Uma puta dama - parte 13

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3530 palavras
Data: 13/02/2026 05:08:22

Ele ficou em silêncio por um instante, pensando e por fim respondeu:

- Doutor... até existe. Mas eu assisti alguns e eles me pareceram bem reais.

- Será que a S.A.R.A., depois que for reativada, poderia analisá-los?

- Pedirei isso a ela, doutor. Mas ainda vai demorar alguns dias até ela estar 100% operacional.

- Eu espero. Não tenho mais o que fazer...

- Ok.

- Zico, outra coisa... Eu estava pensando em ir aos Estados Unidos me encontrar com a Helena.

- Que jeito, doutor!? O senhor seria preso no aeroporto. Certamente a CIA tem meios de saber seu deslocamento.

- Eu conheço algumas pessoas que trabalham com emissão de documentos genéricos...

- Documentos falsos, o senhor quer dizer?

- É. Isso...

- Doutor, acha mesmo que a CIA não vai reconhecer o senhor pelas câmeras do aeroporto com o avanço dos sistemas de reconhecimento facial? Nem falo só no aeroporto, digo em qualquer lugar mesmo.

- Eu posso me disfarçar...

- Acho muito arriscado e sinceramente, acho que vai dar merda. O senhor já provou não ser muito... esperto. Desculpa! Mas se o senhor quer arriscar, por que não entra pelo México? Eu tenho uma prima que é casada com um profissional autônomo que faz essa travessiacoiote!?

- É muito pejorativo, né, doutor? - Ele sorriu e continuou: - Então... Ele passa o senhor facinho para o lado de lá. E com um pouco de dinheiro, ele te leva até onde a sua mulher está.

[CONTINUANDO]

Pensei um pouco na sugestão do Zico e me parecia bastante razoável, afinal, eu entraria disfarçado e fora dos sistemas legais de imigração:

- Naturalmente, esse marido da sua prima vai cobrar por esse serviço?

- Naturalmente... E nem é bom pedir desconto. Já soube de um cara que pechinchou e eles o deixaram lá, no meio do nada.

- Converse com ele, Zico. Veja quanto ele cobra e quando poderia me atravessar. Eu vou pensar, enquanto isso.

- Demorou!

Desligamos e comecei a elaborar o meu plano e de cara, vi que a logística seria impraticável. Qualquer cidade na fronteira do Texas ficaria a, pelo menos, 36 horas de distância de carro de Nova Iorque. Outra solução seria ir de avião, o que diminuiria esse tempo para 6 horas, mas eu já correria o risco de ser reconhecido pelos sistemas de reconhecimento facial. Era inviável.

Decidi tomar um banho frio para tentar refrescar a cabeça. De nada adiantou. Quando retornei ao meu quarto, vi que havia uma mensagem no celular do Zico, enviada por ele:

“O Juan vai te ligar. Ele disse que pode fazer seu traslado na próxima semana”.

Eu ia ligar para o Zico para dizer que a ideia não daria certo, quando o celular tocou, um número desconhecido. Meio desconfiado, meio temeroso, atendi:

- ¡Hola! ¿Quién habla?

Na certa, era o tal Juan, afinal, ninguém tinha aquele número e ele, ainda por cima, falava num espanhol carregado. Aliás, era o meu primeiro desafio, já que eu mal falava o português. Ele continuou:

- Ziquito me dijo que necesitas ayuda para ingresar a los Estados Unidos...

Realmente, eu nunca fui bom em espanhol, mas arranhava um “portunhol” suficiente para fazer compras no Paraguai e comer churrasco na Argentina. Me arrisquei e acho que deu certo, pois fui compreendido, ou pensava que estava sendo:

- Si! Preciso... entrar... em Los States... e ir a Nueva Iorque... mui rápido. - Eu falava pausadamente e em um tom mais alto, pensando que isso ajudaria em nossa comunicação: - Acha que pode me ajudar?

- ¡Sí, claro! Pero sabes que eso tendrá un precio, ¿no?

- De... cuanto estamos hablando?

- ¿Como?

- La plata, dólares. ¿Cuanto?

- ¿La... plata? - Ele resmungou, dando uma espécie de risada comedida, e se calou, pensando, mas logo retornando: - Bueno... tiene la tasa de cruce, la tasa policial, el jet privado, la escolta... Creo que unosdólares deberían ser suficientes.

