Uma puta dama - parte 10

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3594 palavras
Data: 05/02/2026 15:29:45

Ouvi então um celular tocando. Peguei meu aparelho, mas ele estava desligado. Segui aquele som até encontrar um aparelho na cozinha, embaixo da cesta de pães. Atendi:

- Doutor? É o Zico.

- Zico? Que porra de aparelho é esse?

- É meu, doutor. Esse aí é virgenzinho de tudo. Pode confiar.

- Deu tudo errado, Zico. Tudo! Não consegui entrar no prédio. Fui pego pela CIA, pegaram seus equipamentos, não consegui informação alguma... – Disparei a falar, já me sentando-me à mesa: - Até consegui. Helena está me traindo mesmo.

- Eu sei, doutor. A gente viu...

- Viu!? Como assim “viu”?

- O senhor está sendo seguido. Não me procure, nem me ligue, a não ser por este aparelho. Eu já descobri tudo sobre a tal operação e... doutor... é coisa pesada.

[CONTINUANDO]

- Olha o ZAP aí. Vou te mandar um endereço. Vá até ele de coletivo, doutor.

- Coletivo? Ônibus, você quer dizer?

- Ah, como é bom ser rico... Eles nem entendem o que a ralé fala. – Zico deu uma risada e pigarreou: - Isso, doutor. Pega o metrô, mas não usa a estação Pinheiros ou a Butantã. Pega a da Luz. Esteja lá as 10:00. Não vá de carro ou táxi para não ser seguido.

- Seguido!? Ué, mas... E eles não podem me seguir no metrô?

- Só faça o que eu estou dizendo. Eu cuido do resto. Cê agora está sob os cuidados do grupo “Plantain”. Fica sussa...

- Banana-da-Terra... Que porra de nome é esse, homem?

- Somos docinhos, gostosos, mas quando entramos na jogada, é rasgando... é pra foder mesmo. Entendeu?

Ele desligou logo em seguida, sem sequer de despedir.

Já passava das 5:00 e deitei para descansar um pouco. O celular do Zico tocou em seguida:

- Doutor?

- Oi?

- Só ligando para dar um “tchau”. Tchau.

Desligou novamente.

Coloquei o aparelho no criado mudo e mesmo preocupado, tenso, consegui adormecer logo. Não sei quanto tempo dormi, mas acordei com o celular tocando, o celular do Zico:

- Só ligando para te acordar, Bela Adormecida. Aposto que não colocou o despertador para tocar, acertei?

- Coloquei. Claro... – Menti, constrangido.

- Colocou nada, mané! Esse celular é meu, eu sei o que você faz, onde faz, com quem faz, e até o que pensa fazer, mas não fez. Acorda logo aí, toma um café e pega o rumo. Não atrasa.

- Zico, eu...

Desligou novamente na minha cara, sem me dar chance de falar qualquer coisa.

Levantei-me e fui tomar uma ducha fria para tentar despertar de vez. Fui até a cozinha e passei duas capsulas de um expresso extra forte. Bebi com pouco açúcar mesmo, para despertar à força. Comi também um prensado de presunto e queijo, afinal, saco vazio não para de pé. Saí.

Apesar de não confiar totalmente no Zico, decidi fazer exatamente o que ele havia me orientado. Peguei um táxi até a Estação da Luz. Eu não entendia o porquê de tanta exigência estranha do Zico, mas não custava me precaver.

O trânsito estava caótico, graças a um acidente recente. Ficamos parados mesmo. De repente as palavras do Zico vieram quente à minha mente:

“Não vá de carro ou táxi para não ser seguido.”

Analisei melhor o motorista e ele parecia distraído, ouvindo um Martinho da Vila na mídia de seu carro, pensando na morte da própria bezerra. Olhei ao meu redor e nada me parecia fora do comum. Olhei atrás e nada também, a não ser uma SUV de uma empresa de limpeza de vidraças:

- SUV!? – Resmunguei, voltando a encará-la.

