são verdes, quase tão verdes quanto os de Brianna, mas com uma nuance mais dourada, como musgo iluminado pelo sol.

Sinto novamente um pulsar no meio das pernas a olhar para Mira. Estranhamento, tenho me excitado muito mais aqui neste lugar do que normalmente.

— Da clareira? — diz Kael, sua voz mais grave do que sua idade sugere.

Wendell assente. Mira se aproxima, seus olhos percorrendo Brianna com uma curiosidade que não consigo interpretar.

— De onde vêm? — pergunta ela, sua voz melodiosa, com um sotaque que não consigo identificar.

— Brasil — digo finalmente. — Conhecem?

Wendell e Elara trocam um olhar que não consigo decifrar. — Cada um que aparece aqui diz um nome diferente, que não nos remete a nada. — repete Wendell, e desta vez há uma nota de tristeza em sua voz.

A conversa continua, mas minha mente vagueia. Observo a casa, os detalhes que não tinha notado: símbolos entalhados nas vigas do teto, ervas penduradas em feixes junto à lareira, uma pele de animal estendida no chão diante da porta. Tudo parece antigo, intemporal, como se tivéssemos caído em uma história que já estava em andamento há séculos.

— Devem estar cansados — diz Elara, notando meu olhar distante. — Kael, Mira, preparem o quarto de hóspedes. Nossos amigos precisam de descanso.

Os filhos se movem para obedecer, mas Wendell levanta uma mão. — Um momento — diz ele, sua voz tomando uma qualidade que não tinha notado antes, algo que soa quase cerimonial. — Antes do descanso, há algo que devem saber.

O silêncio que se segue é denso, carregado. Até o fogo na lareira parece estalar mais baixo, como se estivesse escutando.

— Lisola — diz Wendell, e a palavra soa como um encantamento, um nome antigo que ressoa nas vigas de madeira — não é como os outros lugares. Esta ilha tem regras próprias. Leis que vêm de antes do tempo que nossos avós conseguem lembrar.

Ele faz uma pausa, seus olhos azuis fixos nos meus, depois deslizando para Brianna, que se sentou mais ereta, seus seios subindo com sua respiração acelerada.

— Aqui — continua Wendell — o sexo é uma celebração. É a língua que todos falamos, e a moeda que todos gastamos.

Elara assente, seus dedos encontrando os de Wendell com uma intimidade que só vem de décadas juntos. — Todos que chegam à Lisola — diz ela — são acolhidos assim. Com corpo e coração abertos.

O significado daquelas palavras demora a penetrar. Ou talvez eu esteja resistindo, minha mente racional, treinada em relatórios financeiros e previsões de mercado, recusando-se a processar o que está sendo claramente oferecido.

Brianna é quem quebra o silêncio. — O que isso significa? — ela começa, e sua voz sai mais áspera do que o normal, carregada de uma qualidade que não consigo nomear.

Meu pau — que estava flácido, contraindo-se contra o frio relativo da noite que começa a cair — dá um novo pulso. Uma gota de sangue parece descer direto para lá, e sinto o peso familiar do despertar sexual.

Olhando para Bri, percebo que essa excitação em comum não se apoderou apenas de mim.

Wendell ri, um som grave que vibra em seu peito largo. — É nosso ritual. De mostrar-vos como as coisas funcionam em Lisola.

Ele se levanta, sua túnica de linho movendo-se com ele, revelando pernas musculosas, peito amplo mesmo sob a roupa solta. Seus movimentos têm uma graça que não esperava de um homem da sua idade, uma certeza de quem está completamente em casa em seu próprio corpo.

— Vêm — diz ele, estendendo a mão. — Deixem que vos mostremos.

Brianna olha para mim, seus olhos verdes buscando os meus. Há uma pergunta ali, uma hesitação que não consigo decifrar completamente. Ciúme? Curiosidade? Medo? Ou algo mais escuro, algo que ela mesma não quer nomear?

Eu deveria dizer não. Deveria insistir em entender primeiro onde estamos, como voltar para casa, que diabos de lugar é este onde nos acordamos nus em uma floresta e somos recebidos por estranhos que querem nos levar para a cama. Meu cérebro racional, o mesmo que construiu uma carreira em análise de risco, grita para eu recusar, exigir explicações e proteger Brianna.

Mas meu corpo já decidiu. Meu pau está duro agora, apertando contra o tecido fino da túnica que Elara nos deu, e quando me levanto sinto a textura áspera do linho contra minha pele sensibilizada. O ar da noite que começa a cair tem uma qualidade que parece tocar cada nervo exposto, cada terminidade erizada de expectativa.

