Camila decidiu naquela noite. Não foi um pensamento passageiro, nem um desejo vago que vinha e ia. Foi uma certeza crua, física, que nasceu enquanto o vídeo ruim rolava na televisão de tubo do quarto do primo. A imagem tremia, a câmera mal focava, o som chegava cheio de chiado, mas ela não tirava os olhos. A loira de cabelo sujo, de quatro sobre o sofá de couro rachado, tinha o cu aberto como uma ferida viva. O pau grosso do cara entrava sem pressa no começo, só a cabeça, depois o corpo inteiro, e a carne se esticava, brilhava de saliva e de outra coisa mais escura. O homem falava putaria em inglês, voz grossa, ofegante, e a cada estocada a loira gemia como se estivesse sendo aberta pela primeira vez.
Camila sentiu a buceta molhar. Não um umedecer discreto. Um escorrer quente que desceu pela coxa interna e manchou a calcinha barata. O primo estava ao lado dela no sofá desmantelado, a mão subindo e descendo pela pele das coxas dela, dedos ásperos de cimento e de trabalho pesado. Ele murmurou, perto do ouvido:
— Olha o tanto de cocaína que deve ter nesses caras… ninguém aguenta tanto sem estar chapado.
Mas Camila sabia que era ciúme. Ele adivinhava o quanto ela gostava de olhar. Gostava do tamanho. Gostava da violência quieta daquilo. Gostava de ver o cu se abrindo e engolindo.
O pau do primo era fino. Ela já sabia disso há meses. Fino e sempre meio mole demais no começo, como se ele tivesse medo de dominá-la de verdade. Ele a deixava escolher as posições, o ritmo, até o quanto ela queria gemer. Aquilo a enojava mais do que excitava. Enquanto a tela mostrava o marmanjo socando fundo, ela odiou a fraqueza dele. Odiou o cheiro de desodorante barato misturado com cimento que vinha da camiseta suada. Odiou a casa inteira: o fedor de cachaça velha que vinha da sala, os pratos sujos empilhados na pia, a sujeira que nunca saía do chão.
Ela queria outra coisa. Queria um pau que não pedisse licença. Que entrasse no cu dela como se tivesse direito. Que rasgasse. Que fizesse a boca se abrir sozinha e o grito sair sem controle. Queria dor. Queria sentir o corpo inteiro se contrair em torno daquilo e depois ceder. Queria que o pau socasse a merda da vida dela até sobrar só o corpo. Até sobrar só a sensação de estar sendo usada de verdade.
Camila era loirinha mignon, peito pequeno, cintura estreita, bunda redonda demais para o resto do corpo. Amante do primo por necessidade mais do que por vontade. Procurada pela polícia por roubos pequenos: carteiras, celulares, uma ou outra mercadoria de loja. Crimes insignificantes que ainda assim a mantinham olhando por cima do ombro toda vez que saía na rua. Tinha a mãe perdida no mundo. A mãe tinha fugido uma madrugada, cara roxa, braços cheios de hematomas. Os vizinhos contavam a história da mulher espancada que sumiu. Só Camila sabia o resto.
Naquela noite, enquanto o pai bêbado batia nela mais uma vez, a mãe agarrou uma garrafa vazia de cachaça. Acertou a cabeça dele com força suficiente para deixá-lo atordoado. Depois o amarrou na mesa da cozinha com os próprios cintos e meteu o gargalo da garrafa no cu dele até o sangue aparecer. Camila tinha doze anos e viu tudo pela fresta da porta. O pai uivou. A mãe não falou nada. Só empurrou mais fundo e depois saiu pela porta dos fundos sem olhar para trás. Desde então o pai bebia ainda mais e a casa ficou ainda mais suja. O primo apareceu como “ajuda” e logo virou dono do corpo dela.
