A Fotógrafa do Apartamento ao Lado - Parte 1

Um conto erótico de Noite
Categoria: Heterossexual
Contém 5761 palavras
Data: 18/02/2026 16:28:19

Moro num prédio alto na região da Paulista, daqueles modernos com fachada de vidro espelhado que reflete o caos luminoso da avenida lá embaixo. Meu apartamento fica no 18º andar, varanda ampla de frente pra cidade, à noite vira um mar de luzes piscando, carros serpenteando como veias iluminadas, o MASP ao fundo como uma caixa vermelha gigante. Cada andar tem só dois apartamentos, um de cada lado do corredor, o que dá uma sensação de isolamento gostoso, pouco barulho de vizinhos, elevador silencioso, e uma privacidade que quase nunca é quebrada.

Minha rotina de trabalho é insana, trabalho 100% presencial no escritório que fica no Itaim Bibi, e mensalmente, viagens pra clientes. Academia cedo ou tarde, jantares rápidos na rua. Passo mais tempo fora do que dentro, o apê é mais um ponto de recarga do que um lar de verdade. A varanda é meu único luxo fixo, café da manhã com vista pro nascer do sol, uma cerveja gelada à noite olhando a cidade pulsar, e às vezes, quando o cansaço bate, fico ali fumando um cigarro só pra relaxar e ver o trânsito se arrastar lá embaixo.

Era uma sexta-feira chuvosa.

Cheguei do escritório por volta das sete, estacionei no subsolo e notei que a vaga ao lado da minha, vazia há meses, agora tinha um Fiat 500 vermelho. Entrei no elevador sozinho, apertei o 18º. No térreo, as portas abriram e entrou ela: ruiva linda, cabelo ondulado castanho-avermelhado molhado de suor e chuva, caindo pelos ombros. Vestia top cropped preto justo, marcando seios fartos e mamilos endurecidos pelo frio, short ciclista curto colado nas coxas grossas e musculosas, corpo todo suado e brilhante, perfume cítrico forte invadindo o espaço. Olhos verdes intensos, cílios grudados de umidade, lábios carnudos rosados num sorriso sutil.

“Boa tarde”, disse ela, voz rouca pós-treino, entrando e ficando ao meu lado.

“Boa tarde”, respondi cordial, mantendo o tom neutro enquanto o elevador subia. Silêncio preenchido pelo zumbido e pela respiração dela ainda acelerada.

No 18º, saímos juntos. Ela virou à esquerda pro 1802, eu à direita pro meu. Nossos olhares se cruzaram por um segundo, ela deu um aceno discreto com a cabeça, sem se apresentar, abriu a porta e entrou. Eu fiz o mesmo, fechando a minha atrás de mim.

Entrei no apê, joguei a mochila no sofá e parei um instante, a imagem dela ainda fresca na mente, ruiva gata, corpo suado e definido, olhos verdes que pareciam me avaliar. Vizinha nova no 1802. Será que mora sozinha? Provavelmente, o Fiat 500 vermelho na vaga ao lado não parece de homem nem de casal, é carro de mulher independente. Sozinha, academia à noite, varanda colada na minha. Pode ser que role algo. Ou não. Mas a curiosidade já estava ali, misturada com um tesão discreto. Minha rotina de “mal fico em casa” talvez ganhe um motivo pra mudar.

Era sexta-feira, o cansaço da semana batendo forte, então resolvi fazer um copo de whisky com pedra de gelo, pegar o maço de cigarros e ir pra varanda relaxar. O vento soprava ao meu favor, fresco e úmido da chuva que tinha parado há pouco, levando o cheiro de asfalto molhado e escapamento da avenida lá embaixo. Acendi o cigarro, dei a primeira tragada longa, senti a fumaça descer quente e depois soltei devagar, olhando as luzes da Paulista piscando como sempre. O copo gelado na mão, o whisky queimando suave na garganta.

Foi aí que escutei, vindo do 1802, do outro lado da divisória baixa de vidro fosco, o som abafado de uma televisão ligada. Volume médio, mas o prédio silencioso demais pra não atravessar. Era o tumdum característico do Netflix abrindo, seguido de uma música de abertura de série, algo dramático, talvez um thriller ou drama daqueles que ela curte. Depois veio o diálogo baixo, vozes femininas, risadas esporádicas. Ela estava lá, provavelmente deitada no sofá ou esticada na varanda dela também, assistindo sozinha depois do treino.

Fiquei ouvindo um pouco, sem querer, o cigarro queimando devagar entre os dedos.

