Estava deitada no escuro, celular na mão, quando o gemido atravessou a parede como se viesse de dentro do próprio quarto. Baixo, contido, quase engasgado. Depois veio o segundo, mais fundo, seguido do som úmido de pele batendo em pele. Ela ficou parada, respiração presa, ouvindo tudo até o final. O último gemido dele foi longo, rouco, e ela apertou as coxas uma contra a outra sem perceber.
Na noite seguinte aconteceu de novo. E na outra. Até que ela passou a esperar. Passou a deitar no escuro só para ouvir. Às vezes ele falava alguma coisa — “assim… mais fundo” — e a voz atravessava a parede como se ele estivesse falando no ouvido dela.
Três semanas depois, o elevador travou entre o 4º e o 5º andar. Só os dois dentro. Ele olhou para ela com aquele meio sorriso de quem já sabe que a outra pessoa escuta.
— Parede fina, né?
A voz dele era baixa, rouca. Ela sentiu o calor subir pelo pescoço.
— Muito fina — respondeu, sem desviar o olhar. — Dá pra ouvir quase tudo.
Ele deu um passo à frente. O elevador ainda não tinha se mexido.
— E você gostava de ouvir?
Ela engoliu em seco.
— Gostava.
Ele estendeu a mão e tocou os dedos dela. Só a ponta dos dedos, leves, testando. Ela não tirou. Em vez disso, entrelaçou os próprios dedos nos dele.
— Então por que nunca bateu na porta? — perguntou ele, voz ainda mais baixa.
— Porque eu não sabia se você ia gostar de saber que eu escutava.
Ele riu baixinho, o polegar acariciando o dorso da mão dela.
— Eu falava mais alto de propósito.
O elevador voltou a subir. Nenhum dos dois soltou a mão.
No corredor, ele parou na frente da porta dela.
— Quer que eu vá embora?
Ela abriu a fechadura sem responder. Entrou, deixou a porta aberta e ele a seguiu. A porta se fechou com um clique suave.
O apartamento estava semidescuro. Só a luz da rua entrava pela janela. Ele ficou parado no meio da sala, esperando. Ela se aproximou devagar, parou bem na frente dele e falou, quase num sussurro:
— Eu ouvia você todas as noites. O jeito que você gemia. O jeito que ela gemia. Às vezes eu me masturbava junto.
Ele soltou o ar pela boca, o olhar escurecendo.
— Porra…
Ela deu mais um passo. O peito dela encostou no dele.
— E agora eu quero ouvir de perto.
Ele ergueu a mão e passou o polegar pelo maxilar dela, devagar, como se estivesse decorando o rosto. Depois inclinou a cabeça e beijou a boca dela.
O beijo começou lento, exploratório. Em segundos virou urgência. A língua dele encontrou a dela, quente, insistente. As mãos dele desceram pela cintura, apertaram a curva da bunda e a puxaram contra o corpo. Ela sentiu o volume duro pressionando sua barriga e um arrepio percorreu a coluna.
— Porra, você já está molhada só de ouvir, não está? — ele murmurou contra a boca dela.
— Estou. Desde o elevador.
Ele a guiou de costas até o sofá. Quando as pernas dela bateram no estofado, ela se sentou. Ele se ajoelhou entre seus joelhos e puxou a blusa dela para cima. O sutiã saiu logo em seguida. A boca dele desceu pelo pescoço, mordeu de leve a clavícula e depois se fechou em torno de um mamilo. Ela arquejou, os dedos se enroscando no cabelo dele.
— Mais forte — pediu ela.
Ele obedeceu, chupando com mais pressão, os dentes raspando de leve. A outra mão desceu pela barriga dela e abriu o botão da calça. Puxou o zíper e enfiou a mão por dentro da calcinha. Os dedos dele encontraram o clitóris já inchado e deslizaram fácil, fazendo círculos lentos e precisos.
— Caralho… você está encharcada.
— Eu te falei.
Ele esfregou com mais pressão, sentindo o quanto ela já estava escorregadia.
— Há quanto tempo você fica assim só de me ouvir?
— Desde a primeira noite… eu não conseguia parar.
Ele tirou a mão, puxou a calça e a calcinha dela de uma vez só e as jogou no chão. Depois se ajoelhou de novo, abriu as coxas dela com as duas mãos e passou a língua devagar, de baixo para cima, terminando com uma chupada firme no clitóris.
Ela gemeu alto.
— Porra…
Ele sorriu contra a buceta dela.
— Mais alto. Eu quero que a parede ouça.
