Hannah e Najla se conheceram na sala de espera da clínica de maternidade e trocavam confidências, sem desconfiar que, apesar de uma ser muçulmana e a outra judia, tinham algo em comum.
Algo não, alguém: Amin era o ex-namorado de Hannah e atual marido de Najla.
– E como foi sua primeira vez? Quer dizer, você era virgem e só conheceu seu marido no dia do casamento… não foi estranho?
– Foi a coisa mais estranha que já me aconteceu! – Revelou Najla. – Mas foi ótimo. Eu tinha muita curiosidade, e meu marido é um amor. Delicado, atencioso. Foi como um sonho se realizando fazer com ele pela primeira vez. E a sua?
– Bem, a minha foi… estranha também! – respondeu Hannah, quase gargalhando. – Eu não tinha muita experiência, ele veio como um trator, me puxando, todo dominador. Acho que foi o orgasmo mais intenso que já tive.
– Nossa, que interessante! Quer dizer, descobrir que seu marido era assim, fogoso… mas, se entendi bem, essa não foi sua primeira vez, não é?
– Não. O primeiro foi um namoradinho do colégio. Nunca mais o vi, mas até hoje penso nele. Era mais parecido com o seu marido, cheio de cuidados comigo.
– Eu sei, foi seu primeiro amor, e isso a gente não esquece.
– É, isso mesmo. Mas tem uma coisinha mais… ai, não sei se eu devia falar, a gente mal se conhece…
– Palavras ao vento não criam raízes. Além do mais, eu jamais julgaria alguém que não conheço. Pode falar, se quiser.
– A coisinha a mais a que me refiro é essa aqui, crescendo na minha barriga. Acho que é dele, do ex-namoradinho. Comecei a ter sintomas no mesmo dia em que eu e meu marido fizemos pela primeira vez.
Najla se assustou com aquela revelação. Como uma menina com um ar tão inocente estava grávida de outro homem? E o pior era que ela estava ali, sozinha, tendo que lidar com aquela questão. Najla era mais velha que Hannah, não muito, mas podia ajudá-la.
– Que história! E agora? O que você vai fazer? Vai contar pra ele?
– Não sei, sinceramente, não sei. Está todo mundo tão feliz com esse bebê. Eu enterraria minha família num mar de vergonha e constrangimento se contasse isso.
– Posso imaginar. Mas, você é feliz com seu marido do jeito que está?
– Bem feliz, apesar de não termos casado por amor. Ele é uma máquina na cama, insaciável, sempre comparece. Tanto que eu nem me incomodo quando ele dá suas escapadinhas por aí. Ele terminou sendo o tipo de relação perfeita para mim.
– Então porque contar? Porque trocar o certo pelo duvidoso? Imagina, jogar uma pá de cal na sua família e brigar com seu marido por conta de um rapazinho de quem você nunca mais soube!
– Isso seria mesmo terrível. Mas não sei se consigo viver essa mentira. Seria tão pouco ético que chegaria a ser imoral. E nós judeus temos uma questão com isso de ser éticos.
– Ah, querida, vocês judeus e sua coisa com a ética… Bem, eu sou de família muçulmana. Tendemos a ser muito mais práticos em nossas decisões, o profeta não costuma dar muitas voltas.
– Mas fui tão prática com o namoradinho que agora eu estou nessa confusão – respondeu Hannah, rindo. – Mesmo assim não me arrependo. Só tenho que decidir o que fazer até o bebê nascer.
– Desculpe, não quero me meter na sua vida, mas o que lhe convém agora é ser pragmática. É o seu futuro e o do seu filho que está em jogo. Eu não contaria nada, o passado deve ficar onde está, lá atrás.
– Não tem porque pedir desculpas. Ultimamente, penso da mesma forma. Talvez você tenha sido colocada aqui para me ajudar a tomar essa decisão. Acho que vou fazer isso mesmo, deixar a questão da paternidade para trás e seguir em frente como está.
– Vai por mim. Tudo acontece por alguma razão e, se as coisas ocorreram assim, é porque assim teria que ser. Não se deve contrariar os desígnios divinos, em vez disso deve-se buscar uma maneira de adaptar-se a eles!
Hannah ficou contente. Aquela desconhecida havia reforçado suas impressões, e agora sentia-se mais livre para mudar de ideia, não revelar nada sobre a paternidade do filho e seguir com Jacob como marido.