Não só era uma SUV nova, imensa e importada, como também estava com insulfilm preto e dois caras de óculos escuros, nada parecidos com nossa miscigenação brasileira. Para piorar, usavam bonés nada discretos do Miami Dolphins. E quem usa um boné daquele em terras Tupiniquins? Era coincidência demais:

- Tá aí, meu irmão. Fica com o troco. – Joguei uma nota de R$ 50,00 para o motorista e desci.

Esgueirei-me no meio dos carros, logo acessando a calçada e saí em disparada na direção da Estação da Luz. Eram poucas quadras e eu estava movido por ódio e uma vontade imensa de, pelo menos, acertar alguma contra a CIA. Parei depois de uma boa corrida e olhei para trás: Nem sinal deles ou de mais alguém suspeito. Segui rápido até a estação. Eram 9:40 quando entrei. Acessei os guichês e comecei a procurar o melhor caminho para chegar ao endereço indicado pelo Zico. Senti alguém encostando algo duro em minhas costas:

- Relaxa, relaxa, relaxa, relaxa... Fica mansinho que tudo vai acabar bem. Só continua andando, sem escândalo. Senão...

E lá estava eu, sendo preso pela segunda vez em menos de um dia:

- Andando, andando, andando... – Ele insistiu.

Mas... eu conhecia essa voz. Eu a tinha ouvido não fazia muito tempo:

- Espera aí... Linguiça!? – Olhei de soslaio e ele arregalou os olhos por cima de seus óculos escuros: - Que palhaçada é essa?

- Segue andando, doutor. Vai, vai, vai...

- Mas...

- Vai, porra! Antes que eles cheguem. – Interrompeu-me e me empurrou para a frente.

Corremos até um corredor lateral, mas antes de entrarmos nele, ele me puxou por uma porta. Subi um pequeno lance de escadas, saindo da estação. Um Chevette Tubarão verde limão, de vidros fumês, nos aguardava com outro dos malucos do Zico ao volante. Entramos, eu com um medo danado de pegar Tétano:

- Pisa fundo, Zina! – Disse o Linguiça.

O motorista deu um sorriso, puxou a aba do boné para trás e ligou o motor. Nunca ouvi algo tão surreal. O carro tremeu, o que já era de se esperar, mas o som do motor era de outro mundo. Ele acelerou e ouvi os pneus cantarem no asfalto:

- Porra! O que é isso? – Perguntei após bater minha cabeça no vidro de uma ziguezagueada de traseira do Chevette.

- É pura octanagem, doutor. Turbinei um V8 de Maveco nessa belezinha e ó... Vai de 0 a 100 em três segundinhos. Garantido! – Disse o motorista.

Olhei para o Linguiça que segurava o crucifixo de uma correntinha que trazia no pescoço, olhos fechados e parecendo rezar.

O motorista, o tal de Zina, acelerou ainda mais e começou a ultrapassar carros e sinais de trânsito, abertos ou fechados:

- Caralho! Tá querendo nos matar? – Falei, quase gritando.

- Relaxa, doutor. Sou cinco vezes campeão mundial de NFS. Aqui dentro desse lindão, eu sou Deus.

Olhei para o Linguiça que estava mais branco que linguiça de frango:

- O que é isso de NFS?

- Need for Speed, doutor. É um jogo.

- Jogo de computador?

Ele apenas acenou a cabeça, fechando os olhos e voltando a rezar forte. Eu não sei quanto tempo rodamos, mas o Linguiça deve ter rezado, pelo menos, uns dois terços. Também perdi a conta das vezes em que bati a cabeça no vidro lateral do carro com as manobras malucas do Zina.

Chegamos enfim numa comunidade carente na periferia de São Paulo e o Zina entrou como se fosse celebridade local, acenando para todos, inclusive para um grupo de traficantes fortemente armados. Assim que ele ultrapassou uma barricada, perguntei:

- Cara... onde você está metendo a gente?

