As Minhas Aventuras - 9º Capítulo - Do Natal aos Braços do Pichador!

Um conto erótico de Fernando
Categoria: Gay
Contém 2003 palavras
Data: 25/01/2026 19:46:50

​O tempo no CDHU voou entre encontros furtivos na porta ao lado e orações vazias na igreja. Os meses passaram e, com eles, a minha máscara de "cristão exemplar" se tornou uma segunda pele, embora por baixo dela eu estivesse marcado pelas mãos do Natan e assombrado pelos vídeos do Son.

​Mas o final de ano trouxe o desafio que eu mais temia. Meu pai, que mora em outra cidade e mantém aquele rigor de "homem de família" que não aceita falhas, tinha sido claro no telefone: "Fernando, você já está um homem. Quero que você traga essa moça que você está orando para o Natal. Quero conhecer a futura mãe dos meus netos".

​A pressão foi tanta que não tive saída. A Letícia, sempre doce e crente na nossa "pureza", aceitou na hora. Para ela, era um passo oficial no nosso namoro. Para mim, era o começo do maior teatro da minha vida.

​Pegamos o ônibus para a cidade dele em uma manhã nublada de dezembro. A Letícia ia o caminho todo falando sobre versículos e planos para o futuro, enquanto eu olhava pela janela, sentindo o celular vibrar no bolso com uma mensagem do Natan: "Vê se não esquece quem te faz homem de verdade enquanto finge ser santo pro seu velho".

​Quando chegamos na casa do meu pai, o clima era de festa tradicional. O cheiro de peru assado e o som de hinos de Natal preenchiam a sala. Meu pai me recebeu com um abraço forte — forte demais, como se estivesse testando a minha masculinidade.

​— Finalmente, meu filho! — ele disse, com aquela voz grossa que sempre me fez baixar a cabeça. — E essa deve ser a Letícia. Uma moça de aparência muito digna. Meus parabéns.

​O jantar foi uma tortura rítmica. Estávamos todos à mesa: meu pai, a nova esposa dele, eu e a Letícia.

​— Então, Fernando — meu pai começou, limpando a boca com o guardanapo e me encarando com aqueles olhos que pareciam procurar qualquer sinal de "fraqueza". — Como vai o trabalho? E a igreja? Ouvi dizer que você está muito firme. É assim que um homem deve ser. Firme na fé e firme com a sua mulher.

​— Tudo indo bem, pai. Deus tem abençoado — respondi, a voz saindo quase mecânica.

​— E vocês dois? — ele continuou, olhando para a Letícia. — Já pensam em casamento?

Nada de ficar enrolando a moça. Homem que é homem toma decisões. Eu não criei filho pra ser "meio termo". Ou é homem de verdade ou não é nada

.

​A Letícia corou e sorriu, segurando a minha mão por cima da mesa.

— Estamos esperando o tempo de Deus, Sr. Joaquim. Mas o Fernando tem sido um companheiro maravilhoso. Ele é tão respeitoso, tão... puro.

​Ouvi aquilo e senti uma náusea subir. Respeitoso. Puro. Na minha mente, passava um filme do Natan me prensando contra a parede, do gosto do suor dele, das estocadas brutas que me faziam gritar. Ali, sob o teto do meu pai, eu era um personagem de plástico

.

​— Respeito é bom — meu pai murmurou, servindo-se de mais vinho. — Mas não seja frouxo, Fernando. Tem muito rapaz hoje em dia que é todo delicadinho, todo cheio de frescura... esses "moderninhos" que a gente vê na TV. No meu tempo, a gente resolvia as coisas no braço e na palavra. Espero que você siga o exemplo do seu pai.

​— Eu sigo, pai — eu disse, sentindo o nó na garganta.

​A noite continuou com perguntas invasivas. Ele queria saber se eu já tinha comprado um carro, se eu estava guardando dinheiro, se eu era o "cabeça" da relação. Cada vez que a Letícia me elogiava pela minha "delicadeza cristã", meu pai lançava um olhar desconfiado, como se desconfiasse que aquela delicadeza pudesse esconder algo que ele desprezava.

​— Homem tem que ter pegada, Fernando — ele disse em um momento que a Letícia foi ao banheiro. — Mulher gosta de sentir que tem um homem de verdade do lado. Não vira um desses crentes bobos que não sabem mandar em casa.

