Solar - 30

Um conto erótico de Thonny Norões
Categoria: Gay
Contém 1194 palavras
Data: 18/05/2021 23:43:54
Última revisão: 18/05/2021 23:50:59

[Clara narrando]

- Vim olhar pela última vez uma parte da minha história nesta cidade. Não sabia que estavam aqui, mas já que os encontrei, saibam que estou de partida. E eu, sinceramente, espero nunca mais voltar. Agora vou viver uma outra vida, vou ser livre de verdade - Bruno falou conosco de braços cruzados e com um sorriso soberbo no rosto.

- Eu te desejo boa sorte, Bruno, que dure bastante essa sua "nova vida", ou até enquanto o Álvaro não achar alguém melhor para usar e atingir seus objetivos, como sempre fez durante toda a vida.

- Você acredita mesmo que estou numa aventura, não é, que não posso viver a vida boa que mereço? Nunca subestime as pessoas, Clarinha.

- Você perdeu o direito de me chamar assim quando me traiu, Bruno, quando jogou no lixo tudo o que estávamos construindo.

- Força do hábito. Só quero dizer que eu, ao contrário de vocês, desejo que sejam felizes, de coração. Você é uma boa pessoa, Clara, só é muito manipulável. Enfim... Adeus.

Bruno deu as costas para nós dois e começou a ir embora. Como não podia deixar de responder as suas provocações, eu falei:

- Eu não desejo nenhum mal a você, mas que tenha uma justa colheita, Bruno, pois não espere colher nada diferente do que você plantou. Vá em paz.

Sem retrucar ou olhar para trás, Bruno continuou sua caminhada em passos largos.

Felipe me olhou e pude perceber que ele não quis falar nada, pois era um assunto nosso.

- Desculpa por isso, mas não poderia deixar de dizer o que ele precisava ouvir - falei olhando para ele.

- Você não tem culpa alguma, Clara, falou o que era necessário ser falado. Eu declinei de dizer alguma coisa porque não era meu momento de fala, não era algo meu. Eu sei que em circunstâncias diferentes você teria dito mais coisas, mas foi válido tudo o que falou. Foi a pá de cal que precisava colocar na história de vocês. Só espero que ele tenha feito uma boa escolha, porque não vou deixar ele querer reconquistar você - Felipe falou rindo e me abraçando.

- Só você mesmo para trazer um pouco de alívio para mim e me fazer rir, bobo - beijei Felipe.

[ítalo narrando]

Quando o doutor César terminou de falar comigo, meu celular começou a vibrar no meu bolso e vejo o número do doutor Tavares, advogado do meu pai, na tela. Pedi licença ao doutor César e prontamente fui até a sala de espera do hospital para falar com mais calma.

- Doutor Tavares, não tive como atender de pronto pois estava no quarto do Lucas, mas suponho que seja algo urgente o que tem a me dizer - falei retornando a ligação perdida.

- Ítalo, a Íris invadiu o meu escritório no meio de uma reunião de suma importância com meus sócios e alegou ter em mãos uma procuração de plenos poderes assinada pelo seu pai, dando a ela o controle acionário e de todos os bens do seu pai em vida.

- Eu não tenho como atestar a veracidade da procuração, porque não tenho convívio algum com meu pai há muito tempo, nem me interessa o que ele tem, mesmo sabendo que sou obrigado a receber o que me cabe.

- Eu sei disso, Ítalo, como agora sou seu representante, estou ligando para informar que irei protocolar uma petição pedindo uma liminar que suste a procuração, além de solicitar uma averiguação de autenticidade da mesma. Ela pode causar sérios danos ao patrimônio da família. Sem contar que você é o representante designado em juízo para cuidar dos assuntos referentes ao seu pai. Eu acabei de receber à notificação que o Juiz deferiu em seu favor.

- Eu confio no seu trabalho, faça como achar melhor, doutor Tavares. Estou a disposição.

- Tudo bem, Ítalo, agora mesmo resolverei isto. Retorno com notícias em breve.

- Obrigado. Bom trabalho.

Desliguei o telefone e voltei para o quarto.

Quando entrei no quarto, o médico estava examinando o Lucas e pediu que só um de nós por vez ficássemos no quarto. Ele tinha aberto essa exceção em consideração ao doutor César.

- Bom, não quero tirar o direito de vocês que são parentes de estar aqui. Eu vou até me apartamento, vou tomar banho, descansar um pouco e volto em breve - falei para o doutor César e seu Alexandre.

- Você tem tanto direito quanto a gente de estar com ele, Ítalo.

- Eu agradeço, seu Alexandre, mas eu fico mais aliviado por saber que vocês estão aqui com ele. Ele fica em ótimas mãos. À noite, se vocês não se importarem, quero poder dormir aqui, pois entendo que estão exaustos também.

- Por mim tudo bem, filho. O senhor concorda, pai?

- Eu jamais me oporia. Eu estou um pouco velho, saúde não muito boa e me fará bem descansar um pouco.

- Me deem notícias caso tenham alguma novidade. Fiquem bem.

Beijei a testa do Lucas e me despedi do doutor César. Seu Alexandre me acompanhou até a recepção do hospital.

- Ítalo, meu pai me falou que recebeu um telefonema e saiu apressado. Era da pousada?

- Não, não, era do meu advogado. A Íris alega ter uma procuração para movimentar os bens do meu pai. Ele vai suspender essa procuração.

- Que bagunça estamos vivendo, se não bastassem todos os problemas que temos agora, ainda mais esse.

- Sim, mas a Íris sempre foi assim, espalhafatosa, megalomaníaca, eu que nunca acreditei que fosse uma pessoa tão má.

- Nunca conhecemos as pessoas em plenitude até que tomam atitudes extremas.

- Sim, seu Alexandre, infelizmente.

Abracei seu Alexandre e fui embora do hospital para o meu apartamento num carro de aplicativo.

[Ingrid narrando]

- Estou te achando muito preocupado, Victor, e eu te conheço bem, sei quando você está precisando conversar.

- Ingrid, eu não sei como te falar o que estou sentindo, sabe? Receio que aqui na recepção não seja o melhor lugar para falarmos sobre isso.

- Nossa, agora estou começando a me preocupar - coloquei os papéis que estava segurando no balcão da recepção.

- Eu quero ser sincero com você, não quero que você e nosso filho sofram por minha causa.

- Victor, seja o que for que queira me contar, você precisa saber que eu estou ao seu lado. Você não precisa temer me falar nada.

- Eu beijei o Lucas, seu amigo, por isso estou me sentindo péssimo, Ingrid.

- Você beijou o Lucas? - falei com surpresa e espanto.

- Eu ouvi direito, Victor, o que houve entre você e o Lucas? Você é noivo da minha amiga! - Clara falou ao chegar com Felipe na pousada.

[Bruno narrando]

"Ninguém me pediu nada, mas vou embora de Solar em grande estilo" - falei em pensamento riscando o fósforo e ateando fogo no estúdio do Ítalo.

- Álvaro, dei o maior prejú ao fotográfo. Ateei fogo no estúdio dele - falei ao telefone com o Álvaro.

- Ficou maluco? Não precisava fazer isso, Bruno, chamar atenção assim.

- Tô indo embora agora, cara. Ninguém vai desconfiar de mim. Fiz o check-in uma hora atrás.

- Acho bom você vazar daí o mais rápido possível. Você devia ter me consultado. Mas já que tá feito, vaza!

Continua...

Bom, curto? Sim, curto, mas começei a postar hoje. Eu espero que gostem. Mandem o feedback, pois é importante.

Beijos.

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