— Vamos — digo, minha voz saindo mais grave do que pretendia. — Vamos ver o que isto é.

Brianna hesita apenas um instante. Então seu queixo se ergue, aquele gesto teimoso que conheço de oito anos de casamento, e ela coloca sua mão na minha. Seus dedos estão quentes, ligeiramente úmidos, e sinto seu pulso acelerado contra minha palma.

Seguimos Wendell e Elara através de uma porta no fundo da casa, descendo uma escada de pedra que parece mais antiga que a própria estrutura acima. O ar fica mais frio, mais denso, carregado de um cheiro que não consigo identificar — algo entre terra molhada, ervas secas e um aroma mais animal, mais básico.

Emergimos em uma câmara circular, iluminada por tochas que ardem em suportes de ferro nas paredes de pedra. O espaço é maior do que esperava, talvez doze metros de diâmetro, com um teto abobadado que desaparece nas sombras acima. No centro, uma plataforma baixa, coberta por peles e tecidos empilhados.

— O salão de acolhida — diz Elara, sua voz tomando uma qualidade reverberante, quase cerimonial. — Onde os viajantes são verdadeiramente recebidos em Lisola.

Wendell já está se movendo, sua túnica sendo puxada por cima da cabeça, revelando um corpo que desafia a idade que seus cabelos grisalhos sugerem. Seus músculos são definidos, não da forma esculpida de um frequentador de academia, mas da utilidade diária, do trabalho constante. Seu pau, já ereto, balança pesado contra sua coxa enquanto ele se move para a plataforma central.

— Dispam-se — diz ele, não como ordem, mas como simple constatação do ritual. — As roupas não têm lugar aqui.

Brianna aperta minha mão. Sinto seu corpo tenso ao meu lado, seu nervosismo quase palpável. Mas há algo mais também — uma excitação quase inebriante, que reconheço de noites em que exploramos fronteiras juntos, em que ela me pediu para ser mais ousado.

— Alex — ela sussurra, e seu hálito quente toca minha orelha. — O que achas disto?

Olho para Wendell, já deitado na plataforma, seu corpo bronzeado brilhando sob a luz das tochas. Elara está se despindo também, revelando seios pesados que desafiam a gravidade, mamilos escuros já endurecidos. Sua barriga tem as marcas da maternidade, da idade, mas há uma confiança em seu movimento, uma alegria em seu próprio corpo que é inegavelmente erótica.

— Acho — digo devagar, escolhendo cada palavra — que não temos escolha.

Brianna inspira profundamente, seu peito subindo, seus seios pressionando contra o tecido fino da túnica. Então, sem palavras, ela puxa a roupa por cima da cabeça, revelando seu corpo completo novamente. Seus seios são grandes, com aréolas cor de pêssego que se contraem sob meu olhar. Sua cintura estreita expande-se para quadris generosos, e entre suas pernas, sua vulva é visível.

Dispo-me também, minha ereção saltando livre, pesada e dolorosamente dura. Brianna olha para ela, depois para mim, e há um sorriso em seus lábios que não vi desde... não sei quando. Excitação pura, desinibição, a promessa de algo transgressivo.

De mãos dadas, caminhamos para a plataforma. Wendell nos recebe com um gesto de boas-vindas, indicando o espaço ao seu lado. Deitamo-nos nas peles, o cheiro de couro e algo mais — almíscar, excitação — preenchendo minhas narinas.

— Em Lisola — diz Elara, deitando-se do outro lado de Wendell, sua mão encontrando o pau de seu marido com naturalidade que parece nascida da décadas de intimidade — o sexo e o prazer são nossa linguagem mais importante.

Wendell geme suavemente enquanto Elara o acaricia, seus dedos experientes movendo-se em um ritmo que conhecem de memória. — Os forasteiros que chegam aqui — continua ele, sua voz ligeiramente rouca — precisam aprender esta língua para sobreviver e prosperar.

— Não entendo — digo, embora meu corpo entenda perfeitamente. Brianna está se pressionando contra mim, seu quadril contra minha coxa, seu calor irradiando através de cada ponto de contato.

Elara sorri, aquele sorriso maternal que de alguma forma não exclui o erótico. — Generosidade, se retribui com generosidade — diz ela. — Deixem-nos ver como falam esta língua.

É um convite, uma ordem, um desafio — não consigo distinguir. Mas Brianna já se move, seu corpo rolando sobre o meu, seus seios pendendo pesadamente acima do meu rosto antes de ela se posicionar, um joelho de cada lado da minha cintura.

