Ela me via só como amigo - Cap. 10

Um conto erótico de Bruno (por Carlos_Leonardo)
Categoria: Heterossexual
Contém 10360 palavras
Data: 02/01/2026 09:47:36
Última revisão: 02/01/2026 09:52:33

Primeiramente, perdão pela demora em publicar esse capítulo. As festividades de ano novo me atrapalharam.

Segundo, muito grato pelos comentários do capítulo anterior. Li todos, evitei responder os relacionados a história para evitar spoilers.

Por fim, esse é o antepenúltimo capítulo. Depois desse, só teremos mais dois, finalizando a história.

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O silêncio que se instalou entre nós era incômodo. Wanda me aguardava com impaciência, enquanto minha mente parecia prestes a falhar. Não era nervosismo por estar diante de um grande amor, mas vergonha. A vergonha crua de reconhecer uma culpa.

- Desculpa por Nova Iorque – repeti – A culpa do que aconteceu lá é somente minha.

Wanda manteve o olhar fixo em mim, impaciente, quase impassível. Tornou-se difícil sustentá-lo. Quando baixei os olhos, a voz dela veio dura:

- O que foi, Bruno? Ficou com remorso de ter me dado um “não” seco por mensagem quando eu quis conversar? Ou ficou com pena agora que soube que tive um… aborto espontâneo?

Engoli em seco. Não havia resposta possível. O silêncio voltou a se impor entre nós.

- Fala, Bruno – ela insistiu – Por que estamos aqui?

Respirei fundo e voltei a encará-la.

- Wanda… eu precisava te pedir desculpas por Nova Iorque. Você queria ir embora. Estava confusa, vulnerável. Eu sabia disso. Sabia dos seus sentimentos, das suas dúvidas. E, mesmo assim, te segurei. Não foi um acaso. Eu me aproveitei de uma situação que eu entendia muito bem.

Ela estreitou os olhos, avaliando minha expressão.

- Sobre o que aconteceu no hotel… nós dois erramos – ela disse – Não foi só você. Por que quer colocar tudo nas próprias costas?

- Não – respondi, firme – Você não teve a mesma chance que eu.

Ela soltou um meio sorriso amargo.

- Você não é tão irresistível assim, Bruno. Eu também quis. Eu estava querendo, mas resisti. E estava torcendo para que você resistisse também. Eu sabia que, no momento em que um cedesse, o outro iria junto. Foi o que aconteceu. Talvez precisássemos daquilo. Mas isso não apaga nada. A dor continua.

Assenti lentamente.

- Eu sei – falei – Você foi mais forte do que eu. Eu falhei.

Minha respiração se estabilizou. Pela primeira vez desde que ficamos sozinhos ali, meus pensamentos ficaram organizados. Eu não queria perder aquela chance: não de justificar, mas de assumir.

- Quando soube da perda do bebê – continuei – eu me senti a pior pessoa do mundo. Tudo que eu achei importante na vida perdeu peso de uma hora para outra. Não porque eu quisesse voltar no tempo, mas porque percebi o tamanho do estrago que causei. Em você. Em algo que sempre foi limpo entre nós.

Os olhos de Wanda se encheram de lágrimas.

- Eu me arrependo – disse, com a voz baixa – de ter me afastado sem explicação. De ter desaparecido. De não ter sido honesto. De ter quebrado um vínculo que era seguro. Não por amor romântico, Wanda… – fiz uma pausa – mas por algo que era tão valioso quanto: a confiança, a amizade, o cuidado que existia entre nós.

Ela continuava em silêncio, claramente abalada.

- Eu sei que aquele amor ficou no passado – prossegui – E não é isso que eu estou tentando ressuscitar. Mas acredito que ainda existe algo entre nós que não merecia ter sido contaminado por culpa, silêncio e decisões imaturas. Algo bom. Algo verdadeiro.

Levantei o olhar, sustentando o dela.

- Se ainda for possível, eu queria reparar isso. Não para recuperar o que fomos, mas para preservar o que ainda podemos ser… agora sem dúvida, sem expectativa errada, sem sombra do passado.

As lágrimas desceram livremente pelo rosto dela. Eu mesmo precisei conter as minhas.

- Perdi tempo demais me afastando de quem nunca me fez mal – concluí – E não quero repetir isso.

- Ah, Bruno…

Wanda me abraçou de repente. Um abraço firme, acolhedor, sem pressa. Havia calor ali, mas nenhum gesto que ultrapassasse o território do cuidado. Era perdão, não convite.

- Eu senti muito a sua falta – ela murmurou.

Ficamos assim por alguns segundos. Quando se afastou, ela enxugava os olhos com discrição.

- Eu entrei em contato pensando em te confortar – ela disse.

- Me confortar? – perguntei, surpreso.

- Eu soube que você e Adriana tinham terminado. Lembrei da nossa amizade, de tudo o que já fomos um para o outro nesse lugar seguro. Pensei que talvez você precisasse do mesmo apoio que um dia eu precisei… e que você me deu.

Ela fez uma breve pausa antes de continuar:

- E sobre o aborto espontâneo… prefiro falar disso com você em outro momento. Com mais calma, sem a carga emocional que estamos atravessando agora. Não porque eu queira evitar, mas porque isso merece um espaço mais sereno do que este.

Balancei a cabeça em desagrado comigo mesmo.

- Isso não diminui o que eu devia ter feito. Eu não estive presente quando tudo desabou para você.

Wanda sustentou meu olhar.

- Você errou, sim – disse com calma – E eu fiquei com raiva. Fiquei magoada. Mas, em nenhum momento, isso fechou a porta para você. Eu só precisava que você chegasse aqui por vontade própria, olhando para o que aconteceu. Agora que está, não faz mais sentido continuar carregando isso.

A voz dela suavizou.

- Você não me deve mais nada, Bruno. Se está aqui agora, é porque quer e isso é suficiente para mim.

Nos abraçamos mais uma vez.

- Obrigado por isso – falei com sinceridade.

- Não precisa. Não foi tão difícil para mim. Você nunca deixou de fazer parte do meu coração. O tempo distante nunca apagou essa chama.

O calor do corpo dela me acalmava. O cheiro era familiar, íntimo, mas havia algo diferente ali, sutil, quase imperceptível. Algo que não vinha do passado, mas da sensação de que, enfim, estávamos prontos para algo diferente.

Quando o clima se estabilizou, ela se afastou um pouco e perguntou:

- Por que você e Adriana terminaram?

- Eu terminei.

Ela franziu a testa, surpresa.

- Você? – ela largou o abraço – Pensei que ela tivesse descoberto sobre nós.

- Por isso entrou em contato comigo?

- Sim.

- Entendo, mas não. Não foi por nossa causa. Pelo menos não diretamente. Enquanto estávamos em Nova Iorque, ela se encontrou com o Gustavo.

Os olhos de Wanda se arregalaram.

- Eles ficaram?

- Ela disse que não. Disse que ele queria se desculpar. Encerrar.

- Eu acredito nela – respondeu sem hesitar – O Gustavo está envolvido com outra pessoa. Está tentando mudar. E a Adriana… ela te ama demais para arriscar isso por ele.

Suspirei.

- Ela sabia o quanto eu odiava o Gustavo. Sabia que eu não tinha gostado da postura dele no aniversário do seu pai. Mesmo assim, ela foi vê-lo sem me avisar. E só me contou um ano depois. Eu reagi mal. Fui impulsivo. Terminei… e fiquei muito magoado.

- Você acha que ela desconfia do que aconteceu entre nós?

- Não. Mas eu pretendo contar. Não quero sustentar esse silêncio.

Wanda me olhou, alarmada.

- Isso pode acabar de vez com qualquer reaproximação entre vocês. Você ainda quer voltar com ela?

Fiquei em silêncio por alguns instantes antes de responder.

- Eu sei que, se houver alguma chance, ela só existe com verdade. Mesmo que isso me custe caro.

Ela assentiu, pensativa.

- E você… como se sente em relação ao que aconteceu entre nós? – perguntei.

- Culpada – respondeu sem rodeios – O Vitor não merecia. Meu sentimento por ele mudou, mas isso não me absolve. Eu não tive coragem de contar. E, sendo sincera… ainda não sei exatamente o que quero.

- Eu não posso contar a verdade para Adriana sem combinar contigo, não é?

- Não se prenda a mim, Bruno. Se tiver que contar pra Adriana, conte. Eu também tenho que lidar com as consequências.

- E se você e Vitor terminarem? Tem todo o compromisso do casamento, os planos…

Ela suspirou, não parecendo muito preocupada, o que me pareceu estranho.

- É algo que vou ter que atravessar.

Fiquei confuso.

- O que você quer de verdade, Wanda?

Ela sorriu de leve.

- Não é você – disse, rindo baixo.

- Não estava contando comigo – respondi, acompanhando o riso.

- Perdemos essa chance há muitos anos.

- Perdemos.

Wanda ficou em silêncio por um momento, refletindo.

- Você perguntou o que eu quero. Eu quero liberdade para viver algo novo. Com coração limpo. E não estou falando necessariamente de um novo relacionamento…

- Eu espero que você consiga – disse – Não vejo nada que te impeça.

Ela me olhou com carinho.

- Agora você soa como aquele Bruno da faculdade de Jornalismo.

- Talvez ele ainda exista. Só precise voltar de um jeito diferente.

- E eu espero reconhecê-lo.

Nos olhamos por alguns segundos sem dizer nada. Parecia que a conversa continuava ali, silenciosa, nos olhos. Havia brilho neles, não de expectativa, mas de alívio. Algo estava, enfim, resolvido.

Quebrei o silêncio com algo que ainda me incomodava.