O vento carregava o som direto pra mim, poderia ser alucinação minha, mas parecia vir misturado ao cheiro distante de perfume cítrico que ainda lembrava do elevador. Imaginei ela de short e top, pernas cruzadas, cabelo solto secando, rindo de alguma cena. O copo de whisky na mão, a fumaça subindo, e eu pensando: vizinha nova, gata pra caralho, sozinha do outro lado da parede … será que ela também tá sentindo o isolamento gostoso do prédio? Ou será que já tá pensando em bater na divisória pra pedir algo? Dei outra tragada, sorri sozinho e olhei pro lado, a varanda dela escura, luz da TV piscando fraca pela porta de correr entreaberta.

Mas nada rolou naquela noite. Terminei o whisky, apaguei o cigarro e fui dormir, a imagem da ruiva ainda rodando na cabeça.

No dia seguinte, sábado de manhã, desci pro estacionamento e vi no para-brisa do meu carro, preso pelo limpador, um bilhete dobrado. Abri: “Me desculpe, bati no seu parachoque… foi sem querer. Me mande uma mensagem para acertarmos. Ass: Paula. Meu número: (11) 9xxxx-xxxx”. O Fiat 500 vermelho estava lá ao lado, com uma marquinha discreta no para-choque traseiro.

Sorri sozinho, guardando o papel no bolso.

Vizinha nova, agora com nome e telefone.

Até me esqueci de olhar o estrago de verdade. Qualquer parachoque valia o preço daquele telefone na mão. No trânsito lento a caminho do escritório no Itaim, peguei o celular e adicionei o número dela. Salvei como “Paula 1802” pra não confundir. A foto de perfil estava bloqueada pra quem não tem na agenda — só um círculo cinza vazio. Sorri sozinho, pensando que ela era do tipo que cuida da privacidade.

Abri o WhatsApp, digitei devagar enquanto o carro avançava metro a metro:

“Oi, Paula, é o Henrique, seu vizinho do 1801. Fique tranquila quanto ao carro, nem olhei direito o estrago ainda, mas é só um arranhão. Se quiser, passo lá no prédio mais tarde pra ver junto, mas como é pequeno, fique tranquila que não vou cobrar nada. Qualquer coisa, é só chamar. Boa sexta!”

Enviei. O sinal ficou verde, mas eu ainda fiquei olhando a tela uns segundos, esperando os tracinhos de “lendo” ou os pontinhos de resposta. Nada por enquanto. Guardei o celular no suporte, acelerei um pouco e segui pro escritório. A vizinha ruiva agora tinha nome, número e um motivo legítimo pra bater na minha porta.

Cheguei no escritório, estacionei rápido e subi pro andar, mas o celular vibrou no bolso antes mesmo de eu sentar na mesa. Peguei: era ela. Dois tracinhos azuis já marcados, e a resposta veio curta, direta, com um emoji de risadinha no final: “Oi, Henrique! Obrigada pela tranquilidade kkk. Foi mesmo só um arranhão bobo, meu Fiat que é encrenqueiro. Se quiser ver, tô em casa hoje à tarde. Pode passar quando quiser. Paula 😊”.

Meu coração deu um pulo discreto. Respondi na hora, tentando manter o tom casual: “Perfeito, passo por volta das 18h depois do trabalho. Se precisar de algo (tipo ajuda com caixas da mudança), avisa. Abraço!”. Guardei o celular, mas o dia inteiro ficou mais leve, reuniões chatas, e-mails infinitos, mas no fundo da mente, a imagem dela no elevador misturada com a expectativa de bater na porta do 1802. Vizinha ruiva, nome Paula, agora com um convite legítimo.

Durante o almoço rápido no escritório, o celular vibrou de novo, notificação do WhatsApp. Abri e vi que ela tinha me adicionado de volta: o círculo cinza vazio agora era uma foto de perfil. Era ela numa viagem, provavelmente saída de praia ou fim de tarde em algum litoral. Vestido de linho branco leve, daqueles fluidos que voam com o vento, batendo forte contra o corpo e marcando discretamente as curvas, cintura fina, seios fartos delineados pelo tecido translúcido sem ser vulgar, quadris arredondados e coxas definidas aparecendo na fenda natural do vestido que subia um pouco com o movimento. Braços abertos como se abraçasse o mar ou o vento, cabelo ruivo ondulado voando selvagem pra trás, sorriso largo e genuíno, olhos verdes semicerrados contra o sol, pele bronzeada brilhando. Fundo de céu azul e mar ao longe.

Guardei as coisas no escritório e fui direto pro apê. Mesmo sendo sábado, o trânsito na Paulista estava lento como sempre — uns 40 minutos de Itaim até lá, o suficiente pra mente vagar na foto dela de linho branco voando no vento. Estacionei no subsolo, notei o Fiat 500 vermelho ainda lá com a marquinha discreta, e subi direto pelo elevador, coração batendo um pouco mais forte do que o normal.

Cheguei no corredor do 18º, respirei fundo e apertei a campainha do 1802.

