Uma puta dama - parte 8

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3405 palavras
Data: 02/02/2026 10:45:07

Hoje, o capítulo será mais leve, com um viés mais voltado para a comédia.

Espero que gostem.

Forte abraço,

Mark

Foi o mais longo e cansativo voo da minha vida. Não consegui dormir 1 minuto sequer. Minha mente trabalhava ativamente na busca de uma forma de ajudar Helena. Mas como ajudar se eu não sabia o que estava acontecendo? Eu tinha poucas opções, afinal, minha rede de contatos não era tão avançada assim:

- Rede... – Cochichei para mim mesmo, sem chamar a atenção de ninguém.

Um sorriso surgiu em meus lábios. “Zico!”, pensei. Se não tenho conexões reais, talvez as virtuais... Ele era um hacker e eu nunca acreditei que ele havia se afastado inteiramente do “Anonymous”. Se tinha alguém que poderia me ajudar a ter informações, esse alguém era ele.

[CONTINUANDO]

Assim que pousamos no aeroporto de Guarulhos, fui gentilmente “acompanhado” pelos distintos agentes até a imigração. Dali eles se despediram, não sem antes de ameaçarem:

- Não tente se intrometer nessa operação novamente, doutor. Sabemos que sua situação é delicada, que seu relacionamento pode estar... em crise, mas temos nossas obrigações e a principal é zelar pela operação.

- O que quer dizer?

- Para um advogado, seu raciocínio é bem lento, não acha? Apenas... aproveite os dias para descansar. Logo, sua esposa estará de volta.

Eles voltaram para o hangar particular onde o jato os aguardava e eu retornei para minha casa.

Nem bem cheguei e liguei para o Zico:

- Fala, doutor. Qual é a boa? Falou com a safada?

- Zico, corta essa! Preciso conversar com você e vou precisar da sua ajuda, de novo.

- Caraio! O que essa bisca fez dessa vez?

- Zico... – Suspirei fundo para não xingá-lo, pois precisava dele: - Onde podemos nos encontrar?

- Ué!? Estou no escritório. Esqueceu o endereço?

- Não dá pra ser aí, né, Zico! É uma questão que... bem... eu gostaria de falar pessoalmente com você. Mas já adianto não será nada fácil.

- Envolve... computador?

- Isso e talvez mais.

- Mistério, hein!? Gostei! Vou pra facul mais tarde. Tem um barzinho perto que dá para a gente trocar uma ideia fora do intervalo.

- Ok. Te encontro lá.

Despedimo-nos.

As horas passavam lentamente. Tentei mandar uma mensagem para a Helena, mas sequer foi recebida. Eu já imaginava, mas não custava tentar.

Por volta das 19:00, fui até a faculdade onde o Zico fazia um curso avançado em TI. Na verdade, eu imaginava que ele tinha conhecimento suficiente para dar aula para os professores. Nunca entendi direito o porquê dele estar lá, mas enfim... Achei 3 bares nas redondezas e mandei uma mensagem para ele, perguntando onde estava:

“No ‘Vermelho e Preto’, ué! Onde mais Zico estaria, no Vasco? KKKKKK”

Realmente havia um bar chamado Mengo. Entrei e logo o vi no balcão, tomando uma cerveja. Fui até ele e o cumprimentei com um aperto de mão:

- Toma uma, doutor?

- Pode ser.

Pegamos uma cerveja e ele me arrastou para os fundos, onde alguns idosos jogavam dominó e bocha. Pensei que fôssemos nos sentar a uma mesa, mas continuamos andando. Entramos por uma porta e entramos noutro cômodo, onde várias mesas estavam ocupadas por homens jogando cartas, truco e poker. Também não sentamos aqui. Seguimos andando até entrar por outra porta que deu numa espécie de estoque de bebidas do bar. Estranhei, mas segui atrás do Zico. Ele parou em frente a porta de uma imensa geladeira, trancada a chave:

- Cê sempre foi legal comigo. O que vai ver é segredo, ok?

Acenei positivamente. Ele então sacou a chave, destrancou a fechadura e abriu porta da geladeira. Era só uma fachada. Por ela, entramos em outro cômodo, onde 5 jovens com cara de nerd’s interagiam com telas e telas de informações:

- Bem-vindo ao meu mundinho digital, doutor.

