O silêncio que se seguiu ao grito da Dona Marli foi aterrador. Eu ainda sentia o pau grosso do Jonas latejando dentro de mim, aquela pressão ardida que me preenchia por inteiro, quando a realidade me atingiu como um soco.
No chão, as sacolas de mercado espalhadas eram o cenário da nossa ruína. O Jonas, em um movimento brusco e desesperado, empurrou-me para o lado com força, quase me fazendo cair da cama dele de cara no chão. Ele estava pálido, os olhos arregalados de pavor.
— SAI! SAI DAQUI, FERNANDO! AGORA! — ele rugiu, a voz falhando, enquanto tentava se cobrir com o lençol de qualquer jeito.
— Jonas, calma... — eu tentei dizer, mas ele me cortou, desesperado.
— SAI, PORRA! VAI EMBORA! MINHA MÃE TÁ ALI! SAI AGORA! — ele gritava, o rosto vermelho de ódio e pânico, apontando para a porta do quarto.
A Dona Marli paralisava na porta com as mãos na boca, sem conseguir emitir outro som além de um suspiro de choque. Eu não esperei. Com as mãos trêmulas, puxei o meu short e saí correndo descalço, atravessando o apartamento dele em segundos. Quando bati a porta do Jonas e saí para o patamar da escada, dei de cara com o Son, que estava subindo os degraus. Eu passei por ele como um raio, descendo os lances de escada tropeçando, esbaforido, tentando esconder o elástico da calcinha vermelha que insistia em aparecer acima do short. No mesmo instante, a voz estridente da Dona Marli ecoou por todo o vão da escada: "MEU DEUS, JONAS! DENTRO DO MEU APARTAMENTO? COM O VIZINHO? DE CALCINHA VERMELHA EM CIMA DA TUA CAMA? QUE POUCA VERGONHA É ESSA!".
O Son travou no meio da escada, ouvindo cada palavra, e depois me olhou com um sorriso cínico antes de eu entrar na minha casa e bater a porta.
Os dias passaram sob uma tensão insuportável no CDHU. O Son me encurralou no vão escuro do bloco numa noite sem lua. Ele me prensou contra o concreto frio da parede, o cheiro de cigarro e desejo exalando dele enquanto apertava meu pescoço de leve. Ele rosnou no meu ouvido que tinha ouvido tudo e perguntou se agora eu era a bonequinha do Jonas. Ele me arrastou para o quartinho de ferramentas do zelador, um lugar abafado que fedia a óleo e poeira. Sem dizer uma palavra, o Son me prensou contra a mesa de madeira velha e me deu um beijo brutal, daqueles que o dente bate e o gosto de saliva se mistura com a agressividade. Ele puxou minha cabeça para trás pelos cabelos e começou a morder meu pescoço enquanto abria o fecho da calça.
Aquele pau enorme de 22 cm saltou para fora; a pele era escura, com veias grossas e saltadas que pareciam cordas. A cabeça era grande, roxa e já estava melada. Ajoelhei-me no chão sujo e segurei aquela tora quente, envolvendo-a com a boca e sentindo o pau bater no fundo da minha garganta. O Son gemia alto, batendo com a base do pau no meu queixo.
— Isso, engole tudo, sua piranha do condomínio... mostra que você é minha... — ele rosnava, segurando meu cabelo com força.
Depois de me fazer engasgar várias vezes, ele me jogou no chão sobre uns sacos de cimento ásperos, puxou minhas pernas para o alto e o Son começou a chupar meu cu com uma vontade insana. A língua dele era áspera e entrava fundo, explorando cada prega enquanto ele apertava minhas coxas com força, deixando marcas roxas. Ele lubrificou aquela tora veiada com saliva e empurrou de uma vez, sem dó. O grito ficou preso na minha garganta. Ele começou a estocar com uma violência possessiva, a carne batendo com força contra a minha bunda. Ele me virou de quatro e começou a dar palmadas estaladas até meu rabo ficar em brasa e latejante.
— Diz de quem você é, Fernando! DIZ! — ele gritava entre as estocadas brutas.
— SOU SEU... AHN... SOU SEU, SON! — eu gritava. Foram 40 minutos de uma foda animal até ele gozar com um urro, inundando meu interior com jatos quentes.
Semanas depois, em um domingo de tarde, eu estava com o Marcos no pátio do condomínio. Estávamos sentados, jogando conversa fora sob o sol fraco. O Marcos é aquele moreno de pele quente, gordinho, com um corpo macio e convidativo. Subimos para o apê dele para jogar Winning Eleven. No sofá, o Marcos sentou do meu lado, inquieto, as mãos grossas e calejadas tremendo de leve.
— Fer... o Jonas tá espalhando que você não curte mulher. No começo achei que era mentira, mas... é verdade?
— E se for, Marcos? Vai deixar de ser meu amigo?
— Não! Eu tenho muita curiosidade. Só que tenho medo de ser com qualquer um. Eu queria que minha primeira vez fosse com alguém que eu confie. Tipo você.
— Você confia tanto assim em mim? — Segurei o rosto dele e dei um beijo calmo.
