Amor em outros tempos V (Brasil colonial)

Um conto erótico de Portugativo
Categoria: Homossexual
Contém 1524 palavras
Data: 04/03/2016 02:41:28

Agradeço aos leitores que gostaram do meu conto anterior. São poucos os leitores, mas são fieis e isto me da força para continuar essa história de amor no Brasil colonial. Farei o melhor e continuarei com minha história. Novamente agradeço a atenção e o carinho. Meu sincero obrigado.

O dia amanheceu, o barco chegou a praia de Neves, os caixotes de madeira já estavam prontos para o embarque. Pedro dormia na rede, eu sentado no beiral da cabana, esperava os burros com os caixotes subirem ao barco, levantei-me e fui até a rede acordar Pedro, bati levemente no pé dele para o despertar, ele ao abrir os olhos sorriu e me deu bom dia. Nós fomos comer o bolo de fubá que a avó dele tinha preparado lá no engenho e tinha me presenteado, sentamos ao chão em um pano e comemos, e ele então diz:

-Sabe patraozinho, você me fez muito feliz ontem a noite, eu gosto de você e acho que te amo.

-Era só que me faltava pedrinho, onde já se viu um homem amar o outro. Tire isso de sua cabeça, você se deita comigo como se fosse mulher e eu o uso como se você fosse uma, isso é pecado pedrinho. Não sou muito religioso, mas mamãe sempre falou o horror que deve ser o purgatório

-Mas patraozinho, por que Deus condenaria ao purgatório uma pessoa que tem sentimentos verdadeiros de amor.

Não entendo a religião de vocês brancos, tudo é castigo, por isso tenho fé nos meus orixás que são da natureza.

-Não sei lhe responder pedrinho, mas é pecado. Eu que não entendo a religião dos pretos, isso é paganismo, dizia o padre lá da Capela da Luz em nossa vila. Vou procurar saber de nosso ocorrido, mas não relatar nossos nomes.

Subimos no barco, eu estava determinado a procurar um padre e tirar essa dúvida assim que chegasse ao Rio de Janeiro. O barco zarpou do porto de Neves, as águas verdes da Baia de Guanabara eram calmas de pequenas ondas, já nos afastávamos da costa, ainda se via os pequenos morros verdes e a capelinha do porto do Pontal na vila de São Gonçalo, mas abaixo via-se a Vila da Praia Grande de Nictheroy e suas pequenas casinhas em torno da costa. O barco em seu ritmo lento demorou 1 hora para chegar perto da cidade do Rio, pedrinho vem até mim e juntos ficamos fascinado com tamanha beleza, altos morros verdes, as praias de areia branca, porém tudo se foi como um encanto conforme o barco se aproximava. O cheiro na orla era insuportável, carcaças de baleias por toda orla da cidade, os marinheiros usavam as baleias para fazer óleo para lampiões, sabão, quase tudo as baleias serviam, a praia de D.Manuel fedia com os dejetos ali jogados. Aportamos no Largo do Paço, eu e pedrinho descemos do barco e os caixotes já estavam nos burros prontos para partirem em direção ao sobrado de minha estadia.

O Rio de Janeiro tinha pouco menos de 80 ruas, 30 ruelas e incontáveis becos, os edifícios tinham no máximo 2 andares com janelas de madeira e telhado no estilo barroco colonial, embaixo deles tinha sempre um comércio, vendia-se carnes, aves, sacas de café, açúcar e tudo que se produz numa fazenda. Alguns poucos comércios vendiam, costuravam e pintavam roupas e calçados, outros vendiam bebidas e tabacos e alguns comércios vendiam produtos importados diretamente de Portugal. A cidade tinha seus dejetos jogados nas praias e algumas vezes em valas nas ruas, o lixo sempre acumulado nas esquinas, uma cidade sem cor, fedorenta e rodeada de pântanos podres.

Pedro seguia ao lado da carroça, eu procurava um sobrado para alugar, perguntei a um preto que fazia a barba de um velho marinheiro, ele me disse que sobrados são difíceis, mas que sempre tinha umas casas pequenas que alguns fidalgos alugavam, ele disse para eu procurar perto da Igreja e convento do Carmo o senhor Mascarenhas Quintão.

Ao chegar na grande igreja do Carmo procurei o senhor e o encontrei fumando um tabaco encostado na Arco dos Telles, perguntei de uma casa de aluguel ou um sobrado, ele me disse que sobrados eram caríssimos e o valor realmente me assustou, ali percebi que meu começo de vida não seria no luxo. Ele me recomendou uma casinha simples que tinha para alugar perto de um pântano onde o preço era bem agradável, concordei de imediato. Fomos a tal casa e me desapontei com o lugar, rua fedorenta, casa simples demais e pântano podre. Aceitei alugar a pequena casa, pois o preço era bem acessível e eu já sabia que não teria muito luxo naquela cidade, então vinha-me a saudade da fazenda e de minha vila.