- Minha família, doutor. Aqui nem a CIA entra... O senhor está em boas mãos.

Ele seguiu até um barracão, pedindo para um moleque abrir os portões. Entramos. Ele estacionou e descemos. O Linguiça correu até a lateral do barracão e vomitou horrores. Ficamos olhando para ele, eu sem saber o que fazer, o Zina rindo e zoando. Quando o Linguiça terminou, encarou o Zina com sangue nos olhos:

- Vai tomar no meio do teu cu, seu gordo, filho da puta! Eu já falei para não chacoalhar assim quando eu estiver no carro contigo, porra!

- E... Qualé, Linguicinha!? Curte aí a maledescência do papai aqui. – Zoou o Zina, gargalhando e dando tapas na própria barriga.

Ouvi um assobio e vi o Zico numa porta no fundo do barracão. Seguimos até lá. Nem bem nos aproximamos e ele, sorrindo, perguntou:

- Curtiu a viagem, Beto?

- Esse cara é um louco, Zico! Mas dirige bem demais...

- Zina é o melhor! Bom que dessa vez não deu merda...

- Como é que é!?

- É que... bem... teve uma vez que o motor pegou fogo...

- Ah, qual é? – Ri, imaginando ser uma piada.

O Zico não riu. O Linguiça não riu. O Zina não riu. Fiquei sério imediatamente:

- Você está brincando, né?

Ele negou com a cabeça:

- Por que cê acha que o cara chama Zina?

- Não sei, ué! Como vou saber?

- É Zina de Hidrazina, um combustível meio... instável.

- Como é!? – Perguntei, ficando branco.

- Em minha defesa... – Começou a falar o tal Zina: - Eu queria dizer que aquilo só aconteceu uma vez.

- Mas quase matou todo mundo com aquele explosão, seu mané! Saiu até no fantástico. – Retrucou o Linguiça.

- Mas foi só uma vez... – Insistiu o Zina.

- Pelo menos, parou de usar aquela merda de combustível. – Insistiu o Linguiça: - Senão era bem capaz da gente ter ido parar em Marte.

Zina o encarou, fazendo uma cara impagável de criança que havia acabado de fazer arte. Zico o encarou:

- Cê tá usando aquela merda de novo, Zina?

- Só um tequinho de nada na gasosa, para dar aquele “up”.

O Zico comeu o toco dele. O Linguiça saiu correndo e o ouvimos vomitar num canto próximo do barracão. Eu me encostei na parede, nervoso por ter andado dentro de uma bomba em potencial.

Zico ainda assim deu mais algumas instruções para os dois e os tocou para fora da sala, fechando a porta atrás deles:

- Enfim sós... – Brincou quando se virou para mim.

- Por que tudo isso?

- Porque cê tá até com o pelo do cu grampeado...

Eu me surpreendi com sua forma de falar, mas não com o conteúdo. Eu já imaginava aquilo. Só não sabia a extensão e profundidade. Zico foi até uma geladeira e trouxe uma Tubaína com dois copos americanos. Serviu um para mim e outro para si:

- Seguinte, doutor... Meu plano deu certo.

- Que plano?

- Ué!? De infiltrar você no covil do lobo.

- Quê?

- Te colocar no ninho da águia.

Balancei minha cabeça negativamente e ergui sutilmente as palmas das mãos para cima, erguendo os ombros, deixando claro que não estava entendendo nada:

- Porra, doutor! Cê tá precisando assistir mais uns filminhos de espionagem!

- Para de enrolar, Zico. Explica essa história aí. Vai!

Ele se recostou na sua cadeira e colocou os pés em cima da mesa, cruzando-os. Balançou seu copo de Tubaína como se fosse a coisa mais chique do mundo e sorriu para mim:

- Acompanhe meu raciocínio, gafanhoto. Se eu estiver muito rápido é só falar... – Virou o copo e me encarou: - Eu sempre desconfiei que você pudesse estar grampeado e sendo seguido, e a S.A.R.A. confirmou isso quando invadiu o seu celular...