​Eu apenas assentia, contando os minutos para aquela noite acabar. Eu estava ali, no Natal da família, sendo o "orgulho" do Joaquim, enquanto por dentro eu era uma ruína de segredos. O pior de tudo? Eu desejava que o Natan estivesse ali, chutando aquela porta e arrancando aquela máscara da minha cara com a mesma força que ele arrancava a minha roupa.

A noite na casa do meu pai foi um exercício de tortura psicológica. O quarto de hóspedes era frio, com cheiro de mofo e móveis de madeira pesada que pareciam me julgar. Letícia ficou no quarto que era da minha irmã, no andar de cima, respeitando a "etiqueta cristã" que meu pai fazia questão de policiar com o olhar.

​— Nada de conversinha de pé de ouvido depois das onze, Fernando — meu pai disse, parado na porta do meu quarto com os braços cruzados, como se estivesse guardando a castidade da Letícia com um fuzil.

— Aqui na minha casa as coisas são do jeito certo.

​Eu apenas balancei a cabeça. Quando ele fechou a porta, o silêncio caiu sobre mim como um peso. Eu deitei naquela cama desconfortável e encarei o teto. Meus dedos buscavam o celular, querendo desesperadamente a adrenalina de uma mensagem do Natan, mas o medo do meu pai entrar a qualquer momento e ver o brilho da tela me impedia. Eu estava no território do homem que me odiaria se soubesse quem eu era de verdade.

​Passei a noite em claro, ouvindo os passos dele no corredor, o ronco dele no quarto ao lado. Eu me sentia um impostor, um espião infiltrado na própria família.

​A viagem de volta foi silenciosa. A Letícia achava que eu estava "reflexivo" por causa da seriedade do meu pai, e eu deixei que ela acreditasse nisso.

Quando o ônibus finalmente parou e avistei as torres cinzas e descascadas do nosso conjunto, senti um alívio doentio.

O CDHU era perigoso, era sujo, mas ali eu não precisava ser o "filho perfeito" do Joaquim. Ali, eu era o Fernando que pertencia à tinta do Natan.

​Assim que entramos no prédio, ajudei a Letícia com as malas até a porta dela

.

— Foi um Natal lindo, Fer — ela disse, me dando um beijo casto no rosto. — Seu pai é firme, mas dá pra ver que ele te ama.

​— É... firme — murmurei, querendo apenas desaparecer.

​Subi para o meu andar. Cada degrau que eu subia era como se eu estivesse tirando uma fantasia pesada. Quando cheguei no meu corredor, meu coração deu um salto. O cheiro de sândalo e fumo estava ali, pairando no ar como um rastro.

​Parei na frente da minha porta. A porta do lado, a do Natan, estava entreaberta. Um filete de luz saía de lá, e eu ouvi o som de uma lata de spray sendo sacudida. Tchac-tchac-tchac.

​— Demorou, hein, missionário? — A voz dele veio de dentro, baixa e carregada de malícia

.

​Eu nem entrei na minha casa. Abri a porta do Natan e entrei direto.

O apartamento estava uma zona, latas espalhadas, um grafite novo sendo esboçado na parede da sala. O Natan estava só de bermuda, com o peito suado, olhando para mim com um sorriso de lado que desarmava qualquer resistência minha.

​— Como foi o teatro com o coroa? — ele perguntou, jogando a lata de spray no sofá.

​— Um inferno, Natan. Eu não aguento mais fingir — confessei, largando minha mochila no chão e indo direto para os braços dele.

​— Então para de fingir agora — ele me puxou pela nuca, forçando um beijo que tinha gosto de liberdade e pecado. — Deixa o "santinho" lá na rodoviária. Aqui você é meu.

​O contraste era absurdo. Há poucas horas eu estava orando em volta de uma mesa de Natal com um pai homofóbico, e agora o Natan estava arrancando minha camisa com os dentes, me jogando contra a parede de cimento e me fazendo lembrar exatamente por que eu não conseguia fugir dele.

​— O Son tá te rondando, Fernando — Natan sussurrou, enquanto descia as mãos para o meu cinto. — Ele viu você saindo com a santa. Mas agora ele vai ver que o dono do pedaço sou eu.

