- Alô!? Oi, amor. Aconteceu alguma coisa? Vi que estava me ligando...
- Não... Sim, amor. Aconteceu. Vou precisara viajar à trabalho, para aquela convenção em Viena, e...
- Como é que é!? Quando? Não vai me dizer que é... Nesse final de semana!? E a nossa viagem? Não tem ninguém que possa ir no seu lugar?
- Pois é... Aconteceram alguns fatos estranhos aqui no trabalho e acabei sendo remanejada de última hora.
- Mas... Poxa, Helena... E a nossa viagem? Já tá tudo pago.
- Eu sei, amor. Já tentei de tudo aqui, mas não vai ter jeito. Eu mesma terei que ir.
- Porra, cara! Que sacanagem... - Bufei, chateado ao extremo enquanto procurava não estourar de vez com minha esposa e acabarmos numa discussão besta: - E por que me ligou? Não poderia ter me dado essa ótima notícia lá em casa?
- Esse é o outro problema? Já estou em casa arrumando as malas. Saio daqui a 30 minutos para o aeroporto.
- Caramba, hein! Se queria me deixar chateado, conseguiu.
- Não tenho culpa, Beto. É o meu trabalho. Infelizmente, não tenho outra saída.
Calei-me. Não sabia mais o que falar. Minha cabeça fervia. Todo o planejamento de meses para uma segunda lua-de-mel havia ido água abaixo. Fora as despesas, os pacotes de passeio, jantares românticos à luz de vela no deck suspenso com vista para o mar... Sinceramente, foi a maior porrada que eu já havia tomado na minha vida. Até ali...
- Beto, você ainda tá aí?
- E onde mais eu estaria, Helena? Estou, né! Trabalhando e chateado pra caralho.
- Desculpa. Juro que não queria isso.
- Quantos dias você vai ficar lá?
- 10 dias. - Ela suspirou profundamente: - Será que você não consegue cancelar ou remarcar nossa viagem? Se tiver que pagar alguma multa, eu tento cobrar da empresa. Sei lá...
- Não dá, né! A viagem já seria depois de amanhã. Agora não dá tempo de mais nada.
- Bem... Fazer o quê? Vou tentar um reembolso aqui na empresa depois e...
Nem ouvi o restante do que ela dizia. De repente, uma ideia surgiu na minha cabeça e vazou rapidamente para a minha língua:
- Eu vou viajar.
- Oi!? - Perguntou Helena, confusa.
- Vou viajar. Eu não vou perder todo o dinheiro que gastei nessa viagem. Sei que não é o ideal e sinto muito por você, mas eu vou viajar.
- Tá brincando, né? - A entonação dela mudou sutilmente.
- Não. Falo muito sério. Não vou ficar no prejuízo.
- Beto, eu não estou negando de viajar. Só não posso ir.
- Podia. Estava tudo certo. Combinado. Entre a gente e entre você e a empresa. Se eles querem sacanear com você, e você vai permitir, não vão sacanear comigo. Vou viajar e pronto!
Não vou escrever tudo o que conversamos nos 15 minutos seguintes porque era repetitivo, cansativo e vergonhoso. Conheci um vocabulário da minha esposa cujo vernáculo eu não sabia que ela dominava. Lembrei-me dos bons tempos de colégio e faculdade quando eu e meus amigos nos xingávamos enquanto bebíamos ou estávamos em nossas intermináveis farras. Se aquelas “doces palavras” viessem deles, eu não me surpreenderia, mas vindo dela, peguei-me questionando se eu realmente conhecia a mulher com que vinha dormindo nos últimos 5 anos.
Antes de continuarmos, permitam-me que eu me apresente. Sou o Roberto, mas todo mundo me chama de Beto. Até no escritório de advocacia em que trabalho, sou conhecido como Dr. Beto. Fisicamente, sou nada demais. Tenho uma boa altura, quase 1,80m, e um peso até que legal, próximo dos 84kg. Ok! 86kg. Certo, certo, certo... Já passei dos 90kg, mas vou emagrecer até fevereiro. É a minha promessa de ano novo. Tenho 42 anos e sou branco de cabelos pretos, mas já com alguns grisalhos nas têmporas. Eu até que me acho charmoso; bonito, seria indevido, talvez exagerado, principalmente se vindo de mim mesmo.
Sou casado com a Helena já há 5 anos. Antes namoramos 2 e noivamos por mais 1 ano, ou seja, estamos juntos há 8, mas morando efetivamente juntos só há 5 anos e meio.
Helena é a típica beleza clássica. Uma mulher alta para os padrões normais, com 1,75m e 63 kg. Ela é linda. Com seus 39 anos e seus cabelos pretos sempre presos em um coque protocolar, ela arranca olhares e suspiros por onde passa. E não é para menos! Parece um violoncelo, lindamente esculpido, seios médios, uma cinturinha de pilão e uma bunda grande (que ela jura ser média), durinha, adornando suas pernas sempre malhadas, mas esguias. Helena não acredita que a moda “cavalona” dure para sempre e prefere mantes suas formas sempre femininas.
Helena é formada em administração de empresa, com MBA em fusões. Atualmente, trabalha como diretora na Imperium, uma multinacional americana especializada em semicondutores. Não entendo direito dessa área, mas o que entendi é que estão investindo pesado em algumas regiões do Brasil, interessados na exploração de “terras raras”. Helena é a responsável pela análise e aquisição de empresas locais, gerindo um grupo altamente especializado de 50 pessoas, entre homens e mulheres. Acima de Helena na empresa, apenas duas pessoas: Richard Gottschalk, o diretor americano transferido para o Brasil, assumindo o cargo de CEO local; e, Mr. Bronson, o CEO da matriz.
