Tive que ajudar a apagar o fogo da minha filha e acabei acendendo o meu

Um conto erótico de Girls Family L
Categoria: Lésbicas
Contém 1792 palavras
Data: 19/02/2026 09:23:23

Eu sempre soube que o amor por um filho pode nos levar a lugares que a gente nem imaginava existir. Mas nunca pensei que um desses lugares fosse o meu próprio quarto, às sete e meia da noite, com a porta trancada e o silêncio da casa me sufocando.

Meu nome é Clara. Tenho quarenta e dois anos, um casamento que secou como roupa esquecida no varal, e uma filha de dezenove que, desde os quinze, parece carregar dentro do corpo um incêndio que ninguém consegue apagar. Larissa. Minha Larissa.

Quando a escola técnica me ligou dizendo que ela tinha sido expulsa — de novo, por “comportamento incompatível com o ambiente escolar” —, eu não chorei. Eu só senti um vazio gelado se espalhar pelo peito. Voltei para casa, tirei o celular dela, o notebook, os fones, as roupas coloridas, os batons. Deixei só os livros, os cadernos e a cama. Achei que a privação ia doer o suficiente para acordá-la.

Não acordou.

Naquela noite ela gritou comigo na cozinha. Não era raiva. Era desespero puro.

— Mãe, eu não consigo parar. É como se tivesse um bicho dentro de mim roendo. Eu tento, eu juro que tento, mas quando vejo um menino olhando pra mim… eu perco tudo. Eu perco a cabeça, perco a aula, perco o futuro. Me ajuda. Por favor.

Eu olhei para aqueles olhos vermelhos e inchados e vi, pela primeira vez, que não era preguiça, nem rebeldia. Era sofrimento. Um sofrimento que eu não sabia nomear, mas que reconhecia em algum lugar muito fundo de mim mesma.

E então saiu, sem eu planejar:

— E se eu te ajudasse? Todos os dias. Até você conseguir se controlar.

Ela ficou quieta. Depois perguntou, quase sussurrando:

— Você faria isso… por mim?

Eu assenti. Não conseguia falar mais nada.

No dia seguinte comecei.

Trancava a porta às dezenove e trinta. Eduardo já estava no turno da noite. Eu sentava na beirada da cama. Ela se deitava de bruços, saia do uniforme levantada só o necessário. Eu usava só as mãos. Contava segundos na cabeça. Quando o corpo dela relaxava, quando a respiração desacelerava e os ombros caíam, eu parava. Limpava as mãos no lençol. Saía do quarto sem olhar para trás.

No começo era só alívio. Alívio de ver as notas subindo. Alívio de ver ela abrir livro sem eu precisar mandar. Alívio de ouvir “obrigada, mãe” antes de apagar a luz.

Mas aos poucos outra coisa começou a crescer.

Eu percebia o calor subindo pela minha nuca toda vez que ouvia aquele gemido baixo, quase inaudível. Percebia que minhas mãos demoravam mais do que o necessário. Percebia que, nas noites em que Eduardo chegava cedo e dormia de costas para mim, meu corpo ficava acordado, inquieto, latejando.

Eu me odiava por isso. E ao mesmo tempo não conseguia parar.

Uma noite, depois que ela adormeceu, eu fiquei ali. Sentei na cadeira de leitura ao lado da cama e olhei para ela dormindo de lado, rosto tranquilo pela primeira vez em anos. E então, sem pensar, minha mão desceu. Fechei os olhos. Imaginei que era eu de bruços. Imaginei mãos que não eram as minhas. Imaginei ser tocada sem ter que pedir, sem ter que explicar por que ainda sinto desejo depois de tanto tempo sendo ignorada.

Cheguei ao orgasmo mordendo o próprio braço. Chorei em silêncio depois. De vergonha. De alívio. Dos dois.

No dia seguinte, quando chegou a hora, eu hesitei.

— Mãe? — ela chamou, já na posição de sempre.

Eu respirei fundo.

