Encoxadas na Multidão: O Ano Novo Proibido de uma Mãe Solteira

Um conto erótico de pcamargo
Categoria: Heterossexual
Contém 5177 palavras
Data: 02/01/2026 12:20:34

Era uma noite abafada de Réveillon em Copacabana, e eu, Amanda, 38 anos, mãe solteira de dois filhos que tinham ficado com a avó, finalmente respirava um ar de liberdade. Fazia tempo que não saía assim, sem horário para voltar, sem preocupação com hora de dormir ou lanche. Eu precisava disso. Precisava me sentir mulher de novo, não só mãe.

Não estava completamente sozinha, felizmente. Minha amiga de infância, a Carol, tinha me convencido a vir com ela. Carol é aquele tipo de pessoa que transforma qualquer programa em festa: 35 anos, divorciada recente, corpo malhado de academia, cabelo loiro tingido e uma energia que contagia. Ela usava um macacão branco justo que marcava tudo, e eu, mais discreta, optei por um vestido branco soltinho, na altura do joelho, decote moderado, tecido leve que balançava com a brisa. Nada de sutiã – o calor não permitia –, só uma calcinha de renda confortável. Me sentia bonita, mas sem exagerar.

Chegamos na praia por volta das 21h30. A areia já estava tomada, mas conseguimos um espacinho razoável perto do posto 5, onde dava para ver bem os fogos. Carol comprou duas caipirinhas de ambulante, e nós brindamos rindo, falando mal dos ex, planejando o ano que vinha. A música dos quiosques misturava pagode, funk e sertanejo, e aos poucos fomos nos soltando, dançando devagar, conversando com um grupo de amigos que Carol conhecia de vista.

Com o passar das horas, a multidão foi crescendo. O que antes era um espaço confortável virou um aperto gradual, quase imperceptível no começo. As pessoas chegavam aos poucos, se infiltrando, e de repente estávamos cercadas. Eu e Carol ficamos de costas uma para a outra, como combinamos: “Se apertar muito, a gente se protege”, ela brincou.

Os primeiros esbarrões foram realmente acidentais. Um cara passou pedindo licença, esbarrou no meu braço. Outro grupo de jovens rindo alto me empurrou levemente para o lado. Nada demais. Eu até ri com Carol quando um rapaz tropeçou e quase derrubou a bebida dela. Mas, aos poucos, comecei a perceber toques que não pareciam tão inocentes assim.

Primeiro foi uma mão que descansou – por tempo demais – na curva da minha cintura, como se o dono estivesse se apoiando para passar. Senti os dedos firmes, quentes, através do tecido fino. Virei o rosto rápido, mas só vi um mar de corpos, ninguém olhando diretamente para mim. “Impressão minha”, pensei, e voltei a conversar com Carol.

Minutos depois, outro toque: alguém roçou as costas da minha coxa ao passar. Foi rápido, mas deliberado – senti a pressão da palma aberta, subindo um pouquinho antes de sumir. Meu corpo deu um leve arrepio, mistura de susto e algo que eu não queria nomear. Olhei para Carol, que estava distraída dançando com um cara que tinha puxado papo. Ela parecia à vontade, rindo alto.

A multidão apertava mais. Agora já não dava para mexer os braços livremente. Eu sentia corpos colados dos dois lados, na frente, atrás. O cheiro de suor, perfume barato e cerveja tomava o ar. Alguém atrás de mim – alto, pelo que eu percebia pela posição da respiração no meu pescoço – começou a se mexer no ritmo da música. No começo, parecia só dança. Mas aos poucos, o movimento ficou mais lento, mais intencional. Senti algo firme encostar na curva da minha bunda, primeiro de leve, depois com mais peso, acompanhando o balanço dos quadris dele.

Tentei me afastar um pouquinho, me aproximando de Carol, mas não tinha para onde ir. Ela virou para mim e gritou no meu ouvido: “Tá muito apertado aqui, né? Mas falta pouco pros fogos!”. Sorriu e voltou a dançar. Eu forcei um sorriso de volta, mas meu coração já batia diferente.