Lá de dentro veio um grito animado: “Já vou!”

A porta abriu segundos depois. Era ela, Paula, sem nenhum glamour, camiseta branca larga e velha (daquelas de banda ou festival, meio desbotada), short de moletom cinza folgado, cabelo ruivo preso num coque bagunçado com fios escapando, pés descalços. Evidentemente no meio de organizar a mudança, rosto corado de esforço, uma mecha grudada na testa.

“Oi, Henrique! Entra, entra… me desculpa a bagunça”, disse ela, abrindo mais a porta e dando passagem. O apê estava um caos organizado, caixas empilhadas pelos cantos, móveis meio fora do lugar, papelão espalhado no chão da sala, luz natural entrando pela varanda aberta.

Entrei, olhando ao redor. “Tranquilo, mudança é assim mesmo. De onde está vindo?”

Ela fechou a porta atrás de mim e riu, meio sem graça, passando a mão no cabelo. “Vim de Santa Catarina, morava em Florianópolis. Isso explica o sotaque que você deve ter notado no elevador.”

Eu sorri, achando graça. “Achei engraçadinho. O que te trouxe pra SP?”

Ela deu de ombros, desconversando um pouco enquanto pegava uma garrafa d’água na cozinha aberta. “É complicado… terminei um noivado faz uns meses. Decidi seguir de vez a carreira de fotógrafa, e Florianópolis é linda, mas pra trabalho de verdade, casamentos, eventos, moda, SP é melhor. Então… aqui estou, tentando não surtar com as caixas.”

Fez uma pausa, bebeu um gole e mudou de assunto rápido. “Ah, mil desculpas pelo carro de novo. Estou me acostumando ainda com as manobras dessa vaga apertada. Bati sem querer, juro.”

Eu balancei a cabeça, compreensivo. “Tudo bem, Paula. A vaga é difícil mesmo, eu já ralei pra estacionar aí mil vezes. Vamos ver o estrago?”

Ela me mostra o celular com algumas fotos: “Olha, foi só um risquinho no para-choque. Nem amassou.”

Olhei, confirmei que era mínimo. “Nem vale o conserto. Dispenso na hora. Fica tranquila, não vou cobrar nada.”

Ela arregalou os olhos verdes, aliviada e surpresa. “Sério? Ai, que fofo… obrigada mesmo. Pelo menos me deixa te oferecer um café ou uma água? Tô com tudo bagunçado, mas a cafeteira já tá funcionando.”

Sorri, sentindo o clima ficar mais leve. “Aceito o café. E quem sabe eu ajudo com alguma caixa pesada, se precisar.”

Ela riu, já indo pra cozinha. “Combinado. Entra, senta onde der. Bem-vindo ao caos organizado do 1802.”

Enquanto conversávamos sobre as caixas e o café que ela preparava na cozinha aberta, Paula passou a mão na nuca, franzindo a testa.

“Esse prédio é forno, sério… mandei trocar o ar-condicionado do apê faz duas semanas, mas ainda não veio o técnico. Tô derretendo aqui.”

Sem cerimônia, ela cruzou os braços na frente do corpo, agarrou a barra da camiseta larga e puxou pra cima devagar, tirando-a pela cabeça num movimento fluido. O tecido subiu revelando a barriga definida, a cintura fina e, por baixo, só um top fino de algodão cinza-claro, daqueles esportivos mas bem justos. O tecido grudava levemente na pele úmida de suor, marcando os contornos dos seios fartos e os mamilos endurecidos pelo contraste do ar quente com o leve vento que entrava pela varanda aberta. Ela jogou a camiseta desleixadamente na cadeira mais próxima, o cabelo ruivo caindo bagunçado nos ombros, e continuou como se nada tivesse acontecido, virando pra pegar as xícaras.

“Desculpa, mas se eu não tirar isso eu morro sufocada”, disse rindo, natural, sem vergonha nenhuma, enquanto colocava o café na mesa improvisada entre caixas. “Aceita puro ou com açúcar?”

Eu respondi “puro mesmo”, mas minha voz saiu um pouco mais rouca do que o normal. Sentei na cadeira que ela indicou, tentando manter os olhos no rosto dela, ou no café, mas o corpo dela ali, semi-exposto, brilhando de suor sutil, perfume cítrico misturado ao cheiro quente de pele, tornava tudo mais difícil.

Ela se sentou na frente, pernas cruzadas, o top marcando cada respiração, e continuou falando sobre a mudança como se estivéssemos num café normal, não no meio do caos do apê dela com o ar carregado de tensão.

O silêncio entre as frases ficou mais pesado, carregado, e eu senti o pau dar um pulo discreto dentro da calça só de olhar pra ela assim, despretensiosa e ao mesmo tempo irresistivelmente provocante.

