Uma puta dama - parte 7

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3319 palavras
Data: 30/01/2026 09:44:18

Reitero meus agradecimentos a nossa querida, Ida, que tem auxiliado como minha revisora.

Agora, vamos à continuação.

Forte abraço,

Mark

Um dos que parecia ser investigador perguntou algo em alemão, talvez o que estava acontecendo, e foi escorraçado pelo chefe. Não entendo alemão, mas sei quando alguém é escorraçado.

Ficaram apenas os 3 que entraram por último. Os dois mais jovens se aproximaram:

- Dr. Roberto Camargo?

- Sim, sou eu.

- Sou o agente Godfree e este é meu colega, agente Hans. Somos do FBI. E o senhor está preso.

[CONTINUANDO]

- Como é que é!? Chamaram o FBI por um discutível crime de invasão?

O moreno começou a “ler os meus direitos”:

- Agente Godfree, desde quando o FBI tem jurisdição na Áustria?

Ele me ignorou e seguiu lendo os “meus direitos”. Quando terminou, me encarou com um olhar tecnicamente frio:

- O senhor atentou contra a segurança de um cidadão americano. Temos todo o direito?

- Não, não tem. A Convenção de Viena, que regulamenta os tratados internacionais, não abre brecha alguma para que uma autoridade estrangeira possa se impor às locais. Sou advogado e sei o que falo.

Ele me encarou, claramente incomodado:

- Parece que a sua faculdade de direito não lhe ensinou que invasão é crime... – Disse, dando um sorriso sarcástico: - Se ela não te ensinou um conceito tão básico, como pode querer entender os mais complexos, como “Colaboração Internacional” e “Crime contra a Segurança Nacional”?

- Cometi um crime contra a Segurança Nacional da Áustria!?

Ele se calou por um instante:

- Bem... Se o senhor ouviu e prestou atenção aos seus direitos, sabe que estamos anotando todas as suas considerações. Talvez o juiz possa entende-las como Crime de Obstrução de Justiça.

Perguntou se eu havia entendido, o que confirmei. Eles me soltaram da maca e me deram simples roupas civis para vestir. Depois, me algemaram, mãos e pés. Fui acompanhado até onde dois enormes SUV’s pretos nos aguardavam. Entrei atrás no primeiro deles e os dois agentes também, um de cada lado. Os veículos começaram a se movimentar:

- Sejamos honestos, agente Godfree, o que está acontecendo aqui?

Após um breve silêncio, ele falou:

- Tudo será explicado muito em breve.

O celular do agente tocou e ele atendeu:

- Sim. Já estamos com ele. Correto. A caminho do aeroporto neste exato momento. As coisas dele estão no Hotel Continental. Exato. Ótimo. Chegaremos em dentro do previsto. Até mais.

O Hotel Continental era o mesmo onde eu estava hospedado. Certamente ele falava de mim:

- Como sabe que estou hospedado no Continental?

- Temos monitorado o senhor há algum tempo, Dr. Camargo. Sabemos, por exemplo, que o senhor chegou há 3 dias, que procurou a Sra. Helena Vester no centro de convenções e...

- Vester!? Mas... esse é o sobrenome de solteira da Helena? Por que ela está usando o nome de solteira e não o de casada?

Ele simplesmente me ignorou:

- Sabemos que tentou entrar no clube Savitage, duas vezes, conseguindo entrar na última, acompanhado da filha do Chanceler. Enfim, sabemos de muita coisa...

- Do hotel Imperial também e... – Calei-me, a confusão aumentando: - Espera um pouco. Por que o FBI está aqui? Tem alguma coisa a ver com a Helena? Ela está em perigo?

- Também estamos monitorando os passos da sua esposa. E não! Ela está bem e segura.

- Mas que porra está acontecendo aqui, homem!? Comece a se explicar!

Ele me olhou e depois para a algema como quem diz: “Você não está em condições de exigir nada, homem!”. Respirei fundo e perguntei mais calmamente:

- Por favor, eu preciso saber o que está acontecendo?

- Chegaremos em breve ao hangar onde nosso chefe nos aguarda. Ele lhe dará maiores detalhes.