Olhei para Zico, inconformado e balbuciei:

- Mas... você não pode...

Ele deu um sorriso sarcástico para mim:

- Doutor... Acha mesmo que eu ia ficar longe da minha galerinha? Ia nada!

Seguimos andando e ele cumprimentando os rapazes, um a um, e o mais interessante? Todos pareciam reverenciá-lo.

Fomos até um computador no fundo que parecia coisa de ficção científica, com 4 CPU’s interligadas, canos passando por todos eles e um cilindro de nitrogênio ao lado. Contei, pelo menos, 10 telas. Zico se sentou numa poltrona gamer como se fosse o Pachá daquele minúsculo “país”:

- Vamos acordar, querida?

Vi ele apertar um botão e um barulho que parecia uma turbina de avião em miniatura surgiu. Logo, os monitores todos se acenderam, rapidamente um sistema se iniciou e a figura de um triângulo branco com um olho branco no centro surgiu. Depois o triângulo se apagou, ficando apenas o olho, que parecia piscar, acordando. Estranhei, mas como não era o meu mundo, achei que deveria ser normal. Zico agora me encarava e me preparei para explicar o que eu precisava quando:

- Olá, Zico. Anda sumido, meu querido? – Disse uma voz feminina, claramente eletrônica: - Quem é esse bonitão sentado à sua frente?

Não pude evitar a surpresa e instintivamente busquei ao meu redor a origem daquela voz. Zico deu uma risada:

- Oi, S.A.R.A. Tenho trabalhado bastante, querida. Peço desculpas por não vir te visitar com mais frequência, mas vou consertar isso.

Fiquei boquiaberto. Ele estava interagindo com o computador como se fosse uma pessoa. Até cheguei a duvidar se o Zico estaria bem da cabeça e fosse mesmo capaz de me ajudar:

- Esse é o doutor Beto, um grande amigo meu do escritório. Ele está precisando de ajuda e achei melhor conversarmos aqui.

Imediatamente, um dos monitores virou na minha direção e aquele estranho olho, agora mais afilado, bem feminino, parecia me encarar. Não ele exatamente, mas duas câmeras acima do monitor se moviam, parecendo focar em mim:

- Hummm... Moreno, alto, bonito... Está meio fora de forma, mas nada que uma malhaçãozinha não dê jeito. – Disse aquela voz, até que pareceu se dirigir a mim: - E aí, bonitão, está sozinho? Que tal um programinha?

Meu queixo caiu... Fiquei estupefato, de boca aberta e olhos arregalados. Parecia ser uma IA avançadíssima, quase senciente:

- Ele é bobo assim mesmo, ou ficou tímido comigo? – Ela perguntou, agora aparentemente para o Zico, que sorria.

- Ah... Ele é meio bobo mesmo. – Zico retrucou, zombando.

- Que pena! Parecia tão promissor... Entretanto, vejo sinais de tensão aparente. Ele está nervoso, ansioso e meio deprimido. Certamente com níveis de cortisol elevado. Aconselho um leve ansiolítico para relaxar. Posso encomendar?

- E como ela ligaria para a farmácia? Aliás, como ela compraria um remédio desses sem receita? – Perguntei para o Zico.

- Doutor... A S.A.R.A. é capaz de coisas que o senhor nem imagina. – Disse e olhou para um monitor em especial: - Querida, não será necessário no momento. Vou apenas conversar com ele, ok? Que tal se você e os meninos fossem dar uma voltinha?

- Tá me expulsando da minha própria casa, Zico? – Disse a voz.

- Não, S.A.R.A. é que... é um assunto delicado, íntimo. Envolve a esposa dele...

- Ahh... Ele é o marido daquela piranha morena que mandou aquela mensagem cabulosa e...

- S.A.R.A.! Por favor... – Interrompeu o Zico.

- Tá! Já calei! Eu vou então...

Vi que, pelo menos, 1 monitor de cada um dos rapazes apagou e depois acendeu com o mesmo olho afilado que havia no meu. Eles começaram a interagir com ela e após algum tempo, todos saíram:

- Zico... o que foi aquilo!?

- Aquilo o quê, a S.A.R.A.?

Balancei afirmativamente a cabeça:

- Ah! É só o meu Sistema Avançado de Registros e Análises – S.A.R.A. Eu mesmo que criei.