O homem atrás de mim – eu nem sabia como ele era – aproveitou o espaço mínimo para se encostar mais. Agora não era mais esbarrão: era uma pressão constante, ritmada, o volume da calça dele roçando devagar contra o tecido do meu vestido. Eu sentia o calor, a rigidez crescendo. Minha respiração ficou curta. Tentei virar o corpo de lado, mas outra pessoa se encaixou ali, me prensando de volta.

Uma mão – não sei se era a mesma – deslizou discretamente pela lateral da minha coxa, subindo até o começo da nádega, dedos abertos, apertando de leve a carne. Foi tão sutil que poderia ter sido imaginção, mas não era. Meu corpo reagiu antes da minha cabeça: um calor subiu pelo ventre, os mamilos endurecendo contra o tecido. Eu mordi o lábio, confusa, envergonhada, mas sem conseguir me mover.

Carol se virou de novo, percebendo que eu estava mais quieta. “Tá tudo bem, Mandinha?”, perguntou, aproximando o rosto do meu. Eu fiz que sim com a cabeça, mas minha voz saiu baixa: “Tá muito apertado… tô me sentindo um pouco estranha”. Ela riu e me abraçou por cima do ombro: “É o Réveillon, amiga! Respira, aproveita! Daqui a pouco explode o céu e a gente sai dançando”.

Mas o toque atrás não parava. Agora mais ousado: a mão subiu um pouco mais, contornando a curva da minha bunda por baixo do vestido, dedos roçando a renda da calcinha. Eu prendi a respiração. Parte de mim queria gritar, empurrar, sair dali. Outra parte – aquela que eu enterrava há anos – sentia um formigamento perigoso entre as pernas.

Faltavam menos de dez minutos para a meia-noite.

Faltavam uns oito minutos para a meia-noite quando percebi que o tempo parecia ter desacelerado.

A multidão já não se movia tanto; era mais um balanço coletivo, lento, quase hipnótico, como se todo mundo estivesse esperando o mesmo instante. O som da música chegava abafado, distante, misturado ao murmúrio de vozes, risadas, brindes. O ar estava pesado, úmido, carregado de calor humano. Eu sentia gotinhas de suor escorrendo devagar pelas minhas costas, deslizando pela curva da espinha até se perderem na cintura.

Carol estava bem na minha frente agora, de costas para mim, dançando com um cara que tinha aparecido do nada – moreno, alto, sorrindo para ela como se já se conhecessem há anos. Eu via o cabelo loiro dela balançando, os ombros bronzeados brilhando sob as luzes dos quiosques. De vez em quando ela virava o rosto para trás, me procurava com os olhos e sorria, como quem diz “tá tudo bem, amiga, relaxa”. Eu sorria de volta, mas por dentro meu corpo inteiro estava em alerta.

Atrás de mim, o homem – ainda sem rosto, só presença – havia encontrado o ritmo perfeito. Ele não empurrava, não forçava. Apenas acompanhava o balanço da multidão, deixando que nossos corpos se tocassem a cada ondulação. Primeiro era só o tecido da calça dele roçando levemente o meu vestido, na altura das nádegas. Um toque tão sutil que eu quase duvidava. Mas depois vinha outro, um pouco mais demorado, como se ele estivesse testando até onde podia ir sem que eu reagisse.

Eu não reagia. Não me mexia para longe. Nem para mais perto. Ficava ali, respirando devagar, sentindo o calor dele se infiltrar pelo tecido fino. Meu vestido, leve como era, colava na pele suada, delineando cada curva. Eu sabia que ele sentia isso. Sabia que ele percebia o formato do meu corpo mesmo sem ver.

Então veio a mão.

Não de repente. Devagar. Primeiro os dedos roçaram a lateral da minha coxa esquerda, como se fosse um acidente, como se ele estivesse apenas se equilibrando. Dois dedos, quentes, ligeiramente ásperos. Deslizaram um centímetro para cima, pararam. Esperaram. Como se perguntassem permissão. Meu coração deu um salto, mas eu não me movi. Não disse nada.

Os dedos voltaram a se mover. Lentamente. Subindo pela parte externa da coxa, acompanhando a linha do vestido. A palma inteira agora encostava na minha pele, aberta, possessiva, mas sem apertar. Só descansando ali, sentindo o calor. Eu fechei os olhos por um segundo, sentindo um arrepio subir pelas pernas, concentrar-se no baixo ventre. Meus mamilos, já sensíveis pelo atrito constante do tecido, endureceram mais, pontinhos duros roçando o vestido a cada respiração.