Enquanto seguíamos, agora em silêncio, comecei a pensar no que estava acontecendo e uma coisa me chamou a atenção: o FBI – Federal Bureau of Investigation, é um órgão federal, com atuação local. Eles não poderiam estar atuando em outro país a não ser que fosse em regime de cooperação, para transferência de um preso. Ou talvez eles não fossem do FBI. Isso me assustou de verdade, porque se eles não eram agentes de verdade, quem eram?

Chegamos ao aeroporto e entramos direto, sem parar na guarita. Seguimos até um hangar e entramos. Lá dentro, antes de sairmos do carro, o agente Godfree se virou para mim:

- Vou soltar suas algemas em confiança a sua pessoa. Seu estudo psicológico não indica que será agressivo. Espero que se comporte.

Apenas acenei positivamente a cabeça e levantei os meus pulsos. Ele soltou todas as algemas, deixando-as no fundo da SUV. Saímos. De imediato notei um jato executivo parado ali dentro, sem qualquer identificação, nem mesmo a obrigatória, nem um símbolo, nada.

Seguimos pelo hangar até onde parecia ser uma espécie de escritório. Ele me pediu que me sentasse à uma mesa e me ofereceu café e água. Desconfiado, com o meu senso de sobrevivência ligado ao máximo, recusei. Certamente esses agentes têm um intenso treinamento psicológico, porque ele sorriu e tirou um café para si, bebendo à minha frente enquanto me encarava:

- Está vendo? Sem veneno, drogas... Nada!

Ele tirou outro café para si e outro para mim, colocando-o à minha frente:

- Ali tem água se quiser também. Aguarde apenas uns instante que o meu chefe virá conversar com o senhor. – Ele me deu as costas, mas virou-se quase que no mesmo instante: - Quer que eu prove a água também?

Neguei com um movimento de cabeça e perguntei:

- Onde está minha carteira, documentos, celular? Depois de ontem, eles sumiram.

- Estão a caminho. Já serão devolvidos ao senhor.

Ele então saiu da sala, deixando-me só.

Bebi aquele café, ralo, fraco, e sem açúcar, típico café de americano. Enquanto isso pensava em que tipo de problema Helena e eu havíamos nos enfiado. Foram bons, intermináveis minutos de espera. Num certo momento, notei uma câmera de vigilância no teto e a encarei, sabendo que estava sendo vigiado.

O agente Hans entrou na sala trazendo minha mala, roupas, documentos, carteira, colocando tudo sobre a mesa:

- Se quiser, poder trocar de rôlpa. Chefe chegar logo. – Disse num péssimo inglês com sotaque alemão.

Olhei rapidamente para as minhas coisas e dei por falta de algo:

- Onde está o meu celular?

O agente Hans olhou confuso e disse:

- Acredito chegar em breve.

Ele saiu sem me dar chance de perguntar mais nada. Escolhi uma muda de roupa mais formal, calça e camisa social, com manga dobrada no punho, e sapatos sociais. Eu era um advogado e precisava criar uma aura de formalidade, confiabilidade e austeridade. Peguei outro café, apesar de horrível era o que eu tinha, e organizei minhas coisas, deixando-as de lado.

Só então comecei a reparar melhor na sala, praticamente vazia, com exceção da mesa, algumas cadeiras, um bebedouro de água e uma cafeteira simples. Só então notei uma pasta no assento de uma das cadeiras. Peguei a pasta e notei que havia uma espécie de ficha de anamnese com um resumo da minha vida. Eles realmente haviam me investigado a fundo, muito a fundo, inclusive alguns trabalhos meio questionáveis que eu havia prestado a alguns clientes do escritório.

Distraído, nem notei que a porta havia sido aberta e um senhor me encarava:

- Conferindo se nossas informações a seu respeito estão corretas, Dr. Roberto Camargo?

Assustei-me e me virei de uma vez, derrubando algumas folhas. Agora eu estava frente a frente com quem parecia ser o chefe da operação, um senhor negro, forte, meio gordo, de cabelo ralo e curto, e bigode grosso:

- Sou Gerald Rutterford, agente sênior a cargo desta operação.

Ele me estendeu a mão. Uma ideia me passou rapidamente pela cabeça e enquanto apertava sua mão, joguei um verde:

- O que é que está acontecendo para a CIA estar envolvida?

- CIA, doutor?