— Hoje… eu quero tentar outra coisa.

Deitei ao lado dela. Peito nas costas dela. Braço na cintura. Comecei a me mover devagar, roçando. Sem tirar roupa. Era mais lento. Mais perigoso. Mais meu.

Ela gemeu surpresa.

— Mãe…

— Shhh. Só sente.

Naquela noite durou muito mais. Quando acabou, nenhuma de nós falou. Ela adormeceu nos meus braços. Eu fiquei acordada sentindo o cheiro do cabelo dela e pensando que talvez eu sempre tenha precisado disso também. Que talvez o fogo dela tivesse acordado o meu, que estava apagado há tanto tempo que eu nem lembrava que existia.

Eduardo começou a perceber. Não o que acontecia exatamente — acho que a mente dele nem conseguia chegar perto dessa possibilidade —, mas o brilho nos meus olhos. O jeito que eu sorria quando Larissa mostrava uma prova com 9,0. O cheiro diferente que ficava no quarto.

Uma madrugada ele abriu a porta sem bater.

Eu estava de joelhos. Rosto entre as coxas dela. Ela com a mão no meu cabelo, pedindo mais forte. Nós duas perdidas no mesmo lugar.

Ele não gritou. Só fechou a porta com cuidado, como quem fecha uma sepultura.

No dia seguinte encontrei o bilhete na mesa da cozinha.

“Vou pra casa da minha mãe. Não me procurem por enquanto.”

Li. Dobrei. Guardei na gaveta da cabeceira.

Voltei para o quarto. Larissa ainda dormia. Deitei ao lado dela. Passei o braço pela cintura dela. Fechei os olhos.

Eu continuei. Porque parar agora seria admitir que tudo aquilo tinha sido um erro, e admitir um erro significava encarar o vazio que viria depois. E eu não aguentava mais vazios.

As manhãs começaram a ter uma rotina própria. Eu acordava antes do sol, preparava o café da Larissa exatamente como ela gostava: pão na chapa com manteiga derretendo nas bordas, suco de laranja coado (nada de polpa, ela odiava), e uma xícara de café com leite morno, sem açúcar. Colocava tudo na bandeja de madeira que eu tinha comprado numa promoção anos atrás e levava até a cama dela. Acordava ela com um beijo na testa — um beijo que durava um segundo a mais do que deveria. Ela abria os olhos devagar, ainda sonolenta, e sorria daquele jeito preguiçoso que me fazia lembrar da menina de cinco anos que pulava no meu colo quando eu chegava do trabalho.

— Bom dia, mãe.

— Bom dia, meu amor. Estuda bastante hoje, tá?

Ela assentia, pegava o caderno e começava a revisar antes mesmo de levantar. Eu ficava olhando da porta, braços cruzados, sentindo um orgulho que misturava orgulho de mãe com outra coisa mais escura, mais pegajosa.

À tarde, quando ela terminava as tarefas do reforço online, eu preparava o lanche. Sempre sentávamos à mesa da cozinha. Eu do lado dela, coxa colada na coxa dela por baixo da mesa. Às vezes minha mão escorregava para o joelho dela, subia um pouco pela parte interna da coxa, só o suficiente para sentir a pele arrepiar. Ela não se mexia. Só continuava escrevendo, mas a caneta tremia levemente. Eu parava antes de chegar longe demais. Era o nosso jogo silencioso: eu testava os limites, ela me deixava testar.

À noite, o ritual mudou de forma gradual, quase imperceptível no começo.

Primeiro foram as roupas. Eu comecei a pedir que ela tirasse a saia do uniforme antes de deitar. “É mais confortável assim”, eu dizia. Depois a calcinha. “Pra não marcar”. Ela obedecia sem questionar. Eu me deitava atrás dela, nua da cintura para baixo, e pressionava meu corpo contra o dela. Pele contra pele. Calor contra calor. Minhas mãos exploravam devagar: barriga, seios por cima da camiseta, depois por baixo. Eu apertava os mamilos dela até ela arquear as costas e soltar aquele suspiro que me fazia fechar os olhos de prazer.