O Marcos correspondeu com uma vontade reprimida, me envolvendo com seus braços fortes.
— Nossa, Fer... sua boca é tão macia... parece que encaixa melhor que com mulher.
Fomos para o tapete. Tirei a camiseta dele, admirando a pele morena e o peito largo. Abaixei a bermuda dele e o pau dele saltou: era muito grosso, moreno e com a cabeça bem grande. Ajoelhei-me e comecei a dar beijos carinhosos na base enquanto as mãos grossas dele acariciavam meu cabelo com doçura. Levei as bolas dele à boca; eram pesadas e quentes. Comecei a chupá-lo com calma, sentindo a grossura preencher minha boca.
— AI! Caralho, Fer... que sensação louca... parece um choque! Fer... para... não, continua! Tá muito bom.
Eu o deitei no tapete e comecei a sentar devagar; a entrada ardeu com a grossura dele, me preenchendo por inteiro.
— Eu nunca estive dentro de um cara... é tão quente... parece que o seu corpo tá me abraçando — ele disse, com os olhos brilhando.
Ele me segurou pela cintura, as mãos grossas cobrindo quase todo o meu rabo, e começou a dar estocadas lentas e profundas enquanto olhava nos meus olhos. Foi um sexo demorado, cheio de beijos no pescoço e muito carinho. Ele me chamou de lindo e despejou tudo dentro de mim com um suspiro longo, me apertando contra o peito.
Na segunda-feira, encontrei o Jonas sozinho no banco de reservas do campo de futebol.
— E aí, Jonas. Tá lembrando do placar de ontem ou tá pensando no flagra da sua mãe? — comecei, parando na frente dele.
— Sai fora, Fernando. Não enche o saco — ele respondeu sem me olhar.
— Não encho o saco? O Marcos me contou as merdas que você anda falando. Que eu "não curto mulher". É isso mesmo?
— E eu menti? Todo mundo viu você fugindo de lá.
— Ah, então agora você é o fiscal de cu do bloco? Por que você não conta para eles que você me jogou na tua cama e me socava com tanta força que eu estava com a cara enterrada no teu travesseiro?
— Cala a boca! Alguém pode ouvir! — ele sibilou, olhando para os lados.
— Ué, está com medo agora? Na hora de me jogar na tua cama você não estava com medo.
— Foi um erro, tá legal? Eu estava doido, não sabia o que estava fazendo.
— Engraçado... não pareceu erro quando você pediu para eu colocar a calcinha vermelha.
Você estava bem consciente quando me chamou de "sua putinha".
— Fernando, para com isso. Eu tenho reputação aqui.
— Reputação de quê? De hétero top que trepa com o vizinho escondido?
— Eu vou te quebrar se você continuar... — ele tentou levantar, mas eu o empurrei de volta.
— Vai me quebrar? Tenta. Aí eu grito aqui mesmo o tamanho do seu pau e como você tremeu todinho quando gozou dentro de mim.
— O que você quer, afinal? — ele perguntou, com os olhos marejados de ódio.
— Quero que você feche essa boca imunda. Se eu ouvir mais um "A" seu sobre mim, eu conto para todo mundo o que fizemos!
— Você não teria coragem...
— Quer pagar para ver? O Marcos já sabe da verdade. E ele adorou, inclusive. Ele tem uma pegada muito melhor que a sua, Jonas. E o pau dele é bem mais grosso, se quer saber.
— Você deu para o Marcos também? Você não vale nada...
— Eu valho o que eu quiser. Eu sou livre. Você é que vive preso nesse quartinho com medo da mamãe.
— Eu te odeio, Fernando.
— Ótimo. O ódio guarda segredo melhor que a amizade.
— Por favor... não fala para ninguém. Eu paro de falar de você.
— Acho bom. Limpa essa cara de choro e vai jogar sua bolinha.
— Você é um otario ! Cuzao do caralho!!
— Nao Jonas. Eu sou só o cara que você não conseguiu deixar calado.
— Eu nunca mais quero te ver na minha frente.
— O sentimento é mútuo. Mas a gente mora no mesmo bloco, então acostuma.
— Some daqui...
— Tô sumindo. Mas lembra: abre a boca para falar de mim, e eu abro a minha para falar de você.
— Eu já entendi, porra!
Eu me levantei vitorioso, limpei a poeira do meu short e dei um sorriso de lado para o Jonas. Saí andando em direção ao meu bloco, sentindo a adrenalina ainda pulsar.
Comecei a subir as escadas correndo, pulando de dois em dois degraus. No meio de um dos lances, quando fiz a curva para o próximo andar com toda a velocidade, eu simplesmente esbarrei em uma parede de carne. O impacto foi seco.
Como eu estava correndo e o corpo em que bati nem se mexeu, fui arremessado para trás. Perdi o equilíbrio totalmente e acabei caindo de bunda no chão de cimento da escada, soltando um gemido de dor e surpresa.
Olhei para cima e dei de cara com o Natan, parado ali com seus ombros largos e uma regata apertada...
Continue.