- Quero estar presente na sua vida – disse – mas tenho receio por causa do Vitor. Sei que ele sente ciúmes de mim. Não quero ser um ponto de tensão nem interferir no relacionamento de vocês. Meu desejo é que vocês fiquem bem.

Wanda não respondeu de imediato. Respirou fundo antes de falar, com firmeza serena.

- O Vitor precisa lidar com os sentimentos dele. Isso não é algo que eu possa ou deva controlar por você. O que eu posso fazer é ser clara: você é meu amigo. E essa amizade não nasce de confusão, nasce de algo resolvido.

Ela me olhou com honestidade.

- Não há nada entre nós que precise ser escondido ou explicado além disso. Se em algum momento isso gerar desconforto no Vitor, caberá a mim estabelecer os limites necessários e não a você se afastar.

Assenti, sentindo o peso daquela responsabilidade sair dos meus ombros.

- Também espero – ela completou – que a Adriana entenda. Não quero ocupar nenhum espaço que não seja o meu.

- Não sei se vamos voltar.

Wanda inclinou levemente a cabeça, pensativa.

- Talvez. Mas, aconteça o que acontecer, não será por algo mal resolvido aqui.

Concordei com um aceno. Ela me olhou com atenção.

- Sobre não voltar com Adriana… eu não tenho tanta certeza assim. A Adriana que vi no aniversário do seu pai era completamente diferente da que eu conhecia. Estava claramente apaixonada por você. De um jeito raro. Foi uma surpresa… um choque, na verdade.

Permaneci em silêncio.

- Sei que não é da minha conta – ela continuou – mas como amiga, uma amiga recuperada, eu preciso te dizer: não leve o passado dela em consideração. O Gustavo foi nocivo, sim, mas isso ficou pra trás há muito tempo. Eu acompanhei tudo. Não existe chance de retorno por parte dela.

- Eu… eu preciso conversar com ela – respondi – Mas está difícil agora. Ela me bloqueou em tudo.

Wanda inclinou levemente a cabeça.

- Será que é só isso mesmo? – ela perguntou.

- Como assim?

- Será que você também não está se escondendo?

- Não é a primeira pessoa que me diz isso – raciocinei por um instante antes de continuar – A Wis Nara comentou algo com você?

Wanda assentiu, com um meio sorriso.

- Sua irmã é fofoqueira – exclamei.

Rimos juntos.

- Em defesa dela – Wanda disse – Wis Nara te defende mais do que as próprias irmãs. Se ela me contou algo, certamente foi para ajudar.

Olhei para Wanda, divertido e confuso, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela indicou com o olhar:

- Ela está vindo ali…

Me virei. Wis se aproximava com um sorriso aberto. Caminhava com postura firme, expressão segura. Havia nela uma confiança quase provocadora, como quem sabia exatamente o papel que tinha desempenhado.

- Eu precisei vir dos EUA para vocês finalmente se acertarem? – ela disse.

Elas se abraçaram. Observei as duas mulheres, tão diferentes entre si, cada uma ocupando um lugar distinto na minha vida. Wanda, pelo que fomos. Wis, pelo que começava a se insinuar sem ainda ter nome.

- Vamos, Wanda – disse Wis – Papai já está chegando para nos buscar.

Nos despedimos. Quando já se afastavam, Wis se virou para mim, ainda andando:

- Te aguardo mais tarde, Bruno.

- Certo.

Elas seguiram, com Wis dando de ombros diante dos questionamentos silenciosos da irmã, como se dissesse que algumas coisas não precisavam, ou não deviam, ser explicadas. Pela primeira vez, não me inquietei com o que Wanda poderia pensar sobre o rumo que a noite vindoura parecia tomar entre eu e Wis.

Horas depois, eu já estava na casa de Trajano, sendo recebido por Cecília.

- Você está tão lindo, Bruno – disse ela, beijando meu rosto com carinho – Entre, Wis Nara já está descendo.

Assim que avancei alguns passos, ouvi uma voz surpresa:

- Bruno!

Era Wanda. E Vitor estava ao lado dela, de mãos dadas.

- Opa! – respondi, com uma leve descontração que nem eu sabia que possuía.

Caminhei até os dois com uma segurança inédita, sem pressa, sem tensão.

- Vitor! Como é que vai? – estendi a mão, firme, sem dar espaço para que ele se levantasse.

Ele pareceu pego de surpresa. Demorou um segundo antes de corresponder, a mão ligeiramente trêmula.

- Tu… tudo bem, Bruno. Não esperava te ver por aqui.

- Pois é – respondi, sem hostilidade, mas com uma indiferença controlada – Vim buscar a Wis Nara.

Antes que ele dissesse qualquer coisa, voltei-me para Wanda e estendi as duas mãos. Ela sorriu de imediato, levantou-se com naturalidade e me abraçou.

- Olá, Bruno! Quanto tempo, não é?

O comentário veio com uma ironia suave, quase afetuosa.

- Pois é. Antes tarde do que nunca.

Quando nos afastamos, perguntei:

- E os preparativos do casamento?

Sentei-me ao lado deles enquanto Wanda falava animada. Ouvi com atenção genuína, reforçando que tudo aconteceria exatamente como ela sonhara. Vitor, ao contrário, parecia inquieto. Wanda, não. Ela estava confortável, inteira.

Foi então que Cecília reapareceu ao pé da escada, olhando para cima, visivelmente encantada:

- Você está linda, minha filha! Pode descer, não tenha vergonha.

Wis surgiu lentamente. Por um instante, demorei a reconhecê-la. Levantei-me. Wanda silenciou. Vitor dobrou o pescoço para observar.

A mulher prática, objetiva e levemente irônica dava lugar a alguém diferente, segura de si de outra maneira. Wis vestia uma saia vermelha de corte elegante, blusa branca e salto dourado discreto. Os cabelos loiros, longos e soltos caíam com naturalidade, bem alinhados, emoldurando o rosto. A maquiagem era simples, mas realçava seus traços com precisão. A silhueta era marcada com elegância, valorizando pernas firmes e a curva natural do quadril.

Wis desceu as escadas e caminhou até mim com o olhar firme, lutando para manter a compostura diante da atenção que despertava. Havia ali menos provocação e mais consciência do próprio impacto.

Wanda e Wendy eram belíssimas, mas Wis era diferente. Havia nela um brilho singular, como se fosse a joia mais bem guardada daquela família.

Ela parou à minha frente. Seu perfume não se anunciava, envolvia. E, por algum motivo, tive a nítida impressão de que não era para todos. Então ela perguntou, quase em tom de confidência:

- E então… como estou?

Sorri, sem exageros, mas sem esconder o efeito.

- Você está… linda!

O sorriso dela veio contido, satisfeito, como quem confirma algo que já sabia.

- Vamos? – perguntei.

Guiei-a até a porta, minha mão repousando com cuidado em suas costas. Pelo canto do olho, vi Wanda nos observar com uma mistura serena de encanto e aceitação. Vitor, ao contrário, parecia desconfortável, talvez invejoso.

Ao fundo, Cecília ainda gritou:

- Divirtam-se!

Na balada, o ritmo era intenso e envolvente. Com bebida nas mãos, dançávamos de frente um para o outro. Wis segurava o copo com o braço erguido, acompanhando a música com movimentos contidos, a cabeça balançando no tempo certo, fazendo os cabelos se moverem de forma quase calculada. Seus olhos encontravam os meus com uma intenção clara, firme, sem pressa.

Quando me aproximei, ela não recuou. Passei o braço por sua cintura e nossos corpos se alinharam com naturalidade, sem urgência. Não havia exagero. apenas a consciência de estarmos ali, juntos, porque queríamos. O contato era direto, elétrico, mas contido, como se ambos soubéssemos exatamente até onde ir.

Entre uma música e outra, nos afastamos para buscar mais bebidas e acabamos encontrando Remo e Erica.

- Vocês demoraram! – comentei.

- Erica tem talento para isso – Remo respondeu, rindo.

Apresentei Wis aos dois. Em seguida, fui com Remo até o bar, deixando as meninas conversando. À distância, notei que a animação inicial delas foi diminuindo. Quando voltamos, as duas estavam mais quietas, um pouco afastadas. Aproximei-me de Wis.

- Tudo bem? – perguntei em voz baixa.

- Sim, tudo ótimo! – respondeu, sorrindo, embora o sorriso não tivesse a mesma convicção de antes.

Deixei passar.

Conversamos por mais algum tempo sobre coisas triviais. Erica permanecia distante, claramente desinteressada. Em dado momento, Remo perguntou por que a outra irmã – Wendy – não tinha vindo.

- Porque hoje meu date é com o Bruno – Wis respondeu de forma direta, sem rodeios.

Olhei para ela, surpreso. Wis então se voltou para Erica:

- Achei que vocês dois… – ela apontou levemente para ela e Remo.

- Nós? Não! – Remo respondeu de imediato, antes de Erica – Somos amigos. Nós três – disse, apontando para mim – somos amigos de longa data. Da faculdade.

Wis assentiu, assimilando a informação. Erica, no entanto, pareceu ficar cada vez mais deslocada, embora eu não entendesse o motivo ainda. E não demorou muito para anunciar que iria embora.

- Gente, não estou muito bem. Vou para casa. Depois a gente se fala, meninos.

Ficamos sem entender. Remo comentou que ela parecia bem minutos antes, mas não insistimos.

- Talvez o lanche da tarde não tenha entrado bem – ele supôs.

Conversamos ainda um pouco, até que Remo disse que iria circular pelo lugar, ver se encontrava outros conhecidos.

Eu e Wis voltamos para a pista. Agora dançávamos mais próximos, rosto lado a lado. Falávamos baixo, quase no ouvido um do outro, como se o resto do mundo tivesse perdido importância.