- ¿Cuanto?,00 dólares...

O valor era absurdamente alto ainda mais quando convertido para o real, mas nas condições que solicitei e certamente Zico havia lhe falado, fugindo de todos os sistemas legais de vigilância, eu não poderia imaginar que seria por menos. No fim, até me parecia razoável, eu é que comecei a pensar se seria justo ter uma despesa dessa monta por uma pessoa que vinha me traindo. Pois que meu lado machista e pão duro, achou e me convenceu de que eu não estava disposto a pagar tal montante. Ele continuou:

- En coche sería mucho más barato...

- Jo voy a pensar un poquito, Juan. Voy a tentar conseguir la plata. ¿Pediré para o Zico entrar em contacto con usted, ok?

- Hamm... Vale!

Assim que desligamos, mandei uma mensagem para o Zico:

“O tal Juan é louco, Zico. Ele quer me cobrar US$ 30.000,00! Não tenho esse dinheiro!”.

Ele me respondeu quase que imediatamente:

“Quer que eu peça um desconto para ele?”.

Lembrando da história do rapaz que foi abandonado no deserto, pensei melhor não ir por esse lado. Avisei que iria tentar arrumar o dinheiro e, se conseguisse, eu o avisaria para ele avisar o tal Juan. Praticamente assim que eu desliguei, meu pai abriu a porta do meu quarto e entrou, branco como uma folha de papel:

- Filho! A empresa em que a Helena trabalha... não se chama Imperium?

- Sim. Por quê?

- Melhor você vir comigo. Agora!

Levantei-me e o segui. Minha mãe estava sentada no sofá, concentradíssima assistindo alguma coisa na televisão. Meu pai indicou que eu me sentasse ao seu lado. Fiz, sem entender o porquê. Na televisão, uma notícia era anunciada num certo jornal noturno de um grande canal global. O apresentador narrava:

"Conexão com o terror! Investigação revela rota de contrabando de urânio que abastecia programa nuclear de grupos terroristas.”

- É... sobre a empresa da Helena!?

- Shiiiiu! Ele vai falar. - Resmungou minha mãe.

“Investigações da inteligência americana foram deflagradas e revelaram várias rotas de contrabando de urânio para países que sediam grupos reconhecidamente terroristas. A principal empresa envolvida no esquema é o grupo americano multinacional Imperium, sediado em Nova Iorque, mas com filiais em diversos países, inclusive no Brasil”.

- O que é isso!? - Falei, ficando boquiaberto.

A imagem na televisão corta para um ambiente urbano, lembrando bastante Nova Iorque. Vê-se então vários homens encapuzados, escoltando pessoas algemadas para dentro de SUV’s pretas, descaracterizadas. Uma das últimas, mas que foi a mais focada, eu reconheci de imediato: Mr. Bronson. Não consegui evitar um sorriso de vitória, embora eu não tivesse participado de nada. Entretanto, para o meu desespero, também vi a Helena sendo levada, também algemada:

- É... a Helena! - Falei.

- É... - Concordou minha mãe: - Meu Deus do céu! Mas... não pode ser!

A imagem mudou para um imenso armazém, mostrando três caixas de madeira e pessoas vestindo trajes de proteção. A filmagem não era muito nítida, parecendo ter sido feita a boa distância:

“Uma carga com mais de 15kg de urânio levemente enriquecido foi apreendida no porto de Nova Iorque e Nova Jersey. Informações preliminares dão conta de que mais de 50 homens das forças de segurança americana participaram da operação que culminou na prisão de mais de 20 homens e mulheres. Até o momento, foram notificadas a morte de 5 pessoas do grupo, com diversos outros feridos.

O CEO da empresa, Bradley Bronson, foi apontado como o cabeça do esquema exportador. Vários diretores também foram detidos, alguns para averiguação, outros por envolvimento direto com o esquema, dentre eles, o CEO da unidade no Brasil, Richard Gottschalk e a diretora brasileira Helena Camargo.

Novas informações, ainda nesta edição”.

Olhei para meu pai que encarava igualmente surpreso a televisão. Minha mãe agora só chorava, não sei se de medo por Helena ou decepção pela sua suposta participação no esquema. Me recostei no sofá e respirei fundo, tentando organizar as ideias, mas nada fazia sentido:

- O que vamos fazer agora, Beto? A gente precisa ajudar a Helena! - Perguntou minha mãe.