— Alex — ela sussurra, e meu nome nunca soou assim, carregado de promessas que não sabia que ela guardava.

As palavras saem cruas, sem a cortesia que normalmente a caracteriza. Ela está diferente, transformada por este lugar, por esta situação, por algo que não consigo nomear mas que sinto ecoar em meu próprio desejo.

Seguro seus quadris, meus dedos afundando na carne macia, e a puxo para baixo, guiando sua abertura até a ponta do meu pau. Ela está molhada, absurdamente molhada, e desliza sobre mim com uma facilidade que nos faz ambos gemer.

— Porra — sussurro, a cabeça tombando para trás, os olhos fechando-se involuntariamente.

— Não — diz Wendell, sua voz mais próxima do que esperava. Abro os olhos e o vejo, deitado ao nosso lado agora, seu pau ereto em toda a sua extensão impressionante, Elara ainda acariciando-o com uma mão enquanto a outra se move entre suas próprias pernas. — Não fechem os olhos. Vejam-nos. Vejam tudo.

É demasiado intenso, demasiado exposto. Mas Brianna se move sobre mim, levantando seus quadris e descendo, encontrando um ritmo que faz seus seios balançarem com cada impulso. E eu não consigo desviar o olhar, não de Wendell e Elara a nosso lado, não de Mira e Kael que se aproximaram, sentando-se na borda da plataforma, observando com curiosidade que não esconde seu próprio interesse.

Mira está de pernas cruzadas, mas seus dedos tamborilam em seu próprio joelho, e vejo seus mamilos endurecidos pressionando contra o tecido fino de sua túnica. Kael, ao seu lado, tem uma mão descansando casualmente em sua própria virilha, e vejo o contorno de sua ereção crescendo sob o tecido.

— Eles gostam de vos ver — murmura Elara, seus dedos ainda trabalhando no pau de Wendell, que agora brilha com o líquido que ela espalha. — Todos gostam. É assim que se acolhe em Lisola. Com os olhos, com o desejo, com o corpo.

Brianna acelera o ritmo, seus gemidos tornando-se mais altos, mais desinibidos. Ela nunca foi assim — sempre contida, sempre preocupada em ser "adequada", em não fazer feio. Mas aqui, nesta plataforma de peles, rodeada de estranhos que a observam enquanto monta meu pau, ela é outra pessoa. Mais verdadeira. Mais livre.

— Está tão gostoso — ela geme, as palavras dirigidas a mim, mas ouvidas por todos.

As palavras me empurram para perto do limite. Seguro seus quadris com mais força, conduzindo seus movimentos, encontrando ângulos que fazem seus olhos rolar para trás. Ela está molhada demais, quente demais, apertando-me de formas que ameaçam meu controle a cada segundo.

— Vem — sussurro, não sei se é ordem ou súplica. — Vem para mim, Bri.

Ela obedece, ou talvez simplesmente não consiga mais conter-se. Seu corpo arqueia para trás, seus seios oferecidos ao teto abobadado, e ela grita — um som que não reconheço, primal, sem palavras, apenas prazer sendo arrancado de seu núcleo. Sua boceta aperta-se em espasmos ao meu redor, e não consigo mais conter-me — pulso para dentro dela, uma, duas, três vezes, e então estou a jorrar, a encher-nos, a deixar que meu gozo se misture com o dela enquanto todos assistem.

O silêncio que se segue é absoluto, quebrado apenas pela nossa respiração ofegante. Brianna desaba sobre mim, seu corpo ainda tremendo com aftershocks, e eu a seguro, minhas mãos acariciando suas costas úmidas de suor.

— Belo — diz Wendell, e há genuína admiração em sua voz. — Muito belo.

Elara já se move, sua boca encontrando a de Wendell em um beijo que é mais demonstração que preliminar. Seus corpos conhecem-se tão bem que cada movimento parece coreografado por décadas de prática. Ele a deita de costas, seus seios se espalhando com o impacto, e ela abre as pernas em um convite que ele aceita sem hesitação.

— Vede — diz Mira, sua voz suave perto de meu ouvido. Eu nem a tinha notado se aproximar. — Vede como se ama em Lisola.

Ela está de joelhos ao nosso lado, e vejo que seus seios estão agora completamente expostos — ela puxou a túnica para baixo, revelando mamilos rosados e endurecidos. Uma de suas mãos desaparece entre suas pernas, movendo-se em círculos que fazem seus lábios se entreabrirem em gemidos silenciosos.

