Após César conseguir as fotos para chantagear Gustavo, decidiu isolar-se em seu apartamento. Precisava de tempo para articular sua volta triunfal ao comando da Prefeitura. Enquanto o afastamento judicial vigorava, o Vice-Prefeito assumiu o cargo, e Renato tomou as rédeas da agenda oficial do novo mandatário.
César pediu explicitamente que ninguém o visitasse ou o incomodasse durante aquele período de reflexão. Renato cumpriu o combinado, mantendo distância. No entanto, com o passar dos dias, uma sensação incômoda começou a apertar o peito do Chefe de Gabinete. Desde que se tornou o braço direito e fiel escudeiro de César, Renato jamais havia passado tanto tempo sem qualquer contato com o chefe. A ausência trazia uma estranha dependência. Ele tentou ir até o prédio de César por duas vezes, mas a portaria estava cercada por equipes de reportagem e jornalistas plantados, tornando impossível qualquer aproximação discreta.
Até que, no final da tarde de uma terça-feira, o celular de Renato tocou. O nome de César piscou na tela. A ordem foi direta: "Vem pro meu apartamento agora."
Ao cruzar a porta da cobertura, Renato travou. O cheiro era insuportável: uma mistura azeda de uísque barato, cerveja choca, suor e tabaco. O apartamento, antes um templo de organização e luxo, estava totalmente devastado. Latas de cerveja amassadas cobriam o tapete persa, garrafas vazias de uísque rolavam pelo piso de madeira e pacotes abertos de camisinha estavam jogados ao redor do sofá.
Ao olhar para César, Renato tomou outro susto. O Prefeito parecia ter envelhecido dez anos em uma semana. Estava largado, vestindo um conjunto de moletom encardido e manchado. O cabelo oleoso caía sobre a testa, a barba sem fazer descia desordenada pelo pescoço e a pele ostentava um tom pálido e doentio. Ele parecia visivelmente alterado, falando com a voz arrastada e o olhar perdido.
Ambos se sentaram no sofá da sala. César serviu-se de mais um gole direto do gargalo.
— Essa semana eu vou colocar o meu plano em prática, Renato — disse César, balançando a cabeça com uma agressividade paranoica. — Vou destruir aquele filho da puta do Gustavo. Ele pensa que vai me ver na lama, mas eu vou afogar ele nela.
— As pastas com as provas estão no seu cofre na prefeitura, César — respondeu Renato, num tom sereno e profissional. — Assim que você quiser, eu pego e te entrego.
— Agora não — cortou César, ríspido.
Antes que Renato pudesse argumentar, o telefone de César tocou na mesa de centro. O nome de Matheus apareceu no visor. A expressão de César mudou instantaneamente, adotando um tom carinhoso e presunçoso.
— Amor... não vai dar pra gente se ver hoje. Tô aqui com o meu parceiro, resolvendo uns negócios. Amanhã você vem aqui, naquele mesmo horário que a gente combinou de você vir todos os dias... Já comprou as nossas malas pra nossa viagem? ... Tá certo, até amanhã. Boa noite, meu amor.
César desligou e jogou o aparelho sobre a almofada. Renato o encarou, a testa franzida, a mente tentando processar o que acabou de ouvir.
— César... que viagem é essa que você vai fazer com o Matheus?
— Depois de planejar a minha volta à prefeitura, o Matheus teve a ideia da gente fazer uma viagem a Paris — contou César, sorrindo com presunção. — Tenho uma poupança numa conta guardada, já fiz a reserva com o meu piloto particular e com o meu jatinho. Vamos passar uns dias em Paris... e quem sabe visitar a Europa inteira.
A visão de Renato ficou subitamente turva. Um zumbido incômodo tomou conta de seus ouvidos. O choque da notícia o atingiu como um soco no estômago. Ficar de fora daquela viagem, depois de tudo o que havia feito por César, era uma violência silenciosa. Lembrou-se instantaneamente de quantas planilhas e documentos falsificou para mascarar vistorias nas obras públicas da cidade, escondendo desvios milionários de verbas para proteger o Prefeito. E qual era o agradecimento? Um Pix esporádico, uma tapinha nas costas e um tratamento frio de capataz sem sentimentos.
Renato sempre colocou César em primeiro lugar na sua vida. Engolia o destrito e a indiferença para não se magoar, mas aquela revelação foi a gota d'água. Algo dentro do peito de Renato rasgou. A empatia, a pena e a devoção que nutria pelo chefe desmoronaram em segundos. Ele começou a acordar para a realidade de forma brutal: não passava de uma simples marionete descartável nas mãos de César.
