Meu nome é Rafael, tenho trinta anos e sou casado com a Ana há oito. A gente mora numa casa simples, trabalha o dia inteiro, paga as contas no começo do mês e leva a vida como quase todo mundo leva. Olhando de fora, parece que é a rotina mais comum do mundo — e por muito tempo foi mesmo. No começo do casamento, a gente não se largava na cama, era um fogo danado. Mas, com o passar dos anos, o cansaço do trabalho e a pressa do dia a dia foram deixando tudo meio automático. Mesmos dias, mesmos horários, as mesmas posições. Não era ruim, longe disso, mas a gente sentia que faltava aquela faísca, aquele frio na barriga de quando a novidade toma conta.
Com o tempo e a intimidade que fomos criando, a Ana foi se soltando mais. Começou a perder a vergonha de falar o que pensava e, numa noite dessas em que a gente estava deitado conversando sem pressa, ela finalmente criou coragem e se abriu comigo. Confessou que tinha um desejo guardado há muito tempo: a vontade de experimentar algo fora do padrão, de estar com mais de um cara ao mesmo tempo, de sentir duas pegadas e ser preenchida por dois homens juntos. Fiquei surpreso no primeiro instante ao ouvir aquilo da boca da minha mulher, mas, conforme ela ia detalhando o que imaginava, senti um calor absurdo subir pelo meu corpo. O cenário que ela pintava na minha cabeça começou a me atiçar de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.
Naquela mesma hora, começaram a passar várias ideias e possibilidades pela minha cabeça. A gente não tinha amigos íntimos pra propor uma loucura dessas, mas, de repente, num estalo, me vieram à mente os meus dois irmãos. Pode parecer loucura de início, mas eles são os caras em quem tenho uma confiança cega no mundo. Sei exatamente o quanto os dois são safados — muito safados, na verdade. Desde a nossa juventude, eles sempre foram os caras mais requisitados pelas mulheres da região, aqueles tipo malandro que onde chegam dominam o ambiente. Claro que eles sempre me respeitaram demais e, por conta disso, imaginei que num primeiro momento pudessem ficar meio receosos ou pisar no freio com a proposta. Só que eu conheço o sangue que corre nas veias deles. Sabia que, se eu explicasse direito o que eu e a Ana tínhamos em mente, com calma e sem rodeios, os dois não só aceitariam como fariam questão de realizar cada detalhe desse desejo.
Na segunda-feira, peguei o telefone e liguei pro Ricardo só pra saber como ele estava. Conversamos sobre bobeiras, trabalho, futebol, sem dar nenhuma pista do assunto principal. No meio do papo, puxei o gancho e convidei ele e o Rogério pra passarem lá em casa no sábado de manhã, pra gente tomar umas cervejas geladas, assar uma carne e jogar conversa fora, já que fazia um bom tempo que não nos reuníamos. Mas a verdade é que o objetivo do encontro não era só beber: era ter a coragem necessária pra olhar nos olhos deles e mandar a proposta na real.
O Ricardo — ou Rick, como a gente sempre chama — tem 39 anos e tá separado há uns três. É o típico cara bonito, inteligente, extremamente simpático e com um humor debochado, daqueles que passa o tempo todo tirando onda com a cara dos outros. No dia a dia é até tranquilo, mas quando toma umas cervejas a mais, meu senhor... vira um verdadeiro Dom Juan, ninguém segura o homem, kkk. Já o Rogério não fica nem um pouco atrás. Além de ser um cara elegante, educado e mais discreto, tem um porte físico impecável, corpo fechado, alto, parecendo um atleta. Tem 41 anos, ficou viúvo há seis e nunca mais quis saber de engatar um relacionamento sério com ninguém, embora estivesse sempre acompanhado de uma mulher diferente.
Nós três sempre tivemos uma amizade sem curva, sem frescura e sem limites. Na nossa fase de solteiro e de zoeira, a gente aprontava todas juntos, ia pras mesmas festas e dividia tudo. Chegamos ao ponto de ter uma mulher casada na época que saía com os três ao mesmo tempo por uns meses. A gente fazia de tudo com ela — todas as posições imagináveis, inclusive dupla penetração —, até que com o tempo ela acabou amarelando e parou de procurar a gente.