Kael está mais atrás, observando a todos nós, seu próprio pau agora completamente exposto, erguido contra seu ventre. Não se toca, apenas observa, e há algo em sua contenção que é quase mais erótico que a franqueza dos outros.

Wendell penetra Elara com um movimento fluido, e ela arqueia para ele, seus dedos cravando-se em suas costas. Eles fazem amor com a confiança de quem já explorou cada centímetro do outro, cada reação, cada limite. Não há hesitação, apenas um ritmo que se estabelece naturalmente, como respirar.

Brianna se move em meus braços, levantando o rosto para olhar para mim. Seus olhos ainda estão vidrados, mas há uma lucidez ali agora, uma decisão sendo tomada.

— Quero mais — ela sussurra, e o som é apenas para mim, ainda assim ouvido por todos na câmara silenciosa.

A palavra me atinge como um choque elétrico. Não é a Brianna que conheço, a mãe dedicada, a esposa que planeja cada refeição com semanas de antecedência. Esta Brianna é outra, uma versão libertada pelas circunstâncias, pela ausência de contexto, pela estranheza absoluta deste lugar.

E eu quero esta Brianna. Quero mais do que a quis em anos.

— Levanta — digo, e a ordem em minha voz a surpreende tanto quanto me surpreende a mim.

Ela obedece, levantando-se da plataforma com uma graça que nunca deixou de me fascinar. Sua nudez completa, a luz das tochas pintando sombras douradas em suas curvas. Ela se vira lentamente, oferecendo-se a cada par de olhos na câmara — Wendell, que já não move mais os quadris, parado dentro de Elara para observar; Mira, cujos dedos agora se movem mais rápido entre suas pernas; Kael, que finalmente se toca, seu punho fechando-se em torno de sua própria carne.

— Bela — murmura Wendell, e há reverência em sua voz. — Tão bela quanto as lendas diziam.

— As lendas? — repito, mas minha pergunta morre na garganta quando Brianna se move, caminhando não para mim, mas para Wendell e Elara.

Ela se ajoelha ao lado deles, seus olhos fixos no ponto onde Wendell ainda está enterrado em sua esposa. Ela não toca, apenas observa, sua respiração acelerada elevando seus seios em ritmo hipnótico.

— Posso? — ela pergunta, e a palavra é um fio de seda, quase inaudível.

Wendell sorri, um gesto largo que transforma seu rosto severo em algo quase paternal. — Em Lisola — diz ele — não se pede permissão. Oferece-se. Aceita-se. O resto... — ele se move, retirando-se lentamente de Elara, sua carne brilhando com a excitação dela — o resto segue naturalmente.

Ele se senta, oferecendo-se a Brianna não como conquistador, mas como presente. Seu pau, agora completamente ereto, arqueia-se contra seu ventre, a ponta rosada e úmida.

Brianna compreendeu. O casal foi generoso conosco, e agora ela será generosa com eles, dando-lhes aquilo que tem a oferecer: seu sexo.

Brianna olha para ele, depois para mim, transmitindo o conhecimento recém adquirido pelos olhos.

Respondo me movendo, sentando-me na borda da plataforma, oferecendo a mim mesmo como plateia ativa, não mero observador. Meu próprio pau pulsa contra minha coxa, e envolvo-o com minha mão, não para me masturbar, mas para me ancorar, para manter algum fragmento de controle enquanto assisto ao que vem a seguir.

Brianna se move. Ela se aproxima de Wendell com a gravidade de uma oferenda. Sua mão encontra seu pau, e ouço a respiração dele — aquele homem imponente, confiante — ficar presa quando seus dedos a fecham em torno dele.

— Tão grande — ela murmura, e a admiração em sua voz me atinge de formas que não esperava. Ciúme, sim, mas também excitação, a certeza de que estamos entrando em território que nunca mais poderemos desconhecer.

Ela o inclina para si, e sua língua emerge, rosada e úmida, encontrando a ponta dele em um toque que faz Wendell arquear para trás, seus músculos definidos contraídos em prazer. Brianna geme ao saboreá-lo, um som que vibra em seu peito e ressoa em todos nós.

— Sim — sussurra Elara, e noto que ela se moveu, posicionando-se atrás de Brianna, suas mãos encontrando os seios dela, massageando-os com uma familiaridade que sugere prática, tradição. — Oferece-te. Deixa-te ser usada. É assim que se honra em Lisola.

