Por volta das 10h, a Bruna bateu suavemente na porta.
— Bruno? Você tá acordado, amor? — Ela sussurrou.
Fingi ainda estar dormindo. A Bruna entrou na ponta dos pés vestindo uma das minhas camisetas grandes e rastejou para a cama ao meu lado. Minhas costas estavam viradas para ela e ela se aconchegou em mim como a colher grande.
— Te amo, Bruno. — Foi a última coisa que sussurrou antes de adormecer.
Estava fora da cama dentro de 10 minutos. Os eventos da noite passada e dessa manhã estavam passando pela minha cabeça num turbilhão caótico. A primeira coisa que fiz foi me masturbar. Duas vezes. Ainda precisando clarear a cabeça, tentei comer um pouco da comida que a Bruna tinha preparado e separado para mim. Fiquei na nossa cozinha comendo essa comida e pensei sobre como o Osvaldo estava aqui uma hora atrás fodendo a Bruna conforme ela chorava de prazer, implorando pelo gozo dele. Uma onda de raiva subiu pela garganta. Não sou um gênio, mas juntei dois e dois e imaginei que tinham fodido desde que desmaiei. Mesmo sabendo o que sabia na época, sabia que o Osvaldo podia ir várias vezes. A Bruna também.
Só consegui comer algumas mordidas do omelete frio antes de ter que correr para o nosso banheiro. Sentia náusea, mas em vez de vomitar, me masturbei. De novo. A raiva e excitação estavam tão misturadas que não conseguia separar uma da outra. Rastejei de volta para cima por uma troca de roupas e notei que a Bruna tinha limpado nosso quarto e substituído os lençóis que tinham sido sujados por uma noite do Osvaldo explodindo o gozo por todo o corpo ansioso e disposto dela. A eficiência dela em apagar as evidências me deixou ainda mais furioso.
Vesti minhas roupas de corrida e peguei meus tênis. Estava fora de casa martelando a calçada em 2 minutos. Corri na direção oposta da casa do Osvaldo. Não queria pensar nele esperando na janela à noite, rindo conforme assistia minha esposa linda cruzar nossa linha de propriedade em segredo para implorar para ele fodê-la de novo.
'Bruno finalmente tá dormindo', podia ouvi-la dizer na minha cabeça, 'Temos a noite toda. Por favor me fode, papai', ela implorou ao vizinho babaca e arrogante. Fechei os olhos contra a imagem, sentindo o peito apertar com uma mistura tóxica de ciúmes e desejo. Não queria ter que me masturbar pela quarta vez, mas sabia que ia acontecer.
Fiz 16 quilômetros em pouco mais de uma hora. Um recorde pessoal para mim. Ofegar por ar no frio do inverno paulista ajudou minha cabeça a clarear um pouco, mas a raiva ainda fervia por baixo.
Lembrei de encorajar minha esposa no nosso quarto conforme ela era dividida por mim e o Osvaldo. Lembrei de receber o boquete especialista, cumprindo uma fantasia de anos. Lembro de gozar conforme assisti ela foder o Osvaldo na nossa cama. A memória agora tinha um gosto amargo. Tinha pedido por isso, tinha fantasiado sobre isso, mas ver ela tão completamente entregue a ele... isso era diferente. Caminhando de volta para nossa cozinha com um apetite confuso, lembrei de assistir o rosto lindo de contentamento da minha esposa conforme o Osvaldo deslizou o pau grosso para dentro dela no balcão. O nosso balcão. A nossa cozinha.
As coisas que ela disse e como os barulhos do sexo deles reverberaram entre minhas orelhas. 'Você é o dono dessa buceta, papai.' As palavras ecoavam. Comi minha comida e me masturbei de novo, odiando a mim mesmo por estar tão excitado. Foi a quarta vez. Pensei sobre o jeito que ela ordenhou o pau com a garganta. Então, o jeito que ela encarou para cima para ele em espanto genuíno, dizendo o quão ótima fodida ele é. Como se eu nunca tivesse sido suficiente. Cinco. Também um novo recorde pessoal para mim em memória recente, mas não era algo para se orgulhar.