- Sim. O FBI não possui jurisdição aqui. Só a CIA teria meios para agir em outros países simulando se passar por outro órgão, mesmo que dos Estados Unidos.

Ele não se abalou. Não moveu um fio do bigode. Nenhuma tensão. Nada. Ficou apenas me fitando por segundos, segurando a minha mão de forma firme, tanto quanto eu apertava a dele. Nesse instante a minha atenção se desviou para uma moça que pegava as folhas que eu havia derrubado:

- Muito bom, doutor. É mais inteligente do que parece. – Deu um sorriso conformado, enfim, e me indicou uma cadeira: - Sente-se. Precisamos conversar.

Sentei-me e ele foi buscar um café, trazendo-me outro também, o terceiro. A moça deixou a pasta sobre a mesa e foi dispensada por ele. Ele também se sentou, agora à minha frente:

- O que exatamente o senhor sabe ou imagina que está acontecendo aqui?

- Nada! Mas certamente envolve a Helena e essa é a minha única preocupação neste exato momento.

Ele anuiu com a cabeça, bebendo um gole generoso do seu café. Então, me encarou, dando um tempo para uma tensão se instalar:

- É melhor que seja assim. Quanto menos o senhor souber, melhor será para a sua segurança.

- Onde está a Helena?

- Ela está segura. Isso eu garanto para o senhor.

- E como o senhor pode me garantir isso? – Perguntei, encarando-o seriamente e falei pausadamente, dando peso e ênfase a cada palavra: - O... que... está... acontecendo... aqui?

Ele bebeu calmamente outro gole de seu café e colocou ambos os braços sobre a mesa, mão segurando mão, dedos entrelaçados, inclinando ligeiramente seu corpo na minha direção:

- Sua esposa, a senhora Helena Camargo, está colaborando conosco em uma investigação internacional.

- Minha esposa é uma agente da CIA? – Conclui precipitadamente, dada a surpresa.

- Não, não... Eu disse que ela está co-la-borando. Ela não faz parte de nossos quadros, muito embora esteja demonstrando uma capacidade singular nos trabalhos que lhe designamos.

Recostei-me em minha cadeira, nervoso, tentando colocar alguma lógica no que eu estava ouvindo. Não dava para concluir nada. Eu precisava de mais informações:

- Ok. Do que se trata exatamente? Em que ela está ajudando? É alguma coisa relacionada à empresa em que ela trabalha, não é?

- Não posso lhe dar detalhes da operação. – Ele bebeu um gole rápido do café: - Mas como lhe disse, ela está segura. Não há com o que se preocupar.

- Ok, então. Quero falar com ela!

- Não será possível. Neste momento, ela está infiltrada e qualquer anormalidade em sua rotina poderia nos custar anos de planejamento e execução. Sem contar todo o dinheiro já envolvido...

- Ela é minha esposa! Eu preciso ter certeza de que ela está bem e acredito que o senhor há de convir comigo que não é a palavra de um completo estranho que me fará ficar calmo.

Vi ele balançar o copo de café em um das mãos, sempre me olhando, sempre me analisando:

- Acredito que não. Mas infelizmente é o que tenho para lhe oferecer neste momento.

- Não está achando mesmo que eu vou aceitar isso, não é? Assim que eu sair daqui, vou atrás da Helena e vou tirar isso a limpo! – Bati minha mão na mesa.

- Imaginamos que pudesse decidir assim. Por isso, pedi que lhe trouxessem suas coisas. O senhor será escoltado até o nosso jato e daqui para o Brasil, e sem escalas.

- Como é que é!?

Ele terminou de beber o seu café e me encarou:

- A sua presença aqui foi um imprevisto em nossa operação. Chegamos a imaginar que Helena tivesse falado algo comprometedor, mas, uma criteriosa análise por nossos técnicos, concluímos que sua presença tinha um caráter puramente romântico, em virtude de sua viagem de lua-de-mel ter sido frustrada. Isso, pelo menos, a princípio... O que não contávamos, era com o envio da mensagem para o senhor, o que acabou desencadeando vários eventos imprevistos e que chegaram a colocar a operação em risco.

- Mensagem? Que mensagem!? – Perguntei, mas já imaginando do que se tratava: - Aquela mensagem dela me dizendo que iria me trair?