Brianna responde abrindo a boca, recebendo Wendell mais fundo, seu lábio inferior esticando-se em torno de sua circunferência. Ela gagueja, engasga-se, mas não recua. Seus olhos lacrimejam, maquiagem que não sabia que ela ainda usava escorrendo em rastros escuros, e algo naquela imagem — minha esposa, suja, usada, oferecida — me faz punhetar com mais força, precisando da fricção, da tensão que se acumula na base da minha coluna.

Wendell começa a mover os quadris, empurrando para a garganta de Brianna, e ela aceita, seu corpo relaxando em formas que reconheço — a rendição, a submissão que ela ocasionalmente me pede em nossos momentos mais íntimos, mas nunca com esta intensidade, nunca com esta plateia.

— Bela — Wendell geme, seu rosto contorcido em prazer, seus músculos do pescoço saltados em tensão. — Tão bela, tão submissa. O Rei a desejaria. Todos a desejariam.

A menção do Rei penetra em algum canto da minha mente, uma informação que devo guardar, mas agora, neste momento, é irrelevante. O que importa é Brianna, a forma como ela se contorce entre Wendell e Elara, a forma como sua mão encontra o próprio clitóris, esfregando-se em círculos desesperados enquanto é usada.

Brianna geme em torno de Wendell, um som que é ao mesmo tempo súplica e confirmação. Elara sorri, aquele sorriso maternal que de alguma forma abriga o perverso, e faz um gesto.

Kael se move. O filho mais velho, que até agora observara em silêncio, aproxima-se de trás de Brianna. Sua túnica desaparece, revelando um corpo que é versão jovem do pai — menos definido, mas com a mesma promessa de força, o mesmo porte ereto. Seu pau, quando emerge de entre suas pernas, é longo, curvando-se ligeiramente para cima, a ponta já úmida de excitação.

Kael posiciona-se atrás de Brianna, suas mãos grandes segurando seus quadris. Ela se arqueia para ele, oferecendo-se, e ele hesita apenas um instante antes de começar a pressionar para dentro.

O som que Brianna faz é indescritível. Seu corpo se arqueia como um arco tenso, seus dedos cravando-se na pele de Wendell enquanto Kael continua a avançar, preenchendo-a, esticando-a.

— Porra, porra, porra — ela chora, as palavras misturando-se com soluços, com gemidos, com risos histericamente altos. — Tão grande, tão... não consigo... não consigo...

— Consegues — sussurra Elara, seus lábios contra a orelha de Brianna, sua voz hipnótica, incantatória. — Consegues tomá-los a ambos. És forte, és bela, és digna do Rei.

A menção do Rei novamente, e desta vez registro-a, arquivo-a para mais tarde. Mas agora, neste momento, só existe Brianna, o modo como ela se contorce entre dois homens, o modo como seus olhos encontram os meus através da distância, pedindo, oferecendo, mostrando-me o que ela é capaz de ser.

Mira se move. A filha mais nova, que até agora se contentara em observar, aproxima-se de mim. Seus cabelos ruivos caem como uma cortina enquanto ela se inclina, seus seios pressionando contra meu braço enquanto sua mão encontra meu pau — ainda duro, ainda pulsante com a necessidade de liberar o que Brianna me fez sentir.

— Deixa-me — sussurra Mira, seu hálito quente contra meu pescoço. — Deixa-me mostrar-te o que as mulheres de Lisola sabem fazer.

Não respondo. Não consigo. Meus olhos estão fixos em Brianna, que agora está sendo movida por Wendell e Kael, um ritmo estabelecido entre eles, a carne a bater em carne com sons que reverberam na câmara de pedra. Ela olha para mim, seus olhos vidrados, e há um sorriso em seus lábios — não o sorriso de antes, mais selvagem, mais livre.

Mira desce sobre mim, sua boca quente engolindo meu pau em um movimento fluido que me faz arquear para trás. Sua língua trabalha em mim com uma habilidade que sugere prática extensa, encontrando pontos que nem eu sabia que existiam. Ela gagueja suavemente, propositalmente, a contração de sua garganta massageando a ponta sensível, e eu tenho que agarrar as peles abaixo de mim para não lhe agarrar a cabeça, para não a forçar mais fundo do que ela já vai.

— Assim — ouço Elara dizer, e minha vista se desvia para encontrá-la agora entre as pernas de Brianna, sua língua encontrando o clitóris inchado enquanto Wendell e Kael continuam a movê-la entre eles. — Assim é como uma mulher de Lisola serve. Com a boca, com a boceta, com o cu. Tudo é oferenda. Tudo é prazer.

