Capítulo XXXVII - Calmaria e paixão
Caio narrando...
Eu não sei como explicar, mas desde que aquele coração na areia foi apagado pela maré, alguma coisa dentro de mim se acalmou, e outra parte se incendiou ao mesmo tempo. Rafa e eu estávamos voltando a ser nós. E isso significava que meu corpo, minha mente, meu coração… tudo nele estava outra vez desperto.
A semana de folga que a mamãe, sim, agora eu chamava Dona Eloísa assim também, nos deu parecia um presente caído direto do céu. Ela disse que seria bom pra nós, pro emocional do Rafa, pra minha cabeça, pro casamento, pra viagem. E eu concordei na hora. Eu precisava respirar. E precisava viver cada segundo ao lado dele antes de enfrentar meu passado.
Naquela manhã, estávamos espalhados no apartamento, com uma bagunça bonita de mapas, celulares, anotações, e duas canecas de café que a gente ia revezando sem perceber. Rafa estava deitado de bruços no sofá, o cabelo bagunçado, mordendo a tampa de uma caneta enquanto lia sobre entradas para Belo Horizonte.
— A gente pode pegar o voo de manhã… assim chegamos antes do horário de visita do hospital. — ele sugeriu, sem levantar a cabeça.
— É. E ficamos no hotel que você marcou?
— Claro, amor. Eu escolhi um perto do hospital… mas com suíte decente, porque você merece conforto. E porque…
Ele levantou o olhar como quem esconde um sorriso perigoso.
— Porque eu pretendo aproveitar você.
Eu senti minha nuca esquentar.
— Rafael…
— Que foi? Eu não posso querer aproveitar meu noivo?
— Pode… mas não olha assim.
Ele riu, aquele riso meio rouco que ele só usa quando quer acabar comigo, e deixou a caneta cair.
— Quero que essa viagem cure você, Caio. Mas também quero que ela cure nós dois. Que a gente volte com a alma mais leve… e com vontade de casar logo.
— Você fala como se não pensasse em outra coisa recentemente.
— Não penso mesmo. — ele disse, caminhando até mim e segurando meu rosto com as duas mãos. — Eu quero você de aliança. Eu quero você assinando meu nome e eu assinando o seu no papel. Eu quero você como meu marido.
Eu ia responder, mas ele me roubou um selinho rápido demais pra eu acompanhar.
Rafa terminou de falar sobre a viagem, sobre como Dona Eloísa tinha nos dado a semana inteira de folga antes do casamento, e como isso seria perfeito para respirarmos antes de encarar o que estava por vir. Ele estava encostado na porta do quarto, com aquele sorriso fácil, o corpo relaxado, mas eu sentia a tensão por trás do sorriso. A preocupação com meu pai. A tentativa de me proteger. Ele sempre fazia isso.
— Vou tomar um banho rápido, amor — ele disse, passando a mão pelo meu rosto antes de desaparecer no banheiro.
A porta se fechou, e eu fiquei ali, sozinho, sentado na beira da cama, com a mente inquieta. Era estranho… A gente tinha passado por tanta coisa, vencido tanto, e ainda assim havia esse capítulo da minha vida esperando para ser aberto.
Meus olhos caíram sobre o caderno azul de capa gasta na mesinha lateral. O caderno do Rafa. O lugar onde ele escrevia quando precisava respirar, ou quando sentia demais.
Peguei o caderno com cuidado, como quem segura algo sagrado. Abri na última página escrita e encontrei um poema. O título, escrito de forma simples, era:
“Para você, que me devolveu o mundo.”
Comecei a ler.
"A liberdade tem o seu nome,
e o meu caminho tem o seu cheiro.
Eu era vento sem norte,
e você me ensinou a pousar.
O amor não me salvou do mundo,
mas me salvou de mim mesmo.
Se sou casa, é porque te acolho.
Se sou horizonte, é porque te espero.
E se sou livre…
é porque te amo."