Tive o prazer de conhecer ambos numa festa de final de ano há cerca de dois anos. Richard é o típico americano, branco, aloirado, já com alguns grisalhos e bem fora de forma, mais do que eu. Ele tinha seus quase 50 anos na época. É casado com uma loira estonteante chamada Jasmine. Linda mesmo! Parece que foi modelo quase na mesma época em que Gisele Bündchen brilhava nas passarelas. Ele foi educadíssimo e não poupou elogios para a Helena. Acho que ele a vê como uma sucessora natural para quando voltar aos Estados Unidos.
Já o Mr. Bronson é uma surpresa viva. Apesar de já ter quase seus 60 anos, parece ter muito menos. É alto, certamente com quase 1,90m ou mais, e forte para caramba. Parece um jogador de futebol americano. Coincidentemente, conversando com outras pessoas nessa festa, descobri que ele realmente jogou nessa modalidade, mas nunca se especializou. Outra coisa que o destaca é o seu bigode, grande e farto. Fiquei na dúvida se o Bronson é realmente seu sobrenome ou se é um apelido derivado de um antigo ator americano chamado Charles Bronson. Isso ninguém conseguiu me elucidar.
Mr. Bronson não era um homem de muitas palavras. Até mesmo porque só falava inglês, francês, russo, alemão e um pouco de chinês. O português dele era deplorável e ele preferia conversar em inglês, mesmo sem saber se nós, pobres brasileiros, éramos versados em inglês. Para minha sorte, eu era. Conversamos brevemente sobre diversos assuntos e ganhei a promessa de que, se eles precisassem de um departamento jurídico, me procuraria ou contrataria o escritório em que trabalho.
O fato do Mr. Bronson estar desacompanhado até não era estranho. Afinal, sua esposa poderia ter ficado nos Estados Unidos. Mas depois soube por alguém da empresa de Helena, que ele se divorciou após um escândalo. Minha curiosidade me levou a fofocar com alguns e soube que ele vinha sendo traído pela esposa com um antigo motorista. Resultado: a esposa ficou sem nada, pois Mr. Bronson tinha um espetacular acordo pré nupcial que lhe dava o direito de ficar praticamente com tudo. Estranho foi o tal motorista, encontrado carbonizado semanas após seu desligamento da empresa. Quem me contou, sob anonimato, disse que ele foi encontrado com o pau e as bolas na boca.
Há quem diga que o Mr. Bronson foi o mandante; outros que o tal motorista tinha envolvimento com uma gangue de Nova Iorque. Fato é que as investigações não deram em nada, e o homem segue divorciado há mais de 15 anos.
Nem por isso, o tal americano deixa de ser safado. Notei que em algumas ocasiões, ele se aproximava das mulheres e as tocava nas costas, cintura ou braços. E era só com as mulheres, porque, nos homens, ele nem encostava. Naturalmente, ele dava mais atenção as mais belas. Naturalmente também, Helena não escapou. Só que eu, brasileiro, ladino, ao ver que ele tocava em suas costas com certa insistência, inclusive alisando-a sutilmente, me aproximei e a convidei para dançarmos. Ambos sorriram para mim: ela surpresa; ele vendo que havia sido pego. O sorriso de Helena era de pura alegria para mim, mas o dele deixou algo no ar, algo que me deixou levemente desconfortável:
- Mas o que deu em você? - Perguntou Helena quando eu já a tinha nos meus braços, singrando o salão.
- Sério!? Eu vi! - Resmunguei, fingindo estar bravo.
- Viu o quê?
- Ele... - Fiz um leve meneio de cabeça na direção do Mr. Bronson que já alisava a cintura de uma mulata do departamento de marketing: - E não tente negar.
Helena não é o tipo de mulher que se deixa abalar por qualquer coisa, mas ela se abalou. Mesmo fingindo maravilhosamente bem, vi que fez um biquinho discreto que eu conhecia bem: ela sabia que tinha sido pega:
- Sem cena, por favor. Além disso, não foi nada demais. - Ela resmungou.
- Então, qual é a dele?
- Não sei, amor. Ele é só um solitário. Acho que ele faz isso para ver se consegue alguma companhia. E deve dar certo porque parece que ele e a Samara estão se dando bem. - Indicou a mesma direção dele com a mulata que eu havia visto há pouco.
- Mas você é casada, Helena! Aliás, você e pelo menos umas outras 4 ou 5 que eu vi ele bolinando da mesma forma.
- Bolinando!? - Helena sorriu, olhando-me nos olhos: - Ciúmes a essa altura de nossas vidas, Beto? Adorei!
- Estou errado, então?
Ela me encarou em silêncio por alguns segundos e novamente sorriu:
- Não, amor, não está. Só acho que está exagerando. Ele só... sondou. E como meu cavaleiro de armadura reluzente veio ao meu socorro, ele entendeu, aceitou e se retirou.
- Mas ele te alisou. Eu vi.
- Sim. Talvez tenha. Mas foi discreto, sutil e nada ofensivo. Talvez... ele tenha extrapolado sim. Não talvez não, isso não foi correto. Mas já acabou, estou bem, muitíssimo bem acompanhada e quero aproveitar o restante dessa noite maravilhosa ao lado do homem mais bonito dessa festa.