O Natan percebeu que eu não estava apenas excitado; eu estava vulnerável. Ele não me jogou na parede como das outras vezes.

Em vez disso, ele segurou meu rosto com as duas mãos, os polegares calejados limpando uma lágrima solitária que eu nem sabia que tinha caído.

​— Deixa o mundo lá fora, Fernando — ele sussurrou, a voz surpreendentemente suave. — Aqui dentro, você não precisa provar nada pra ninguém.

​Ele me conduziu até o colchão no chão, mas antes de qualquer coisa, ele tirou minha camisa com uma delicadeza que me fez estremecer. Ele começou a beijar meus ombros, subindo pelo pescoço, evitando as marcas que ele mesmo tinha deixado antes, como se estivesse curando o peso que meu pai colocou ali.

​Natan se despiu devagar, mantendo o olhar fixo no meu. Quando ficamos pele na pele, o calor foi imediato. Ele se deitou e me puxou para cima dele, me envolvendo em um abraço apertado. Senti o coração dele batendo forte contra o meu peito.

​— Você é lindo, sabia? — Ele disse, passando a mão pelo meu cabelo, desfazendo o penteado impecável de "bom moço".

— Não pela igreja, nem pela sua família. Você é lindo por ser exatamente quem você é quando está aqui comigo.

​O beijo que seguiu foi diferente. Não era uma disputa de línguas, era um encontro profundo. Tinha gosto de entrega. Natan me virou devagar, ficando por cima, e começou a descer os beijos pelo meu abdômen, parando em cada cicatriz invisível que a repressão tinha deixado em mim.

​Quando ele se posicionou, ele não forçou. Ele olhou nos meus olhos, buscando permissão.

— Eu quero você, Fernando. Todo você.

​Ele entrou devagar, milímetro por milímetro. A dor que eu costumava sentir deu lugar a um preenchimento morno, uma conexão que parecia ligar nossas almas. Eu soltei um suspiro longo, as mãos cravando nos bíceps tatuados dele, mas ele logo as pegou e as entrelaçou nas dele, mantendo nossos dedos unidos sobre o colchão.

​O movimento era lento, quase uma dança. Natan me olhava com uma intensidade que me desarmava. A cada estocada profunda, ele sussurrava algo baixo, elogios que eu nunca tinha ouvido na vida.

​— Sente isso... sente como você encaixa em mim — ele arfava, o rosto colado ao meu, o suor misturado unindo nossos corpos.

​Eu comecei a me perder naquele ritmo carinhoso. Era uma entrega total. Eu sentia cada veia dele, cada batida do seu coração. O prazer não era um choque elétrico, era uma maré alta que ia subindo e nos afogando gentilmente.

​— Natan... eu nunca... — eu tentei falar, mas ele selou meus lábios com um beijo calmo.

​— Eu sei. Só sente.

​Ele me puxou para um abraço sentado, eu no colo dele, as pernas em volta da sua cintura. Ficamos ali, balançando devagar, enquanto ele me possuía com uma profundidade que parecia tocar o meu âmago.

Ele beijava meu pescoço, meu peito, me chamando de "meu garoto", um título que, na boca dele, soava como a coisa mais sagrada do mundo

.

​O ápice chegou para os dois ao mesmo tempo, não como uma explosão violenta, mas como um transbordamento. Gozamos colados, os corpos tremendo em uníssono, as respirações se fundindo em uma só.

​Depois, o Natan não se afastou. Ele continuou me segurando, me cobrindo com um lençol fino enquanto a luz do final de tarde do CDHU entrava pela janela pichada. Ele ficou fazendo carinho no meu braço, um silêncio confortável que eu nunca tinha experimentado com ninguém.

​— Você pode ficar aqui o tempo que quiser — ele disse, a voz rouca de sono. — A porta tá trancada. O mundo não pode te tocar aqui.

​Pela primeira vez em meses, eu não senti culpa. Eu não pensei na Letícia, no meu pai ou na igreja. Eu só senti o calor do homem que, mesmo sendo o "vilão" para todos, era o único que me tratava como se eu fosse precioso.

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Comentários

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Gosto muito de Fernando e Natan, sexo sensacional.

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