Enquanto Najla, por seu lado, sentiu um pouco de remorso por não estar sendo inteiramente sincera. Ainda havia algo a dizer e, talvez, isso a fizesse sentir melhor.
– Bem, já que você foi tão sincera comigo, vou te contar uma coisa também. É algo que ninguém na minha família desconfia…
– Ahá, eu sabia! É essa história de você casar virgem, não é? Bem que eu achei que tinha alguma coisa aí!
– Não, boba, eu casei virgem mesmo. Mas é que eu… Bem, a verdade é que eu ainda não queria ter filhos!
– Ah, isso? Tudo bem, eu entendo. Eu mesma só engravidei por acidente.
– Mas o negócio é que eu venho enganando a todos. Até ao meu marido, o que para nós é pecado.
– Como assim? O que você fez?
– Eu tomo pílulas escondido. Ainda estamos começando nossa vida, não queria tornar-me eternamente dependente dos meus sogros.
– Mas se você toma pílulas e não quer engravidar, porque veio até a clínica?
– Estão me pressionando muito, minha sogra e meu sogro. E meu marido já está ficando inquieto com a história de termos filhos.
– Querida, se você ainda não quer filhos, não tenha. Mente na consulta. Mente descaradamente. Se eles acharem que está tudo bem com você, te dão uma recomendação para que seu marido venha fazer os exames.
– O que? Um muçulmano numa clinica de feritilidade? Imagina, ele nunca vai querer colocar os pés aqui!
– Exatamente. Depois que ele achar que a culpa é dele, vai desviar o assunto toda vez que seus sogros vierem com cobranças. E você fica tranquila!
– Não tinha pensado assim, olha que interessante… Acho que o profeta está operando por meio de você, foi ele quem me trouxe aqui para encontrá-la!
As duas riram juntas, aliviadas. Em pouco mais de uma hora conversando, mesmo sem se conhecerem, agora tinham a sensação de que seus problemas eram muito menores e de que tudo terminaria bem.
Logo em seguida, chamaram Hannah para ir à consulta e aquela conversa se encerrou. No fim, seu bebê estava bem e as dores abdominais eram só gases.
Quando saiu, já não viu Najla na sala de espera. Ela estava mentindo e realizando uma bateria de exames prévios, os quais concluíram que ela não tinha nada de errado, era totalmente apta a ter filhos.
Ao terminar disseram que, se algum problema havia, deveria ser com seu marido - e lhe deram por escrito a recomendação de que ele fosse se examinar, tal como Hannah dissera.
Naquela noite, o jantar na casa de Armina e Youssef era especial. Cordeiro ao molho de hortelã e arroz com tâmaras, o predileto de Amin. Foi feito para comemorarem, afinal, o quiosque de fragrâncias orientais batia recorde de vendas pelo sétimo mês consecutivo e se consolidava como uma referência no shopping. Isso era fruto do trabalho e da dedicação de Amin ao negócio. Desde que assumira o simples quiosque, ele vinha implementando estratégias de vendas e fidelização de clientes que davam ótimos resultados.
Obviamente, Najla ouviu várias indiretas dos sogros sobre a demora em lhes dar netos, com a complacência de Amin. Contudo, agora já não se irritava tanto: ia virar o jogo.
Quando foram para seu quarto, um puxadinho construído nos fundos do terreno para terem mais privacidade, Amin a envolvia com os braços e beijava seu pescoço, sempre apaixonado pela esposa.
– Vem, meu amor, vamos fazer esse filho de uma vez. Vamos mostrar para meus pais que não há nada de errado contigo… – ele murmurou em seus ouvidos.
– Vamos sim, habib. Hoje fiz exames, só para garantir, e confirmei que não há mesmo nada de errado comigo.
– Você foi numa clínica? Sem me avisar?
– Não fique bravo. Eu estava aflita, com todos me cobrando um filho. Precisava ter certeza de que posso.
– Eu sei. Minha família às vezes exagera. Então foi tudo bem?
– Tudo ótimo, tenho os resultados. Posso provar que meu corpo é apto para engravidar.
– Nossa, então hoje é realmente especial! Estamos celebrando não só o sucesso do quiosque!
– Sim. Vamos aproveitar. Não vamos deixar que isso estrague a nossa noite!
– Não entendi. Se correu tudo bem nos exames, o que poderia estragar?
– Bobagem minha. Achei que talvez você poderia se sentir culpado. Mas não falemos disso, habib, vamos para a cama e…
– Eu? Culpado? Porque me sentiria culpado?