Era meio da tarde quando fui checar a Bruna, ainda profundamente dormindo. Parecia pacífica e angelical, como se nada tivesse mudado. Mas tudo tinha mudado. Ainda a amava - isso era a parte que mais me confundia. Sabia que ainda me amava, mas será que era suficiente? Fui para nosso chuveiro e vi que a prateleira onde normalmente guardávamos nossos produtos de banho tinha sido limpa.
Imediatamente, imaginei a bunda gorda do Osvaldo sentada lá com o corpo escorregadio e molhado da Bruna deslizando para cima e para baixo no pau. O Osvaldo teria a vista perfeita da bunda deliciosa e costas tonificadas da Bruna conforme ela se equilibrava, gemendo conforme o fodia. Imaginei o corpo flexionando e estendendo no pau conforme o anúncio de 'Ai meu Deus, tô gozando!' ecoava nos azulejos. Talvez ele a tenha virado, pressionado contra a parede fria de azulejos, e a fodido até ela não conseguir mais ficar em pé. Talvez ela tenha se ajoelhado ali mesmo, deixando a água cair enquanto engolia cada gota do gozo dele.
Me masturbei enquanto ficava no canto do chuveiro, encarando a prateleira vazia, sentindo uma vergonha profunda misturada com tesão incontrolável. Seis vezes. Eu estava perdendo o controle.
A Bruna não acordou até o final da tarde. Não deve ter dormido nada com o Osvaldo. A raiva voltou - ele tinha drogado minha bebida, fodido minha esposa a noite toda, e ela tinha deixado. Tentei me ocupar pela casa, fazendo trabalho e preparando um almoço tardio. Estava fazendo comida no fogão quando senti os braços da Bruna enrolarem ao redor do meu torso por trás, me surpreendendo. Meu corpo enrijeceu por um segundo antes de relaxar. Enrolei meu braço ao redor dela, mas havia tensão.
— Antes de você dizer qualquer coisa, você deve estar com fome. Fiz um pouco pra você, vamos comer. — Disse com um sorriso que não chegou aos olhos.
A Bruna olhou para cima para mim com um sorriso cansado e acenou em concordância. Comemos juntos na mesa e servi a Bruna a comida com um copo alto de água. Comemos por um tempo, fazendo apenas conversa superficial sobre nada importante. A tensão entre nós era palpável.
— Obrigada, amor — ela disse com um sorriso — Isso tá ótimo. Comeria mais, mas tomei um café da manhã grande antes de você acordar.
A menção casual do café da manhã me atingiu como um soco. Olhei nos olhos e com um sorriso tenso, disse:
— Eu sei. Eu vi.
Os olhos da Bruna se arregalaram e o rosto perdeu a cor por um segundo antes de ficar vermelho.
— Você tava assistindo?! — A voz saiu num sussurro agudo — Bruno, sobre isso, eu-
— Tá tudo bem. — Minha voz saiu mais fria que pretendia. — Podemos conversar sobre isso quando os dois estivermos prontos. Vamos só... relaxar.
A palavra 'relaxar' soou ridícula mesmo para mim.
— Você tá bravo? — A Bruna perguntou, ignorando minha sugestão. Os olhos procuravam os meus, vulneráveis.
Fiquei em silêncio por um momento. A pergunta honesta merecia uma resposta honesta.
— Realmente não sei o que sentir. — Respondi, a voz mais baixa agora. — Tô confuso, com raiva, excitado, com ciúmes... tudo ao mesmo tempo. Acho que precisamos conversar sobre isso, mas não agora. Não tô... não tô pronto ainda.
Vi lágrimas se formarem nos cantos dos olhos dela, mas ela piscou para trás.
Terminamos nossa comida em silêncio desconfortável e limpamos. Podia sentir o peso do que não estava sendo dito entre nós. Sabia o quão importante exercício era para ela - era como ela processava as coisas. Talvez nós dois precisássemos de espaço.
— Talvez você deveria ir pra academia. — Sugeri, a voz mais gentil agora. — Clarear a cabeça. Podemos conversar quando você voltar e eu... quando eu tiver processado melhor.
Ela acenou, parecendo aliviada e triste ao mesmo tempo.
— Você quer vir? — A Bruna perguntou quando desceu das escadas, vestida com um conjunto de legging preta e top esportivo rosa claro. Tinha amarrado o cabelo loiro num rabo de cavalo alto.