Enquanto o café esfriava nas xícaras improvisadas entre as caixas, Paula se encostou na bancada da cozinha, braços cruzados sob os seios, o top fino marcando cada respiração.

“E você, Henrique? O que faz da vida?”

“Contador numa multinacional, lá no Itaim. Relatórios, impostos, planilhas infinitas… o de sempre.”

Ela ergueu uma sobrancelha, sorriso sarcástico surgindo nos lábios carnudos.

“Nossa, que emocionante.”

Nós dois rimos ao mesmo tempo, o som ecoando no apê bagunçado, quebrando um pouco da tensão que pairava desde que ela tirou a camiseta.

“E você? Fotógrafa, né? Como tá rolando a carreira aqui em SP?”

Ela deu de ombros, pegando a xícara e tomando um gole antes de responder.

“Tô começando a pegar alguns eventos — casamentos, aniversários corporativos, essas coisas. Mas entrei num nicho engraçado que nunca imaginei na vida.”

Eu inclinei a cabeça, curioso.

“Que nicho?”

Ela hesitou um segundo, rindo de si mesma, depois continuou:

“SP tem muita… como posso dizer… modelo. Meninas que têm perfil no Privacy, OnlyFans, essas plataformas. Fiz um freela pra uma delas pra complementar renda, fui recomendada, e agora tô nessa: tem que ficar vendo mulher pelada volta e meia. É surreal.”

Eu ri, imitando o tom sarcástico dela de antes.

“Deve ser emocionante.”

Ela jogou a cabeça pra trás, gargalhando alto, o som rouco e genuíno enchendo o espaço.

“É algo bem diferente, isso eu te garanto.”

Então ela se virou, pegou a câmera DSLR que estava em cima de uma caixa próxima, ligou e começou a folhear as fotos na tela traseira.

“Olha só, quer ver?”

Antes que eu respondesse, ela já estava ao meu lado, inclinando o corpo pra mostrar a tela. As primeiras eram sensuais: uma loira de lingerie preta em pose provocante, luz suave destacando curvas, olhar direto pra câmera. Depois vieram mais explícitas — nude artístico com sombras dramáticas, close-ups de corpo nu, poses abertas e confiantes. Nada pornográfico hardcore, mas claramente erótico, profissional e sem censura.

Ela deu risada de novo, olhando de lado pra mim.

“Você não esperava ver isso quando entrou aqui, né?”

Eu sorri, sentindo o calor subir pelo pescoço, o pau dando um pulo discreto dentro da calça só de imaginar o que ela via através da lente.

“Definitivamente não. Mas… tô achando bem interessante o seu nicho.”

Ela desligou a câmera devagar, os olhos verdes fixos nos meus, um brilho travesso neles.

“Quer ver mais ao vivo algum dia? Quem sabe eu te contrato como assistente de luz… ou algo assim.”

Eu sorri, sentindo o calor subir pelo pescoço, o pau dando um pulo discreto dentro da calça.

“Adoraria. Sério mesmo.”

Ela riu alto, jogando a cabeça pra trás, o som rouco enchendo o apê bagunçado.

“É sério, hein? Tá anotado. Vou te chamar quando precisar de um assistente confiável… e discreto.”

O ar entre nós ficou mais denso, os olhares se sustentando um segundo a mais, o corpo dela ainda inclinado na minha direção, o top fino marcando cada respiração acelerada. Eu abri a boca pra responder algo provocante, mas o celular dela tocou alto na bancada da cozinha,um toque insistente de chamada.

Ela olhou pra tela, franziu a testa e pegou rápido.

“Nossa, tinha me esquecido completamente… tenho um casal pra fotografar hoje à tarde. Desculpa, Henrique, vou ter que correr.”

Ela se levantou, já pegando a camiseta larga da cadeira e vestindo por cima do top num movimento rápido.

“Me dá um segundo pra me arrumar? Qualquer hora continuamos nossa conversa. E obrigada de novo pelo carro, de verdade.”

Eu me levantei também, sorrindo pra disfarçar a frustração misturada com expectativa.

“Tranquilo. Boa sessão de fotos. Me avisa quando precisar daquele assistente.”

Ela piscou, rindo de novo enquanto ia pro quarto pegar a bolsa da câmera.

“Pode deixar. E quem sabe a gente continua essa conversa mais tarde.”

Ela me acompanhou até a porta, ainda com o cabelo bagunçado e o sorriso travesso, abriu e me deu passagem. “Até já, vizinho.”

Fechei a porta do meu apê atrás de mim, o clique ecoando no corredor vazio. O coração ainda batia acelerado, o tesão suspenso no ar como fumaça que não se dissipava. Fiquei parado um instante na sala, ouvindo os passos dela do outro lado da parede fina, bolsa sendo fechada, porta de correr abrindo e fechando na varanda, depois o silêncio.