Quando eu me casei com a Ana, foram os dois que me ajudaram e me deram a casa onde moramos hoje. Eles sempre tiveram uma proximidade muito grande com ela, e eu, como conheço a peça, sei perfeitamente que aqueles dois safados guardam um desejo secreto pela minha esposa. Dá pra notar nos detalhes, nos olhares. No fim de semana passado mesmo, estávamos todos no pátio e eles foram pra piscina com ela. A Ana já fica completamente diferente perto dos dois, mais solta, dando risada de um jeito mais provocante. Peguei o Rogério no flagra, visivelmente de pau duro debaixo d'água, encarando fixamente o biquíni dela, enquanto o Ricardo estava do lado jogando água nela, rindo e encostando com a mão na cintura dela como quem não quer nada. A proximidade física dos dois com ela dentro daquela piscina me deu um tesão inacreditável no momento. Eu fingi que estava distraído e não vi nada, mas prestei atenção em cada segundo.
Combinei com eles por volta das dez da manhã. Quando deu o horário, ouvi o barulho do carro embicando na frente de casa e os dois já chegaram gritando na porta, fazendo aquela bagunça tradicional de quando se juntam. O Ricardo não perdeu tempo e já desceu do carro zoando com a minha cara:
— Daí, seu trouxa! Até que enfim a diretoria se reuniu de novo nessa porra!
— Bah, faz tempo mesmo, seus vagabundos. Vão entrando aí! — respondi rindo.
— Ei, Rafa, o Rogério trouxe uns fardinhos de cerveja e um negócio aí, tá tudo no porta-malas. Vai lá dar uma força pra ele carregar — disse o Rick, passando por mim.
— Bah, mas precisa de ajuda até pra carregar cerveja agora, seu folgado? kkk.
— Cala a boca, Rafa, e só obedece o mestre aqui kkk. Vem comigo, vagabundo, que o bagulho é pesado.
— Tá, espera aí. Ei, Rick, vai entrando que a Ana tá lá na cozinha ajeitando as coisas.
Eu e o Rogério fomos até a traseira do carro. Quando ele destravou e ergueu o porta-malas, eu fiquei sem reação. Ele não tinha trazido só cerveja: tinha comprado um presente que eu vinha namorando há meses na internet. Era um tabuleiro de xadrez feito em pedra-sabão, trabalhado à mão, com cada peça medindo cerca de quinze centímetros. Eu sou completamente fascinado por xadrez e ele sabia muito bem disso. Os dois safados tinham se juntado pra comprar aquilo pra mim. As peças eram nobres, pesadas, trabalhadas num nível de detalhe impressionante. Com certeza tinha custado uma pequena fortuna.
Fiquei parado olhando fixamente pra caixa aberta, sem saber direito o que dizer diante daquele gesto.
O Rogério deu um tapa forte e carinhoso no meu ombro, abrindo aquele sorriso largo:
— Pega aí, irmão. Tu merece demais essa porra.
Peguei a caixa com cuidado, sentindo o peso do material e a qualidade do acabamento. Agradeci de coração, abraçando ele, e o desgraçado só sorriu daquele jeito característico dele, sabendo que tinha acertado em cheio no meu ponto fraco.
Pegamos a caixa do tabuleiro, os fardos de cerveja bem gelada e fomos caminhando em direção à varanda dos fundos. O Ricardo e a Ana já estavam por lá, encostados no balcão, conversando num tom animado e dando altas risadas. Deixamos o presente e as bebidas sobre a mesa de madeira. O Rogério puxou uma das cadeiras da varanda e sentou do jeito dele: totalmente largado, com as pernas bem abertas e uma postura imponente. A calça jeans que ele vestia era bem ajustada ao corpo, marcando com um destaque absurdo o volume que ele carregava entre as pernas. Dava pra ver perfeitamente o contorno do pau dele, que era grande pra caralho. O safado nem se deu ao trabalho de ajeitar a roupa ou disfarçar; ficou ali, bem folgado, consciente do impacto que a presença dele causava.
Não demorou muito e a Ana veio lá de dentro trazendo uma tábua caprichada com aperitivos de carne e pão com alho quentinho pra gente ir beliscando. No momento exato em que ela se abaixou pra apoiar a tábua no centro da mesa, o olhar dela desceu sem querer e bateu em cheio naquele volume volumoso e duro entre as pernas do cunhado. Foi uma travada imediata. A reação dela foi instantânea: ela deu uma rápida olhada pra mim, disfarçando com um sorriso de lado, e em seguida voltou os olhos pro volume dele, mordo o lábio inferior devagar. Ficou ali por uns bons segundos hipnotizada, com os olhos pregados naquela verdadeira cobra marcada no jeans, kkk.
