Eu já sabia que o Tinder ia me deixar na mão de novo. Sexta-feira à noite, Palmas inteira fervendo lá fora, gente se esfregando em bares, em carros, em apartamentos com luz baixa… e eu ali, sozinha no sofá da sala, rolando perfis que pareciam todos iguais: barba malfeita, foto de academia, legenda “procuro algo sem compromisso”. Nenhum deles entendia o que eu queria de verdade naquela noite. Nenhum deles olhava pra mim do jeito que eu precisava ser olhada.
Então levantei, joguei o celular na mesinha de centro e fui até o quarto dela.
A porta estava entreaberta, luz âmbar vazando pela fresta. Empurrei devagar. Mamãe estava na cama, de lado, com aquele livro antigo que ela finge ler quando na verdade só quer ficar quieta. Camisola bege larga, cabelo solto, pele ainda macia apesar de tudo. Ela ergueu os olhos e eu já senti o ar mudar.
— Mãe… — minha voz saiu doce de propósito, meio rouca, como se eu tivesse chorado um pouquinho antes. — Você já sentiu aquele vazio que aperta quando a noite chega e ninguém te quer de verdade?
Ela fechou o livro devagar. Eu vi o pomo de Adão subir e descer. Perfeito.
Deitei de lado na cama dela, de propósito bem perto, deixando a camisola preta de cetim subir devagar pelas coxas. O tecido escorregava na pele quente, quase como se estivesse derretendo. Eu sabia que ela ia olhar. Sempre olha, mesmo quando finge que não.
— Quantos caras esse mês, Clara? — perguntou, tentando soar de mãe.
— Nenhum que soubesse me tocar. — Rolei de barriga pra cima, arqueei um pouco as costas só pra esticar o tecido contra os peitos. Os bicos marcaram na hora, duros, implorando atenção. — Nenhum que soubesse me olhar como você olha.
Ela ficou quieta. O silêncio era grosso, úmido. Eu podia sentir o cheiro dela misturado com o meu: sabonete neutro + o perfume doce que eu passei mais cedo entre as pernas, só por precaução.
Levantei de joelhos, devagar, rastejando até ficar cara a cara com ela. O cabelo caiu pra frente, roçando o rosto dela. Inclinei a cabeça, deixei os lábios quase encostarem na orelha.
— Eu tentei, mãe. Juro. Mandei nudes que normalmente funcionam, escrevi coisas safadas, posei de quatro na frente do espelho… e nada. — Minha respiração batia quente na pele dela. — Aí eu pensei: por que eu tenho que ficar molhada e sozinha se a pessoa que mais me conhece tá aqui, do meu lado, respirando pesado só de me ver assim?
Toquei o rosto dela com as costas dos dedos. Unhas vermuras escuras roçando devagar da têmpora até o queixo. Ela fechou os olhos por um segundo. Erro fatal.
Quando abriu de novo, eu já estava com os joelhos entre as pernas dela, camisolas se roçando, calor subindo. Peguei a mão dela e levei direto pro meu peito, bem em cima do coração que martelava.
— Sente — sussurrei. — É por sua causa que tá batendo assim.
Os dedos dela tremeram contra o cetim. Meu mamilo roçava a palma da mão dela como se tivesse vida própria. Empurrei o quadril pra frente só um pouquinho, o suficiente pra ela sentir o volume quente da minha buceta por cima da renda.
— Me ajuda, mãe… — minha voz saiu quase um gemido. — Só hoje. Só essa noite. Depois eu finjo que foi sonho.
Eu sabia que ela ia ceder. Sempre cede.
Desci a mão dela devagar pela minha barriga, guiando até a borda da calcinha. Quando os dedos dela passaram por baixo da renda e encontraram meu clitóris inchado, eu deixei escapar um suspiro longo, joguei a cabeça pra trás, expondo o pescoço inteiro. Ela começou a mexer devagar, círculos leves, quase tímidos. Eu rebolava contra a mão dela, molhada pra caralho, escorregadia, o som molhado enchendo o quarto.
— Assim… devagar… me deixa sentir cada pedacinho…
Beijei ela. Não foi beijo de filha. Foi língua quente, dentes mordendo o lábio inferior dela, gemido que vibrou dentro da boca. Ela gemeu de volta, baixinho, como se tivesse se rendido de uma vez.
Quando gozei, foi devagar e fundo. Corpo inteiro tremendo, coxas apertando a mão dela, olhos abertos grudados nos dela. Não gritei. Só soltei um som longo, rouco, quase um ronronar, enquanto as contrações me atravessavam uma atrás da outra.
Depois fiquei quieta, ofegante, rosto encostado no ombro dela. O cheiro dela estava em mim agora: suor, excitação, rendição.
— Obrigada… — murmurei, voz mole de prazer. — Você sempre sabe exatamente onde eu preciso.
Levantei devagar, puxei a camisola pra baixo como se nada tivesse acontecido. Dei um beijo leve na testa dela, bem no meio, onde a pele é mais macia.
— Boa noite, mãe. Sonha comigo.
Saí do quarto fechando a porta com cuidado.
No corredor, sorri sozinha. O corpo ainda pulsava, quente, satisfeito.
Amanhã é sábado.
E eu já sei que, quando bater na porta dela de novo com aquele olhar molhado e faminto, ela vai abrir.
Porque algumas coisas, uma vez começadas, não têm volta.