+ bônus parte 10
A frase ficou no ar o resto da noite.
— Você foi nele.
— Fui.
Ricardo não gritou. Não quebrou nada. Foi até a cozinha, encheu um copo d’água, bebeu em pé e falou sem olhar para ela:
— Então senta. Você vai ouvir o meu também.
Helena ficou parada no meio da sala, a calça ainda manchada por baixo, o cheiro de Marcelo subindo dela — suor, sabonete barato, esperma. Ricardo sentiu. Ela viu no nariz dele quando ele inalou e desviou o rosto, nojento e excitado ao mesmo tempo.
— O nome dela é Carla — disse ele. — Trinta e oito. Divorciada. Trabalha no mesmo setor. Corpo comum. Peito médio, bunda normal, coxa fina. Nada que se compare com o que você tem. E mesmo assim eu enfiei nela três meses.
Helena sentiu o estômago revirar. Não era só raiva. Era ciúme. Um ciúme feio, injusto, que ela não tinha o direito de sentir — e sentia do mesmo jeito. A imagem veio sozinha: Ricardo atrás de outra mulher, a calça baixada, o pau médio dele entrando em alguém que não era ela.
— Por que você está me contando isso agora?
— Porque você acabou de voltar com a buceta dele escorrendo. Porque eu quero que você saiba exatamente o que eu fiz enquanto você fingia que a gente ainda era um casal.
Ele se sentou na cadeira da mesa. Helena ficou em pé. As pernas ainda tremiam da foda na casa de três cômodos.
— Começou no estacionamento do prédio — continuou Ricardo, a voz baixa, quase clínica. — Depois do expediente. Ela já tinha dado abertura semanas antes. Um dia eu cansei de imaginar você de quatro naquela sala, a saia erguida, o pau grosso daquele velho abrindo você. Cansei de lembrar que você engoliu a porra dele e veio dormir do meu lado. Então eu beijei a Carla no banco de trás do carro. Ela abriu a boca fácil. Eu enfiei a mão por baixo da saia dela. Estava molhada. Não tanto quanto você fica. Mas suficiente.
Helena cruzou os braços com força, as unhas cravando na pele.
— Para.
— Não. Você queria saber. Eu puxei a calcinha dela de lado ali mesmo. Enfiei dois dedos. Ela gemeu meu nome. Eu pensei no seu. Pensei na sua bunda tremendo enquanto aquele homem te comia. E empurrei os dedos mais fundo. Depois tirei o pau. Ela desceu a cabeça e chupou. Boca quente, sem jeito de quem faz isso há muito tempo. Não era a sua boca. A sua boca eu já tinha visto esticada no pau dele. Então eu segurei o cabelo dela e gozei na língua. Ela engoliu. Eu olhei pela janela do carro e pensei: agora ela também sabe o gosto.
Helena sentiu o rosto queimar. O ciúme subia junto com a umidade traiçoeira entre as pernas — o corpo ainda aberto da estocada de Marcelo, e agora a cabeça cheia da imagem do marido gozando na boca de outra.
— Você fez de propósito para me machucar.
— Fiz. No começo. Depois… depois eu comecei a querer ela também. Não do jeito que eu te queria antes. De outro. Mais sujo. Mais vingativo.
Ricardo passou a mão no rosto.
— O apartamento dela era no terceiro andar. Você já viu. Sofá bege, cheiro de amaciante barato. Eu comia ela de pé, de quatro no sofá, na cama de solteiro. Pau médio, do tamanho que você já conhece. Ela gemia alto. Unha nas minhas costas. Eu fechava o olho e via você. Via o rabão enorme empinado na mesa da escola. Via o esperma dele escorrendo pela sua coxa grossa. E metia mais forte. Às vezes eu falava o seu nome no ouvido dela sem querer. Ela fingia que não ouvia. Outras vezes eu falava de propósito. “A minha esposa tem uma bunda muito maior que a sua.” Ela ria e empinava mais. Eu gozava dentro. Sem camisinha, igual ele fez com você.
Helena deu um passo à frente, a voz quebrada:
— Cala a boca.
— Por quê? Dói? Dói saber que eu enfiei em outra enquanto você ainda usava aliança? Dói imaginar o meu pau saindo dela com porra escorrendo, do mesmo jeito que o dele saiu de você hoje à noite?
Ela o segurou pelo colarinho da camiseta. Os olhos verdes estavam marejados de raiva e tesão e vergonha.
— Você não tem ideia do que eu sinto.
— Eu tenho. Você foi lá e deixou o velho te foder de novo. Voltou fedendo a ele. E agora está com ciúme de uma mulher comum que eu usei para equilibrar a conta. Hipócrita.
O silêncio que veio depois foi pior do que o grito. Helena soltou a camiseta. As mãos tremiam. Entre as pernas a calcinha já estava outra vez úmida — não só resto de Marcelo. O corpo misturava tudo: o pau grosso que a tinha preenchido horas antes, a imagem de Ricardo metendo em Carla, o ódio de si mesma.
Ricardo se levantou. Ficou perto demais.
— Tira a calça — disse ele, baixo.
— O quê?
— Tira. Quero ver o que ele deixou.
Helena deveria ter recusado. Em vez disso, com o queixo tremendo, abriu o botão, desceu o zíper, baixou a calça e a calcinha até as coxas. O esperma de Marcelo ainda brilhava, grosso, escorrendo lenta pela pele clara da coxa interna. O cheiro subiu entre os dois.