Ele se levantou devagar do sofá. A postura ereta e a voz firme denotavam algo novo.
— Chefe, já vou indo pra casa — disse Renato, mantendo o olhar fixo no ex-prefeito. — Antes de ir, você precisa arrumar essa bagunça. Seu apartamento tá um chiqueiro. E você também precisa de um banho.
César arregalou os olhos, pego completamente de surpresa. Renato jamais havia feito qualquer comentário sobre sua vida, seus hábitos ou sua higiene; apenas obedecia calado. Ao ver o subalterno impondo voz e dando um sermão, César fechou a cara imediatamente, demonstrando que não havia gostado nada daquela audácia.
Renato nem esperou resposta. Virou as costas e caminhou até o elevador.
Ao entrar em seu carro na garagem do prédio, o autocontrole de Renato ruiu. Lágrimas grossas começaram a descer por seu rosto. Não havia tristeza ou saudade em seu olhar; era o choro da ruptura definitiva, o fim do respeito que durou anos. Sentia-se um lixo, um objeto usável e descartável.
Ele dirigiu sem rumo até parar em um acostamento escuro e deserto de uma avenida periférica. Saiu do veículo e, no meio da escuridão, começou a gritar a plenos pulmões. O som ecoava rasgado na noite. Ele parecia totalmente alterado, tomado por um ataque de euforia e raiva desmedida. Ajoelhou-se no asfalto frio, com as lágrimas caindo sobre seus braços, mas seus olhos permaneciam secos de emoção humana. Ali ocorreu uma virada radical de personalidade: o homem servil, calado e paciente havia morrido.
Com o olhar fixo e frio voltado para a penumbra, Renato levantou-se, entrou no carro e dirigiu até um motel barato de beira de estrada. Pediu uma dose de cachaça no balcão e bebeu de um gole só, sentindo a garganta queimar. Pegou o celular, acionou um número privado e ligou para uma gangue de criminosos que já havia contratado no passado para criar um tumulto simulado — na ocasião, vândalos destruíram bancos de uma praça pública para justificarem um pedido de verba emergencial que César usou para desviar recursos.
Desta vez, usando uma voz pausada e disfarçada, Renato fez uma nova contratação. O serviço era forjar um arrombamento na Prefeitura. Ele passou as instruções detalhadas: os criminosos deveriam invadir o prédio simular um assalto em busca de dinheiro, mas o objetivo principal era roubar o envelope contendo as provas contra o Secretário Gustavo. Renato queria sumir com aquela chantagem, deixando César desarmado, investigado e entregue à própria sorte.
No dia seguinte, conforme a rotina normal, Renato foi até a Prefeitura para trabalhar normalmente.
No entanto, os bandidos não sabiam que Renato era o mandante do ataque. A gangue de traficantes, vestida com capuzes e fortemente armada, cercou o prédio. Sabendo exatamente onde ficava o cofre do Prefeito, os invasores renderam as poucas pessoas no local e fizeram Renato de refém. Ele foi forçado a abrir o cofre sob ameaça. Os bandidos levaram joias, maços de dinheiro e o envelope pardo com as fotos da orgia de Gustavo . Antes de fugirem, um dos criminosos deu um soco violento no rosto de Renato, deixando seu nariz e boca sangrando no chão.
Quando a polícia chegou, a invasão já havia terminado. Renato entrou totalmente no personagem de vítima indefesa. Ao saber do ocorrido, o Vice-Prefeito ligou para César para prestar solidariedade. O ex-prefeito teve um ataque de fúria ao telefone e destruiu parte do próprio apartamento assim que desligou: sua única carta na manga para retomar o mandato havia sido roubada.
César ligou imediatamente para Renato. Do outro lado da linha, Renato manteve com perfeição o papel de funcionário assustado que também havia ficado sob o domínio dos assaltantes. César nem sequer perguntou se Renato estava ferido, se havia apanhado ou se precisava de atendimento médico; sua única preocupação era saber se o Chefe de Gabinete tinha visto o rosto de algum invasor para fazer um retrato falado na delegacia. Frio e calculista, Renato seguiu à risca o roteiro que ele mesmo havia criado.
