Todos na Engenharia Mecânica da PUC-PR já sabiam que Lucas era gay e que morava com o namorado, o "cara do Direito". Isso nunca fora um segredo, mas havia uma espécie de pacto de silêncio: contanto que ele se vestisse e agisse como "um dos rapazes", a convivência era tolerada. Mas Lucas decidiu que o pacto estava encerrado.
Naquela terça-feira, para a apresentação de um projeto crítico de Termodinâmica, Lucas não usou o jeans surrado e a camiseta de banda de sempre. Ele escolheu uma calça de alfaiataria preta, de corte seco e cintura alta, que marcava sutilmente suas pernas longas e quadris, e uma camisa de seda branca com um corte assumidamente feminino, cujos botões eram delicados e a gola caía de forma suave, revelando o desenho das clavículas. O cabelo, agora mais longo, foi preso em um rabo de cavalo alto e firme, com uma única mecha da franja solta, teimando em cair sobre o rosto e resistindo a ser colocada atrás da orelha. A maquiagem era uma obra de arte da discrição: uma base que deixava a pele aveludada, um rímel transparente que apenas organizava os cílios e um gloss sem muito brilho, mas com um toque húmido que destacava o desenho dos seus lábios.
Ao entrar no bloco de Engenharia, o silêncio o acompanhou como uma sombra. Os comentários existiam, mas agora carregavam uma pitada de curiosidade genuína sob o deboche habitual.
— Mudou o figurino, Lucas? — perguntou um colega, com um sorriso de canto que oscilava entre a provocação e a dúvida.
— Apenas me vestindo de acordo com a importância do projeto — Lucas respondeu, a voz firme e calma, sem desviar o olho enquanto organizava os slides no tablet.
Seu grupo de amigos mais próximos, no entanto, foi o seu porto seguro. Em vez de olhares tortos, recebeu sorrisos e incentivo. — Cara, você está incrível — sussurrou uma de suas amigas, admirando a coragem dele. — Sério, Lucas, essa roupa realçou tudo. Você está muito lindo, de verdade.
O elogio foi o combustível que ele precisava para dominar a apresentação. Ele não era apenas um estudante de engenharia; era um homem que abraçava sua fluidez com uma autoridade que ninguém ali sabia como rotular.
Quando chegou em casa, a tensão acumulada do dia — de cada olhar desafiador e cada vitória silenciosa — transbordou no momento em que a chave girou na fechadura. Thiago já o esperava, tendo chegado mais cedo da aula. Ele estava encostado no balcão da cozinha, mas paralisou no instante em que viu Lucas entrar. O contraste entre a sofisticação da alfaiataria e a delicadeza da maquiagem de Lucas fez o sangue de Thiago ferver instantaneamente.
Eles mal trocaram palavras. Lucas largou a mochila no chão e avançou, empurrando Thiago contra a parede do corredor. O beijo foi urgente, faminto, com sabor de gloss e desejo reprimido. Thiago sentia a seda fria da camisa de Lucas sob suas mãos quentes, uma textura que o deixava louco por saber que, sob aquele tecido, estava o corpo que ele tanto amava.
Lucas desceu ao chão com uma agilidade felina, os olhos fixos nos de Thiago. De joelhos no corredor, ele abriu o zíper de Thiago com os dentes, revelando o membro do namorado que já pulsava, impaciente, contra o tecido da calça. Lucas o envolveu com as mãos, sentindo a espessura da haste e o calor latejante das veias que subiam até a glande.
Quando Lucas começou o boquete, o tempo pareceu parar. Ele usava a língua com uma perícia técnica, contornando a cabeça do pênis de Thiago, descendo até a base e sentindo o gosto salgado e viciante do namorado. Lucas olhava para cima o tempo todo, a mecha de cabelo solta caindo sobre o olho, enquanto observava a cara de Thiago — o rosto contraído em um prazer quase doloroso, os olhos semicerrados e a respiração curta. Ele amava ver o poder que sua boca tinha sobre aquele homem. Ele usava as mãos para massagear os testículos de Thiago com suavidade, enquanto a sucção tornava-se mais rítmica e profunda.
— Lu... meu Deus... para a cama... agora — Thiago suplicou, sentindo que ia explodir ali mesmo.
Eles foram para o quarto em um tropeço de roupas sendo arrancadas. Na cama, a dinâmica era de uma entrega bruta e poética. Começaram no "papai e mamãe", com Lucas mantendo a iniciativa. Ele se posicionou entre as pernas de Thiago, que foram jogadas sobre seus ombros. Lucas entrou com uma estocada firme e profunda, sentindo a espessura de seu próprio membro preencher Thiago de forma absoluta. A cada impacto, o que restava da camisa de seda de Lucas roçava no peito de Thiago, um contraste de delicadeza e força física.
Mas Lucas queria ver a submissão de Thiago. Ele o virou de costas, colocando-o de quatro sobre os lençóis bagunçados. Lucas segurou o cabelo de Thiago e o puxou levemente para trás, expondo a nuca e obrigando-o a arquear as costas. A penetração por trás era mais profunda, mais animal. Os dois gemiam em um uníssono gutural que ecoava pelo apartamento. Lucas era voraz, as unhas amendoadas cravando-se no quadril de Thiago, deixando marcas que seriam as medalhas daquela noite.
— Você é meu... todo meu — Lucas sussurrava entre dentes, sentindo o prazer pulsar em cada fibra de seu ser, enquanto Thiago apenas conseguia gemer o nome dele, entregue à sua "princesa" guerreira.
O clímax veio como uma onda avassaladora, deixando-os exaustos e suados. Enquanto recuperavam o fôlego, Lucas sentiu que a barreira entre quem ele era na faculdade e quem ele era na cama estava finalmente desaparecendo. Mas ele não sabia que, na gaveta de Thiago, uma nova surpresa o esperava para o dia seguinte — algo que levaria a estética femboy de Lucas para um nível que ele ainda não tinha coragem de imaginar.