Ela tinha saído correndo pro compromisso, deixando o apê dela com o cheiro de café, suor e perfume cítrico pairando no meu.

Sentei no sofá, respirei fundo e peguei o celular. A conversa no WhatsApp ainda aberta, a foto dela de linho branco na praia me encarando de volta. Sorri sozinho, pensando no “assistente de luz… ou algo assim”.

O convite estava lá, pendurado, esperando o próximo passo. Abri a geladeira, peguei uma cerveja gelada e fui pra varanda, a mesma vista de sempre, mas agora com a divisória do 1802 ao lado parecendo mais próxima do que nunca.

O vento soprava leve, carregando o som distante da avenida, e eu fiquei ali, bebendo devagar, imaginando quando ela voltaria e se “mais tarde” significava hoje mesmo. A noite de sábado que prometia ser solitária de repente tinha virado uma espera gostosa.

No domingo à tarde, o tempo arrastava lento no apê, sol batendo na varanda, eu no sofá rolando o celular sem foco, ainda pensando na conversa de ontem. O WhatsApp vibrou: Paula 1802.

“Oi vizinho! Quer ir trabalhar comigo hoje? 😏”

Achei que era mentira. Respondi: “Brincadeira, né? Que tipo de trabalho de domingo?”

Ela digitou rápido: “Não, é sério. Preciso de companhia. Tô chamando você como assistente de luz, lembra? Toca a campainha que eu explico.”

Meu coração acelerou. Levantei, fui até a porta e toquei a campainha do 1802.

Ela abriu quase na hora, ainda de short jeans curto e camiseta larga, cabelo ruivo solto, bolsa de câmera no ombro. “Entra rapidinho no seu apê? Prefiro explicar lá, meu lugar tá um caos ainda.”

“Claro, vem.”

Ela entrou no meu apartamento, fechou a porta atrás de si e olhou ao redor com um sorriso rápido. “Bonito aqui… organizado. O meu parece zona de guerra.”

Ofereci: “Café ou cerveja? Tá quente pra caramba hoje.”

“Cerveja, por favor. Tô nervosa, preciso de algo gelado.”

Peguei duas latas da geladeira, entreguei uma pra ela. Sentamos no sofá da sala, ela tomou um gole longo antes de começar.

“Então… o job de hoje é fotografar um casal transando. É conteúdo adulto artístico, tipo sensual, foreplay, penetração com luz bonita, nada extremo. Pagam bem, mas eu nunca fiz isso sozinha. Tô com medo de ir sem ninguém do lado, sabe? Alguém pra ajudar com luz, equipamentos, e… ficar de olho. Divido o pagamento com você,O que acha?”

Eu pisquei, processando. “Caralho… o convite mais louco que já recebi na vida.”

Ela riu, nervosa, corando um pouco. “Pra mim também. Mas você parece gente boa, discreto… e eu não conheço ninguém aqui ainda. Se não quiser, tudo bem, eu entendo.”

Respirei fundo, o tesão misturado com curiosidade vencendo qualquer hesitação. “Aceito. Quando é?”

“Agora. Eles tão esperando. Vamos?”

Levantei, troquei a camiseta por uma preta básica, peguei carteira e chave. Ela me entregou uma bolsa com refletores leves, tripé pequeno e bateria extra. “Você carrega isso, eu cuido da câmera.”

Descemos, entramos no Fiat 500 vermelho dela, apertado, cheiro de perfume cítrico e couro novo. Ela dirigiu até Barra Funda, trânsito tranquilo de domingo. Chegamos num prédio alto, dezenas de unidades por andar, elevador lotado de gente comum. Subimos pro 28º, vista aberta pro estádio ao fundo.

Porta aberta por um cara de uns 30 anos, barba, boné virado pra trás: “Oi, vocês são os fotógrafos? Entra.”

Dentro: apartamento amplo, luz natural forte pelas janelas grandes. Um casal na sala, ele alto, tatuado, ela morena curvilínea, ambos de robe solto — e o produtor que abriu a porta.

“Valeu por vir”, disse o produtor. “Vamos fazer algumas cenas leves, tipo sensual, foreplay, penetração artística. Queremos fotos de ângulos bons, luz dramática. Vocês ficam livres pra circular, só não interfiram. Pode começar quando quiserem.”

Paula assentiu, já montando a câmera, eu abrindo os refletores. O casal tirou os robes devagar, corpos nus e confiantes. O clima mudou na hora: tensão erótica no ar, olhares entre eles, toques começando. Paula olhou pra mim por cima da câmera, um sorriso nervoso e excitado.

“Pronto pra isso, assistente?”

Eu sorri de volta, ajustando a luz. “Pronto.”

