A Minha Melhor Amiga Sempre Foi Uma Gostosa e Só Eu Não Tinha Reparado - Pt. 1

Um conto erótico de Ramon66
Categoria: Heterossexual
Contém 2400 palavras
Data: 31/12/2025 17:46:36

— Nossa, o povo é muito porco, na moral! — Sam reclamou atrás de mim.

— Nem me fala — respondi, encarando uma fralda suja enfiada no meio de um arbusto de hibisco. — Jesus amado, sorte que eu tô de luva!

Puxando a fralda com a pontinha dos dedos por entre os galhos, joguei a nojeira num dos dois sacos de lixo pretos de cem litros que eu vinha arrastando. O primeiro era pra latinha e garrafa pet, o segundo pra qualquer outra imundície que aparecesse.

— O que era? — Sam perguntou. — Mais nojento que aquele X-Tudo podre que eu achei que quase me fez chamar o Raul?

— Era uma fralda. — Virei pra ela, abrindo um sorriso torto. — Recheada com aquela "mostarda" de bebê, então acho que tô ganhando no campeonato de nojeira.

Sam levantou de trás da moita e deu de ombros.

— Beleza, vou deixar passar essa, mas só porque a gente nem terminou ainda e eu sinto que vou achar coisa pior.

— Veremos. — Apontei o dedo pra ela. — Lembra do trato: quem perder paga a entrada do próximo filme de terror.

— Então guarda tua grana. Vai estrear um filme de zumbi semana que vem com mó cara de ser trash. — Sam riu. — E dessa vez eu quero o combo grande de pipoca, sem miséria, Bruno.

— Se é assim, não vou pegar leve. Vou querer um milkshake gigante e uma caixa de Bis só pra mim.

— Cê já namora uma Bis-cate, pra que quer uma caixa deles? — Sam sorriu, esperando eu morder a isca.

Sem conseguir segurar, rebati:

— Pelo menos eu tô namorando alguém. E você, pegou alguém quando? No carnaval passado?

— Prefiro ficar sozinha do que com aquela piranha — ela respondeu, tirando o boné de aba reta pra trás e secando o suor da testa com as costas da mão.

— A Júlia não é piranha. Por que tu sempre implica com ela?

— Porque ela é, ué. Talvez você enxergasse se parasse de pensar só na comissão de frente dela.

— Fazer o quê? — Ri. — Ela tem peitos bonitos.

— Eu sei. Na real, a torcida do Flamengo inteira sabe. Não é como se ela fizesse questão de esconder.

— Se você tivesse, também ia querer mostrar. — Dei um sorrisinho de canto, sabendo que tava tocando na ferida.

— Eu tenho peito, caramba! — Sam estourou, caindo na minha pilha. — Só não fico desfilando por aí esfregando na cara dos outros.

— Eu tô ligado — falei, apontando pra camiseta larga de banda de rock que ela usava. — Essa aí é do teu irmão? Tá parecendo um saco de batata em você.

— Eu me visto pra ficar confortável, tá? — Ela contornou o arbusto, arrastando o saco de lixo e a mochila nas costas. — Não preciso ficar fazendo propaganda. — Ela jogou a cabeça pro lado, fazendo a trança castanha dar uma chicoteada no ar. — Se um cara quiser ficar comigo, quero que seja porque ele curte meu papo, não porque quer comer minha bunda.

— Tu tem bunda dentro dessa calça? Jurava que tinha esquecido em casa.

Sam olhou pra trás, checando o jeans preto largo e meio desbotado que tava usando.

Caí na risada. — Que foi? Tá procurando?

— Qual é a tua hoje, hein? Tá querendo ser babaca? — perguntou, os olhos castanhos fuzilando. — Tô gastando meu sabadão te ajudando a ganhar pontinho com aquela patricinha, e tu fica me tirando!

— Opa! — Levantei as mãos em rendição. — Calma, Sam, só tô gastando uma onda. Desde quando tu virou manteiga derretida?

