Rosângela tem vinte e nove anos e uma vida inteira montada em cima de horários: acorda às cinco e meia, deixa o café pronto na garrafa, arruma a mochila da filha, abre a concessionária às oito e quinze, fecha às sete, e no meio disso tudo ainda encontra tempo pra ser a gerente que bate meta em mês de crise. O corpo é aquilo que o pessoal do showroom finge não olhar quando ela atravessa o salão — cintura fina, quadril largo, uma bunda que desmente o tailleur, pernas grossas de quem sobe escada em vez de esteira, e uma boca cheia, desenhada, que ela pinta de vermelho escuro nos dias em que precisa ganhar alguma discussão. Casada há sete anos com um homem que já não olha, mãe de uma menina de quatro, e há muito tempo sem gozar de verdade — não do jeito educado, rápido, de quem quer dormir logo, mas daquele jeito que suja o lençol e faz esquecer o próprio nome.
Duda tem quarenta e dois. Publicitário, prestador de serviço da mesma companhia, entra naquela loja há três anos com a pasta debaixo do braço e um jeito de falar baixo que obriga as pessoas a chegarem mais perto pra escutar. Respeitoso a ponto de irritar. Nunca passou de um aperto de mão solto rápido demais, nunca comentou nada sobre a aliança dela, nunca deixou o olhar cair mais do que meio segundo — e engoliu três anos inteiros de tesão em silêncio, com o pau meio duro dentro da calça social toda vez que ela se abaixava pra pegar uma pasta na gaveta de baixo. O que ela não sabia, porque ele nunca contou a ninguém naquela empresa, é que ele passou dois anos numa formação de massagem tântrica, aprendendo a ler corpo de mulher com a ponta dos dedos, a segurar orgasmo, a esticar cinco minutos até virarem quarenta. O que ela também não sabia: dezenove centímetros, e uma tara antiga, quase obsessiva, em chupar buceta — não como quem cumpre uma etapa antes do que interessa, mas como quem come devagar uma coisa que esperou anos pra provar.
A quebra do silêncio veio numa quinta à noite, onze e pouco, o celular acendendo no escuro do quarto enquanto o marido roncava de costas. Ele começou descrevendo os pés dela: a língua quente, os movimentos circulares, ele sentado no chão de costas pra cama, um pé dela apoiado no colchão, a boca dele na altura do abdômen. Depois a panturrilha, o joelho, a coxa, sempre olhando pra cima, sempre fazendo ela imaginar o caminho antes de a língua chegar. Depois a saia preta, o tecido da calcinha mordido e puxado pro lado, a fenda aberta, a língua entrando devagar. Depois os dois dedos molhados na própria boca dela, entrando lentos enquanto a língua ficava em cima do clitóris, e a mão dele encontrando o ponto de dentro com a ponta dos dedos — eu te disse que faço massagem tântrica, lembra? o que significa que você vai gozar muito. E, por último, a frase que ela releu quatro vezes: depois disso você vai ficar de quatro na cama, e eu vou passar a língua começando na parte de baixo da tua buceta, subindo até o teu cuzinho. Ela gozou ali mesmo, na cama do marido, mordendo o travesseiro, três dedos enfiados, a tela ainda acesa na mão, e depois passou meia hora encarando o teto com vergonha, com raiva de si mesma e com um tesão que não descia de jeito nenhum. Digitou e apagou quatro vezes. Na quinta, mandou: sexta, sete da manhã, passo aí antes de abrir a loja, e não vou ficar muito tempo. Ele respondeu em vinte segundos: vem de saia.
Ela chegou às sete e quatro, de salto, saia preta lápis, blusa de seda cor de vinho, cabelo preso, o perfume passado dentro do elevador porque não teve coragem de passar em casa. Quando ele abriu a porta descalço, de moletom e camiseta branca, cheirando a café e a banho recente, ela quase riu de nervoso e falou rápido, sem olhar direito: eu tenho até oito e quinze, Duda, sério, oito e quinze. Ele fechou a porta devagar, tirou a bolsa da mão dela, colocou no móvel da entrada e respondeu que uma hora e dez dava. Dava pra quê, ela perguntou, e ele não respondeu; chegou perto, sem beijar, a boca a três dedos da dela, e ela sentiu a respiração dele bater no lábio de baixo. Você leu tudo, ele perguntou naquela voz baixa de reunião que fazia o pelo do braço dela arrepiar. Li. Gozou? Ela travou, abriu a boca, fechou, e o rosto ardeu inteiro. Gozou, ele repetiu — sem pergunta dessa vez, sorrindo de canto —, e ela mandou ele não se achar, e ele disse que não estava se achando, só avisando que hoje ia ser muito melhor.
