# TERÇA-FEIRA
A manhã paulista de julho estava gelada e silenciosa. O silêncio era quebrado apenas pelo vento cortante assobiando pelas árvores do condomínio e o som de passos pesados subindo a calçada de paralelepípedo. Um homem na casa dos 50 anos caminhava rapidamente em direção à própria casa em Alphaville, tentando escapar do frio seco característico do inverno paulista o mais rápido possível. Logo antes de abrir a porta, olhou para a casa dos vizinhos do outro lado da rua. Um sorriso torto atravessou o rosto conforme as memórias de alguns dias atrás o aqueceram por dentro.
O Osvaldo finalmente entrou em casa. Mesmo tendo crescido em Porto Alegre, onde o frio era ainda mais rigoroso, odiava absolutamente esse clima. Como aposentado, tentava sair de casa o mínimo possível durante o inverno. Resmungou consigo mesmo sobre precisar ir ao médico do convênio, mas não por nada de rotina. Todos sabíamos que ele tinha se largado depois da aposentadoria, e ele não se importava em ajustar o estilo de vida. Eu sabia, a Bruna sabia, o Osvaldo sabia, e o médico sabia. Mas não — havia outro motivo para fazer a jornada no frio até a clínica na Granja Viana.
Naquela noite fatídica da final da Libertadores, o Osvaldo foi para a casa dos vizinhos preparado. Não só tinha os comprimidos para dormir triturados pro Bruno — Rivotril que sobrou de uma ex-mulher — mas também tinha alguns comprimidos de sildenafila que um velho brother tinha passado pra ele. O famoso azulzinho. Não tinha certeza do que a noite reservaria, mas mal sabia que aquela porra seria tão potente. O Osvaldo não era como a maioria dos homens da idade dele e definitivamente conseguia durar mais que a média, mas com uma mulher como a Bruna, queria durar o máximo possível. Queria fazer mais do que jamais tinha feito nos longos anos. Então no meio da noite tomou um comprimido. Estava tão bêbado de tesão quanto a Bruna. Depois de um tempo, tomou outro. E mais um.
Ouvir os gemidos hipnóticos de luxúria da minha esposa, sentir o corpo firme, atlético e macio contra o dele, sentir a buceta apertada agarrar o pau, e ouvi-la implorar por mais — ele se pegou querendo mais e mais. Nunca queria que a noite acabasse. O Osvaldo tinha estado com muitas mulheres ao longo da longa vida — desde as gaúchas do Sul até paulistanas, cariocas, até algumas gringas — mas nenhuma chegava perto da Bruna. Não era apenas a sensualidade que a fazia se destacar. Ela era uma agradadora nata. Queria agradar o marido tanto que fez coisas com ele que nunca tinha feito ou dito antes.
Que reviravolta de eventos que o Osvaldo se encontrou morando ao lado de uma mulher tão gostosa quanto boa na cama, aqui nesse condomínio chique de São Paulo. O fato de que ela curtiu e deu a melhor foda que ele já teve depois de meses de encontros casuais no Tinder e boquetes de acompanhantes não passou despercebido. Era como se tivesse ganhado na Mega-Sena várias vezes seguidas. Não ia desperdiçar a oportunidade. Toda vez que o Osvaldo pensava nisso, o pau não conseguia deixar de latejar.
Infelizmente, sua decisão de mandar pra dentro tantos comprimidos durante a noite não foi sem consequência. Estava tonto naquela manhã de segunda depois de voltar pra casa. Quando acordou na segunda à tarde, o corpo doía numa quantidade preocupante. A tontura ia e vinha, mas não estava indo embora totalmente, e pela avaliação do médico do Unimed, era devido à pressão baixa perigosa. As costas também doíam, mas isso poderia ser de quanto se esforçou fodendo a vizinha em todas as posições possíveis.
O Osvaldo foi meio vago com o Dr. Ricardo sobre o que aconteceu — disse que "exagerou numa festa" — mas o doutor advertiu estritamente para nunca fazer algo tão irresponsável. Um homem tomando sildenafila sem necessidade era muito perigoso, especialmente em doses cavalares como aquela. Podia ter dado infarto, AVC, caralho. Ainda assim, o Osvaldo achou que o risco valeu cada segundo. A Bruna foi de longe a melhor foda que já teve e, embora soubesse que ela não o amava, tinha certeza absoluta que foi o melhor sexo que ela já teve também. Não conseguia parar de lembrar como ela se permitiu experimentar um orgasmo devastador após o outro, gritando, implorando, se entregando completamente.