- Ajudar a Helena, mãe!? Se ela estiver mesmo envolvida nisso, ela corre o risco de pegar uma prisão perpétua, acredito eu. Só que... isso não faz sentido...

- Como assim, filho? - Perguntou meu pai.

- Eu... Gente, a história é ainda mais complicada...

Contei um breve resumo dos meus últimos dias e de como descobri que a Helena estava envolvida com a CIA numa operação secreta. Ela ser presa não fazia sentido algum, porque, se as informações que eu recebi fossem verdadeiras, ela estaria agindo como agente infiltrada e seria utilizada certamente como testemunha, mas nunca como ré. A não ser que Helena agisse como uma agente dupla, fingindo para a CIA, enquanto trabalhava com o Mr. Bronson. Inclusive, foi isso que o meu pai concluiu:

-... a não ser que ela estivesse envolvida também e as investigações chegassem nela, não é?

- Mas... será, pai? Será que a Helena é tão dissimulada assim? Porra! Se for isso, eu... estou junto de uma mulher que nunca conheci de verdade.

- NÃO! - Gritou a minha mãe: - EU NÃO ACREDITO NISSO! Ela não queria participar. Ela... Ela só se sujeitou depois que eu adoeci e eles ofereceram ajuda. Não a Helena, ela não... Não pode ser!

Como ela começou a hiperventilar, meu pai se levantou para buscar um calmante, retornando rapidamente com um comprimido e copo de água. Ela bebeu sem titubear:

- Calma, mãe! Ainda não sabemos de nada. Vamos assistir o jornal e depois vou fazer umas ligações.

Ficamos num silêncio torturante, aguardando que novas notícias fossem apresentadas. Normalmente, notícias e notícias sem importância foram se sucedendo, até que chegamos ao último bloco:

“Voltamos a falar sobre o escândalo de tráfico de urânio.

De acordo com as informações divulgadas até o momento para a imprensa, o grupo Imperium atuava com o mesmo ‘modus operandi’ em todos os países em que mantinha filiais de fachada: adquiria empresas de mineração de ferro, manganês, ouro e por último terras raras, todas legalizadas, para servirem de fachada. Enquanto isso, subornavam autoridades e desviavam urânio, transportando-o para fora dos países mineradores.

No Brasil, a empresa MineMax, sediada na Bahia, prestadora de serviços terceirizados para a INB - Indústria Nuclear do Brasil, chegou a ser adquirida pela Imperium e investigações concluíram que, pelo menos, duas remessas de urânio teriam sido realizadas a partir daqui.

O presidente da MineMax, Sérgio Esculápio Pinto Bravo, que teve uma ordem de prisão expedida por um tribunal americano, está desaparecido e já é considerado foragido. Seu nome já foi lançado da Difusão Vermelha da Interpol e investigações preliminares teriam indicado que ele pode estar na Itália ou na Espanha, onde tem cidadania, neste exato momento.

Há rumores ainda de relação do grupo Imperium com nomes da alta cúpula da política brasileira, mas que ainda estão sendo mantidos em sigilo para não prejudicarem o andamento das investigações.

Para maiores informações, vamos à Brasília com Renata Campello. É com você, Renata”.

“Sim, Otávio, boa noite para você e boa noite para todos os nossos telespectadores. Aqui em Brasília, o clima é de surpresa e indignação. Parlamentares da direita e da esquerda tentam entender o que está acontecendo, mas ninguém parece disposto a dar uma declaração a respeito. O deputado da situação Vieirinha Salazar, da Bahia, embora rumores citem seu envolvimento com a MineMax, negou qualquer vínculo, o que foi combatido pela deputada da oposição Ana Sampaieiro, também da Bahia, que o acusou de ser acionista dessa empresa.

Houve forte discussão entre os dois no Plenário da Câmara que escalou rapidamente para agressões verbais e físicas, sendo necessária a intervenção da Polícia Legislativa para acalmar os ânimos. O Presidente da Câmara suspendeu os trabalhos e convocou uma reunião emergencial com todos os líderes partidários.”

“Renata, o Planalto já se manifestou a respeito?”

“Ainda não, Otávio. Fontes dizem que o Presidente convocou seus ministros e conselheiros para uma reunião e que amanhã dará uma coletiva a respeito dos fatos.”