Fingi não ter entendido a brincadeira e olhei ao meu redor, voltando a encará-la pouco depois:
- Tenho outro concorrente?
- Não, seu bobo. Estava falando de você.
- Bonito, eu!?
- Lindo. Charmoso. Carinhoso. Protetor. - Dizia entre leves e discretos selinhos em meus lábios até apertar discretamente a minha bunda: - E gostoso!
A noite seguiu sem maiores intercorrências? Quase. Por volta das 1:30, quando algumas pessoas já se retiravam, o tal do Mr. Bronson veio até a mesa em que estávamos eu, minha esposa, seus colegas Roger e Amara, analista de risco e responsável pelo TI, estes acompanhados de Safira e Binho, esposa e noivo deles respectivamente. Não seria nada estranho, afinal, o salão já esvaziava e imaginei que ele procurasse companhia para conversar. Mas qual não foi a minha surpresa quando ele, num português horrível, disse:
- Dar honra de dançar juntos? - Disse olhando para a Helena.
Todos na mesa se calaram e olharam para mim, inclusive a Helena, óbvio. Eu a encarei e suspirei, profundamente constrangido, mas naturalmente disposto a recusar por ela o convite. Mas Helena, me conhecendo, se adiantou e apertou a minha coxa, como se dissesse “Eu resolvo!”. Ela então se levantou, ficando cara a cara com o Mr. Bronson e, num inglês irretocável, disse:
- Eu realmente agradeço seu gentil convite, Mr. Bronson, mas eu sou casada e não seria cordial da minha parte com o meu marido dançar com outro homem que não ele, concorda?
Ele a encarou com uma calma fria, típica dos melhores negociadores, típica de quem não está acostumado a perder, e deu um sorriso. Ele então se inclinou na minha direção e me encarando, disse no inglês:
- Nenhum casamento sobrevive a falta de confiança. Será que você não confia o suficiente na sua mulher para permitir que ela dance uma única música comigo?
Rapidamente olhei para os demais presentes e me levantei. Encarei o Mr. Bronson, olhos nos olhos enquanto abotoava o primeiro botão de meu terno e respondi, igualmente em inglês:
- Confio em Helena com a minha vida, Mr. Bronson. Mas eu também conheço os valores dela e nunca a constrangeria a aceitar o convite de um homem estranho ao nosso círculo de amizade. Lamento, mas a resposta dela para o senhor foi negativa, e eu a ratifico.
Pode ter sido impressão minha, mas por um átimo de segundo, vi os olhos daquele homem tremerem, não de medo, mas de raiva, ódio. Incrivelmente, ele disfarçou, dando um sorriso mais falso que uma nota de R$ 3,00 e colocou uma mão em meu ombro e a outra nas costas da Helena, falando para ela:
- Eis um homem que te respeita e apoia, Mrs. Camargo. - Depois se virou para mim: - Respeito um homem que sabe se impor pelas palavras, Dr. Camargo. Que elas nunca sejam em vão.
Não entendi a última parte de sua resposta e quando ia indaga-lo a respeito, ele se virou. Estiquei meu braço para segurá-lo antes que saísse, mas Helena foi mais rápida e segurou a minha mão, olhando no fundo dos meus olhos. Ele saiu e ela me convidou para irmos embora. Despedimo-nos dos presentes e saímos. No carro, já a caminho de casa, ela falou:
- Desculpa se te interrompi, mas eu não queria que aquela situação constrangedora continuasse.
- Você ouviu o que ele disse por último? Eu só ia o que ele quis dizer com aquilo.
- Tá. Eu também não entendi e... - Ela se calou, olhando para a frente: - Não sei deve ser alguma expressão americana que não faz muito sentido no português.
- É. Deve ser...
O restante dos 30 minutos do salão de eventos até a nossa casa foi feito num silêncio quase sepulcral. Entramos em nosso condomínio e estacionei na minha vaga de costume. Pegamos o elevador e só então notei que estávamos calados. Tentei conversar, mas Helena disse apenas que estava cansada. Não a culpo, eu também estava, cansado, tenso e ainda curioso.
Assim que entramos, Helena me convidou para dormirmos, mas eu disse que iria apenas dar uma rápida relaxada na sala antes de me recolher. Ela se foi sem maiores indagações. Servi-me de uma boa dose de uísque e sentei em nosso sofá, refletindo sobre tudo o que havia acontecido naquela noite. Acabei não chegando a conclusão alguma, não que eu não pudesse, mas porque não tive tempo.
Coisa de uns poucos minutos depois que me sentei, vejo uma silhueta bem conhecida se sentar no braço do sofá, bem ao meu lado. Helena agora de cabelos soltos, tomava meu copo e bebia um curto gole do meu uísque:
- Não consigo soltar o zíper, amor. Pode me ajudar?
Levantamo-nos e baixei o zíper facilmente, tão facilmente que ela também conseguiria. Como um bom cavalheiro, ajudei-a a livrar os ombros daquele tecido e senti de imediato o perfume suave que emanava de sua nuca:
- Está mesma cansada?
Ela se virou para mim e me encarou no fundo da alma, ainda segurando o vestido à frente dos seios, mas que rapidamente foi solto, indo ao solo e revelando os seios desnudos e uma calcinha rendada e transparente, da mesma cor do vestido, além de suas meias calças 7/8, mais escuras para garantir um contraste:
- Para você nunca, meu amor.