- Criou!? Vo-Você tem noção do que você criou? Isso pode valor milhões!

- É. Talvez... Mas hoje é só a minha inteligência artificial.

- NAMORADA! – Surgiu a mesma voz eletrônica pelo sistema de som do computador do Zico.

- Se você não sair, eu vou desligar você! – Disse o Zico.

- Tô indo... Pelo menos alguém aqui sabe o valor que eu tenho...

- S.A.R.A.! Por favor... – Insistiu o Zico.

- Pede para eu buscar pornô para você depois, pede! Vou abrir só pornô gay por um mês inteiro...

- S.A.R.A.!

- Pronto! Já fui. Palhaçada... A gente se arruma, se produz, fica cheirosa, gostosa... e ele faz o quê? Chuta a gente pra fora! Bem que minha Placa Mãe falou para eu casar com um computador da IBM. “Executivo é garantia de futuro minha filha”, dizia. Mas não! Fui escutar o coração...

- S.A.R.A.!

Eles estavam discutindo, parecendo namorados. A autonomia daquele sistema era impressionante. Ele realmente parecia raciocinar e interagir sem falhas como o Zico, tendo vontade própria, inclusive para recusar a ordem dele. Todos os monitores em que a imagem do olho apareciam, se apagaram, e depois de algum tempo em silêncio, como se se certificasse, o Zico me encarou:

- Pode falar, doutor. Qual é a bronca?

- Zico, é o seguinte... tudo o que a gente conversar a partir de agora é sigiloso e você tem todo o direito de recusar porque envolve gente bem poderosa.

- Opa! Um desafio... Quem eu tenho que invadir: STF, Planalto, Banco Central, TSE...

- A CIA...

- A CIA!? CÊ TÁ LOUCO? – Todos os monitores se acenderam novamente com o olho, a imagem da S.A.R.A.: - Nega, Zico! Recusa. Tá querendo voltar pra cadeia?

O monitor que se encontrava virado para mim agora mostrava um olho mais afilado, apertado, quase invocado e ficou mais assustador por ser o único vermelho:

- S.A.R.A., para! Deixa ele falar. – Pediu o Zico: - Aliás, o que você está fazendo aqui? Já mandei você sair.

Levantei minha mão para o Zico, que me encarou confuso:

- Não, espera Zico. Talvez seja bom a S.A.R.A. ficar. A opinião de uma mulher pode vir bem a calhar.

De imediato, o olho do meu monitor ficou azul:

- Gostei! – Disse a voz.

Comecei a explicar tudo para o Zico, desde a minha chega em Viena e tudo porque passei, até quando descobri que a Helena está “ajudando” numa operação da CIA e como fui expulso de lá por eles. Durante a minha explicação, inconscientemente eu olhava ora para o Zico, ora para o monitor a minha frente, como se a S.A.R.A. pudesse realmente me ver. Quando terminei, o Zico estava com os olhos meio arregalados:

- Doutor... Cê cachiprou agora, hein?

- Caprichou, Zico... – Disse a S.A.R.A.

- Foi o que eu disse... – Ele resmungou: - E do que precisa exatamente, doutor?

- Informações! Preciso saber que merda de operação é essa em que a Helena está metida e se eu posso ajuda-la de alguma forma.

- Invadir a CIA não vai ser fácil, doutor, porque...

- Já consegui! – Disse a S.A.R.A.

- Oi!? – Perguntou o Zico.

- Já con... Não! Um firewall me derrubou.

- Você não tá acessando daqui não, né? – Zico perguntou.

- É óbvio que não, querido. Estou fazendo uma baita triangulação para não nos encontrarem. Minha última tentativa usou um computador na Coréia.

- Do Sul ou do Norte? – Zico insistiu.

- Do Norte, óbvio.

- Cavalo de Tróia? – Zico perguntou: - Sabe que pornô não funciona, né?

- Sei. Estou usando um meme do Trump... Já tive 3 acessos, mas só um vingou, e foi barrado.

- Zico, do que ela está falando? – Perguntei, sem entender nada.

- A S.A.R.A. está tentando implantar um programa espião em algum computador que esteja na rede da CIA. Daí partimos para a segunda parte: disseminação silenciosa. Então, passamos a analisar os dados até encontrar a nossa palavra chave, que é...