Fechei o caderno devagar, respirando fundo. Eu não sabia que ainda era possível amar mais, mas cada vez que ele me entregava um pedaço dele assim, parecia que meu peito se abria um pouco mais.
A porta do banheiro se abriu, trazendo um vapor quente junto com ele.
E aí eu esqueci totalmente como se respira.
Rafa saiu apenas com uma toalha na cintura, a água ainda escorrendo pelos ombros, pingando no peito, descendo pela barriga… E aquele olhar. Aquele olhar que sempre parecia dizer “você é meu”.
Ele sorriu quando me viu com o caderno nas mãos.
— Achou, né? — ele disse, passando a mão pelos cabelos molhados.
— Eu li, Rafa…
— E? — ele perguntou, erguendo o canto da boca.
— E… eu te amo pra caralho.
Ele riu baixinho. E quando ele riu, eu já estava indo até ele. Mas antes que eu o alcançasse, ele parou, olhou para mim com um olhar provocador, e fez algo que me desmontou por completo:
Ele soltou a toalha.
Ela caiu no chão, lenta, arrastando.
Meus olhos seguiram todos os detalhes do corpo dele, e a tensão que tomou meu corpo foi imediata, quente, urgente.
— Você vai ficar aí parado me olhando, Caio? — ele provocou. — Ou vai fazer alguma coisa?
Eu puxei ele pela cintura e o joguei na cama.
Ele caiu rindo, mas o riso foi engolido quando subi por cima dele e pressionei minha boca contra a dele. O beijo veio forte, desesperado, como se eu tivesse passado dias sem tocá-lo. As mãos dele deslizaram pelas minhas costas, descendo até minha cintura, apertando, puxando, como se me quisesse inteiro ali, naquele instante.
— Eu pensei em você o dia inteiro — ele sussurrou entre um beijo e outro, a respiração quente no meu pescoço. — Eu pensei no seu corpo, no jeito que você me toca… pensei no jeito que você geme no meu ouvido…
— Rafa… — meu corpo incendiou.
— Eu queria você me prendendo na cama, me segurando pela cintura, me provando que eu sou seu.
Meu controle foi embora.
Enterrei meu rosto no pescoço dele, senti o cheiro da pele quente, o gosto da água ainda fresca. Minhas mãos exploravam as linhas do peito dele, a curva dos ombros, a firmeza dos braços. Ele arqueou o corpo contra o meu, encostando quadril com quadril, e o choque de calor entre nós arrancou um gemido meu.
— Porra, Caio… é isso. Assim.
Ele abriu as pernas um pouco mais, me puxando pra ele com mais força. Minha mão percorreu a coxa dele, lenta, provocante, sentindo o músculo estremecer sob o toque. Ele reagia a cada movimento meu como se eu estivesse tocando fogo. E eu adorava isso. Eu adorava ver o Rafa perder o controle por mim.
— Olha pra mim — eu pedi, segurando o rosto dele.
Ele abriu os olhos, dilatados, brilhando de desejo.
— Eu tô aqui — ele sussurrou. — Tô inteiro pra você.
Eu o beijei de novo, profundo, intenso, como se quisesse marcar cada segundo. Minhas mãos exploravam cada centímetro possível, a cintura, a lombar, o quadril, a parte interna das coxas, onde ele sempre ficava sensível.
Rafa se contorceu quando passei meu polegar ali.
— Caio… não faz isso devagar… — ele implorou, a voz embargada de tesão. — Eu tô querendo você desde a praia…
Aquelas palavras me atingiram forte.
— Então vem — murmurei contra os lábios dele. — Vem porque eu também tô te querendo desde o mar.
A partir dali, o toque entre nós virou uma conversa própria, quente, íntima, sincronizada. Ele me puxando; eu segurando firme. Ele arqueando; eu entrando em sintonia com cada movimento.