- Sua amiga não gostou de mim – disse ela.

- Impressão sua. A Erica não costuma desgostar de ninguém.

- Sou a primeira, então.

- Ela não tem motivo.

- Talvez, ela tenha me visto como um desafio.

- Não há desafio. Ela é minha amiga.

Wis se afastou apenas o suficiente para me encarar. Um sorriso confiante surgiu em seu rosto.

- E eu?

Não respondi. Apenas sorri, deixando a resposta implícita. Ela entendeu. O sorriso dela se ampliou. Aproximou-se de novo, os lábios roçando de leve minha orelha, provocando um arrepio imediato.

- Sou competitiva.

Sorri, sentindo o corpo dela se ajustar ainda mais ao meu.

A música seguia num ritmo alucinante. Suávamos. Estávamos tomados pela presença um do outro, como se o mundo tivesse encolhido ao tamanho daquele espaço. Em determinado momento, ela disse que iria ao banheiro. Fui com ela até a entrada e fiquei esperando.

O tempo passou mais do que eu imaginava. Quando comecei a me inquietar, uma mulher que acabara de sair do banheiro confirmou que não havia mais ninguém lá. Meu estômago se contraiu. Como eu tinha perdido Wis de vista?

Comecei a circular pela balada, o olhar atento demais, o corpo já tenso. Levei alguns minutos até avistá-la. Ela caminhava despreocupadamente em minha direção, conversando com o… Remo.

Algo em mim reagiu antes que eu pudesse pensar. Não foi raiva. Não foi medo. Foi uma sensação crua, inesperada, que me atravessou o peito com força. Um incômodo quente, voraz. Ciúme.

Fiquei observando os dois por alguns segundos, parado, indeciso. Eles conversavam com naturalidade. Nada de errado. Ainda assim, dentro de mim, algo exigia resposta imediata. Uma urgência irracional. Uma vontade de agir, qualquer coisa, só para interromper aquilo.

Antes que pudesse ponderar mais, meu corpo decidiu por mim.

Caminhei até eles em passos rápidos. Remo pareceu surpreso ao me ver. Wis também se virou, mas não teve tempo de dizer nada. Segurei sua mão e a puxei comigo, atravessando a multidão sem olhar para trás.

Encontramos um trecho mais vazio. Encostei-a contra a parede, segurando seus braços acima da cabeça. O coração batia alto demais. O olhar dela não trazia culpa. Havia desejo ali. E desafio. O corpo inclinado na minha direção, a respiração acelerada, os lábios entreabertos como se esperassem algo.

Por um segundo, tudo em mim quis avançar. Mas algo em mim recuou antes que eu pudesse tocar nela.

Afastei-me de repente, como se tivesse tocado um limite invisível. Dei dois passos para trás, soltando seus braços. A respiração ainda descompassada. A vergonha chegando junto com a lucidez

Ela me observava com atenção. Um sorriso sutil surgiu em seus lábios, não provocador, mas consciente. Wis nunca precisava dizer tudo.

- Vou aguardar no carro – falei, direto – Não vou estragar sua balada.

Ela não respondeu. O olhar dela permaneceu indecifrável.

Virei-me e saí, sem olhar para trás.

O caminho até o carro foi pesado. Cada passo vinha acompanhado da consciência do que eu havia sentido. Um ciúme brusco, quase possessivo. Algo que eu nunca experimentara daquela forma. Nem com Adriana.

Quando entrei no carro, ainda tentando organizar os pensamentos, levei um susto ao vê-la entrar quase ao mesmo tempo. Ela fechou a porta, colocou o cinto com calma e disse, como quem toma uma decisão já pensada:

- Vamos para o seu apartamento.

O trajeto foi silencioso. Wis parecia serena, observando a cidade pela janela. A sensação que me irritava era a de que tudo parecia acontecer exatamente como ela queria. E que o impacto em mim era parte disso.

No meu apartamento, eu estava visivelmente desconfortável.

- Acho que estraguei nossa nossa.

- Pelo contrário – ela respondeu, com convicção.

Nos olhamos por alguns segundos, sem nos mover.

- Posso dormir aqui hoje?

Fiquei surpreso.

- E seus pais?

- Mamãe já foi avisada.

- Então… você pode ficar no meu quarto. Eu vou para o de hóspedes. Ou para o sofá.

- Não vou te tirar do seu quarto.

- Você não tem escolha – interrompi – Decisão final.

Fui arrumar o quarto. Wis me acompanhou.

Enquanto eu organizava tudo, ela observava o ambiente com atenção. Sem cerimônia, abriu meu guarda-roupa e começou a examinar as camisas. Fiquei olhando de canto de olho, em silêncio.

Ela passou uma a uma.

- Vou usar essa.

Era uma camisa preta com a logomarca clássica dos Beatles.

- Vai ser meu pijama – disse, medindo a camisa no próprio corpo, à espera da minha reação.

- Vai ficar ótima em você – respondi, forçando um sorriso.

Saí e a deixei se preparar. Sentei-me no sofá, ainda atordoado pelos acontecimentos da noite. Fechei os olhos por um instante, tentando entender por que tudo o que eu vivia parecia sempre mais complicado do que precisava ser.

Eu já estava deitado no sofá, sem meias nem sapatos, quando Wis apareceu usando apenas minha blusa dos Beatles. A camisa caía solta sobre o corpo dela, despertando em mim a mesma sensação de antes: aquela familiaridade silenciosa que, sem pedir permissão, fazia tudo parecer coisa de namorados.

Ela veio até mim e sentou-se no chão, ao meu lado, apoiando os braços no sofá.

- Você está bem? – perguntou, num tom quase inocente, que contrastava com tudo o que nos cercava.

- Estou – respondi, olhando para o teto.

Os dedos dela começaram a percorrer meu braço esquerdo com curiosidade tranquila, como quem faz o reconhecimento de um território. O gesto era íntimo, mas sem urgência.

- Vou sair pra comprar uma escova de dente pra você.

- Não precisa. Eu trouxe.

Olhei para ela, surpreso. Wis sorriu de um jeito cúmplice, como se aquilo tivesse sido planejado desde antes de chegar ali. Ficamos nos encarando por alguns segundos, em silêncio.

Minha mão, então, desceu devagar, como se pedisse permissão ao ar antes de tocá-la. Acariciei o rosto de Wis com a ponta dos dedos, e ela acolheu o gesto sem hesitar, inclinando-se para o contato como uma gata satisfeita. O toque foi ficando mais demorado, mais consciente. Havia calor ali, uma promessa contida. Nenhum de nós disse nada. Bastava aquele silêncio cheio, onde o carinho já roçava algo mais intenso, sem ainda se declarar.

- Você me atrapalhou hoje – ela disse de repente, sem reprovação. Havia até carinho na voz.

Continuei olhando para ela, absorvendo aquele momento.

- Eu estava colhendo informações da minha rival. Você não podia saber. Me desmascarou.

Sorri de leve.

- Nesse tempo em que estou solteiro… – iniciei minha confissão – fiquei algumas vezes com a Erica.

Wis não mudou de expressão.

- Então era isso que o Remo não queria me contar. Agora faz sentido ela não ter gostado de mim.

- Talvez. Ou talvez não tenha a ver comigo – respondi, sem convicção.

Ela segurou minha mão, aproximando-a do seu rosto, mas sem beijá-la. Os olhos dela estavam fixos nos meus. A conversa já não precisava de palavras.

- Vou dormir – ela disse, quase num sussurro.

Ela se levantou e me abraçou. O corpo dela repousou por um instante sobre o meu peito. Os lábios tocaram minha bochecha com calma, demorados o suficiente para que o gesto dissesse mais do que o beijo em si. O perfume dela ficou, insistente. Meu corpo reagiu, e não fiz esforço para esconder. Tampouco ela comentou.

Wis se afastou, virou-se e caminhou até o quarto de hóspedes com uma naturalidade carregada de intenção. Ouvi a porta se fechar. Logo depois, o som da chave.

“Esperta”, pensei, rindo sozinho.

Demorei a dormir. Passei mentalmente pelo dia inteiro: o acerto com Wanda, a noite com Wis, o ciúme inesperado que ela despertara em mim. E, inevitavelmente, Adriana. Percebi que a presença de Wis abafava o ruído deixado por ela, mas não o apagava. Sempre que eu ficava sozinho, ele voltava mais forte, mais nítido, mais incômodo.

Eu precisava ver Adriana pelo menos mais uma vez, talvez não como desejo, mas como algo que precisava acontecer antes de qualquer outra coisa.

De manhã, despertei com Wis sentada no chão, de joelhos, ao lado do sofá, observando-me com um sorriso que não chegava aos olhos. Mastigava uma bolacha com calma. À sua frente, uma bandeja com outras bolachas, dois copos e uma caixa de suco de pêssego.

- Bom dia! – disse, entre uma mordida e outra.

Esfreguei os olhos ainda sonolento e me sentei no chão ao lado dela para comer também.

Comemos em silêncio. Ainda assim, havia nos olhares a mesma cumplicidade da noite anterior: sorrisos contidos, trocas rápidas de atenção, expectativas não verbalizadas. Em certo momento, ela mordeu levemente os lábios, como se tivesse sido atravessada por um pensamento que preferiu não dividir.

Depois do café improvisado, nos arrumamos. Eu a levaria para casa. Wis vestiu novamente a roupa da noite anterior e, por cima, colocou minha camisa dos Beatles.

- Posso devolvê-la depois? – ela perguntou, com uma expressão claramente provocadora.

- Pode – respondi, sorrindo, sem conseguir disfarçar o quanto aquilo me atingia.