Horas depois, Matheus apareceu desesperado na Prefeitura. Foi direto para a sala do Chefe de Gabinete, trancou a porta e começou um interrogatório ansioso sobre o assalto. Renato esteve a ponto de perder a paciência e mandar o jovem parar de ser o brinquedo sexual de César, mas manteve o autocontrole. Falou calmamente sobre os fatos técnicos da perícia. Como era de se esperar, Matheus não demonstrava real preocupação com a saúde de César, mas sim com o cancelamento da viagem para a Europa.
A situação piorou no dia seguinte: a Justiça determinou o bloqueio judicial de todas as contas bancárias de César, incluindo o confisco de seus bens e o sequestro de seu jatinho particular. Afundado em escândalos, César perdeu inclusive a capacidade financeira de manter seus advogados de elite, ficando sem defesa técnica nos processos.
Matheus sentiu o impacto imediato. Sem o cartão corporativo de César, o vereador teve que parar de usar roupas de grife recém-compradas e passou a passar aperto até para abastecer a gasolina de sua moto.
Enquanto isso, Renato colocava em prática a próxima etapa de sua estratégia. Por sorte de César, a Justiça não havia rastreado uma conta fantasma mantida no exterior, o que garantia ao ex-prefeito uma verba mínima para sobreviver temporariamente. Mas Renato queria tirar tudo. Seu plano era se aproximar de Matheus e arrancá-lo de César, deixando o ex-chefe sem o seu objeto de prazer. Renato estava disposto a seduzir o jovem por pura vingança, ciente de que o corpo de Matheus era atraente.
Primeiro, Renato reuniu relatórios de irregularidades que mantinha guardados e foi até a casa do Vice-Prefeito. Apresentou as provas que demonstravam a cumplicidade do Vice nos esquemas anteriores de César. Em troca do silêncio de Renato, o Vice-Prefeito aceitou tornar-se uma marionete: assinaria todos os decretos, projetos e liberações de verbas que Renato mandasse, sem fazer perguntas. Encurralado, o Vice cedeu. Renato virara o Prefeito de fato.
No dia seguinte, na posse de toda a papelada de requerimentos dos vereadores, Renato analisou a pasta do vereador Matheus. Viu que o jovem havia solicitado verbas para projetos de educação e esportes, mas o pedido tinha sido sumariamente rejeitado pelo Vice-Prefeito para dar prioridade à saúde. Ali estava a oportunidade perfeita.
No horário do almoço, Renato planejou estrategicamente ir a um restaurante discreto próximo à Prefeitura, local que Matheus frequentava diariamente. Ao entrar, viu o garoto sentado sozinho em uma mesa. Por ser abertamente gay, os outros políticos e assessores conservadores costumavam ignorar Matheus, sentando-se longe dele.
Renato aproximou-se com passos firmes.
— Posso sentar aqui? — perguntou Renato.
— Pode sim, Renato — respondeu Matheus, surpreso.
— Fiquei sabendo da sua reunião com o Vice-Prefeito sobre as suas novas propostas de projeto — comentou Renato, puxando a cadeira.
— Pois é... Infelizmente foi tudo rejeitado — desabafou Matheus, desanimado. — Você já deve saber da panelinha que o Vice-Prefeito participa.
— Sim, eu sei bem — disse Renato, inclinando-se levemente para frente. — Já que somos próximos, posso conversar abertamente com você, desde que essa conversa não saia daqui. Aquele grupinho sempre jogou contra o César e contra você. Eu vejo tudo o que acontece naquela prefeitura. Depois que o César foi afastado, tô vendo eles te excluírem de todos os eventos e reuniões.
— Poxa, que bom que eu tenho você do meu lado — respondeu Matheus, olhando diretamente para Renato. — Depois que o César saiu, eu me vejo no meio de um ninho de cobras prestes a dar o bote.
— E se eu te falar que eu posso continuar te apoiando, exatamente como o César fazia? — provocou Renato.
— Deixa pra lá, Renato... Eu agradeço muito por você querer me ajudar, mas infelizmente é algo que você não consegue fazer. Você é só o Chefe de Gabinete.
— Nada é impossível pra mim, Matheus — disse Renato, com um tom de voz firme e seguro. — Eu estou no mesmo barco que você. Depois que o César saiu, também tão tentando me cortar de tudo. Só que eu tô com uma carta na manga que abre qualquer porta lá dentro.
— Sério? — Matheus abriu um sorriso, os olhos brilhando. — Precisamos nos unir contra eles! Pro que você precisar, eu estou aqui.