— A Renata vem também.
A melhor amiga e colega de trabalho da Bruna era parceira regular de treino, e às vezes eu entrava para treinar em grupo. Normalmente era divertido, mas hoje eu precisava ficar sozinho tanto quanto ela.
— Tô bem, fui correr essa manhã e tô exausto. — Respondi, evitando o olhar. — Tenho umas coisas que preciso... pensar.
— Tá. — A voz dela saiu pequena. — Te amo.
Ela esperou. Eu sabia que ela esperava eu dizer de volta, como sempre fazia. O silêncio se estendeu por alguns segundos longos demais.
— Também te amo. — Finalmente disse, e era verdade, mas as palavras saíram pesadas, carregadas com tudo que não estava sendo dito.
Vi a dor passar pelo rosto dela antes de forçar um sorriso, amarrar os tênis e sair pela porta.
Quando a porta fechou, deixei escapar um suspiro que parecia vir do fundo da alma. A casa estava quieta demais agora. Quieta demais para abafar os pensamentos, quieta demais para esquecer os sons dela gritando o nome dele.
O dia estava chegando ao fim quando ela voltou. Ambos tomamos banho separadamente - ela no banheiro principal, eu no do corredor. Finalmente estávamos na cama. A tensão ainda pairava no ar como neblina espessa.
— Então... — disse enquanto gentilmente, hesitantemente, toquei a coxa dela por cima do lençol.
— Espera... Bruno. — Ela timidamente olhou para baixo entre nós, sem conseguir me encarar. — Não sei se consigo... ainda tô muito dolorida.
A última palavra saiu num sussurro envergonhado que cortou como faca.
Dolorida. Dele.
Senti a mandíbula apertar, mas forcei a voz a sair calma:
— Tá... que tal eu te dou uma massagem enquanto você me conta o que aconteceu? Preciso saber, Bruna. Tudo.
A Bruna olhou para cima para mim, e vi medo nos olhos dela. Medo de me perder, medo do que tinha feito, medo da verdade.
— Tá bom. — Ela finalmente disse, a voz quase inaudível.
A Bruna virou de bruços, usando apenas uma calcinha de renda preta. Me levantei e fui para a cômoda, pegando o óleo de massagem que tínhamos da última vez que fomos ao spa. Conforme caminhei de volta, não pude deixar de ver as marcas levemente avermelhadas na bunda perfeita. Marcas das mãos dele. Marcas da posse dele.
A raiva voltou, quente e intensa, mas embaixo dela... a excitação maldita que me envergonhava.
Lentamente tirei a calcinha, deslizando pela pele macia. Ela manteve o rosto enterrado no travesseiro, os braços cobrindo a cabeça como se pudesse se esconder. Pinguei o óleo nas costas sem avisar, e ela pulou levemente.
— Desculpa. — Murmurei, começando a massagear os ombros tensos. — Tá tensa.
— É... foi uma noite longa. — A voz dela veio abafada pelo travesseiro.
Respirei fundo.
— A última coisa que lembro claramente foi entrar no quarto e ver vocês dois transando. — Comecei, as mãos trabalhando os nós nas costas dela, talvez com mais força que o necessário. — Lembro de participar. De receber aquele boquete incrível...
Ela virou a cabeça para o lado, me dando um sorriso pequeno e triste.
— E de assistir você gozar no pau dele. — Continuei, a voz ficando mais tensa. — De ver minha esposa completamente perdida em prazer que eu nunca... que eu nunca consegui te dar daquele jeito.
— Bruno...
— Deixa eu terminar. — As mãos pararam de se mover. — Depois eu acordei no quarto de hóspedes. E ouvi vocês. Desci e vi... vi você fodendo ele na nossa cozinha. Vi você implorar pelo pau dele. Ouvi você dizer que ele é o dono da sua buceta.
Ela virou o rosto completamente para o travesseiro agora, os ombros começando a tremer.
— Então preciso que você me conte. Tudo. Como chegou ao sexo? Quanto tempo durou? Quantas vezes? — A voz saiu mais dura que pretendia. — Preciso saber com o que tô lidando, Bruna. Preciso saber se ainda tenho uma esposa ou se... se ele já tomou você completamente.