- Ela fez o quê?

- Calma! Fizemos isso para saber com o que estávamos lidando. E foi com um código que ela encontrou no seu aparelho que ela tentou invadir a CIA ontem. Tá lembrado?

Confirmei com um movimento de cabeça. Ele anuiu, respirou fazendo um drama desnecessário e continuou:

- O que aconteceu então? Um vírus de lá tentou tomar o controle dela e ela... muito da malandra... fingiu que tinha sido dominada.

- Ela... fingiu!?

- A S.A.R.A. é foda, doutor! – Deu uma gostosa risada: - Mas só fingiu e deu um “stand by” neles. Daí você teve aquela ideia de merda de invadir o prédio onde a sua piran... digo, a sua esposa trabalha. Mas eu tive outra: eu iria usar você para entrar dentro do centro local da CIA. Então, a S.A.R.A. plantou uma informação de que você iria invadir o prédio, dando dia e hora, e Pá! Deu tudo certo! Eles foram lá e te pegaram.

Ele deu uma gargalhada, quase virando a cadeira para trás e me encarou:

- Caralho! Eu sou mesmo foda!

Coloquei os dois cotovelos sobre a mesa e passei as mãos pela minha cabeça, nervoso com o óbvio:

- Cê tá louco, Zico!? E se eles tivessem atirado em mim? Eles poderiam ter me matado!

Ele me encarou e o sorriso murchou na mesma hora. Seu olhar de pura alegria passou para um inconformismo conformado. Ele começou a coçar a barbicha rala que ele cultivava e fez um beiço:

- Não tinha pensado nisso... Mas ainda bem que não fizeram, né?

Ficamos em silêncio por um instante: eu me controlando para não avançar no Zico; ele certamente vendo que seu maravilhoso plano deu certo por pura sorte. Respirei fundo e fui para o que interessava:

- Tá! Mas e aí? Descobriu alguma coisa?

- Alguma coisa não; eu descobriu foi tudo...

- Mas descobriu como?

- Lembra do micro roteador via satélite que eu te dei ontem para plugar no computador da sua bisca... sua esposa?

- Lembro. E para de xingar a minha mulher!

Ele pigarreou, mas a expressão era a de quem não iria parar:

- Então... Ele não é só um micro roteador é também um pen drive, onde eu sempre deixo um pé-de-pano caseiropé-de-pano?

- É, doutor. Um cava... Cê não assiste muito o Pica-Pau, né? – Ele nem esperou eu responder e já emendou: - Um Cavalo de Tróiavírus... – Resmunguei, entendendo a jogada.

Ele seu uma gostosa risada e um tapa sobre a mesa:

- Doutor, eles foram muito burros... Normalmente, você precisa executar um arquivo para o cavalo de Tróia se instalar no computador do hospedeiro. Só que o meu pangaré é autoexecutável: plugou, ele sai relinchando, mas tudo discretamente. Tive acesso ao computador do descuidado e, de lá, entrei por dentro da rede interna de segurança da CIA como se fosse ele. Sei de tudo mesmo! Até quem matou o Kennedy. Se o senhor quiser saber...

- Só quero saber da minha mulher, Zico! No que a Helena está metida? – Falei, encarando ele, mas não me contive: - E talvez se a Área 51 existe de verdade?

- Bom, vamos por partes: a Área 51 existe e tens uns negócios bem cabulosos lá. Falaremos sobre isso outra hora. Já quanto a sua esposa...

Ele pegou um HD externo e me passou por sobre a mesa. Antes que eu pegasse aquilo, ele me advertiu:

- Não sei se é uma boa o senhor sair daqui com isso. O senhor é um puta advogado super inteligente, mas não é muito malandro, vamos convir...

- E quer que eu faça o quê!? Espere a Helena voltar, viva ou morta?