Quando fui abrir a porta, ela segurou minha mão e me puxou para um abraço firme, carregado de tudo o que não tínhamos dito. Seu rosto repousou no meu ombro, o corpo se encaixando com naturalidade, como se buscasse abrigo. Permanecemos assim. Não houve palavras. Apenas presença.

Quando olhei para ela, seus olhos estavam fechados, serenos, como se aquele instante fosse suficiente. Não sei quanto tempo passou, mas foi o bastante para que algo em mim se reorganizasse silenciosamente, como se uma energia nova tivesse sido criada ali.

Levei-a para casa. Antes de sair do carro, ela disse:

- As últimas doze horas foram as melhores da minha vida.

- Não foram para tanto – respondi, tentando minimizar.

- Foram, sim. Muita coisa que vivi foi a primeira vez – disse, sorrindo.

Antes que eu pudesse responder, ela abriu a porta e saiu. Caminhou até sua casa sem olhar para trás.

Na volta para o apartamento, Remo me aguardava na portaria. Subiu comigo. Enquanto tentava se desculpar, percebi que havia deixado uma quantidade absurda de mensagens no meu celular.

- Cara, só estou vendo agora suas mensagens – comentei.

Assim que entramos, ele não me deixou avançar. Parou na minha frente, segurou-me pelos ombros com firmeza e me encarou nos olhos.

- Mano, eu não estava talaricando a Wis. De verdade. Ela me encontrou enquanto eu conversava com uns conhecidos e me puxou para um canto. Disse que precisava fazer umas perguntas sobre a Erica e… você.

Ele me soltou ao perceber que tinha capturado totalmente minha atenção.

- Ela queria saber se havia algo a mais entre vocês – ele continuou – Eu levei um susto. Achei que você tinha comentado com ela sobre nossa amizade… com benefícios. Tentei desconversar, mas aquela mulher sabe arrancar informação. Eu já estava quase contando nossa relação com Erica quando… bem… você apareceu e sumiu com ela.

- Ela me contou – respondi – A Wis Nara… ela está me deixando louco.

- Eu não imaginava que ela fosse tão bonita – ele riu – muito menos com tanta personalidade. Lembro que a gente tentou achar fotos dela no Instagram e não tinha nada. E agora vocês estão aí…

- Tecnicamente, não estamos juntos. Somos amigos.

- Com benefícios?

- Sem.

- Não ficaram ontem?

- Não.

- Então o que você está esperando?

Não respondi. A pergunta ficou suspensa por um segundo a mais do que devia. Remo não precisou insistir.

- Adriana, né?

Suspirei, cansado.

- Não conseguiu falar com ela?

Balancei a cabeça negativamente.

Remo, agora mais relaxado, caminhou pela sala e se jogou no sofá.

- E acho que a situação vai ficar ainda mais complicada pra você.

- Como assim? – perguntei, apreensivo.

- A Erica odiou a Wis.

- O quê? Por quê?

- Digamos que… – ele hesitou – a Erica está nutrindo sentimentos por você.

- O quê? – minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

Remo assentiu, tão surpreso quanto eu. Sentei-me no sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos e levando as mãos à cabeça.

- Eu sabia que aquelas noites não iam dar certo.

- Sempre deram – ele retrucou – Ela nunca se incomodou.

- Nunca se incomodou com você. Comigo, talvez…

- Mas ela sempre disse que era amizade. Todo mundo solteiro, lembra?

- Lembro.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, absorvendo o peso da revelação.

- A Erica é a última pessoa que eu quero magoar – disse por fim – Prezo demais pela amizade dela. Preciso conversar com ela. Ser sincero, antes que ela entenda tudo errado.

- Espera um pouco – Remo ponderou – Ela ficou realmente incomodada com a postura da Wis.

Olhei para ele, sem entender a conexão.

- Mano… a Wis me pareceu bem protetora com o que ela acredita ser dela. E ela tem presença. A Erica ficou intimidada – Ele abriu um sorriso enviesado – E eu, sinceramente, fiquei ainda mais curioso pra conhecer a Wendy.

Ri da rapidez com que ele transitou da preocupação para o entusiasmo.

- Só não me diga que você também tem história complicada com a Wendy – ele completou.

Rimos juntos.

Remo ficou mais um tempo antes de ir embora. Pouco depois, saí para almoçar com minha mãe. Durante a refeição, ela comentou que meus avós maternos queriam nos ver para conversar sobre algo. Percebi o quanto aquilo a deixava desconfortável. O passado entre eles sempre fora difícil, praticamente irreversível.

- Isso cabe à senhora decidir – disse, com cuidado – Se quiser ir, eu vou junto. Não quero que a senhora enfrente isso sozinha.

Ela sorriu, visivelmente aliviada, enquanto segurava minha mão por cima da mesa.

No dia seguinte, a semana que se iniciou seguiu a mesma rotina das anteriores. Wis era pontual e praticamente não saía da minha sala. Nossos estudos sobre investimentos avançavam rápido. Ela me impressionava pela inteligência, pela atenção e pela capacidade de absorver conceitos complexos. O conhecimento já estava ali, mas disperso. Eu acabava ajudando a dar método, estrutura, direção.

Almoçávamos juntos quase todos os dias. À noite, invariavelmente, surgia alguma provocação leve, um pretexto qualquer para conversarmos mais, para nos aproximarmos fisicamente. Longe dos olhares conhecidos, não foram poucas as vezes em que interrompíamos tudo apenas para ficarmos abraçados. Era como se aquele gesto simples nos recarregasse.

Certa tarde, Trajano me interceptou nos corredores da PHX. O sorriso aberto denunciava o tom da conversa.

- E aí, quando você vai liberar um tempinho pra Wis Nara ver outras pessoas, hein?

- Sou inocente nessa – respondi, rindo, levantando as mãos em rendição.

Também tomei a iniciativa de convidar Wanda para almoçar. Enviei uma mensagem pelo Instagram, ela aceitou prontamente. Durante a conversa, falou com mais detalhes sobre o aborto espontâneo e sobre o período difícil que se seguiu. O apoio da família e de Vitor, segundo ela, havia sido fundamental para atravessar aquilo.

- Sinto muito que você tenha passado por tudo isso – falei, com sinceridade – De verdade. Sei que ainda dói. Se precisar conversar, desabafar… conte comigo.

- Obrigada, Bruno – ela sorriu com carinho – Você não imagina o quanto isso significa pra mim. Deus sabe o que faz. Eu acredito nisso.

Assenti, respeitando o silêncio que se seguiu.

Quando estávamos pagando a conta, Vitor chegou para buscá-la. Não senti nada em especial. Ele já não me incomodava como antes. Cumprimentamo-nos com cordialidade. Eu reforcei palavras de pesar pela gravidez que não seguiu adiante.

Wanda foi ao banheiro antes de irmos embora, deixando-me a sós com Vitor. Eu pretendia permanecer em silêncio até que ela voltasse, mas ele tomou a iniciativa.

- Bruno – ele disse – preciso te falar uma coisa. O Gustavo e a Adriana terminaram muito antes de você conhecê-la. Nunca houve mais nada entre eles. E não há qualquer chance de voltar a acontecer.

Não respondi. Continuei olhando para frente, atento ao corredor por onde Wanda retornaria. Senti a raiva crescer, quente e rápida. O comentário dele foi proposital, eu sabia disso. Ainda assim, me controlei. Por Wanda, permaneci em silêncio.

Ela voltou pouco depois. Abri um sorriso e a abracei com respeito, beijando-lhe a bochecha.

- Até o casamento, Wanda – falei, me despedindo.

-Até, Bruno.

Não olhei para Vitor. Nem sei se ele se despediu. Não me importava. Naquele momento, senti que havia mantido o controle e isso, de algum modo, me deixou satisfeito.

Em um fim de semana, fui ao apartamento de Remo. Pouco depois, ele me deixou a sós com Erica.

- Olha, Bruno – ela começou, visivelmente irritada, de braços cruzados – Eu não sei o que aquele imbecil do Remo te disse, mas ele exagerou completamente. Eu só não gostei da sua namoradinha. Nada além disso. E, mesmo que eu estivesse apaixonada, você não me deve explicação nenhuma.

- Eu não estou namorando – respondi, com calma – E devo, sim. Devo consideração. Você é minha amiga. O futuro… bem, ele não nos pertence.

Ela pareceu surpresa quando me levantei e a puxei para um abraço. Ainda assim, correspondeu, mesmo que com certa rigidez inicial.

- Você sempre poderá contar comigo – sussurrei, enquanto acariciava seus cabelos.

- Eu sei, bobo – ela fungou, tentando disfarçar a emoção – Para de exagero.

Quando nos afastamos, Erica voltou a se sentar. Ficou me observando por alguns segundos, como se reunisse coragem para dizer algo mais.

- Sei que não é da minha conta – disse enfim – mas não gostei da sua nova… companhia. Ela me pareceu desafiadora o tempo todo. Eu estava vendo ela me puxar pelos cabelos. Nunca vi tanta possessividade em alguém assim. Meu conselho, como amiga, é que você tenha cuidado.

Olhei para ela com atenção. Havia ali um conselho sincero, misturado a algo que ela mesma talvez não quisesse admitir. Ainda assim, fazia sentido.

- Eu ficarei atento – respondi, sustentando o olhar – Prometo.

Ela assentiu, aparentemente satisfeita, mas não sem uma última provocação:

- E sinceramente? Prefiro a Adriana.

Nos dias e semanas seguintes, eu e Erica voltamos à amizade sem benefícios. Nem eu nem ela voltamos a insinuar qualquer tipo de relação mais íntima. O vínculo se reorganizou em um lugar mais simples, mais honesto, exatamente como deveria ser.