Naturalmente, nos beijamos. Um beijo quente, necessário, mas nem por isso menos carinhoso. Só que o carinho podia esperar. Pelo menos, a primeira gozada ele iria esperar.
Apertei o corpo de Helena no meu e a senti tremer de excitação. Adoro quando ela faz isso e meu pau deu um sinal de vida imediatamente. Toquei sua buceta por cima da calcinha e notei que ela estava extremamente úmida, quase escorrendo pelas pernas. Minha boca também se enchei de água e eu a coloquei sentada sobre o sofá:
- Calma, amor. Vamos para o quarto. É mais confortável...
Eu não queria conforto. Eu queria Helena. Nem me dei ao trabalho de responder seu pedido, apenas abri suas pernas e puxei a calcinha para o lado, caindo de boca naquela linda buceta totalmente depilada. Só então notei uma pequena e discreta pimentinha com uma letrinha “B” estilizada, tatuada onde o tecido cobria. Olhei para Helena que sorriu de imediato:
- “B” de Beto, oras.
- Mas meu nome é Roberto.
- Eu não te chamo assim. Você sabe. Se eu fosse tatuar uma letra pela forma como te chamo, teria que ter tatuado um “A” de amor.
Deixei passar e dei uma grande lambida naquela letra, descendo de imediato para o clítoris que lambi suavemente, como eu sabia que ela gostava. Senti os pelinhos de sua perna se arrepiarem quando fiz isso. Ponto para mim! Puxei-a um pouco mais para baixo e levantei suas pernas, dando-me acesso total a sua intimidade. Apoiei-as em meu ombro e a partir daí fiz o que podia e precisava para fazê-la ter um orgasmo. Foram línguas, dedos, beijos, lambidas e chupadas por toda a sua buceta, chegando até o seu cuzinho apertado e cheirando a sabonete. “Safada! Veio mesmo preparada.”, pensei enquanto a chupava, imaginando que ela fora para o quarto se higienizar ao máximo para mim:
- Beto! Ai, ai... Isso! Aí! Bem aí! Continua. Bem gostoso... Eu... Eu... Vou... GozaAAAAAHHHHHHH!
Helena começou a tremer e convulsionar na minha boca e mãos. Foi lindo vê-la perder o controle do próprio corpo, sendo engolido por uma mar de sensações primitivas. Lentamente, seu corpo parou de tremer e ela foi amolecendo, até relaxar por completo. Mesmo assim não perdi a chance de sorver aquele néctar que transbordava de sua buceta.
Não sei quando foi, mas teve um momento em que abri os olhos e vi que ela me encarava com um sorriso de gratidão no rosto. Levantei minha boca lambuzada e sorri de volta, como se fosse uma criança que acabou de se lambuzar num sorvete e sorria para a mãe que o comprou. Bem... Helena não é a minha mãe.
Ela desvencilhou as pernas de meus ombros e se jogou sobre mim, ambos rolamos pelo felpudo tapete de nossa sala. Rapidamente, me vi nu da cintura para baixo, êxito de minha sagaz esposa. Mais rápido ainda sua boca engoliu o meu pau até a base, algo que ela nunca fizera antes. Arregalei meus olhos com a imagem e instintivamente, segurei firme no tapete abaixo de mim. Helena foi levantando a cabeça até eu ouvir um “Ploc!” da sucção que ela me fez no pau todo. Só então ela me encarou e me viu com uma olhar que eu só posso definir como escandalizado. Mas ela estava tranquila e sorriu:
- Não sabe quantas bananas precisei usar para aprender a fazer isso.
- Bananas!?
- É, ué! Ou você acha que eu aprendi a fazer isso com outro pau?
- Nem sei o que dizer, mas gostei demais. Dá para repetir?
Ela sorriu, um sorriso malicioso, quase maldoso, lembrando-me de uma pintura da imperatriz-consorte Valéria Messalina, consorte do Imperador Cláudio. Mas naquele momento, o sorriso dela era o que menos me importava.
Helena voltou a abocanhar meu pau, engolindo-o primeiramente só a cabeça. Depois, a cabeça e 1/3. Depois, a metade. Depois, só a cabeça novamente, lambendo e sugando como se sua vida dependesse disso. Depois, até a base, fazendo-me arquear o corpo involuntariamente na sua direção. Não sei como, mas nessa posição, ela ainda conseguia me lamber o saco. Senti meu pau dar socos em sua boca, controlados pelas habilidosas mãos de minha esposa:
- Caramba! Devagar, senão eu vou gozar, Helena!
Ela soltou o meu pau e com uma mão segurou a base e o apertou, enquanto seguia punhetando a metade superior:
- Vai se segurar! Porque hoje eu quero muito ser tratada como uma puta.
- Oi!? - Perguntei, meio assustado.
- Quero! Você vai me tratar como uma puta de rua. Quero que você me use, abuse e goze onde quiser, dentro ou fora. Você escolhe.
- Por que isso agora?
- Porque meu marido me defendeu de um assediador safado que tenho a certeza absoluta, iria me usar como uma puta e depois me descartar.
Fiquei meio confuso e não consegui evitar uma pergunta quase broxante:
- Então, você quer que eu faça com você o que o Mr. Bronson faria, é isso?