- Não! Não disse isso. Eu só acho que o senhor deveria passar o dia e a noite aqui, e não sair com esse HD para a rua. O que a gente fez é um puta crime federal de 1ª fodelança lá nos States. E ó... se eles pegaram o Maduro lá na Venezuela, pegam fácil o senhor aqui de novo.

Eu o encarei em silêncio. Se eu já estava nervoso, agora quase me cagava de receio. Olhei para o dispositivo e depois para ele novamente:

- Zico... o que é que tem aqui? – Indiquei o dispositivo com o meu dedo: - Tenho certeza de que você já viu tudo e já sabe o que eu quero saber.

Ele se ajeitou, puxando a cadeira mais para perto da mesa e se debruçou sobre o tampo, na minha direção. O olhar agora é bastante cauteloso. Ele se levantou e foi verificar se não havia ninguém por perto da porta e voltou a se sentar. Suspirou enquanto me olhava e largou a bomba:

- Vários vídeos da puta da sua mulher... – Ele se calou, balançou negativamente a cabeça e justificou: - Vai me desculpar a franqueza, doutor, mas ela é uma puta de uma filha da puta mesmo! Safada ao extremo...

- Tá. Que ela anda me traindo eu já imaginava. Até vi um vídeo dela com uma mulher e um homem enquanto estava lá no QG da CIA.

- Mulher e um homem!? Ah... Se for o que eu estou pensando, esse foi bom! As duas mandaram bem pra caralho...

- Você viu?

Ele confirmou com um movimento de cabeça e explicou:

- Esse nem é tão atual. Já tem uns dias. Tem uns melhores feitos depois.

- Peraí! A gente não pode estar falando do mesmo filme. Esse eu assisti hoje, em tempo real...

- Não! Hoje não teve cineminha não. Sua esposa está toda “comtorpada” lá na tal convenção.

- Mas não pode ser. O Godfree me disse que...

Calei-me. O filho da puta do Godfree havia me enganado. Não quanto à traição da Helena, mas quanto ao vídeo ser atual. Eu me sentia um idiota, aliás, parecia que eu vinha sendo feito de idiota por todos, até mesmo pelo Zico agora:

- Doutor, tem também o seu vídeo...

- Meu!? Que vídeo... meu?

- Aquele da sua... trepada com a loira gostosa...

- Que trepada e que loira? Do que você está falando!?

O Zico estranhou minha reação e pegou um notebook. Vasculhou alguns arquivos até achar um e dar o play. Virou o notebook para mim e me vi transando com uma loira que eu não conhecia:

- Mas... eu nunca... Eu não sei quem é essa mulher. E certamente nunca traí Helena!

O Zico voltou a me encarar e virou o notebook de modo que pudesse interagir. Ativou então uma chamada de vídeo, para a S.A.R.A. Pediu para ela analisar o vídeo. Foram minutos de espera até ela falar:

- Falso igual nota de R$ 3,00. É uma montagem digital muito bem feita, mas falsa. A loira é verdadeira e o homem também, mas fizeram uma baita renderização sobre o rosto dele. Coisa de Primeiro Mundo. Quase não dá para notar...

Olhei para o Zico e falei:

- No vídeo que eu assisti hoje, uma tal loira, e acho que é a mesma desse meu vídeo falso, diz para a Helena algo sobre ela estar se vingando. Será que foi isso que ela quis dizer?

- Pode ser...

Zico abriu outro vídeo, o mesmo que eu assisti no centro de controle da CIA. Antes que ele desse o play, vi que realmente havia outros datados após ele. Não muitos, mas alguns. Ele começou a assistir e logo ouvi a voz da S.A.R.A.:

- Está mais no final, Zico.

- Oi, querida?

- A parte que a loira fala da traição está bem mais no final.

- Ah! É que eu estou assistindo para ter certeza de que não passou nenhum detalhe e...