- HELENA! – Disse a S.A.R.A.: - Helena Camargo, para ser mais exato.

Eu estava realmente surpreso como aqueles dois interagiam, mas precisava corrigi-los:

- S.A.R.A., tente Vester também. É o sobrenome de solteira da minha esposa...

- Anotado.

- Doutor, me dá licença por um instante...

Zico se virou de frente para os seus monitores e começou a alterar informações entre as telas. Linhas e mais linhas de comando de várias linguagens surgiram e se alternavam. O monitor da S.A.R.A. que virado para mim se virou para ele e começaram a conversar. Parecia coisa de cinema, uma ficção científica futurista que eu não imaginava presenciar tão cedo. Eles ficaram, pelos menos, 30 minutos tentando forma de entrar, mas não estavam conseguindo. Eu também não imaginava que conseguiriam tão cedo:

- Doutor, isso vai demorar um pouco. – Disse o Zico por fim, me encarando.

- Não quero te comprometer.

- Imagina! Adoro um desafio.

Combinamos dele me ligar assim que tivesse alguma novidade. A S.A.R.A. fez questão de registrar o meu celular, dizendo que eu poderia ligar se precisasse de companhia. Acho que o Zico havia criado uma mulher e tanto, mas também um tanto safada demais...

Voltei para casa sem nada. Entretanto, no caminho, lembrei-me de que, talvez, eu pudesse encontrar alguma informação no escritório da Helena. Mas como entrar?

- Silana... – Resmunguei.

Silana era uma secretária executiva na empresa da Helena, praticamente seu braço direito, com acesso direito a sua sala. E eu havia feito um grande favor para ela há tempos atrás: consegui localizar e prender seu ex-marido, um devedor contumaz de pensão alimentícia. Ela não queria dinheiro, queria apenas a cabeça dele, e eu a entreguei numa bandeja de prata, mais um período de 90 dias atrás das grades.

Liguei de imediato:

- Oi, Beto... digo, doutor Roberto. Em que posso ajudá-lo?

- Silana, eu preciso pegar uns documentos no escritório da Helena. Seria possível?

- Não pode esperar?

- Por que?

- Doutor, é que estamos num período meio... sigiloso por aqui. A empresa está fechando um grande negócio e todo o acesso não autorizado está sendo negado. Acho que você nem conseguiria passar da portaria.

- Nossa! Mas que estranho... Por que esse... sigilo todo?

- Nem mesmo eu sei. Só sei que está sendo assim.

Suspirei, inconformado:

- Nem fora de hora, Silana?

- Fora de hora, nem os funcionários, doutor. Apenas a segurança permanece no prédio.

- Segurança redobrada com certeza... – Contemporizei, dando por prejudicado o meu plano.

- Que nada! A mesma de sempre.

Despedi-me dela e desliguei. Realmente alguma coisa estava acontecendo na empresa em que Helena trabalhava e no mesmo período em que a operação da CIA se desenrolava. Não podia ser só coincidência. Eu precisava descobrir o que era.

Uma coisa que a Helena sempre reclamou na empresa em que trabalha é a falta de segurança. Normalmente, apenas 5 trabalhavam lá: 2 na portaria e acessos inferiores; 1 na central de comando; 1 entre os andares medianos, do 2º ao 9º; e 1 só para o último andar, o da alta gerência. Por ela, seria o dobro. Ainda bem que nunca ouviram seus pedidos.

Eu precisava tentar entrar na sala da Helena e Silana era a única que poderia me ajudar. Montei campana próximo ao apartamento dela e aguardei. Horas depois, vi ela chegando e entrando com seu carro no estacionamento. Liguei para ela de imediato que me atendeu e se surpreendeu por eu estar ali. Fui autorizado a entrar e subimos juntos ao seu apartamento. Expliquei a ela que precisava urgentemente entrar no escritório da Helena e ouvi um belo e grande:

- Não! Não posso arriscar o meu emprego, Beto. Desculpa.

A minha cara de desolação foi imediata. Eu nem podia culpa-la, afinal, se alguém descobrisse, ela seria demitida imediatamente. Acho que ela se apiedou de mim. Vi quando abriu sua bolsa e pegou seu crachá, entregando-me. Não entendi nada:

- Não posso ir com você. Mas você pode tê-lo encontrado caído na rua. Hoje é sexta e só vou dar falta nele na segunda, quando tentar entrar na empresa.