Por isso o cu ainda estava intacto. Tudo o resto já tinha sido entregue. As mãos tinham calos de trabalho e de furtos. A pele do rosto e dos braços carregava marcas de sol e de falta de cuidado. A buceta tinha sido usada pelo primo todas as vezes que ele queria, no sofá, no chão, contra a parede do banheiro. Mas o cu ainda era dela. O único pedaço que a vida ainda não tinha exigido.
Naquela noite, enquanto o filme chegava no clímax e o cara tirava o pau sujo e gozava na cara da loira, Camila piscou o cu. Sentiu o músculo se contrair sozinho, como se já estivesse se preparando. Fechou os olhos e visualizou a rua central. A calçada movimentada, o movimento de gente, os carros, a luz amarela dos postes. Ela parada ali, escolhendo. Não o primo. Não alguém daquela gente sofrida, sem escolha, fodida da vida. Queria um cara que tivesse escolhido ser porco. Um que cheirasse a cocaína e a decisão. Um que olhasse para ela e decidisse que ia foder o cu dela porque queria, não porque era o que sobrava.
Quanto cobraria? A pergunta veio clara. Ela não queria se entregar de graça. Queria escolher o preço. Queria sentir que estava vendendo algo que ainda valia. Algo que ainda era dela.
O primo murmurou alguma coisa, a mão já entre as pernas dela, dedos tentando entrar. Camila abriu as pernas por hábito, mas a mente já estava longe. Já estava na rua. Já estava imaginando o momento em que alguém grosso, sujo, ilegal, a empurraria contra uma parede ou a jogaria de quatro em algum canto escuro e enfiaría o pau no cu dela sem pedir. Ela ia morder o lábio, franzir a cara, gemer baixo primeiro e depois alto. Ia sofrer. Ia sentir a dor abrir caminho e depois virar outra coisa. Ia finalmente sentir alguma coisa que não fosse só sobrevivência.
Ela empurrou a mão do primo com mais força do que o necessário. Ele resmungou, ofendido.
— Que porra é essa, Camila? Tá molhada pra caralho e agora me empurra?
Ela se levantou do sofá sem responder. A calcinha colava na pele, o tecido fino já encharcado. O primo ficou olhando, o pau fino marcando a bermuda, a expressão de quem não entendia nada.
— Sai daqui — ela disse, voz baixa, firme. — Vai embora. Agora.
— Você tá doida? Eu te trouxe o filme, eu te deixo ver essas putarias e agora…
— Eu falei pra sair.
Ele se levantou, xingando baixo, mas obedeceu. A porta do quarto bateu. Camila ficou sozinha com o vídeo ainda rodando. A loira na tela agora estava de lado, uma perna levantada, o cu vermelho e aberto, o pau entrando e saindo com barulho molhado. Ela se aproximou da televisão, ajoelhou no chão, a cara bem perto da imagem tremida. Observava cada detalhe: a forma como a carne se esticava, o jeito que o buraco engolia a rola inteira, o músculo apertando quando o cara puxava quase tudo para fora e depois socava de uma vez.
Camila passou a mão por baixo da saia curta. Tirou a calcinha. Os dedos deslizaram pela buceta escorrendo e foram direto para o cu. O anel estava apertado, seco. Ela cuspiu na mão e esfregou a saliva ali, apertando um dedo. Doeu. Doeu do jeito certo. Ela empurrou mais fundo, até a junta, e gemeu baixo, a testa encostada na tela quente.
— Porra… — sussurrou para si mesma. — Quero um pau de verdade aqui.
Ela ficou ali um tempo, se dedando o cu enquanto assistia o cara gozar de novo na cara da loira. Quando o vídeo acabou e a tela ficou azul, Camila se levantou, vestiu uma saia ainda mais curta e uma blusa que quase não cobria os peitos. Não botou calcinha. Saiu de casa sem fazer barulho.
A rua central estava movimentada mesmo àquela hora. Gente saindo de bar, carros passando devagar, um ou outro olhando. Camila parou na calçada, perto de um poste, e esperou. Não demorou.