– Ora Amin, por não termos filhos. Na clínica me disseram que você deveria se examinar também. Afinal, se o problema não sou eu…
A expressão confusa de Amin mostrava que somente agora ele entendia o que Najla lhe dizia. Talvez fosse ele, e não ela, o responsável por não terem filhos. Isso nunca havia lhe ocorrido.
Um leve desespero percorreu seu corpo, enquanto Najla lhe mostrava o papel com a recomendação feita pela clínica. Num instante, parecia que seu mundo havia desmoronado.
Amin sentou-se na cama, com ar desiludido e o maldito papel nas mãos. Ele havia feito tudo para agradar sua família, deixou Hannah, casou-se com Najla, se esforçava para que fossem felizes… Mas agora, resultava que poderia ser um meio homem, incapaz de gerar um filho, de cumprir com o que todos esperavam dele.
E o pior é que a infertilidade estava fora de seu controle, se aquilo fosse verdade, não haveria nada que pudesse fazer! Amin ficou arrasado com aquela possibilidade, quis chorar e com muito custo represou as lágrimas, emitindo apenas um suspiro profundo.
Vê-lo assim, deprimido, cortou o coração de Najla. Apesar das cobranças dos sogros, Amin era seu marido, um excelente marido, e ela aprendera a amá-lo desde sua primeira noite.
E o pior é que tudo era mentira, uma grande manipulação de sua parte. Sabia que provavelmente não havia nada de errado com ele, pois era ela que tomava anticoncepcionais.
Passou por sua cabeça revelar a verdade, assumir o que tinha feito e descarregar toda aquela culpa de Amin, só para tranquilizá-lo. Contudo, se o fizesse, voltaria ao mesmo ponto em que estava antes, com a pressão da família sobre si - e possivelmente com Amin mais determinado ainda em terem filhos, após ela haver lhe enganado.
Najla ficou agoniada. Sua mentira provocara aquilo e agora ela estava encurralada, sem ter como voltar atrás sem causar mais danos ainda. Ela deveria compensar devidamente a Amin, e uma esposa sempre sabe como fazê-lo com o marido.
Deixou Amin absorvendo aquilo um pouco, enquanto ia ao closet trocar de roupa. Escolheu uma lingerie vermelha de rendas, pequena e provocante. Foi à suite, penteou os longos cabelos negros, reforçou a maquiagem em torno dos olhos e perfumou-se com uma aroma citrico, uma fragrância chamada Enigma, a preferida do marido.
Voltou ao quarto produzida para seduzir, com seu belo corpo quase todo à mostra, determinada a recuperar o ânimo de Amin. Encontrou-o na mesma posição em que o deixara, pensativo, sentado na borda da cama com o papel na mão.
– Amin, não fique assim. É só uma possibilidade. Você ainda não fez exame nenhum.
– Najla, eu não vou nessa clínica. Nem pensar. Um homem não se rebaixa assim.
– Não precisa ir. Tenho certeza de que não há nada de errado com você.
– Mas pode ser que nunca tenhamos filhos, Najla.
– E daí? Ainda assim, podemos ser felizes. Temos um ao outro, e eu te amo.
– Também te amo. Mas qual é o sentido de estarmos juntos na cama, se nunca teremos um pequeno Amin correndo pela casa?
– Habib, existe um mundo de coisas na cama, muito mais interessantes que fazer filhos. Hoje você vai ter uma provinha.
Najla se ajoelhou ante o marido, afastou suas pernas e abriu-lhe a calça, trazendo para si o membro de Amin para dedicar-se a ele, tal como sabia que o deixava em êxtase, pronto para ação.
O humor de Amin não estava nada bom depois daquela revelação, mas nem isso conseguia fazer com que ignorasse as carícias de Najla. Suas esposa estava linda, mais do que o normal, e tê-la ajoelhada com sua masculinidade na boca, lambendo e beijando-o em sua devoção, o fazia sentir-se minimamente poderoso outra vez, como um homem agraciado pelo profeta.
Quando sentiu o sangue se acelerando e a respiração descontrolando-se, Amin tomou Najla pelos braços e a trouxe para si, sentindo a urgência de possuí-la. Ela era dele, lhe pertencia, toda aquela mulher voluptuosa que o mundo desconhecia era seu segredo particular, feito para seu prazer e deleite, só dele - e pensar assim o excitava ainda mais.
– Venha , deixe-me tê-la.