O quarto se encheu da respiração pesada dos dois, da fricção quente da pele, dos gemidos abafados nos beijos, das mãos que percorriam tudo, querendo tudo, tomando tudo…
Era desejo.
Era amor.
Era entrega.
Era a vontade de fundir dois corpos até eles esquecerem onde um começa e o outro termina.
Quando finalmente chegamos ao limite juntos, ele segurou meu rosto com força e sussurrou:
— É com você. Sempre vai ser com você.
E naquele momento, eu soube que nada no mundo, nem dor, nem passado, nem medo, tinha força pra quebrar aquilo.
Depois que o ritmo dos nossos corpos finalmente sossegou, ficamos ali, deitados um sobre o outro, respirando como se ainda estivéssemos tentando encontrar o ar perdido entre beijos, toques e toda aquela urgência que sempre toma conta quando eu e Rafa nos amamos de verdade.
O peito dele subia e descia devagar, quente, ainda acelerado. Minha mão percorria a lateral do corpo dele, só sentindo, como se eu precisasse confirmar que ele estava realmente ali, comigo, entregue daquele jeito que só ele sabia ficar.
Eu beijei o ombro dele suavemente, e Rafa soltou um suspiro que era quase um sorriso.
— Eu amo você… — ele murmurou, sem abrir os olhos, como se estivesse falando direto do coração.
— Eu também. Muito mais do que você imagina.
Ele apertou minha mão, mas o cansaço já estava puxando o corpo dele para longe, para um descanso merecido. Eu fiquei olhando por alguns segundos a forma como o rosto dele relaxava, como se o mundo inteiro finalmente tivesse parado de machucá-lo.
Com cuidado, soltei meu corpo do dele, cobrindo Rafa com o lençol. Ele nem se mexeu; parecia seguro, protegido. E isso me deu um tipo de paz que eu nunca soube explicar.
Levantei devagar e fui para o banheiro.
A água quente caiu sobre mim e, pela primeira vez em muito tempo, eu consegui respirar fundo sem sentir o peso de tudo que a gente viveu. A espuma descia pelos meus braços, mas minha mente estava cheia demais de lembranças, do hospital, da delegacia, da dor no olhar dele, das noites em que ele acordava assustado… e do jeito como ele me chamava pelo nome, como se eu fosse a âncora dele no mundo.
Talvez eu fosse. E talvez ele fosse a minha.
Quando terminei o banho, enrolei a toalha na cintura e voltei para o quarto.
A luz fraca do abajur iluminava Rafa de um jeito quase sagrado. Ele estava virado de lado, uma mão dobrada debaixo da cabeça, o cabelo bagunçado pelo meu toque, a respiração calma, profunda. Parecia tão vulnerável, tão bonito, tão… vivo.
Aproximei-me da cama devagar, como se não quisesse quebrar aquele momento.
E então fiquei ali, parado no canto, observando.
É estranho como às vezes o amor dói mesmo quando ele é bonito, porque olhar para ele assim, dormindo depois de tudo que enfrentamos… fez meu peito apertar.
Eu me sentei na beira da cama e deixei a toalha cair, puxando o lençol para me cobrir também, mas sem tirar os olhos dele.
“Meu Deus, o que fizeram com você…” pensei, lembrando das marcas nos pulsos, dos olhos fundos no dia da delegacia, do jeito como ele tentava esconder a dor para não me preocupar.
Passei a mão devagar no rosto dele, empurrando uma mecha de cabelo para trás.
Ele não acordou, mas inclinou o rosto para a minha mão instintivamente, como se buscasse meu toque até dormindo.
Aquilo acabou comigo.
Meu peito se encheu de tudo ao mesmo tempo: amor, gratidão, medo, esperança.
“Ele sobreviveu”, pensei.
“Ele voltou pra mim.”
“Mas eu quase o perdi.”
Senti meus olhos arderem e respirei fundo, encostando minha testa na dele.
