Três semanas depois da gaiola, o corpo de Thiago já não era o mesmo.
A pele morena, antes áspera e quente de homem de trabalho, começava a ficar mais fina, mais delicada ao toque. Os mamilos, que nunca tinham tido sensibilidade, agora latejavam sob a camiseta larga que Laura o obrigava a usar. O pau, preso dentro da gaiola de aço há vinte e um dias, tinha diminuído visivelmente. A cabeça rosada, antes larga e agressiva, agora parecia menor, mais retraída, e não endurecia mais de verdade. Só latejava, escorria um fio transparente e pedia — do mesmo jeito que o pinto pequeno de Duda pedia.
Duda sentia saudade daquele pau. Saudade da grossura, do peso, da forma como ele a abria até doer. Por isso, numa tarde em que Fernando e Laura tinham saído para uma reunião, ela tirou a chave reserva do quarto do fundo e entrou.
Thiago estava deitado de bruços na cama estreita, a camiseta subida, a gaiola brilhando entre as coxas. A pele das nádegas parecia mais macia. Duda se aproximou, ajoelhou e passou a língua pela entrada dele. O gosto era limpo, o calor interno ainda masculino, mas já diferente. Thiago gemeu baixo, o corpo inteiro tremendo.
— Tira essa porra — ele pediu, a voz mais aguda do que antes. — Eu preciso…
Duda abriu a gaiola com dificuldade. O pau saiu mole, menor, a pele mais clara na base onde o metal tinha pressionado. Ela o envolveu com a mão e chupou. A textura ainda era quente, mas a rigidez não veio. Nada. Só um latejar fraco e um fio transparente. Thiago cobriu o rosto com as mãos.
— Não sobe mais. Porra. Não sobe.
Duda sentiu o próprio pinto pequeno latejar de empatia e de fome. Os seios novos pesavam sob a blusa, os mamilos já úmidos. Ela subiu na cama, puxou a calcinha para o lado e tentou enfiar o volume mole dentro de si. Não deu. Era pequeno demais, mole demais. Os dois ficaram ali, suados, frustrados, o cheiro de desejo sem saída enchendo o quarto. Foi assim que Fernando os encontrou.
A porta se abriu sem barulho. Fernando ficou parado no batente, o olhar calmo, quase satisfeito.
— Vocês dois estão precisando de verdade.
Ele tirou o celular do bolso e discou.
— Manda os quatro do depósito. Agora. O fundo da casa.
Os peões chegaram em menos de quarenta minutos. Quatro homens de obra: pele queimada de sol, mãos calejadas, cheiro de suor de final de expediente e poeira. Fernando os fez entrar no quarto do fundo sem explicação longa.
— Essa aqui — apontou para Duda — e essa aqui — apontou para Thiago — precisam ser usadas. Sem frescura. Sem pergunta.
Duda estava nua, os seios pesados e quentes, a pele fina brilhando de suor, os mamilos escuros e latejantes, o pinto pequeno mole e úmido entre as coxas. Thiago ainda de camiseta, a gaiola aberta, o pau diminuído exposto, a pele morena agora delicada, os olhos marejados de vergonha e desejo.
Os quatro homens se entreolharam. Depois um deles, o mais alto, pele quase preta, ombros enormes, abriu a calça. O pau saiu pesado, grosso, a veia lateral saltada, a cabeça larga já brilhante. Outro, moreno claro, tirou a camisa, o peito peludo, o pau mais curto mas grosso na base. Os outros dois seguiram.
Fernando puxou Duda para o meio da cama e a virou de quatro. O primeiro peão se posicionou atrás e empurrou. O pau grosso abriu o cu dela com uma queimação profunda. A temperatura interna quente envolveu a pele dele, mais fria de quem tinha vindo da rua. Duda gritou contra o colchão. Ao lado, Thiago foi colocado na mesma posição. O segundo peão cuspiu na mão, espalhou e penetrou. Thiago gemeu alto, a voz quebrada, a pele das nádegas tremendo.
Os outros dois esperaram. Fernando observava de pé, os braços cruzados, o pau já marcado na calça.
Quando o primeiro peão saiu de Duda, o terceiro entrou. O ritmo era bruto, sem carinho, só necessidade. O suor dos homens pingava nas costas dela. A pele negra contrastava com a pele clara e fina dos seios que balançavam a cada estocada. O pinto pequeno latejava e pingava no lençol. Do lado, Thiago recebia o quarto peão. O pau grosso entrava e saía com um som molhado. A pele morena dele, agora delicada, marcava vermelho onde os dedos calejados apertavam.
Fernando se aproximou de Thiago, puxou o cabelo curto e falou baixo, mas alto o suficiente para todos ouvirem:
— A partir de agora você se chama Isis. Repete.
Thiago — Isis — gemia enquanto era penetrado.
