2 IRMÃOS BRIGANDO POR BUCETA - EP 1 DE 3: JAPINHA TRANS GOZA 4 VEZES NA ROLA DO NEGÃO
(Me empolguei um pouco mas aí está o primeiro capítulo da história de Rodrigo, Renan e Raví, votem e comentem o que acharam)
Não importa o seu tamanho, a sua conta bancária e a sua marra. Se tem uma coisa que faz qualquer macho ficar de 4 é buceta. Não importa se for uma xoxota ou um cuzinho, essas fêmeas e esses viadinhos que nos dominam, fazem a gente de gato e sapato, nos dando a falsa noção de controle. E desde novinho que o Rodrigão aqui ama cair nessas armadilhas.
Aos 24 anos, eu sou assistente de controle de qualidade na Bauer & Torres, uma multinacional especializada em maquinário pesado. No crachá, meu trabalho é caçar falhas em maquinário pesado, mas, na prática, eu sou o cara que faz a ponte entre a burocracia engravatada do andar de cima e o chão da fábrica. Nunca estive melhor, consegui comprar meu carro próprio recentemente, já tô caçando um cafofo só pra mim e toda semana é carne nova no abatedouro, seja de viadinho ou de piranha.
Eu estava no banheiro do galpão principal, terminando de mijar, encarando os azulejos enquanto segurava a caceta mole. Até que a porta foi aberta com rapidez e, olhando pelo espelho, pude ver um japinha baixinho todo engomadinho sendo seguido por Fagner, meu estagiário. Os dois não me viram. Fagner entrou na frente do box e falou apontando o dedo no rosto do menor:
— Esse banheiro aqui é pra macho, macho de verdade. Que tem isso aqui no meio das pernas, sua sapatão machona — disse Fagner, apertando o volume mixuruca que carregava entre as pernas.
A voz do japinha saiu embargada, o rosto vermelho de vergonha, mas ele tentou se manter firme, balbuciando algo sobre respeito e normas da empresa. Fagner deu uma risada de escárnio e puxou o moleque pelo colarinho, erguendo ele do chão com brutalidade.
Foi a gota d'água.
Eu não perdi tempo nem guardando o pau de volta na calça. O Fagner só teve tempo de arregalar os olhos pelo espelho antes do meu punho fechado estourar com gosto contra o maxilar dele. O estalo do soco ecoou no azulejo. O babaca soltou o garoto na mesma hora e voou contra as pias, batendo as costas no mármore e cuspindo sangue.
Antes que ele pudesse tentar respirar ou entender de onde veio a pancada, eu avancei. Fiz exatamente o que ele tinha feito com o engomadinho, mas com o peso de quem puxa aço todo dia. Agarrei a camisa do Fagner e o ergui com uma mão só.
— Você tá demitido, seu merda — rosnei, a voz baixa e rasgada, preenchendo o banheiro inteiro. — Esvazia a porra do teu armário e some daqui em cinco minutos. Se eu ver a tua cara de novo nessa empresa, eu te arrebento em dois!
Soltei o infeliz de uma vez. Ele caiu de joelhos, tossindo, e ao olhar pra cima se deparou com a minha caceta, que mole era maior que o pintinho duro dele. Balancei a rola, respingando mijo na cara daquele otário, e guardei a pica na calça. O vagabundo saiu se arrastando pela porta sem olhar para trás.
Fiquei ali, respirando fundo, sentindo o sangue quente nas juntas da mão, até que virei o rosto para o garoto. O silêncio no banheiro ficou pesado. O japinha ainda estava encostado perto das pias, respirando rápido, o rosto vermelho manchando a pele clara de pura vergonha e tensão. Mas ele não abaixou a cabeça, não recuou. E foi aí que eu prestei atenção de verdade nele. Cabelo liso perfeitamente alinhado, crachá no peito, a camisa social impecável mesmo depois do safanão do Fagner. Era exatamente o tipo de viadinho que eu gostava de torar. Dei um sorriso cafajeste, crente de que a dinâmica de poder já estava estabelecida. Dei aquela patolada pesada por cima da calça, ajeitando o volume que já começava a dar sinal de vida, e dei um passo na direção dele, esperando minha recompensa.
Mas a reação do moleque me acertou como uma marretada. Ele não gaguejou, não se insinuou e não abaixou o olhar. Pelo contrário. O japinha ajeitou a gola da camisa, arrumou os óculos no rosto e me encarou de baixo para cima com uma frieza gélida que não combinava em nada com o tamanho dele.
— O senhor poderia levar um processo administrativo por isso — a voz dele saiu cortante, seca e burocrática, como se estivesse lendo uma porra de um manual na minha cara. — Não repita isso novamente. A nossa empresa não é ambiente para machos estarem se digladiando. Com licença.
Ele passou por mim feito um fantasma, abriu a pesada porta de metal e sumiu pelo corredor, sem olhar para trás. Eu pisquei, estático. O sorriso cafajeste sumiu do meu rosto e deu lugar a uma expressão de pura indignação. Que baitolinha ingrato do caralho! Ah, mas isso não vai ficar assim. Ainda vou bater com meu saco no queixo desse japinha.
No dia seguinte, a audácia daquele japinha engomadinho continuou martelando na minha cabeça. Um viadinho de um metro e meio achando que podia engrossar a voz pra mim? Peguei uma ficha qualquer com desculpa, meti o pé da fábrica e subi pro ar-condicionado. Aquele setor de RH cheio de frescura. Não demorei a achar a minha presa. Ele tava lá no fundo da sala. Sentadinho, com a postura dura, digitando no teclado como se fosse o dono da porra da empresa. Fui andando devagar e parei bem na frente dele. Joguei meu peso na mesa, escorando as mãos e cobrindo a luz dos monitores com a minha sombra. A plaquinha de acrílico entregava: Raví - Recursos Humanos.
Fiquei ali secando o moleque, esperando ele ter a moral de olhar pra cima. Cabelo liso, arrumadinho, a gola da camisa social fechada até o talo tentando disfarçar os ombros finos. Aí a ficha caiu. Lembrei na hora do que o babaca do Fagner tinha rosnado no banheiro antes de tomar no queixo: sapatão machona. Olhei bem pra cara de marra dele, o esforço pra manter a pose de macho, o nome na mesa... O engomadinho era um homem trans. Um sorriso cafajeste puxou o canto da minha boca. Porra, pra mim era o prato feito. O japinha tinha toda aquela pose intocável de burocrata, mas no fundo escondia uma bucetinha pronta pra levar cacete.