Brianna grita, o som ecoando nas paredes de pedra, e sei que está a chegar ao limite, que a intensidade de ser usada por três pessoas simultaneamente está a levá-la a um lugar que nunca visitámos juntos. Parte de mim quer parar tudo, protegê-la, levá-la embora. Mas outra parte — a parte que Mira está a chupar com dedicação crescente — quer ver até onde ela pode ir, que abismos pode descobrir em si mesma.

Wendell geme, um som profundo que vibra em seu peito. — Vou gozar — anuncia, como cortesia, como aviso.

Olho para Brianna, que ouviu, cujos olhos encontram os meus através da névoa do seu próprio prazer. Ela acena, quase imperceptivelmente, e é o suficiente.

— Sim — digo, a palavra saindo como um grunhido, forçada através da tensão que Mira está a construir em mim com cada movimento da sua boca talentosa. — Goza nela. Deixa-a cheia.

Wendell sorri, um gesto que transforma seu rosto severo em algo quase paternal, e então seus olhos rolam para trás, seus músculos contraídos em espasmos de libertação. Brianna sente — como não sentir? — e grita novamente, o som misturando-se com o grunhido de Wendell enquanto ele a enche, enquanto a marca de formas que não podem ser vistas mas que serão sentidas.

Kael ainda não terminou, e continua a mover-se, mais rápido agora, seus movimentos menos controlados, mais juvenis na sua urgência. Brianna agarra-se a ele, seus dedos cravando-se em suas costas, e eu vejo o momento exato em que ele também chega lá — a tensão em seu pescoço, a abertura da sua boca em um grito mudo, as convulsões que o atravessam enquanto ele também a enche, enquanto ela recebe o segundo gozo em minutos, deixando-a escorrer, usada, marcada, transformada.

Mira sente minha própria urgência, ou talvez simplesmente esteja pronta. Ela me solta com um último chupão forte, seu lábio inferior arrastando-se na minha ponta sensível, e então se posiciona, guiando-me para dentro dela enquanto ela desce, recebendo-me em uma só slick embraiagem que nos faz ambos gemer.

— Porra — grunho, minhas mãos encontrando seus quadris, seus seios balançando acixo de mim enquanto ela começa a mover-se.

A imagem é demasiado — Brianna, escorrendo com os gozos de dois homens; Mira, apertando-se em torno de mim, pedindo o meu; todos nós, perdidos neste ritual que não compreendemos mas que nossos corpos entendem perfeitamente.

Gozo com um grunhido que soa mais animal do que humano, pulsando dentro de Mira enquanto ela aperta-se em torno de mim, gemendo seu próprio prazer. É intenso, quase doloroso, a libertação de toda a tensão acumulada desde que acordámos neste lugar estranho.

Colapso para trás, Mira deslizando de cima de mim, deitando-se ao meu lado com um suspiro satisfeito. A câmara parece respirar conosco, o ar denso com o cheiro de sexo, de suor, de gozo.

Brianna encontra o meu olhar através do espaço entre nós. Ela está deitada entre Wendell e Kael, seus dois amantes de momento, seu corpo ainda brilhante com o resultado de suas uniões. Mas seus olhos estão nos meus, e há uma mensagem ali que transcende as palavras.

Estamos juntos nisto. Seja o que for que isto seja.

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O tempo passa de formas difíceis de medir na câmara subterrânea. Alimentamo-nos de pão e queijo e hidromel trazidos por Mira, que parece ter assumido o papel de anfitriã, de guardiã deste espaço sagrado. Falamos pouco, o sexo tendo criado uma intimidade que as palavras tornariam vulgares.

Wendell é quem finalmente quebra o silêncio mais profundo, quando as tochas já ardem baixas e somos sombras uns dos outros.

— Vocês desejam voltar para vossa casa — diz ele, e há uma nota de tristeza em sua voz que não esperava. — Isso é... compreensível. Mas devem saber que é impossível.

Brianna endireita-se, seu corpo nu ainda magnífico mesmo na penumbra. — Como assim? — pergunta ela, e há uma urgência em sua voz que não ouvia desde que acordámos.

— Os que vêm de... outros lugares — Wendell escolhe as palavras com cuidado — não conseguem encontrar o caminho de volta. A magia que vos trouxe é... caprichosa. Volátil.

— Magia — repito, a palavra estranha em minha boca, ainda mais estranha pela facilidade com que a aceito depois de tudo o que vi.

— Há magia em Lisola — confirma Elara, sua voz suave vinda das sombras onde ela está aninhada contra Mira. — Magia antiga, que corre nas pedras, nas árvores, no próprio ar. É ela que permite que as mulheres abram-se tão completamente, que os homens se renovem tão rapidamente. É ela que nos mantém saudáveis, férteis, desejosos.