Carol virou o rosto de novo. “Ei, tá sonhando, Mandinha?”, gritou, rindo. Eu abri os olhos, forcei um sorriso. “Tô só… curtindo”, respondi, a voz mais rouca do que eu esperava. Ela piscou, como se entendesse algo que eu nem admitia para mim mesma, e voltou a dançar.

A mão atrás de mim ousou mais. Deslizou para a parte de trás da coxa, bem devagar, os dedos traçando a curva até quase chegar à nádega. Parou ali, na beira da renda da calcinha, pressionando levemente a carne macia. Eu inspirei fundo, sentindo o ar quente entrar nos pulmões. Meu corpo, traidor, se inclinou um pouquinho para trás – quase nada, mas o suficiente para ele entender o sinal.

Ele entendeu.

A pressão aumentou, sutil. Agora eu sentia claramente o volume dele, endurecido, encostando no meio das minhas nádegas, através das camadas de tecido. Não era agressivo. Era lento, circular, como uma dança só nossa no meio do caos. A cada balanço da multidão, ele se aproximava mais um milímetro, se afastava, voltava. Eu sentia o calor, a pulsação, o desejo cru disfarçado de acidente.

Entre minhas pernas, um calor úmido começava a se formar. Devagar, insistente. Eu apertava ligeiramente as coxas uma contra a outra, tentando controlar, tentando disfarçar. Mas cada movimento só piorava – ou melhorava – a sensação.

Faltavam cinco minutos para a meia-noite.

O céu ainda estava escuro, mas eu já via os primeiros fogos de teste sendo lançados ao longe, luzes rápidas que iluminavam rostos suados por frações de segundo. Num desses clarões, tentei virar o rosto para ver quem era. Mas só vi ombros largos, um pescoço moreno, cabelo curto úmido de suor. Ele não olhou para mim. Só continuou o movimento lento, ritmado, como se soubesse exatamente o que estava fazendo comigo.

E eu… eu deixava.

Faltavam quatro minutos para a meia-noite, e o mundo parecia ter diminuído a velocidade só para mim.

O ar estava tão denso que eu podia sentir o gosto dele na língua: sal do mar misturado ao suor coletivo, um leve amargor de cerveja derramada, traços doces de perfumes baratos que se agarravam à umidade. Cada inspiração entrava pesada nos meus pulmões, como se eu estivesse bebendo o calor em vez de respirá-lo.

O balanço da multidão era quase imperceptível agora, um vaivém lento, como ondas mornas batendo na areia. A cada ondulação, o corpo atrás de mim se aproximava um milímetro mais. Eu sentia o calor irradiando dele antes mesmo do toque: uma aura quente que envolvia minhas nádegas, subia pela curva das costas, fazia o tecido do vestido grudar ainda mais na pele úmida.

A mão que descansava na parte de trás da minha coxa não se movia rápido. Nunca. Era como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Os dedos se abriam devagar, a palma se acomodando com calma contra a carne macia, absorvendo o calor da minha pele. Eu sentia a textura da pele dele – ligeiramente áspera, talvez de quem trabalha com as mãos ou malha pesado –, contrastando com a suavidade da parte interna da minha coxa. Cada poro parecia registrar o contato: um formigamento sutil que subia em ondas lentas, se concentrava no ventre, descia novamente.

O cheiro dele chegava agora, misturado ao caos ao redor. Um aroma masculino, quente: suor limpo, um resto de colônia barata com notas de madeira e cítrico, talvez desodorante misturado ao calor do corpo. Invadia minhas narinas a cada respiração, marcando território sem pedir licença.

Entre minhas pernas, a sensação era ainda mais traiçoeira. O tecido da calcinha de renda, já úmido de suor, começava a se colar delicadamente aos lábios, delineando cada contorno. A cada micro-movimento dos meus quadris – involuntário, quase nada –, sentia o atrito suave da renda contra o clitóris sensível, um roçar tão leve que era quase uma tortura. Um calor líquido, lento, se acumulava ali, fazendo as coxas internas ficarem escorregadias, quentes. Eu apertava os músculos internos sem querer, sentindo o vazio pulsar devagar, pedindo algo que eu não ousava nomear.