O moleque finalmente parou de digitar. Ele levantou a cabeça devagar, e os olhos escuros e puxados bateram direto nos meus por trás da armação dos óculos. Nenhuma gota de medo. Antes que eu pudesse abrir a boca para soltar alguma gracinha e testar o terreno, o japinha esticou o braço e arrancou a ficha da minha mão com um puxão ríspido. O papel chegou a estalar no silêncio da sala.
— Se o senhor veio protocolar um documento, o procedimento já está feito — a voz dele saiu cortante, seca, sem aumentar um único decibel, mas firme o suficiente pra me fazer trincar o maxilar. Ele bateu a ficha na mesa, alinhando a folha com a borda do teclado. — Agora faça o favor de sair de cima da minha mesa. Você está bloqueando a iluminação e atrapalhando a minha visão.
Uma risada curta, quase um rosnado, rasgou a minha garganta. Qualquer outro desse andar já teria engolido seco e desviado o olhar, mas o viadinho tava me desafiando na cara dura, segurando a marra. Eu me afastei uns centímetros, desencostando o peso da madeira, só o suficiente para a luz fria do escritório bater de novo na cara emburrada dele. Mas não tirei o sorriso cafajeste do rosto, cruzando os braços grossos na altura do peito.
— Tá esquentadinho, Raví? — soltei o nome dele devagar, mastigando as sílabas só pra ver se ele recuava. — Calma lá, chefe. Só vim garantir que o meu documento não ia se perder na gaveta de vocês. Sou o controle de qualidade, lembra? Gosto de supervisionar o serviço pessoalmente. Bem de perto.
Ele trincou os dentes, visivelmente irritado com o duplo sentido, mas engoliu a isca sem perder a postura profissional.
— O seu setor será notificado por e-mail quando a análise for concluída, Rodrigo. Não precisa usar o seu tempo de expediente para rondar o RH — ele retrucou, voltando a olhar para o monitor e metendo as mãos de volta no teclado, me enxotando como se eu fosse um vira-lata. — Tenha um bom dia.
Saí do departamento de RH com o pau latejando e a certeza absoluta de que quebrar a postura daquele japinha ia ser o melhor passatempo que eu já arrumei na Bauer & Torres. A guerra fria estava declarada, e eu fiz questão de transformar a vida daquele engomadinho num inferno. O problema é que o inferno acabou sendo o meu. Quanto mais eu tentava cercar o Raví, mais ele me tratava como se eu fosse um peão analfabeto, me deixando com o saco roxo de tanta raiva e tesão acumulado.
Três dias depois da primeira patada, eu peguei o japinha sozinho na copa do setor administrativo. Ele tava de costas, esperando um chá de camomila na máquina. Entrei, fechei a porta devagar e parei bem atrás dele. Meu peito quase encostava nas costas daquela camisa engomada.
— Muito calmo pra quem tá andando no meio dos lobos, não acha, Raví? — sussurrei, a voz grossa vibrando perto da orelha dele. Cheguei a sentir o cheiro do perfume caro que ele usava. Dei um passo, bloqueando a saída dele com o meu corpo. Se ele quisesse sair, ia ter que se esfregar em mim.
Ele pegou o copinho de plástico com a maior calma do mundo. Virou de frente pra mim, a cabeça batendo na altura do meu peito. Eu já tava com aquele sorriso cafajeste pronto, esperando ele tremer ou pedir pra passar.
Ele deu um gole no chá, ajeitou os óculos e olhou direto pra minha calça.
— Rodrigo, a empresa tem um canal de denúncias anônimas para assédio. Mas, honestamente? Eu acho que você não é uma ameaça — ele disse, com a voz tão monótona que parecia estar lendo um relatório. Ele levantou os olhos pros meus, gélido. — Homens que precisam encurralar os outros na copa geralmente fazem isso para compensar a falta de eficiência em outras áreas. Agora, saia da frente da porta. Meu intervalo acabou.
Eu travei. A ofensa foi tão cirúrgica, tão calculada, que eu recuei um passo por puro reflexo. Ele passou por mim sem nem encostar no meu braço. Fiquei ali na copa, com a caceta meia-bomba marcando a calça e as bolas doendo de ódio, humilhado por um viadinho que me chamou de incompetente sem soltar um único xingamento.
Na semana seguinte, o RH mandou o Raví descer pro chão de fábrica pra fazer uma auditoria de EPI (Equipamento de Proteção Individual). Ver aquele japinha no meu território, usando um capacete branco de segurança que parecia grande demais pra cabeça dele, me deu um tesão absurdo. Fui andando até ele, ignorando os olhares dos outros funcionários. Parei bem na frente dele, no meio do barulho das máquinas, cruzando os braços e estufando o peito.
— Tá perdido, estagiário? — falei alto, por causa do barulho das prensas. Dei um sorriso malicioso, olhando ele de cima a baixo. — Cuidado por onde anda aqui embaixo. Tem muita ferramenta pesada solta... quer que eu te mostre como a gente opera as máquinas grandes?
Eu achei que o ambiente hostil ia intimidar ele. Achei que ele ia abaixar a cabeça. Raví pegou a prancheta dele. Nem piscou pro meu duplo sentido. Ele olhou pra prancheta, olhou pra minha orelha e começou a anotar alguma coisa com a caneta.
— O senhor está sem o protetor auricular obrigatório na zona de risco, Rodrigo — ele falou alto, a voz cortando o barulho das máquinas com uma autoridade que me deu um soco no estômago. — Artigo 158 da CLT. É a sua segunda infração documentada nesta semana.
— Ah, qual é, japinha... — tentei me aproximar, baixando o tom de voz pra tentar quebrar o clima burocrático dele.
Ele esticou a prancheta, enfiando o acrílico bem no meio do meu peito para me manter a distância.
— Coloque a porra do protetor agora, ou eu suspendo o seu turno e você vai explicar pro diretor de produção por que a linha parou — os olhos dele fuzilaram os meus. Frios. Implacáveis. — Volte ao trabalho.
Ele virou as costas e foi fiscalizar a prensa do outro lado. Os peões em volta tavam prendendo o riso. Eu fiquei lá, no meio do meu galpão, fervendo. O líder dos machos alfa, o terror das vadias, tomando ordem de um garoto com menos da metade do meu peso. O ódio se misturou com um tesão tão violento que eu precisei ir pro banheiro bater uma punheta raivosa, socando a porta do boxe, só pensando em como eu ia destruir a xoxota dele.
---
A Coliseu é a academia parceira da empresa, ganhávamos muito desconto nas mensalidades lá, então mais da metade da empresa treina ali. Eu estava no meu terceiro exercício de costas quando vi o japinha pelo espelho. Não acreditei. O Raví, de regata larga e short de treino abaixo do joelho, tentando puxar uma barra na polia com a mesma cara de quem preenche formulário. Peso mínimo, postura perfeita, queixo duro. Aquilo me divertiu. Aquilo também me fez perder a série.