A S.A.R.A., enciumada, assumiu o controle e adiantou o vídeo para desespero do Zico. Logo, chegaram a tal conversa que, agora, fazia algum sentido:

“- Ele vai entender... Basta você dizer que não teve escolha. Além do mais, você também estava protegendo ele e se vingando também.”

Eu sabia que a Helena era esperta demais para se deixar ludibriar tão facilmente. Ela nunca aceitaria facilmente a história dos crimes que eu cometi no passado, não sem conversar comigo e ouvir o meu ponto de vista, ou, no mínimo, de outro advogado. Mas mulher é um bicho ciumento e vingativo. E o vídeo da minha traição pode ter servido como um catalisador para ela decidir aceitar participar da tal operação. Ainda assim algo não fechava:

- Zico, vamos supor que a Helena tenha se vingado de mim depois que viu esse vídeo... Por acaso, tem algum vídeo posterior dela sendo chantageada de alguma forma por ela ter me traído depois que assistiu a esse meu vídeo falso?

- Putz! Difícil falar, hein? Tem tanta informação baixada que...

- Sim! Tem alguns vídeos nesse sentido, Beto. – Disse a S.A.R.A.: - Acabei de analisar todos eles e encontrei pelo menos cinco vídeos em que uma chantagem é feita contra ela de revelarem uma traição dela.

- Filhos da puta! – Bati na mesa: - É isso! Ela não está só colaborando. Está sendo chantageada, Zico! Aposto que essa transa foi com o chefe dela, o tal do Mr. Bronson. Tenho certeza...

- Não! – Disse a S.A.R.A.: - Você está incorreto. Ela te traiu sim, mas não foi com ele.

- E foi com quem então? – Perguntei.

S.A.R.A. ficou em silêncio. Zico insistiu:

- S.A.R.A., querida... Com quem Helena traiu o nosso pequeno gafanhoto?

Após mais um breve silêncio, S.A.R.A. responde:

- Corrigindo... Helena não traiu Roberto com ninguém!

- Como assim com ninguém!? Você mesma disse que ela me traiu! Que história é essa agora?

- Ela não agiu conscientemente. Foi enganada, estava machucada, magoada com uma mentira que inventaram a seu respeito. Ela foi induzida a erro. Sem consciência plena dos fatos, não considero que houve uma traição.

- S.A.R.A., meu código C+ preferida... Com quem Helena traiu o nosso pequeno gafanhoto? – Insistiu Zico com a mesma pergunta de há pouco.

- Corrigindo... Helena não traiu Roberto com ninguém!

Olhei inconformado para o Zico, eu balançando negativamente a cabeça. Ele agora encarava o notebook com olhos arregalados. Insisti:

- S.A.R.A., só quero o nome. Quero só saber com quem ela me traiu. Por favor...

- Corrigindo... Helena não traiu Roberto com ninguém!

- S.A.R.A., sinto muito... – Disse o Zico: - Protocolo Master Dom Zico 6924 Alfa.

O símbolo da S.A.R.A., aquele olho meio afilado, feminino e com cores vibrantes, alternantes entre si, ficou redondo e cinza. Ela se calou de imediato. Olhei para o Zico que agora parecia extremamente triste e perguntei:

- O que aconteceu? O que você fez, Zico?

- Modo de segurança. Desativei a autonomia volitiva dela e bloqueei o sistema de interação autônoma.

- Mas... por que fez isso?

- Porque a S.A.R.A... a minha pequena foi hackeada.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 57 estrelas.
Incentive Mark da Nanda a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 340Seguidores: 714Seguindo: 25Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

Foto de perfil de Sensatez

A SARA tem um senso de justiça pitoresco, cagueta a traição da Helena, mas fica lentinha em racionalizar uma informação e mudar o status da informação, isso depois de indagada a dar um nome, SARA tá mais humana do que muitos humanos, até a pausa dramática para anunciar a mudança de opinião ela fez, por que será que a revelação do nome de com quem a Helena traiu, teria tanta importância a ponto de mudar a convicção de uma IA, sinistro...