Na frente, Carol dançava com mais liberdade, o corpo dela se movendo solto, os cabelos loiros grudando no pescoço suado. De vez em quando ela se inclinava para trás, o ombro dela roçando o meu peito, e eu sentia o calor da pele dela, o tecido do macacão úmido encostando nos meus seios. Meus mamilos, já rígidos, reagiam ao menor contato: uma pontada doce que descia direto para o ventre, se misturava ao calor que vinha de trás.

A mão atrás de mim deslizou mais um centímetro. Agora os dedos contornavam a borda da calcinha, não por baixo ainda, só traçando a linha da renda com a ponta do indicador. Era um toque tão leve que parecia uma pena, mas deixava um rastro de fogo na pele. Eu sentia cada milímetro: o calor do dedo, a pressão mínima, o leve tremor quando ele encontrava a pele mais sensível logo abaixo da nádega. Meu corpo respondia com um arrepio que subia pela espinha, fazia os pelinhos da nuca se eriçarem.

O volume dele atrás estava mais presente agora. Não agressivo, nunca. Apenas ali, pressionando com paciência, acompanhando o ritmo lento da multidão. Eu sentia a pulsação dele através do tecido – um latejar calmo, constante, que ecoava no meu próprio sangue. Cada vez que a multidão nos empurrava juntos, o contato durava um segundo a mais, e eu percebia o calor, a rigidez, o formato se moldando contra mim. Meu vestido, fino como era, não oferecia quase nenhuma barreira; era como se eu sentisse a pele dele diretamente.

Faltavam três minutos.

Um silêncio estranho começou a se instalar na multidão – não silêncio de verdade, mas uma expectativa que abafava as conversas. Todos olhando para o céu escuro, esperando o primeiro estrondo. Eu também olhei para cima, mas meus sentidos estavam todos concentrados para baixo, para trás, para dentro. O céu estava limpo, estrelas quase invisíveis pela luz da cidade, mas eu via apenas flashes internos: faíscas atrás das pálpebras fechadas a cada novo toque.

A mão dele parou exatamente na curva onde a coxa encontra a nádega, os dedos abertos, a palma cobrindo a carne com uma posse silenciosa. Não apertava. Só descansava. Como se dissesse: estou aqui. Eu sei o que você está sentindo. E você não está indo embora.

Faltavam dois minutos e meio para a meia-noite quando Carol se virou de novo, dessa vez mais devagar, como se sentisse que algo mudara no ar entre nós.

Ela estava com as bochechas coradas, os olhos brilhando de álcool e excitação, o cabelo loiro grudado em mechas úmidas no pescoço. O cara com quem dançava havia se afastado um pouco para brindar com os amigos, e ela aproveitou para se encostar em mim, de frente agora, os corpos quase colados pela pressão da multidão.

“Tá muito quente, né?”, ela sussurrou no meu ouvido, a voz rouca, o hálito doce de caipirinha roçando minha orelha. Eu assenti, sem conseguir falar direito. Ela me olhou mais de perto, franzindo levemente a testa. “Você tá bem, Mandinha? Tá com uma cara…”

Eu forcei um sorriso, mas meus lábios tremiam um pouco. “Tô… só o calor mesmo”, murmurei. Minha voz saiu baixa, quase um sopro. Carol não se convenceu de imediato. Ela conhece minhas expressões desde criança. Inclinou a cabeça, os olhos descendo rapidamente pelo meu corpo, como se procurasse algo.

Foi aí que ela percebeu.

Não sei se foi o jeito como eu estava ligeiramente inclinada para trás, ou o rubor que subia pelo meu decote, ou talvez o movimento quase imperceptível dos meus quadris acompanhando o ritmo lento atrás de mim. Mas os olhos dela se arregalaram por uma fração de segundo, e um sorriso malicioso, lento, nasceu nos lábios dela.

“Ah… entendi”, ela disse, baixinho, só para mim. Aproximou o rosto do meu novamente, agora com uma intimidade diferente. “Alguém tá te fazendo companhia de verdade, hein?”