- Correto. Foi um imprevisto, algo que não imaginávamos que ela iria enviar. Infelizmente, o senhor acabou lendo antes que pudéssemos apagá-la e... Enfim! Cá estamos: o senhor cheio de dúvidas e eu tendo que saná-las sem responder praticamente nada.

Ficamos em silêncio, apenas nos encarando, cada qual esperando o próximo movimento. Ele estava certo, minhas dúvidas eram muitas e eu não sairia dali sem obter alguma resposta.

Levantei-me, empurrando minha cadeira para trás e bati com os dois punhos fechados sobre a mesa. Inclinando-me na direção dele:

- NÃO VOU EMBORA SEM FALAR COM A HELENA! – Gritei, irado: - Terão que me matar antes de me levarem ao Brasil.

Ele não se abalou um milímetro sequer. Era absurdo o autocontrole daquele homem. Mas nem seria necessário, porque a minha repentina explosão fez com que o agente Godfree e o agente Hans entrassem na sala, armas em punho e prontos para me apagar.

O agente Rutterford apenas olhou para eles e levantou uma mão, depois fazendo um movimento para que saíssem:

- Isso também pode ser arranjado, como o senhor acabou de ver. Mas eu preferia contar com sua colaboração espontânea, afinal, seria mesmo uma pena todo o esforço que sua esposa está despendendo para protegê-lo ser em vão, não acha?

- Me proteger do quê? Do que você está falando, homem?

Ele pegou a pasta que estava sobre a mesa, a mesma que eu folheara momentos atrás. Começou a folheá-la, calmamente. Parou numa folha que ele retirou, virando-a na minha direção:

- Protegê-lo de si mesmo, doutor. Afinal, fraude em licitação e desvio de verbas públicas ainda são crimes no Brasil, não são? – Ele me encarava, os olhos frios, calmos, psicopáticos: - Sua esposa se decepcionou tanto quando soube disso...

Eles sabiam. Mas como eles sabiam? Isso já tinha acontecido há tanto tempo... Nem eu me lembrava mais disso, mas... eles sabiam e sabiam que podiam usar essa informação contra mim. Como advogado, eu sabia que a fraude em licitação já devia estar prescrita, mas o de desvio de verbas não.

Sentei-me, lendo rapidamente aquela folha. Não que eu precisasse, mas como uma forma de tentar me convencer de que talvez Helena estivesse se sujeitando sabe-se lá a que para me proteger. E se fosse esse o caso, a culpa seria minha. Lembrei-me do Padre Pedrinho gritando um liturgia: “mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa”.

Só que agora, a culpa da Helena seria minha!

Calei-me. Olhando desolado para o papel. E aqueles não tinham sido os meus únicos erros. Eu sabia. E, de soslaio, vi que o agente Rutterford me encarava com uma expressão de quem sabia também. Eles sempre sabem.

Pela primeira vez, acho que o meu semblante derrotado trouxe alguma compaixão para o peito daquele homem:

- Dr. Camargo... – Ele fez uma pausa até eu o encarar: - Sua preocupação com sua esposa é legítima, mas eu te garanto que ela realmente está bem e segura. Estamos monitorando-a 24 horas por dia. Não há um único momento, que não tenha um agente disfarçado por perto dela. Sabemos de tudo mesmo o que ocorre em sua rotina. Confie em mim. Muito em breve, terá sua esposa de volta sã e salva.

- A mensagem... – Resmunguei com a voz quase inaudível e o encarei, olhos desnecessariamente úmidos: - A mensagem que a Helena me enviou... Ela está me traindo... com alguém?

Igualmente pela primeira vez, vi o semblante daquele homem se alterar. Talvez a tal fidelidade masculina fosse um conceito universal e ele sentisse que um colega de saco precisava de um apoio naquele momento. Vi quando ele piscou rapidamente, 3 vezes:

- Esse assunto... Prefiro deixar que sua esposa trate com o senhor pessoalmente. Talvez seja desconfortável, mas eu acredito que, quando há uma justa causa, situações... constrangedoras... possam ser contornadas.

