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A Tempestade

Da série Vidas Narradas
Um conto erótico de Ana Uergs
Categoria: Heterossexual
Contém 2048 palavras
Data: 02/09/2026 17:00:13

O caminho da escola até sua casa era sempre longo e cansativo. Não porque Amanda tivesse pernas curtas, mas porque atravessar aquele bairro exigia atenção.

Ela morava no que antigamente chamavam de invasão. Com o passar dos anos, ruas haviam sido abertas, casas de alvenaria substituíram os barracos e o lugar ganhou oficialmente o status de bairro. Ainda assim, muita coisa permanecia igual. Assaltos, drogas e violência faziam parte da rotina de quem vivia ali.

Naquele dia, em especial, o caminho parecia ainda mais difícil.

A mochila pesava sobre seus ombros, principalmente por causa dos enormes livros da escola que insistia em carregar todos os dias. Havia armários disponíveis, mas Amanda jamais confiaria em deixar alguma coisa neles. Como poderia? Os próprios alunos quebravam cadeados e arrombavam portas atrás de qualquer objeto que pudesse ser vendido ou trocado por algumas gramas de cocaína ou pedras de crack.

Já passava das doze e meia.

O sol estava no alto, queimando como sempre, e Amanda tentava se consolar pensando que faltavam apenas alguns meses para aquilo acabar.

Tinha completado dezoito anos recentemente. Logo terminaria o ensino médio e começaria a prestar vestibular para as universidades públicas do estado. Ainda não sabia exatamente como seria sua vida depois da escola, mas tinha certeza de uma coisa: queria sair dali.

Os passos largos denunciavam a pressa. A barriga roncava e o suor escorria pelo rosto e pelas costas, deixando-a muito diferente da garota que chegara à escola naquela manhã, recém-banhada, alimentada e com o uniforme limpo.

Todos os dias tinha a mesma sensação ao voltar para casa: como se tivesse atravessado uma pequena guerra. Chegava inteira, mas nunca exatamente do mesmo jeito que havia saído.

Finalmente avistou o portão.

Como quase sempre, sua avó estava ali.

Vânia tinha o hábito de esperar a neta chegar. Não era exatamente falta do que fazer. Era uma mistura de carinho e preocupação. Conhecia muito bem os perigos daquela vizinhança, afinal morava ali havia décadas.

A casa onde viviam era fruto de muitos anos de trabalho dela e do falecido marido — trabalho nem sempre completamente correto, como a própria família admitia quando o assunto surgia. Ainda assim, fora graças àquela vida que conseguiram construir um teto e criar os filhos.

A mãe de Amanda havia sido a primeira.

Depois da morte do marido, ela se mudou para outra cidade, e Amanda acabou ficando com a avó.

A casa já não tinha a mesma aparência de antigamente. Os anos definitivamente não haviam sido benevolentes. Em alguns cômodos, o reboco estava à mostra. Em dias de chuva forte, goteiras obrigavam Vânia a espalhar baldes pela casa. Portas empenadas, móveis antigos e marcas de infiltração denunciavam a idade do imóvel.

Ainda assim, era possível perceber que, em seus melhores tempos, aquela havia sido uma boa casa.

Amanda também não tinha muito do que reclamar.

Possuía um quarto só para ela e, melhor ainda, com banheiro próprio. Naquele bairro e naquela casa, aquilo era praticamente um luxo.

Entrou, atravessou rapidamente o corredor e largou a mochila pesada sobre a cama.

— Vó, vou só tomar um banho e a gente almoça juntas!

Ouviu alguma resposta vinda da cozinha, mas nem tentou entender.

Pegou o celular e procurou qualquer vídeo no YouTube para deixar tocando enquanto se arrumava. Ultimamente estava desenvolvendo uma pequena dependência daquele aplicativo. Precisava de alguma coisa falando ao fundo enquanto fazia praticamente qualquer tarefa.

Precisava melhorar aquilo.

A calça do uniforme foi a primeira peça a sair.

Amanda a empurrou pelas pernas e deixou-a amontoada próxima à cama. Suas pernas eram grossas e torneadas, não por academia — nunca tivera disciplina suficiente para frequentar uma —, mas por uma genética generosa da família. Sua mãe, nas fotografias antigas, possuía exatamente o mesmo tipo físico.

A camisa gasta da escola veio logo depois.

Por baixo dela, um sutiã bege sustentava os seios fartos e pesados da garota.

Amanda sabia que chamava atenção.

Algumas amigas jamais admitiriam, mas ela desconfiava que sentiam certa inveja de seu corpo. Quanto aos garotos, não precisava desconfiar de nada. Eles faziam questão de deixar o interesse bastante claro.

Alguns já haviam enviado mensagens dizendo o que gostariam de fazer com ela. Outros eram ainda menos discretos e mandavam fotografias ou vídeos explícitos enquanto olhavam suas fotos no Instagram.