— Você é tão forte… — murmurei baixinho. — E eu vou passar o resto da vida garantindo que você nunca mais enfrente nada sozinho. Nunca mais.
Ele continuou dormindo, tranquilo, como se minha promessa tivesse chegado até ele de algum jeito.
E ali, naquela cama, naquele quarto confortável e silencioso, depois de a gente ter se amado como se o mundo fosse acabar… eu finalmente entendi.
Nada que viesse depois: pai, casamento, viagem, empresa, passado. Nada seria maior do que o que nós éramos juntos.
E eu fiquei ali, vigiando o sono dele, como quem cuida do que é mais precioso no mundo.
Enfim, a manhã chegou, Rafa levantou primeiro e preparou o café. Depois de tomarmos o café juntos e conversarmos sobre a semana de folga, eu disse a Rafa que ia tomar banho antes de começarmos a arrumar as malas. Ele assentiu, ajeitou o caderno à sua frente e tomou mais um gole de café.
Fui para o banheiro e deixei a porta entreaberta. A água quente caiu sobre mim, e enquanto eu passava as mãos pelos cabelos, senti o corpo finalmente relaxar depois de tanta tensão dos últimos dias. Eu pensava no casamento, na viagem, na coragem que eu precisava ter… e, inevitavelmente, pensava nele.
Rafa sempre parecia entender mais de mim do que eu mesmo.
Quando terminei, me enxuguei com calma, coloquei uma bermuda leve e deixei o vapor quente escapar quando abri a porta. Caminhei pelo corredor ainda secando o rosto com a toalha e, antes mesmo de entrar na cozinha, pude ouvir o som suave da caneta correndo pelo papel.
A imagem que vi quando parei na porta me deixou completamente imóvel.
Rafa estava sentado à mesa, de costas para mim, inclinado sobre o caderno azul. A xícara dele ainda soltava um leve fio de fumaça. A luz da manhã entrava pela janela e criava um brilho dourado no ombro nu dele, ele havia tirado a camisa, provavelmente com calor. Seus dedos se moviam firmes, mas delicados, como se cada palavra fosse um cuidado, como se cada verso fosse um pedaço do coração dele sendo colocado ali.
Eu fiquei parado, apenas observando.
Era impossível não sentir o peito apertar, de amor, de gratidão, de admiração.
Ele não me ouviu chegar. Estava tão imerso, tão entregue, tão concentrado… como se estivesse escrevendo algo que precisava escapar de dentro dele.
Aproximei-me devagar, deixando meus passos leves para não interromper o momento.
— Amor… — murmurei, suave.
Rafa levantou a cabeça devagar, e um sorriso apareceu no rosto dele quando nossos olhos se encontraram.
— Terminei — ele disse, fechando a caneta com um clique suave. — A inspiração veio forte.
— Eu percebi — respondi, me aproximando dele, ainda com a toalha pendurada no pescoço. — Você parecia… sei lá… brilhando.
Ele riu, meio tímido, meio orgulhoso.
Eu me sentei ao lado dele e deslizei a mão pela nuca dele, sentindo a pele quente, o cheiro do café misturado ao perfume dele.
— Deixa eu ver? — perguntei.
Rafa não entregou o caderno. Apenas o virou para si com delicadeza.
— Eu leio pra você — disse. — É assim que tem que ser.
Rafa puxou o caderno com cuidado, como se estivesse mexendo em algo frágil e precioso. Sentou-se ao meu lado, ajeitou-se, respirou, e começou a ler:
“Antes do altar”
"Eu te encontrei antes de qualquer promessa,
antes do anel, antes das palavras certas.
Te encontrei em um abraço que virou casa,
em um olhar que virou caminho.
E mesmo quando o mundo apertou,
quando a dúvida bateu,
quando o futuro pesou,
você ficou.
Você sempre ficou.
Hoje eu sei...
o casamento não é um dia,
é o gesto de acordar ao seu lado
e escolher de novo.