Vi quando ele terminou, enxugou o rosto com a toalha dobrada em quatro e olhou ao redor, conferindo se alguém reparava. Ninguém reparava. Só eu. Ele pegou a garrafa e foi pro vestiário sem pressa nenhuma, a nuca suada, os fios lisos grudados na pele. Pela primeira vez, o engomadinho parecia ter calor. Contei até cinquenta. Disse pra mim mesmo que ia só beber água.
O vestiário estava quase vazio: um chuveiro pingando, o cheiro de desinfetante e ferro, o vapor de quem tinha acabado de sair. A porta do último box estava encostada, não trancada. Eu parei no meio dos armários, e foi aí que ouvi.
Primeiro, uma respiração curta, presa, daquelas que a pessoa segura com os dentes. Depois o som molhado e baixinho que eu conhecia bem demais, abafado pela água que ele tinha deixado correr pra disfarçar. E então, quase sem voz, no fio do ar:
— Ainnn… — um sussurro quebrado, que ele claramente achava que ninguém ouviria. — Que saudade de levar pirocada...
Fiquei imóvel. O sangue fez o caminho de sempre.
O Raví, o homem do artigo 158, do canal de denúncias, do "você não é uma ameaça". Atrás daquela porta, com a água ligada, dedando a bucetinha e implorando por piroca. Cheguei perto sem ruído. Pela fresta, vi o ombro fino brilhando de vapor, a testa colada no azulejo. A mão esquerda espalmada na parede, os dedos se arrastando pelo rejunte. A direita trabalhando lá embaixo, o short arriado nas coxas, dois dedos deslizando devagar pela xoxota encharcada, subindo até o clitóris inchado e fazendo círculos curtos, apertados, de quem sabe exatamente o que o corpo pede. De vez em quando ele descia, enfiava a ponta dos dedos na entrada, e o quadril avançava sozinho, procurando mais fundo do que a mão alcançava.
— Ah... porra... — ele mordeu os próprios lábios, e o gemido saiu abafado. — Quero… Preciso de rola...
Aquele moleque estava se comendo com os dedos pensando em piroca. E o pior é que fazia tudo errado. Rápido demais, apressado demais, apertando o clitóris com pressa de quem quer terminar antes de se arrepender. Dava dó. Dava tesão. Dava as duas coisas. Empurrei a porta devagar com a ponta dos dedos. A porta rangeu e ele congelou.
O japinha continuou encostado no azulejo, short arriado até as coxas, a mão ainda enfiada no meio das pernas, a cabeça virando devagar pra trás. O rosto vermelho até a orelha, a boca entreaberta e molhada, os olhos escuros arregalados, sem armação nenhuma pra se esconder atrás. Ele me viu e o corpo inteiro travou. Nem tirou a mão. Só ficou ali, ofegando, pego com a boceta pingando de tesão nos próprios dedos.
Foi a primeira vez que vi o Raví sem uma palavra pronta.
— Rodrigo, isso é... eu posso explicar... — ele tentou, e a voz saiu quebrada, sem um pingo daquele tom de manual.
Entrei no box e fechei a porta atrás de mim. O trinco fez um clique que ecoou no vestiário vazio. A água morna caía na parede, molhando a barra da minha bermuda.
— Pode explicar, Raví? — falei baixo, encostando o peito nas costas dele. Senti o corpo pequeno tremer inteiro contra mim. — Explica pra mim por que tu tá aqui, com a xoxota encharcada, pedindo rola pro azulejo.
Ele fechou os olhos. A mão ainda tava lá, parada, e dava pra ver o peito subindo e descendo rápido demais.
— Eu não... eu não faço isso, eu só... faz tempo — ele soltou, a voz falhando na última palavra. — Faz muito tempo, e eu...
Foi aí que entendi tudo. A pose, a frieza, o artigo da CLT na ponta da língua. O moleque vivia numa armadura apertada porque tinha um fogo dentro que não deixava ninguém chegar perto. E o fogo tava ali, pingando na minha frente.
Prensei ele de novo contra a parede e encostei a boca na orelha dele.
— Faz tempo que ninguém te come direito, é isso? — sussurrei, e senti ele arrepiar do pescoço até os pés. — Que ninguém te trata como tu merece?
Ele não respondeu. Mas empinou o quadril pra trás, um centímetro, sem querer, e encostou a bunda no meu volume. Soltou um gemido que ele tentou engolir e não conseguiu. Mesmo assim, parei. Segurei o pulso dele, a mão ainda no meio das pernas, e esperei.
— Me fala, Raví. Eu paro agora se tu mandar. Só que se tu não mandar, eu vou assumir daqui.
O silêncio durou três segundos. Ele engoliu seco, os dedos apertando o azulejo.
— Não... não para.
Foi tudo que precisei.
Tapei a boca dele com a palma da mão, grossa, cobrindo metade do rosto, e com a outra substituí os dedos dele. Ele tava escorrendo, quente, inchado de tanto tesão acumulado. Mas não fui direto no ponto. Quem vai direto no ponto não sabe o que faz. Eu fiquei rodeando: o polegar espalhando a umidade pelos lábios, subindo devagar até a pontinha do clitóris sem encostar, desistindo, voltando. O corpo dele reclamava, empurrava contra a minha mão, e eu recuava um dedo, só pra ensinar quem mandava no ritmo.
— Tá com pressa por quê, japinha? — falei no ouvido dele. — Tu se toca igual quem tá fugindo de alguma coisa. Aqui não tem ninguém correndo.
Só então encostei o polegar no clitóris duro e fiz o círculo certo, lento, com a pressão exata, o tipo de coisa que não se aprende em manual. O corpo dele deu um solavanco e o gemido morreu na minha mão.
— Shhh. Vai que alguém te ouve, e aí? Metade da empresa treina aqui. Como vai explicar que tá levando dedada de um colega do trabalho porque é uma putinha safada? — Esfreguei devagar, sentindo ele amolecer contra o meu peito. — Tu tá tão molhadinho. Todo esse tempo me tratando feito lixo e a xoxota chorando por atenção.
Ele choramingava sendo penetrado pelos meus dedos, os olhos fechados, as pernas tremendo. Eu lia o corpo dele melhor do que ele mesmo. Quando a respiração acelerava, eu aliviava. Quando ele relaxava, eu apertava. Deslizei o dedo médio pra dentro devagar, só até a primeira junta, e senti ele se fechar em volta, quente, faminto. Curvei o dedo pra frente, no ponto que faz o chão sumir, e ele mordeu minha palma e arqueou inteiro.
— Isso. Quer rola, né? — Enfiei o segundo dedo, fundo, no mesmo ritmo do dedo médio. — Por enquanto tu vai se contentar com a minha mão. Mas vai gozar nela feito uma puta bem comida.