“A situação é realmente tensa...

Renata, é verdade que existem mandados de prisão para políticos brasileiros, enviados dos Estados Unidos para o STF?”.

“Por enquanto, são apenas rumores, Otávio. Mas são rumores fortíssimos e que têm agitado os bastidores da política nacional, e também do STF que é o responsável por dar a ordem de ‘cumpra-se’ para os mandados vindos de fora.”

“Ok. Essa foi Renata Campello, diretamente de Brasília, e que nos chamará se tiver outras notícias. Boa noite, Renata. Obrigado.

Vamos agora com Rinovaldo Jurado, diretamente de Nova Iorque, com novas informações.

É com você, Rinovaldo”.

“Ok, Otávio... Boa noite para todos aí no Brasil. Aqui é comecinho da noite ainda, uma noite fria, mas que, nem por isso, consegue arrefecer o clima que parece estar fervendo lá dentro do Tribunal Regional Federal de Manhattan.

Acabamos de ser informados que a diretora brasileira, Helena Camargo, não... é... investigada... por participação no esquema de contrabando de urânio da Imperium. De acordo com essas informações, ela será testemunha do Departamento de Estado na acusação que culminou na prisão da alta cúpula da empresa.

Nós tentamos contato com ela, ou seus representantes, mas formos informados de que ela está incomunicável. Boatos ainda não confirmados, informam que ela será colocada no programa de proteção a testemunhas até a data do julgamento.

Já o CEO da empresa, Bradley Bronson, e os diretores que foram presos, serão todos enviados para uma prisão de segurança máxima ainda hoje. Segundo fontes que preferiram não se identificar, eles serão transferidos por voo para a ADX Florence, a prisão mais segura dos Estados Unidos, conhecida como Alcatraz das Montanhas Rochosas.

É com você, Otávio.”

“Obrigado, Rinovaldo.

Bem, ficaremos atentos e novas informações poderão ser veiculadas a qualquer momento, dentro da nossa programação normal.

Fiquem agora com mais um capítulo da novela Marcas no Coração.

Boa noite”.

- Eu sabia! Eu sabia que a Helena não estava envolvida com isso. Eu sabia... - Disse minha mãe, comemorando, as mãozinhas unidas como em oração.

- Isso já faz algum sentido... - Resmunguei, olhando para a televisão: - Agora eu tenho um baita problema: se a Helena realmente tiver sido colocada num programa de proteção a testemunhas, eu não conseguirei falar com ela tão cedo.

- Como assim? - Minha mãe me encarou, secando as lágrimas do rosto.

- O programa de proteção a testemunhas dos Estados Unidos é conhecido pela sua excelência, mãe, dificilmente alguém encontraria a Helena.

- Tá. Mas... e você? Você é o marido? - Perguntou meu pai.

- A menos que eles considerem que eu também esteja em perigo, só ela ficará sob a proteção, incomunicável até mesmo para mim.

- Mas você não consegue encontrá-la? - Insistiu minha mãe.

- De que jeito, mãe!? Eles dão nova identidade, disfarçam, dão treinamento e a colocam em algum lugar bem discreto, longe de tudo e de todos. A menos que ela tente contato comigo, será muito difícil encontrá-la, pelo menos até a data do julgamento. O pior é que, em certos casos de maior repercussão, ou quando ainda falta desmantelar todo o grupo criminoso, eles podem continuar protegidos até depois do julgamento. Não sei nem por onde começar a procurá-la... Mas talvez eu conheça quem saiba.

- É!? Quem?

- Deixa comigo, mãe. Vou voltar para São Paulo amanhã e começar a trabalhar nisso. Assim que eu tiver alguma notícia da Helena, eu aviso vocês.

A noite foi tensa, mas eu nem precisei esperar muito para entrar em contato. Fui contatado pela pessoa com quem eu pretendia falar. Por volta da meia noite, o celular do Zico tocou:

- Carai, doutor! Cê viu quem apareceu na televisão? Era a tua safada, não era?

- Era, Zico e... para com essa mania de ficar xingando ela, cara! Nem eu que fui traído faço isso... - Calei-me por um instante, suspirei fundo e continuei: - Eu ia mesmo te procurar amanhã. Foi bom você já me ligar... Eu preciso descobrir onde a Helena está.