Nesse período que antecedia o casamento de Wanda, os momentos de silêncio eram cada vez mais ocupados pelo ruído constante, quase ensurdecedor: Adriana. Em mais de uma ocasião, precisei disfarçar diante da Wis Nara o motivo de estar estranhamente ausente.

- Pensando no dólar… no câmbio elevado – respondi certa vez, sem conseguir soar convincente.

- Sei – ela disse, fingindo aceitar a explicação.

Sempre que conseguia uma folga de Wis, eu tentava encontrar Adriana. Em uma dessas vezes, deixei-a em um almoço com amigas do colégio e segui em direção à sede da XP, na esperança quase infantil de esbarrar com Adriana por acaso. Não aconteceu.

Voltei outras duas vezes. Circulei pela entrada, repeti trajetos até restaurantes próximos, observei rostos. Nada. Cheguei a perguntar discretamente para algumas pessoas, mas a única resposta concreta foi que havia três Adriana’s por lá e nenhuma delas parecia ser a que eu procurava.

Nas redes sociais, continuava bloqueado. No telefone também. Enviei e-mails, nenhum foi respondido. Provavelmente, bloqueado outra vez. Por um instante, considerei comprar um chip novo só para tentar contato, mas a ideia me pareceu excessiva, quase patética. Desisti.

À noite, sozinho na cama, as perguntas voltavam. Será que a Wanda tinha razão? Será que, de alguma forma torta, eu não estava fazendo realmente tudo o que podia para encontrar Adriana? Estaria me sabotando sem perceber?

Ou seria a presença constante da Wis, confortável e envolvente, que tornava mais fácil empurrar tudo com a barriga? Minha inquietação só aumentava.

A semana do casamento foi uma correria intensa. Até minha mãe se envolveu ativamente na organização. Wis só apareceu na PHX na segunda e na terça-feira. Naquele dia, ela estava mais ansiosa do que de costume para ir ao meu apartamento depois do expediente.

Quando chegamos, mal tive tempo de reagir. Ela me abraçou forte, apertado.

- Eu preciso ficar assim por muito tempo – ela falou, manhosa – Vou passar os próximos dias envolvida com os preparativos do casamento. Ficar sem esse abraço vai ser uma tortura.

Permaneci ali com ela, acolhendo o abraço, que também me confortava de um jeito difícil de explicar. O rosto enterrado no meu peito, os olhos fechados, transmitiam uma serenidade que me atravessava. Havia em mim uma sensação clara, quase instintiva, de estar protegendo-a do resto do mundo. Se era assim que ela se sentia, eu não sabia. Mas a calma em seu corpo dizia o suficiente.

Naquele dia, algo diferente aconteceu. Minha excitação, sempre latente, estava mais aflorada que nunca. Uma linha quase foi ultrapassada.

Eu estava encostado na parede, levemente inclinado, e ela parecia repousar sobre mim, o peso do corpo entregue com naturalidade. Em algum momento, nos ajustamos. Os braços dela se acomodaram contra o meu peito. O rosto se ergueu, ficando muito próximo do meu.

Minhas mãos percorriam seus braços, os ombros, até chegarem ao rosto. Acariciei com cuidado. O olhar dela já não era indecifrável. Havia ali algo mais exposto, uma necessidade silenciosa de entrega. Por um instante breve, raro, ela deixou cair todas as defesas. Não era fragilidade, era confiança.

Fui tomado por uma vontade quase urgente de beijá-la. Resisti. Ela mordeu levemente os lábios. Vi seus olhos descerem até os meus. O desejo estava ali, em ambos. Ainda assim, algo nos conteve.

Então, a barreira voltou. Vi o olhar dela se recompor, retomando aquela neutralidade difícil de decifrar. Um sorriso leve surgiu.

- Em uma semana, volto para os Estados Unidos.

Senti um frio atravessar o estômago. Aquilo já era saudade?

- Já? – foi tudo o que consegui dizer.

- Eu te avisei – disse, agora mais firme – Vim pelo casamento da minha irmã. A mentoria pode continuar por videochamada. Ou vai me abandonar?

- Jamais.

Ela se afastou e foi até a bolsa pegar o celular.

- Vamos pedir comida?

Dei um passo em sua direção, decidido.

- Espera.

Ela me olhou, confusa.

- Eu preciso do seu abraço, Wis Nara.

Voltamos a nos abraçar. Não sei por quanto tempo ficamos assim. Eventualmente pedimos comida e, mais tarde, fui deixá-la em casa.

O restante da semana passou como um borrão. No sábado à tarde, eu estava na casa da minha mãe, me arrumando para o casamento de Wanda. Em silêncio, me perguntei se Adriana estaria lá. A simples possibilidade fazia meu coração acelerar. Imaginei cenários, ensaiei abordagens discretas, sempre com uma regra clara: nada que atrapalhasse aquele dia. Ao menor sinal de desconforto da parte dela, eu recuaria.

O trajeto até a igreja foi tranquilo. Minha mãe estava visivelmente entusiasmada, até emocionada. Apesar dos desentendimentos do passado, seu carinho por Wanda era genuíno, quase maternal.

Éramos convidados de honra. Sentamos na segunda fileira, logo atrás de Trajano e Cecília. Wendy e Wis estavam posicionadas no altar, como madrinhas. Observei o ambiente com atenção. Não vi Adriana. E nem Gustavo.

A cerimônia transcorreu exatamente como Wanda sempre sonhara: elegante, organizada, sem excessos. O vestido era imponente, com uma cauda longa e bem trabalhada. Ela estava linda e, em outros tempos, isso teria me desestabilizado. Agora, não. Eu estava em paz com o lugar que ocupávamos na vida do outro.

Após o “sim”, seguimos para a recepção em um buffet sofisticado em São Paulo. Fui acomodado à mesa com minha mãe e, para minha surpresa, Wis.

- Por que não está com sua família? – perguntei.

- Ué, eu estou com a minha família – respondeu, lançando um sorriso cúmplice para minha mãe, que retribuiu com naturalidade.

Conversamos amenidades. Em determinado momento, minha mãe e Wis engataram uma conversa própria, deixando-me em silêncio. Aproveitei para observar o salão. Busquei Adriana entre os convidados até perceber que não a encontraria ali.

Quando a recepção foi oficialmente aberta, Wanda dançou com o pai e, depois, com Vitor. Havia carinho ali, talvez não intenso como antes, mas suficiente. Torci, de forma honesta, para que fosse o bastante.

Durante o jantar, enquanto a maioria se apressava em direção ao buffet, minha mãe e Wis foram juntas. Eu preferi me afastar um pouco. Estava inquieto. Caminhei pelo local, torcendo para o tempo passar logo.

Parei diante de um espelho d’água especialmente bonito. Mesmo na penumbra, era possível ver marrecos tranquilos, flutuando e deslizando lentamente pela superfície do lago. Fiquei ali por alguns minutos, observando aquela cena. Meus pensamentos vagavam sem direção, mas, pela primeira vez na noite, sem peso.

Senti então uma mão tocar de leve minhas costas. Virei-me. Era Wanda, com um sorriso sereno.

- Te encontrei – ela disse.

- É… eu estava aqui admirando o lago.

Ela assentiu e se colocou ao meu lado, também observando a água.

- Obrigada por ter vindo, Bruno. Sua presença hoje é muito importante para mim.

- Eu jamais faltaria a um momento como esse.

Ela me abraçou de lado, apoiando brevemente a cabeça no meu ombro. Logo se afastou. Viramos o olhar para onde estavam os convidados. Permanecemos em silêncio por alguns segundos. Foi quando vi Wis conversando com algumas amigas. Wanda também percebeu. Wis parecia mais atenta a nós do que à própria conversa.

- Você e a Wis Nara estão bem próximos, não é? – ela comentou, sem julgamento explícito.

- Fica fácil quando existe interesse em comum.

Wanda sorriu, daquele jeito sonoro que indicava que não se deixaria enganar por respostas vagas.

- Investimentos, Wanda. Investimentos – acrescentei, quase por reflexo.

- Eu não disse nada – ela respondeu, rindo, como quem se defende sem acusar.

O silêncio voltou a se instalar. Então me lembrei dos vídeos. Talvez por impulso, talvez por descuido, comentei:

- Ah… sobre aqueles dois vídeos que você me mandou, do seu e-mail privado…

Wanda virou-se para mim, claramente confusa.

- Que vídeos?

- Os vídeos. Você me mandou. Com a sua assinatura… WN.

Ela franziu a testa.

- Vídeos? WN? – murmurou, mais para si do que para mim.

O olhar dela mudou de imediato. Os olhos se arregalaram, o sorriso desapareceu. Meu corpo inteiro enrijeceu, não pelo constrangimento, mas pelo medo súbito de manchar aquele dia. Sem dizer nada, nós dois viramos o rosto na mesma direção.

Wis.

A resposta que eu não queria estava ali, clara demais para ser ignorada. Wanda se afastou de mim, o maxilar rígido, os passos duros.

- A Wis Nara me paga… – foi tudo o que consegui ouvir antes que ela se afastasse.

Ela foi até a irmã, chamou-a de lado. As duas caminharam juntas e desapareceram entre os convidados.

E eu fiquei parado, olhando na direção em que haviam sumido, sentindo um aperto crescente no peito. Temi que algo tivesse escapado do controle e que a noite mais importante da vida de Wanda pudesse carregar uma sombra inesperada.

Não saí de onde estava. Não sei quanto tempo passou. O lago continuava imóvel, indiferente, enquanto eu pensava em formas de mitigar o estrago que aquela revelação poderia causar. Foi então que vi Wis se aproximar.

Ela não parecia assustada. Nem irritada. Tampouco satisfeita. Havia nela uma neutralidade estranha, quase anestesiada. Parou ao meu lado, encarando a água. Ficamos assim por alguns segundos.