O silêncio pesado foi quebrado apenas pelo som abafado de um soluço.
— Bom... — A Bruna começou, a voz trêmula. — Perdemos a aposta, como você sabe. Eu queria trocar de roupa, tirar a lingerie, mas o Osvaldo me seguiu até aqui. Pensei que poderia só fazer a esfregada de buceta, cumprir o combinado e pronto, mas...
Ela parou, os ombros tremendo mais.
— Mas? — Pressionei, as mãos recomeçando a massagem, mais gentis agora apesar da tempestade dentro de mim.
— Uma coisa levou a outra... — A voz dela quebrou completamente. — Bruno, eu sinto tanto. Eu... eu perdi o controle.
— Espera. Me conta tudo. — Minha voz saiu mais controlada do que eu esperava.
Peguei mais óleo e espalhei na parte de trás das pernas dela. Minhas mãos tremiam levemente. Raiva. Tesão. Não conseguia separar um do outro, e isso me deixava ainda mais puto.
A Bruna soltou um suspiro pequeno quando o óleo tocou a pele. Podia sentir a tensão nos músculos das coxas dela. Ela estava nervosa. Deveria estar.
— Amor, eu tava tão excitada. — A voz saiu abafada pelo travesseiro. — A lingerie, a gente jogando lá embaixo, eu tinha certeza que íamos ganhar. Tava tão pronta pra chupar seu pau na frente do Osvaldo e fazer ele pagar. Mas o oposto aconteceu.
As mãos dela apertaram o lençol.
— Comecei a fazer a esfregada que ele queria e... porra, Bruno, só aumentou tudo. A excitação. Tudo.
— Tudo? — Repeti, a voz áspera. Minhas mãos subiram pelas coxas, massageando com mais força do que devia. — Define 'tudo'.
— Estar ali, na nossa cama, com ele... — Ela pausou. Por muito tempo. — Foi tão errado.
Algo na pausa me incomodou. Como se ela estivesse escolhendo cada palavra com cuidado demais.
— O que exatamente foi errado? — Pressionei, as mãos chegando à bunda dela. As marcas vermelhas ainda estavam lá. Marcas dele. Passei os dedos sobre elas e a senti estremecer. — Isso aqui? Essas marcas que ele deixou na minha esposa?
— Bruno... — A voz falhou.
— Responde.
— Tudo. Dar pra ele a esfregada usando a lingerie que comprei pra você enquanto você dormia lá embaixo... — Ela respirou fundo. — Tava me deixando louca de tesão.
A honestidade crua deveria me fazer sentir melhor. Mas não fez. Só piorou. Porque eu podia ouvir na voz dela - ela tinha gostado. Muito.
— Vira de costas.
A Bruna virou lentamente. Os peitos apareceram, redondos e macios, com marcas vermelhas ao redor dos mamilos perfurados. Imaginei a boca dele ali. As mãos dele. A raiva explodiu no meu peito como fogo.
Ela viu minha cara e corou. Os olhos desviaram.
— Desculpa... ele foi implacável.
Implacável. A palavra ecoou. Ele foi implacável, ou ela deixou ele ser?
— Você gozou antes de eu subir? — A pergunta saiu fria, direta.
Os olhos dela se arregalaram. Por uma fração de segundo, vi algo passar pelo rosto - hesitação? Cálculo? Mas foi tão rápido que não tive certeza.
— Não. — Ela segurou minha mão. Os olhos nos meus, arregalados, suplicantes. — Tava perto, bem perto, mas não tinha gozado ainda quando você entrou.
Meu estômago apertou. Alguma coisa estava errada. Eu tinha visto ela gozar milhares de vezes. Conhecia os sinais. E quando entrei naquele quarto, ela tinha aquele olhar - aquele olhar vidrado, saciado, que só vinha depois.
— Tem certeza? — Minha voz saiu baixa, perigosa.
— Tenho, amor. — Ela apertou minha mão mais forte. — Por que eu mentiria? A gente tá sendo honesto um com o outro, não tá?
A forma como ela virou a pergunta, colocando a honestidade em mim, me fez hesitar. Será que eu estava sendo paranoico? Será que estava vendo coisas que não existiam porque estava com ciúmes?
