Horas se passaram desde a conversa da manhã.
O sol já estava mais baixo, tingindo o quarto de um tom alaranjado. Eu ainda estava sentado na beira da cama, com a cabeça girando em círculos. Hérika tinha saído um tempo, conversado com o pessoal lá fora, rido daquela forma leve que só ela sabia, e agora voltava pro quarto como se nada tivesse acontecido.
Ela fechou a porta com cuidado. Não trancou. Só fechou.
Ficou em pé por alguns segundos, me observando. Depois se aproximou, devagar, e sentou na cama, bem de frente pra mim.
— E aí, Kadu… decidiu?
A voz dela saiu baixa, mas firme. Sem rodeios. Sem aquele tom meigo de sempre.
— Quer manter a brincadeira ou desistiu?
Eu levantei o olhar. Ela estava séria. Quase impaciente.
— Não vamos ficar aqui no sítio pro resto da vida — continuou. — Depois você pode se arrepender de ter perdido as oportunidades… e eu não vou querer ficar ouvindo choro.
A frase me acertou em cheio. Eu pisquei, meio sem reação.
Minha princesa. Minha menina educadinha. Falando daquele jeito.
— Hérika… — eu comecei, a voz saindo mais fraca do que eu queria. — Eu tô em dúvida. Por um lado eu quero brincar… mas por outro não.
Ela inclinou a cabeça levemente, como se avaliasse a resposta.
— Decide, Kadu.
O tom era direto. Dominador. Algo que eu quase nunca tinha ouvido nela fora da cama.
— Já tá anoitecendo… e eu pensei em algo.
Meu estômago gelou.
— Como assim… você pensou em algo?
Ela não respondeu de imediato. Só me olhou, com aquele leve sorriso no canto da boca que eu já começava a reconhecer como perigoso.
— Hérika, o que você tá pretendendo? Me diz… se eu aprovo ou não. Vai deixar algum daqueles safados te ver pelada outra vez?
Ela se aproximou um pouco mais, os olhos fixos nos meus.
— Kadu… eu não vou contar o que planejei, não insiste.
A frase caiu pesada entre a gente.
— Vai ser surpresa. Pra você… e pra todos que receberem o presente.
Eu senti o sangue subir pro rosto. O coração disparou de um jeito violento.
— Hérika… presente? você tá pensando em que, amor? Pensou até em detalhes? O que você tá planejando? Me diz… eu preciso saber pra ver se aprovo.
Ela balançou a cabeça, devagar.
— Não, Kadu. Não insiste. Não vou dizer. Com surpresa vai ser muito melhor.
Eu engoli seco. O pau, que já estava inquieto desde a manhã, começou a endurecer dentro do short. Lento, insistente, latejando.
Hérika notou. Claro que notou. O olhar dela desceu por um segundo e voltou pro meu rosto, agora com um brilho diferente.
— Olha só… — ela murmurou, quase rindo. — Já tá duro só de pensar na brincadeira, né, safadinho? Quer muito ver o que eu planejei, né?
Eu abri a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Ela se aproximou mais, a voz baixa, quase colada no meu ouvido:
— Isso é tesão de corno, amor, sabia? Tá te deixando louco… Quer brincar mais, né? Confessa.
Eu fechei os olhos por um segundo. O corpo inteiro estava quente.
— Tá… — eu admiti, a voz rouca. — Só de pensar já tá duro feito madeira.
Ela sorriu. Aquele sorriso afiado de novo.
— Safadinho… eu sabia.
No segundo seguinte ela estava em cima de mim. Beijou minha boca com força, a língua invadindo a minha sem pedir licença. Eu respondi no mesmo instante, as mãos subindo pelas costas dela. O beijo era molhado, urgente, diferente dos beijos carinhosos de sempre.
Enquanto me beijava, a mão dela desceu. Puxou o elástico do short e da cueca num movimento só. Meu pau saltou pra fora, duro, empinado, a cabeça já brilhando de pré-gozo.