Ouvimos 2 batidas na porta e ela se abriu na sequência. O agente Godfree entrou trazendo o meu celular e conversou algo com o agente Rutterford bem baixo, quase inaudível. Ele anuiu positivamente:

- Seu celular, doutor. – Ele me empurrou o aparelho.

- Estou grampeado?

O agente Rutterford me olhou em silêncio por um segundo e disse um “não” com cara de “sim”. Eu sabia que estava grampeado. A pergunta fora retórica. Ele se levantou e me indicou que o acompanhasse. O agente Godfree pegou as minhas coisas e nos aguardou. Levantei-me e saímos da sala.

Resistir não seria uma opção inteligente. Eram vários os agentes ali, todos certamente armados. No mínimo, física e psicologicamente muito bem preparados. Além de motivados. Eu seria facilmente rendido na melhor das possibilidades; na pior, eu seria apenas um nome descartável, um dano colateral menor.

Começamos a andar na direção do jato. Um sedã preto entrou no hangar chamando a atenção do agente Rutterford. Olhei na mesma direção e vi o carro estacionando próximo ao escritório de onde eu havia saído:

- BETO!

Foi então que a vi. Helena veio correndo na minha direção. Naturalmente, corri para ela. Ela se jogou em mim, agarrando o meu pescoço e entrelaçando as pernas na minha cintura. Os agentes ficaram sem reação, mais ainda quando ela colou a sua boca na minha. Após tanto tempo, e apesar de ainda haver tantas perguntas a serem respondidas, tê-la comigo foi muito bom. Senti que ainda havia uma chance para nós:

- Mrs. Camargo. Por favor! Colabore comigo. – Disse alguém logo atrás dela.

Eu a apertei forte no meu peito. Ela idem. Eles que lutassem para nos separarem. E lutaram. Foram 4 ou 5 homens e mulheres para, enfim, nos separarem:

- RUTTERFORD, ISSO NÃO É NECESSÁRIO! – Gritei, irado.

- PAREM TODOS VOCÊS! – Ele gritou na sequência, sendo obedecido de imediato: - E soltem eles.

Fomos soltos e Helena correu para mim novamente, agora abraçando-me do chão mesmo. Ainda saudosa. Ainda enigmática:

- Vocês têm 1 minuto para se despedirem. O Dr. Camargo está de partida... – Sentenciou o agente Rutterford.

Olhei para Helena e ela para mim. Seus olhos estavam marejados e não a culpo, os meus também estavam. Mas ela não chorava, ela nunca chorava:

- O que está acontecen...

- NÃO! – O agente Rutterford me interrompeu: - Aproveitem o tempo para se despedirem. Não dê nenhuma informação, Sra. Camargo, ou não garantirei minha proteção a seu marido.

Ela, que olhava na direção dele nesse momento, me encarou e sorriu um sorriso triste, desolado:

- Eu vou te explicar tudo, Beto. Prometo! Está quase no fim. Só me espera. Me dá uma chance de te explicar e... – Uma lágrima desceu por seu rosto: - Você vai entender. Eu sei que vai...

Meu instinto de macho quase me impeliu a perguntar se ela estava me traindo. Quase! Naquele momento, a traição, que eu tinha certeza ter ocorrido, era o menor de nossos problemas, e ela não precisava carregar mais um de mim, não a minha desconfiança, muito menos a dor que a traição estava me causando:

- Você está segura?

- Estou. Acho que estou... – Ela resmungou.

- Tem alguma coisa que eu possa fazer, Helena?

- Tem. Me espera. Já estou voltando...

Nós nos beijamos novamente, com urgência, com necessidade, com amor. Nossas estruturas estavam abaladas, mas talvez ainda houvesse alguma chance para nós. Talvez.

Nos separaram novamente e Helena foi conduzida ao escritório, enquanto eu fui graciosamente empurrado por 2 agentes para dentro do jato. Vi quando ela entrou. Não sei se ela viu quando eu parti. Os agentes Godfree e Hans me acompanharam em meu retorno.

Foi o mais longo e cansativo voo da minha vida. Não consegui dormir 1 minuto sequer. Minha mente trabalhava ativamente na busca de uma forma de ajudar Helena. Mas como ajudar se eu não sabia o que estava acontecendo? Eu tinha poucas opções, afinal, minha rede de contatos não era tão avançada assim:

- Rede... – Cochichei para mim mesmo, sem chamar a atenção de ninguém.