A língua dele voltou a trabalhar, agora com ritmo constante, dois dedos entrando nela ao mesmo tempo. Ele chupava o clitóris com pressão, depois descia a língua até onde os dedos entravam, lambendo a umidade que escorria. Ela abriu mais as pernas e jogou a cabeça para trás, gemendo sem se segurar.
— Assim… continua assim… mais fundo…
— Você gosta quando eu faço assim? — ele perguntou, a voz vibrando contra ela, sem parar de chupar.
— Gosto… porra, gosto pra caralho…
Ele curvou os dedos, procurando o ponto, e acelerou a língua. O orgasmo veio rápido, forte, fazendo as coxas dela tremerem contra o rosto dele. Ela gozou gemendo o nome dele — ela nem sabia o nome dele direito, mas saiu mesmo assim. Ele continuou lambendo devagar enquanto ela ainda tremia, limpando cada gota, prolongando o prazer até ela quase se contorcer.
Antes que ela se recuperasse, ele se levantou, tirou a própria camisa e a calça. O pau dele estava duro, grosso, a cabeça já brilhando. Ela estendeu a mão e envolveu o comprimento, apertando de leve, deslizando a mão para cima e para baixo, sentindo as veias latejarem sob os dedos.
— Entra. Agora.
Ele a puxou para a beira do sofá, ajoelhou de novo entre as pernas dela e posicionou a cabeça do pau entre os lábios molhados. Deslizou para cima e para baixo algumas vezes, espalhando a umidade, sem entrar.
— Pede direito — disse ele, voz rouca.
Ela olhou nos olhos dele, ofegante.
— Me fode. Entra fundo e me fode. Quero sentir você inteiro.
Ele empurrou de uma vez só. O gemido que saiu da garganta dela foi alto o suficiente para atravessar a parede. Ele enterrou o rosto no pescoço dela e começou a foder com força, profunda, o sofá rangendo sob eles. Cada estocada fazia o corpo dela tremer.
— Mais forte — ela pediu, as unhas arranhando as costas dele. — Não segura…
Ele agarrou as coxas dela, abriu mais e acelerou. O som úmido de pele batendo em pele encheu a sala.
— Você ouvia isso todas as noites? — ele perguntou, ofegante, ainda fodendo.
— Ouvia… e gozava sozinha… apertando a buceta com os dedos… pensando em você…
— Então goza agora comigo dentro.
Ele enfiou a mão entre os corpos deles e esfregou o clitóris dela com o polegar, no mesmo ritmo das estocadas. Ela gozou de novo, mais forte, as pernas tremendo, a buceta apertando o pau dele em espasmos.
Ele não parou.
Continuou fodendo devagar enquanto ela ainda tremia, sentindo cada contração ao redor dele. Quando ela abriu os olhos de novo, ele a puxou para cima, virou o corpo dela e a colocou de quatro no sofá. Ajoelhou-se atrás dela, espalhou as nádegas com as duas mãos e empurrou de novo, fundo, até o fundo.
— Porra… — ela gemeu, a voz abafada contra o encosto.
Ele segurou a cintura dela com força e começou a meter mais forte, o som molhado ecoando. Uma das mãos dele subiu pelas costas dela até o cabelo, puxou de leve e a forçou a arquear mais.
— Você gosta assim? — perguntou, ofegante. — Gosta de sentir eu te abrindo toda?
— Gosto… mais fundo… não para…
Ele obedeceu, acelerando. A outra mão desceu e encontrou o clitóris dela de novo, esfregando em círculos enquanto fodia. Ela gemia sem parar, cada vez mais alto, o rosto afundado no sofá.
— Vai gozar de novo? — ele perguntou, a voz rouca perto do ouvido dela.
— Vou… não para… me fode mais forte…
Ele meteu mais forte, mais rápido, o polegar ainda trabalhando o clitóris. O terceiro orgasmo dela veio forte, o corpo inteiro trêmulo, a buceta apertando o pau dele com força. Ele segurou a cintura dela com as duas mãos e fodeu até o fim, gemendo baixo e longo enquanto gozava fundo, o corpo tenso contra o dela, descarregando tudo lá dentro.
Ficaram assim por um tempo, ele ainda dentro, ambos ofegantes e suados. Ele se inclinou sobre as costas dela e beijou a nuca, depois o ombro.
— Da próxima vez a gente deixa a porta entreaberta — murmurou.
Ela sorriu, ainda ofegante, a voz rouca:
— Ou a gente faz bem alto mesmo. Quero que todo o prédio ouça.
Ele riu baixinho e mordeu de leve o ombro dela.
— Combinado.
Do outro lado da parede, o silêncio era absoluto.