O Osvaldo se sentou no sofá de couro da sala exausto da longa manhã na clínica. A pressão baixa também não estava ajudando — sentia a cabeça leve, meio flutuante. O médico disse que estaria bem depois de mais alguns dias de repouso e hidratação. Conforme ficou ali pensando em como realmente ia transar com a vizinha gostosa de novo, um sorriso maligno apareceu no rosto barbudo. Em sua confiança de gaúcho arrogante, não estava pensando em SE ela voltaria, estava pensando em COMO fazer ela voltar.
E ele tinha uma arma secreta que garantia isso.
Pegou o iPhone e mexeu nele com os dedos grossos cutucando a tela. Abriu a pasta oculta. Selecionou um dos vídeos. Logo começou a tocar e gemidos altos encheram a casa vazia, ecoando pelas paredes:
*"Ahhh! Osvaldo! Você é o dono dessa buceta!"*
O sorriso dele se alargou. Tinha gravado tudo. Vários ângulos. Horas de material.
Aquela putinha não sabia de nada ainda.
Mas ia saber em breve.
***
Depois dos eventos do fim de semana, eu e a Bruna tentamos voltar a alguma normalidade. Voltamos ao trabalho na segunda-feira, mas os dois mal conseguíamos nos concentrar. Ainda tinha tantas perguntas que queria fazer para minha esposa, mas sabia que não podia simplesmente deixar passar como antes.
Não era mais o Bruno passivo esperando ela me contar as coisas no tempo dela. Algo tinha mudado em mim desde domingo de manhã. A raiva, o ciúmes, a desconfiança — tudo isso estava fervendo logo abaixo da superfície, ameaçando explodir a qualquer momento.
E tinha algo mais. Algo que não conseguia tirar da cabeça.
Durante toda segunda-feira no trabalho, fiquei pensando: *e se ele gravou?*
A ideia me atingiu do nada durante uma reunião chata. E se aquele filho da puta gravou minha esposa? Pegou o celular e filmou ela gemendo, implorando, gozando no pau dele?
Meu estômago embrulhou com a possibilidade. Mas meu pau ficou duro também.
Que caralho havia de errado comigo?
A Bruna também estava estranha. Percebi na segunda à noite. Muito quieta. Muito no celular. Quando perguntei o que era, ela disse que era só trabalho. Mas eu vi — ela fechou a tela rápido demais quando me aproximei.
O que ela estava escondendo?
Na terça-feira, saí do trabalho mais cedo. Não planejei, simplesmente não conseguia mais ficar sentado naquele escritório com a cabeça explodindo de pensamentos. Precisava ir pra casa. Precisava... verificar.
Verificar o quê? Não sabia ao certo.
Quando cheguei no condomínio por volta das 16h, acenei pro segurança e dirigi pela rua arborizada até nossa casa. O carro da Bruna estava na garagem. Ela também tinha saído cedo.
Ou será que nem tinha ido trabalhar?
Porra, a paranoia estava me consumindo.
Estacionei e entrei pela porta da frente, silenciosamente. Não anunciei que tinha chegado. Apenas... ouvi.
Silêncio.
Caminhei pela casa. Cozinha — vazia. Sala — vazia. Dei uma olhada rápida no quarto — cama feita, vazia.
Meu coração estava acelerado. Onde caralhos ela estava?
Foi quando ouvi. Fraco, vindo dos fundos. O som do motor da hidromassagem.
Caminhei até a janela dos fundos que dava pro quintal e a vi.
Lá estava ela, na banheira de hidromassagem que instalamos ano passado. Sozinha. Fones de ouvido. Olhos fechados. Bikini vermelho que parecia fogo contra a pele bronzeada.
O alívio veio. E junto com ele, uma decepção estranha e doentia.
Uma parte de mim — uma parte que eu odiava — tinha esperado encontrar ela na casa do Osvaldo. Esperado a confirmação da traição. Porque pelo menos assim eu saberia. Teria certeza.
Mas essa ambiguidade, essa incerteza constante... estava me matando.
Respirei fundo. Precisava me controlar. Não podia deixar ela ver o quanto eu estava desmoronando por dentro.
Subi pro quarto, tirei a roupa de trabalho. Vesti uma sunga. Peguei uma toalha. E antes de descer, fiz duas doses generosas de caipirinha — bem fortes. Cachaça boa, bastante açúcar, limão espremido na hora. Nós dois precisávamos.
Desci e abri a porta de vidro que dava pro quintal. O vento frio de julho me atingiu imediatamente, mas o vapor subindo da hidromassagem parecia convidativo.