Amanda guardava aquelas mensagens.

Não porque pretendesse responder à maioria deles, mas porque gostava da sensação de ser desejada.

Era virgem, embora isso não significasse que fosse completamente inexperiente. Gostava de descobrir o próprio corpo, gostava de provocar e, principalmente, gostava de perceber o efeito que causava.

Levou os braços para trás e soltou o sutiã.

A peça caiu sobre a cama. Os seios começaram a se movimentar junto com a força que a gravidade exercia, divinamente. Eram grandes e pesados, mas a idade os deixavam apenas com um leve caimento natural.

Ao passar diante do espelho, lembrou-se de Maurício.

Na noite anterior, depois do cinema, os dois tinham ficado algum tempo dentro do carro. Ele beijara seu pescoço e depois descera lentamente pelo corpo dela. Amanda ainda conseguia recordar com clareza a sensação da boca dele em seus peitos, ele adorava as grandes areolas que a garota tinha, ficou um tempo chupando e na tentativa de conseguir algo a mais, tentativa frustrada.

A lembrança seguinte foi ainda mais intensa.

Amanda adorava chupar e em Mauricio era extremamente especial pois ele conseguia vencer com muita facilidade todo o ímpeto que ela colocasse, chupou por muito tempo até vê-lo explodir em um gozo forte enquanto segurava sua cabeça e pressionava contra o seu abdome.

Amanda sorriu sozinha.

Definitivamente não era tão inocente quanto algumas amigas acreditavam.

Cantarolando a música que tocava no celular, caminhou até o banheiro.

Entrou no boxe e retirou a última peça de roupa.

Naquela casa não existia o luxo de escolher entre água quente ou fria. Era sempre fria.

Abriu o chuveiro.

A primeira pancada de água gelada a fez prender a respiração.

— Meu Deus...

Depois de alguns segundos, o corpo se acostumou.

Antes de começar o banho, lavou rapidamente a calcinha que havia acabado de tirar e a estendeu dentro do boxe, ao lado de outra que ainda estava parcialmente úmida.

Pegou o sabonete de morango.

Não era o tipo de garota que possuía um produto diferente para cada centímetro do corpo. Usava o mesmo sabonete para quase tudo e não se preocupava muito com isso.

Também nunca aderira completamente à moda de remover todos os pelos pubianos. Preferia mantê-los aparados, mas presentes. Achava estranho aquele visual completamente depilado que algumas amigas adoravam.

Quando terminou o banho, já estava quase na hora do almoço.

Vestiu apenas uma camiseta leve e confortável e saiu do quarto sem pensar muito na própria aparência.

— O que vamos comer hoje, vó?

— Tem um franguinho assado, meu amor.

Amanda deu dois passos além da porta do quarto e praticamente já estava na cozinha.

Foi então que parou.

Tiago estava sentado à mesa.

— Oi.

Ele levantou os olhos.

— Oi, Amandinha.

Amanda olhou para a avó.

Vânia fez uma expressão de quem acabara de se lembrar de alguma coisa importante.

— Minha filha, desculpa. Esqueci de avisar que seu primo vai almoçar aqui essa semana.

Por alguns segundos, Amanda simplesmente ficou parada.

Então percebeu como estava vestida.

Olhou para baixo.

A camiseta fina e clara, quase transparente não ajudava em absolutamente nada, via-se facilmente os pelos pretos de sua buceta em constraste com a luz que invadia a cozinha.

— Meu Deus, vó! Olha como eu tô vestida!

Virou-se tão rápido quanto havia chegado.

Segundos depois estava novamente dentro do quarto.

Vestiu um sutiã, trocou a camiseta por outra mais larga e colocou um short antes de voltar para a cozinha.

Tiago permanecia exatamente onde estava.

Agora levemente corada, Amanda tentou agir como se nada tivesse acontecido.

— Oi, primo. Tudo bem?

— Tudo. E você?

— Tô bem. O que você tá fazendo por aqui?

Tiago ajeitou-se na cadeira.

— A Alice viajou.

— Viajou pra onde?

— Pra cidade dos pais dela. O pai tá ruim de saúde e as irmãs começaram a pressionar pra ela ajudar nos cuidados. Pra não ficar tudo nas costas delas, sabe?

Amanda assentiu.

— E ela vai ficar quanto tempo?

— Em princípio, uma semana. Mas quando o assunto é saúde nunca dá pra saber.

Vânia colocou uma travessa sobre a mesa.

— Eu já falei pra ele ficar aqui enquanto ela estiver fora.

Amanda olhou para a avó.

— Ficar aqui?

— Claro. Como esse pobre coitado vai se virar sozinho? Não sabe nem fritar um ovo e ainda trabalha até tarde.

Tiago riu.

— Também não precisa acabar com a minha reputação, tia.

— Que reputação, menino? Você queimou arroz na última vez que tentou cozinhar.

