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A Carona

Um conto erótico de SandroAndarilho
Categoria: Heterossexual
Contém 1641 palavras
Data: 01/10/2026 18:47:08
Assuntos: Heterossexual

Eu não tinha saído de casa naquela noite procurando mulher.

Muito menos imaginando que terminaria transando dentro do carro.

Era sábado, pouco depois das onze, quando me despedi dos amigos e saí do restaurante. A chuva começava a engrossar e meu único plano era ir para casa, tomar um banho e dormir.

Foi quando vi Patrícia debaixo da marquise.

Eu a conhecia havia quase dois anos. Amigos em comum, aniversários, alguns jantares, conversas e brincadeiras. Ela era bonita, isso eu sempre soube. Mas nunca tinha acontecido nada entre nós.

Naquela noite, porém, olhei diferente.

O vestido acompanhava suas curvas e deixava as pernas à mostra. Patrícia estava concentrada no celular, claramente irritada.

— Problemas?

Ela levantou os olhos.

— Segundo motorista que cancela essa merda.

— Onde você mora mesmo?

Ela disse o bairro.

— Eu te levo.

— Vai mesmo?

— Vou.

Patrícia guardou o celular e abriu um sorriso.

— Depois não reclama.

— Por que eu reclamaria?

— Sei lá. Vai que se arrepende de me colocar dentro do seu carro.

Ri.

— Agora fiquei preocupado.

— Deveria.

Fui buscar o carro.

Quando parei diante do restaurante, ela correu pela chuva e entrou rapidamente.

— Caralho, está piorando!

Patrícia fechou a porta, passou as mãos pelos cabelos molhados e ajeitou o vestido.

Olhei.

Ela percebeu.

— Gostou?

— Do quê?

— Não se faça de idiota.

— Você entrou no meu carro há dez segundos e já está arrumando confusão.

— E você já está olhando para minhas pernas.

— Eu estava olhando o banco.

— Claro.

Ela colocou o cinto sorrindo.

Saí com o carro.

Poucos minutos depois, entreguei meu celular.

— Coloca alguma música.

— Posso escolher qualquer coisa?

— Dentro do razoável.

— Então não devia ter me dado o celular.

Patrícia colocou uma música mais lenta.

— Essa?

— Quer me fazer dormir?

— Talvez eu queira te deixar relaxado.

— Isso parece ameaça.

Ela riu.

— Medroso.

Seguimos conversando.

Só que comecei a perceber que Patrícia estava diferente.

Ela cruzava as pernas e pegava meu olhar.

Encostava no meu braço para falar alguma coisa e demorava para tirar a mão.

Quando ria, inclinava o corpo na minha direção.

Até que resolvi provocar também.

— Você está fazendo isso de propósito.

— Isso o quê?

— Você sabe.

— Não faço a menor ideia.

— Safada.

Patrícia arregalou os olhos, fingindo indignação.

— Olha como fala comigo.

— Acertei?

Ela aproximou o rosto.

— Talvez.

Comecei a rir.

— Eu sabia.

— Não sabe porra nenhuma.

Alguns minutos depois, ela abaixou o volume.

— Posso perguntar uma coisa?

— Lá vem.

— Por que você nunca me chamou para sair?

Olhei rapidamente para ela.

— Você queria?

— Responde primeiro.

— Porque nunca soube se você estava me dando mole ou simplesmente me sacaneando.

Patrícia começou a rir.

— Não acredito.

— O quê?

— Você é lerdo mesmo.

— Então estava me dando mole?

— Algumas vezes.

— Algumas?

— Muitas.

— Puta merda.

— Pois é.

Parei no sinal.

Olhei para ela.

— E você nunca podia ter facilitado?

Patrícia aproximou o rosto.

— Mais?

— Mais?

— Quantas vezes eu sentei do seu lado? Quantas vezes puxei conversa? Quantas vezes fiquei te provocando?

— Achei que você fosse assim com todo mundo.

Ela fez uma expressão ofendida.

— Vai se foder.

Comecei a rir.

— Agora ficou brava?

— Não. Só estou descobrindo que desperdicei muito tempo.

O sinal abriu.

— Ainda dá para recuperar.

— Olha só...

Ela sorriu.

— Finalmente apareceu alguma coragem.

Continuamos.

Pouco depois, senti sua mão pousar sobre minha coxa.