A Bruna ainda estava de olhos fechados, completamente alheia à minha presença, a cabeça reclinada na borda, o cabelo loiro preso num rabo de cavalo alto, corpo relaxado na água borbulhante.
Coloquei as caipirinhas na mesinha de madeira ao lado da hidromassagem. Me sentei na borda e, com um sorriso que não chegou aos meus olhos, joguei água nela.
— Ahh! — Os olhos da Bruna se arregalaram. — Bruno! Não faz isso! Você me assustou pra caralho!
— Desculpa, você tava tão em paz. Não queria te incomodar... — Fiz uma pausa. — No começo.
Ela tirou os fones, me olhando com aqueles olhos azuis profundos. Procurando algo no meu rosto.
— Há quanto tempo você tá aí? — Perguntou, e havia algo na voz. Cautela?
— Acabei de chegar. — Menti. Ou talvez não fosse mentira. Tecnicamente acabara de chegar *aqui*. — Você saiu cedo do trabalho.
— É... tava com dor de cabeça. — Ela desviou o olhar. — E você? Também saiu cedo.
— Não conseguia me concentrar. — Admiti, a verdade mais fácil que a mentira. — Muita coisa na cabeça.
Um silêncio desconfortável pairou entre nós.
— E? Vai ficar só olhando ou vai entrar? — Ela tentou sorrir, puxando meu braço levemente. — Tá gelado aí fora. Aqui tá quentinho.
Entrei na água quente. O contraste com o ar frio era perfeito, quase doloroso. Me sentei do lado oposto a ela. Não perto. Não como costumávamos fazer.
Ela notou. Claro que notou.
— Trouxe caipirinha. — Disse, pegando os copos e oferecendo um pra ela.
— Hmmm, que delícia. — Ela tomou um gole grande. Rápido demais. Nervosa. — Forte.
— A gente precisa.
— Precisa? — Ela me olhou por cima do copo.
— Pra conversar.
O corpo dela enrijeceu levemente. Quase imperceptível. Mas eu estava observando. Estava sempre observando agora.
— Sobre o quê? — A voz saiu casual demais.
— Sobre domingo. Sobre o Osvaldo. — Bebi minha caipirinha, o álcool queimando a garganta. — Sobre tudo.
Ela suspirou, afundando um pouco mais na água.
— Pensei que já tínhamos conversado sobre isso...
— Conversamos. Mas eu tenho mais perguntas.
— Bruno, eu te contei tudo—
— Contou? — Interrompi, a voz mais dura que pretendia. — Porque eu lembro bem de você mentir sobre quantas vezes gozou. Lembro de você só admitir a verdade quando eu te confrontei. Então me desculpa se eu questiono se realmente me contou *tudo*.
As bochechas dela coraram. De vergonha ou raiva, não dava pra saber.
— Eu... tava com vergonha, Bruno. Por isso menti no começo. Mas depois te contei a verdade.
— Depois que eu te peguei na mentira. — Corrigi. — Não foi por vontade própria.
— Onde você quer chegar com isso? — A voz dela subiu levemente. Defensiva.
— Quero saber o que mais você tá escondendo.
— Não tô escondendo nada!
— Seu celular. — Soltei. — Ontem à noite. Você fechou a tela quando me aproximei.
Os olhos dela se arregalaram. Pega.
— Eu... era só conversa com a Renata. Nada demais.
— Sobre o quê?
— Sobre coisas de mulher, Bruno! Sobre a academia, dieta, sei lá!
— Mostra.
— O quê?
— O celular. Mostra a conversa.
Ela me encarou, incrédula.
— Você tá falando sério? Você quer... vasculhar meu celular agora?
— Se não tem nada a esconder, qual o problema?
— O problema é a confiança, porra! — Ela se levantou na água, os peitos balançando levemente, água escorrendo. — Você não confia mais em mim? É isso?
A pergunta pairou no ar entre nós.
Eu deveria? Depois de tudo?
— Eu vi você, Bruna. — Minha voz saiu baixa, perigosa. — Vi você se entregar completamente pra ele. Ouvi você dizer coisas que nunca disse pra mim. Vi você gozar de um jeito que nunca gozou comigo.
— Bruno—
— E agora você quer que eu simplesmente confie? Que eu esqueça tudo e finja que tá tudo normal?
— Não! Eu não quero que você esqueça! — Ela se aproximou, a água agitando. — Mas também não quero que você me trate como... como uma criminosa sendo interrogada!
— Então me dá um motivo pra confiar! — Explodi. — Me diz a verdade! Toda ela! Sem eu ter que arrancar cada detalhe de você!