O quarto tinha a cortina fechada, uma luz cinza de manhã de chuva vazando pela fresta, a cama arrumada com lençol branco, um vidro de óleo em cima do criado-mudo e, ao lado, um pano preto dobrado que ela viu e fingiu que não tinha visto. Fica de pé aí, ele disse apontando o pé da cama, de costas pra cama; ela hesitou, chamou o nome dele quase pedindo socorro, e ele repetiu a ordem no mesmo tom manso e sem espaço. Ela foi. O salto afundou no tapete, ele se ajoelhou, depois sentou no chão de costas pra cama — exatamente como tinha escrito —, o rosto na altura da barriga dela, olhando pra cima, e o coração dela deu um soco no peito. Você escreveu isso, ela sussurrou. Eu escrevi isso.
Ele tirou o sapato direito devagar, a mão fechada no tornozelo, o polegar apertando o tendão, o salto escorregando; ela precisou se apoiar no ombro dele pra não cair e o toque na pele quente já foi demais. Ele levantou o pé dela, apoiou em cima da cama, dobrando o joelho, abrindo — a saia lápis subiu um palmo sozinha e ele nem olhou pra saia, olhou pro pé, e baixou a boca nele. A língua quente encostou no arco e fez um círculo lento, e ela deu um pulo com um som saindo da garganta sem permissão, porque não era cócega, era uma corrente subindo pela perna inteira e indo bater no meio dela. Ele chupou o dedão inteiro, devagar, a língua girando, os lábios fechando, o olho preso no dela lá de baixo; passou pro outro dedo, e pro outro, mordeu a lateral do pé, lambeu o calcanhar, e ela ficou ali de pé, uma perna em cima da cama, a mão apertando o ombro dele, sentindo a calcinha encharcar antes de ele ter encostado num único centímetro acima do joelho. Depois foi pro pé que estava no chão, a boca quente na panturrilha, subindo, chupando a pele, os dentes raspando de leve atrás do joelho — ela gemeu alto ali, num lugar que nem sabia que existia — e a mão apertando a panturrilha grossa enquanto a boca subia, sempre com os olhos pra cima, nos olhos dela. Não olha assim, ela pediu; por quê; porque eu vou ter que ir trabalhar depois disso, e ele riu com a boca colada na coxa dela, e o riso vibrou na pele.
A saia foi subindo junto com a boca. Coxa de dentro, mordida, e ela agarrou o cabelo dele com as duas mãos, o quadril já se mexendo sozinho, procurando; a saia foi empurrada de vez até a cintura e ficou presa lá em cima, deixando à mostra a calcinha preta de renda ensopada, a mancha escura no meio, o cheiro subindo. Ele parou, respirou fundo em cima dela, o nariz encostado no tecido, e disse baixo: três anos. Três anos eu te vi abaixar naquela loja e tive que sentar na mesa pra ninguém ver meu pau duro. Ela fechou os olhos e sentiu a boca dele se fechar por cima da renda e chupar através do tecido, e o gemido rasgou dela sozinho enquanto o quadril empurrava contra a cara dele. Foi aí que ele pegou a calcinha com os dentes e puxou pro lado — não tirou, puxou pro lado, exatamente como tinha escrito, abrindo a fenda —, e ela sentiu o ar frio bater na buceta molhada por um segundo antes da língua chegar. A língua entrou devagar. Ela dobrou o corpo pra frente com as duas mãos na cabeça dele, e ele deslizou a língua inteira de baixo pra cima, larga, lenta, uma vez só, recolhendo tudo que escorria, e depois enrolou a ponta no clitóris e ficou girando ali. Segura minha cabeça, ele falou com a boca colada nela; você controla, do jeito que você quer. E ela controlou: segurou a cabeça dele com as duas mãos e começou a rebolar na boca dele, o cabelo preso desmanchando, o salto do pé de apoio fincado no tapete, enquanto ele chupava devagar, com destreza, nem afobado como cachorro com sede nem desengonçado, mas com paciência de quem está desenhando um mapa — cada vez que a língua batia num ponto e o corpo dela dava um tranco diferente, ele voltava naquele ponto, aprendia, repetia, repetia mais lento ainda. Assim, aí, aí, ela dizia, e ele obedecia sem tirar os olhos dela.