Olhei.

— Dirige — disse ela.

— Patrícia...

— Que foi?

Sua mão permaneceu ali.

— Você está querendo arrumar merda.

— Talvez.

Os dedos se moveram lentamente.

— Você é safada mesmo.

Ela olhou pela janela como se não estivesse fazendo absolutamente nada.

— Presta atenção na rua.

— Fácil falar.

— Está nervoso?

— Não.

Ela apertou minha perna.

— Mentiroso.

***

Quando entramos no bairro dela, já não havia mais dúvida de que alguma coisa estava acontecendo.

Patrícia me orientou até a rua.

— Meu prédio fica depois da esquina.

Diminuí.

— Pode parar aqui.

Olhei para ela.

— Aqui?

— Aqui.

— Mas seu prédio...

— Eu sei onde moro.

Estacionei alguns metros antes da rua do apartamento.

Desliguei o motor.

Ela soltou o cinto.

Mas não saiu.

— Chegamos — falei.

— Percebi.

— Vai subir?

Patrícia olhou para mim.

— Está querendo se livrar de mim?

— Depois de você passar metade do caminho me provocando?

— Eu não fiz nada.

— Ah, não?

— Nada.

— Ficou mostrando essas pernas, passando a mão em mim...

Ela começou a rir.

— E você odiou.

— Pra caralho.

O sorriso dela mudou.

— Finalmente admitiu.

— Era isso que você queria?

Patrícia se aproximou.

— Eu queria descobrir até quando você ia conseguir fingir.

— Fingir o quê?

Seus olhos desceram pelo meu corpo.

— Que não estava morrendo de vontade.

Fiquei olhando para ela.

— Você gosta de brincar com fogo.

— E você fala demais.

— Então faz alguma coisa.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Está me desafiando?

— Talvez.

Patrícia chegou mais perto.

— Cuidado com o que pede.

— Por quê?

— Porque eu posso fazer.

Foi quando a beijei.

O primeiro beijo começou lento, mas a delicadeza durou pouco.

Ela segurou minha camisa e me puxou.

Minha mão encontrou sua cintura.

Patrícia interrompeu o beijo.

— Dois anos.

— O quê?

— Dois anos para você fazer isso.

— Poderia ter feito também.

— Eu sou uma dama.

Olhei para ela.

— Uma dama?

— Algum problema?

— Depois do que você fez dentro desse carro?

Ela mordeu o lábio tentando não rir.

— Vai tomar no cu.

— Bela dama.

Ela me beijou novamente.

Dessa vez com mais vontade.

Minha boca passou pelo seu pescoço e desceu pelo colo. Patrícia inclinou a cabeça e fechou os olhos.

— Assim...

Minhas mãos percorreram seu corpo.

Ela voltou a me beijar e sua mão desceu pelo meu peito até minha cintura.

Então começou a me provocar sobre a calça.

Parei o beijo.

— Patrícia...

— Hum?

Ela continuou.

— Filha da puta.

— Está reclamando?

— Nem fodendo.

Ela riu contra minha boca.

— Eu sabia.

O pouco de compostura que ainda existia foi embora.

Beijos.

Mãos.

Respiração pesada.

O vestido saindo do lugar.

Minha camisa aberta.

Até que ela olhou para o banco.

— Reclina isso.

— Você está mandando?

— Reclina essa merda.

Abaixei o encosto.

Patrícia começou a rir.

— Obediente.

— Não se acostuma.

— Cala a boca.

Ela me beijou novamente.

Pouco depois, Patrícia se afastou dos meus lábios.

Olhou para mim.

Depois começou a descer lentamente pelo banco reclinado.

Entendi imediatamente.

— Patrícia...

Ela levantou os olhos.

— Agora fica quieto.

E tomou a iniciativa.

Minha mão encontrou seus cabelos enquanto sua boca me fazia perder qualquer capacidade de continuar bancando o engraçadinho. Patrícia parecia gostar principalmente das minhas reações e de saber que, naquele momento, era ela quem comandava tudo.

Quando tornou a olhar para mim, havia um sorriso descaradamente safado em seu rosto.

— Ainda estou falando demais?

— Vem aqui.

Puxei-a de volta.

Ela veio rindo.

— Acabou minha vez?

— Acabou.

— Que pena.

— Agora é a minha.