— Tá. — Murmurei, mas a dúvida ficou roendo.
Peguei mais óleo, espalhei na barriga dela, subindo para os peitos. Os mamilos endureceram quando toquei. Ela fechou os olhos.
— O que aconteceu depois que eu desmaiei?
— Vocês tomaram banho. — Ela disse, os olhos ainda fechados. — Como você sugeriu. Mas você desmaiou antes. O Osvaldo... ele foi babaca. Exigiu que eu lavasse ele com seu sabonete.
Ela abriu os olhos, me observando. Procurando minha reação.
— Aquele filho da puta. — A raiva voltou, quente e venenosa. — Ele te forçou?
Os olhos dela piscaram. Depois se encheram de lágrimas.
— Não... não exatamente. Mas ele foi muito insistente, sabe? — A voz quebrou levemente. — Eu tava confusa, ainda excitada da cama, você tinha desmaiado, e ele tava ali e eu... eu não soube dizer não.
As lágrimas escorreram. Reais. Eu podia ver que eram reais. Mas mesmo assim, alguma coisa no timing, na forma como ela estruturou a frase, me deixou inquieto. Era arrependimento genuíno ou... outra coisa?
— Esse desgraçado se aproveitou de você. — Ouvi-me dizer, querendo acreditar nisso. Precisando acreditar.
— Eu... acho que sim? — Ela soou genuinamente confusa. — Mas eu deixei, Bruno. Eu gostei. Isso me faz horrível?
A vulnerabilidade na pergunta me desarmou. Ou deveria desarmar?
— Como foi? — A pergunta saiu rouca. Meu pau já estava duro, pressionando contra a cueca. Eu me odiei por isso. — No chuveiro.
— É difícil lembrar tudo... — Ela começou, mas eu vi os olhos dela ficarem distantes. Relembrando. — Ele ficou me tocando. Brincando com a água, ameaçando molhar meu cabelo e maquiagem. Eu pedi pra ele parar mas...
— Mas o quê?
— Ele só ria. — Ela mordeu o lábio. — Aí ele se ajoelhou e... me comeu por trás. Eu tava de pé. E depois me empurrou contra a parede e me fodeu.
Minha mandíbula travou. A imagem queimou na minha mente - minha esposa, molhada, pressionada contra os azulejos frios do nosso chuveiro, sendo fodida pelo nosso vizinho filho da puta.
— Foi quando você gozou?
— Foi. — Um sussurro.
— E depois?
— Depois... eu cavalguelei ele. De costas. Ele sentou na prateleira e eu... — Ela pausou, as bochechas vermelhas. — Foi quando ele gozou.
Cada palavra era uma punhalada. Mas meu pau latejava na cueca. Ela devia sentir contra a coxa.
— Quantas vezes? — Pressionei, a respiração pesada. — Durante a noite toda. Quantas vezes vocês foderam?
Ela hesitou. Só por um segundo. Mas eu vi.
— Só essas duas vezes. — Os olhos encontraram os meus. — No chuveiro e de manhã na cozinha que você viu.
O sangue rugiu nos meus ouvidos.
— Não. — Minha voz saiu baixa, tensa. — Não mente pra mim, Bruna.
— Eu não tô men—
— EU OUVI VOCÊS! — Explodi, me afastando dela na cama. — A noite inteira, porra! Eu acordei, eu ouvi! Os gemidos, você gritando o nome dele, a cama batendo na parede! Você acha que eu sou burro?!
As lágrimas vieram de verdade agora. O corpo inteiro tremendo.
— Tá bem! Tá bem! — Ela soluçou, se sentando, cobrindo o rosto. — Foram mais vezes! Eu não lembro quantas exatamente! Tudo ficou confuso, Bruno! Ele não parava, ele continuava querendo mais e mais e eu... porra, eu não consegui dizer não!
Os ombros sacudiram com soluços violentos.
— Você desmaiou e eu me senti tão sozinha e ele tava ali e tava bom e... — A voz quebrou completamente. — Eu sinto muito! Eu sinto tanto, Bruno!
Meu peito estava apertado. Raiva, dor, ciúmes, tudo misturado numa bola sufocante. Mas vendo ela ali, quebrada, chorando...
Merda.