Ele levantou a mão até a boca dela, ela chupou o dedo médio dele sem pensar, e ele voltou com o dedo brilhando de saliva e enfiou devagar: um centímetro, dois, a buceta apertando em volta e soltando, até entrar inteiro e curvar pra cima e achar. Ela guinchou. Achei, ele murmurou, e botou o segundo dedo — os dois dentro, curvados, acariciando o ponto de dentro num movimento lento e constante de vem-cá, vem-cá, enquanto a língua ficava em cima, no clitóris, sem pressa nenhuma, sem aumentar, sem diminuir. E ela foi entendendo, com a perna tremendo em cima da cama, que ele não estava tentando fazer ela gozar rápido: ele estava construindo, levava ela até a beira, sentia a buceta começar a contrair na ponta dos dedos e aí diminuía, aliviava, beijava a coxa, esperava a onda baixar dois palmos e recomeçava. Três vezes. Na terceira ela estava chorando de raiva: Duda, eu vou te matar, seu filho da puta, deixa eu gozar. Pede. Eu tô pedindo! Pede direito. Me faz gozar, porra, chupa minha buceta e me faz gozar, por favor, por favor. Ele grudou a boca nela, sugou o clitóris pra dentro e não soltou mais, os dois dedos socando devagar e curvados no lugar certo, e ela veio: a perna de apoio cedeu, ela caiu sentada na beira da cama com a cara dele ainda entre as pernas, o quadril subindo do colchão, a mão dele segurando a lombar pra ela não fugir, a buceta pulsando em volta dos dedos em ondas que apertavam e soltavam e apertavam de novo enquanto o líquido escorria quente pelo pulso dele. Ela gritou no travesseiro que agarrou por instinto — vizinhos, manhã de sexta, ela nem lembrou — e ele não parou, chupou atravessando o orgasmo inteiro, sustentando, e quando ela achou que tinha acabado ele apertou um pouco mais forte lá dentro e ela gozou de novo, em cima do primeiro, o corpo dobrando pra frente, as mãos batendo no colchão até conseguir dizer para, para, para, tremendo inteira. Ele saiu devagar, beijou a coxa dela e encostou a testa na perna dela pra ela recuperar o fôlego, com a boca e o queixo brilhando, escorrendo até o pescoço, sem nenhuma vontade de limpar. Você gozou duas, ele disse. Eu gozei, ela repetiu rindo sem ar, a mão no rosto, eu não gozo assim desde… eu acho que eu nunca gozei assim. A gente ainda tem uma hora. Cinquenta minutos. Dá.
Ele tirou a camiseta pela cabeça de uma vez e ela viu o volume no moletom e engoliu seco; puxou ela pelo braço, virou o corpo dela de frente pra cama, abriu o zíper da saia pelas costas e disse que a blusa ficava, só a saia saía. A saia caiu no chão, ele puxou a calcinha até o meio da coxa e deixou lá, presa, e essa merda de detalhe fez ela ficar mais molhada ainda. De quatro. Ela subiu na cama de blusa de seda e calcinha na coxa, o cabelo caindo na cara, a bunda empinada, larga, com marca de biquíni, e ouviu ele soltar o ar pela boca atrás dela: puta que pariu, Rosângela. Passou as duas mãos abertas nela, apertou, abriu, deu um tapa que estalou, e ela gemeu e empurrou pra trás. E aí foi exatamente o que ele tinha escrito na mensagem: deitou a língua na parte de baixo da buceta e subiu devagar, lambeu tudo de baixo pra cima e não parou na buceta, continuou subindo até a língua quente circular o cuzinho dela. Ela travou o corpo inteiro e chamou o nome dele meio assustada, e ele só disse relaxa, amor, só relaxa; voltou pra buceta, chupou mais um pouco, enfiou dois dedos, e enquanto os dedos