— E é ela — acrescenta Wendell — que, ocasionalmente, abre portais. Traz forasteiros. E, muito raramente, os leva de volta.

Brianna e eu trocamos olhares. Há uma esperança ali, frágil, perigosa.

— Como? — pergunto. — Como fazemos para ser esses raros?

Wendell hesita, e pela primeira vez vejo algo como preocupação em seu rosto confiante. — A única pessoa que pode abrir um portal de volta é o Rei — diz ele finalmente. — O Rei Folarin. Ele é o guardião da magia de Lisola, o único que pode comandar as forças que vos trouxeram. Mas, em todo o tempo em que estou vivo, nunca vi acontecer. São apenas lendas antigas.

— Então temos de falar com ele — diz Brianna, e há uma determinação em sua voz que reconheço, a mesma que a leva a defender nossos filhos, a lutar pelo que acredita ser justo.

Wendell ri, mas não há humor no som. — Falar com o Rei? — repete. — Não é assim que funciona, jovem. O Rei não recebe petições. Ele recebe... oferendas.

— Que tipo de oferendas? — pergunto, embora já comece a suspeitar.

Wendell e Elara trocam um olhar que não consigo interpretar. Então Elara fala, sua voz suave mas carregada de um peso que não esperava.

— O Rei Folarin tem... apetites específicos. Ele toma para si as mais belas mulheres do reino, e o faz a tanto tempo que passou a desejar o que é diferente e raro. E entre todas as coisas raras em Lisola... — ela faz uma pausa, seus olhos percorrendo Brianna de forma avaliadora — ...uma mulher de fora, com teus cabelos, tua pele, teu jeito... isso seria o mais precioso de tudo.

O silêncio que se segue é denso, carregado de implicações que minha mente recusa a processar completamente.

— Estás a sugerir — digo devagar, cada palavra pesada como chumbo — que ofereçamos Brianna ao Rei. Como... como escrava sexual?

— Não escrava — Wendell corrige imediatamente, e há uma nota de indignação genuína em sua voz. — Nunca escrava. Em Lisola, servir o Rei é a maior honra que uma mulher pode ter. As famílias competem pelo privilégio. As mulheres sonham com isso.

— Mas ela não é de Lisola — persisto, e ouço a própria voz tornar-se mais aguda, mais desesperada. — Ela não partilha vossas... vossas tradições.

— Isso — intervém Elara, e há algo como esperança em sua voz — é precisamente o que a tornará tão valiosa aos olhos do Rei. O Rei terá tanta curiosidade quanto apetite. E se a favorecer... — ela faz uma pausa, escolhendo as palavras — ...se a escolher como amante, mesmo que por uma noite, terá de ouvi-la. Terá de conceder-lhe o que pedir. É a lei sagrada de Lisola. O Rei dá em troca do que recebe.

Brianna não falou desde que a proposta — porque é isso, uma proposta, uma barganha com o corpo dela — foi feita. Agora, quando fala, sua voz é estranhamente calma, quase distante.

— Querem que eu me ofereça a um estranho — diz ela. — Um rei que nunca vi. Que me use como quiser, em troca de... de quê? De uma audiência? De uma chance de explicar que quero ir para casa?

— De uma chance — Wendell confirma. — A única chance que tendes. O Rei não nega a quem o serve bem. É sua natureza, sua magia. Ele é obrigado a retribuir generosidade com generosidade.

Brianna vira-se para mim. Seus olhos verdes, que eu tantas vezes comparei a florestas, a mares calmos, a jóias raras, agora me parecem de outra natureza — mais intensos, mais antigos, carregados de uma sabedoria que não sei se ela sempre teve ou se este lugar lhe deu.

— Alex — ela diz, e meu nome nunca soou assim, como uma questão e uma resposta ao mesmo tempo. — Se fizer isto... se me oferecer a ele... preciso que saber que você me perdoará. Não temos alternativa. Farei por nós. Para irmos para casa.

A palavra "casa" ressoa em mim de formas que não esperava. Nosso apartamento, com suas janelas que não fecham direito e o sofá onde adormecemos a ver filmes. Nossos filhos, que devem estar a perguntar onde estamos. O mundo real, com todas as suas limitações e confortos familiares.

— Se isto é o que precisamos fazer — digo, e minha voz sai rouca, quase irreconhecível — então faremos. Juntos.