— Isis… eu sou Isis.
Fernando sorriu.
— Mais alto.
— Eu sou Isis!
Dois dos peões trocaram de lugar. Um se deitou de costas. Duda montou nele, o pau grosso entrando no cu. O segundo se posicionou na frente e enfiou na boca dela. Ao lado, Isis foi colocado na mesma posição: um peão por baixo, outro por cima. A penetração dupla aconteceu ao mesmo tempo nas duas. O cu de Duda se esticava em torno de um pau enquanto a garganta se enchia de outro. Isis recebia o mesmo tratamento. Os quatro homens gemiam, o suor escorrendo pelos peitos peludos e pelas costas largas. O cheiro de sexo, poeira e corpo masculino enchia o quarto.
Duda sentia tudo em camadas: a textura veiosa dentro dela, a temperatura mais alta do segundo pau na boca, o gosto salgado, o peso dos seios balançando, o pinto pequeno latejando inútil. Do lado, Isis — pela primeira vez pensando em si com esse nome — sentia a mesma coisa, só que o corpo ainda lutava contra a transformação. A pele delicada ardia onde era apertada. O pau diminuído latejava sem endurecer. O desejo por homens, antes inexistente, agora queimava igual ao de Duda.
Fernando observava os dois serem usados e falou, a voz rouca:
— Olha só. Duas putinhas do mesmo jeito.
Os peões gozaram um após o outro. Dentro de Duda. Dentro de Isis. Na boca. Nas costas. O quarto ficou irrespirável de cheiro e calor. Quando os quatro saíram, deixando as duas deitadas no colchão suado, a porra escorrendo pelos cus dilatados e pelas coxas, Fernando fechou a porta e ligou para Laura.
Laura chegou com sacolas. Roupas novas. Calcinhas de renda menores, sutiãs que realmente sustentavam seios em crescimento, vestidos curtos, saias que marcavam a bunda. Ela jogou tudo na cama e olhou para as duas.
— A cirurgia está marcada para daqui a vinte dias. Silicone. Plástica de cintura e bunda. Dudinha ainda é garotinha. Fernando precisa aproveitar enquanto o corpo ainda tem esse contraste. Depois vira mulherão de verdade.
Fernando se aproximou de Duda, ainda nua e suada, e passou a mão pelos seios quentes.
— Vou aproveitar cada dia.
O amigo dotado — o peão negro que tinha sido o primeiro a entrar nela — voltou duas vezes naquela semana. Na primeira, Duda o recebeu no banheiro social enquanto Laura aplicava o creme em Isis no quarto do fundo. Ele a virou contra a pia e penetrou fundo, o pau grosso e quente abrindo o caminho já sensível. O suor da pele negra escorria nas costas claras dela. Os seios balançavam. O pinto pequeno pingava. Ele gozou dentro e saiu sem falar quase nada. Na segunda visita, foi no quarto de Duda. Ela chupou primeiro, a língua passando pelas veias saltadas, o gosto forte e masculino. Depois montou de frente, o pau entrando devagar enquanto ele apertava os seios e puxava os mamilos. O orgasmo dela veio com o corpo inteiro tremendo.
Viktor estava escondido no sótão da casa. Fernando tinha explicado de forma seca: a polícia estava cheirando o esquema de corrupção. Melhor ele ficar quieto por umas semanas. Luana visitava o sótão à noite, mas durante o dia o silêncio dele era absoluto.
Luana, porém, tinha começado a descer até o quarto do fundo. Na terceira noite ela apareceu com uma gravata de seda e um plug de metal. Duda e Isis estavam deitadas lado a lado, os corpos ainda latejando das injeções do dia. Luana amarrou os pulsos das duas atrás das costas, o nó firme. Depois enfiou o plug no cu de Duda e outro, menor, no de Isis. A temperatura fria do metal fez as duas tremerem. Luana se ajoelhou entre elas e chupou o pinto pequeno de Duda enquanto os dedos brincavam com o volume diminuído de Isis. O prazer dela era visível. Os olhos brilhavam do mesmo jeito que os de Laura.
— Vocês duas são iguais agora — murmurou. — E eu estou gostando disso.
Isis, de olhos fechados, sentia a pele delicada arder sob o toque. O nome novo ainda soava estranho na cabeça, mas o corpo já respondia como o de Duda: latejando, escorrendo, pedindo. Duda, ao lado, sentia o mesmo e mais: a certeza de que a cadela no cio agora tinha companhia. E que o casal, aos poucos, estava montando um segundo troféu.
Fernando entrou no quarto no final, olhou a cena e sorriu.
— Vinte dias. Depois a cirurgia. Até lá, aproveitem.
O suor, o cheiro, a porra seca nas coxas e a gaiola vazia no canto da cama eram a única resposta necessária.