Um cara de uns trinta e poucos anos, cabelo raspado, camisa aberta, cheiro forte de cigarro e de algo químico, parou o carro na frente dela. Baixou o vidro.
— Quanto?
Camila olhou direto para ele. Olhos vermelhos, pupilas dilatadas. O tipo certo.
— Depende do que você quer.
— Quero te foder no cu. Sem enrolação. Te arrombar direito.
Ela sentiu a buceta latejar.
— Duzentos. E você me leva pra um lugar. Não quero na rua.
Ele riu, mostrou os dentes.
— Entra.
Camila abriu a porta e sentou. O carro cheirava a cocaína e suor. Ele dirigiu em silêncio por alguns minutos até um beco escuro atrás de um prédio abandonado. Matou o motor.
— Desce a saia. Sem calcinha, né? Já sabia.
Ela desceu a saia até os joelhos e se virou de quatro no banco do passageiro, a bunda virada para ele. Ele abriu a porta, saiu, veio pelo outro lado e puxou ela para fora, inclinando o corpo sobre o banco. A blusa subiu, os peitos pequenos ficaram à mostra. Ele cospeu na mão e esfregou o cuspe no cu dela com dois dedos, abrindo.
— Apertado pra caralho. Nunca deu?
— Nunca.
— Vai doer.
— Eu quero que doa.
Ele abriu a calça. O pau saiu grosso, veias saltadas, já duro. Camila olhou por cima do ombro e sentiu a boca secar. Era o tamanho certo. Ele encostou a cabeça no buraco e empurrou.
A dor veio seca, quente, como se algo estivesse rasgando por dentro. Camila mordeu o lábio até quase sangrar. Gemeu alto quando ele forçou mais, a cabeça entrando de uma vez.
— Porra… — ela soltou, a voz falhando. — Mais fundo.
Ele agarrou a cintura dela com as duas mãos e meteu o resto. O pau inteiro sumiu dentro do cu dela. Camila gritou. O corpo tremeu. Ele não esperou ela se acostumar. Começou a meter com força, estocadas curtas e profundas, o pau saindo quase todo e entrando de novo até as bolas baterem na buceta molhada.
— Isso… isso… — ela gemia entre os dentes. — Me arromba. Mais forte.
Ele obedeceu. Aumentou a velocidade. O som molhado e seco do pau entrando e saindo encheu o beco. Camila sentia cada veia, cada centímetro, a dor misturando com um prazer sujo que subia pela espinha. A buceta escorria sem ninguém tocar. Ele puxou o cabelo dela para trás e falou no ouvido:
— Seu cu tá engolindo tudo. Apertando que nem puta. Gosta, né?
— Gosto… porra, gosto. Me fode mais fundo.
Ele tirou o pau quase inteiro, só a cabeça dentro, e socou de uma vez. Camila gritou de novo, as unhas arranhando o banco. Ele meteu sem parar, cada vez mais bruto, até o cu dela começar a fazer barulho de ar, aberto, usado. Quando ele sentiu que ia gozar, puxou para fora, virou ela de frente e meteu de novo, agora olhando o rosto dela.
Camila estava suada, a boca aberta, os olhos marejados de dor e de algo mais. Ele meteu fundo e gozou dentro, quente, pulsando. Ela sentiu o jato batendo lá no fundo e gemeu alto, o corpo se contraindo em volta do pau.
Ele tirou devagar. O cu dela ficou aberto, branco escorrendo. Camila ficou ali, de quatro no banco, respirando pesado, a bunda latejando. Pela primeira vez em muito tempo, sentiu alguma coisa que não era só sobreviver.
O cara abotoou a calça, tirou dois bilhetes de cem do bolso e jogou no banco.
— Se quiser de novo, me acha. Eu volto.
Camila pegou o dinheiro sem se mexer. Ainda sentia o cu pulsando, aberto, sujo. E pela primeira vez, sorriu de verdade.