Ele tentou dizer alguma coisa, e o que saiu na minha palma foi um "por favor" molhado e sem fôlego.
— Goza pra mim, viadinho. Agora.
Não demorou. O corpo todo dele travou, os joelhos cederam, e senti a umidade quente escorrer pelos meus dedos. Segurei ele pela cintura pra não cair, ainda com a mão na boca, abafando o gemido longo e rouco que ele soltou. Fui devagar até a última contração, prolongando, sem tirar a mão, até ele tremer de sensibilidade.
Ficamos assim um tempo, ele mole no meu peito, eu duro feito pedra por baixo do short suado. Quando tirei a mão da boca dele, o Raví respirava aos soluços, o rosto virado de lado, sem coragem de me olhar. Lambi os dedos para sentir o gostinho dele.
Mas não cheguei até ali pra deixar pela metade. Virei ele de frente e prensei na parede do box, encaixando o volume contra ele, esfregando a pica dura por cima do tecido na boceta ainda sensível. Ele estremeceu e agarrou meus ombros com as duas mãos.
— Quer rola agora? — perguntei, rouco, a testa colada na dele.
Os olhos escuros finalmente encontraram os meus. Sem marra, sem manual. Tímido, vermelho, tremendo.
— Quero.
Peguei a toalha dele, enxuguei o rosto, vesti a regata de volta nele com cuidado e ajeitei o short. Ele me olhava confuso, esperando.
— Aqui não, Raví — falei, pegando a mão dele. — Tu merece mais que um box de academia. Vem comigo.
E puxei ele pelo corredor, até o estacionamento, até o meu carro, ouvindo o coração dele batendo na palma da minha mão.
---
O caminho até o carro foi o mais longo da minha vida. Eu andava de mãos dadas com o Raví pelo estacionamento da Coliseu, e a cada passo ele ia ficando mais reto. Os ombros subindo, o queixo endurecendo, a mão dele tentando escapar da minha como quem lembra de repente que está em público.
Não deixei. Apertei um pouco mais.
Abri a porta do passageiro, e ele entrou sem me olhar. Colocou o cinto, alisou o short sobre as coxas, ajeitou a toalha dobrada no colo. Quando sentei no banco do motorista, o japinha já estava de volta: olhos na janela, coluna de poste, respiração controlada demais pra quem tinha acabado de gozar na minha mão.
— Isso não altera a nossa relação profissional — ele disse, seco, pro vidro.
Soltei uma gargalhada que fez o carro inteiro vibrar.
— Claro que não. Imagina.
— Estou falando sério, Rodrigo. Em nenhuma hipótese isso é comentado na empresa.
— Fica tranquilo. Eu sou um túmulo. — Liguei o motor.
Ele ficou quieto. Rodei dois quarteirões em silêncio, e foi no sinal vermelho, com a luz alaranjada do poste batendo no perfil dele, que percebi a perna sacudindo. Rápido, miúdo, o joelho quase batendo no painel. Não era frieza. Era um homem tentando segurar uma represa com a mão.
Ele enfiou dois dedos no bolsinho da regata, tirou os óculos, olhou pra eles por um segundo e colocou no rosto, devagar, ajeitando a armação no nariz. Armadura de volta no lugar. Só que as mãos tremiam, e eu vi.
Não acreditei no que vi depois. O Raví enfiou os polegares no cós do short e arriou tudo até os joelhos, ali, no banco do passageiro, com o carro parado no sinal. Chutou o short pro chão. Subiu os pés no painel, abriu as pernas bem abertas e, com dois dedos, abriu os próprios lábios pra mim, a xoxota rosada e brilhando de molhada sob a luz alaranjada do poste.
— Dobra a próxima à direita e para — a voz saiu rouca, mandona, o mesmo tom de quem dá ordem em reunião. — E me deda como você fez no box. Agora.
Meu pau deu um tranco tão forte dentro da bermuda que doeu. E olha que não é pouca coisa pra dar tranco.
O sinal abriu. Cantei pneu, dobrei na primeira rua escura, um terreno baldio com um muro alto e um poste queimado, e puxei o freio de mão com o motor ainda ligado.
— Olha só quem resolveu mandar — falei, e minha mão já estava na coxa dele, subindo. — O homem do artigo 158, de óculos e de xoxota aberta pra mim.
— Cala a boca e me dedaaa... — ele gemeu, empurrando o quadril pra frente antes mesmo de eu encostar.
Passei os dedos devagar pelos lábios, espalhando a umidade, e ele rangeu os dentes. Fiz o mesmo jogo da academia: rodeei o clitóris sem tocar, desci, voltei. O Raví agarrou meu antebraço com as duas mãos e tentou me puxar pra onde queria.
Ele soltou um gemido sofrido, os óculos escorregando no nariz suado, e pediu baixinho, do jeito que eu queria ouvir:
— Por favor.
Enfiei dois dedos de uma vez, fundo, e ele jogou a cabeça contra o encosto, a boca aberta, o corpo todo arqueado pro meu braço. Curvei os dedos no ponto que faz o chão sumir e comecei a meter, devagar, bem fundo, o polegar no clitóris no mesmo compasso. O som molhado encheu o carro. O vidro embaçou em volta de nós.
— Isso, japinha. Geme. Aqui ninguém vai te ouvir.
E ele gemeu, sem esconder nada. Gemeu alto, safado, pedindo mais, o quadril rebolando contra a minha mão, os óculos tortos, a regata subida.
— Tá vendo? — falei no ouvido dele, sem parar. — É assim que se faz. Agora segura essa vontade que eu quero te ver gozar na cama, com meu pau no lugar dos dedos.
Tirei a mão no último segundo. Ele soltou um som de revolta tão genuíno que quase gozei na bermuda. Lambi os dedos devagar, olhando pra ele, e voltei a dar partida.
— Agora cala a boca e se veste — falei, pegando o short do chão e jogando no colo dele. — Ou não. Chega no motel assim mesmo.
Ele me olhou por trás dos óculos tortos, ofegando, vermelho, com a xoxota ainda pulsando. E, em vez de vestir o short, jogou ele no banco de trás.
Depois tirou a regata pela cabeça. Ficou só de óculos, nu, o corpo magro e firme riscado pelos postes que passavam, listras de luz e sombra deslizando pelo peito, pelas coxas, pelo meio das pernas. Subiu um pé no painel, o outro no banco, abriu as pernas até o joelho encostar na porta, e levou a mão pra baixo.
Ele começou devagar, e dessa vez fazia direito. Dois dedos espalhando a umidade pelos lábios, subindo, circulando o clitóris com a pressão que eu tinha ensinado no box, só que agora sem pressa de quem foge. Gemia baixinho, depois nem tão baixinho. A outra mão subiu pelo peito, apertou o mamilo, e a cabeça caiu pro encosto.