Brianna sorri, e é o sorriso que me fez apaixonar por ela — travesso, corajoso, cheio de promessas. Ela se vira para Wendell e Elara, que observaram nossa troca em silêncio.

— Quando? — pergunta ela. — Quando posso me oferecer a este Rei?

Wendell troca um olhar com Elara, e há algo ali, uma comunicação silenciosa de anos de casamento. Então ele fala, e suas palavras gelam o sangue nas minhas veias.

— Há um festival em três dias — diz ele. — O Festival da Oferenda. O Rei escolhe algumas para serem suas amantes por algum período. É a única oportunidade — ele faz uma pausa, seus olhos fixos em Brianna - Haverá centenas de mulheres, muitas mais experientes, muitas treinadas desde o nascimento para agradar o Rei. Competirás contra as mais desejáveis de Lisola.

Brianna não hesita. — Então terás de me ensinar — diz ela, dirigindo-se não apenas a Wendell e Elara, mas também a Mira e Kael, que ainda se recuperam de nossas preliminares. — Terás de me mostrar o que o Rei deseja. Como ele gosta de ser servido. Como... — ela engole, mas sua voz permanece firme — como uma estrangeira pode cativar um homem que já teve tudo.

Silêncio. Então Elara abre um sorriso cristalino que parece iluminar a câmara subterrânea. — Oh, pequena — diz ela, e há admiração genuína em sua voz. — ensinaremos tudo o que sabemos.

— Então talvez — completa Wendell, e há algo em seu tom, uma nota de esperança, de aposta — talvez consigas o impossível.

Brianna sorri, e é o sorriso de alguém que encontrou seu propósito, mesmo que esse propósito seja insano, mesmo que o leve a lugares que nenhum de nós pode prever.

— Então comecemos — diz ela. — Temos três dias para me transformar na amante perfeita de um Rei.

E enquanto Wendell e Elara começam a mostrar-lhe, com mãos e bocas e instruções sussurradas, o que isso significa, enquanto Kael e Mira se juntam à lição com o entusiasmo da juventude, eu observo, aprendo, preparo-me para o papel que me cabe nesta história insana.

Porque se Brianna vai oferecer-se ao Rei, então eu serei o que precisar de ser — cúmplice, testemunha, talvez até vítima do meu próprio ciúme. Seja o que for, não a deixarei só. Nunca a deixei só em nada, desde o dia em que a conheci.

Uma familiar excitação se apodera de mim.

O festival será em três dias. Três dias para aprender, para preparar, para transformá-la em algo capaz de cativar um rei.

E quando a noite finalmente cai sobre a câmara subterrânea, quando nos deitamos exaustos entre peles e corpos, sinto Brianna aninhar-se contra mim, seu corpo ainda quente do toque de outros, do meu próprio.

— Alex? — ela sussurra, tão baixo que quase não ouço.

— Sim?

— Você está com medo?

Penso na pergunta. Penso no Rei, desconhecido, todo-poderoso. Penso em minha doce esposa em seus braços.

— Sim — admito. — Tenho medo.

Ela acaricia meu peito, seus dedos desenhando padrões que não consigo identificar. — Eu também — confessa. — Mas também estou... excitada. Isso é estranho?

— Tudo isto é estranho — respondo, e há um riso em minha voz, histeria contida, admissão de que nenhum de nós sabe o que está a fazer.

Ela se cala por um momento. Então, quando fala, há uma determinação em sua voz que não ouvia desde que tomámos a decisão de ter o nosso primeiro filho, de construir uma vida juntos.

— Vamos conseguir — diz ela. — Vamos fazer isto, conseguir o que precisamos, e voltar para casa. Juntos.

— Juntos — repito, e a palavra soa como um voto, um juramento, uma âncora neste mar de incertezas.

Nos silêncio que se segue, ouço a respiração dos outros — Wendell e Elara aninhados um contra o outro, Kael e Mira em algum canto da câmara, ainda sussurrando risos juvenis. O fogo nas tochas arde baixo, lançando sombras dançantes nas paredes de pedra.

E quando finalmente o sono me leva, é com a imagem de Brianna em meus braços, seu corpo ainda quente do sexo, seus olhos verdes fixos em algum ponto além do teto abobadado, planejando, preparando-se para o que está por vir.

O Festival da Oferenda. O Rei. O momento em que ela se oferecerá.

E eu, ao seu lado, testemunhando, participando de formas que ainda não consigo prever, mas que sei que mudarão para sempre quem somos.

O sono leva-me para baixo, para sonhos de portais e coroas e uma voz que ressoa como trovão, proclamando que tudo, finalmente, pertence a ela.

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