Depois de tudo combinado com o senhor Mascarenhas Quintão, entrei com meus pertences na minha nova casa, pedrinho varreu a casa e a limpou, a casa era composta de 2 pequenos quartos, sala, cozinha e lavabo, de telha colonial e pintada de branco por dentro, também era mobiliada por dentro, na sala tinha uma pequena mesa com 2 bancos, na cozinha um armário de madeira e uma cadeira.

Era fim de tarde, começava a escurecer e dos 120 lampiões que iluminavam a cidade, só um tinha na minha rua. Começava a chover forte e um vento frio veio acompanhado da tempestade que se aproximava, pedrinho fechou as janelas da casa e acendeu 2 velas, eu estava tomando banho de balde, sentia falta da banheira que tinha lá na fazenda e do luxo que eu tinha e não percebia. Acabei o banho e coloquei um calçolão e uma blusa de algodão, deitei na rede e fui ler um livro, do outro quarto pedrinho me chama, levanto e vou até o quarto dele, ele estava com a vela no chão e sentado em sua esteira de palha. Ele olha pra mim e diz:

-Carlinhos, está frio e o chão só com a esteira não adianta. Posso dormi na sua rede ? Sinto frio e não quero dormi sozinho no quarto.

-Era só que faltava, quer ficar com a rede e eu vou me deitar aonde, na esteira fria. Não me chame de carlinhos, não dou-lhe tais confianças. Vire para o lado e vá dormi e não torne a me chamar novamente.

Virei as costas e voltei para o meu quarto, ouvi ele chorar baixinho e aquilo me comoveu, fui até o quarto dele e sentei sobre a esteira de palha, pude sentir que realmente estava frio o chão, o cutuquei, ele virou-se para mim e pela claridade da vela vi lágrimas escorridas em seu rosto, o acariciei e disse:

-Pedrinho, vá deitar lá na minha rede, eu fico esta noite aqui na esteira, coloco um lençol e não vou sentir tanto frio assim.

-Não patrozinho, deite lá comigo na rede, ela tem espaço para nós dois.

Nos deitamos na rede, cada um deitado de um lado. Enquanto eu lia deitado sobre a rede pedrinho cutucava o livro com os pés e ria, eu abaixei o livro e olhei-o sério, ele deu um leve sorriso e fechou os olhos, então voltei para minha leitura. Não consegui ler 3 páginas do livro, minha alma de criança gritava dentro de mim, com os dedos do pé eu beliscava-lhe a orelha, ele abriu os olhos e sorriu, eu fingi que estava dormindo e ele se levantou da rede e deitou-se ao meu lado, senti o seu rosto colado ao meu, um leve beijo eu recebia, abri meus olhos e vi os olhos dele brilhar, ele sorriu e acariciou-me o rosto e disse:

- Eu te amo. Não consigo imaginar o mundo sem você.

Eu o olhei, dei uma risada e disse:

-Pedrinho, não existe amor entre dois homens. Alias creio que não exista mais amor neste mundo. Apesar dos meus 20 anos fui obrigado a me tornar um adulto responsável desde a morte de meu pai. Você ainda é um adolescente muito jovem, ainda tens que aprender muito com a vida.

-Sou tão maduro quanto você patrãozinho, sendo escravo a vida me ensinou desde cedo o sofrimento e a falta de liberdade, mas ao seu lado eu sinto-me liberto, sempre o admirei, sua responsabilidade e conhecimento.

o amor existe sim, é igual na roça, se a gente cultivar ele irá produzir bons sentimentos. Se não existe amor entre dois homens, então o que sinto por você é o que ?

-Não sabia que você gostava tanto de mim, agradeço os elogios. Não sei qual sentimento tens por mim mas não é amor. Tire isto de sua cabeça pedrinho, o que aconteceu entre a gente foi sexo e nada mais.

-Um dia vou lhe provar que o amo e te demonstrar meus sentimentos.

Pedrinho me abraçou e assim ficamos até dormimos. Começou a surgir em mim sentimentos que eu só sentia por laurinha. Eu não podia ter aqueles pensamentos de paixão, começava a sentir por pedrinho sentimentos que iam além do sexo. Pedrinho dormia encostado ao meu ombro, eu acariciei-lhe o rosto e sorri, um sentimento de paz e carinho tomava conta de mim. Fechei-me os olhos e dormi, tive uma noite de sono espetacular...

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Comentários

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Quem deixar o email aqui vai ganhar este conto com vídeo (e outros também). Abraço do MOD - Secret Island - Email: modfant@gmail.com

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Eu adoro seu conto, muito bom, não demore muito, sinto falta bjs

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Olá Portugativo.. Muito interessante seu conto.. Adoro contos portuguêses e principalmente o linguajar castiço na hora da trepada. Na Secret Island temos contos otimos sobre portugueses e 2 sobre escravas que voce vai adorar. Entre em contato conosco e peça os contos. Abraço do MOD - Secret Island - Email: modfant@gmail.com

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Bom demais. Pensei que tinha desistido de postar. Abraços.

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