Ela estava me ajudando sem se comprometer. Se alguma coisa desse errado, eu seria o único responsável. Agradeci e saí.

Liguei para o Zico, na intenção de conseguir uma planta do prédio da empresa em que Helena trabalhava. Quando contei do meu plano, ele riu:

- Cê é louco, mano! Cê tem jeito de espião nem aqui, nem na China, Beto.

- Estou desesperado, Zico. Preciso descobrir alguma coisa.

- Sem querer, ouvi a conversa de vocês. – Disse a S.A.R.A.: - Podemos ajudá-lo. Acessei a planta elétrica do prédio e vi que possui um sistema de câmeras bem legal, mas o firewall é uma vergonha! Podemos guiá-lo pelo prédio causando “falhas no sistema” das câmeras.

Um silêncio surgiu na chamada, mas breve:

- Certo. Passa aqui, Beto. Vou te dar uns bat-trecos para te ajudar.

- Oi!?

- Só passa aqui. Eu te explico depois... – Pediu o Zico.

Voltei até o bar onde o Zico realizava suas atividades extracurriculares. Ele e um de seus discípulos mexiam em alguns equipamentos:

- Chega aí, Beto. – Chamou-me, reforçando com um gesto de mão: - Linguiça, pega aquele fone wi-fi bege.

O rapaz saiu e ele me encarou:

- Cê vai mesmo fazer isso?

- Vou. Eu preciso...

- Então tá, então... – Ele resmungou: - Seguinte... Vamos turbinar essa vossa persona desajeitada. Vou instalar um fone, com microfone e câmera em você. Vamos conseguir ver, ouvir e falar com você, tudo em tempo real, graças ao São Elon Musk.

- Mesmo de dentro do prédio?

- Acredito que sim, até mesmo porque estando lá podemos fazer triangulação com a...

- Aham! – S.A.R.A. resmungou, interrompendo-o.

- Tá. Lá a S.A.R.A. pode fazer uma triangulação usando a própria rede interna deles. Vamos usar uma máscara flutuante para ninguém saber que você é você. Vai parecer defeito de programação. Mesmo se eles notarem que havia um visitante lá, você já terá saído de velho. Pelo menos é o que eu espero...

O tal Linguiça voltou com um equipamento e eles colocaram um fone minúsculo em meu ouvido. Depois, me deram um óculos que continha a câmera e microfone:

- Vai lá. – Disse o Zico para o tal do Linguiça.

O rapaz saiu da sala e logo comecei a ouvir a voz dele, em alto e bom som. O Zico olhava para um monitor que mostrava tudo o que eu via. Depois de mais alguns testes, ele se virou para mim. Um dos monitores, com o olho da S.A.R.A. também. Ele então estendeu um mapa na mesa:

- Seguinte... Cê vai entrar por essa porta nos fundos. Vamos deixa-la destrancada...

- Vocês!? – Eu o interrompi: - Como?

- Mágica, querido. – Respondeu S.A.R.A.: - Tudo lá é interligado. Eu destranco, você entra e nós vamos te guiando em tempo real.

- Vai ser rápido. Eu entrando lá, pego o elevador e...

- Não, né, mané! – Zico me interrompeu: - Elevador não, pô! Cê vai por essas perninhas de grilo para trabalhar, de escada. Elevador faz barulho e chama muito a atenção. Já as escadas normalmente estão vazias e quase não tem câmeras.

Recebi mais algumas instruções. Quando já estava para sair, Zico perguntou:

- O que exatamente você vai procurar?

- Não sei. Vou bisbilhotar, fuçar em tudo.

- Meu Deus!... – Resmungou o Zico, tamborilando a mesa: - Peraí!

Ele abriu uma gaveta e fuçou até achar um micro pendrive, quase invisível. Colocou-o à minha frente:

- Isso é um micro roteador via satélite. O Jamanta ali que criou. – Indicou um branquelo gordo e meio corcunda, que acenou de volta: - Conecta isso numa porta USB do computador da sua safa... é... digo... da sua esposa. A S.A.R.A. cuida do resto.

- Vai baixar algum arquivo do computador dela?

- Isso e muito mais. Só confia...