O Rogério percebeu a travada dela na hora. Ele pegou a lata de cerveja, deu uma ajeitada bem lenta nas bolas sem tirar os olhos dela e mandou um olhar na minha direção. Não falou uma única palavra, mas abriu aquele sorriso de canto de boca cheio de intenção e abriu ainda mais as pernas, escancarando o volume de um jeito totalmente explícito pra ela apreciar à vontade. Assim que a Ana soltou a tábua na mesa, ela se virou de costas pra ele e saiu caminhando de volta pra cozinha rebolando a bunda de uma forma exagerada, sedutora e totalmente calculada, só pra deixar o safado do meu irmão louco. E o tiro foi tão certeiro que o Rogério ficou tão vidrado na movimentação do rabo dela que chegou a se atrapalhar com a lata e derrubou um gole de cerveja direto no próprio colo. O Ricardo estava virado de costas mexendo no cooler e nem notou nada disso acontecer.
Eu assisti a cena inteira do meu canto, fingindo que não tinha percebido nada do clima que tinha se instalado ali.
— Bah, meus irmãos, tá um calor dos infernos hoje, hein! Seria uma boa a gente dar um pulo na água kkk, precisamos dar uma esfriada nessas bolas kkk.
— Bah, Rafa, seria bom demais mesmo, só que eu acabei nem trazendo calção de banho — comentou o Rogério, limpando a cerveja da calça.
— É verdade, Rafa, a gente saiu de casa com pressa e nem lembramos de pegar sunga no armário.
— Hahaha, porra, vocês tão na minha casa, fiquem tranquilos. Espera aí que resolvo essa porra agora mesmo, vou pedir pra Ana arrumar uma sunga minha pra cada um de vocês. Ei, Ana! Vem cá!
Ela apareceu na porta da varanda com as mãos na cintura:
— Fala, fala, seu chato! O que tu quer agora?
— Chato? Pô, o bagulho é longo e tu gosta pra caralho que eu sei, sua safadinha kkk — provoquei.
— Humm, gostar eu gosto, e muito... mas ficar comendo só feijão, arroz e salada todo santo dia cansa uma hora, né, cunhados? kkk — disparou ela, olhando fixamente pro Rogério e pro Rick.
— Hahaha, tu viu isso, Rafa? A mulher tá coberta de razão! Ficar só na ração todo dia não dá mesmo kkk! — mandou o Ricardo, caindo na gargalhada.
— É isso mesmo, ninguém aguenta o mesmo prato direto — completou o Rogério, dando uma piscada pra ela.
— Porra, amor, jogando assim na roda eles vão achar que eu não tenho outros cardápios caprichados no estoque kkk — brinquei, mantendo o clima no alto.
— Tá, tá bom, fala logo, seu chato, o que tu quer que eu pegue?
— Amor, pega duas sungas minhas lá no quarto pra esses dois vagabundos irem pra piscina.
— Ah, mas eu não vou buscar nada lá no quarto não. Se eles quiserem, que venham comigo que eu mostro onde tá guardado e eles escolhem.
— Tá certo, então. Vão lá com ela, cambada, experimentem e vejam qual serve melhor.
Ela deu meia-volta e foi na frente caminhando pelo corredor. Os dois se levantaram na mesma hora e foram logo atrás dela. Antes de entrar na casa, o safado do Rogério deu uma virada de cabeça na minha direção, soltou uma cara debochada e deu aquele sorriso de quem já tinha sacado perfeitamente que tinha algo no ar. Foram andando logo atrás dela, enquanto a safada ia na frente desfilando, rebolando aquela bunda perfeita bem na cara dos dois.
Fiquei ali sozinho na varanda, sentado na cadeira, imaginando exatamente o que iria começar a acontecer dentro do meu quarto com os meus dois irmãos trocando de roupa do lado da minha esposa. Eu sabia que a putaria não ia demorar a rolar solta ali mesmo. Naquela mesma hora, senti meu pau subir com tanta força que ficou duro como uma rocha. Meu tesão explodiu no limite, mas, ao mesmo tempo, bateu aquele ciúme gostoso e uma adrenalina absurda por saber que tudo aquilo que eu tinha planejado em segredo já estava se desenrolando de verdade — e que, a partir daquele momento, não tinha mais volta.