Beijei sua boca, depois seu pescoço.

Fui descendo.

Patrícia reclinou o corpo no banco enquanto minha boca percorria seu colo. Quando cheguei aos seus seios, ela segurou meus cabelos e me manteve junto dela.

— Isso... não para.

Continuei.

Patrícia fechou os olhos e deixou escapar meu nome.

— Alessandro...

Parei apenas para olhar para ela.

— Por que parou?

— Gostei de ouvir.

— Filho da puta.

— Fala de novo.

Ela me puxou pelos cabelos.

— Vem aqui, seu safado.

Voltei a beijá-la.

O banco estava reclinado.

Os vidros já completamente embaçados.

As roupas desarrumadas.

E o apartamento dela, a poucos metros dali, tinha deixado de importar.

Ainda parei por um instante.

— Tem certeza?

Patrícia olhou diretamente para mim.

— Tenho.

Passou os braços pelo meu pescoço.

— E você?

— Desde o restaurante.

Ela sorriu.

— Então para de enrolar.

E foi exatamente o que fizemos.

Transamos ali mesmo.

Dentro do carro.

Sem planejamento, sem romantismo ensaiado e sem aquela mentira de que ainda estávamos apenas conversando. O espaço era apertado, tivemos que ajeitar os bancos mais de uma vez e em determinado momento Patrícia bateu o joelho no console e começou a rir.

— Caralho!

— Quer parar?

Ela imediatamente me puxou de volta.

— Nem fodendo.

E continuamos.

A chuva batia no teto enquanto os vidros embaçados nos escondiam da rua. Entre beijos, provocações e momentos em que precisávamos conter a voz, fomos até o fim daquela vontade que passáramos o caminho inteiro alimentando.

Quando acabou, ficamos alguns segundos apenas respirando.

Patrícia foi a primeira a falar.

— Puta merda...

Comecei a rir.

— O quê?

— Olha esse vidro.

O para-brisa estava completamente embaçado.

— Discreto.

— Muito.

Ela abriu o espelho.

— Caralho, olha meu cabelo!

— Está bonito.

Patrícia virou-se.

— Mentiroso.

— Está sexy.

— Isso é diferente.

Tentou ajeitá-lo com os dedos.

Depois puxou o vestido de volta para o lugar.

— Se alguém estiver acordado lá em casa, estou fodida.

— Tecnicamente...

Ela me encarou.

— Não termina essa frase.

Comecei a rir.

Ela também.

— O que vai falar se perguntarem por que demorou?

Patrícia pensou.

— Trânsito.

Olhei para a rua vazia.

— Muito trânsito.

— Chuva.

— Melhor.

— O motorista se perdeu.

— Aí você me ofendeu.

Ela aproximou o rosto.

— O motorista se perdeu mesmo.

— Onde?

Patrícia sorriu.

— Em mim.

— Isso foi péssimo.

Ela me deu um tapa.

— Vai se foder.

Puxei-a para outro beijo.

Dessa vez mais lento.

Quando nos afastamos, Patrícia permaneceu olhando para mim.

— Sabe o pior?

— O quê?

— Amanhã, quando encontrar você de novo, vou ter que fingir que sou uma mulher séria.

— Depois de hoje?

— Ninguém precisa saber.

— Nosso segredo?

Ela chegou perto do meu ouvido.

— Nosso segredo.

Abriu a porta.

— Boa noite, motorista.

— Boa noite, passageira safada.

Ela colocou uma perna para fora.

Parou.

Virou-se novamente.

— Alessandro?

— Oi.

— Na próxima vez...

— Tem próxima?

Ela balançou a cabeça.

— Você continua sendo lerdo pra caralho.

— Então fala.

Patrícia sorriu.

— Na próxima vez, a gente vai para um lugar com uma cama.

Fechou a porta.

Fiquei observando enquanto caminhava até o prédio.

Antes de entrar, ela virou.

Olhou para o carro.

Sorriu.

E desapareceu pela portaria.

Dei partida.

Eu tinha saído de casa para jantar com alguns amigos.

Patrícia só precisava chegar em casa.

Dois motoristas cancelaram sua corrida e eu resolvi oferecer uma carona.

No fim das contas, ela chegou ao destino.

Só demoramos um pouco mais do que o previsto.

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O primeiro conto verdadeiramente erótico do dia de hoje. Valeu cara

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