O casal se posicionou no centro da sala, a luz natural das janelas grandes batendo suave nos corpos nus e tonificados, criando sombras longas que destacavam cada curva e músculo. Ele estava completamente ereto, o pau grosso e pulsante apontando para cima, veias marcadas sob a pele esticada, a cabeça brilhando levemente de excitação prévia. Ela se aproximou devagar, os seios fartos roçando no peito dele, os mamilos endurecidos roçando a pele dele enquanto uma mão pequena e firme deslizou pela barriga dele até envolver a base do pau com firmeza, os dedos envolvendo o comprimento quente e rígido, subindo e descendo devagar, o polegar circulando a glande úmida em movimentos lentos e provocantes. Eles se olharam por um segundo, respiração pesada sincronizada, então colaram as bocas num beijo profundo e ritmado, línguas se entrelaçando em movimentos ensaiados, gemidos abafados saindo em intervalos regulares, o corpo dela colando no dele de forma controlada.

A mão dela acelerou o ritmo na masturbação, punho subindo e descendo com precisão, enquanto ele agarrava a bunda dela com as duas mãos, apertando a carne em pressão constante e puxando-a contra si, o pau latejando entre os corpos suados em pulsos visíveis. O ar parecia carregado de uma energia crua e mecânica, como se os dois seguissem um script silencioso, cada toque e respiração perfeitamente cronometrados.

Paula ajustava a câmera ao meu lado, flash disparando em cliques suaves e regulares, mas eu mal conseguia focar na luz, só via a mão dela subindo e descendo ritmada, o beijo se aprofundando em ciclos, o pau dele inchando mais a cada ciclo de toque, e o calor subindo no meu próprio corpo.

Paula me olhou de lado enquanto ajustava a câmera, e consegui ler nos olhos verdes dela o quanto aquilo tudo era inusitado, uma mistura de choque, curiosidade e um brilho de excitação contida, como se ela estivesse tentando processar que estava ali fotografando sexo real com o vizinho do lado. O produtor/cara que acompanhava pegou o celular, já gravando em modo paisagem, e falou com voz neutra, quase profissional:

“Próxima. Vamos para o boquete.”

O casal parou imediatamente, sem hesitação ou constrangimento, como se fosse só mais uma marcação no roteiro. Ele anunciou “gravando agora” com o mesmo tom prático, e os dois se reposicionaram no sofá. Ela se ajoelhou devagar entre as pernas dele, o corpo nu brilhando sob a luz natural que entrava pelas janelas grandes, seios pesados balançando levemente com o movimento. Ele se sentou na borda do sofá, pernas abertas, o pau ainda ereto e pulsante, veias marcadas, cabeça inchada e úmida de excitação prévia.

Ela segurou a base com uma mão firme, dedos envolvendo o comprimento grosso, e levou a boca até a glande devagar, lábios se abrindo para envolver a cabeça quente. A língua dela circulou primeiro a coroa, lambendo o pré-gozo em movimentos lentos e deliberados, depois desceu pela haste em lambidas longas e planas, subindo de novo até engolir metade do pau numa sucção ritmada. O som molhado e abafado preenchia o silêncio do apartamento, chupadas profundas, saliva escorrendo pelos cantos da boca, a mão dela masturbando a base no mesmo compasso da boca que subia e descia. Ele soltou um gemido baixo controlado, uma mão apoiada no encosto do sofá, a outra enfiando devagar nos cabelos dela, guiando sem forçar, mantendo o ritmo. Os olhos dela subiam de vez em quando para encontrar os dele, mas o olhar era mais performático que passional, como se seguisse instruções silenciosas.

Paula clicava a câmera em ângulos variados — close na boca esticada ao redor do pau, perfil do rosto dela com lábios inchados e saliva brilhando, mão dele no cabelo dela, flash suave disparando em sequência.

Eu ajustava o refletor para evitar sombras duras no rosto dela, mas mal conseguia desviar o olhar, a boca dela descendo fundo, garganta relaxando para engolir mais, o pau desaparecendo quase inteiro antes de subir de novo, brilhante de saliva, latejando visivelmente a cada sucção.

O ar estava pesado de cheiro de sexo, o produtor gravando tudo pelo celular em silêncio profissional, e eu sentia meu próprio pau endurecendo dentro da calça, o tesão crescendo contra minha vontade enquanto assistia à cena mecânica mas inegavelmente quente se desenrolar na minha frente.

O produtor deu um passo à frente, celular ainda gravando, e falou com voz calma e diretiva: “Próxima: penetração. Vamos começar na posição missionária no sofá, depois mudem pra cowgirl. Luz frontal pra destacar os corpos, ângulos laterais pra captar o movimento. Sem pressa, mas mantenham o ritmo constante.”

