Juliana ficou ajoelhada entre minhas pernas, a boca brilhando, os olhos escuros me olhando de baixo. A respiração dela também estava ofegante. Eu ainda via lampejos da imagem de Camila quando ela perguntou, a voz rouca, a boca ainda molhada do meu gozo:
— Foi pensando nela?
Eu não respondi. Não conseguia. A confusão era grande demais. Ela limpou o queixo com o dorso da mão e virou de costas. Dormimos sem nos tocar. O silêncio entre nós pesou por dias. Eu fiquei revirando a pergunta na cabeça, tentando entender por que o corpo tinha reagido daquele jeito. Por que um segundo de tecido rosa tinha sido suficiente para me deixar molhada.
Eu tentei racionalizar.
Disse a mim mesma que era só cansaço. Que era a novidade de morar com outras pessoas. Que o corpo reagia a qualquer estímulo quando se estava num lugar novo. Mas a verdade era outra, e ela crescia quieta.
Eu comecei a notar coisas que antes passariam despercebidas: o jeito que Camila se sentava no sofá com a perna dobrada, o short subindo o suficiente para mostrar a curva da coxa; o momento em que ela passava creme nas pernas na sala, sem nenhum pudor, as mãos deslizando devagar; o pedido para eu cheirar o cabelo depois do banho porque “você sempre fala que tá cheiroso”.
Foi nessa época que eu comecei a me masturbar sozinha.
A primeira vez foi no banheiro, no meio da tarde, com a porta trancada.
Eu tinha acabado de ver Camila sair de toalha. O cabelo escorria água pelas costas em fios finos e escuros, a pele ainda rosada do banho quente. Ela passou pelo corredor sem pressa, o cheiro de sabonete de aveia se espalhando atrás dela como um rastro. Eu fiquei parada alguns segundos demais, a mão no batente da porta do quarto, sentindo o peito apertar. Depois entrei no banheiro, tranquei a porta e girei a chave com um clique seco.
O box ainda estava úmido do banho dela. Liguei a água quente e entrei. O vapor subiu rápido, embaçando o vidro. Encostei a testa no azulejo frio e fechei os olhos. A imagem não ia embora: o caminho da água descendo pela coluna dela, a curva da cintura, o jeito que a toalha se prendia logo abaixo das axilas. A mão desceu quase sem minha permissão. Os dedos encontraram o clitóris já inchado, latejando, molhado demais para uma tarde comum. Eu estava envergonhada de mim mesma antes mesmo de começar.
Esfreguei devagar, com a ponta dos dedos, tentando não fazer barulho. A água batia nas minhas costas, quente demais, e o vapor tornava tudo mais fechado, mais íntimo. Pensei no shortinho branco. No jeito que ele subia quando ela se inclinava. Pensei na calcinha rosa, fina, quase transparente no lugar onde o suor a deixava mais escura. Pensei no cheiro do cabelo dela misturado com sabonete, aquele cheiro que ficava no ar muito tempo depois que ela saía do cômodo.
Os dedos giravam em círculos pequenos, apertando de leve a base, soltando, apertando de novo. Eu mordia o lábio de baixo para não gemer.
Meu corpo respondeu rápido demais. O calor subiu pela barriga, pelas coxas, pelo peito. Eu rebolei sem querer contra a própria mão, a testa ainda colada no azulejo. Vi de novo os seios dela quando a blusa larga caía. Vi a aréola rosada. Vi o jeito que ela me olhava quando oferecia o pirulito. A vergonha e o tesão se misturando de um jeito sujo e doce. Eu não queria estar fazendo aquilo. Eu não conseguia parar.
—Hmmmmmm— O orgasmo veio rápido e silencioso. Minhas pernas tremeram. A boca se abriu num gemido que não saiu, só um sopro quente contra o azulejo. O mel escorreu entre os dedos, misturando-se à água do chuveiro. Eu continuei tocando por alguns segundos a mais, como se quisesse prolongar o que já tinha terminado, e depois a mão caiu, mole.
Me sentei no chão do box, a água ainda caindo sobre a cabeça, os joelhos dobrados contra o peito. —O mesmo lugar que a intimidade de Mila esteve, minutos antes.— Chorei. Não de tristeza exatamente. De confusão. De nojo de mim mesma. De um tesão que não ia embora e que eu não sabia onde colocar. O vapor embaçava tudo ao redor. Eu apertava os olhos e ainda via o cabelo dela escorrendo água. Ainda sentia o cheiro. Ainda queria.
Eu tentei parar.