Para essa narrativa que está sendo criada, que após ela ter traído devido por ter assistido um vídeo de uma possível traição do Beto e depois ser chantageada por ter traído, não consegui me localizar numa linha do tempo plausível, quando ela viu essa traição montada?

Ela antes da viagem para Viena estava totalmente de boa com o marido, fazendo sexo ardente e planejando uma viagem ultra romântica, então a chantagem deve ter sido para convence-la a viajar, mas até então, no início da viagem ela ainda conversou de boa com o Beto, inclusive super preocupada com o bem estar do marido, essa linha do tempo é até possível, mas deveria ser detalhada, pois no hangar, ela não parecia agir como uma mulher traída com sede de vingança traidora, ao contrário era amor puro, o que mudou novamente?

Outra pergunta que para mim tem importância , quem montou e mostrou o vídeo do Beto para convence-la a trair e quem a está chantageando com a traição dela, se ela já havia aberto a porteira da vingança em forma de traição, por que houve a necessidade de ser chantageada?

Tudo isso é meio bizarro até para a CIA, néh não!!!!!

Além disso, não me entra na cabeça, uma pessoa trair virando puta, para evitar que fosse revelada uma traição dela, então por que ela mandou a mensagem que iria trair, aquele conteúdo da mensagem se autoincriminando e não cita a traição do marido na mensagem proibida, não faz sentido para uma mulher que acabou de saber que foi traída, não bate, tem "fubá nesse caruncho" . Tá tudo deliciosamente embolado ainda.

0 0
Foto de perfil de Id@

Sensatez, esse seu comentário bate muito com o que eu fiz (está bem abaixo, quase um dos primeiros)

0 0
Foto de perfil de Id@

Eu estou com a mesma dificuldade de entender a linha do tempo da história.

0 0
Foto de perfil de Sensatez

Se a linha do tempo se relacionar e se contrapor com as mudanças de humor e atitudes da Helena, fica ainda mais difícil de entender.

0 0
Foto de perfil genérica

Melhores personagens desse capítulo: zona e linguiça. Quase me mijei de rir dos dois!! Auhauhauh

0 0
Foto de perfil de rbsm

Eita historia cabulosa e com muitas interrogações

0 0
Foto de perfil genérica

Pqp fizeram uma montagem dele transando com a tal Bri. Mark vc é fodastico. Kkkkk

0 0
Foto de perfil de Id@

Mas tem algo estranho: o Beto achou que conhecia a Bri quando a viu com a Helena e o outro homem no Clube.

Estranho !!!

0 0
Foto de perfil genérica

Não me lembro dele ter associado a Bri com a loira do clube... Mas posso ter passado batido

0 0
Foto de perfil de Id@

Ele achou que ela não era estranha !!!

0 0
Foto de perfil de Sensatez

Mais estranho ainda é a Helena estar trocando figurinhas e fluidos com a mulher que colocou um par de chifres nela, mas...

1 0
Foto de perfil de OsorioHorse

A história ja está ficando muito viajada.

1- Ela traiu o marido antes dela ir viajar ou depois ? Pq as tatuagens veio de antes, ela não fez essas tatuagens pra ninguém.

2- Pq somente na viagem ela mandou a mensagem para o marido ? Ela traiu na viagem ou antes ?

Esse superior dela que ela mencionou, era alguém da empresa ? Ou era alguém da CIA ?

3- O QUE PRA MIM NAO FAZ SENTIDO ALGUM. Se ela tá sendo chantageada por causa de uma traicao ? Ela pensa o que sobre servir de prostituta ?

Não era melhor ela abrir o jogo sobre essa única traição? Do que falar que além de trair ele uma vez por questões sentimentais, ela decidiu se prostituir e provavelmente tem videos dela rolando no mundo todo ?

O motivo pra ela está se sujeitando a isso tem de ser muito convincente.