Uma noite eu pedi que ela se virasse de frente para mim.

— Olha pra mim enquanto eu faço.

Ela abriu os olhos. Estavam úmidos, confusos, mas obedientes. Eu desci beijando o pescoço dela, o colo, a barriga. Quando cheguei entre as pernas, hesitei só um segundo. Depois mergulhei. Língua lenta, círculos precisos, saboreando o gosto salgado e doce que era só dela. Ela gemeu alto pela primeira vez. Agarrou meu cabelo. Chamou meu nome entrecortado:

— Mãe… mãe… por favor…

Eu não parei até ela tremer inteira, até as coxas se fecharem em volta da minha cabeça, até o corpo dela ceder completamente. Quando acabou, ela chorou. Não de tristeza. De alívio. De exaustão. Eu subi, abracei ela forte, beijei as lágrimas.

— Tá tudo bem, meu amor. Tá tudo bem.

Mas não estava.

Eu comecei a precisar de mais. Comecei a me tocar enquanto fazia nela. Primeiro discretamente, depois sem disfarce. Uma mão nela, a outra em mim. Nós nos olhávamos nos olhos enquanto nos masturbávamos mutuamente. Era como se estivéssemos nos confessando sem palavras. Eu via no rosto dela o mesmo conflito que sentia no meu: culpa, desejo, dependência, amor distorcido.

Uma vez, no meio do ato, ela parou de repente.

— Mãe… e se o pai voltar?

Eu congelei. A mão ainda dentro dela.

— Ele não vai voltar.

— Mas e se…

— Shhh. — Eu beijei a boca dela para calar. Foi o primeiro beijo de verdade. Língua, saliva, fome. Ela correspondeu. Depois daquele dia, os beijos viraram parte do ritual. Começavam suaves, terminavam selvagens.

Eu me convenci de que estávamos curando uma à outra. Que o fogo dela precisava do meu para não consumir tudo. Que o meu fogo, que Eduardo tinha deixado morrer, precisava do dela para voltar a queimar. Era uma mentira bonita que eu repetia toda noite antes de dormir.

Mas as noites ficavam mais longas. O ritual começou às sete e meia e terminava depois da meia-noite. Ela dormia exausta, eu ficava acordada olhando o teto, sentindo o corpo dolorido e satisfeito ao mesmo tempo. Pensava em como eu tinha virado isso. Pensava na igreja que eu frequentava aos domingos (sozinha agora), no pastor falando sobre redenção. Pensava na foto de família na sala, onde ainda estávamos os três sorrindo.

Uma tarde ela chegou do cursinho com uma nota 10 em redação. Mostrou o papel com orgulho infantil.

— Olha, mãe! Eu consegui!

Eu abracei ela forte. Chorei no ombro dela. Depois a levei para o quarto. Naquela tarde fizemos amor pela primeira vez sem pressa, sem ritual, sem justificativa. Só corpos se movendo devagar, se descobrindo, se possuindo. Quando acabou, ela deitou a cabeça no meu peito e sussurrou:

— Eu te amo, mãe. De verdade.

Eu respondi sem pensar:

— Eu também te amo. Mais do que tudo.

E era verdade.

Mas o amor, quando cruza certas linhas, vira outra coisa. Uma coisa que não tem nome bonito. Uma coisa que consome devagar, como fogo baixo em madeira úmida.

Eu sabia que um dia ia acabar. Ou que alguém ia descobrir. Ou que ela ia crescer, se apaixonar por alguém da idade dela, e me deixar para trás com as cinzas do que nós construímos.

Mas enquanto durasse, eu ia continuar.

Porque parar agora seria matar as duas.

E eu já não sabia mais viver sem o calor dela.

Pela primeira vez em muito tempo meu peito não doía.

Não era felicidade. Era rendição.

Eu tinha entrado naquele abismo para salvar minha filha. E descobri, tarde demais, que também queria ser salva.

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