— Rodrigo... — ele chamou, e abriu os lábios com os dedos, bem abertos, pra eu ver o brilho. — Olha como tá molhada. Tá toda aberta pra você.
Ele enfiou os dedos devagar, e o som molhado encheu o carro de novo. Rebolava no banco, os óculos escorregando, o rosto vermelho, os olhos escuros fixos em mim por trás das lentes embaçadas.
— Quero rola — ele gemeu, sem pudor nenhum. — Quero a sua rola. Me dá logo, porra, eu tô com a buceta latejando...
Contei os metros até o motel. Entrei na garagem de pneu cantando, puxei o freio de mão com tanta força que o carro balançou. Silêncio. Só a respiração dele e o barulho da mão ainda trabalhando, molhada, desesperada. Aqui, o jogo mudou. Desliguei o motor, tirei o cinto e segurei o pulso dele, parando a mão no meio do movimento. Ele reclamou, e a reclamação morreu quando ele olhou pra mim.
— Acabou o seu turno, gatinho — falei, baixo, sem sorriso nenhum. — A partir daqui eu cuido.
Ele engoliu seco. Devolvi a mão dele pro próprio colo, o dedo ainda brilhando, e lambi devagar, um por um, olhando bem fundo nos olhos dele.
— Tu tá nu, aberto e implorando. Mas quem decide como tu vai gozar hoje sou eu. Entendeu?
O peito dele subia e descia rápido. Ele hesitou um segundo, aquele segundo em que o Raví lembra quem é, e eu esperei. Aprendi que esperar é parte do domínio.
— Entendi — ele sussurrou. — Mas se eu mandar parar...
— A gente para na hora. Sempre. — Encostei a testa na dele. — Promessa de homem que cumpre o que fala.
Ele fechou os olhos, e a tensão do corpo todo escorreu de uma vez.
— Então manda — ele disse.
Desci do carro, dei a volta, abri a porta do passageiro e o ergui no colo como se não pesasse nada, as coxas dele abraçando a minha cintura por instinto, a xoxota quente e molhada encostando na minha barriga por cima da camisa. Ele afundou o rosto no meu pescoço e gemeu.
— Rodrigo, os óculos...
— Ficam. — Carreguei ele até a porta do quarto. — Quero ver o homem do artigo 158 de óculos quando eu te fizer esquecer o próprio nome.
A porta bateu atrás da gente. Joguei ele na cama, e ele quicou no colchão, as pernas ainda abertas, a mão já indo de volta pro meio delas por reflexo.
— Mão pra cima — mandei.
Ele hesitou, mordendo o lábio. Depois, devagar, levou as duas mãos acima da cabeça. Tirei a camisa e deixei cair. O peito largo, a pele escura brilhando de suor sob a luz do quarto. Ele me olhava de baixo, e eu me deixei olhar. Gosto disso. Gosto de ser olhado com fome. Aí abri a bermuda e empurrei pra baixo junto com a cueca.
Meu pau saltou pra fora pesado, já meio duro de tanto provocar no caminho, e foi subindo, subindo, até apontar pro teto inteiro. Dezenove centímetros? Vinte? Nunca medi, nunca precisei. Basta ver a cara de quem vê. Grosso feito um pulso, escuro, cheio de veia correndo pelo comprimento como cipó em tronco velho, a cabeça lustrosa, inchada, roxa de tão gorda, já babando na ponta. Por baixo, o saco pesado, cheio, balançando a cada respiração minha. Meu velho Raimundão sempre dizia que a natureza tinha caprichado em nós, e eu cresci me orgulhando de carregar entre as pernas um pé de mesa, uma jeba de respeito. Peguei na base, apertei e dei uma balançada devagar, de propósito, só pra ele ver o peso, o pau batendo na minha própria coxa com um estalo molhado. Os olhos do Raví desceram e arregalaram atrás das lentes. Ele ficou sem ar. A boca abriu e fechou duas vezes.
— Meu Deus — ele murmurou, perdendo a pose de uma vez. — Isso... isso é muito maior do que eu...
— Do que tu aguenta? — Sorri, e dei outra balançada. — Vai caber, japinha. Eu faço caber.
Abri a gaveta do criado-mudo, peguei uma camisinha e deixei a embalagem fechada ao lado dele no colchão.
— Antes, eu quero olhar pra tua cara de executivo com a boca ocupada — falei, subindo na cama e parando de joelhos ao lado do rosto dele, o pau pesado balançando na frente dele.
O Raví engoliu seco. Hesitou um segundo, aquele segundo de sempre. Depois se ergueu nos cotovelos, ajeitou os óculos com o dedo e segurou meu pau com as duas mãos.
— Duas mãos não dão conta — ele murmurou, quase pra si mesmo.
— Eu avisei.
Ele passou a língua pela cabeça, devagar, de baixo pra cima, provando a gota que já escorria. Fechou os olhos um instante, e depois abriu e me olhou por trás das lentes enquanto abocanhava a ponta. A boca pequena se esticou em volta da grossura, os lábios vermelhos apertando, e eu soltei o ar pelo nariz com um som que não quis fazer.
— Porra, Raví...
Ele fazia com a mesma dedicação com que fazia tudo. Metódico. Subia e descia devagar, a língua trabalhando por baixo, uma mão na base, a outra acariciando o que a boca não alcançava. Quando não aguentava mais fundo, ele tirava, deixava um fio de saliva ligando a boca ao meu pau, e voltava mais fundo ainda. Os óculos escorregaram e ele nem ligou. O som molhado enchia o quarto, e eu só conseguia agarrar o lençol. Depois ele desceu. Passou a língua por todo o comprimento, desde a cabeça até a base, arrastando pelas veias, e foi mais embaixo. Beijou meu saco, lambeu devagar, puxou um dos ovos pra dentro da boca, quente, e chupou com cuidado, sem tirar os olhos de mim. Minhas coxas começaram a tremer.
— Caralho... — A voz saiu rouca, rasgada. — Onde tu aprendeu isso, japinha?
Ele soltou com um estalo e sorriu de canto, com a boca brilhando.
— Eu estudo bastante.
Eu ri, e a risada virou gemido no meio. Ele voltou pra cabeça, engoliu o que pôde, a mão subindo e descendo no mesmo compasso, e minhas pernas tremeram de verdade, os joelhos cedendo no colchão. Precisei segurar a nuca dele pra não perder o prumo, e ele gemeu em volta de mim, a vibração subindo pela espinha até a cabeça. Se ele continuasse mais um minuto, a cena acabava ali.