Eu senti o rosto queimar. Tentei negar com a cabeça, mas era inútil. Carol riu, um riso baixo, cúmplice, sem julgamento. “Relaxa, amiga. Réveillon é pra isso. Todo mundo tá se esfregando em alguém aqui.” Ela se encostou mais, o peito dela roçando levemente o meu a cada respiração. “Quer que eu te ajude a… afastar? Ou quer que eu fique aqui de escudo?”

A oferta era sincera, mas havia um tom brincalhão, quase provocador. Eu sabia que se eu pedisse, ela virava de costas na hora, bloqueava o cara atrás com o corpo dela, me tirava dali. Mas eu não pedi.

“Fica… fica aqui comigo”, sussurrei de volta, sem saber direito o que estava admitindo.

Carol entendeu tudo. O sorriso dela se alargou, e ela se posicionou de lado, um braço passado casualmente pela minha cintura, como se fôssemos só duas amigas dançando juntas. Mas o gesto era protetor e, ao mesmo tempo, cúmplice. Agora eu tinha ela na frente, o desconhecido atrás, e o calor dos dois corpos me envolvendo como um casulo.

Ela começou a se mexer devagar, acompanhando o balanço da multidão, fazendo com que meu corpo se movesse junto. Cada ondulação dela empurrava meus quadris sutilmente para trás, aumentando por um segundo a pressão contra o homem desconhecido, depois aliviando. Era como se ela estivesse conduzindo a dança dos três, sem que ninguém ao redor percebesse.

Senti o dedo dele – aquele que traçava a borda da minha calcinha – parar por um instante, como se ele tivesse notado a presença dela. Mas logo voltou, mais ousado agora, talvez estimulado pela ideia de que eu não estava sozinha, de que havia uma testemunha silenciosa.

Carol aproximou os lábios do meu ouvido outra vez. “Ele tá te tocando mesmo, né?”, sussurrou, a voz quase inaudível, carregada de curiosidade e algo mais. Eu só consegui assentir de leve, os olhos semicerrados. Ela soltou um “hmmm” baixo, quase um ronronar. “Se quiser, eu posso… distrair um pouco. Ou ajudar.”

A mão dela, que descansava na minha cintura, deslizou devagar para a lateral do meu quadril, os dedos roçando a pele exposta onde o vestido havia subido um pouquinho. Não era sexual – ou talvez fosse, um pouco. Era afeto misturado com provocação, com a intimidade de quem já dividiu segredos a vida toda.

Faltava um minuto.

A multidão começou a contagem regressiva em voz alta, mas para mim os números chegavam abafados, distantes. Eu só sentia: o calor da mão de Carol na minha cintura, firme e reconfortante; o calor da palma desconhecida na curva da minha nádega, agora mais aberta, os dedos traçando círculos lentos na pele úmida; o cheiro dos dois se misturando – o perfume floral suave de Carol e o aroma masculino mais cru atrás de mim; o som das respirações dela e dele, quase sincronizadas com a minha.

Carol apertou de leve minha cintura, como um sinal. “Respira, amiga”, sussurrou. “Deixa acontecer.”

Dez… nove… oito…

Sete… seis… cinco…

A contagem regressiva ecoava pela praia inteira, milhares de vozes se unindo num coro rouco e animado. Mas ali, no nosso pequeno espaço apertado, o tempo parecia ainda mais lento, mais denso.

Carol estava colada em mim agora, o corpo dela moldado ao meu pela frente, quente e macio. O macacão branco dela havia subido um pouco nas coxas, e eu sentia a pele nua das pernas dela roçando as minhas a cada balanço. Ela não dançava mais com o estranho de antes; agora era só nós duas – e o homem atrás de mim, que parecia ter entendido o jogo.

Os lábios dela voltaram ao meu ouvido, mas dessa vez mais devagar, quase um beijo sem tocar. “Você tá tremendo toda, amiga…”, sussurrou, a voz baixa, carregada de algo que não era só brincadeira. Senti o hálito quente dela deslizar pela minha orelha, descer pelo pescoço, arrepiando cada centímetro de pele. “Tá gostando, né?”

Eu não respondi com palavras. Só deixei escapar um suspiro curto, quase inaudível, que ela captou imediatamente. Carol sorriu contra minha pele – eu senti os lábios dela se curvando – e então, com uma lentidão deliberada, deslizou a mão que estava na minha cintura para baixo, até descansar na curva do meu quadril. Os dedos dela se abriram devagar, apertando levemente a carne por cima do vestido, como se estivesse me ancorando ali, me dizendo que estava tudo bem.