Tentei de verdade. Evitava ficar sozinha com Camila. Saía da sala quando ela entrava de short curto. Fechava os olhos quando ela passava de toalha. Mas o corpo não obedece a decisões. Eu me masturbava todos os dias. Às vezes de manhã, antes de Juliana acordar, a mão dentro da calcinha, o rosto enterrado no travesseiro. Às vezes de madrugada, ouvindo os passos leves dela no corredor. Pensava no jeito que Camila se abaixava. No jeito que a voz dela ficava mais baixa quando pedia minha opinião sobre uma roupa. No calor da coxa dela quando deitava a cabeça no meu peito depois de um pesadelo. Eu gozava mordendo o braço. Depois me odiava. Depois fiz de novo. A obsessão crescia teimosa, como uma planta que encontra fresta em concreto. Eu não entendia o que estava acontecendo. Só sabia que não conseguia parar. E que cada vez que gozava pensando nela, a vergonha vinha logo depois, quente e pesada.
Juliana percebeu.
O ciúme dela mudou de forma. Deixou de ser silêncio frio e virou outra coisa. Mais afiada. Mais perigosa. Ela passou a me observar quando Camila estava perto. Reparava no meu jeito de respirar, no jeito que eu cruzava as pernas, no rubor que subia pelo pescoço. Um dia, depois de Camila ter experimentado um biquíni minúsculo na nossa frente e pedido minha opinião com aquela voz inocente demais, Juliana me puxou para o quarto.
Não houve conversa. Ela fechou a porta com o pé, me empurrou de costas na cama e abriu minhas pernas com as duas mãos. A expressão dela era outra — mais escura, mais apertada. Eu ainda tinha na cabeça a imagem de Camila virando de lado, o tecido azul e branco quase inexistente marcando a curva da bunda, os seios apertados pelo top pequenininho, a aréola rosada aparecendo quando ela se inclinava para ajustar a alça. Juliana parecia ter visto exatamente o que eu vi. E o que aquilo fez comigo.
A boca da minha namorada desceu sem nenhum preâmbulo.
A língua era urgente, quase raivosa. Não havia a lentidão calculada de outras noites. Era fome. Ela chupou o clitóris inteiro de uma vez, com pressão firme, os lábios selando em volta, a língua vibrando por baixo. Eu arqueei as costas, um gemido alto escapando antes que eu conseguisse segurar. Juliana não suavizou. Os dedos entraram juntos, dois de uma vez, curvados, procurando o ponto com precisão. Ela chupava e dedava no mesmo ritmo, rápido, fundo, como se quisesse arrancar de mim alguma confissão que eu ainda não tinha feito.
Eu via Camila.
Via o biquíni minúsculo. Via o jeito que ela se olhava no espelho, perguntando se eu tinha gostado, a voz leve, quase brincalhona. Via a pele dourada, a cintura fina, o tecido grudando.
A língua de Juliana girava sem piedade, os dedos entravam e saíam com força, o polegar apertando a base do clitóris enquanto a boca chupava a ponta. Eu estava molhada demais. O mel escorria pelo meu cu, molhando a mão dela. Cada vez que eu fechava os olhos, a imagem da filha voltava mais nítida. Cada vez que eu abria, via só a cabeça loira de Juliana entre minhas coxas, o movimento voraz, a respiração quente.
— Juliana… — eu tentei falar, a voz falhando.
Ela não respondeu. Apenas acelerou. A língua ficou mais dura, os dedos mais profundos. Eu rebolava contra a boca dela sem conseguir controlar, as mãos puxando o cabelo loiro, as coxas tremendo. O orgasmo subiu rápido, violento, misturado com a imagem do biquíni, com o cheiro de protetor solar que ainda parecia estar no ar, com a voz inocente de Camila pedindo minha opinião. — AAAIII MEEUUU DEEEUSSS!!! — Eu gozei com a boca aberta, o corpo inteiro travado, o esguicho quente molhando o queixo, o pescoço e os seios de Juliana.
Ela não parou.
Continuou lambendo, mais devagar agora, limpando o que escorria, a língua passando pelo clitóris ainda sensível demais. Só quando eu comecei a me contorcer de hiperestesia ela soltou. Ficou ajoelhada entre minhas pernas, a boca brilhando, os olhos estranhos me olhando de baixo. A respiração dela também estava ofegante. Eu ainda via lampejos do biquíni azul e branco quando ela perguntou, a voz rouca, a boca ainda no meu clitóris:
— Foi nela outra vez?
Eu balancei a cabeça que sim. Pela primeira vez. A confissão saiu pequena e suja, quase um sussurro. Juliana fechou os olhos. Por um segundo achei que ela ia chorar. Em vez disso, ela riu baixo, um som rouco e estranho...