— EU JÁ TE DISSE A VERDADE!
— TODA ELA?
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Só o som da água borbulhando e nossa respiração pesada.
Ela afundou de volta na água, os braços cruzados sobre o peito.
— O que você quer saber? — A voz saiu cansada. Resignada.
Respirei fundo. Aqui ia.
— Ele gravou?
— O quê? — Ela piscou, confusa.
— Vídeo. Fotos. Ele gravou alguma coisa de vocês transando?
Ela abriu a boca. Fechou. Pensou.
— Eu... não sei. Não vi ele gravar nada. Por quê?
— Porque eu conheço homem. E um cara como o Osvaldo, tendo a oportunidade de foder a vizinha gostosa? Ele gravaria. Como troféu. Como garantia.
— Garantia de quê?
— Que você voltaria.
O rosto dela empalideceu.
— Bruno, eu não vou voltar. Eu já te disse—
— Você disse que não sabia. — Corrigi, lembrando da conversa da noite anterior. — Disse que tava confusa. Disse que uma parte de você queria ir no domingo.
— Mas eu não vou! — Ela se aproximou, as mãos nos meus ombros. — Eu te amo. Você é meu marido. Foi só... foi só uma fantasia sua que deu errado. Mas acabou. Não preciso do Osvaldo.
Algo na forma como ela disse me incomodou.
— *Você* não precisa. Mas *quer*?
Ela hesitou. Por uma fração de segundo.
E naquela hesitação, eu vi tudo.
— Caralho. — Me afastei dela. — Você quer.
— Não! Bruno, não é assim—
— Você quer voltar pra ele.
— EU NÃO QUERO! — As lágrimas brotaram. — Eu não quero amar ele! Não quero precisar dele! Mas o que eu senti...
Ela parou, percebendo o que tinha dito.
— Continue. — Minha voz saiu gelada. — O que você sentiu?
— Prazer. — Sussurrou, as lágrimas caindo. — Prazer que eu nunca... que eu não sabia que era possível.
Cada palavra era uma facada.
— E comigo? — Perguntei, precisando ouvir. — O que você sente comigo?
— Amor. — Ela segurou meu rosto com as mãos molhadas. — Amor verdadeiro, Bruno. Conexão. Segurança. Futuro. Tudo que importa de verdade.
— Mas não prazer. — Completei, amargo.
— Não! Não é isso! Com você eu sinto as duas coisas! Amor E prazer! Mas com ele... — Ela engoliu seco. — Com ele é só prazer. Prazer sujo, errado, que me faz sentir... sei lá. Viva de um jeito diferente.
— E você quer esse sentimento de novo.
Ela não respondeu. Mas não precisava.
— Bruna, olha pra mim. — Levantei o queixo dela. — Eu preciso saber. Se eu deixar, se eu te der permissão... você iria? No domingo? Na casa dele?
Os olhos azuis me encararam, cheios de lágrimas, cheios de conflito.
— Eu... eu não sei, Bruno. Honestamente não sei. Uma parte de mim quer nunca mais ver aquele homem. Mas outra parte...
— Quer sentir ele dentro de você de novo.
Ela assentiu, soluçando.
— Me desculpa. Me desculpa. Eu sou horrível. Sou uma esposa horrível.
Puxei ela pros meus braços. Ela chorou contra meu peito, o corpo tremendo.
E eu fiquei ali, segurando minha esposa, sentindo ela se despedaçar.
Mas também sentindo meu pau endurecer contra ela.
Porque a verdade — a verdade fodida e doentia — é que ouvir ela admitir isso me excitava tanto quanto me destruía.
— Escuta. — Disse depois de um tempo, quando os soluços acalmaram. — Eu não vou mentir e dizer que tá tudo bem. Porque não tá. Tô puto. Tô com ciúmes. Tô magoado pra caralho.
Ela me olhou, esperando.
— Mas... — Continuei, odiando as palavras que estavam saindo. — Também não posso negar que uma parte de mim... que eu também...
— Que você também quer. — Ela completou, me entendendo.
— Não quero que você vá. — Admiti. — Mas ao mesmo tempo... porra, Bruna. Pensar em você com ele, pensar em você sentindo aquele prazer todo...
— Te excita.
— Me excita. E me deixa doente. As duas coisas ao mesmo tempo.
Ela passou a mão pelo meu rosto, os olhos estudando cada detalhe.
— Então o que a gente faz?
— Não sei. — Respondi honestamente. — Mas eu sei uma coisa. Se você for... se você decidir ir no domingo...
— Sim?