— Igualmente. A gente nunca teve uma oportunidade real de conversar, mas temos bastante coisa em comum que podemos fazer um pelo outro.
O olhar de Matheus mudou. A sensação de encontrar um aliado poderoso no meio de um ambiente hostil renovou suas esperanças. O plano de Renato avançava com precisão.
No dia seguinte, o Vice-Prefeito chamou Matheus em sua sala oficial e anunciou que, após uma reavaliação técnica, seu projeto para educação e esportes nos colégios municipais havia sido aprovado e entraria em execução imediata.
Ao fim do expediente, quando Renato caminhava em direção ao seu carro no estacionamento privativo, Matheus veio apressado ao seu encontro.
— Renato! Quero te agradecer — disse o jovem, sorrindo. — O meu projeto foi aceito pelo Vice-Prefeito hoje. Tenho certeza absoluta de que teve uma ajuda sua nisso.
— Sim — admitiu Renato, com modéstia calculada. — Eu dei um jeito de colocar o teu pedido como prioridade na mesa dele.
— Fico bastante grato, de verdade. Não quero ser um vereador que não fez nada pela cidade, até porque quero me reeleger. Você sabe que, se eu não tiver trabalho mostrado pra população, não recebo voto.
— Que tal irmos tomar um chope juntos hoje? — convidou Renato. — Vou te dar umas dicas de como sobreviver no meio dessas cobras da prefeitura.
— Eu aceito! Tô precisando sair um pouco — concordou Matheus, desabafando em seguida. — O César anda tão estressado ultimamente... Sei que não é problema seu, mas a gente brigou feio esses dias. Depois que ele saiu do cargo, só quer saber de vingança contra o Gustavo. Ele nem se importa mais comigo.
— Eu te entendo — disse Renato, mantendo o tom pacificador. — Gosto muito do César, mas ele tá passando um pouco do ponto mesmo.
— Vou em casa agora. Mais tarde você me manda o endereço que eu vou lá — despediu-se o garoto.
Renato foi para sua casa, tomou um banho demorado e aplicou um perfume amadeirado e marcante. O terreno estava preparado. A estratégia funcionara melhor do que o planejado, já que o próprio Matheus abria brechas espontâneas ao reclamar de sua crise conjugal. O isolamento e a cegueira de César por vingança acabaram por empurrar o jovem para os braços do Chefe de Gabinete. Renato escolheu um bar discreto, distante dos locais frequentados pela alta sociedade e longe de qualquer jornalista.
Renato chegou primeiro ao estabelecimento e reservou uma mesa no fundo, mais escura e reservada. Tirou o paletó e o pendurou no encosto da poltrona. Em seguida, abriu os dois primeiros botões de sua camisa social, deixando transparecer parte do seu peitoral definido. Era uma jogada calculada para atrair a atenção visual de Matheus, que estava há dias sem contato íntimo e com a atenção negligenciada por César.
Matheus chegou pouco depois, vestindo uma camisa social comprada na época de fartura de César. Renato pediu uma rodada de bebidas. Inicialmente, falaram sobre bastidores políticos. Renato contava histórias bem-humoradas sobre os vereadores mais arrogantes que atendia na gabinete, arrancando risadas sinceras do jovem. Conforme o álcool fazia efeito, a conversa tornou-se mais fluida e pessoal.
— Desculpa pela minha sinceridade, Renato... — começou Matheus, olhando para o copo. — Mas, no início, eu não gostava de você. Não sei... me vinha à cabeça que você tinha uma certa inveja do César e de mim.
— Todo mundo diz isso sobre mim no começo — respondeu Renato, dando um sorriso ameno. — Essa minha pose de cara sério dá essa impressão mesmo. Mas quem me conhece de verdade sabe que eu não sou essa pessoa.
— Eu tô impressionado por ter te julgado tão mal — confessou Matheus. — Você é tão gente boa, divertido... Acredito que pelo seu posto de Chefe de Gabinete você é forçado a ser essa pessoa mais casca grossa.
— Sim. No início eu me importava com o que diziam, mas depois vi que só assim pra impor respeito naquele Palácio. Se não for assim, eles não levam a sério.
— Te entendo perfeitamente — disse Matheus, admirado. — Eu tento ser simpático, mas sou muito malvisto entre os outros vereadores. Tenho muito o que aprender com você, Renato... Um cara bem-sucedido, bem posicionado, casado.
— Minha vida não é tão perfeita assim como você imagina — pontuou Renato, abaixando o tom de voz. — Posso te contar um segredo?
