Meu nome é Deco. Sou carioca, estudei Direito na PUC-Rio e logo mergulhei na engrenagem pesada do Direito Societário. Fiz mestrado na USP e, por anos, bati ponto em um dos principais escritórios do país, em São Paulo. Foi uma época de bônus gordos e noites sacrificadas em salas de reunião com vista para a Marginal Pinheiros. Juntei uma boa grana, o suficiente para comprar minha liberdade e voltar para o Rio com um objetivo que a advocacia empresarial não me permitia: a magistratura. Moro em Ipanema, em um apartamento antigo, de teto alto e assoalho de madeira, pequeno, mas com aquele conforto de quem já não precisa de ostentação, apenas de silêncio para ler. Como a reserva financeira não é infinita, trabalho como assistente de uma desembargadora no TRF2. Minha vida é uma luta diária contra o relógio: entro no gabinete de manhã e passo o dia produzindo votos e despachos com uma pressa quase neurótica. O objetivo é matar a pauta o quanto antes para conseguir, ainda ali na mesa do tribunal, roubar as tardes para os meus próprios livros e informativos. Fico por lá até o limite, quando saio direto para o cursinho presencial no Centro.
Luana é minha namorada de anos, o porto seguro que a distância tornou difuso. Aos vinte e nove, ela enfrenta a rotina de cirurgiã-geral em Niterói. A vida dela é um ciclo de plantões longos, cirurgias de emergência e a pressão da preceptoria. Por causa da carga horária, ela precisou morar perto do hospital, o que transformou nosso relacionamento em uma série de visitas programadas e mensagens trocadas em horários desencontrados. Luana é loira, tem os peitos e a bunda grandes, um corpo denso e generoso, levemente acima do peso, mas extremamente gostosa e fogosa. Temos um relacionamento aberto, uma configuração que decidimos para sobreviver à nossa realidade. A regra de ouro é a clareza: o envolvimento físico é livre, mas o emocional é proibido. O problema é que a tensão acumulada, o meu cansaço do tribunal e a exaustão dela nos plantões nos deixaram irritados, distantes. Estamos transando menos, e o desejo parece ter sido engolido pela rotina.
Foi nesse cenário de aridez que a Clara apareceu. Ela sentou ao meu lado logo nas primeiras semanas de aula. Clara tem vinte e três anos, é morena, mignon, baixinha e usa uns óculos que dão a ela um ar de nerdzinha discreta. Mas, sob as roupas sóbrias de quem também trabalha no tribunal, dá para notar o corpo magro e muito bem desenhado — peitos firmes, uma bunda redondinha e um cabelo longo que ela vira e mexe prende com um lápis. Descobrimos que trabalhamos no mesmo prédio, ela na assessoria de um desembargador de outra área. A tensão entre nós foi crescendo de forma velada, sutil. Ela me admira abertamente pela bagagem que eu trouxe de São Paulo e pela facilidade com que resolvo os casos práticos que os professores trazem. Sentamos juntos todos os dias, trocamos mensagens, e a oferta de carona veio dela, já que moramos perto. Até então, tudo muito respeitoso, mas o flerte estava ali, pulsando sob a superfície de cada dúvida que ela me pedia para tirar.
Naquela sexta-feira, a aula no Centro foi até quase onze da noite. Saímos cansados e fomos para o estacionamento no subsolo de um prédio comercial vizinho, um lugar amplo e que, àquela hora, estava completamente deserto. Entramos no carro e, enquanto Clara colocava meu endereço no Waze, o silêncio entre nós mudou de textura. Ela comentou que achava incrível como eu sou inteligente e me olhou no olho, um olhar tímido e fofo, mas carregado de um desejo que ela não conseguia mais esconder. Ficamos nos fitando por um instante longo demais para ser apenas amizade. Parecia que o beijo ia rolar ali mesmo, mas ficamos presos naquela falta de iniciativa de quem teme quebrar o encanto. Ela deu partida e saímos.
No caminho até Ipanema, o silêncio era alto. Quando ela parou em frente ao meu prédio, embicou o carro em uma vaga de visitante, na guia rebaixada, para não travar o fluxo da rua. Agradeci a carona e perguntei se ela não queria subir para tomar um vinho, já que era sexta e não precisávamos acordar cedo. Ela hesitou por causa da direção, mas sugeri que ela pegasse um Uber depois e deixasse o carro ali mesmo; eu o levaria para ela no dia seguinte. Ela topou.
Subimos. O apartamento tem aquela luz quente e indireta que eu gosto. Ela elogiou o charme do lugar e sentamos na varanda. Coloquei um jazz baixinho e trouxe as taças e o vinho. A conversa fluiu de um jeito leve, mas os nossos joelhos começaram a roçar com uma frequência proposital. Ela foi aproximando a cadeira, o perfume dela tomando conta do ar, até que o beijo finalmente aconteceu. Foi intenso, demorado, um alívio para a tensão das últimas semanas. Quando paramos, ela sorriu, e eu também, a princípio, mas logo dei um suspiro pesado. Ela perguntou o que foi.
Decidi que era a hora da verdade. Abri o jogo sobre a Luana, o relacionamento aberto e os limites que eu não pretendia ultrapassar. Clara ficou em silêncio por um instante, o olhar perdido nas luzes da rua, e disse que precisava ir embora. Tentei argumentar, dizer que não queria estragar a nossa amizade, mas ela não me deixou concluir. Agradeceu o vinho, caminhou até a porta e chamou o elevador. Deu um "boa noite" seco e as portas se fecharam.
Entrei atordoado. Encostei a porta sem trancá-la e voltei para a varanda. Dei um gole longo no vinho. Um minuto depois, ouvi o ruído da porta abrindo. Clara tinha voltado. Olhei para trás, surpreso, e vi nela uma decisão que as palavras não explicariam. Ela caminhou decidida até mim e me beijou com fome, com um desespero que me puxou da varanda para o sofá da sala. Em segundos, as roupas estavam espalhadas. Eu chupava os peitos lindos dela enquanto ela roçava a buceta, já ensopada, no meu pau. O cheiro de sexo subiu forte. Desci para lambê-la e o sabor era viciante; ela se tremia toda, cravando as unhas nas minhas costas até gozar um gozo farto, de quem estava com o desejo acumulado. Ela então desceu e começou a me chupar deliciosamente.
Interrompi o boquete para não gozar antes da hora. Invertemos os papéis no sofá. O sexo começou no papai-mamãe, sentindo cada milímetro daquela buceta apertada e quente. Eu precisava daquela visão. Pedi para ela ficar de quatro. A visão da bunda redondinha e daquela buceta morena me hipnotizou. Entrei com força, segurando o cabelo dela, ouvindo os gemidos altos que agora não tinham mais pudor. Clara, então, me mandou parar; queria o comando. Ela montou em mim e começou a quicar com um rebolado incrível, subindo até a ponta e descendo com gingado, sentindo o encaixe perfeito. O prazer dela era audível, e quando ela tremeu, gozando mais uma vez, eu não aguentei e explodi, inundando aquela buceta hipnotizante, úmida, quente e apertada.
Fiquei ali, sentindo o pulsar do corpo dela diminuir, meu pau ainda dentro dela. Clara aconchegou a cabeça no meu ombro e eu fiz um carinho nas costas dela. Dormimos ali mesmo, nus e abraçados no sofá estreito, enquanto o silêncio de Ipanema guardava o nosso segredo.