— Para — consegui falar, puxando ele de leve pelo cabelo liso. — Para, senão eu gozo na tua cara.
Ele me soltou devagar, ofegante, com os lábios inchados, o queixo molhado e os óculos tortos. Estava lindo, o desgraçado. Pegou a embalagem que eu tinha deixado no colchão e rasgou com os dentes, sem pedir ajuda. Tirou a camisinha, posicionou na ponta e olhou pra mim.
— Fica quieto — ele mandou.
Colocou o látex entre os lábios, encostou na cabeça do meu pau e foi descendo com a boca, desenrolando devagar, a língua ajudando, os lábios apertando, até o látex cobrir tudo o que a boca alcançava. Terminou com a mão, deslizando até a base, e deu um último beijo na ponta, estalado, antes de me encarar.
— Pronto — ele disse, ofegando. — Dentro dos protocolos de segurança.
Eu quase ri de novo. Quase.
Deitei ele de costas no colchão, as pernas abertas, e fiquei de joelhos entre elas. Passei a cabeça do pau pelos lábios molhados dele, de cima a baixo, espalhando, roçando o clitóris, e ele arqueou com um gemido tão alto que ecoou no quarto. Dava pra ver o contraste: a minha mão escura segurando a base, o meu pau enorme contra o corpo pequeno e claro dele, a cabeça grossa deslizando pela entrada sem entrar, só mostrando o que vinha. Ele tremia inteiro. Eu olhava o rosto dele, cada mudança, cada piscada. Mestre se mede pelo que o outro sente, e aquele moleque, que não sentia nada fazia anos, tava sentindo tudo.
— Olha pra mim, Raví.
Ele olhou, os olhos escuros brilhando atrás das lentes tortas.
— Agora me pede.
— Por favor — ele disse, e a voz quebrou no meio. — Rodrigo, por favor... me dá.
— Dá o quê?
— Sua rola. — Os olhos escuros brilharam úmidos por trás das lentes tortas. — Quero sentir você todo dentro de mim.
Segurei a base, encaixei a cabeça na entrada dele e fui. Devagar. Um centímetro, parei. Outro, parei. A cabeça grossa abriu o Raví aos poucos, e ele prendeu o ar, as mãos acima da cabeça agarrando o lençol, os dedos dos pés se curvando. Ele tava quente, apertado de um jeito que quase me fez gozar de cara. Travei o maxilar e contei até dez.
— Respira, japinha. Solta o ar. Isso.
Ele soltou, e o corpo cedeu um pouco mais. Entrei fundo, sentindo ele se esticar em volta de mim, engolindo a minha grossura aos poucos, até a metade, até mais da metade. Quando senti que ele tinha chegado no limite, parei, o pau pulsando dentro dele.
— Tá bem? — perguntei, rouco, a testa suada. — Fala. Eu paro.
— Não para — ele sussurrou, e foi aí que vi a primeira lágrima escorrer pela lateral do rosto, indo se perder no cabelo. — Não é dor. É que... é tão cheio... eu nunca...
A voz embargou. Ele fechou os olhos, e outra lágrima desceu, e outra. O corpo todo tremia ao meu redor.
— Eu nunca me senti assim — ele conseguiu dizer. — Eu tô todo cheio de você.
Meu peito apertou de um jeito que não tinha nada a ver com tesão. Apoiei os braços ao lado da cabeça dele e encostei o nariz no dele. Beijei as lágrimas, uma por uma, e ele soltou um soluço que virou gemido.
— Tu é tão gostoso, Raví — falei no ouvido dele, sem me mexer. — Tá me engolindo todo, olha. Tá aguentando tudo isso.
— Mexe — ele pediu, chorando e rindo ao mesmo tempo. — Por favor, mexe.
Tirei devagar até a cabeça e voltei fundo, num movimento só. Ele gritou. Não um gemido contido: um grito inteiro, de quem passou anos engolindo som. Repeti no mesmo ritmo lento e pesado, o quadril rolando, o pau escorregando por dentro dele até a base, o saco batendo na bunda dele com um estalo molhado. As pernas dele subiram e se trançaram na minha cintura, as mãos se soltaram do lençol e agarraram as minhas costas, as unhas marcando a pele.
— Isso... isso... — ele repetia, os óculos escorregando, o rosto banhado de lágrima e suor. — Aí, Rodrigo, bem aí, não para...
Eu não ia parar nem se o prédio caísse. Fui acelerando, lendo o corpo dele, como sempre. Quando ele arqueava, eu ia mais fundo. Quando a respiração falhava, eu segurava o ritmo até ele voltar. E ele gozou assim, a primeira vez, só com o meu pau dentro, sem ninguém encostar nele: o corpo todo travando, os olhos revirando, a xoxota me apertando em ondas tão fortes que tive que parar, o rosto enterrado no pescoço dele, pra não gozar junto.
Ele ficou mole embaixo de mim, soluçando baixinho, e eu pensei que tinha acabado.
Não tinha. Quando levantei o rosto, o Raví já estava me olhando. A lágrima ainda tava lá, mas o olhar mudou. Ele ajeitou os óculos com o dedo, empurrou meu peito com as duas mãos e me virou de costas no colchão com uma força que eu não sabia que ele tinha.
— Agora é a minha vez — ele disse, e a voz era outra, grave, lenta, molhada de malícia.
Montou em mim, o pau ainda duro e brilhando de tudo que ele tinha escorrido, e alinhou com a mão, sem pressa, olhando bem nos meus olhos. Desceu devagar, engolindo tudo outra vez, até sentar na base, e soltou um suspiro de contentamento que me deu arrepio na nuca.
— Isso — ele murmurou, rebolando devagar, as mãos apoiadas no meu peito. — Que pau gostoso, Rodrigo. Que delícia.
— Raví...
— Shhh. — Pôs o dedo nos meus lábios. — Quem tá no comando agora sou eu. Fica quietinho e deixa eu te mostrar o que eu sei fazer.
E mostrou. Rebolava como quem tinha estudado, e eu comecei a desconfiar que ele tinha mesmo. Subia até a ponta e descia de uma vez, apertando por dentro de propósito, e quando eu agarrava a cintura dele, ele segurava meus pulsos e botava de volta no colchão.
— Você gosta, né, negão? De ver o estagiário do RH pulando na sua rola? — Mordeu minha orelha, o quadril rolando, o som molhado enchendo o quarto. — Gosta de ver como eu sou uma vagabunda pra você?
— Porra... gosto...
— Fala que sou a sua putinha. — Subiu e desceu devagar, só pra me torturar. — Fala. Eu quero ouvir.
— Tu é minha puta, Raví.
— Sua puta de luxo. — Sorriu, os olhos brilhando atrás das lentes. — Que cobra caro, mas pra você eu faço de graça.
