Mesmo com os prazos alongados e o empréstimo extra que Pedro tinha dado, a vida de Danilo continuava desmoronando em câmera lenta.
Nesse ponto ele já tinha tentado de tudo. Usou parte do dinheiro para limpar o ponto comercial da padaria, negociou com dois fornecedores antigos, chegou a pintar as paredes e trocar alguns equipamentos. Acordava cedo, voltava tarde, fazia contas no caderno até a cabeça doer. Mas, além dos gastos para reabrir o negócio, as contas não paravam de chegar. Os impostos atrasados que ele achava resolvidos voltavam com juros. Uma dívida trabalhista de uma ex-funcionária surgiu do nada. O aluguel do ponto comercial, mesmo fechado, ainda cobrava uma multa contratual que ele não conseguia quitar. Cada vez que ele achava que tinha dado um passo à frente, apareciam duas cobranças novas empurrando-o de volta. A padaria seguia fechada, com cheiro de tinta fresca misturado com poeira antiga. O dinheiro ia embora. E a sensação de fracasso grudava nele como uma segunda pele.
Foi nesse estado de esgotamento que a mensagem de Pedro chegou.
Pedro: Vi que você está na padaria. Estou passando aí.
Danilo visualizou a mensagem apenas pela barra de notificação. Ficou olhando pro celular pensando em dizer que já estava de saída, mas quando abriu a mensagem, ouviu o barulho do carro estacionando.
Danilo estava sozinho no salão vazio quando o carro de Pedro parou na frente. O loiro entrou, tirou os óculos Rayban escuros e olhou ao redor das paredes recém-pintadas, das vitrines ainda sem vidro e das mesas empilhadas num canto, e falou sem rodeio:
— Cara, ainda nada ne?
— Nada... ainda não deu certo, achei que 30 mil daria, mas pra voltar o que era, falta muito.
— Entendo. Bom, vamos fazer o seguinte. Eu posso te emprestar mais dinheiro. O suficiente para terminar o que precisa, pagar os primeiros fornecedores, arrumar alguém pra te ajudar e reabrir logo.
— E o que vai querer de mim dessa vez? — Danilo perguntou, com o coração acelerado porque já sabia da resposta.
— Cara, você já sabe o que quero. Na verdade é o que quero desde que nos conhecemos. Quero transar com você. Pode ser aqui mesmo. Pode ser agora e a gente já resolve suas coisas.
Danilo sentiu a frase bater no peito. Ele queria dizer não. Queria mandar Pedro se foder. Mas a palavra que saiu foi outra.
— Transar como, cara? Eu não sou viado.
— Quero que você me foda, mano. Só isso, e a gente abre essa padaria em menos tempo que você pensa.
Eles foram para o que um dia fora o escritório, o único cômodo com porta que ainda fechava. O chão estava limpo, havia um colchão velho que Danilo usava para descansar quando dava. A luz da tarde entrava pela janela alta. Danilo tirou a camiseta suja de tinta e a calça. Quando a cueca desceu, a rola já estava dura, grossa, curvada para cima, as veias saltadas. O corpo tinha se adiantado à cabeça outra vez.
Pedro mal acreditava no que via. Se aproximou e ajoelhou. A boca dele desceu sobre a rola de Danilo como algo quente e macio demais. A umidade aveludada envolveu a glande primeiro, depois foi descendo devagar, a língua pressionando a veia grossa de baixo, a sucção ritmada e molhada. Danilo soltou o ar pela boca, os olhos semicerrados. Sentia cada movimento com uma clareza quase dolorosa: o calor úmido, a maciez, o jeito que a garganta de Pedro se abria para engolir mais fundo. A rola latejava dentro daquela boca, pulsando forte.
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