Capítulo 4: O Reflexo no Metal

Da série L&T
Um conto erótico de L
Categoria: Trans
Contém 1219 palavras
Data: 16/03/2026 08:28:39

A manhã de segunda-feira chegou com a crueza de um despertar forçado. O despertador não tinha a mesma suavidade das carícias de Thiago; ele era um lembrete estridente de que o "ninho" tinha portas que davam para o corredor de um prédio e, eventualmente, para os portões da universidade.

Lucas estava parado diante do espelho, ajustando a gola da nova camiseta de algodão Pima cinza mescla. Por fora, ele parecia o mesmo estudante de Engenharia Mecânica de sempre: calça jeans, botas de couro e uma mochila pesada. Mas a sensação térmica era outra. A microfibra da roupa íntima feminina, oculta sob o jeans rígido, era um segredo que roçava a sua pele a cada movimento. Ele aplicou o gloss — uma camada tão fina que apenas ele e o espelho sabiam que estava lá — e ajeitou o cabelo, prendendo uma mecha rebelde com um gancho preto quase invisível.

— Estás lindo, Lu — Thiago disse, aparecendo à porta do quarto, já vestido com a sua própria armadura de estudante de Direito: uma camisa social, mas desta vez, deixada propositalmente mais solta, com os primeiros botões abertos.

Thiago também estava a mudar. Se Lucas florescia em curvas e texturas delicadas, Thiago abraçava uma estética mais desleixada, porém pensada. Ele parecia estar a desfazer-se da rigidez masculina para se tornar um espaço de acolhimento. Suas sobrancelhas estavam mais limpas, e ele usava um anel de prata fino que antes considerava "feminino demais".

— Achas que alguém vai notar? — Lucas perguntou, a voz carregada de uma ansiedade que não sentia nem antes das provas de Cálculo IV.

— Se notarem, é porque estão a olhar com atenção demais. E quem olha com atenção, no fundo, também está à procura de algo — Thiago aproximou-se e deu um selinho rápido em Lucas, sentindo o brilho húmido nos lábios dele. — Eu encontro-te no pátio central às quatro, ok?

A faculdade de Engenharia era um labirinto de metal, graxa e testosterona mal canalizada. Lucas caminhava pelos corredores sentindo-se como um espião em território inimigo. No laboratório de usinagem, enquanto operava um torno mecânico, ele percebeu o contraste: as suas mãos, agora bem cuidadas e com as unhas lixadas, contrastavam com a brutalidade da máquina.

— Ei, Lucas! — gritou Marcos, um colega de turma conhecido pelas piadas de balneário. — Que camisa é essa? Parece que encolheu na máquina, tá mais justa, não?

O coração de Lucas deu um salto. Ele sentiu o suor frio percorrer a espinha, mas manteve o foco na peça de aço que esculpia.

— É só o corte, Marcos. Mais confortável para trabalhar — respondeu, sem desviar o olhar.

— Sei... — Marcos deu uma risadinha, trocando olhares com outro colega. — E esse cabelo? Estás a deixar crescer para virar metaleiro ou o quê?

Lucas não respondeu. Ele sentia a camiseta feminina abraçar o seu tronco e, em vez de se sentir intimidado, aquela sensação deu-lhe uma estranha força. Ele era "ela" ali dentro, uma presença infiltrada, mais inteligente e mais complexa do que qualquer um daqueles rapazes poderia imaginar.

No entanto, a pressão era constante. Ao final da manhã, o cansaço mental era maior que o físico. Cada olhar atravessado, cada comentário sobre o seu "novo estilo" era como um pequeno golpe na sua armadura.

Quando o relógio marcou quatro horas, Lucas quase correu para o pátio central. Ao longe, viu Thiago sentado num banco de cimento, lendo um livro de doutrina. Thiago parecia um oásis. Ao ver Lucas, ele fechou o livro e sorriu, um sorriso que dizia "eu sei quem tu és, e eu amo-te".

— Como foi? — Thiago perguntou, levantando-se e deixando que Lucas se apoiasse nele por um momento, ignorando os estudantes que passavam.