Amanda começou a rir.

— Isso é verdade?

— Eu tava distraído.

— Pra queimar arroz?

— Muito distraído.

Ela puxou uma cadeira.

— E seu trabalho é aqui perto?

— Umas cinco quadras.

— Então realmente facilita.

Vânia aproveitou imediatamente.

— Tá vendo? Até Amanda concorda. Traz suas coisas e dorme aqui esses dias.

Tiago ainda parecia hesitante.

— Mas não quero incomodar vocês.

— Incomodar o quê? — Amanda perguntou. — A casa é grande.

Na verdade, a casa tinha quatro quartos, mas apenas dois estavam realmente utilizáveis. Os outros haviam se transformado, com o passar dos anos, em depósitos improvisados cheios de caixas, móveis quebrados e outras coisas que Vânia se recusava a jogar fora.

Amanda se lembrou da última vez em que Tiago e Alice haviam passado alguns dias ali.

O proprietário do imóvel onde moravam pedira a casa de volta às pressas, obrigando o casal a permanecer por algum tempo na casa de Vânia até encontrar outro lugar.

Na ocasião, eles chegaram a dividir o quarto de Amanda.

Não era uma lembrança que ela comentaria durante o almoço.

Principalmente porque lembrava muito bem das noites em que fingia estar dormindo enquanto ouvia o casal tentando ser silencioso na outra parte do quarto.

Tentando.

Porque Alice definitivamente não era boa em silêncio.

Amanda também guardava algumas imagens que jamais deveria ter visto. Certa noite, acordara e encontrara Alice com o pau do marido na boca.

Não conseguiu desviar os olhos imediatamente.

Depois daquela noite, aconteceu novamente.

E depois outra vez.

Amanda nunca soube se Alice realmente não percebia que ela estava acordada ou se, de alguma maneira, gostava da possibilidade de ser observada.

De qualquer forma, aquela havia sido uma fase bastante educativa da vida de Amanda.

— Tudo bem — Tiago finalmente respondeu. — Se realmente não for problema, eu aceito.

— Problema nenhum — disse Vânia. — Traga suas coisas quando sair do trabalho.

---

O restante do dia passou rapidamente.

No começo da noite, Tiago voltou.

Ainda usava a roupa do trabalho e parecia cansado. Trazia uma pequena bolsa com algumas peças dobradas e objetos pessoais.

O problema estava no banco traseiro do carro.

Um colchão fino havia sido enrolado como um enorme charuto e espremido de tal forma contra o vidro que Amanda teve a impressão de que alguma coisa acabaria quebrando.

E, para piorar, chovia.

Não era uma chuva comum.

Desde o fim da tarde, uma tempestade havia tomado conta do bairro. A água caía pesada sobre o telhado e transformava as ruas em pequenos rios. A previsão dizia que naquele mês poderia chover quase três vezes mais que a média registrada nos mesmos períodos dos anos anteriores.

Amanda odiava tempestades naquela casa.

Sempre imaginava que, algum dia, a velha estrutura simplesmente decidiria entregar os pontos enquanto todos dormiam.

Tiago ficou alguns segundos observando a chuva da varanda.

— É impossível tirar esse colchão do carro agora. Vai encharcar.

Vânia pareceu não ver problema algum.

— Meu filho, fique tranquilo. Só por hoje vocês se acomodam.

Amanda virou o rosto lentamente.

— Vocês?

— Você fica no quarto da Amanda — explicou a avó. — É o único quarto da casa onde não vai morrer de calor.

Tiago imediatamente olhou para a prima.

— Amanda, tem certeza de que não atrapalha?

Ela deu de ombros.

— Fica tranquilo. Você só vai atrapalhar se roncar.

— Eu não ronco.

— Todo mundo que ronca fala isso.

— E se eu roncar?

Amanda sorriu.

— Aí eu te dou uns socos durante a madrugada.

Tiago riu.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Vânia pegou a bolsa dele.

— Pronto. Resolvido.

Levou-a pelo corredor e entrou no quarto da neta.

— Tiago, vai tomar um banho logo. Você tá todo molhado. Quando tirar essa roupa, me entrega que eu já coloco pra lavar.

— Tá bom, tia.

Continua…

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Comentários

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Pelo começo me pareceu muito semelhante aos contos da Marcela Araújo Alencar, até pensei que era dela,mas deixando as semelhanças de lado ,gostei da história . Aguardo a continuação!

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Seus contos sempre são bem escritos e envolventes, e esse conto não foge a regra... mais uma pérola para a sua bela coleção de obras. Mal posso esperar pela continuação...

Um forte abraço... e obrigado por compartilhar com a gente mais essa trama...

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Fernando meu amor, muito obrigado pelo seu comentário.

Você não sabe o quão satisfatório é ter o reconhecimento.

Logo mais publicarei outro capítulo.

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