- Ué!? Ela não foi presa?

- Pelo que disseram no final do jornal, não. Ela deve estar escondida, naquele programa de proteção à testemunha. Até espero que não, senão será muito difícil entrar em contato com ela.

- Há! E cê quer que eu ache ela!? - Ele deu uma risada nervosa e completou com um “ai, ai, ai!”.

- Zico?

- Vai dar não, doutor. Sem a S.A.R.A., eu fico manco.

- Então, está na hora de você correr para acordar a nossa Sarinha.

Agora ele deu uma gargalhada:

- Se ela te escuta falar assim... ia ficar te mandando mensagem todo dia com alguma foto de safadeza. Mas, enfim... Seguinte: já comecei os protocolos de reconexão neural dela, mas ainda levará algum tempo até tudo sincronizar. Acho que...

- Tem até o final de semana. Estou voltando amanhã para São Paulo.

- E vem aqui fazer o quê aqui, carai, ser preso?

- Não! Eu preciso reassumir as rédeas da minha vida. Então, vou cobrar uns favores de umas pessoas bem relacionadas, se é que me entende...

- PCC!? Cê tá louco!

- Não! Que porra de PCC, o quê... É uma turminha mais barra pesada ainda, de gravata, terno e altos cargos em Brasília.

- Vixe! Agora a coisa vai feder.

- Espero que não. Enfim, amanhã estou aí. Acelera tua parte, porque acho que vou precisar demais de você e da S.A.R.A.

Desligamos e dormi porcamente mal durante a noite. Somando todas as cochiladas, não passaram de 30 minutos.

No dia seguinte, tomei um café reforçado e quando já estava pronto para sair para a rodoviária, encontro o meu pai todo arrumado me esperando:

- Só vou até a rodoviária, pai, nem precisa se incomodar.

- Eu vou te levar.

- Ué! Se insiste, pelo menos economizo no táxi.

- No táxi e no ônibus. A gente vai te levar até São Paulo. - Disse minha mãe que vinha chegando atrás, olhando dentro de uma bolsa, também toda arrumada: - E vamos ficar com você por alguns dias.

- Mas...

- Sem mais, nem menos. - Ela me interrompeu: - A gente vai e pronto! Errei em esconder de você o que escondi porque achei que estava te protegendo e que depois a Helena iria te contar tudo e consertar o que quebrou. Então, enquanto ela não volta, eu vou para lá cuidar um pouco de você.

Olhei para o meu pai, que sorria sarcasticamente, e falou:

- Ela é quem manda! Eu só obedeço.

Quem era eu para negar? Aliás, se eu negasse, eles iriam me ignorar mesmo. Ajudei meu pai a colocar as malas deles no espaçoso porta-malas do Santanão prata que ele tanto amava. Eles terminaram de trancar a casa e deixaram a chave da chácara com um vizinho que alimentaria os animais na ausência deles. Entramos no carrão do meu pai e fomos para a capital. Não posso negar, o carro é antigo, mas é muito espaçoso e confortável, e nas mãos do meu pai, parecia novo, brilhando, cheirando a zero.

Diferentemente do Zina, ele dirigia calmamente e levamos quase duas horas e meia para chegar à capital. Assim que chegamos em minha casa, eu os instalei no quarto de hóspedes e depois tive que ouvir um sermão da minha mãe que não tinha comida de verdade na geladeira. Errada ela não estava, porque sem a Helena, eu mais comia fora do que em casa.

Expliquei onde ficava o supermercado mais próximo e lhes entreguei o meu cartão de crédito. Assim que eles fecharam a porta, tive um “estalo” e saí correndo atrás deles:

- O que foi, Betinho?

- Nada de usar o meu cartão. Eu posso estar sendo vigiado. Entrem.

- Eu uso o meu. Fica tranquilo. - Disse o meu pai.

- Eu sei. Só vou pedir para um amigo meu transferir algum dinheiro para o seu cartão.

- Relaxa, Beto. Eu uso o meu e depois vemos isso.

Saíram novamente. Enquanto eles estavam fora, eu liguei para o Zico, para o meu patrão e para um certo lobista de Brasília a quem eu havia feito um grande favor anos atrás, numa certa licitação no mínimo questionável.