– Sou sua, pode ter-me à vontade. Hoje o senhor é meu dono – falou com os dedos sobre o peito de Amin, empurrando-o sobre a cama.
– Dono? É isso o que serei? Está segura? – Ele disse querendo provocá-lá, mas sabendo que a resposta poderia excitá-lo ainda mais.
– Na cama eu sou sua, somente sua, entregue ao seu desejo. Então, como meu senhor deseja desfrutar de sua escrava hoje?
– Quero você sobre essa cama, de quatro. Adoro quando a tenho assim, com meu corpo chocando-se contra o seu. Suas nádegas… são a coisa mais linda que eu já vi!
Najla sabia. Conhecia bem a adoração de Amin pelas carnes redondas e firmes que trazia, mais de uma vez ele comentara sua beleza e sempre as agarrava com mãos desejosas quando se entregavam ao prazer.
A esposa estava segura de que Amin pediria que ela se postasse naquela posição, era inevitável para ele. Tê-la de quatro reforçava a sensação de poder do marido, era a expressão máxima de sua masculinidade – e todo aquele jogo de senhor e escrava fora induzido por ela, só para que realizasse o que tinha em mente.
Najla não estava segura de que desfrutaria, mas isso agora pouco importava. O objetivo não era sentir prazer, era elevar a auto-estima de Amin e se deixar castigar pelas mentiras que criara. Naquela noite, ela se entregaria a expiar a culpa que os dois sentiam, até não sobrar uma gota que fosse.
De quatro sobre a cama, Najla afastou a lingerie vermelha que se ressaltava sobre seu tom de pele e esperou. Quase que magnetizado, o marido foi atraído por aquela visão para retribuir os beijos que recebera minutos antes.
Amin mergulhou naquela vastidão morena sem pensar, sua língua passeou livremente pelas encantadoras nádegas de Najla, até se concentrar entre as pernas da esposa, degustando com vontade o sabor e o perfume que emanavam dali e o convidavam a tomar posse dela.
– Najla, você me enlouquece. Chega a ser um pecado desejar tanto você como eu quero! – disse ele quase sem ar, à medida que se afastava.
– Hoje você vai enlouquecer mais do nunca, eu prometo.
– Não aguento mais. Se prepare, que hoje vou lhe usar até a exaustão!
– Calma lá, habib. Antes vou lhe mostrar uma coisa!
– Mostrar o quê? Justo agora que estou pronta pra…
– Quero lhe mostrar isso aqui…
De quatro sobre a cama, Najla veio subindo a mão de unhas compridas pela contra coxa, deslizou-a pelas nádegas , trouxe os dedos para o meio e começou a massagear seu sexo, gemendo baixinho.
Amin buscava manter a ereção com as próprias mãos. Era bem fácil, com o que tinha adiante. Era a primeira vez que via a esposa fazer aquilo com as mãos em si mesma.
Inesperadamente, ela trouxe um dos dedos úmidos desde seu sexo para um pouco mais acima e foi forçando, até introduzi-lo em si mesma, com um gemido mais longo e fino.
Amin assistia tudo embasbacado, viu perfeitamente como o dedo de Najla fustigava entre sua nádegas, até ela retirá-lo, colocar na boca e voltar a penetrar-se, agora com dois dedos indo e vindo, girando e fazendo-a contorcer-se, acompanhada de gemidos cada vez mais intensos.
– Agora quem está pronta sou eu! Pode vir, hoje você me terá por aqui – avisou retirando os dedos de trás e mostrando o resultado daquela preparação entre seus glúteos volumosos.
– Por aí? Quer dizer, no seu…
– Sim, exatamente onde você está pensando.
– Mas assim, sem nenhuma lubrificação? Não quero te machucar…
– Eu quero ser machucada por você, meu dono. Só por você. Hoje, vou sofrer de tanto prazer. Vem… – ela convidou olhando para ele diretamente por cima do ombro.
Amin custava a acreditar. Sua mente apagou tudo mais, qualquer outro assunto que antes tinha, enquanto se aproximava de Najla, com o membro rígido apontando para onde os dedos da esposa indicavam.
Najla agarrou os lençóis com força até os dedos perderem a cor. Seus olhos se encheram de lágrimas, um ronco baixo surgiu de dentro de sua garganta e seu corpo se retesou inteiro, ao sentir ir Amin abrindo lentamente o caminho entre suas nádegas.