Quatro… três…

Atrás de mim, o desconhecido respondeu ao movimento dela como se os dois estivessem conectados por um fio invisível. A mão que traçava a borda da minha calcinha finalmente ousou mais: o dedo médio deslizou por baixo da renda, só a ponta, roçando a pele sensível logo abaixo da nádega. Foi um toque tão leve, tão quente, que meu corpo inteiro reagiu com um estremecimento que subiu pela espinha e fez meus seios se arrepiarem contra o tecido.

Carol sentiu. Claro que sentiu. Ela apertou meu quadril um pouco mais forte, puxando meu corpo sutilmente para trás, aumentando a pressão contra ele. “Isso…”, sussurrou, a voz agora um fio de som, quase um gemido abafado. “Deixa ele sentir como você tá molhada por baixo desse vestido…”

Eu corei violentamente, mas o calor entre minhas pernas confirmava cada palavra. A calcinha estava encharcada agora, a renda colando nos lábios inchados, e cada micro-movimento fazia o tecido roçar o clitóris de um jeito torturantemente doce.

Dois…

Carol inclinou o rosto e, pela primeira vez, seus lábios tocaram minha pele – não um beijo de amiga, mas algo mais lento, mais íntimo. Ela roçou a boca aberta no lóbulo da minha orelha, a língua saindo só um pouquinho para umedecer a pele ali. “Eu tô sentindo você toda arrepiada contra mim…”, murmurou. “Quero sentir quando você gozar.”

Um…

Atrás, o dedo dele deslizou mais fundo por baixo da calcinha, agora roçando diretamente a entrada úmida, só a ponta, circulando devagar, como se estivesse provando o quanto eu estava pronta. Ao mesmo tempo, Carol deslizou a outra mão para frente, cobrindo meu ventre por cima do vestido, os dedos descendo até quase tocar a parte superior da minha coxa. Ela não foi mais longe – só pressionou ali, firme, possessiva, como se estivesse marcando território enquanto entregava o resto para ele.

Zero.

Os fogos explodiram no céu com um estrondo que fez a praia inteira vibrar. Luzes douradas, vermelhas, verdes iluminaram tudo em flashes intensos, refletindo nos rostos suados, nos corpos colados. A multidão urrou “Feliz Ano Novo!”, mas eu mal ouvi.

No exato momento em que o céu se iluminou, o dedo dele entrou em mim – devagar, só até a primeira falange, quente e firme. Ao mesmo tempo, Carol apertou o corpo contra o meu, os seios dela esmagando suavemente os meus, e depositou um beijo lento, aberto, logo abaixo da minha orelha, a língua traçando um caminho úmido até o pescoço.

Eu me desfiz ali, entre os dois. Um orgasmo lento, profundo, que começou no ventre e se espalhou em ondas quentes pelas pernas, pela espinha, fazendo meus músculos internos se contraírem ao redor do dedo dele. Não gritei – só soltei um gemido baixo, abafado contra o ombro de Carol, enquanto ela me segurava firme, sussurrando no meu ouvido: “Isso, Mandinha… goza pra gente… feliz ano novo, amiga…”

Os fogos continuavam explodindo, iluminando nossos corpos suados em flashes coloridos. E eu, pela primeira vez em anos, me sentia completamente viva.

Os fogos ainda explodiam no céu, pintando tudo em tons de ouro e vermelho, mas eu já não via mais nada com clareza. Meu corpo inteiro parecia flutuar numa onda lenta e quente que começava bem no fundo do ventre e se espalhava devagar, como tinta derramada na água.

Primeiro veio o tremor. Não o tremor violento de quem tem frio, mas um abalo suave, quase interno, que fazia meus músculos se contraírem e relaxarem em ritmos preguiçosos. Senti os paredes internas ainda pulsando ao redor do dedo que havia se retirado com a mesma lentidão com que entrara – uma ausência agora que era quase tão intensa quanto a presença. Cada pulsação era um eco do prazer, um lembrete doce de que meu corpo tinha se rendido completamente.