— Pode confiar em mim, Renato.
— O meu casamento é só uma união de aparências — mentiu Renato, firme. — Na verdade eu sou gay. A minha mulher sabe e leva isso de boa.
— Como assim? — Matheus arregalou os olhos. — Vai me dizer que essa pose toda de macho alfa é só fachada?
— Sim, Matheus.
— E vocês podem ficar com quem quiserem? Como é esse acordo entre vocês?
— Somos bem liberais — continuou Renato na mentira. — Eu saio com quem eu quiser e ela também, desde que mantido o sigilo total.
— Já que você tá se abrindo, acho que tenho liberdade pra perguntar... Você tá saindo com algum cara atualmente?
— No momento não. Tô sozinho.
— Não acredito! Você tá mentindo, só pode — riu Matheus, balançando a cabeça. — Um cara como você... divertido, gente boa, bonito e atraente, solteiro?
— Agora você me deixou sem graça — disse Renato, disfarçando uma falsa modéstia. — Eu, bonito e atraente? Fico agraciado pelos elogios.
— Peço até desculpas — disse Matheus, meio envergonhado. — Tô saindo com o seu chefe e falando essas coisas pra você... Pra ficar bem claro, não foi uma cantada!
— Relaxa, Matheus. E se fosse uma cantada, estaria tudo bem — respondeu Renato, olhando nos olhos do garoto. — Com todo respeito, você também é um cara muito atraente. O César tem sorte de ter você.
— Nessa altura do campeonato eu nem sei mais o que a gente tem... O César tá tão fora de si.
— Com essa eu tenho que concordar — assentiu Renato. — Gosto muito do César, mas ele pisou feio na bola. Em vez de deixar a gente perto pra ajudar ele, tá se isolando. Fui no apartamento dele e vi o estado em que ele se encontra. Infelizmente tá desleixado, nem banho tá tomando direito.
— Essa é a pura realidade — desabafou Matheus, chateado. — Fui lá também e a gente brigou feio. Fui pedir pra ele chamar alguém pra arrumar aquele apartamento e ele me expulsou de lá.
— Sinto muito em ouvir isso — disse Renato, pausando a fala. — Eu não queria te falar isso, mas... deixa pra lá. É melhor eu não falar besteira.
— Agora você começou, pode falar! — pediu Matheus, curioso. — Acho que nessa altura não tem mais o que esconder. Nem sei se existe mais "eu e ele".
— É sobre isso mesmo — disse Renato, num tom conselheiro. — A paranoia com o Gustavo mexeu tanto com a cabeça do César que ele não se vê vivendo de outra forma. Ele deveria ressignificar esse problema, dar uma virada na vida, sair da prefeitura e escolher outra coisa pra fazer.
— Eu até falei isso com ele! — concordou Matheus. — Mas ele ficou tão furioso que tentou distorcer a conversa, dizendo que eu queria ver ele fora da prefeitura. Pra ser sincero, eu até voltei a conversar com um ex-namorado meu... A gente não ficou nem nada, mas eu tô precisando de alguém, de um carinho.
— Infelizmente você tem que seguir em frente, Matheus.
— Você tem toda razão, Renato. Tentei muito com o César, mas vejo que não dá mais pra mim.
— O papo tá ótimo, mas preciso ir — disse Renato, consultando o relógio e chamando o garçom. — Obrigado pela companhia.
— Eu que agradeço, Renato. Essa nossa conversa me fez refletir muito e me priorizar daqui pra frente. Até mais!
Renato fez um cumprimento cordial com a cabeça e despediu-se. Enquanto caminhava em direção ao seu carro, sentia o peso da missão cumprida: tirou as informações que precisava, minou o resto de lealdade que Matheus tinha por César e deixou o jovem completamente desestabilizado. No entanto, ao entrar no veículo, a sensação de triunfo deu lugar a uma sobriedade fria. Aquele jogo de manipulação com o garoto o fez refletir internamente sobre a própria vida e sobre o sentido de continuar alimentando um sentimento de vingança contra um homem que já estava destruído.
// Leitores.
Agora deu uma virada de jogo na história, Renato viu que ele não passa de um simples marionete nas mãos do César, Renato acordou e decidiu se voltar conta o César, mas ao vê que ele mesmo estava se sabotando talvez essa vingança termine, deixando o César se afundar sozinho.
O próximo episódio já será o encerramento dessa saga.
O que estão achando dessa saga ?
Bjs 😘