- Então você recebeu os vídeos – disse ela, por fim, sem me olhar.

- Recebi.

- Eu não tinha certeza. Esqueci de mandar confirmação de entrega.

Sorri de lado, sem humor.

- Por que não me contou?

Ela respirou fundo.

- Porque eu não sabia se você tinha visto. Tentei perceber… mas você não deu nenhum sinal. E eu tive medo. Medo da sua reação se eu tocasse nesse assunto sem você saber antes.

- Aquilo mudou tudo – respondi – Minha relação com a Adriana. Com a minha mãe. No fundo, era isso que você queria?

Ela virou o rosto para mim.

- Claro que não. Você sabe que não. Eu não sou responsável pelo que você fez depois de saber a verdade.

Engoli em seco. Ela estava certa.

- Desculpa – murmurei.

- Eu te mandei porque não suportava mais que você vivesse no escuro – continuou – Não era justo.

- Por quê?

Ela soltou um suspiro curto.

- Se fosse o contrário, Bruno… se você tivesse algo que explicasse a minha vida, por mais doloroso que fosse, eu ia querer saber. Mesmo que doesse. É isso que amigos fazem. E eu sou sua amiga.

A lógica era simples demais para ser combatida.

- A Wanda está furiosa comigo – ela acrescentou – Parte do motivo pelo qual fiz terapia na adolescência tem a ver com ela. E com a Adriana.

- Elas tinham os vídeos?

- Sempre tiveram. Eu implorei para a Wanda me entregar, porque eu queria te mandar. Mas ela nunca me entregou. Só aceitou quando precisou da minha ajuda em Nova Iorque – Wis sorriu, sem alegria – Me fez prometer que eu nunca te enviaria nada.

- E você quebrou a promessa.

- Por você. Porque não era justo. E porque… – ela hesitou, os olhos baixando – porque eu gosto de você.

O silêncio se impôs entre nós.

- O que exatamente elas faziam? – perguntei.

Wis fechou os olhos por um instante.

- Eu já te contei, mas não queria entrar de detalhes. Não queria a possibilidade de destruir de vez o que você ainda sente por elas.

- Eu preciso saber – respondi – Preciso disso para seguir em frente.

Virei-me totalmente para ela. Minhas mãos pousaram em seus ombros.

- Isso também é sobre eu decidir o que quero da minha vida.

Ela demorou alguns segundos. Respirou fundo.

- Eles viviam lá em casa – começou. – Passavam horas na sala. A Wanda tentava manter eu e a Wendy afastadas, mas nem sempre dava. A gente via coisas… sem querer.

- Que coisas?

- Um clima constante de provocação. Música alta. Dança. Toques que não eram discretos. Nada parecia ter limite.

- Mas isso… pode ser intimidade de casal. Você tinha me falado disso. Elas eram… louquinhas, lembra?

Wis me encarou.

- Não eram dois casais, Bruno.

O peso da frase caiu lentamente.

- Eles se misturavam. Trocas. Gestos que não respeitavam fronteiras. Eu via a Adriana com o Vitor. A Wanda com o Gustavo. Depois o contrário. Era tudo confuso. E constante. Era obsceno. Vulgar. Não houve uma parte do corpo delas que não tenha sido tocada por eles.

Ela engoliu em seco.

- Eu cresci vendo aquilo. Achando que aquilo era amor adulto. Depois percebi que era submissão. Controle. Falta de escolha. Elas eram dominadas. E pareciam ter muito prazer também.

Desviei o olhar. Algo em mim se retraía.

- Teve um dia – ela continuou – em que eles forçaram situações que me fizeram passar mal. Nada era espontâneo. Elas obedeciam. Sempre. Eu lembro de pensar que, se mandassem fazer qualquer coisa, elas fariam.

Murmurei algo que nem eu mesmo entendi. Wis continuou:

- Elas… elas rebolavam no colo deles com shorts minúsculos e vulgares. Eles batiam na bunda delas. Apalpavam seus seios. Gustavo beijava a Wanda, a Adriana beijava o… – ela deu uma pausa – Vitor. Elas se beijavam, eles estimulavam. Não eram beijos românticos. Era algo mais… não sei a palavra certo.

- Ainda bem que seu pai descobriu e acabou com tudo isso.

- Sim, mas eles só passaram a fazer fora. E pior.

- Os vídeos!

- Sim.

- E como você soube que existiam vídeos? – perguntei, por fim.

Wis demorou alguns segundos antes de responder. O olhar permaneceu fixo no lago, como se precisasse de distância para conseguir falar.

- A Wanda me mostrou o vídeo da sua mãe com meus pais – disse. – Era a prova de que havia, sim, um relacionamento entre eles. Enquanto eu olhava pelo celular dela… acabei vendo a galeria.

Ela respirou fundo antes de continuar.

- Havia muitos vídeos. Obscenos. O rosto da Wanda, da Adriana, do Vitor e do Gustavo apareciam repetidamente. Em posições diferentes. Situações diferentes. Reconheci todos. Não duvido que existam outros. Em outros celulares.

O silêncio que se instalou não foi vazio. Foi denso, pesado, quase físico. Ali ficou claro que não se tratava apenas de escolhas adultas mal explicadas ou de moralidade discutível. Era um ambiente que havia deformado referências, confundido limites e ferido profundamente uma adolescente que precisou de terapia para reaprender o que era afeto, intimidade e segurança.

E, pela primeira vez, eu compreendi de verdade por que Wis era quem era.

- Eu sinto muito que você tenha visto tudo isso – falei, depois de um tempo – Sinto muito que suas referências tenham sido essas. Imagino que ninguém tenha parado para pensar, na época, no impacto disso em você. Ainda bem que seus pais perceberam e te levaram para a terapia. Isso… isso evitou um trauma maior.

Ela assentiu, em silêncio.

- Muito tempo depois – ela continuou – a Wanda e o Vitor me pediram desculpas. Pediram para a família inteira, na verdade. Não haveria esse casamento sem um arrependimento real. Eu sei disso.

- Eu entendo – respondi.

Mas entender não tornava nada mais leve.

Aproximei-me e a abracei com força, como se quisesse protegê-la retroativamente de tudo o que ela não deveria ter visto. Wis correspondeu, passando os braços pela minha cintura e me apertando com a mesma intensidade. Não precisou dizer mais nada. Havia coisas que não precisavam ser descritas para serem compreendidas.

Naquele abraço, ficou claro que o que Wis carregava não era curiosidade, nem julgamento. Era a marca silenciosa de quem teve a inocência atravessada cedo demais e precisou crescer antes da hora para sobreviver. Sua postura era uma forma de se proteger.

- Se elas eram vítimas ou inerentemente submissas, eu não sei, mas você deveria saber da verdade.

- Eu te agradeço por isso, Wis Nara.

Quando Wis se recompôs, voltamos para a mesa de mãos dadas. Minha mãe, Cecília e Wendy nos observaram com curiosidade silenciosa, mas não fizeram qualquer comentário. Em poucos instantes, retomei a conversa como se nada tivesse acontecido. Wis se integrou logo depois, com a mesma naturalidade.

À distância, vi Wanda sorrindo, entregue à própria celebração. Ela parecia genuinamente feliz, vivendo o dia que escolhera para si. Aquilo me trouxe um alívio inesperado e necessário.

No domingo à noite, Wis apareceu no meu apartamento. Disse que tinha vindo se despedir pois na segunda-feira resolveria algumas questões pessoais com a família para, na terça, retornar aos Estados Unidos.

- Você podia me visitar lá quando tirar férias – comentou, quase casualmente – Pode ficar no meu apartamento.

- Eu adoraria – respondi sem hesitar – Vamos combinar. Prometo.

Ela assentiu, satisfeita.

Nos olhamos em silêncio, com aquela cumplicidade que já nos era familiar. Uma conversa que não precisava de palavras para acontecer.

Wis, então, se aproximou e sentou no meu colo, afundando o rosto no meu pescoço. Em seguida, se acomodou contra mim, como se, naquele gesto simples, confiasse mais uma vez toda sua segurança e proteção a mim. Abracei-a com força, e ficamos assim por um tempo que perdeu qualquer medida.

Quando dei por mim, já passava da meia-noite. Ainda assim, fui levá-la em casa, apesar dela protestar, dizendo que seria mais fácil, e melhor, dormir na minha cama mais uma noite.

Na terça-feira, por conta de compromissos profissionais, não consegui ir ao aeroporto me despedir de Wis. Felizmente, minha mãe esteve presente e levou meus cumprimentos. Por mensagens, ela me respondeu:

> Wis Nara: Que despedida o quê… assim que chegar, já vou te entupir de mensagens. Me aguarde 😂😂😂😂

E ela cumpriu o que prometeu. Nossa mentoria seguiu por videochamadas, mas, mais do que isso, a amizade continuou viva pelos meios virtuais, apesar da ausência evidente da presença física e, principalmente, dos abraços demorados.

Uma semana depois do casamento de Wanda, num sábado de manhã, eu relaxava jogando Final Fantasy VII Rebirth. Wis ainda dormia, não tinha recebido dela nenhuma mensagem nova. Wanda devia estar em lua de mel. E o ruído deixado por Adriana, pela primeira vez em muito tempo, parecia menos insistente. O silêncio tinha se tornado suportável.

Foi quando o interfone tocou. A portaria informou que Wanda queria me ver. Estranhei. Ela não estava viajando? Autorizei a subida.

Quando abri a porta, levei um choque. Havia arranhões nos braços, no rosto e um hematoma evidente abaixo do olho direito. Meu corpo reagiu antes da razão.