entravam e saíam molhados a língua voltou pra cima, girando, molhando, sem forçar nada, só insistindo — e ela foi cedendo, primeiro o corpo, depois a cabeça, até empurrar a bunda pra trás contra a boca dele com a cara enterrada no colchão e uma vergonha gostosa queimando na nuca. Isso, ele murmurou, assim. A língua entrou um pouco, os dedos curvados no ponto de dentro, a outra mão passando por baixo e achando o clitóris com o polegar, os três lugares ao mesmo tempo, e ela gozou a terceira vez berrando no colchão, o cu apertando na língua dele, a buceta jorrando na mão dele, as coxas grossas tremendo tanto que ela desabou de bruços. Ele deitou em cima das costas dela, o peito suado colado na seda, a boca no ouvido: falei que você ia gozar muito. Eu não aguento mais, ela disse rindo e chorando ao mesmo tempo, a voz quebrada. Aguenta mais uma. Duda, eu tô destruída. Ele pegou a mão dela, puxou pra trás e encostou por cima do moletom, e ela sentiu o tamanho, a dureza, a grossura descendo pela coxa dele, e ficou uns três segundos em silêncio antes de perguntar que porra é essa. É o que eu tô te dizendo há três anos com o olho. Ela virou, sentou na cama, puxou o elástico do moletom pra baixo, e quando o pau saltou pra fora — duro, pesado, a cabeça roxa e brilhando — soltou um meu Deus que era metade susto e metade fome, e disse que aquilo não ia caber. Cabe. Duda, isso não— Ele segurou o queixo dela e passou o polegar no lábio de baixo, naquela boca que ele passou três anos olhando em reunião, e falou uma palavra só: abre. Ela abriu.
Chupou como se estivesse com raiva, as duas mãos, a boca descendo até engasgar, a saliva escorrendo pelo queixo, os olhos pra cima procurando os dele, enquanto ele agarrava o cabelo dela e deixava ela mandar por um tempo, até começar a puxar de leve e ditar o ritmo com o quadril, ela gemendo de boca cheia. Chega, ele disse arfando, puxando ela pelo cabelo, chega senão eu gozo. Empurrou ela de costas no colchão, abriu as pernas grossas com os joelhos, arrancou a calcinha que ainda estava enrolada na coxa e jogou no chão, pegou o óleo do criado-mudo, molhou a mão, passou no pau inteiro e o resto nela, deslizando os dedos pra abrir. Encostou a cabeça na entrada. E parou. Ela abriu os olhos e disse não me sacaneia agora; ele riu baixo, passou a cabeça do pau pra cima e pra baixo na boca da buceta, no clitóris, molhando, batendo de leve, e ela levantou o quadril tentando engolir e ele afastou. Duda, mete. Fala de novo. Mete essa porra em mim, agora. Ele meteu — devagar, a cabeça abrindo ela, e ela travou a respiração no ardor, no alargamento, na sensação de estar sendo aberta centímetro por centímetro; entrou dois dedos de pau e parou pra ela acostumar, a buceta pulsando em volta, apertadíssima, e ele fechou os olhos e xingou baixinho. Respira. Ela respirou, ele entrou mais, e mais, e ela sentiu a cabeça dele passando por dentro, subindo, alcançando um lugar que fazia anos não era alcançado, e quando achou que já estava tudo dentro ele empurrou mais um pouco, e mais um pouco, e ela soltou um gemido rasgado, longo, quase um choro, as unhas cravando nas costas dele. Bateu no fundo, e os dois ficaram parados, colados, ele com o rosto no pescoço dela, ela com as pernas abertas no ar sentindo cada centímetro e a pulsação dele batendo contra a parede da buceta. Tá tudo dentro, ela sussurrou; tá; meu Deus.