É a coragem de dividir medos,
de abrir portas que doem,
de caminhar junto,
mesmo quando o chão treme.
Se amanhã o destino balançar,
eu balanço com você.
Se sua voz falhar,
eu sussurro por nós dois.
Se o mundo tentar nos cortar,
eu viro escudo,
viro braço,
viro colo.
Porque amar você
não é uma escolha que eu faço,
é uma verdade que me chama.
E quando você disser ‘sim’,
não vai ser para mim.
Vai ser para a vida
que vamos construir."
Quando ele terminou, eu já estava chorando, não conseguia evitar. Rafa fechou o caderno devagar, como se guardasse um pedaço dele ali dentro.
— Caio… — ele murmurou, vindo até mim. — Ei, olha pra mim.
Eu levantei o rosto, e ele segurou minhas bochechas com carinho, os polegares secando minhas lágrimas.
— Eu te amo muito, Caio. Muito mais do que eu sei explicar. E a gente vai ser feliz. A gente merece.
Eu o abracei forte, muito forte, com o coração inteiro pulsando no peito. Encostei o queixo no ombro dele.
— Obrigado, Rafa… por pensar na gente antes mesmo de eu acordar. Por transformar tudo em poesia. Por me dar força. — Respirei fundo. — Eu não sei como seria minha vida sem você.
Ele riu baixinho, abraçado a mim.
— Ainda bem que não precisamos descobrir.
Ficamos assim por um momento, apenas ouvindo a respiração um do outro, até que Rafa se afastou e bateu palmas.
— Agora vamos nos organizar, amor. Temos estrada pela frente. Minas nos espera.
Eu sorri, finalmente mais leve.
— Então vamos preparar tudo. Quero estar lá o quanto antes.
Passamos a manhã arrumando as malas. Rafa fazia listas para garantir que não esqueceríamos nada, documentos, roupas confortáveis, remédios, carregadores, um casaco para o clima de BH. Ele sempre pensava em tudo.
— Caio — ele disse enquanto dobrava uma camiseta minha —, lembra de pegar alguma coisa que te deixe confortável. Essa viagem pode ser pesada pra você.
— Eu sei. Mas você tá indo comigo. Isso já me deixa forte.
Ele se aproximou, tocou meu peito com dois dedos.
— Eu vou ser seu apoio. Mas você também é forte sozinho, não esquece disso.
Separar as coisas nos trouxe uma sensação estranha, parecia que cada peça de roupa carregava um pouco da ansiedade, da esperança e do medo que eu estava sentindo. A possibilidade de encontrar meu pai… de ver alguém que eu nunca tive… aquilo me mexia de um jeito que eu nem sabia explicar.
Rafa percebeu. Ele sempre percebia.
— Você não está indo sozinho — repetiu, firme.
E beijou minha testa.
Rafa continuou no quarto arrumando as malas, eu fui para o lado de fora observar a correria louca de São Paulo, e por alguns minutos me perdi em meus próprios pensamentos. Quando dei por mim, ele apareceu e me abraçou por trás e beijou meu pescoço.
— Fugindo sem se despedir? — Rafa murmurou, a voz rouca de safadeza.
Sorri.
— Só organizando a bagunça aqui dentro.
Ele veio até mim, me abraçou por trás e apoiou o queixo no meu ombro. Ficamos assim, olhando a cidade agitada.
— Seja o que for que você encontrar lá — ele disse, com calma — não vai apagar quem você é hoje.
Inclinei a cabeça e encostei a minha na dele.
— Eu sei. Porque agora… eu tenho pra onde voltar.
Ele beijou meu cabelo, devagar.
— Então vamos. — disse. — Quando você estiver pronto.
Respirei fundo. Pela primeira vez, a ideia do passado não parecia um abismo. Parecia apenas uma porta que eu podia abrir, ou fechar, sem me perder.
Com ele ali, comigo, eu não precisava mais ter medo do que viesse depois.