O casal assentiu sem hesitar, como se fosse só mais uma instrução de set.

Ele se deitou de costas no sofá, pau ainda ereto e brilhante de saliva da cena anterior, veias pulsando visíveis. Ela subiu por cima dele devagar, posicionando-se de frente, joelhos abertos ao lado das coxas dele. Segurou a base do pau com uma mão, alinhou a cabeça na entrada da buceta já úmida e inchada, e desceu devagar, centímetro por centímetro, engolindo o comprimento inteiro num movimento fluido e controlado. Os dois soltaram um suspiro sincronizado, mas sem o gemido espontâneo de antes, era mais uma respiração técnica, como se estivessem marcando o início da cena.

Ela começou a subir e descer em ritmo constante, quadris rebolando levemente pra frente e pra trás, o pau entrando e saindo completamente a cada movimento, brilhando de lubrificação natural que escorria pelas bolas dele.

Os seios dela balançavam ritmados, mamilos duros apontando pro teto, enquanto as mãos dele subiam pras coxas dela, apertando a carne em pressão firme e repetitiva, guiando o vaivém sem variar.

O som molhado de pele contra pele preenchia o apartamento, slap suave e constante, misturado ao zumbido distante do ar-condicionado e aos cliques da câmera de Paula.

Paula me olhou de lado nesse momento, olhos verdes arregalados, um misto de assombro e algo mais intenso, como se estivesse tentando entender como aquilo podia ser tão mecânico e ao mesmo tempo tão cru.

Ela ajustava o ângulo da câmera pra captar o close do pau desaparecendo dentro dela, depois um perfil do corpo dela arqueando, mas dava pra ver que ela também estava afetada: respiração mais rápida, bochechas coradas, um brilho de suor na testa que não era só do calor do apê.

O produtor interveio de novo: “Mais lento agora, deixa ela rebolar mais circular. Quero ver o clitóris roçando na base. E olhares pra câmera, por favor.”

Eles ajustaram na hora: ela diminuiu o ritmo, quadris fazendo círculos amplos, o pau todo dentro, saindo só metade antes de descer de novo, o clitóris pressionando contra a pélvis dele a cada giro. Ele segurou a cintura dela com mais força, mantendo o controle do movimento, olhos fixos na câmera como instruído, sem paixão, só performance.

Eu ajustava o refletor pra iluminar melhor o ponto de união, mas meu pau estava duro pra caralho dentro da calça, latejando desconfortável contra o tecido.

Tudo era estranho, a frieza profissional deles, as ordens do produtor, Paula fotografando sexo real ao meu lado, mas ao mesmo tempo eu estava estranhamente excitado, o tesão subindo quente e incontrolável só de ver o pau dele entrando e saindo ritmado da buceta da modelo, que aliás era uma delícia, os corpos suados colando e separando, o som molhado ecoando, e saber que aquilo era real, pago, mas ainda assim visceral.

Paula olhou pra mim de novo, um sorriso nervoso e cúmplice nos lábios, como se dissesse “isso tá louco, né?”, e eu só consegui assentir de leve, o calor no corpo inteiro me traindo.

A sessão terminou depois de mais algumas poses e ajustes, o produtor dando o ok final com um “perfeito, cortou”. O casal se levantou do sofá sem pressa, corpos ainda suados e vermelhos, pegando os robes e vestindo como se tivessem acabado de fazer uma reunião comum. Paula recebeu o cachê em dinheiro vivo, um envelope grosso que ela contou rápido e guardou na bolsa da câmera, agradecendo com um “obrigada, foi ótimo”. Enquanto eles se vestiam e conversavam baixo com o produtor, nós arrumamos os equipamentos em silêncio: eu dobrando os refletores, ela guardando lentes e bateria, o ar do apartamento ainda pesado com cheiro de sexo e suor.

Descemos juntos no elevador, Paula, eu, o produtor e o casal. Estranhamente em silêncio, ninguém olhando nos olhos do outro, só o zumbido do elevador e o som da respiração coletiva. Quando chegamos ao térreo, o casal e o produtor saíram primeiro, acenando um “valeu” seco. Ficamos só nós dois.

Entramos no Fiat 500 vermelho dela, portas fechadas, cinto colocado. Mal ela ligou o motor, os dois caímos na gargalhada ao mesmo tempo, alta, nervosa, liberadora, como se tivéssemos segurado o riso o dia inteiro.

“O que foi isso?”, falei entre risos, limpando uma lágrima do canto do olho.

“Que situação inusitada do caralho!”, ela respondeu, batendo no volante, rindo tanto que mal conseguia respirar. “Eu fotografando gente transando e você segurando refletor como se fosse técnico de cinema!”

Ela agradeceu de novo, voz mais baixa agora, ainda com um sorriso: “Sério, Henrique, obrigada por ter ido. Eu não teria conseguido sozinha. Você foi perfeito.”