Meus pais voltaram em pouco mais de uma hora, trazendo uma compra que alimentaria um batalhão por uma semana. Critiquei e ainda levei um “passa-fora” da minha mãe. Meu pai apenas ria e repetia:

- É ela quem manda!

Passamos o restante desse dia em casa, com ela me mimando. Também não nego que gostei. Comida e carinho de mãe é a melhor coisa quando se está no fundo do poço. Só a tal canja de galinha que ela me fez tomar à força, eu achei desnecessário. Nunca gostei, mas ela dizia ser um santo remédio.

No dia seguinte, de manhãzinha fui para o escritório em que trabalho. Meu chefe já me aguardava em sua sala:

- Que história, hein, Camargo? Que história... Mas o que você está pensando em fazer agora?

- Preciso saber da Helena e preciso da sua ajuda.

- Não sei se tenho tanta influência assim...

- Talvez sozinho não, mas eu sei que o senhor conhece pessoas. Ontem mesmo, eu liguei para o Alencar Benavides, lembra dele?

- O lobista?

- Esse! Ele me devia um favor e eu cobrei. Ele disse que ia falar com algumas pessoas e me retornava ainda hoje.

- Certo... - Meu chefe deu uma coçada no queixo, olhando para o teto: - Tem o Sampaio, assessor daquele ministro do STF.

- Aquele... o careca!?

- Aquele... o careca... - Confirmou, balançando a cabeça.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 343Seguidores: 712Seguindo: 25Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Agora que eu li … muito bom … ficou muito bom Dr Mark !!!

Prometo que vou ser mais comedida nos comentaristas. Prometo … mas não muito !!! Rsrsrs

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Já pararam pra pensar que não sabemos nada da Helena além do que o Beto contou, não apareceu familha, sua juventude nada. Fico pensando que talvez ela sempre tenha sido uma espiã de alta patente com serviços prestados de extremo sigilo e por acaso se apaixonou pelo Beto, casou e tentou largar tudo isso, mas a cia descobriu e veio cobrar os serviços dela em troca de chantagem contra a vida do Beto. Viagei muito KKKK esquece.

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Os caminhos de Beto e Helena se separaram, o destino e as escolhas culminaram para está situação.

Mesmo depois de tudo terminar, não vejo mais futuro para os dois!

Helena já já fez sua escolha e tem um novo amor, e o Beto não percebeu ainda!

E com os programas de testemunhas, eles não se viram mais.

Mesmo que ele a encontre, será somente para colocar a verdade em pratos limpos, e cada um seguir a vida que escolheu, longe um do outro.

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É sempre bom acordar com um novo capítulo para ler. Mas antes …

Agora, vamos para o resultado segunda “enquete” onde supomos que a companheira, ANTES DE TRAIR, pediu “permissão” ao companheiro para se relacionar, sem envolvimento sentimental, com outra mulher. O companheiro permitira?

65% (11) PERMITIRIA (Vinix, Manfi82, Hugostoso, OsorioHorse, RMSM, Mark [pela Nanda], Zanon, Kikinho, Sensatez, Doda2)

35% (6) NÃO PERMITIRIA Cyclope, AqueleOutro2, Man in Black, Luca90, Carlos_Leonardo, Forrest_Gump)

Boa notícia para as mulheres !!! Se quiserem ter uma experiência “bi” sem ter que trair o companheiro, basta “pedir permissão”. Praticamente 2 em cada 3 mulheres terão sua solicitação atendida !!!!

Se juntarmos essa informação com a da primeira enquete, fica melhor ainda, pois se a mulher “esquecer de pedir permissão”, tiver o relacionamento com outra mulher e for flagrada na traição, só 29% dos homens consideram essa traição pior do que a tenha sido consumada com outro homem !!! Mas isso não quer dizer que serão perdoadas. Rsrsrs.

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Cuidado com o Careca, Mark!

Vê lá o que vai fazer o personagem aprontar!

Já teve gente presa por muito menos...

Enfim...

Então a parada é bem sinistra mesmo.

Mas acho que o polvo não vai comprar a Helena como heróina tão fácil assim...

Bom carnaval!

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Madrugou hem Dr Mark! Excelente! Obrigado por nos presentear logo cedo com mais um capítulo.

Agora faz sentido o envolvimento da CIA. Só falta o aparecimento da Helena com as explicaçôes... Bom Carnaval!

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