— Não tô sensível. — Ela parou na minha frente e largou o saco no chão. — Mas cansa ficar ouvindo piadinha o tempo todo, e não é só de você. — Suspirou. — Pelo menos você não me chama de sapatão.

— Eu nunca falaria isso — disse firme, saindo de trás do mato. — Quem te chamou disso?

— Aqueles idiotas, o Jonas e o Dudu. — Sam fez um gesto de descaso com a mão. — Eu devia só ignorar, vindo de quem vem...

— Eu trampo com o Dudu. Na próxima vez que eu trombar com ele, vou mandar ele segurar a onda ou vou quebrar a cara dele.

— Não preciso que você me defenda — ela retrucou. — Aqueles dois são uns Zé Ruelas. Não importam.

— Importa se te deixa puta.

— Só tô meio de saco cheio hoje, acho... mas valeu por querer me defender. — Ela revirou os olhos, mas sem maldade. — Deus sabe que meu irmão não faria isso nem ferrando.

— É pra isso que servem os amigos, né não?

— É. — Sam olhou ao redor do bosque do parque, que eu tinha me voluntariado pra limpar como parte do projeto social da escola da Júlia. — E acho que servem pra ajudar a catar garrafa de Catuaba e lixo podre também.

— Pois é. — Tirei os óculos escuros e levantei a barra da camisa pra secar o rosto. — Te devo essa, Sam. Seguinte: o próximo cinema é por minha conta.

Ela arqueou as sobrancelhas. — Combo grande?

— Combo grande, e eu ainda racho um pacote de M&Ms contigo.

— Uhul! Me trata assim que eu fico mal acostumada! — Ela bateu os cílios longos pra mim, fazendo aquela cara de Gato de Botas. — Obrigada pelo mimo, Bruninho! Posso pedir Fini também?

— Aí já tá forçando a amizade.

— Por favorzinho? — Ela fez biquinho.

— Golpe baixo.

— Por favor, vai? — O lábio inferior dela começou a tremer de mentirinha, e eu bufei, teatral.

— Tá bom, leva o Fini, mas a gente divide.

— Fechado! — Ela bateu as palmas enluvadas e deu uns pulinhos igual criança quando ganha doce.

Ri daquilo. — Você é muito figura.

— Sério?

— É. Me lembra minha priminha quando faz isso.

— Ah. — Ela fechou a cara. — Podia ser pior.

— Bom — levantei a mão, vendo que tinha falado besteira —, tu é bonitinha de outros jeitos também. Você é gata.

— Acha mesmo? — Ela me olhou desconfiada.

— Ah, acho. Você é gatinha sim. Sabe, aquele tipo "menina gente boa".

— Vou aceitar o elogio. — Ela sorriu.

— É, e tem muito cara que curte isso. Não estilo "gostosona", mas gatinha.

— Você precisa aprender a hora de calar a boca, Bruno.

— Foi mal, eu quis dizer...

— Bora dar um tempo? — ela me cortou. — A gente já fez metade. O parquinho ali na frente é rapidinho, então que tal a gente rangar alguma coisa e mata o resto de uma vez depois?

Dei um tapa na testa. — Almoço? Putz, nem pensei nisso! Quer dar um pulo lá na lanchonete do...

— Imaginei que você ia esquecer. — Passando por mim, Sam sentou na raiz de uma árvore grande e abriu a mochila, tirando uma caixinha marrom e jogando na minha direção. — Toddynho?

— Salvou minha vida! — Peguei a caixinha no ar e furei com o canudo, sentando de frente pra ela.

— Eu te conheço — disse ela, tirando um pote de plástico com dois sanduíches embrulhados no papel alumínio. — Assim como sei que misto frio com queijo prato é teu favorito.

— Trouxe maionese temperada? — Minha boca encheu d'água quando peguei o sanduba.

— Mas é lógico!