Ela me olhou por um instante, a boca ocultado a cabeça do meu pau. Após um novo “Ploc!”, ela falou:
- Sim! Mas não porque eu queria o Mr. Bronson, mas porque é justo que o meu marido, o meu homem, o meu amor, tenha acesso total e irrestrito ao meu corpo.
Eu a encarei por um momento, enquanto ela me encarava, voltando a chupar a cabeça e o terço superior do meu pau:
- Sem limites mesmo? - Perguntei.
- Sem limites mesmo! - Ela confirmou.
- Então, sai!
Ela ficou surpresa e largou o meu pau sem saber o que fazer. Levantei-me como pau duraço e mandei:
- Fica de joelhos.
Ela se posicionou e a altura era perfeita para eu tentar algo nunca antes experimentado. Aproximei-me e ela entendeu de imediato, amarrando o cabelo num rabo de cavalo. Abriu a boca e pegou o meu pau novamente:
- Mãos para trás! - Mandei.
Ela sorriu e colocou as mãos atrás das costas. Esfreguei o meu pau babado em seu rosto enquanto ela tentava abocanhá-lo, ora sorrindo, ora colocando a língua para fora, ora fingindo tentar mordê-lo. Numa destas tentativas, afastei-me e lhe dei um rápido tapa no rosto:
- Puta não morde! Contenha-se.
Ela uma risada alta, quase uma gargalhada e balançou a cabeça afirmativamente. Voltei a esfregar o pau no seu rosto e decidi ousar ainda mais, pegando o seu rabo de cavalo e esfregando no meu pau, para tirar o excesso de saliva. Nesse momento, eu vi ela me olhar invocada. Acho que faltou pouco para ela me xingar. Antes que ela tivesse essa ideia, enfiei o pau em sua boca, forçando-o até onde eu conseguia. Segurei em sua cabeça e tentei me movimentar para foder a sua boca, mas talvez pela falta de prática dela, ou talvez da minha própria, vi que ela começou a ter ânsias e engasgar. Numa dessas vezes, quando eu a segurei grudada a minha cintura, pau todo dentro de sua boca, tomei um baita beliscão na bunda:
- Ai, caralho! - Soltei-a: - Por que você fez isso, Helena?
- Ar! Preciso de ar! - Ela respondeu, arfando: - Devagar que eu não sou profissional, Beto. Lembre-se: não sou uma puta de verdade!
Ela até podia não ser uma puta de verdade, mas sabia fingir que é uma beleza!
Voltei a foder a sua boca, agora mais lentamente. Acabamos encontrando um ponto de equilíbrio, entre profundidade e velocidade, e fiquei aproveitando até quase gozar. Quando estava prestes a fazê-lo, perguntei se ela queria beber. A resposta dela seguiu sua proposta inicial:
- Sou sua puta! Faça o que quiser, onde quiser, do jeito que quiser. - Ela então sorriu: - Já me sujou o meu cabelo mesmo...
Puxei o meu pau e comecei a me masturbar na frente dela, a poucos centímetros de distância. Olhei para ela que me encarava, hipnotizada:
- Não fique aí parada! Lambe o meu saco, putinha.
Ela avançou e começou a me lamber o saco. Às vezes, colocava uma das bolas na boca e brincava, chegando a me dar estranhos choquinhos. Ela se agarrou na minha bunda e seguia fazendo isso, até que senti um dedo avançando em direção ao meu buraco:
- Aí não, Heleeeeeena!
- Relaxa, Beto. Sei o que estou fazendo...
Ela insistiu e passou a massagear com a ponto dos dedos a minha musculatura anal. Minha excitação estava confusa, quase gozando e quase broxando, mas foi ela enfiar de surpresa a ponta do dedo no meu buraco que meu pau deu um tranco e comecei a gozar sem controle, atingindo seu rosto em cheio. Ela soltou-me, abrindo os braços como se quisesse tapar o rosto, mas não o fazendo. Descontrolado, tentei enviar o pau em sua boca, resvalando nas bochechas, até que ela abriu e abocanhou a cabeça. Devo ter jorrado umas 3 ou 4 vezes fora, o restante foi na boca dela.
Assim que terminei, joguei-me no sofá, as pernas bambas. Só então eu a encarei e vi a lambança que havia feito. Ela estava com porra na testa e cabelos, bochechas e queixo, respingando nos seios. Também havia porra dentro de sua boca, ou talvez não mais, se ela tivesse engolido. A curiosidade me moveu:
- Abra a boca.
Surpreendi-me novamente. Ela abriu a boca e vi que já havia engolido, algo que ela raríssimas vezes fez. Mesmo tendo gozado naquele exato momento, senti o meu pau dar sinal de vida e passei a alisá-lo:
- Pegue o máximo possível da porra que espirrou no seu rosto e coloque na boca. Quero ver você engolindo novamente, mas com calma, bem devagar. Quero desfrutar da imagem da minha putinha bebendo o meu leite.
Ela me encarou com uma expressão de inconformismo, pois ela não era mesmo dada a esse tipo de conclusão. Ainda assim suspirou fundo e com os dedos começou a puxar o máximo que pode do rosto e queixo para a boca, fazendo cara de poucos amigos, até de nojo em alguns momentos. Fez o mesmo que conseguiu colher de seus seios. Quando se deu por satisfeita, me encarou e abriu a boca, mostrando a porra que havia conseguido:
- Agora, saboreie e engula. - Mandei.