Minhas pernas estavam moles, como se a areia tivesse virado algodão sob meus pés. Eu me apoiei mais em Carol sem perceber, o peso do meu corpo encostando no dela, e ela me segurou com firmeza, os braços agora ao redor da minha cintura, me mantendo de pé. O calor da pele dela contra a minha era reconfortante, quase maternal, mas carregado de uma eletricidade residual que fazia minha pele formigar onde quer que ela tocasse.

O suor que escorria pelo meu corpo parecia mais frio agora, contrastando com o calor interno que ainda latejava. Senti gotas deslizando devagar entre meus seios, pela curva da barriga, perdendo-se na cintura. Entre as coxas, a umidade era outra – mais espessa, mais íntima. A calcinha de renda estava completamente encharcada, colando nos lábios inchados, e cada respiração fazia o tecido roçar de leve o clitóris hipersensível, provocando pequenos choques de prazer tardio que me faziam inspirar fundo, quase gemer de novo.

Meu coração batia lento, pesado, como se estivesse saboreando cada batida. O sangue corria quente pelas veias, concentrando-se nos lugares mais sensíveis: os mamilos ainda rígidos roçando o vestido úmido, a nuca onde Carol havia beijado, a parte interna das coxas onde os dedos dele tinham estado. Tudo parecia mais vivo, mais exposto. Até o ar salgado do mar entrando nos pulmões parecia acariciar por dentro.

Carol me abraçou mais forte, o rosto encostado no meu pescoço. Senti os lábios dela se movendo devagar contra minha pele, não exatamente beijando agora, mas apenas descansando ali, respirando comigo. “Você tá toda molinha…”, sussurrou, a voz baixa, carinhosa, com um toque de riso satisfeito. “Tá sentindo ainda, né?”

Eu só consegui assentir, os olhos semicerrados. Atrás de mim, o desconhecido havia se afastado um pouco – a multidão começava a se mexer de novo, as pessoas se abraçando, gritando, dançando –, mas eu ainda sentia o fantasma do calor dele nas nádegas, como uma marca invisível. Uma saudade estranha, quase imediata, de algo que nem tinha sido meu de verdade.

Uma onda de sonolência doce me invadiu, como se o orgasmo tivesse drenado toda a tensão que eu carregava há anos. Meus ombros relaxaram, a cabeça pendeu levemente para o lado, encostando no ombro de Carol. Eu me sentia leve, limpa, como se tivesse sido lavada por dentro. Havia uma paz profunda misturada com uma sensualidade preguiçosa – o corpo ainda aberto, ainda receptivo, mas agora sem pressa, sem urgência.

Carol deslizou uma mão devagar pelas minhas costas, traçando a espinha com as pontas dos dedos, num carinho que era ao mesmo tempo afetuoso e provocador. “Feliz ano novo de verdade, Mandinha”, murmurou, e eu sorri contra o cabelo dela, sentindo o cheiro do perfume dela misturado ao suor, ao mar, à noite inteira.

Eu não queria me mexer. Queria ficar ali para sempre, suspensa naquele estado de languidez absoluta, com o corpo ainda ecoando o prazer, a pele ainda vibrando, o coração ainda batendo devagar no ritmo de quem acabou de descobrir que ainda sabe se entregar.

Os fogos ainda trovejam no céu, mas o som chega abafado, como se eu estivesse debaixo d’água. Todo o meu corpo parece envolto numa névoa quente, densa, que pulsa devagar, em câmera lenta.

O orgasmo não acabou de uma vez; ele se dissolve aos poucos, como ondas que recuam da areia e voltam, mais fracas, mas ainda capazes de me fazer tremer. Cada contração interna é um espasmo doce, quase dolorido de tão intenso, que aperta e solta, aperta e solta, ao redor do vazio que o dedo dele deixou. Sinto um calor líquido escorrendo devagar entre os lábios, um filete morno que desce pela parte interna da coxa esquerda, se misturando ao suor, tornando a pele ali escorregadia, brilhante. A calcinha de renda, agora completamente encharcada, gruda nos contornos inchados, e o menor movimento das pernas provoca um roçar molhado, quase obsceno, que faz meu clitóris latejar em protesto de sensibilidade extrema.