Ele saiu quase todo, devagar, e voltou igual — lento, fundo — e ficou assim uns dois minutos, o corpo descendo e o quadril dela subindo pra encontrar, o som molhado alto no quarto, a cama começando a ranger, ele lendo ela o tempo todo: quando o gemido ficava mais agudo, mudava o ângulo; quando ela arranhava, socava mais forte. Até que parou de ler e começou a foder de verdade — sentou nos calcanhares, puxou ela pelas coxas, jogou as duas pernas grossas nos ombros, dobrou ela no meio e passou a socar de cima pra baixo com o peso do corpo inteiro atrás de cada estocada, e o som mudou de molhado pra tapa de pele em pele, alto, ritmado, o colchão batendo na parede. É assim que você queria, ele perguntou, e ela só conseguia gritar que era, que era, que não parava. Meteu como bicho, sem elegância nenhuma, a mão espalmada em cima do púbis dela e o polegar no clitóris, socando fundo, e ela começou a subir de novo, e dessa vez vinha diferente, vinha de dentro, vinha grande: Duda, tem alguma coisa errada, vai sair alguma coisa. Não tem nada errado, deixa sair. Ele acelerou, ela agarrou o lençol com as duas mãos, arqueou as costas do colchão e gozou molhando os dois — jorrou nele, na coxa dele, no lençol, as pernas tremendo em cima dos ombros dele, a buceta contraindo em espasmos tão fortes que ele quase gozou junto —, e o grito dela saiu feio, animal, e ele não parou de meter durante o gozo inteiro, socando através das contrações até ela empurrar o peito dele, sem força nenhuma. Eu nunca fiz isso na minha vida, ela disse vermelha do pescoço aos seios, o cabelo colado na testa, a blusa de seda amassada e ensopada, rindo sem acreditar. Vira. Duda, eu não— Vira, Rosângela. Ela virou de quatro, trêmula, e ele entrou por trás de uma vez só até o fim, e ela gritou no colchão.
Agora era outra coisa, agora ele estava atrás do dele: prendeu os dois pulsos dela nas costas com uma mão só, puxou pra trás e começou a socar com pressão, sem dó, a bunda dela ondulando a cada batida, o barulho ecoando no quarto, um tapa, outro tapa, a mão espalmada apertando e abrindo, o polegar molhado de óleo encostando no cuzinho dela e ficando ali, pressionando de leve, entrando um pouco enquanto ele metia — e ela desmontou, repetindo que delícia, que delícia, que delícia, com a cara no lençol. Fala, ele mandou. Você tá me arrebentando. Fala que eu sou seu. Você é meu, ela disse, você é meu, porra, você é meu. Ele grudou o peito nas costas dela, a boca no ouvido, a mão no pescoço sem apertar, só segurando, e o ritmo começou a perder a forma: eu vou gozar. Goza. Onde? Dentro, ela virou a cara pra trás procurando a boca dele, goza dentro de mim, Duda, goza dentro. Ele meteu mais cinco, seis vezes, cada uma mais funda, e travou com o pau enfiado até o talo — ela sentiu tudo, o pau inchando lá dentro, o primeiro jato batendo no fundo, quente, o segundo, o terceiro, o corpo dele todo tremendo em cima do dela, o gemido preso estourando no ouvido dela — e ela contraiu de propósito, apertando, ordenhando, e ele xingou e mordeu o ombro dela.
Ficaram assim um tempo, ele ainda dentro, os dois desabados de lado no colchão, a respiração raspando, até o pau amolecer devagar e escorregar pra fora, e ela sentiu a porra vazar quente pela coxa e não fez nada a respeito. Ele passou a mão espalmada na barriga dela e puxou pra trás, colando as costas dela no peito dele. O quarto inteiro cheirava a sexo; o lençol tinha um círculo grande e escuro no meio; a blusa cor de vinho estava amassada até debaixo dos seios; um salto ficou no tapete e o outro sabe-se lá onde. Eu tenho que abrir a loja, ela disse, sem mover um milímetro. Tem. Meu cabelo tá um lixo. Tá. Meu marido… ela parou, fechou os olhos, e pediu: não fala nada. Não falei nada. A chuva batendo na janela, ele passando a boca no ombro dela sem pressa e sem intenção, só porque queria, e ela perguntando, depois de um silêncio longo, o que era aquele pano preto ali no criado-mudo. Ele demorou pra responder, e ela sentiu o sorriso dele contra a pele antes de ouvir a resposta: isso é uma conversa pra outro dia, se você quiser ter essa conversa. Ela ficou quieta uns cinco segundos, virou de frente, ficou cara a cara com ele — os dois melecados, o cabelo dela na testa — e olhou pra boca dele por muito tempo antes de dizer que ia pensar, sabendo perfeitamente que já tinha pensado. Saiu às oito e dez, se atrasou vinte e dois minutos pra abrir a loja, e foi trabalhar sem calcinha: não achou, e não procurou muito.