Ela fez uma cara de interrogação e expliquei:
- Saboreie a minha porra com a língua, e depois engula. Simples assim.
Vi ela passear a língua por dentro da boca, levando a porra para cá e para lá, como se fosse o manjar dos deuses. Meu pau já estava quase duro novamente só de assistir a essa cena. Após alguns segundos, ela engoliu de olhos fechados, o que sei pelo movimento de sua garganta. Quando abriu os olhos novamente e me viu a encarando de pau duro na mão, ela sorriu e abriu a boca, mostrando o óbvio: nada.
Avancei sobre ela, deitando-a no tapete e me enfiando no meio de suas pernas. A penetração era necessária e foi rápida, profunda e fácil. Sua excitação ajudou e muito o meu trabalho. Comecei a bombá-la como um animal. Gemidos, grunhidos e gritinhos inundaram o ambiente todo. Tomado por um tesão fora do normal, beijei sua boca, pouco me importando que há poucos minutos eu havia gozado ali. Afinal, se o veneno do escorpião não o matava, não seria a minha porra que me faria um viado. Foram minutos insanos, nos quais senti o corpo da Helena se retesar mais umas 2 vezes, sob o meu corpo. Quando eu estava para gozar, decidi dar outro banho nela, mas Helena me segurou forte, trançando suas pernas na minha cintura:
- Dentro... Dentro! Goza dentro. Uiiiii – Gemeu, jogando seu quadril contra mim.
Não consegui resistir mais e gozei outra vez. Não foi tão forte quanto a primeira, mas foi muito intensa, profundamente insana.
Joguei-me sobre Helena e pouco depois rolei para o seu lado, ficando de costas sobre o tapete. Pouco depois, ela rolou de lado para mim e ficou acariciando o meu peito. Após algum tempo, ouvi sua voz:
- Nossa! O que te deu hoje?
- Nada. Não sei. Só sei que... – Ri rapidamente: - Como diz Sócrates: só sei que nada sei.
- Eu sei...
- Sabe? – Olhei para ela que brincava de morder o meu ombro.
- Sei... – Ela me encarou, sorrindo: - Acho que você ficou com ciúmes do Mr. Bronson e depois com tesão de saber que tem uma mulher que desperta o interesse de outros homens. Daí quis me mostrar que essa mulher aqui já tem dono.
- E se for?
- A-do-rei! Que venham mais Mr. Bronsons para te deixar com bastante ciuminho para me dar outras surras de pica como hoje. Tô com a buceta latejando, amor.
- Então, quer mais?
- Mais o quê? Sexo?
- É.
- Você aguenta mais uma?
Querer eu até queria, mas sabia que era humanamente impossível. Expliquei para ela que, talvez, mais tarde, ou cedo, pois já passava das 3:00 da madrugada. Fomos tomar uma ducha e deitamos, aliás, apagamos quase que imediatamente.
Essa foi a primeira de muitas transas regadas a muita provocação da parte de Helena. Interessante que sempre que ela estava disposta a descarregar o seu lado “puta”, ela vinha com alguma novidade. Primeiro, foi a tal “garganta profunda”. Depois, foi a “borboleta paraguaia”. Depois, a “bailarina agachada” que me deixou meio desconfortável. Depois, a “cama de Cleópatra” que deu uma câimbra violenta em minha panturrilha. O “fio terra” que ela me fez naquele dia, já me deixou encucado, mas quando ela me propôs a “malabaristas”, eu recusei:
- Por que, amor?
- Cê tá querendo beijar o meu cu, Helena?
- Você beija o meu. Qual o problema?
- Helena, eu sou homem!
- E daí? Eu sou mulher. Deixa de ser bobo.
Mas não aceitei. Sei lá. Talvez fosse bobeira minha realmente, alguma machismo mal resolvido. Só sei que deixei bem claro que o meu buraco era zona intocável, inegociável. Ela aceitou, embora não tenha concordado muito com minhas limitações. Prometi que tentaria relevar alguns limites com o tempo, mas sem fixar qual. Por mim, seria para sempre; por ela, eu já estaria “aproveitando”.
Voltando aos dias atuais...
Depois daquela discussão pesada com Helena, passei a refletir e comecei a me sentir culpado por ter, mesmo que indiretamente, a culpado por ter estragado a nossa viagem. Decidi que não iria viajar, mas teria que contar isso para ela, além de pedir desculpas pelo meu papelão.
Liguei para seu celular, mas não fui atendido. Após duas ou três ligações não concluídas, o aviso mudou, avisando que estava fora de área ou desligado. Talvez ela já estivesse embarcando e tivesse ativado o “modo avião”. Ainda assim, mandei uma mensagem:
“Amor, desculpa o meu papelão.
Fui imaturo e injusto com você.
Não vou viajar no final de semana. Acho que só falei aquilo porque estava com raiva.
Vou tentar remarcar a nossa viagem. Mas esperarei seu retorno para decidirmos a nova data.
Eu te amo.
Beto.”
Terminando o meu turno, cheguei em casa por volta das 19:00, apenas para encontra-la vazia. Já faziam 6:00 da minha última conversa com Helena. Das malas que estávamos preparando para a nossa viagem, a dela havia sumido, certamente levada para a viagem à Viena. Fui até o nosso closet e vi que ela havia levado também vários tailleur, terninhos, camisas e vestidos sociais, enfim, tudo para um longo período de trabalho.