— Eu preciso de regras. Limites. Preciso saber tudo antes. Tudo durante. Tudo depois. Sem mentiras. Sem esconder. Total transparência. Ou eu não aguento.
Ela assentiu lentamente.
— E outra coisa. — Minha voz ficou mais dura. — Eu vou confrontar ele.
— O quê? — Os olhos se arregalaram. — Bruno, não—
— Vou. — Interrompi. — Vou deixar bem claro pra aquele filho da puta que você é MINHA esposa. Que ele não é dono de porra nenhuma. Que se alguma coisa acontecer, é porque EU permiti. Não porque ele conquistou ou mereceu. Entendeu?
Ela me olhou com uma mistura de medo e... algo mais. Admiração?
— Você ficaria... presente? — Perguntou timidamente.
— Se você for? Sim. Eu fico. Eu assisto. Eu participo se eu quiser. Mas dessa vez eu fico consciente. Sem drogas. Sem desmaiar. EU no controle.
— E se ele não aceitar?
— Então acabou. Simples assim. Ou é do meu jeito, ou não é de jeito nenhum.
Ela mordeu o lábio, processando.
— Você... você realmente iria fazer isso? Confrontar ele?
— Amanhã. — Decidi na hora. — Amanhã eu vou lá.
— Bruno, eu não decidi ainda se vou ou não no domingo! Talvez nem—
— Não importa. — Cortei. — De qualquer jeito, aquele desgraçado precisa ouvir de mim. Precisa saber que você não é brinquedo dele. Não é conquista dele. É MINHA esposa que ele teve o privilégio de foder porque EU deixei.
A forma como os olhos dela brilharam quando falei assim...
Ela me beijou. Profundo, desesperado, necessitado.
— Me fode. — Sussurrou contra meus lábios. — Agora. Aqui.
Puxei a parte de baixo do biquíni dela pro lado. Meu pau já estava duro, escapando da sunga. Posicionei ela no meu colo, de frente pra mim, e deslizei pra dentro.
Ela gemeu, a cabeça jogando pra trás.
— De quem é essa buceta? — Rosnei, as mãos agarrando a bunda dela com força.
— Sua. — Ela ofegou, começando a cavalgar. — Sempre sua, Bruno.
— Mesmo quando tá no pau dele?
— Mesmo assim. — Ela me olhou nos olhos. — Mesmo no pau dele, eu sou sua.
As palavras deveriam me deixar furioso.
Mas só me fizeram foder ela com mais força.
A água espirrava ao nosso redor conforme nos movíamos, a temperatura fria do ar contrastando com o calor da hidromassagem e dos nossos corpos entrelaçados.
— Te amo. — Ela chorou, as unhas cravando nos meus ombros. — Te amo, te amo, te amo...
— Eu também te amo. — Admiti, porque era verdade. — Porra, eu te amo demais. Por isso que isso tudo dói tanto.
Gozamos juntos, corpos tremendo, sussurros e gemidos se misturando com o som da água.
Depois, ficamos ali, abraçados, respirando pesado.
— Amanhã. — Ela sussurrou. — Você realmente vai confrontar ele?
— Vou.
— Você tá com medo?
Pensei na pergunta. Medo de quê? De apanhar? O Osvaldo era maior, mais velho, mas eu estava em forma. De perder ela? Isso eu já estava perdendo, um pedaço por vez.
— Não. — Respondi. — Não tô com medo. Tô puto. E é hora dele saber.
Ela me beijou suavemente.
— Eu vou com você.
— Não. Isso é entre eu e ele.
— Bruno—
— Não, Bruna. Isso eu preciso fazer sozinho. Preciso olhar nos olhos dele e deixar claro como funciona daqui pra frente. Homem pra homem.
Ela assentiu, encostando a cabeça no meu ombro.
E enquanto ficávamos ali, a noite caindo sobre São Paulo, o frio aumentando, eu pensei na conversa de amanhã.
O Osvaldo achava que tinha conquistado minha esposa.
Achava que era o dono dela.
Achava que tinha ganhado.
Amanhã ele ia aprender que estava errado.
Minha esposa. Minhas regras. Minha decisão.
E se ele não gostasse?
Que se fodesse.
***
>> Próximo já está engatilhado pessoal! Estou editando algumas coisas ainda, mas já está quase pronto! Então quanto mais comentarem e estrelas, mais rápido eu solto ele! Obrigado pela leitura e pelas opiniões! Tanto as críticas quanto os elogios sempre são muito bem vindos! (Desde que sejam realmente construtivos e/ou opinativos em relação aos personagens!)
Até mais!