Ricardo olhou. Muito tempo. Depois passou o dedo no fio branco, coletou e mostrou para ela.
— Isso. Você veio para casa com isso dentro. E quer ter ciúme da Carla.
Ele limpou o dedo no tecido da própria camiseta, nojento e excitado. O volume já marcava a bermuda.
— Deita na mesa.
Helena riu, um som quebrado.
— Você vai me comer com o esperma dele ainda escorrendo?
— Vou. Porque é o que sobrou. Porque eu quero sentir o quanto ele te abriu. Porque você precisa entender que não existe mais lado certo nessa merda.
Ela deitou de costas na mesa da cozinha, as coxas grossas abertas, a bunda pesada contra a madeira fria. Ricardo baixou a bermuda. O pau médio estava duro — não do tamanho de Marcelo, ela pensou imediatamente, e odiou a comparação que veio sozinha. Ele enfiou de uma vez. Helena arqueou. Ainda estava folgada e escorregadia do outro homem. Ricardo sentiu. Os dois souberam.
— Porra… ele te alargou — murmurou Ricardo contra o pescoço dela. — Eu sinto. Está diferente.
— Cala a boca e mete.
Ele meteu. Curto, raivoso, fundo o quanto o tamanho permitia. Cada estocada fazia a mesa ranger. Helena gemia baixo, os olhos fechados, e via as duas cenas ao mesmo tempo: Marcelo atrás dela no colchão velho, o pau grosso sumindo inteiro; Ricardo no sofá bege com Carla, falando o nome da esposa no ouvido de outra.
— Você pensava nela quando gozava? — perguntou Helena, a voz falhando.
— Pensava em você com ele. Sempre.
— E ela? Ela gozava?
— Gozava. Apertava. Gemia meu nome. Às vezes eu tapava a boca dela para não acordar o vizinho. Igual você tapava a sua na sala para não gritar.
Helena gozou de repente, um orgasmo feio, misturado com choro. A buceta se fechou no pau do marido. Ricardo gemeu e gozou logo depois, jato ralo, familiar, se misturando com o que Marcelo tinha deixado. Os dois ficaram parados, ofegantes, o líquido dos dois homens escorrendo juntos pela coxa dela até a borda da mesa.
Ricardo saiu. Olhou o estrago. Não disse te amo. Não disse desculpa.
— Agora você sabe como é o meu caso — falou, ajeitando a bermuda. — Três meses. Apartamento dela. Carro. Banheiro do trabalho uma vez. Eu chupei ela. Ela chupou eu. Eu gozei nas costas dela, na boca, dentro. E toda vez eu voltava para esta casa e deitava do seu lado como se nada tivesse acontecido. Exatamente como você fez.
Helena se sentou na mesa, as pernas abertas, a calça ainda nos tornozelos. O ciúme não tinha diminuído. Tinha só ganhado corpo. A ideia de Carla — corpo comum, peito médio, bunda normal — recebendo o marido dela, gemendo, levando porra, doía de um jeito específico. Doía mais porque Helena não tinha autoridade moral nenhuma. Doía porque o corpo dela ainda latejava pelo pau de Marcelo e, mesmo assim, o peito apertava com a imagem de Ricardo enfiando em outra.
— Você ainda vê ela? — perguntou, a voz baixa.
Ricardo demorou.
— Vi ontem. Depois que você saiu. Mandei mensagem. Fui no intervalo do almoço. Comi ela rápido no sofá. Gozei dentro. Voltei para o trabalho. Quando cheguei aqui à noite, você ainda não tinha voltado do velho.
Helena fechou os olhos. Uma lágrima escorreu.
— Eu odeio você.
— Eu também. E mesmo assim a gente acabou de se foder em cima da mesa com a porra de outro homem escorrendo de você.
Ela desceu da mesa, puxou a calça, sentiu o tecido grudar no meio. Foi até o banheiro sem olhar para trás. Trancou a porta. Sentou no chão frio, as costas na parede, e enfiou dois dedos. Estava cheia dos dois. Se masturbou com raiva, imaginando Carla de quatro no sofá bege, o pau do marido sumindo nela — e, por cima dessa imagem, Marcelo segurando o quadril dela na casa simples, metendo fundo, chamando-a de professora. Gozou mordendo o braço, as lágrimas caindo no azulejo.
Quando saiu, Ricardo estava no sofá da sala, o celular na mão, a tela virada para baixo.
Helena parou na porta da sala.
— Se você for nela de novo, eu quero saber.
Ele levantou os olhos.
— E se você for nele de novo, eu também quero saber.
Os dois se olharam. Não havia acordo de paz. Havia só um pacto sujo: ninguém mais fingiria que tinha parado.
Do outro lado da cidade, o telefone de Marcelo vibrou uma vez. Nenhuma mensagem nova. Ele não precisava. Já sabia que a professora ia voltar. A buceta dela ainda lembrava o formato dele. O marido podia contar o caso da Carla o quanto quisesse. Isso não devolvia o que já tinha sido dado na mesa da escola e no colchão velho.
Helena deitou na cama de casal. Ricardo deitou depois, de costas. Entre os dois, o cheiro misturado de três pessoas. O ciúme dela não dormiu. O desejo também não.
A filha acordaria de manhã e perguntaria por que a mãe estava de olho inchado. Helena sorriria e mentiria outra vez.