- O que foi isso? – perguntei, alarmado. – O Vitor te agrediu?

- O quê? – ela pareceu genuinamente surpresa. Baixou o olhar para os próprios braços. – Ah… isso? Não. Eu caí. Foi só isso. Nada demais.

Assenti, embora não totalmente convencido.

- O que houve, Wanda? – perguntei, mais calmo. – Você precisa de mim?

- Preciso conversar com você. É muito importante.

- O Vitor sabe que você está aqui?

- Não – respondeu rápido. – Mas não faremos nada que o desonre. Certo?

Assenti. Dessa vez, sem hesitar.

- Então, o que você quer conversar?

Ela respirou fundo antes de falar.

- Sobre o vídeo que você viu. Aquele que a Wis Nara enviou. Eu… eu gostaria que você não pensasse mal de nós. Éramos jovens, inconsequentes, estúpidos. Fizemos aquelas bobagens.

Observei-a por um instante antes de responder.

- Você não me deve explicação nenhuma, Wanda. Fique tranquila. Vocês tiveram uma fase liberal, viveram o que quiseram viver. Eu não fazia parte da sua vida naquela época e sequer conhecia a Adriana. Não há por que se justificar comigo.

Ela pareceu aliviada por um segundo, até eu continuar:

- A única preocupação legítima ali foram a Wendy e a Wis. Elas eram jovens demais para aquilo. E sim, ficaram marcadas.

Wanda engoliu em seco.

- Eu sei… eu sei – disse, com a voz mais baixa. – Mas a sua opinião é muito importante pra mim, Bruno. Você não faz ideia do quanto.

- Por que agora? – perguntei com cuidado.

Ela deu um passo à frente.

- Porque você é minha família.

Seus olhos estavam úmidos, quase suplicantes.

- Eu não sei se suportaria – continuou – se você pensasse o pior de mim.

Sorri, com afeto sincero.

- Não penso. Eu juro.

Ela me olhou, como se quisesse acreditar, mas ainda insegura.

- Eu quero muito acreditar nisso.

- Então pega seu celular – disse.

- O quê? – ela franziu a testa. – Não entendi.

- Pega.

Ela obedeceu, curiosa.

- O que foi?

- Anota meu número.

- Por quê?

- Pra conversarmos. Todos os dias, se quiser. Eu quero. Assim você não precisa imaginar o que eu penso. Você vai saber.

O sorriso que surgiu no rosto dela foi imediato, emocionado.

- Eu sempre quis ter o seu número – confessou.

- Agora você tem.

Ela salvou o contato com cuidado, quase solene. Disse que conversaríamos bastante, que aquela era uma nova fase da nossa relação.

Conversamos mais um pouco. Ela comentou brevemente sobre a lua de mel e disse que tinha sido boa. Depois, se despediu. Quando fechei a porta, tive a sensação nítida de que aquela visita não tinha sido sobre o vídeo. Tinha sido sobre medo.

Wis continuava ausente. Remo havia me chamado para ir ao seu apartamento naquela noite, mas eu ainda não tinha confirmado. Segui jogando FFVII Rebirth e pedi almoço por aplicativo. No meio da tarde, o interfone tocou novamente. A sensação foi imediata, quase física, como se algo tivesse explodido dentro de mim.

Era Adriana.

Autorizei a subida.

Comecei a suar frio. Arrumei a sala às pressas, joguei as embalagens de comida no lixo e corri para o banheiro. Escovei os dentes, penteei o cabelo, passei perfume. Não houve tempo de trocar de camisa. Uma pequena mancha de comida permanecia ali, denunciadora.

A campainha tocou. Respirei fundo e abri a porta. Era ela.

Os longos cabelos pretos, lisos, perfeitamente partidos. Os olhos verdes, inconfundíveis. As sardas delicadas no rosto. Linda. Naquele instante, não tive dúvida alguma: era a mulher que eu amava.

Mas havia algo errado.

Seu olhar era indecifrável. Nos braços, arranhões. Alguns também no pescoço.

- O que aconteceu com você? – perguntei, sentindo um aperto no estômago.

- Escorreguei. Caí.

- Você também… – murmurei, mais para mim do que para ela.

- Como assim… também?

- Nada. Entra.

Ela entrou e ficou alguns segundos observando o apartamento em silêncio, como se precisasse se situar. Então se virou para mim. Os olhos já marejados.

- Foi por causa do vídeo que você terminou comigo, não foi?

Não respondi. Baixei os olhos.

- Por que você não me falou, Bruno? Por que não me confrontou? Eu teria explicado. Aquilo foi no meu passado, muito antes de te conhecer. Eu nunca te contei por vergonha… por medo. Medo de que você pensasse mal de mim e fosse embora – a voz falhou – Você foi a melhor e a pior coisa que me aconteceu. A dor daquele dia só se compara à delícia do dia em que te conheci. Se é que você me entende…

Eu não conseguia encará-la. Eu procurava coragem.

- Eu também te devo desculpas – ela continuou – Pelo que disse de você e da Wanda. Eu tinha ciúmes dela. Sempre tive. Foi infantilidade, insegurança… um complexo antigo de me achar inferior. Tenho feito terapia para entender tudo isso. Acho que isso pesou diretamente no nosso término.

Ela chorava agora, sem tentar esconder. Meu peito apertou.

- Eu estou disposta a voltar – disse, quase num fôlego só. – Não aguento mais ficar longe de você. Não aguento mais evitar lugares, pular almoços para não te encontrar na frente da XP. Agora eu confio que você me ama. Não quero mais passar noites tentando entender como lidar com tudo o que sinto sozinha…

- Adriana, para – interrompi, com a voz embargada.

Agora era eu quem chorava. E ela me olhou, confusa, o medo começando a substituir a esperança.

- O que foi, Bruno?

O silêncio entre nós pesou. O semblante dela mudou, tornando-se aflito.

- Adriana, eu… – tentei encará-la, mas desviei o olhar.

Ela deu um passo à frente.

- Bruno... – ela sussurrou – Você… não me ama mais? Tem outra?

- Não. Não tenho ninguém – Respirei fundo – Mas preciso te dizer algo. Não pode haver mais segredos entre nós.

Os olhos dela se arregalaram.

- Na viagem para Nova Iorque… eu e a Wanda… nós ficamos. Eu te traí.

O rosto de Adriana se transformou diante de mim. Primeiro, incredulidade. Depois, lágrimas. Em seguida, sua expressão endureceu. Os punhos se fecharam. As bochechas ficaram vermelhas de dor e de mágoa.

Ela se aproximou. Eu não consegui me mover. O peso do olhar dela me prendeu no lugar.

Então, um tapa veio forte, seco, certeiro. Doeu no rosto, mas rasgou até as profundezas da minha alma.

- Está feliz agora, Bruno? – ela gritou – Conseguiu o que queria com o seu amor platônico? Vai conseguir viver em paz agora?

Adriana virou o rosto para o lado, mordendo os lábios com raiva, como se não suportasse mais me olhar.

- Eu nunca te traí. Nunca. Escutou bem? Nunca! – a voz tremia – E você nunca mais vai me ver. Eu nunca mais quero olhar pra sua cara. Eu te odeio do fundo do meu coração.

Ela caminhou até a porta, mas parou antes de sair.

- E se quer saber – disse, sem se virar – tudo que eu fiz naquele vídeo, a sua querida Wanda fez igualzinho. Sem tirar nem pôr. E fizemos muito mais. Você nem imagina. E você nunca vai ser capaz de fazer igual.

Então, ela desabou em choro e saiu correndo pelo corredor. O elevador já estava parado no andar. Ela entrou de costas para mim. As portas se fecharam. E ela se foi.

Fiquei atordoado por um tempo que não sei medir. Não lembro exatamente o que fiz, exceto por ter enviado uma mensagem para Wanda.

> Bruno: eu contei pra Adriana sobre Nova Iorque. Agora ela sabe.

> Wanda: Meu Deus! Obrigada por me contar. Esse fardo também é meu.

Continuei sentado no sofá, encarando o jogo pausado na televisão. Meu rosto latejava, mas era a menor das dores. O que doía de verdade era o peso no peito, uma mistura de culpa e perda que eu sabia ser inteiramente minha.

Não tinha forças para mais nada quando, para minha surpresa, o interfone tocou outra vez. A terceira naquele sábado. Se fosse domingo, já dava para pedir música no Fantástico.

Reuni o que restava de energia e atendi. O porteiro avisou que era minha mãe. Autorizei a subida.

Imaginei que ela tivesse sabido da suposta briga entre Wanda e Adriana, que estava relacionada diretamente a mim. E que tivesse vindo se certificar de que eu estava bem. De fato, mais do que nunca, eu precisava dela. Do conforto, do carinho, da presença que sempre me sustentara.

Quando a campainha tocou, senti os olhos arderem novamente. As lágrimas ameaçaram cair, mas, de algum modo estranho, isso me deu forças para ir até a porta e abri-la.

O que vi, porém, me deixou sem palavras.

Minha mãe chorava copiosamente. Não era um choro contido, nem passageiro. Era uma dor profunda, visível nos olhos, no corpo curvado, na respiração entrecortada.

- Eu terminei, Bruno.

Arregalei os olhos. As lágrimas que insistiam em voltar cessaram de imediato.

- Eu acabei tudo.

Fiquei imóvel, tentando compreender.

- Não existe mais eu e o Trajano. Nem eu e a Cecília.

- Por… por quê? – balbuciei – O que aconteceu?

Ela me encarou diretamente.

- Eu não aguento mais não sermos como antes. Não aguento mais a sua distância, a sua indiferença comigo. Eu quero meu filho de volta. Preciso do seu amor, da sua presença. Você é o meu único sangue. Se, para isso, eu tiver que abandonar o mundo inteiro, eu abandono. Sem hesitar.