— Exaustivo. Sinto que estou a esconder um motor de alta potência sob uma carcaça de fusca — Lucas desabafou, rindo nervosamente.

— Então vamos para casa. O fusca precisa de manutenção — Thiago piscou, pegando na mão de Lucas e entrelaçando os dedos com naturalidade, um gesto que fez alguns passantes pararem por um segundo.

Assim que a porta do apartamento se fechou atrás deles, o peso do mundo caiu. Lucas jogou a mochila no chão e retirou as botas, suspirando. Ele sentia uma necessidade urgente de se despir de toda aquela "masculinidade de performance" que a faculdade exigia.

— Thiago... — Lucas chamou, já caminhando para o quarto.

Ele retirou a camiseta cinza e o jeans, ficando apenas com a microfibra que tanto o confortava. Thiago veio logo atrás, retirando a camisa e revelando o seu corpo que, embora magro, começava a assumir uma postura mais relaxada, menos defensiva.

O desejo que surgiu ali não era apenas tesão; era uma necessidade de cura. Lucas puxou Thiago para a cama com uma urgência carinhosa. Ele queria sentir a passividade de Thiago, a forma como o namorado se deixava levar, para reafirmar a sua própria identidade como a mulher ativa daquela relação.

Lucas ajoelhou-se sobre Thiago, as mãos grandes pressionando os pulsos dele contra o colchão.

— Eu precisei de fingir ser outra pessoa o dia todo — Lucas sussurrou, o rosto a centímetros do de Thiago. — Aqui, eu quero ser eu.

Ele começou a beijar Thiago com uma fome nova. Suas mãos exploravam o corpo de Thiago com uma autoridade doce. Lucas sentia o pênis de Thiago pulsar contra a sua coxa, e a grossura do seu próprio membro, já ereto e pedindo passagem, trazia uma sensação de poder que ele só sentia na intimidade. Ele amava como o pênis de Thiago, mais longo e fino, parecia buscar o seu toque com uma vulnerabilidade quase poética.

Lucas desceu o corpo, beijando o abdómen de Thiago antes de envolver o membro dele com a boca. Ele usava a língua com uma perícia técnica, mas o sentimento era de pura adoração. Thiago gemia, o corpo arqueado, entregue totalmente às mãos e à boca de sua "engenheira".

— Lu... por favor... entra — Thiago suplicou, a voz sumindo.

Lucas preparou-o com paciência, usando o lubrificante que agora ficava sempre na mesa de cabeceira. Quando ele se posicionou e entrou em Thiago com uma estocada firme, o preenchimento foi total. A espessura de Lucas era o que Thiago mais amava; era uma presença que não deixava espaço para dúvidas. Lucas movia-se com uma força rítmica, mas a cada movimento, ele sussurrava elogios no ouvido de Thiago, chamando-o de "meu menino", "meu amor", enquanto sentia a sua própria feminilidade vibrar em cada fibra muscular.

Eles gozaram com uma intensidade que os deixou sem fôlego por longos minutos. O suor colava os corpos, e o gloss de Lucas já tinha desaparecido há muito, substituído pelo sabor de Thiago.

Mais tarde, enquanto o sol se punha e pintava o quarto de laranja, Lucas estava deitado com a cabeça no peito de Thiago. Ele sentia-se em paz, mas uma dúvida pairava no ar.

— Thiago — Lucas disse baixinho — o Marcos comentou do meu cabelo hoje. E da camisa. Acho que a discrição está a chegar ao fim.

Thiago acariciou o cabelo de Lucas, pensativo.

— E se... em vez de recuares, tu desses um passo em frente? Algo que eles não pudessem ignorar, mas que não pudessem rotular tão facilmente?

Lucas olhou para o namorado, intrigado. Ele não sabia que o próximo passo não viria de uma roupa, mas de algo que Thiago tinha escondido na gaveta, algo que mudaria a forma como Lucas se via — e como o mundo o veria — para sempre.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 95Seguidores: 69Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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