Ele acelerou. Quicava no meu pau com as mãos no meu peito, a cabeça jogada pra trás, os peitinhos balançando, a boca aberta num gemido sem fim. Eu agarrei a bunda dele e deixei ele ditar o ritmo, porque era o jeito de ver o rosto dele desmontar. Ele esfregava o clitóris contra a minha pelve a cada descida, e o segundo orgasmo foi chegando em camadas: a respiração falhando, as coxas tremendo, o quadril perdendo o compasso.
— Vou gozar de novo — ele avisou, ofegante, quase surpreso. — Rodrigo, eu vou... vou gozar na sua rola...
— Goza, viadinho. Goza pro teu macho.
Ele gozou cavalgando, o corpo travando em cima de mim, a xoxota me ordenhando em espasmos que eu senti até nos dentes. Mas o desgraçado não parou. Continuou rebolando por cima do orgasmo, sensível, tremendo, os olhos úmidos fixos em mim, me apertando de propósito até o fim. Foi demais. Minhas pernas começaram a tremer primeiro, o abdômen contraindo, o ar sumindo do peito.
— Raví, porra, eu vou... — tentei avisar, e a voz virou rugido.
Gozei com o corpo inteiro tremendo debaixo dele, as coxas sacudindo, os dedos cravados no lençol, as bolas esvaziando dentro da camisinha em jatos tão fortes que vi estrela. Ele me cavalgou até a última gota, devagar, os olhos brilhando de orgulho, e só parou quando eu parei de tremer. Desabou em cima do meu peito, e ficamos ali, colados de suor, o coração dele martelando contra o meu.
Quando saiu de cima de mim, tirei a camisinha, dei um nó e joguei no lixo. Achei que ia apagar ali. Era o que um homem normal faria depois de uma gozada dessas. O Raví tinha outros planos. Ele se ajoelhou do meu lado, os óculos tortos, o cabelo grudado na testa, a pose de executivo de volta nas costas retas e nos olhos frios.
— Eu ainda não terminei — ele anunciou, no tom de quem lê a pauta da reunião. — Deita direito.
— Raví, eu acabei de...
— Eu sei. — Subiu em mim de joelhos, passou uma perna de cada lado do meu rosto e ficou pairando, a xoxota inchada, vermelha, brilhando de tudo que a gente tinha feito, a poucos centímetros da minha boca. — Mas você é mestre do prazer, não é? Prova.
Não precisei de segundo convite. Agarrei as coxas dele, puxei pra baixo e afundei a boca nele. Ele soltou um gemido que ecoou no teto e agarrou a cabeceira da cama com as duas mãos. Lambi de baixo pra cima, devagar, a língua larga abrindo os lábios, depois fechei a boca no clitóris inchado e chupei, firme, no ritmo que ele precisava e não sabia pedir. O gosto dele era salgado, quente, e eu me afoguei nele.
— Ah, porra... Rodrigo... — Ele rebolava na minha cara, os óculos escorregando, as unhas riscando a madeira. — Assim... não para... pelo amor de Deus, não para...
Enfiei dois dedos nele sem parar de chupar, curvando no ponto que eu já conhecia, e a reação foi instantânea. O corpo dele deu um solavanco, as coxas apertaram minha cabeça, e senti a tensão subir como uma onda que não ia ter onde quebrar.
— Vai... vai sair... — ele gemeu, quase em pânico. — Eu vou... eu nunca... ai, meu Deus...
— Solta — falei contra ele, sem tirar a boca. — Solta tudo na minha cara.
Ele gritou. O corpo todo se contraiu e um jato quente espirrou na minha boca, no meu queixo, no meu peito, e outro, e outro, ele tremendo, urrando, sentado na minha cara com a xoxota esguichando como uma torneira aberta. Tomei tudo, de boca aberta, sem sombra de nojo, e continuei chupando devagar enquanto ele se desmontava em cima de mim, ofegando, murmurando coisas sem sentido, o corpo sacudindo em tremores que não acabavam. Quando finalmente ele desabou do meu lado, com os óculos pendurados numa orelha só, eu estava todo molhado dele, com o rosto escorrendo, o lençol encharcado e um sorriso idiota que não ia sair tão cedo.
— Foi... — ele tentou, a voz rouca, as palavras se recusando a formar. Tentou de novo. — Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo.
— Tu é incrível, Raví.
— Estou ótimo — ele disse por fim, e a voz era a dele de novo, sonolenta, mansa, com um toque quase tímido. — Foi... mais do que adequado.
Eu ri até o peito dele sacudir junto, e puxei ele pra encostar a cabeça no meu ombro. Ele deixou. Passei o polegar no rosto dele, limpando o resto das lágrimas que nem sabíamos de quando eram.
Fiquei olhando o japinha pegar no sono, o corpo pequeno enroscado no meu. Eu, o Rodrigão, o comedor da Bauer & Torres, o terror das vadias e dos viadinhos, olhando um estagiário de 1,58 como quem olha pra uma máquina nova que não sabe operar. Eu tinha ido ali pra quebrar a postura dele. Pra ganhar uma guerra. E tinha perdido feio.
Tirei os óculos dele com cuidado, dobrei as hastes e botei no criado-mudo, bem alinhados, do jeito que ele gostaria. E soube, com a clareza de quem toma um soco no queixo, que eu tava ferrado. Apaixonado, no pior sentido: sem aviso, sem plano e sem a menor ideia de como dividir isso com meu irmão do meio, o Renan, que era meu melhor amigo.
---
Achei que no dia seguinte ia encontrar o Raví tímido. Passei a manhã inteira ensaiando a cara de homem que não ia cobrar nada. Aí o e-mail chegou.
Assunto: Reunião de alinhamento. Local: Sala de Arquivo B, 2º andar, RH. Horário: 12h10 às 12h50. Pauta: pontos de conduta. Pontualidade é imprescindível.
Li três vezes. Joguei o capacete no armário, lavei a mão duas vezes e subi a escada de dois em dois degraus, com o crachá balançando e um sorriso no rosto que fez o seu Osvaldo da manutenção perguntar se eu tinha ganhado na loteria.
Tinha.
A Sala de Arquivo B era um cubículo sem janela, estantes de aço até o teto, caixas etiquetadas por ano e um cheiro de papel velho e ar-condicionado. O Raví estava de pé ao lado da mesinha de apoio, camisa social passada, gola fechada até o talo, óculos no lugar, uma pasta transparente nas mãos. O crachá alinhado. Nem um fio fora do lugar. Quem visse ia jurar que ele nunca tinha rebolado no meu pau chorando de prazer na noite anterior.
— Você está três minutos adiantado — ele disse, sem levantar os olhos da pasta. — Feche a porta e tranque.