Um sorriso surgiu em meus lábios. “Zico!”, pensei. Se não tenho conexões reais, talvez as virtuais... Ele era um hacker e eu nunca acreditei que ele havia se afastado inteiramente do “Anonymous”. Se tinha alguém que poderia me ajudar a ter informações, esse alguém era ele.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 337Seguidores: 713Seguindo: 25Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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A gente fica com o coração na mão...

O que nos resta??? Esperar o próximo capitulo!!!! kkkkk

E Annye... o que aconteceu com ela!!!

Ela tem ligação com a CIA também???

E Simone, a psicóloga? Vai reaparecer na história???

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Gente do Céu !!! Um dos "deslizes" do Beto já prescreveu. O outro é um desvio de verbas !!! Quando foi que alguém viu um corrupto indo para a cadeia no Brasil por desvio de verba ???

Se foi isso, a Helena foi enganada e ela não me parece ser tão ingênua a esse ponto. Tá falando alguma coisa !!!!

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"faltando" alguma coisa !!!

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Os caras da CIA são profissionais. Eles conduziram a situação para Helena se ver sem saída.

Veja, concordo totalmente com o que você fala, mas isso somos nós falando aqui, com tranquilidade e calma, sem pressão em cima de nós.

Sinceramente, ao que me parece, Helena não teve qualquer chance.

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Eu ainda acho que falta alguma coisa. Se for somente isso ... a Helena foi "enrolada, embalada, transportada e entregue" como necessário. Eu duvido que ela, ao menos, confrontasse o marido para saber se eram verídicas aquelas acusações e qual o risco para ele. Não é possível uma alta executiva de uma empresa (principalmente trabalhando com M&A) avaliando riscos e estratégias, tenha caído nessa ladainha tão facilmente.

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Condordo com vc Id@

Falta alguma coisa

Acho que não pode ser descartado a possibilidade antes levantada de que ela voluntaria ou involuntariamente se envolveu com algo de errada na empresa que trabalha!!!

Por exemplo... ter sido envolvida em falcatruas pelo Bronson e seus comparsas em coisas que desconhecia...

Pode também ela ou Beto terem sido ameaçados de morte...

Quanto ao que a CIA tem contra o Beto, concordo que é somente um cala-te Boca momentâneo do Agente... para diminuir o ímpeto dele e aceitar voltar ao Brasil!!! pois isso não dá nada!!!

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Provavelmente a Helena tem sua culpa e suas coisas erradas. Dificilmente ela se sacrificaria assim pelo marido, convenhamos ne, se ela amasse o marido nesse ponto ela não trairia ele, jogaria limpo com ele desde o começo, prova de amor bem torta essa ? Ela tá ali pra salvar a própria pele.

O fato de usarem os crimes do Beto contra ele foi mais um cala a boca nele. E pra deixar claro que sabem de tudo.

Muito mirabolante essa trama...

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Ou seja, ainda falta alguma coisa !!!

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Pior que o Beto podia ter ganhado muitos pontos com uma frase só pro cara da Cia e se colocado em uma situacão melhor: o crime é meu e não dela. Mark, que Thriller policial eletrizante!

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Tá interessante mesmo o conto,a cada capítulo novas dúvidas,ao invés de esclarecimentos,mais mistérios. Está sendo tão proveitoso que quase nungyense dá conta que não há sexo na história!

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mais enrascada está ficando bom alguma coisa está se esclarecendo a Helena está coloborando sob chantagem

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Parece que Helena é realmente uma grande dama que foi chantageada pela CIA para colaborar com eles ou então o marido Beto iria em cana devido a erros corruptos do passado.

O agente disse que Helena ficou chateada e triste quando soube das atividades questionáveis que o marido desempenhou. Imagino quão frágil ela deva ter ficado com as revelações e os caras da CIA aproveitaram-se disso, realmente. Eles fizeram de um jeito proposital para que ela não recusasse.

Provalmente, Helena tinha fácil acesso a(s) pessoa(s) de interesse da CIA. Talvez seja o Bradley Bronson mesmo, que já tem um passado de assassino. Talvez seja ele o interesse. E ele tem um estilo alpha, né? Provavelmente, se interessou por Helena a muito tempo e... por isso, a CIA foi atrás dela.