Sentei-me em nossa cama e olhei para a última mensagem que havia mandado para ela. Ainda não havia sido entregue e eu não sabia quando seria, afinal, o voo para Viena levava mais de 14 horas, dependendo ainda do número de conexões.
Tomei meu banho e vesti algo mais confortável. Fui até a cozinha e fiz um lanche que me desceu torto. Novamente olhei para o celular e a mensagem ainda não havia sido entregue, o que era normal, pois ela ainda não devia ter chegado na Europa. Assisti um pouco de televisão e decidi dormir. Não havia mais nada a fazer.
Acordei no dia seguinte às 6:00. Como de costume, desci para fazer o meu desjejum e me preparar para malhar. Enquanto comia um lanche leve rápido, olhei para meu celular. Helena havia recebido minha mensagem e respondido quase meia noite:
“Obrigada por me entender, amor.
Não foi papelão algum. Eu entendi perfeitamente sua frustração. Mas fico feliz que tenha entendido que eu não tive outra saída.
Assim que voltar, nós decidiremos a nossa nova viagem. Prometo que vou te compensar por todo esse transtorno.
Eu também te amo. Muito mais do que você imagina.
Farei tudo por nossa felicidade.
Da sua, sempre sua,
Helena.”
Fiquei feliz com aquele contato e tentei novamente ligar. Em vão. Mandei uma mensagem de “Bom dia.”, mas ela sequer recebeu. Talvez, ela já tivesse chegado em Viena, mas acredito que já estava dormindo, descansando da viagem.
Fui malhar e 1 hora e meia depois, retornei para casa. Tomei uma ducha e fui para o escritório, pois os compromissos não paravam. Foi uma manhã maçante.
Durante o almoço, liguei para Beatriz, que havia nos assessorado na compra do pacote de viagem e dos passeios. Expliquei toda a situação e ela lamentou. Perguntei como ela poderia me ajudar e ela disse que pouco poderia fazer pelo pouco tempo que tinha até o dia da viagem:
- Poxa, Bia, mas... você não consegue fazer nada, nem mesmo me deixar em crédito aí?
Eu conhecia Bia desde a infância. Seus pais eram vizinhos dos meus. Então, se ela pudesse fazer, certamente faria. Ouvi uma risada dela, alguns xingamentos que não sei se era dirigidos a mim, à empresa da Helena, ou a outra pessoa, até que ela falou:
- Assim cê me fode sem fazer gozar, né, Beto! Caralho, viu! Acho que... Acho que vou colocar você num voo pra puta que pariu ou pra Viena, sei lá...
Nem ouvi o restante do que ela falou. Tive um momento “Eureca!” ali:
- Você conseguiria fazer isso, Bia?
- Isso o quê, homem de Deus?
- Me colocar num voo para Viena, oras.
- Cê tá falando sério?
- Ué! Por que não? Iríamos viajar eu e Helena para o resort, em duas pessoas. Não daria para transformar isso numa viagem internacional para Viena, com hospedagem num hotel jeitosinho?
Ela novamente ficou em silêncio, mas voltou a xingar pouco depois. Ouvi também ela macetando um teclado com violência. Após alguns minutos em que fui ignorado por 2 vezes, ela me falou:
- Consegui um milagre aqui... Posso te colocar num voo que sairá amanhã à noite, com conexão em Madri e Paris. É longo, cansativo, chato, mas você estará em Viena em 2 dias.
- E hotel?
- Consegui também. Um meia pensão, com café da manhã e jantar. Sua lua-de-mel com resort all inclusive, mais uma penca de passeios, dará para pagar voo de ida e volta para uma pessoa e estadia por 7 dias. Tá bom assim para você?
- Bia, você é um anjo!
- Sou, né, seu filho da puta!? Tá me devendo um puta de um churrasco quando voltarem e ai da Helena se fizer bico para mim. Acerto ela, hein? Tô falando sério!
Agradeci Bia e acertamos os detalhes finais. Os bilhetes dos voos e a confirmação da reserva ela me mandaria por WhatsApp e e-mail. Minha chegada em Viena seria uma surpresa e tanto para Helena. Fiquei feliz. O dia até transcorreu mais leve a partir de então. Trabalhei embalado.
Quando já eram quase 17:00, Helena me ligou:
- Oi, amor. Como está?
- Bem, mas com saudades já. E você?
- Também! Morrendo de saudades de você.
- E aí, como estão as coisas aí em Viena?
- Tranquilas, por enquanto. Hoje foi só dia de descanso e adaptação aqui. Amor... o hotel parece um castelo. Acho até que é um castelo. Vou te mandar o nome por escrito para você ver na internet depois. – Ela me mandou uma mensagem, certamente o nome e continuou tagarelando: - Acabamos uma reunião interna nossa, só para alinharmos alguns detalhes. Já jantei e estou no quarto descansando. Vou tomar um banho daqui a pouco...
- Então, já deve estar bem... vestida, ou não?
Ela se calou por um instante e depois perguntou:
- Quer que eu faça uma chamada de vídeo? Já estou praticamente peladinha...
- Estou no escritório ainda, Helena. Acho que não vai dar muito certo...
- Ah é! Esqueci do fuso horário. Aqui já são 21:00.
- Pois é. Ainda tenho que trabalhar um pouco mais.
- Bem... É uma pena! De qualquer forma, vou te mandar um agrado no seu ZAP. Dá uma olhadinha depois.
- Heleeeena!