Ela entrou e praticamente se lançou em meus braços.

- Bruno… eu sei que não posso ter tudo. Mas, se eu puder ter uma única coisa… – a voz falhou – essa coisa é o seu amor.

Naquele instante, algo em mim entrou em estado de alerta absoluto. Todos os meus dramas, todas as minhas dores recentes, tudo pareceu pequeno demais, quase irrelevante.

Era minha mãe.

Ela era tudo.

E, mesmo dilacerado por dentro, eu sabia: precisava resgatá-la de um lugar muito mais sombrio do que qualquer dor amorosa que eu estivesse vivendo.

Continua…

Espero que gostem. Desde já, ficarei grato com qualquer comentário, crítica ou elogio. Próximo capítulo em alguns dias.

Com quem vocês acham que Bruno vai terminar? Com Adriana? Erica? Wanda? Wendy? Wis? Sozinho? Ou uma nova mulher que aparecerá nos últimos parágrafos do último capítulo?

Com quem vocês queriam que Bruno terminasse?

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Comentários

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Tem hora que dá uma raiva da bexiga dele o cabra sem atitude

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Vou deixar a parte do drama da história pra os outros que estão comentando de forma mais elouquente.

Agora queria falar em nome daqueles q ainda estão aqui não só pelo drama e pela novela(q é ótima por sinal) mais por todos q estão aqui pelo conto erótico tbm, eu peço uma UNICA coisa, conta mais sobre esses vídeos, não deixa a gente na espectativa agora q incluiu isso na narrativa, antes do fim tem que ter a aparição desses vídeos e de tudo q elas fizeram pfvvv!!!

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Então,por que só agora a mãe veio falar com o filho e desmanchou o relacionamento com os pais da Wanda?

Será que ela descobriu sobre o vídeo que enviaram para o Bruno?

Será que ela se deu conta,que o filho descobriu e se afastou dela,por esse motivo?

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Pensando bem,o Bruno deveria ficar com a Wis Nara,além dela gostar dele,não é como as outras três (Adriana,Wanda e Érica)que transaram com dois ao mesmo tempo. A Wis é especial (ama ele e é virgem)

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A Wis ocupou um espaço na vida do Bruno pq estava faltando a Adriana.

A Wis é manipuladora e possessiva.

Fora que quando o Bruno viu a Adriana ele não teve dúvida de que amava ela...

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É,ele pode até amar ela,mas estragou tudo ao se envolver com a Wanda,mesmo confessando agora a traição,perdeu ela.

E é melhor assim,pois se reconciliar,vai tomar galha. Mesmo ela confessando que não traiu,agora ela tem motivos.

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Se a mãe do Bruno tem alguma consideração, é melhor ela contar o que sabia sobre todos e aconselhar o filho a LUTAR COMO HOMEM por quem ele quer.

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Sei lá...

Não sei se dá pra chamar essa conversa dele com a Adriana de conversa definitiva.

O que levou a Adriana e a Wanda a se encontrarem na lua de mel ?

Uma nova mulher ? Acho que não seria uma boa ideia.

O melhor final para ele seria sair de perto dessa família, trocar de empresa e recomeçar uma vida totalmente nova.

Pra mim todos estão contaminados por um passado esquisito.

Se ele ficar com a Wanda vai passar a vida inteira sabendo que o Vitor e o Gustavo fuderam ela várias vezes e a mesma coisa com a Adriana.

A Wis já mostrou ser totalmente possessiva e controladora, ela é uma cilada, precisa de mais terapia.

A Erica é melhor manter como amiga.

Necessário explicar direito essa briga da Adriana e da Wanda. E uma conversa de adulto entre ele e a Adriana.

Eu acho que o protagonista soca fofo. Porisso a Wanda preferiu o Vitor e agora a Adriana jogou na cara. Kkkkkkkkkkkkkkk "você é legal, mas fode mal"

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Pois é,o Bruno fode mal,mas a Adriana preferiu ele,só não deu certo,por que o burro confessou a traição.

Acho que se a Adriana voltar com o Bruno,ela vai meter muito galho nele,a confiança já era,seria só uma vingança.

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Parabéns,muito bom.

carlos_leonardo, não entenda isso como uma crítica, mas acho esse Bruno muito burro e imaturo, o cara não demonstra atitude de homem.

Desmanchou com a Adriana por medo e ciúmes,não teve uma conversa com ela antes de desmanchar e esclarecer as coisas ,os vídeos e principalmente,o que ela fez foi no passado,mas o que ele fez,foi pior,em NY.

A Wis manipulou a irmã pelos vídeos e destruiu indiretamente o namoro do Bruno,mas ele foi um cara de pau,traiu.

Então a Adriana provavelmente saiu no tapa com a Wanda por causa da revelação do vídeo,provavelmente culpou a Wanda pelo fim do relacionamento e veio se reconciliar,mas o Bruno estragou tudo ao revelar a transa em NY.

Mas,acredito que se ele não revelasse e tentasse o recuperar o relacionamento,a Wis ,por ciúmes e vingança,revelaria sobre NY,para a Adriana só desmanchar o namoro de novo.

Então,sobre quem vai ficar com o Bruno,a Adriana provavelmente não,depois da confissão do caso.

A Wis,apesar de gostar dele,foi manipuladora ao enviar o vídeo.

carlos_leonardo,eu pergunto,por que não a Wendy? Ela talvez,seria uma boa opção para o Bruno,apesar de você não falar quase nada sobre ela no conto.

A Wis seria uma boa opção também,mas ao mesmo tempo que ela pode fazer bem para ele,também pode fazer mal.

A vingança da Adriana,seria, agora que ela sabe a verdade,sobre NY,contar tudo para o Victor e desmascarar a Wanda,provavelmente o casamento não resista,(cara me passou uma coisa pela cabeça,já pensou a Adriana ter um caso com o Victor só para se vingar da Wanda e ao mesmo tempo aceitar o reconcilhamento com o Bruno,para se vingar dele e contar para os dois a vingança(Wanda e o Bruno).

Então,com o tempo,depois da descoberta da traição,o Bruno desmancharia com a Adriana e a Wanda divorciaria do Victor,em consequência em alguns meses,finalmente a Wanda do Bruno,namorariam e se casasse.

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A Wanda gosta do Vitor e provou o Bruno, o Bruno mandou mal e a Wanda escolheu o Vitor.

Para o Vitor perdoar a Wanda é mais de boa, até pq eles já tinham um relacionamento aberto, vai machucar, mas da pra eles seguirem a vida...

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Ei Carlos, aí você se enroscou, hahaha. Foi muito hábil criando e resolvendo sitiações, de uma forma tão crível, que todas as possibilidades funcionam, agora que Bruno finalmente amadureceu. Contudo, aí vão meus pitacos… Nada de mulher nova nos dois últimos capítulos, seria melhor ele sozinho. Se é pra ficar com alguém, que seja a Adriana, única relação mal resolvida que resta. Wanda, nem pensar, está ótimo como está. Erica, Wis e Wendy, viraram friend zone total, servem de madrinhas, apesar da tensão com a mais nova. Mas isso eu penso agora, posso mudar de opinião dependendo do que você propôr no penúltimo capítulo, hahaha

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O "time" de todos aparecerem ao mesmo tempo é esquisito, mas ao longo da obra deu pra perceber que essa esquisitice foi só coincidência.

Honestamente eu acho que o Bruno deveria ficar sozinho. Não como uma forma de punição, mas porque o tempo dele com a Wanda passou, ele traiu a Adriana e a Wis Nara é muito recente para desenvolver um sentimento tão grande.

Acho que ele amadureceu mas deve crescer ainda mais, e se envolver naturalmente com uma pessoa, desenvolver afeto, com a Wis Nara foi tudo muito rápido para ser essa intensidade toda, capaz até de ofuscar a Adriana.

Mas isso é só um achismo meu, se ficarem juntos vou gostar bastante, ela é um doce.

Aguardando ansiosamente o resto e espero que o Bruno conserte essa besteira da mãe dele. Ele próprio pode não achar legal, mas se a mãe acha, a vida é dela e a própria deve decidir o que quer para si.

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Ih rapaz, tá estranho a Wanda e a Adriana com essas marcas e a mesma desculpa.

E a mãe dele, que resolveu explodir tudo em um momento, no mínimo suspeito.

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A realidade é que a mãe do Bruno passou a vida toda pensando nela mesmo.

Agora que bomba explodiu a consciência pesou. Ela preferiu afastar o Bruno do grande amor pra manter o relacionamento dela com o Trajano.

Poderia ter sido honesta sobre a Adriana ou conversado com a Adriana para ser honesta com o Bruno, mas preferiu ficar calada, sabendo que isso poderia por em risco a relação dela com os Trajanos. A Wanda descobriu o relacionamento dos pais com a mãe do Bruno, derrepente até a Adriana sabia...

A mãe dele deveria ter pensado no filho lá no passado, agora que tudo foi para os ares adianta ?

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Cara,não é estranho não,provavelmente as duas saíram no tapa,pela revelação do vídeo (lembra que a Wanda tinha o vídeo original,mas a Adriana não sabe que a Wanda deu o vídeo para irmã dela , a Adriana acredita que foi a Wanda que enviou e não sabe que foi a Wis Nara).

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E como a Adriana soube do vídeo? Se ela soube do vídeo foi po que a Wanda falou. E pq a Wanda falaria do vídeo sabendo que a Adriana confrontaria o Bruno e o Bruno revelaria a traição em NY, podendo fazer a Adriana falar para o Vitor ?

Como que a Wanda e a Adriana se encontraram na lua de mel da Wanda ?

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