A dor era lancinante, era como se estivesse sendo rompida por dentro, fazer daquela maneira queimava como brasa. Por isso era tão proibido, era doloroso e aviltante, coisa de mulheres perdidas, que mereciam sofrer…
Até que foi se acostumando com os avanços de Amin, relaxando um pouco, ouvindo a respiração sôfrega do marido e seus gemidos de prazer enquanto a segurava pela cintura e a penetrava sem conseguir parar.
Quando percebeu, ela mesma estava gemendo outra vez, desfrutando ao mover o quadril para fazer soar no quarto o encontro ritimado de suas carnes com a cintura do marido. A dor não cedera e ela continuava se imolando, mas agora sentia prazer nisso.
Numa entrega incontrolável, começou a gemer muito alto entremeado com palavrões que Amin nunca ouvira ela proferir antes e clamando para que ele despejasse sua semente dentro dela.
Isso provocou no marido uma reação desmedida, fazendo com que perdesse qualquer resquício de controle, multiplicando o vigor de suas investidas atrás de Najla até fazê-la cair estirada na cama com as pernas entreabertas e ele por cima.
Nesta situação, Najla agora sentia o peso de Amin sobre suas nádegas e o fogo daquele membro se friccionando em suas carnes, depositando-se até o mais profundo de si e rompendo o que restava de sua resistência.
Nenhuma outra esposa muçulmana permitia ao marido infligir-lhe tamanho sofrimento. Najla sentiu-se sórdida e suja por haver incentivado Amin a cometer tal transgressão às regras matrimoniais, mas ela achava que merecia.
Sim, ela havia mentido, enganara o marido e o fizera sentir-se humilhado, e agora se via expurgando sua culpa e lavando internamente seus pecados com os jorros que recebia de Amin em suas entranhas enquanto o marido urrava de prazer entre suas nádegas antes intocadas.
Na casa principal, acolhedoramente abraçados na cama, Youssef e Amira davam risadinhas satisfeitos em ouvir aqueles gritos que vinham do quarto do casal, achando que seu neto não tardaria em chegar.
Desde aquela noite, os pais de Amin arrefeceram as cobranças acreditando que, pela maneira ardente como o casal fazia sexo quase todas as noites, o neto já estava garantido.
Nas poucas vezes em que tocavam no tema, Najla via encantada como era o próprio Amin quem desviava o assunto, defendendo-a e evitando maiores constrangimentos para ela.
Nem bem uma semana se passou e Najla já nem se recordava daquele problema, de tão feliz que estava com Amin somando-se a diversos jogos eróticos que ela inventava na cama, sempre com o intuito de fazê-lo não pensar em sua falsa infertilidade.
Naquele fim de tarde, a esposa havia ido ao shopping para substituir Amin no quiosque, enquanto ele andava em São Paulo, visitando importadores. O quiosque vendia perfumes como água, até pensavam em abandonar o local e abrir uma loja ampla e chique, mas os custos eram absurdos.
Najla arrumava os produtos nos mostradores, justo quando Jacob saía da joalheria e passava por ali.
Bem, se Najla não podia estar mais feliz, Jacob vivia um momento conturbado. Com a gravidez de Hannah já no estágio final, o corpo da esposa havia mudado drasticamente.
Sua barriguinha nem era tão grande, mas ela era tão magra que o volume destoava e comprometia o equilíbrio estético a que ele se acostumara. Seus seios estavam entumescidos e quase dobraram de volume, seus pezinhos delicados viviam inchados e Hannah perdera completamente a libido.
Tudo isso era normal e passageiro, ele sabia. Em breve o bebê nasceria e teria sua esposinha outra vez entregue às noites de prazer junto a ele, mas a espera resultava mais árdua do que imaginara.
Jacob era fogoso, quase insaciável. Nunca prometera a Hannah fidelidade, e a prova era o acordo que fizeram desde sua lua de mel, quando Jacob se dedicou a sair cada noite com uma garota diferente até que a esposa demonstrasse desejo em deitar-se com ele.
Mas o marido havia se deixado levar com a gravidez e a ideia de ser pai, logo, nunca mais se aventurara buscando sexo casual com qualquer mulher que se encantasse com sua aparência viril.
E Justo agora, quando seu corpo forte e musculoso implorava por um pouco de prazer carnal e Hannah o ignorava completamente, Jacob deitou os olhos naquela mulher exótica num quiosque do shopping.
Parecia algo corriqueiro, um homem desejoso olhar para uma jovem mulher bonita, mas aquele momento fugaz também marcaria o futuro de todos…
(CONTINUA)