“Disponha. Foi… uma experiência.”

Combinamos de ir tomar uma cerveja pra comemorar o “sucesso do job”. Paramos num barzinho simples na Barra Funda, mesas de plástico na calçada, luzes amareladas. Pedimos duas long necks geladas, brindamos com as garrafas.

Continuamos a conversa, ainda rindo do absurdo.

“Nunca tive o costume de ver pornografia, sabia?”, disse ela, girando a garrafa na mão. “Agora tô fotografando isso… tipo, profissionalmente. É louco.”

“Estranho pra caralho”, concordei. “Mecânico demais. Parecia ensaio de teatro erótico, não sexo de verdade.”

“Exato! Sem paixão, só marcação de cena. Louco né? Mas as fotos vão ficar legais. Quando revelar eu te mostro.”

“Com certeza! Quero ver o resultado.”

Ela tomou um gole longo da cerveja, girando a garrafa na mão, olhando pro lado como se estivesse escolhendo as palavras. Depois voltou os olhos verdes pra mim, um sorriso meio torto, corando levemente nas bochechas.

“Sabe… nas fotos vai ficar um tesão danado, tenho certeza. Vai depender do olho da fotógrafa, né?”

Eu inclinei a cabeça, sorrindo de canto.

“Ah, então a fotógrafa tem que achar na cena o que quer passar pra quem vê, certo?”

“Certo”, respondeu ela, rápida, mas já desviando o olhar de novo, brincando com o rótulo da garrafa.

“Então você tem que achar aquilo que acha excitante, certo? Pra transmitir isso.”

Ela parou, mordeu o lábio inferior por um segundo, rindo baixo e nervosa, o rosto ficando mais vermelho. “Ahhh, vai… tá bom… vou falar.”

Fez uma pausa, respirou fundo, como se estivesse confessando um segredo bobo, voz mais baixa e com uma relutância divertida:

“…eu fiquei excitada, tá? Não esperava, mas… ver aquilo tudo, o pau entrando e saindo, a mão dela, o som molhado… meu Deus, fiquei molhada o tempo inteiro. Foi estranho admitir isso pra mim mesma, mas aconteceu.”

Ela riu de novo, balançando a cabeça como se não acreditasse no que tinha dito, cobrindo o rosto com a mão por um instante. Eu sorri, sentindo o mesmo calor subindo de novo.

“Não foi só você. Eu também… bom, digamos que a calça ficou desconfortável.”

Ela arregalou os olhos verdes, rindo mais alto, e bateu a garrafa na minha.

“Vizinho pervertido. Mas que bom que não fui só eu.”

O barzinho ao redor parecia distante, a noite quente de domingo virando algo mais íntimo, e a conversa fluía leve, carregada de um tesão que ninguém estava fingindo ignorar mais.

Pagamos a conta no barzinho, ainda trocando risos baixos sobre o absurdo do dia, e entramos no Fiat 500 vermelho dela para voltar ao prédio. O trânsito de domingo à noite estava calmo, as luzes da Paulista refletindo no para-brisa enquanto ela dirigia devagar, uma mão no volante e a outra na coxa, o short jeans subindo sutilmente a cada marcha. O rádio tocava baixo, mas o silêncio entre nós era denso, elétrico, olhares furtivos de lado, sorrisos que diziam mais do que palavras.

No semáforo longo, ela virou o rosto pra mim, olhos verdes capturando a luz vermelha, voz baixa e rouca:

“Sabe… depois de hoje, uma cerveja só não vai dar conta. Talvez a gente precise de algo mais forte… pra descarregar.”

As palavras ficaram pairando no ar confinado do carro, o perfume cítrico dela se misturando ao cheiro de cerveja e ao calor que subia entre nós. Ela não desviou o olhar, lábios entreabertos, respiração um pouco mais rápida. O sinal abriu, ela acelerou suave, mas o clima ficou mais espesso, mais urgente.

Chegamos no subsolo, estacionamos lado a lado. Ela desligou o motor, o silêncio repentino amplificando o som da nossa respiração. Virou-se pra mim devagar, sorriso travesso com uma borda afiada.

“Vamos?”

Meu coração batia forte contra as costelas enquanto saíamos do carro. Entramos no elevador juntos, portas fechando com um clique suave. O espaço pequeno, o ar-condicionado gelado contrastando com o calor dos nossos corpos. Nenhum de nós falou. Só olhares sustentados, respiração pesada, o painel subindo devagar: 15… 16… 17…

As portas abriram no 18º andar. O corredor vazio, silencioso. Nós dois paramos na saída, sem se mover, o ar carregado de expectativa. Ela olhou pra mim de lado, um sorriso sutil nos lábios.

Continua.

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