A tatuagem B, não me resta mais dúvidas, é do Mr Bronson mesmo.

Resta saber se Beto vai perdoar Helena, mas agora, há novos elementos na análise: Beto tem telhado de vidro também. Não sei se torço por uma retomada do casal, mas... vamos ver.

E o Beto, pra variar, não fica quieto, né? Aí gosta de mexer com forças superiores a dele. Vamos ver o que o amigo hacker pode fazer...

Parabéns, Mark, mais uma vez! Uma das histórias interessantes e intrigantes que já li no CDC.

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Acredito que o hacker vai conseguir acessar as câmeras, e o Beto irá ver sua esposa em ação, elogiando a pegada e o pau do Bronson e humilhando o marido! Mais lenha na fogueira!

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Putz, isso faz todo sentido mesmo. Isso vai me levar uma vibe meio os contos da MariannaG. Nesse cenário, a humilhação do corno será total, piorado pelo passado no mínimo questionável dele.

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Eles podem até se acertarem, mas as cicatrizes os seguiram para sempre!

Sempre haverá uma ponta de desconfiança!

E se houver mesmo a humilhação para com o marido, e ele ver, aí é seção de terapia pro resto da vida dele!

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Trepando, gosando, dando e fazendo o que nunca fez com ele! Aí a mente dele vai pirar, e o casamento momentaneamente vai acabar!

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Tem essa não. Ela tá pagando principalmente pelos pecados dele. E mesmo que ele veja, a desculpa dela tá pronta. Ela tinha que fazer pra poder manter o disfarce.

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Bicho, eles vão se acertar se ele tomar vergonha e se ligar que quem enfiou ela nessa fria foi ele mesmo

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Realmente uma grande reviravolta, mas, na minha opinião, como o Beto é advogado (e eu também), neste momento do texto:

"- Vocês têm 1 minuto para se despedirem. O Dr. Camargo está de partida... – Sentenciou o agente Rutterford.

Olhei para Helena e ela para mim. Seus olhos estavam marejados e não a culpo, os meus também estavam. Mas ela não chorava, ela nunca chorava:

- O que está acontecen...

- NÃO! – O agente Rutterford me interrompeu: - Aproveitem o tempo para se despedirem. Não dê nenhuma informação, Sra. Camargo, ou não garantirei minha proteção a seu marido.

Ela, que olhava na direção dele nesse momento, me encarou e sorriu um sorriso triste, desolado:

- Eu vou te explicar tudo, Beto. Prometo! Está quase no fim. Só me espera. Me dá uma chance de te explicar e... – Uma lágrima desceu por seu rosto: - Você vai entender. Eu sei que vai..."

Usando meus conhecimentos de advogado e a presença da Helena no local, tem uma cartada final bem plausivel e factivel para mudar o jogo a favor dos dois, seja obtendo mais informações, seja ficando no local perto da esposa, seja libertando ela de vez do problema, que seria, simplesmente:

O Beto se afasta da Helena e diz que vai jogar merda no ventilador, e se não colaborarem e aceitarem os SEUS termos, eles terão de executá-lo ali mesmo, no aeroporto e na frente da esposa, pq ele não iria mais colaborar com nada.

em todo caso a esposa fica livre, pq com ele morto a razão da chantagem contra ela teria perdido o valor e, pelo contraria a colocaria na condição de querer vingança pelo assassinato do marido que, nesse caso teria se sacrificado para liberta-la. OU, numa hipotese mais "feliz", para manter a operação, os agentes teriam de ceder e aceitar a colaboração mais próxima do marido.

Reiterando que são teorias (algumas nós até acertamos - ou será que influenciamos?), baseadas no que se viu até agora e o Autor é quem tem o destino dos pesonagens em suas mãos.

Parabens ao Mark!!!

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A Helena tem culpa também. Ela não entraria nessa só pq o marido cometeu algum crime financeiro no Brasil. Talvez a culpa dela seja até maior.

Até pq convenhamos né? Os crimes que o Beto cometeu nem cadeia da no Brasil...

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Certo, algumas perguntas respondidas e outras dúvidas acrescentadas. Tá ficando difícil lembrar de tudo !!!

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