Hérika se afastou um pouco só pra olhar.
— Olha só… — sussurrou, a voz carregada de satisfação. — Tá duro feito ferro, amor. Babadinho já.
Os dedos dela envolveram o pau com carinho, mas firmes. Começou a subir e descer devagar, espalhando o líquido que já escorria. Eu soltei um gemido baixo, a cabeça jogada pra trás.
— Ah, Hérika… você me mata… que tesão do caralho…
Ela continuou massageando, o polegar passando de leve pela glande sensível, enquanto falava bem pertinho da minha boca:
— Então… quer que eu apronte hoje à noite ou não?
A pergunta veio no meio do prazer. Eu abri os olhos, ainda ofegante, e por um segundo a realidade voltou com força.
O medo.
O desconhecido.
O que diabos ela tinha planejado?
— Sem saber o que você vai aprontar… não dá, amor — eu disse, a voz falhando. — É melhor pararmos com isso.
Os dedos dela pararam na hora.
Ela soltou meu pau. Se afastou. Levantou da cama.
O ar entre a gente esfriou de repente.
— Tá bom — ela disse, a voz agora mais seca. — Então quando estivermos em casa não reclama desse dia com arrependimento, tá? Não quero ouvir nem uma palavra sobre arrependimento.
A frase me acertou como um soco. Eu senti o peito apertar. Ela já estava andando em direção à porta, as costas retas, o cabelo preto balançando.
Eu olhei pro meu pau ainda duro, latejando no ar frio do quarto. Olhei pra ela se afastando.
E a cabeça explodiu.
Se eu deixasse ela sair agora… eu ia ficar remoendo. Ia me perguntar o resto da vida o que ela tinha pensado. O que poderia ter acontecido. O clima do sítio, os três caras, o jeito que ela estava… tudo isso ia ficar pra sempre como uma porta que eu fechei por medo.
— Não… — eu chamei, a voz saindo mais alta do que eu pretendia.
Ela parou, mas não se virou de imediato.
— Amor… eu quero. Quero sim.
Hérika se virou devagar. O olhar era de quem já sabia o que eu ia dizer.
— Eu vou me arrepender depois se não aceitar — continuei, as palavras saindo atropeladas. — Você tem razão. O clima desse sítio tá incrível… a vibe… os caras terem te visto pelada está me enlouquecendo. Você venceu. Eu quero sim.
Ela voltou até mim sem pressa. Sentou de novo na cama, me beijou com a mesma intensidade de antes, e a mão dela encontrou meu pau novamente. Acariciou devagar, firmemente, enquanto falava contra minha boca:
— Safadinho… você não vai se arrepender do que sua princesa vai fazer.
Eu gemi, as mãos apertando a cintura dela. A cabeça era um caos completo. Eu deveria ter parado tudo? Deveria ter insistido em saber? E se eu me arrependesse de ter aceitado? E se me arrependesse de não ter aceitado?
Hérika deu mais alguns movimentos lentos no meu pau, sentindo ele latejar na mão dela, aproximou o rosto dele e deu um beijo na cabeça, e então se afastou de novo. Levantou, ajeitou a blusa e caminhou até a porta.
Antes de sair, se virou uma última vez. O sorriso era pequeno, sacana, quase doce.
— Ele vai ficar ainda mais duro logo mais — disse, apontando com o queixo pro meu pau ainda exposto. — Guarda tudo pra nosso fim de noite. Quero ele bem durinho… só pra mim.
Me mandou um beijinho fofo e saiu, fechando a porta atrás de si.
Eu fiquei ali, sentado, o short ainda abaixado, o pau latejando e babando, o coração disparado.
O que ela ia aprontar?
Eu estava tomado por aquele tesão de corno que ela tanto falava… e ao mesmo tempo morrendo de medo.
Mas era um medo gostoso.
Em algumas horas eu saberia. Eu mal poderia esperar.