Enquanto Sam tirava uma garrafa de Guaraná e uma banana da mochila, tirei minhas luvas e virei metade do Toddynho num gole só.

— Caraca, desceu redondo — falei.

— Tipo a Júlia — Sam respondeu, chutando os All-Stars pra longe e esticando as pernas compridas na minha direção. — E pode comer tudo. Trouxe os dois pra você.

— A Júlia não é rodada, Sam. Já te falei, a gente tá junto há seis meses e a gente só fica nos amassos.

— Não falei que ela rodou na sua mão — Sam murmurou, baixo o suficiente, mas eu ouvi.

— Sério, Sam?

— \*Sério\*, Bruno. — Ela pausou, descascou a banana e enfiou na boca, fazendo um movimento com a cabeça pra cima e pra baixo, imitando um boquete na cara dura. Depois piscou. — Exatamente assim, pra qualquer um que der moral pra ela.

Não respondi na hora. Ver a Sam engolindo a banana daquele jeito me pegou desprevenido. Não que devesse. A Sam não só se vestia meio "moleque", mas tinha a boca mais suja e a mente mais poluída que a maioria dos meus amigos homens. Ela estragou a cena mordendo a ponta da fruta.

Me recompondo, entrei na defensiva. — Olha, a Júlia pensa igual a mim. Ela foi criada pra levar sexo a sério, por isso a gente não transou ainda. Ela acha que só deve rolar quando você realmente gosta da pessoa.

— Ela é uma alma muito caridosa mesmo.

— Corta essa, Samanta! — Ela já tava me tirando do sério.

— \*Samanta?\* — Ela riu. — Você nunca me chama pelo nome inteiro. A verdade dói?

— Por que você se importa tanto? Você não faz nada além de malhar a Júlia desde que comecei a namorar. Fala que ela é metida, que é piranha, e mal troca ideia com ela. Qual é teu problema?

— O problema é que eu me importo com você e acho que tão te fazendo de otário. — Sam deu a última mordida na banana e jogou a casca na sacolinha de lixo. — Olha pra hoje. Ela paga de "natureba", diz que o projeto ambiental é super importante, mas você tá aqui no sol quente e cadê a bonita?

— Ela tá lá na praia, no outro grupo. Tinha pouca gente, então ela dividiu a turma.

— É, ela tá dividindo bem as coisas. Minha irmã disse que o ex dela tá no grupo da praia. Acho que ele tá... — Ela estalou os dedos. — "Ajudando". Você pensa o que quiser, mas não tem chance nenhuma dela não estar dando pro Robinho e sei lá mais quem. Ela tá te usando, Bruno, mas acho que você vai ter que quebrar a cara sozinho pra aprender.

Encarei ela, franzindo a testa. Eu tinha ouvido falar que o Robinho, o ex da Júlia, tava rondando, mas sempre que eu tocava no assunto ela ficava brava, dizia que eu era ciumento possessivo. Quando eu insistia, a Júlia jogava na minha cara o tempo que eu passava com a Sam e dizia que ela não tinha ciúmes da nossa amizade.

Observando a Sam desembrulhar um sanduíche natural e começar a comer, lembrei de como eu garanti pra Júlia que eu e a Sam éramos carne e unha desde a quinta série, e que nunca rolou nada.

A Júlia insistia que era porque eu que não via, jurava que a Sam tinha uma queda por mim, que eu era lerdo demais. Do mesmo jeito que a Sam tava me chamando de lerdo por achar que a Júlia tava se guardando pra mim.

Eu sabia que às vezes eu confiava demais nas pessoas; mas nesses casos eu tava certo. Sam era minha parceira, "brother" mesmo, zero interesse além disso, assim como eu não via ela como mulher.

E eu tinha certeza que a Júlia não tava me traindo. Diferente de mim, a Júlia já tinha ficado sério antes, e provavelmente transado com o Robinho. Por outro lado, eu era o único cara da minha idade na roda que ainda era virgem.