Tranquei. Meu pau já estava acordado antes de eu virar a chave.
— Item um — ele leu, e eu fiquei esperando o resto, porque juro que ele estava lendo mesmo. — O que acontece aqui não é comentado na empresa. Item dois: ninguém me toca fora deste horário. Item três: eu aviso quando quero e aviso quando chega. Item quatro...
— Chefe.
— ...item quatro: você usa camisinha, sempre, e nada de marcas visíveis no pescoço. — Fechou a pasta, finalmente me olhou. — Alguma objeção?
— Nenhuma. — Cruzei os braços, encostei na porta e deixei o sorriso cafajeste voltar. — Mas tenho uma sugestão pra cláusula cinco.
— Pode falar.
— Quem manda no ritmo sou eu.
Ele me olhou uns três segundos. Depois largou a pasta na mesinha, soltou o botão do cinto devagar e disse, com a mesma voz de reunião:
— Aprovado. Mas o limite é meu.
Eu nunca tinha atravessado uma sala tão rápido. Levantei ele pela cintura e sentei na mesinha, as costas contra a estante, as caixas de 2019 tremendo atrás da cabeça dele. Ele agarrou minha nuca. Arriei as calças dele junto com a cueca, de uma vez, e ele soltou um suspiro curto que tentou virar protesto e virou gemido.
— Rodrigo, o horário...
— Quarenta minutos, né? — Me ajoelhei no piso frio, as mãos nas coxas dele, abrindo bem. — Eu uso todos.
A xoxota dele já estava inchada, rosada, molhada antes de eu encostar a boca. Passei a língua devagar de baixo pra cima, e o gosto dele me arrepiou os braços inteiros. Salgado, quente, viciante. Eu, que já comi mulher em motel de rodovia, viadinho em banheiro de balada e piranha de todo tipo, nunca tinha provado uma coisa que me desse vontade de ficar de joelhos assim. Ele mordeu a própria mão pra não gritar. Os óculos desceram um pouco no nariz, e ele nem ajeitou.
— Rodrigo... — saiu abafado, quase uma reza. — Porra... aí...
Fechei a boca no clitóris e chupei firme, depois solto, depois lambida lenta, rodeando, tirando o fôlego dele aos poucos. Enfiei dois dedos devagar, curvei no ponto que já era meu, e o corpo dele travou. Cinco minutos. Foi o tempo que ele levou pra gozar na minha boca, as coxas apertando minha cabeça, a mão enfiada entre os dentes, o corpo todo vibrando contra as caixas de arquivo. Eu limpei a boca com as costas da mão, de pé, olhando pra ele ofegante em cima da mesinha, os óculos tortos, a camisa social amassada. Estava magnífico.
— Quarenta minutos — ele disse, ofegando, olhando o relógio de pulso. — Faltam trinta e cinco.
— Então vamos usar bem.
Usei. Levei ele ao segundo ali mesmo, com a língua e os dedos, ele segurando minha cabeça com uma mão e tapando a própria boca com a outra. E ainda sobrou tempo pra ele me ajoelhar no chão, abrir a minha calça e me deixar suado e aos tremores, segurando uma prateleira de aço pra não cair, enquanto ele, de gravata e óculos, sorria com a boca molhada.
— Reunião encerrada — ele disse, ajeitando o cabelo. — Obrigado pela participação.
Saí de lá com as pernas bambas e um sorriso que ia durar a tarde inteira.
---
Essa virou a minha rotina, e eu me tornei o homem mais vaidoso da Bauer & Torres.
Segunda, almoço no arquivo. Terça, almoço no arquivo. Quarta, ele mandou um e-mail novo: Mudança de local: Sala de Reuniões 3, atrás da sala do diretor. Quinta, o banheiro PCD do segundo andar, que ninguém usava, com o Raví sentado na pia, a calça em volta de um tornozelo e a mão na minha nuca. Sexta, no carro, no fundo do estacionamento, o vidro embaçado, ele com a gravata enrolada no punho e a boca sempre ocupada.
Eu virei a marmita dele. Ele virou a minha.
Cada dia eu saía do RH com o gosto dele no fundo da garganta, e voltava pro chão de fábrica andando de peito estufado. Passava pelos peões, passava pelo seu Osvaldo, passava pelo diretor de produção, o homem que me dava ordem na frente de todos, e eu só pensava: vocês não fazem ideia do que eu almocei hoje. Eu limpava os dentes com a língua, sentindo ainda o sabor, e sorria pro gerente que me falava de metas.
Eu não aguentava guardar sozinho. Na quinta, quando um dos meninos da linha me perguntou por que eu andava tão feliz, soltei, rindo:
— Descobri um restaurante novo. Comida caseira. Serviço impecável.
Eles riram, acharam que era mulher de refeitório. E eu fui embora, com o pau meio duro só de lembrar do sabor, achando que tinha segredo e vitória nas mãos.
Esqueci que existe um idiota barulhento, com crachá do TI e acesso livre ao prédio inteiro, que me conhece desde que nasceu.
Cheguei em casa na sexta com a cabeça nas nuvens, cantarolando, jogando a chave na mesa. A TV estava ligada. O Renan, de bermuda, sentado no sofá com uma cerveja na mão, nem desviou os olhos da tela.
— E aí, Drigão. Tá com cara de quem comeu e gostou.
— Cuida da tua vida, nerdola.
Ele se levantou pra pegar outra cerveja na geladeira e passou rente a mim, e foi aí que o cheiro me atravessou.
Perfume caro. Amadeirado, limpo, discreto, o mesmo que eu tinha respirado a semana inteira no pescoço do Raví, na Sala de Arquivo, no banheiro PCD, no carro.
Eu congelei com a mão ainda na chave. Aquele era o meu irmão do meio, o Renan, que desde os quinze anos só cheirava a suor de teclado, energético e rola, o cara que nunca na vida passou perfume que não fosse emprestado do meu armário. E agora tava ali, cheirando a viadinho engomadinho.
— Que perfume é esse? — perguntei, e a voz saiu mais baixa e mais grossa do que eu pretendia.
O Renan parou com a porta da geladeira aberta. Virou a cabeça devagar e o sorriso dele foi se abrindo, largo, bobo, perigoso, o sorriso de quem acabou de achar o botão que estava procurando.
— Perfume? — Ele estendeu o braço e cheirou o próprio ombro, fingindo surpresa. — Ah, isso. Deve ser da sala do RH. Fui trocar o roteador de lá hoje, sabe? Tava dando problema. Muito problema.
Fechou a geladeira com o quadril e abriu a cerveja, sem tirar os olhos de mim.
— Lugar cheiroso, hein, mano? — disse. — Dá vontade de voltar.