Ela dá uma risada e completa:
- Vou desligar, amor. Ainda estou cansada do voo. Vou só tomar o meu banho e capotar. Amanhã a gente tenta marcar algo para mais tarde, se é que você me entende?
Entendi, é claro. Despedimo-nos com juras de amor, beijos e ela desligou. Bem nesse momento, olho para a porta da minha sala e vejo uma estagiária do escritório, Luíza, com um olhar que era pura malícia. Ela entrou praticamente desfilando e veio até a minha mesa, deixando uma pasta:
- Quer dizer que está solteiro essa semana?
- Solteiro forçado e chateado, Luíza. Você sabe que iríamos viajar amanhã, mas acabou dando tudo errado.
- Nossa! Que chato, hein? E o que vai fazer com a sua viagem? Já encontrou outra pessoa para te acompanhar?
Parei o que estava digitando no meu computador e olhei para Luíza que me encarava como uma felina prestes a dar o bote num passarinho. Entendi de imediato que era o meu passarinho que estava na reta. Não fosse eu um homem sério, Luíza seria uma tentação e tanto para levar numa viagem: loirinha, 19 anos, corpo malhado em forma, todo durinho, pele morena e marcas de biquini. Mas ali eu já tinha os meus planos:
- Pois é. Não deu para viajar com a Helena. Então, vou curtir uma férias sozinho. – Menti.
- Porque quer! Garanto que você conseguiria companhia fácil, fácil.
- Talvez. Mas Helena não merece isso, merece?
Luíza se sentou na beira da minha mesa e me encarou:
- Talvez mereça. Senão teria recusado essa viagem e ficado com você.
- Luíza, vamos nos acalmar, ok? Foi um imprevisto, ela não teve como negar.
- Será!?
Valdemar, um dos donos do escritório, bateu na porta 2 vezes e a abriu, fazendo a Luíza pular da mesa. Ele entrou e sacou um clima estranho:
- Eu... precisava falar com você, Beto.
Luíza me encarou uma última vez:
- Posso te ajudar em mais alguma coisa, Dr. Beto?
- Não, Luíza, obrigado. Você já pode ir. – Falei, enquanto folheava sem nada ler da pasta por ela trazida.
Assim que ela saiu, Valdemar não perdeu tempo:
- Tá cheirando melzinho de xereca. Cês tão de safadeza, né?
- Tá louco, Valdemar? Tenho uma Helena em casa. Pra que vou arrumar um chifre desses pra minha cabeça?
- Pra sua não, pra cabeça da Helena, né? – Ele riu.
Mudamos de assunto e conversamos algumas questões jurídicas sobre dois casos diferentes. Depois, ele se despediu de mim e saiu.
Voltei para casa mais animado. Tomei meu banho, jantei decentemente e fui assistir televisão. Perto das 22:00 da noite, meu celular toca. Imaginei ser Helena querendo fazer algum joguinho. Atendi sem ver:
- Oi, amor.
- Oi... amor!? – Perguntou-me Bia: - Sabe que eu gostei?
- Bia? Por que você tá me ligando agora.
Depois de uma gargalhada dela, veio a explicação:
- Mudança de planos, “amor”. Seu voo sairá amanhã de manhã, 9:00 para ser mais exata.
- Caralho, Bia! Por que essa mudança?
- Porque tive que fazer meus malabarismos, “amor”. E o horário que eu havia reservado para você, deu aviso de overbooking. Então, tive que te remanejar.
Ela me enviou os comprovantes e após algumas explicações, desligamos. A mala que eu iria arrumar no dia seguinte, com calma, tive que fazer correndo. Aliás, nessa correria, acabei esquecendo de verificar se Helena havia me mandado mais alguma mensagem e apaguei.
No dia seguinte, a mesma correria. Banho, café, conferir a mala, me arrumar, pegar um táxi até o aeroporto, fazer o check in e me assentar no avião. Só então, pude respirar e decidi olhar se Helena havia me mandado alguma mensagem. E havia. E não era nada do que eu esperava...
A mensagem de Helena era curta, dolorosamente explícita e fatalmente nos levaria a enfrentar a maior dificuldade de nosso casamento:
“Amor,
Pensei muito se deveria escrever, ou te contar pessoalmente, ou nem te contar para evitar que você sofresse.
Mas eu jurei que seria honesta com você e mesmo que doa, em você e em mim, preciso me abrir.
Há algumas semanas, tenho sido semanalmente assediada por um alto executivo da empresa.
Sim. Assediada no sentido sexual da palavra.
Eu não transei com ele, nem queria, mas situações me levaram a concluir que seu eu não fizer isso, tanto eu como você podemos ser muito prejudicados, talvez arruinados financeira e emocionalmente.
Essa viagem... Essa convenção... Tudo acabou convergindo para que eu tenha que fazer uma escolha que pode ser terrível, mas que, ao mesmo tempo, poderá ser um importante divisor de águas em nossa vida.
Não posso te explicar todos os detalhes agora. Mas quero que saiba que tudo o que eu fizer a partir de hoje, será pensando em nosso futuro.
Sim. No meu e no seu futuro, juntos, se você ainda quiser ficar comigo.
Espero que compreenda que faço tudo por nós, mesmo que nos machuque um pouco no caminho.
Rezo a Deus para que você me perdoe.
Eu te amo, mais do que a minha própria vida.
Da agora não somente sua, mas sempre sua,
Helena.”
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