Despedimo-nos. Esperei anoitecer. Tomei um lanche reforçado e já passando das 23:00, segui até as proximidades do prédio em que Helena trabalha. Estacionei nas redondezas e fui caminhando como quem não quer nada até a porta. Antes de alcançá-la, ouvi a voz da S.A.R.A.:

- Pode abrir. O caminho está livre.

Antes de eu colocar a mão na porta, ouvi um ruído. Olhei na direção e vi um mendigo se aproximando, cambaleando:

- Tem um trocado aí para eu comprar uma querosene, doutor?

Pelo menos, ele foi honesto e pediu dinheiro para beber. Eu não precisava de maiores atrasos, então coloquei a mão no bolso, tirando uma nota de R$ 20,00, esticando-a na sua direção. Ele puxou a minha mão e bateu uma algema no mesmo instante. Nem vi outros dois se aproximarem por trás de mim. Um saco preto foi colocado na minha cabeça, enquanto eu era arrastado dali. Pensei em pedir ajuda ao Zico, mas o que ele poderia fazer naquele momento? Nada!

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 338Seguidores: 713Seguindo: 25Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Arre!!! Agora eu só leio e fico digerindo as informações. Nem me arrisco mai a criar teorias. Quam sabe com mais alguns capitulos eu consiga formar alguma teoria mas factivel. O Mark vai nos deixar é doidos!!! rsrsrsrs

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Continua um Bocoió, um Bocoió ultra digitalizado, mas um Bocoió, simplesmente não age quando tem que agir e quando age seria melhor que não tivesse agido, um Salve para o Agente 86, boa citação retrô, o Beto também tá na dependência de uma Agente 99, quem seria???? A filha do Chanceler e a estagiária poderiam ser Agentes de Contra Inteligência da Interpol, que foram plantadas para monitorar possíveis quebras de condutas nas ações da CIA, prevendo que possíveis exageros poderiam sem cometidos devido a gravidade e grandiosidade da operação, sendo a única opção de resgate para o Beto nesse momento, a bucetinha da Helena nem tá mais importando, ficou para jogo, kkkkkkkkkkk o negócio é sair dessa roubada kkkkkkkkkkkkkkk

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Pqp Mark, vc consegue se superar a cada nova série, Clair de lune era foda, ai acompanhei A Influencer do sexo, Ficar ou não ficar, coração perdido, séries que vão alem do sexo, uma literatura adulta do mais alto nível... não comentei nos outros capítulos por que os devorei em uma madrugada de insônia, mas que PUTA ESTORIA meu amigo, gostaria muito que a Helena não precise usar seus dotes femininos... e voltasse para o Beto como a esposa amada e inteiramente dele... mas a essa altura do campeonato, nos surpreenda, venha oque vier... com certeza vai ser do caralho!!

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'Jênio' com o celular grampeado e fazendo o óbvio.

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A única coisa que esse capítulo acrescentou foi o tema GAY nos assuntos

Sobre o Bissexualismo eu diria que a esposa do Roberto também estava se envolvendo com alguma mulher. Mas o tema gay agora me deixou com dúvida.

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Era heterossexual.

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Já estava achando que o Roberto seria currado pela quadrilha da esposa e vendido como prostituto para o tráfico de pessoas.

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Caraca Mark você tá doido, que viagem rsrsrsrs.

Esse cara tá ferrado, virou corno e ainda corre risco de vida. será que vai valer a pena todo esse esforço ou ele deveria largar mão de tudo?

Essa é a grande questão pois ele está totalmente as cegas em algo extremamente perigoso que foi provocado pela esposa a qual ele ama, mas que por motivos que ainda desconhecemos mantém ele totalmente a margem dos fatos.

situação extremamente complicada a dele, pois está se colocando em risco por uma pessoa que *talvez* tenha entrado nisso unicamente por pura putaria e aí quando a verdade vier a tona vai doer muito e acho que vai mesmo, porque o Mark quando posta coisas com essa pegada é porque vem uma tempestade das brabas pela frente.

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Esse espião é muito atrapalhado, está parecendo Maxwell smart agente 86 kkkkkk

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Realmente um capítulo diferente. Mas, pouco esclarecedor.

Só para você saber, eu estou, como dizem, “torturando” os textos para que eles confessem. Desde o primeiro. Rsrsrs.

Já tenho uma lista de dúvidas que espero que sejam elucidadas !!!

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