1 0
Foto de perfil de Id@

Concordo com você, Osorio. Se ela traiu depois de ser enganada com a falsa traição do Beto, porque raios aceitou ser chantageada? Era só discutir com o marido que os dois erraram, etc, etc.

A não ser que, depois de trair o Beto, ela foi informada que a traição do Beto era uma montagem e que iria ser revelada a verdadeira traição se ela não colaborasse.

O problema é que esse roteiro não fecha com a tatuagem, a melhora da performance na cama, a mudança de postura dela em diversos momentos (exemplo: quando chega a Viena e depois do encontro no clube, entre outras coisas que ela está fazendo.

Tivemos algumas respostas, mas quero ver “ligar todos os pontos” !!!

1 0
Foto de perfil de OsorioHorse

Pois é IDA essa ligação de pontos que eu tô achando difícil.

Eu acho que ela nem sabe da chantagem, que o vídeo que mostraram pra ela da traição dele é montado

Agora vc me levantou outra dúvida IDA.

Ficou claro que o agente da CIA decidiu mostrar esse vídeo pra ele e que esse video ja era um video gravado, mas pq justamente o vídeo em que é mencionado uma suposta traição da parte dele ?

Sendo que ele nunca traiu ela ? O agente quis mostrar isso pra ele pq ?

Ele poderia ter mostrado outros vídeos que não fosse mencionado uma suposta traição do BETO.

0 0
Foto de perfil de Id@

E pior que isso. No final o próprio Beto fala: “a não ser que …”, a respeito da traição.

Ou seja, ele deve saber alguma coisa. Ele não estava se referindo as falcatruas que ele ja sabia estar envolvido.

1 0
Foto de perfil de OsorioHorse

Verdade, tem esse ponto.

Mas nesse capítulo ele fala que jamais traiu a esposa...

Outra ponta solta

0 0
Foto de perfil de Id@

Exato. A não ser que … o que ?

0 0
Foto de perfil genérica

Anny...

0 0
Foto de perfil genérica

E ainda tem a oferecida do escritório. Ele saiu fora. Mas "e se" ela inventou algo pra Helena?

0 0
Foto de perfil de Giz

Agora sim… O povo do chifre doendo vai dar suas opiniões de dar nojo com vontade e razão.

Enfim. Meu ultimo comentário nessa serie mas continuarei lendo e dando estrelas esperando por um final interessante….

1 0
Foto de perfil de OsorioHorse

Giz não leve as coisas para um lado político. O conto está sendo escrito por um homem para um público majoritariamente masculino.

Aliás, a maioria dos contos com a temática cuckold, hotwife e traição dão escritos por homem para um público majoritariamente masculino.

As histórias nesses casos vão ter a visão e o achismo masculino.

1 0
Foto de perfil de Giz

Não estou levando para um lado político. Se tivesse não teria nem comentado…

A maioria dos contos de traição da CDC eu não leio, exceto de poucos autores, extremamente por isso um publico majoritariamente masculino, que fica frequentando os comentários se torna um ambiente tóxico.

Por isso estou me retirando desse ambiente.

Só comentei por que vinha comentando até aqui.

Ai menis não me parece um conto de “Vingança Cinco Estrelas para Aqueles de Chifres Doídos”, por enquanto e esse é o motivo de eu ter feito esse comentário ao invés de só sumir.

Eu só estou admitindo a derrota para as opiniões masculinas tóxicas que já vinham acontecendo mesmo antes do autor dar motivos e agora vai tender a piorar.

0 0
Foto de perfil genérica

É o Lukinha com um conto foda, ai chega o mark com o conto foda tbm, só ta faltando o Carlos Leonardo voltar a escrever...

1 0
Foto de perfil genérica

Boa Leozin, so falta o nosso mano Carlos pra fechar com chave de ouro

0 0
Foto de perfil genérica

Porra Mark sacanagem, quando a leitura comecaa esquentar acaba, coloca mais coisa ai pô. isso é maldade, quer nos matar de ansiedade.

0 0