Me aproximei. Contra todos os instintos gritando pra eu me afastar, envolvi ela nos braços. O corpo dela tremeu contra o meu.
— Ele te machucou? — A voz saiu baixa, controlada com esforço. — Aquele desgraçado te machucou?
— Não... — Ela fungou contra meu peito. — Foi intenso, mas não foi isso. Bruno, eu deveria ter parado. Deveria ter ido dormir com você depois do chuveiro. Mas eu... eu gostei demais. E agora você me odeia.
— Não te odeio. — As palavras saíram automáticas. E eram verdade. Eu queria odiar. Seria mais fácil. Mas não conseguia. — Você é minha esposa. Eu te amo.
Ela levantou o rosto. Os olhos vermelhos, inchados, vulneráveis. Me estudando. Procurando algo.
— Mesmo depois de tudo?
— Mesmo depois de tudo. — Confirmei, odiando como isso me fazia sentir fraco.
Ela me beijou. Devagar, necessitado, trêmulo. Suas mãos nos meus ombros, me puxando mais perto.
— Me faz amor. — Sussurrou contra meus lábios. — Por favor. Preciso sentir você. Preciso saber que ainda sou sua.
As palavras certas. Perfeitamente certas. Mas havia algo no timing, na entrega...
Afastei o pensamento. Não agora.
Tirei a cueca. Ela envolveu a mão ao redor do meu pau, e eu sibilei. O toque dela ainda me incendiava. Sempre incendiou.
Me posicionei sobre ela. Os olhos se encontraram. Por um momento longo, apenas respiramos. Então deslizei para dentro.
Ela ainda estava apertada. O medo idiota que tive - que ele teria esticado ela ao ponto de eu não sentir mais nada - evaporou. Ela me apertava, quente e molhada, como sempre.
Mas será que eu parecia diferente pra ela agora? Depois dele?
— Te amo. — Sussurrei, me movendo devagar, gentil. Segurando o rosto dela nas mãos. — Quando olho nos seus olhos, ainda vejo a mulher que casei. Ainda vejo minha Bruna.
Os olhos dela se encheram de lágrimas de novo.
— Você é tão bom pra mim. — A voz quebrada. — Não mereço você.
— Shh. — Beijei as lágrimas. — Merece sim.
Mas enquanto nos movíamos juntos, devagar, terno, minha mente não conseguia parar.
Ela tinha mentido sobre as vezes. Mentiu direto no meu rosto. E só admitiu quando confrontada.
O que mais ela estava escondendo?
As lágrimas eram reais? Ou ela sabia exatamente o que dizer, como me tocar, pra me fazer ceder?
— Te amo tanto. — Ela sussurrou, as unhas arranhando minhas costas levemente. — Você é tudo pra mim, Bruno. Tudo.
As palavras eram perfeitas. Ela sempre soube as palavras certas.
Mas agora, pela primeira vez, eu me perguntei se as palavras certas eram realmente verdadeiras.
Gozamos juntos, corpos entrelaçados, sussurros de amor e promessas. Ela adormeceu nos meus braços, o rosto pacífico e lindo.
Fiquei acordado por horas.
Olhando pro teto. Sentindo o corpo macio dela contra o meu. Amando ela. Desconfiando dela.
Domingo estava chegando. A porta destrancada do Osvaldo.
Ela tinha dito que ia pensar. Que ia conversar comigo sobre a decisão.
Mas enquanto ela dormia, respiração suave e regular, me peguei imaginando.
Ela já tinha decidido?
E se já tinha... quando decidiu?
Antes de me contar tudo? Ou durante?
Fechei os olhos, puxei ela mais perto, e tentei não pensar na resposta.
Mas o medo já estava plantado.
Fundo. Escuro. Crescendo.
***
>> Pessoal, estamos caminhando ao fim dessa história, ainda falta duas… ou três partes (extensas). Sei que é um conto polêmico… até a parte anterior a tradução/adaptaçao do conto original estava sendo realizada com pequenas modificações em relação ao roteiro original. A partir dessa parte ocorrerão as mais significativas alterações. Então fiquem ligados. Quanto mais comentário e estrelas (pra quem estiver curtindo), mais rápido eu vou liberar as partes finais! Um abração a todos! E obrigado por acompanhar essa história até aqui comigo!