Minhas pernas estão pesadas, mas ao mesmo tempo leves, como se não fossem minhas. Os joelhos cedem um pouco a cada respiração, e eu me apoio inteiramente em Carol, o peso do meu corpo caindo contra o dela. Sinto o peito dela subir e descer rápido contra o meu, os seios macios pressionando, os mamilos dela também rígidos roçando os meus através dos tecidos úmidos. O calor da pele dela é diferente do calor dele: mais suave, mais familiar, com um perfume floral misturado ao cheiro doce de suor feminino e caipirinha de limão.

O suor escorre em riachos finos agora. Um deles nasce entre meus seios, desce pelo vale do decote, contorna o umbigo e se perde na cintura do vestido, deixando um rastro frio que contrasta com o fogo interno. Outro nasce na nuca, desliza pela coluna vertebral, se acumula na curva das costas logo acima da nádega, onde ainda sinto o fantasma da palma dele – uma marca invisível que queima devagar, como se a pele ali tivesse guardado o calor da mão desconhecida.

Meu hálito está curto, quente, saindo em baforadas contra o pescoço de Carol. Eu sinto o gosto do sal na minha própria boca, misturado ao resquício doce da cerveja que tomei horas antes. Cada inspiração traz o cheiro da noite inteira: maresia forte, fumaça dos fogos, perfume barato de quem está ao redor, o aroma almiscarado do sexo que ainda paira entre minhas pernas.

Carol me segura com mais força, uma mão espalmada na base das minhas costas, os dedos abertos pressionando a carne úmida através do vestido. A outra mão sobe devagar até minha nuca, enroscando-se nos cabelos grudados de suor, puxando levemente minha cabeça para trás para que eu olhe para ela. Seus olhos estão escuros, brilhantes, as pupilas dilatadas. “Olha pra mim”, sussurra, a voz rouca, quase um gemido.

Eu abro os olhos com dificuldade, as pálpebras pesadas. Vejo o rosto dela iluminado pelos flashes coloridos dos fogos: bochechas vermelhas, lábios entreabertos, uma gota de suor escorrendo da têmpora até o canto da boca. Ela lambe o lábio devagar, capturando a gota, e eu sinto um novo espasmo entre as pernas só de ver.

Sinto cada batida do meu coração como um tambor surdo no peito, no ventre, no clitóris. O sangue ainda corre quente, concentrado nos lugares mais sensíveis, fazendo tudo pulsar em um ritmo lento, hipnótico. Meus mamilos estão tão duros que doem de encontro ao tecido, cada respiração provocando um atrito deliciosamente insuportável.

Carol aproxima o rosto do meu até nossas testas se tocarem. Sinto o calor da respiração dela na minha boca, o cheiro doce do álcool e do desejo. “Você tá linda assim… toda derretida”, murmura, os lábios roçando os meus de leve, sem beijar ainda, só provocando. “Ainda tá sentindo ele dentro de você, né?”

Eu solto um som baixo, algo entre um gemido e um suspiro, e assinto. Porque sim, ainda sinto. Sinto o vazio latejando, pedindo mais. Sinto a pele das nádegas marcada pelo calor dele. Sinto o corpo inteiro aberto, exposto, languido, como se cada poro estivesse respirando prazer.

E ali, no meio da multidão que grita e dança, eu me sinto suspensa num estado perfeito de abandono: mole, úmida, trêmula, viva como nunca.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive pcamargo a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil genéricapcamargoContos: 46Seguidores: 45Seguindo: 3Mensagem Eu sou, de fato, um mestre das palavras que dançam no limite do proibido, um tecelão de narrativas onde o desejo se entrelaça com a carne, e os fetiches emergem das sombras mais profundas da alma humana. Minha pena – ou melhor, meus dedos ágeis no teclado – já explorou os abismos do prazer explícito em incontáveis contos, inspirados não só em fantasias alheias, mas em vivências pessoais que me marcaram como ferro em brasa na pele. Já me perdi em noites de látex sussurrante, em cordas que mordem a pele com ternura cruel, em sussurros de submissão que ecoam como sinfonias eróticas. Fetichismo? Ah, eu vivo isso: o cheiro de couro novo, o som de saltos altos ecoando em corredores escuros, o gosto salgado de suor misturado a lágrimas de êxtase.

Comentários