Mas depois que minha mãe descobriu que meu pai, aquele cafajeste, tinha traído ela com a cidade inteira por anos, ela me criou pra acreditar que a primeira vez tinha que ser especial, com alguém que valesse a pena.

Eu não só concordava, mas jurei pra ela que seria mais homem que meu pai. Não que fosse fácil. Apesar de nunca ter gamado em ninguém antes da Júlia, teve umas minas que deixaram claro que topariam uma diversão.

Às vezes me perguntava se eu não tava sendo cabaço esperando, perdendo oportunidade de curtir. Mas minha mãe ficou tão feliz com minha promessa que eu me senti preso na minha palavra. Tinha vezes que eu pensava em só transar e não contar, mas isso me faria um mentiroso igual meu pai.

O número de mulheres que você pegou não te faz homem; manter sua palavra com quem você ama, sim. E eu jurei não ser um cachorro no cio. Mas eu não era burro de sair espalhando que era virgem. Qualquer menina que quisesse só ficar, eu inventava que tava enrolado com alguém. E pros meus amigos eu não contava nem a pau.

A Sam sabia porque a Sam sabia tudo da minha vida, assim como eu sabia mais dela que a própria família. A gente se conheceu no fundamental, numa dupla de ciências, e grudou na hora. Gostávamos dos mesmos gibis, filmes e jogos, e tínhamos o mesmo jeito largado. A diferença era como a gente lidava com a opinião dos outros.

A Sam ligava o foda-se, se vestia igual moleque, assistia futebol e filmes trash, andando mais comigo e com os caras do que com as meninas.

Eu, por outro lado, gostava de andar na régua, roupa de marca. O suficiente pra Sam e minha mãe me zoarem de "mauricinho" que tentava pagar de descolado.

Baixei o olhar pras pernas da Sam esticadas na minha frente. Ela tava descalça, e meus olhos pararam na tatuagem de borboleta no peito do pé esquerdo. Deixei o olhar subir pelas pernas longas, que eu imaginava estarem ali debaixo daquele jeans largo. Enquanto ela olhava pro lado, vendo a molecada correndo no parquinho, foquei no peito dela.

Não dava pra ver nada naquela camisa larga. Não pela primeira vez, me perguntei o que tinha ali embaixo. Não que eu quisesse pegar ela, mas em todos esses anos, nunca vi a Sam usar nada justo ou decotado.

Ela nunca ia nas festas da escola e até quando a gente ia pra piscina ou praia, ela ficava de bermudão e camiseta. Era a única hora que eu via as pernas dela, que apesar de finas, eram bonitas.

Voltei a olhar a tatuagem. Era colorida, num lugar que eu achava sexy, mas ela mal usava sandália pra mostrar. As unhas do pé tavam pintadas de preto, e vi um anelzinho de prata no dedo do meio.

Sam comentou uma vez que tinha um namoradinho que curtia pé. Fiquei viajando se foi por isso que ela fez a tattoo e usava o anel. Não querendo parecer um tarado encarando, olhei pra cima.

Sam tinha terminado de comer e tava com a cabeça encostada na árvore, olhos fechados. Eu falei sério; ela era bonitinha. Nunca usava maquiagem, mas nem precisava. A pele lisinha, as bochechas coradas de sol, e os cílios maiores que eu já vi.

Esses cílios, junto com aqueles olhões castanhos, ela usava pra me dobrar rapidinho, assim como fazia com o pai e os irmãos. A mãe dela tinha os mesmos olhos e sempre dizia pra Sam...

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>> CONTINUA…

>> O que estão achando dessa amizade? Vai dar bom… ou não? Comentem! Rsrs

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Comentários

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Conto leve de ler .

Muito legal esta amizade .

A Sam é amiga de verdade , mas parece que gosta do amigo .

O amigo esta em um dilema , não ser igual o pai e se um namorado que fingi acreditar na namorada .

Parabéns Mandinha conto maravilhoso

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Parece interessante, vou aguardar ansiosamente a continuação.

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